domingo, 4 de janeiro de 2015

[Castle Fic] There's Always Tomorrow - Cap.33


Nota da Autora: Nesse capítulo próximo da reta final, temos um pouco de tudo. Alguns elementos da história da série foram ignorados, outros mudados, afinal é uma fic AU. Espero que gostem, estamos perto do fim. Ah! A música "La Mer" para quen não sabe é a versõa francesa de "Beyond the sea". Enjoy!  

Pitadas de NC17...

Cap. 33


Alexis retorna ao loft uma semana depois com várias ideias para mostrar a Kate sobre o aniversário de Alex. Castle estava no escritório concentrado em seu livro. O falatório das duas parecia bem animado. Logo em seguida, Martha se juntou a pequena festa que elas faziam atiçando a curiosidade dele. Porém, como estava no meio de uma cena de ação, isso teria que esperar.

O painel sugerido por Alexis era lindo. Além de balões, enfeites e sugestões de lembrancinhas. Sem esquecer do bolo. Havia  modelos maravilhosos, porém as duas reduziram a três. Kate apresentou a lista de convidados e definiram o cardápio. A maioria das coisas já estava definidas, o resto ia esperar por Castle.

- Papai está bem dedicado a esse livro, não?

- É bom que esteja. Gina está cobrando de nós para lançarmos o quanto antes. E ficou meio chateado porque eu reescrevi o último capítulo que ele fez praticamente todo e ainda escrevi mais um com cenas calientes. Sabe como Castle é competitivo. Sua missão agora é fazer algo melhor. Nem quero ver quando Alex puder brincar com ele de igual para igual, vai ser uma loucura controlar o garoto de nove anos.

- Se prepare querida, você terá que ter muita paciência – disse Martha.

- Foi telefonar para esses locais. Como já adiantamos os preparativos do Alex, quero conversar e mostrar algo que pode interessar a você, Kate. Andei pesquisando os cursos disponíveis in loco e online voltados para o Direito criminal. Eles tem inicio em julho como curso de férias e seguem sendo oferecidos a partir de setembro. Você faz seu horário. Ao final dos módulos deverá ir a universidade prestar o exame final. Trabalhos, relatórios tudo pode ser enviado pela internet. Você deveria mesmo dar uma analisada. Acredito que seria muito bom para você. Vou passar os links via email para que cheque os conteúdos e escolha aquilo que melhor se encaixa em seu dia a dia.

- Obrigada, Alexis. Talvez eu realmente siga em frente com a ideia. Longe de mim querer expulsar a Capitão Gates do 12th, mas não custa nada estar preparada. Ela quem sugeriu, não?

- Sugeriu o que? – Castle apareceu na sala querendo se inteirar da conversa.

- Os cursos de direito. Será muito bom para ela, pai.

- Também concordo.

- Mesmo? – Kate parecia surpresa.

- Pense bem, tenho o maior orgulho da minha esposa como Lieutenant, imagine como Capitã. Sem contar que com você no comando, não preciso ficar passando por algumas saias justas.

- E o que o faz pensar que comigo seria diferente? Terá que andar na linha da mesma maneira. E Gates tem sido muito compreensiva com você desde que, você sabe. E como vai o livro?

- Muito bom. Escrevi mais três capítulos, depois discutimos sobre eles. Então, decidiram tudo para a festa? Eu ainda não estou acreditando que seremos discretos. Imaginei a festa de um ano de Alex como um verdadeiro baile.

- Sei muito bem as loucuras que passaram por sua mente. Por você, festejaria na Disney.

- Será feito com certeza quando ele estiver um pouco mais velho e puder andar nos brinquedos – Kate revirou os olhos batendo no sofá para que sentasse ao seu lado a fim de mostrar o que tinham escolhido.
Mais tarde, na cama, eles acabaram discutindo os novos capítulos escritos por Castle. Kate novamente deu sugestões e reescreveu pelo menos um deles. Concordou com ele que deveria dedicar-se ao próximo, pois tratava-se de um momento intimo e pessoal para Nikki e como tinha ligação direta com o que Kate escrevera em Heat Blows, ela era a pessoa mais indicada. Prometeu escrever no fim de semana.

O trabalho do FBI estava estagnado. Apesar da ampla divulgação do APB do capanga de Bracken, especialmente pela ABC, nada surgiu. McQuinn continuava buscando o rastro das munições e do corolla, porém estava cada vez mais difícil avançar na investigação.

Ao contrario do FBI, a cidade de New York estava numa onda bem crítica de assassinatos. O distrito estava com uma média de quatro casos por semana fazendo Beckett se redobrar com os rapazes para solucionar o mais rápido possível aqueles homicídios. O nível de trabalho estava tão pesado que voltava para casa todos os dias após às nove horas e um dos dias da semana acabou virando a noite no distrito. Castle até mesmo suspendeu suas atividades com o livro para ajuda-la. Estenderam o trabalho até o sábado para reduzir o numero de casos para apenas um.

Tudo o que Kate queria ao voltar para casa por volta das sete da noite naquele sábado era um banho relaxante com sais na banheira e uma boa noite de sono. Antes da devoção, porém ela cuidou de aprontar o jantar do filho aproveitando o momento para curtir o pequeno Alexander. Castle acabou pedindo jantar para os dois do Le Cirque, pois sequer almoçaram naquele dia. Preparou a banheira para a esposa como imaginava que ela queria. Checou a temperatura da água, despejou os sais e o liquido para fazer as bolhas. Também estava cansado e a ideia de passar uma hora de molho ao lado dela na água morna era bem convidativa.

Quando Kate colocou Alex no berço e entrou no quarto, não o encontrou. Tirando a roupa suja, despiu-se completamente. Caminhou até o banheiro, ao abrir a porta, ela o viu de frente para o espelho, com uma toalha enrolada na cintura prestes a fazer a barba. Havia alguns pelos parcos formando-se no queixo e na mandíbula.

- Prefiro que não faça isso agora, Castle – ela aproximou-se dele – não tire a barba ainda. Gosto de como ela roça na minha pele. É excitante.

- Hum... se é para agrada-la... – inclinou-se beijando seus lábios deixando o queixo deslizar no rosto dela – que visão maravilhosa – deslizou a ponta dos dedos pelo meio de seus seios – seu banho já está pronto, entre logo, você merece esse descanso.

- Você não vem? – não deixou que ele respondesse, puxou a toalha levando-a ao chão. Entrou na banheira, pé ante pé, deslizando seu corpo vagarosamente sentindo a pele esquentar ao ter cada parte do seu corpo tocada pela água. Quando estava praticamente submersa, suspirou encostando o pescoço na lateral da banheira. Brincou um pouco com a espuma que se formara, jogou um pouco de água para molhar seu rosto. Não tinha pressa. Castle também não. Ele estava parado no meio do aposento admirando-a. Tinha olheiras pelas noites mal dormidas ainda assim esbanjava beleza. Sua musa, sua esposa.

- Castle... por que ainda está de pé me olhando? Vem logo.

Quando se juntou a ela na banheira, Castle começou a massagear os pés cansados de Kate. Passar mais de doze horas naqueles saltos acabava com seus pés, ela não abria mão deles mesmo sabendo que precisaria correr atrás de suspeitos pelas ruas da cidade. O carinho nos pés transferiu-se para os ombros. Com paciência, ele conseguiu desfazer todos os nós que formaram-se em seus ombros. Kate que se mantinha calada recebendo os mimos do marido, resolveu levar o momento de relaxamento para um outro nível. Movendo-se no espaço da enorme banheira, ela colocou-se de joelhos entre as pernas de Castle. Seus lábios roubaram-lhe um beijo sensual. Kate deixou o rosto roçar na barba recém-crescida, sentindo os pelos dos braços arrepiarem. As mãos percorriam o peito marcando a pele em alguns momentos com as unhas. Voltou sua atenção para os lábios novamente.

A língua de Kate explorava todo o interior da boca de Castle. Seu membro rijo flutuava na água, ela o tomou nas mãos massageando a cabecinha com a palma da mão. Os gemidos dele serviam como estímulo. Apertou os seios dela e segurando-a pela cintura trocou de posição. Provou-lhe os seios e instigou deixando sua barba deslizar na pele macia do colo e do abdômen, ela já estava prestes a gozar, pressentindo isso, ele escorou o corpo numa das laterais da banheira puxando-a para si. Kate deslizou o corpo para encaixar no dele, como um molde perfeito. Juntos, eles se entregaram ao prazer.

Deixaram a água enrolados em roupões de seda. Castle secava gentilmente os cabelos dela com a toalha. Extremamente relaxada, ela vestiu uma camisa da NYPD deitando-se ao lado dele. Dormindo quase que instantaneamente.

Após um dia relativamente calmo no distrito, Kate passou no restaurante indiano e comprou o jantar para os dois. Castle saíra uma hora antes do distrito porque tinha uma reunião agendada com Gina. Chegando em casa, ela encontrou a babá brincando com o filho na sala. O pequeno Alex ao ver a mãe correu em sua direção agarrando-lhe as pernas. Kate o suspendeu do chão enchendo-o de beijos. Pediu a Amy para dar o jantar dele essa noite e coloca-lo para dormir.

Preparou a mesa de jantar, arrumou as comidas em pratos em vez de vasilhas de papel e colocou um vinho para gelar. Queria comer com Castle. Naquele dia, ela tivera que dar a notícia da morte de uma mãe a sua filha. Contar a alguém que ela perdeu um ente querido era sempre doloroso, porém quando se tratava de mãe, era impossível que Kate não sentisse seu coração entristecer, uma nostagia a invadiu. Por isso estava fazendo tudo aquilo para Castle. Há dois dias, ele mencionara os diários de sua mãe novamente. Em vez de cumprir o que prometera, desconversou alegando cansaço, não estando com cabeça para uma viagem ao passado.

Hoje ao enfrentar as lágrimas de uma filha desesperada, ela percebeu que fora injusta com o marido. Queria desfazer a sensação ruim que pairava em seu coração e se redimir com Castle. Seria bom passar um tempo nas lembranças da mãe. Deixando tudo preparado, ela foi para o quarto tomar um banho e colocar uma roupa mais leve.

Castle chegou meia hora depois, Kate estava conversando com Amy que acabara de colocar um adormecido Alex no berço. A moça se despediu do dono da casa e deixou-os sozinhos.

- Está com fome? Comprei comida indiana. Vá troca de roupa para jantarmos.

- Sim, senhora – sentados à mesa, Castle serviu o vinho para os dois, saboreavam os pratos picantes quando Kate perguntou sobre a reunião.

- Como foi? A Gina pegou muito no seu pé? Apertou o prazo do livro?

- Nem tanto. Ela ficou um pouco surpresa por entregar cinco capítulos dessa vez. Já avisei que estamos perto do final. Pela nossa história, faltam apenas quatro. Dois meus e dois seus. Curiosamente, ela não fez qualquer pressão.

- Ótimo. Eu pensei em aproveitar a noite de hoje para remexermos nas coisas de minha mãe. Venho adiando seu pedido por muito tempo, está na hora de revisitar aquelas caixas novamente.

- Isso é uma excelente notícia – ele debruçou-se para beija-la – por que hoje? Tem relação com a vítima que morreu ontem de madrugada?

- Como você faz isso? Não consigo esconder nada de você. Castle, às vezes, fico impressionada com o quanto me conhece. Sim, eu tive que comunicar a filha da morte da mãe. Não me lembrar daquele dia frio de janeiro era impossível. Senti saudades, olhar todos os seus diários e anotações talvez seja um modo de me sentir próxima a ela, manter a ligação.

- Entendo perfeitamente, fará bem a você – ela sorriu acariciando a mão dele.

O local da casa escolhido para a volta ao passado foi a sala de estar. Sentados no sofá com as caixas sobre a mesinha de centro, Castle e Beckett dedicavam-se a folhear vários diários escritos por Johanna. Anotações de casos jurídicos que trabalhava, alguns pro-bonos, havia recomendações para estudantes que estagiavam sob sua supervisão e detalhes pessoais. Fotos, pequenas lembranças compartilhadas com a filha.

Kate segurou uma daquelas luvas para café do Java Coffee, o nome da mãe estava escrito nela juntamente com uma estrela desenhada, guardara o pedaço de papelão após tomarem a bebida. Lembrava-se claramente desse dia. Castle percebeu o olhar nostálgico que ela exibia enquanto analisava o pequeno pedaço de papel.

- O que foi? O que tem de tão especial nesse papel do Java?

- Era um dia das garotas. Minha mãe combinara de me levar às compras, queria um vestido novo e sapatos para um encontro especial. Tinha dezessete anos, o nome dele era Brad. Nós rodamos muito tempo em lojas do Soho e acabamos na Macy’s. A escolha da roupa, porém não foi o melhor momento do dia. Subimos a quinta avenida falando de tudo, futuro, trabalho, garotos. Entramos numa das cafeterias Java, aquela que fica na esquina da sétima com a 50th próximo ao Rockfeller Center. Pedimos café – ela olhou diretamente para Castle – o mesmo que você me traz todos os dias.

Ele apertou a mão livre dela, puxou-a para perto de si aconchegando-a em seu peito. Kate brincava com o papel rodando-o entre seus dedos.

- Essa era a luva do seu copo. Enquanto minha mãe me dava dicas de como agir com garotos em encontros importantes, o café foi terminando. Vê aqui – ela ergueu o papel na altura do rosto dele – o atendente escreveu o nome dela aqui em vez do copo. Eu retirei o papel e desenhei o coração escrevendo meu nome embaixo “Johanna S2 Katie”. Eu disse que a amava, disse que quando terminasse a escola eu seria uma advogada maravilhosa como ela. A suprema corte que me aguardasse. Ela ficou tão feliz, Castle. Foi a primeira vez que revelei a vontade de seguir a mesma carreira dela.

Ele percebeu as lágrimas molhando o rosto dela. Erguendo seu queixo para poder fita-la, Castle beijou o local por onde as lagrimas escorreram. Os olhos azuis estavam serenos, cintilando uma cor que a lembrava do oceano pacifico.

- Sua mãe está muito orgulhosa da mulher que se tornou, Kate. Não tenho dúvidas disso – ele a beijou carinhosamente – essa história de cumplicidade é um dos momentos que merecem sempre ser recordados por você. Daqui a alguns anos, você terá a oportunidade de repeti-la ou criar novas com o nosso filho, quando isso acontecer você vai se lembrar de Johanna novamente, da forma como ela a ajudou, vai se sentir mais próxima de sua mãe.

- Eu sei disso agora, mas antes de você aparecer na minha vida não imaginava ser mãe justamente por não ter a minha por perto. Formar uma família me fez pensar que eu teria a chance de reviver um pouco do que foi quando ela estava ao meu lado e tentar ensinar a Alex um pouco do que ela me ensinou. Por isso eu te amo tanto, você me deu essa chance.

- Fico feliz de poder ajuda-la. Alex terá a melhor mãe do mundo – beijou-a novamente. Kate ainda segurava o papel nas mãos pelo bom tempo que permaneceu acomodada no peito dele até o instante que resolveram continuar o que faziam. Ela entregou um dos diários de capa azul para Castle, ao todo eram quatro. Eram ali que continham as informações mais preciosas que Johanna registrara sobre as atividades suspeitas e ilegais envolvendo o senador.

Kate relembrou-o de como funcionava o código criado por sua mãe a fim de entenderem bem o que estava analisando. Decidiram concentrar suas atenções em um diário por vez. Dividiam-se entre o conteúdo do diário e as anotações do arquivo eletrônico montado por Castle com todos os detalhes coletados por ela ao longo dos anos de investigação.

Continuaram a remexer naquela parte do passado até seus olhos arderem. O sono dominou-os e decidiram encerrar os trabalhos. Castle ajudou-a com as caixas deixando-as em um lugar mais acessível para as próximas sessões, seu escritório. De mãos dadas seguiram para o quarto.

Com uma semana para o aniversario de Alex, Nadine voltara ao trabalho estreando como âncora principal do jornal das nove. Infelizmente em sua volta, ela não foi capaz de trazer a noticia que esperava, a captura de seu perseguidor. Mesmo assim, estrelou com louvor seu papel à frente do público que aprendeu a gostar da loira atrevida que escolhera o jornalismo investigativo como sua opção de vida.

Assim que a edição do jornal acabou, Kate pegou o celular e ligou para a amiga. Essa tarde, um caso interessante caiu em suas mãos o que seria um prato cheio para Nadine trabalhar com eles, além disso, ela estava com saudades da amiga repórter.

- Hey, Nadine! Acabei de ver sua estreia poderosa. Parabéns!

- Lieutenant Kate Beckett, a que devo a honra? Você ligou somente para me cumprimentar? Nossa! Sinto-me lisonjeada.

- Você merece, tanto que tenho uma ótima reportagem para você. A fim de seguir uma investigação ao meu lado? Recebi um caso que pode lhe interessar.

- Tá brincando? Estou louca pra andar pelos corredores policiais novamente. Esse um mês boiando em casa foi um tédio. Conte comigo. Encontro você no distrito?

- Sim, amanhã às oito horas e por enquanto nada de câmeras. Você não esqueceu da pequena reunião semana que vem aqui para celebrar o aniversario de Alex, certo? Espero você e Jeff.

- Claro que irei. Vejo você amanhã.

Ao chegar em casa naquela noite, Nadine encontra Jeff resmungando em frente ao monitor de 21”. Ele digitava ferozmente sobre o teclado, particularmente envolvido no que fazia. Ela se aproximou dele, beijou-lhe a nuca e somente depois de ver uma das mãos tocando seu braço soube que tinha a atenção dele para perguntar.

- Por que você está resmungando com o computador?

- Nad, eu não aguento mais garimpar no escuro. Todos os possíveis assuntos referentes ao envolvimento com o esquema da máfia ou o assassinato de Johanna Beckett já tentei. Não consigo achar um documento, uma pista do que precisamos. Sem a ajuda de Castle ou Beckett, duvido que encontremos algo nesse mundarel de coisas. Por que não podemos consulta-los? Explique-me novamente.

- Jeff continuamos trabalhando em sigilo. Ou melhor, você continua porque ultimamente não tenho feito grandes coisas para ajuda-lo. Esse lance de não poder salvar os aquivos em outro lugar limita muito a nossa interação. Se Kate sonhar que estamos investigando e com um potencial muito bom de achar provas contra o senador, ela vai nos odiar a princípio e depois vai querer analisar tudo pessoalmente. O problema que assim como eu, ela é muito focada e passional com relação a esse assunto. Irá esquecer de tudo e todos até encontrar o que precisa para derrubar o senador.

- E ela estaria errada ao fazer isso?

- Claro que não! Tem esse direito. O problema é que pode ser uma ida sem volta.

- Ainda não me convenceu, você não está sendo clara.

- Não posso dizer, seria errado e uma traição. Eu pesquisei e conheço o passado de Kate, ela mesma me contou alguns detalhes que não posso revelar a você. Acima de tudo, ela é minha amiga e confiou em mim. O que posso dizer é que ela se tiver acesso a esses documentos sem nada concreto, pode ser uma estrada sem volta. Se você quer ajudar Kate, continue o trabalho. Ela me convidou para participar de mais um caso. Pode ser uma boa oportunidade para sondar o que procurar. Talvez Castle seja a nossa fonte ideal.

Na manhã seguinte, Nadine se juntou a Castle e Beckett no 12th distrito para mais uma reportagem. Beckett percebeu que sentia mais falta da companhia da repórter do que pensava. Juntos revisaram os dados, passaram por todas as evidências e pistas listadas até aquele instante.  Foram até o necrotério e caminharam uma vez mais pela cena do crime. Beckett prometeu que no dia seguinte ela poderia trazer sua câmera para documentar alguns detalhes a fim de complementar a reportagem. Os rapazes tinha ido à casa de um dos suspeitos para trazê-lo até o distrito para interrogatório. Nadine teimosamente filmou o momento que Beckett esfolou o cara sem dó. Infelizmente, não fora ele o responsável pelo crime, mas deu a ela outra pista valiosa. Dessa vez, Kate Beckett pressentia que podia estar lidando com o assassino. Ordenou uma pesquisa das finanças além de antecedentes. Se as suspeitas se confirmassem, trariam o cara para o distrito na primeira hora da manhã. 

Antes de ir embora, Nadine fez uma média com a Capitã Gates e agradeceu sua cooperação junto à mídia. Depois, Castle a chamou para um café.

- Espero que esteja satisfeita com esse caso, Nadine. Só aviso que você terá que estar aqui às sete da manhã.

- Não se preocupe, estarei aqui. Será ótimo brindar meus telespectadores com uma nova investigação ao lado da Lieutenant Beckett. Como está Alex?

- Ótimo! Contei para você que a primeira palavra que ele falou foi Nikki?

- Você está brincando? O pai deve ter ficado todo orgulhoso! – disse olhando para Castle – afinal é sua criação.

- Você não conhece Castle. Se a primeira palavra dele foi essa, ele julga que é devido a minha ligação com o menino.

- Há! Essa é boa.

- Hey! Eu estou bem aqui – disse ele contrariado.

- Por falar em Nikki, e o livro? Quando sai?

- Logo. Estamos na reta final. E Jeff? Você ainda não me contou como o fisgou de vez. Espera vocês ainda estão juntos, certo?

- Claro, ele foi um amor comigo durante a recuperação. Deveríamos agendar um encontro de casais. Que tal um jantar para comemorar a minha promoção e o novo livro de Nikki Heat? Vamos marcar.

- Acho excelente a ideia – disse Castle quando Tory surgiu na minicopa.

- Com licença, tenente. Ryan está lhe chamando para ver algo das finanças. Também encontrei algo interessante que merece sua atenção. Oi, Nadine! – a jornalista acenou para ela.

- Pode me dar licença, Nadine? – Beckett falou já saindo em companhia de Tory. Nadine aproveitou para sondar Castle.

- Ela parece estar bem tranquila, não? Pensei que após parar o tal projeto, Kate ia sucumbir ou até enfrentar um momento de depressão. Talvez a julguei errado. Ela realmente é uma guerreira. Castle, hipoteticamente e entre nós, se tivéssemos uma chance em procurar uma única evidência capaz de colocar você sabe quem atrás das grades, qual seria?

- Nadine, nós já falamos que não iremos procurar nada referente a esse assunto. Prometemos para Kate.

- Castle, sei disso. Estou falando hipoteticamente. Eu me recuso a aceitar que alguém tão vil ficará impune. Aquele homem é a escória. Não preciso envolver ninguém ou espalhar aos quatro ventos seus crimes contra o país, mas como jornalista existe outros meios de se aproximar do senador sem que ele saiba qual o real motivo.

- Jura? Depois dele ter mandado te apagar? Você vai insistir em ir atrás dele?

- Claro que não, Castle. Podia usar um colega do meio político ou você esqueceu que a ABC tem um dos melhores comentaristas e cientista político do país? Seriam pequenas dicas, nada mais.

- Nadine em nome de nossa amizade, não. Prometi a Kate que não voltaria a insistir nessa história, você irá fazer o mesmo. Sinto-me tão frustrado quanto você, ou acha que eu não gostaria de colocar minhas mãos naqueles documentos comprometedores provando o envolvimento dele em uma série de assassinatos? Os mesmos documentos responsáveis pela morte de Montgomery, que deixaram Beckett entre a vida e a morte. Por causa deles, eu quase perdi o amor da minha vida. Tudo porque Smith não recebeu aquela pasta a tempo – ele balançou a cabeça, por um momento se deixou vagar por memórias do passado – desculpe, minha resposta continua sendo não.

- Tudo bem, eu entendo. Sei o quanto a ama. Admiro muito o sentimento e a cumplicidade de vocês. Acho melhor eu ir andando. Quero editar tudo isso para ir ao ar amanhã de preferência, se o suspeito for o culpado, claro. Vejo vocês amanhã e o convite pro jantar está de pé. Tchau, Castle. Diz para Kate que ligo avisando se precisar de algo mais enquanto adianto a edição da reportagem, quero muito ver esse caso ir ao ar – e o furacão Nadine saiu apressada, como sempre, para o elevador. Beckett surgiu logo em seguida.

- Castle, cadê a Nadine?

- Teve que ir. Pediu para agradecer, amanhã está aqui e disse que liga se precisar de mais alguma coisa. Ah! E o jantar está de pé, basta marcar.

- Certo. Parece que Nadine vai ter o desfecho que quer para o caso. E nós também. Adivinha o que achamos nas finanças de Jerry? Vem comigo – quando Castle fez menção de sair da minicopa, ela coloca a mão no peito dele – não antes de pegar mais uma caneca de café para mim.

- Mandona! – ele disse rindo.

No dia seguinte, Nadine estava cedo no distrito para assistir e filmar outro show de interrogatório. Satisfeita com a conclusão do crime, Nadine fez mais umas perguntas para Beckett para completar a reportagem e correu para a redação a fim de editar e anunciar o novo quadro que infelizmente ficaria para o dia seguinte, sexta-feira, por limitação de tempo no jornal segundo o editor-chefe.

Dessa maneira, Nadine editou toda a gravação feita em companhia de Beckett. Gravou o jornal mais cedo rumando para casa por volta das sete. No caminho, ligou para o namorado. Tinha boas noticias para ele também. Como ele estava cheio de ler documentos, com a cabeça latejando, saiu de casa e estava naquele momento em um pub irlandês a poucos metros do apartamento de Nadine. Com o telefonema, ele pediu mais uma Guiness e a conta.

Ao chegar ao apartamento encontrou Nadine sentada no sofá da sala. Tinha um copo de vinho nas mãos. Ele se sentou ao seu lado beijando-lhe os lábios.

- Como foi a reportagem no 12th?

- Excelente. Será mais um sucesso da nova fase de Nadine Furst, sem diminuir os méritos da NYPD e da tenente. Kate Beckett é uma tigresa, nunca vi alguém tão boa na sala de interrogatório. Espero nunca ter que passar por essa situação, levar uma bronca dela já foi ruim demais. Apesar que...talvez estejamos fazendo isso continuando a investigação e ficará melhor.

- Como assim?

- Sondei o que pude de Kate, mas ela é esperta. Não consegui nada. Castle também se mostrou muito arredio à ideia. Felizmente, eu também tenho os meus truques e fiz as colocações corretas. Conclusão? Castle acabou, apesar de negar ajuda, falando algumas coisas interessantes para pesquisarmos entre os arquivos do senador. Nada realmente comprometedor, porém me lembrei de ter lido algo nas anotações de Kate com o mesmo nome. Smith. Castle afirmou que tanto Montgomery quanto Beckett tiveram suas vidas em risco por conta de uma pasta de documentos comprometedores. Sabemos que o capitão não teve muita sorte, mas acredito que poderemos partir daí. Vamos reler o arquivo de Beckett dando especial atenção a esses nomes. Então, poderemos voltar ao banco de dados do senador.

- É melhor do que tínhamos antes.

A reportagem de Nadine foi ao ar, sendo um novo sucesso. A audiência apenas provou que a jornalista estava no lugar certo. Porém, nem todas as notícias foram boas. McQuinn procurou Beckett no início do seu turno no distrito para comunicar-lhe que voltaria a Washington no dia seguinte. Não que a notícia tivesse pego Beckett despreparada, infelizmente as pistas esfriaram, nada novo surgiu e o chefe dele em DC tinha muitas outras investigações que precisavam de sua presença. Desculpando-se com a tenente, ele agradeceu pela cooperação dela, de Castle e também falou com a Capitã.

Naquela mesma noite, Kate voltou a dedicar um tempo nos diários da mãe em companhia de Castle. Novamente, foi outra volta ao passado. O que Kate acabou descobrindo era que a invenção de Castle para revisarem as anotações da mãe, serviu para que ela se sentisse próxima a ela, conectada às lembranças mesmo que não conseguisse encontrar nada comprometedor, o tempo passado com os diários era precioso.

Nas vésperas do aniversário de Alex, Jeff estava debruçado sobre o monitor lendo mais uma bateria de arquivos do computador de Bracken. Já tinha passado por pelo menos dez documentos naquela noite quando Nadine se aproximou com uma xícara de café e um pedaço de brioche.

- Você não vai parar de mexer nesse computador? Já são mais de dez da noite. Por que não encerra por hoje? – ela envolveu o pescoço de Jeff com os braços beijando seu ouvido.

- Só vou ler mais dois ou três. Prometo que em vinte ou trinta minutos vou pra cama.

Em outro lugar de Manhattan, outras pessoas estavam também muito ocupadas com a arrumação de um ambiente. Alexis, Kate e Castle faziam os últimos ajustes na sala do loft. Os balões seriam colocados apenas no dia seguinte. As comidas que podiam ser preparadas com antecedência estavam armazenadas na cozinha de Castle. O painel ficou incrível e Kate estava muito satisfeita com as escolhas. O bolo seria entregue logo pela manhã. Cansados, resolveram encerrar os trabalhos.

Na cama, Castle já se preparava para dormir. Kate, ao contrario, estava desperta. Trouxera o terceiro diário da mãe para sua cabeceira. Folheava as páginas com cuidado. Ele apenas observava o que a esposa fazia. Ficou surpreso de ver que ela havia pego o diário de maneira espontânea. Eles ainda não tinham finalizado essa leitura. Reparou que ela parara em uma página específica. As pontas dos dedos pareciam acariciar a escrita que ali estava. Castle remexeu-se na cama ficando de lado para poder observa-la melhor. Kate reparou no interesse dele.

- Essa música... “La mer” minha mãe cantava sempre que possível. Era a nossa canção de ninar. À medida que fui crescendo, ela me ensinou a dizer os versos com a pronúncia correta do Francês antes mesmo de eu estudar a língua. Quando comecei a tocar piano, foi uma das primeiras melodias que aprendi. Meu professor ficava reclamando que deveria me ater a clássicos como Chopin, Vivaldi, mas minha mãe dizia que a música de Trenet era um orgulho francês. Claro que falava isso para implicar com o meu professor. Ela se sentava ao piano e tocávamos juntas.

- Você tem boas lembranças dela.

- La mer, qu'on voit danser le long des golfes clairs. A des reflets d'argent. La mer des reflets changeants sous la pluie... – parou de cantar fitando a página do diário - não sei porque ela escreveu a letra dessa música aqui.

- Era algo importante para ela, talvez quisesse ter você no pensamento mesmo quando estava advogando. Você não me disse que esse diário e o quarto foram escritos quando você já estava na faculdade? Um momento de nostalgia, queria relembrar coisas que fizera com sua garotinha. Aposto que se perguntar para o seu pai usando a data ele deve saber se ela se queixou de sentir sua falta.

- Ele não saberia. Essa música era algo simbólico e íntimo. Pertencia apenas a nós duas. Eu nunca toquei “La Mer” para meu pai. A canção era minha e dela – Kate fechou o diário colocando-o novamente na cabeceira.

- Então, isso significa que nunca verei você tocando para mim.

- Nunca é uma palavra muito forte, Castle – ela inclinou-se para beijá-lo. O clima de intimidade ainda estava no ar e Kate decidiu tirar proveito disso.          

Ela se enfiou debaixo das cobertas distribuindo beijinhos pelo abdômen e o tórax dele até chegar aos lábios. Castle abraçou-a mantendo o contato com a pele dela. Sentiu as pernas longas enroscarem-se nas suas de maneira provocante. Ao quebrar o beijo, perguntou.

- O que deu em você? Pensei que estava cansada – apoiando-se no peito dele, ela sorriu e falou.

- Você já se deu conta que já passou um ano? Se me dissessem há quatro anos atrás que estaríamos festejando tantas mudanças... sempre acreditei que você estaria aqui comigo, a esperança e meu amor por você foram decisivos para vencer aquele coma. E agora, estaremos celebrando o aniversário de um ano do nosso filho, Castle. Nosso filho, nossa família. Eu estou feliz e excitada demais para dormir. Quero festejar.

- Hum, imaginando o tipo de comemoração, quem sou eu para discordar? – puxou-a contra si arrancando-lhe a blusa e sorvendo os lábios. A noite foi bem mais longa e prazerosa para os dois.          


Aniversário de Alex


Por volta de seis da tarde, tudo estava pronto. A mesa de doces estava muito bem montada com o painel ao fundo dava um tom de perfeição. O bolo trazendo vários minifoguetes na base, tinha o cowboy Wood e o personagem preferido de Alex, Buzz Lightyear. Uma outra mesa estava coberta de petiscos, salgados, lugares para as tábuas de frios e pizza afinal, era um aniversário de criança. Os convidados deveriam chegar em meia hora e os pais já estavam prontos. Kate terminava de vestir a pessoa mais importante da festa.

Aos poucos, as pessoas foram chegando. A lista de convidados era pequena. Os rapazes do distrito acompanhados de seus pares, Lanie e Jenny trazendo o pequeno Patrick, Tory, Nadine e Jeff, Gina, Mandy e o avô Jim Beckett. Era uma reunião bem aconchegante e informal. Gates ligou agradecendo o convite de Beckett, mas não podia participar. Todos pareciam se divertir, as conversas fluíam naturalmente, havia muitas risadas e mesmo sendo aniversário de criança, Castle servia bebidas aos convidados.

Patrick e Alex pareciam ter encontrado uma forma de se entender. Amy e Alexis estavam de olho nos dois enquanto Kate trocava figurinhas com Jenny que podia dar muitas dicas para ela. Cantaram os parabéns, Alexis se encarregou das fotos e registrou o momento com todos sem esquecer dos avós que pareciam estar bem absortos em suas próprias conversas.

Nadine estava conversando com Gina, a editora e ex-mulher de Castle a elogiava pelas reportagens feitas para promover a NYPD usando o trabalho de Kate. Ela também comentava que descobriu que Kate era uma mulher de muitos talentos. Castle aproximou-se das duas trazendo mais bebidas.  A jornalista queria muito um tempo com o escritor para ver se descobria algo mais para as pesquisas de Jeff apesar de desconfiar que seria uma missão impossível naquele dia.

- Estávamos aqui elogiando sua mulher, Castle. Kate se revelou ser uma verdadeira caixinha de surpresas – disse Gina.

- Como assim? – claro que ele imaginava o que a ex queria dizer, mas adorava ouvir alguém falando de sua esposa.

- Ela é muito versátil. Tenente competente da NYPD, mãe, escritora, trabalha com as câmeras de maneira impressionante, tem boa oratória. Se quisesse podia entrar para a política. E o melhor? Tudo que ela faz é perfeito. Não admite que seja diferente. Especialmente manter você sob rédea curta, tenho que tirar o chapéu.

- O que posso dizer? Minha musa é perfeita.

- Não vejo a hora de ler a próxima aventura de Nikki Heat! – exclamou Nadine – quando será lançada?

- Cuidado, Gina. É a repórter falando. Uma armadilha – ele disse piscando – não revele nada que não possamos cumprir.

- Oh, Rick! Deixe de besteira, mas ainda não tem data Nadine.

- Vocês me dão licença? Vou pegar mais um pedaço de pizza. Está deliciosa – Nadine se afastou e viu que Castle conversara um pouco mais com Gina para se afastar dela em seguida. Kate ria bastante conversando com os amigos detetives em um momento de descontração como a muito não fazia. Ao detectar o escritor sozinho no balcão da cozinha, Nadine aproveitou para aborda-lo.

- Pode me servir um pouco mais de vinho? Meu namorado parece que me abandonou. Está a quase uma hora conversando com Tory. Devem estar falando em códigos de geek. Muitas vezes não entendo quase nada do que ele diz, a forma que encontro para não me entediar é transformando a maioria delas em algo sexy. É bom que possa conversar com alguém que se empolgue com palavras como firewall, variante e outros.

- Deve ser engraçado observar essa falta de interação técnica entre vocês. Disso não posso reclamar com Kate. Nossa linguagem é única, muitas vezes nem precisamos falar, basta o olhar.

- É verdade. Chega a ser irritante essa sincronia perfeita de vocês. É por isso que às vezes não consigo entender porque desistiram de incriminar seu maior inimigo. Ela merece a justiça, a mãe dela também.

- Nadine, já disse a você que viramos a página, escolhemos curtir nossa família.

- Você realmente acredita nisso? Não se pergunta se deveria continuar buscando respostas?

- Nadine por mais que lá no fundo eu quisesse encontrar uma forma de mandar aquele individuo para a cadeia, não estou disposto a colocar minha relação em risco por causa desse assunto.

- Entendo e tenho uma confissão a fazer – Nadine olhou séria para Castle – eu e Jeff não desistimos. Nós continuamos investigando o senador e nada será esquecido. Acredito que estamos perto de encontrar alguma coisa, mas apenas diremos a Kate quando tivermos certeza. A razão para estar contando para você é porque eu sabia que no fundo você esperava acabar com o senador. E já vou avisando. Não adianta querer me convencer do contrário dizendo que Kate irá me matar. No fundo, eu sei que ela gostaria tanto quanto eu de ver o senador atrás das grades. Sabe o que eu acho? A Kate Beckett que conheço não pararia. Investigaria mesmo escondido. Aposto que está fazendo isso sem que você saiba.

- Nadine, nós não temos segredos. Se Kate quer fazer algo que afete a nós dois, as nossas vidas, ela me conta e decidimos juntos. Olha, sinceramente escolher se dedicar a uma investigação por conta própria não é um problema. Só espero que saiba o que está fazendo, sua teimosia quase custou sua vida da última vez.

- Sei que sim. Sou grandinha, Castle. Sei me cuidar – quando ela se afastou, Castle não sabia o que pensar. Parte dele gostaria de saber exatamente o que Nadine estava pesquisando. A outra parte desejava não ter ouvido o que ela contou. Decidiu que o melhor a fazer era não contar absolutamente nada para Kate, como se a conversa com Nadine nunca tivesse existido. Porém, ao seu modo, ele daria um jeito de intensificar suas próprias investigações ao lado dela. Afinal, também não fora completamente honesto com Nadine.

Aos poucos as pessoas foram se despedindo e deixando o loft. O pequeno Alex já se cansara e estava dormindo no colo da mãe até Amy vir pega-lo para coloca-lo em seu berço. Quando a casa ficou vazia apenas com os de casa e Jim, Kate se deixou esticar as pernas no sofá e suspirar.

- Foi um sucesso, não? – perguntou Castle sentando-se no canto do sofá erguendo as pernas dela colocando-as sobre seu colo. Ele massageava os pés dela. 

- Sim, tudo correu bem – concordou Kate – todos gostaram. Só estou pensando em ter que limpar tudo isso.

- Não se preocupe, Kate. Falei com o papai sobre isso. Amanhã tem duas pessoas que contratei para limpar tudo, não precisa se preocupar.

- Nossa, você pensou em tudo Alexis – ela se virou para Castle – obrigada amor – erguendo-se no sofá e beijando os lábios de Castle.

- Filha, eu já vou indo. Preciso voltar para a cabana antes que fique tarde demais – Jim se despediu de todos e Kate o acompanhou até a porta. Alexis e Martha se recolheram para seus quartos desejando boa noite aos dois. Por algum tempo, eles permaneceram namorando e bebendo na sala. Kate estava pensativa e resolveu compartilhar o que tinha em mente.

- Cas, estava pensando em levar Alex amanhã ao cemitério no túmulo de minha mãe. Sei que é estranho, mas gostaria de alguma forma mesmo que simbolicamente, ela o conhecesse. Acha loucura?

- É claro que não. Vamos leva-lo até Johanna amanhã. Podemos também voltar aos diários já que é domingo.

- Tem mais uma coisa, eu me inscrevi em alguns cursos de Direito. Vou enriquecer meu currículo e ver onde isso me leva. Não teremos problemas, pois farei cursos online então darei atenção a você, Alex e ao trabalho sem qualquer problema. Os cursos começam mês que vem. Não se preocupe ainda teremos nossas duas semanas nos Hamptons. 

- Isso é ótimo. Quantas notícias para uma noite. Continuo afirmando apoiarei suas decisões, Kate. Agora, vamos para cama.

No dia seguinte, Castle e Beckett acordaram cedo para evitar levar Alex em sol muito quente para visitar a avó. O sol estava leve pela manhã. Eles estacionaram bem próximo à entrada que dava acesso ao túmulo de Johanna. Beckett segurava a mão do filho caminhando sobre a grama. Assim que viu a lápide a sua frente, Kate suspirou. Era sempre um momento emocional voltar ali e encarar que sua mãe estava a sete palmos do chão representada por uma pedra. A mão de Kate passeou sobre o nome da mãe. Colocou Alex sentado junto ao túmulo e começou a conversar com a mãe simbolicamente, ao mesmo tempo que falava da avó para o menino.

Alex parecia estar vidrado na voz da mãe, ela exercia um fascínio incomum sobre o filho. Os pequenos olhos azuis não tiravam a atenção de seu rosto. Kate falava baixinho contando histórias da mãe e falando do feito do filho como se Johanna estivesse ali. Castle admirava o momento à distância. O encontro simbólico de três gerações tinha uma atmosfera comovente apesar de ser triste, podia sentir seu coração apertar diante de uma cena como aquela. Uma pena Johanna não poder estar entre eles para ver em que mulher extraordinária sua filha se transformou. Ela fez sinal para que Castle se aproximasse pegando-o de surpresa querendo disfarçar a umidade ao redor dos olhos sem sucesso, pois estavam vermelhos. Kate abriu um sorriso doce diante dessa constatação.

Ela ergueu-se do chão acariciando o rosto dele, beijando-o. Ele envolveu a cintura dela puxando-a para perto de si. Alex mexia com uma pequena margarida que crescera próxima à lápide. Era um momento de descoberta bem perto da sua vó. Uma joaninha andava sobre a pedra chamando a atenção do menino que esticava a mãozinha para pega-la. Castle se agachou colocando o bichinho na palma de sua mão, mostrando para o filho em seguida. Os dedinhos fofos mexiam-se devagar sobre a pele do pai, a mãozinha rechonchuda lembrava a do pai, percebeu Kate. Ela capturou o momento de pai e filho numa foto.

- Cas, pode pegar Alex um instante? Quero ficar um pouco a sós.

- Claro, amor – pegou o filho no colo distanciando-se para dar a ela o momento que precisava junto a mãe. Mesmo ao longe, ele conseguiu escutar alguns sons. Ela não falava em inglês, na verdade, cantava. O vento trazia alguns dos versos da melodia em francês até seus ouvidos. Recordações poderosas que esquentam o coração. Naquela manhã de domingo, Kate dividira novamente a música íntima delas. La mer.


Três dias depois...


Jeff estava abrindo seu quarto arquivo do dia. Como era de praxe, ele primeiro realizava uma pesquisa preliminar em todo o documento em busca de palavras chaves. Levantou-se e deixou o computador trabalhar sozinho enquanto servia-se de uma caneca de café. Estava entediado. Não havia achado nada comprometedor exceto o tal projeto de lei que apresentaria para o congresso sobre o novo software. Não comentara nada com Nadine, mas lera o documento e redigira um próprio desbancando várias das vantagens do sistema e alertando seus possíveis problemas e ligações que caracterizavam a invasão de privacidade. Deixara salvo em seu HD. Talvez nem chegasse a usar o relatório técnico.

Ao vasculhar as cinco primeiras paginas do dossiê, a ferramenta deu uma parada resssaltando algo em amarelo. Ele voltou a sentar-se na cadeira e reparou que a tela não estava movendo-se como era de se esperar. Ele se aproximou mais do monitor e deu o comando novamente. A caixa não se mexeu. Afastando o quadro, ele percebeu a palavra destacada em amarelo: Montgomery. Sentiu um arrepio na espinha, durante longas semanas ele procurava algo consistente. A adrenalina começou a correr em suas veias e Jeff teve certeza que agora estava no caminho certo. Voltando ao início do documento, ele dedicou-se a lê-lo atentamente.

Beckett estava investigando um caso complicado precisando sair do distrito bem mais tarde já tinha pelo menos três dias. Quando isso acontecia, Castle vinha para casa mais cedo por causa de Alex. Isso fazia parte de um acordo entre os dois. Por mais que seu trabalho fosse agitado e os obrigassem a fazer concessões ou virar a noite no distrito algumas vezes, eles decidiram que sempre um deles viria para casa fazer companhia ao filho. Não importava que houvesse babá ou a vó no loft. Kate se preocupava com o bem estar do filho. Era importante mostrar que nunca estaria sozinho, gerar esse senso de família.

Tinha sido exatamente assim nesses últimos dias. Castle chegava em casa ainda a tempo de dar o jantar ou uma última mamadeira a ele, brincava e o aprontava para dormir. Fazia questão de coloca-lo em seu colo e contar histórias para vê-lo adormecer em seus braços. Essa noite, o tema era viagens intergaláticas com direito a armas de laser, foguetes supersônicos e um inimigo mortal, a melhor bandida de todas as galáxias Rainha Kate. Gostava de imaginar a esposa como vilã de vez em quando. Ela era tão boa que na opinião de Castle apenas a própria Beckett poderia derrota-la. O que não deixava de ser irônico. Ou nesse caso, a vilã seria abatida e derrotada pelo cowboy espacial e charmoso inspirado nele mesmo.

Quando percebeu que o sono de Alex estava pesado, o colocou de volta no berço cobrindo-o com a manta e acendendo o abajur em luminosidade baixa antes de deixar o quarto. Kate chegara em casa uma hora depois encontrando Castle na cama assistindo os minutos finais do noticiário da ABC com Nadine.

- Você demorou...

- Nem me fale! Estou muito cansada, felizmente tudo acabou. Fizemos uma prisão agora a pouco. Amanhã redigirei o relatório e o caso passa para a promotoria. Comuniquei a Gates que farei aulas no verão, ela me pareceu empolgada. Vou tomar um banho e se não foi abusar, quero uma massagem. Minha nuca está me matando.

- Seu desejo é uma ordem, amor – depois de deitar ao lado dele, Castle caprichou na massagem com um óleo aromático que servia para relaxar. Assim que ele terminou e a envolveu nos braços, ela apagou.


XXXXXXX


Jeff andava de um lado para o outro. Já havia deixado três recados para Nadine mesmo sabendo que ela não poderia atendê-lo devido à gravação do jornal de hoje ser ao vivo. Ele já não aguentava de ansiedade para falar com ela. Tropeçara em algo muito grande e precisava convencê-la a procurar Beckett e Castle. Ele estava certo de que podiam agarrar o senador com isso.
Mal Nadine chegara em casa, ele a arrastou para o computador.

- Nad! Eu achei. Demorou mas consegui encontrar algo que deixará o senador de calças curtas. Vem, sente-se – ele quase a jogou na cadeira – está vendo esse arquivo? Leia-o com atenção. Avise quando terminar porque ele não é o único – Nadine esfregou os olhos para restabelecer a concentração que havia decidido desligar. Tudo o que queria era uma taça de vinho até começar a ler aquele documento.

Terminado o primeiro, ela virou-se para Jeff de olhos arregalados. Um pequeno sorriso de satisfação se formou no rosto dele.

- Chocante, não? Só que ainda não acabou. Depois que li esse arquivo, fiquei um bom tempo olhando para o nada, pensando em como faríamos para ter essa prova em mãos. Não há meios eletrônicos, está além de minhas capacidades. Então reparei no nome do arquivo, aqui – ele apontou para o número 1 ao final – esse é apenas o primeiro, estamos falando de três. Deixe-me abrir para que possa ler – dando os comandos necessários os dois arquivos faltantes surgiram na tela.

Meia hora depois, Nadine acabara e suspirava olhando para o computador. Estava ali. Provas concretas e explosivas para incriminar Bracken em seu envolvimento com drogas, na morte de um agente do FBI e de mais três pessoas, sendo uma delas mulher que ela deduziu ser a mãe de Beckett. Mesmo não havendo menção direta a Johanna, as demais provas não deixavam dúvidas que o senador estaria liquidado com esses documentos. Seriam eles os mesmos que Smith possuía? Aqueles que Kate disse terem sido destruídos? Ou os antigos tratavam apenas do caso Johanna, motivo pelo qual Kate conseguiu segura-lo mantendo a ela e a Castle a salvo?

- Isso é bombástico, Jeff.

- Eu sei. Nem acreditei quando vi aquilo tudo escrito na minha frente. Estava quase desistindo, considerando essa busca inútil. Tenho outra pasta bem interessante também, o projeto de lei sobre o sistema que Bracken pretende usar para ter acesso a tudo o que acontece no país. Eu mesmo redigi um documento contestando o projeto. Relatório técnico, achei que não ia precisar dele, que bom que estava errado. É mais uma arma contra o crápula. Porém, continuamos com problemas. A única maneira de conseguirmos esse material é invadindo a casa do senador em Washington. Precisamos de Beckett e Castle. Sei que é loucura, Nadine, mas é a nossa chance de agarra-lo.

- Cometendo invasão domiciliar em outra jurisdição? Kate estaria arruinada. Sua carreira ia pelo ralo sem contar que poderia morrer por causa disso. Ela nunca aceitaria.

- Mesmo depois de ver tudo o que lhe mostrei?

- Ela precisa de respaudo, um mandado. Quem em sã consciência compraria essa história com ela? Incriminar um senador dos Estados Unidos usando um hacker para descobrir supostos documentos incriminatórios? Nenhum juiz concordaria com isso.

- E quanto a McQuinn? Ele é federal, tem suspeitas no caso Denver que levam ao senador. As nossas gravações das câmeras. Ele pode alegar saber de documentos e conseguir a autorização para vasculhar a residência dele em Washington.

- Talvez – a jornalista pensou por um momento – Jeff consegue reunir tudo o que já achamos e levar o seu notebook para mostrar o que achou a Kate? Consegue executar todos os caminhos para chegar aos documentos novamente? Igual como fez em seu computador?

- Consigo.

- De quanto tempo precisa?

- Agora que já sei o caminho, me dê umas oito horas – Nadine checou o relógio, passava de meia-noite. Se dependesse dela, alguém iria ter companhia para o café.

- Precisamos pegar Kate e Castle em casa. Será um bom dia interessante.

Por volta das quatro da manhã, Kate remexia-se agitada no colchão. Estava sonhando com a mãe. Balbuciava algumas palavras com voz tão baixa, que não pertubou o sono de Castle. A agonia do sono, porém, aumentou. Ela deu um grito sentando-se na cama.

- Mãe! – o suor escorria pelo rosto e peito, o coração batia acelerado. Castle deu um pulo da cama.

- Kate, o que foi? – ele a envolveu nos braços – pesadelo?

- Sonhei com a minha mãe, ela cantava comigo. A mesma canção e então o tiro. Ela morria nos meus braços, Castle. As últimas palavras dela foram: nunca se esqueça da nossa canção.

- Está tudo bem agora. Seu subconsciente foi ativado pelas lembranças, o stress. Você está cansada. Tudo contribuiu. Quer um chá? Água? – ele percebeu que as lágrimas marcavam seu rosto – fique aqui – ele sumiu logo retornando com um copo com água. Kate bebeu a metade entregando de volta a ele. Deitou acomodando-a em seus braços – procure não pensar mais nisso. Feche os olhos e tente dormir, eu estou aqui.

Mas Kate demorou a pegar no sono. As peças do sono pareciam dançar em sua mente. A música, as palavras, o olhar de Johanna. Tudo parecia bastante significativo, como se a mãe quisesse mandar uma mensagem a ela. Finalmente, o cérebro cansado rendeu-se ao sono.

Castle levantou-se primeiro que ela a fim de preparar um bom café da manhã para a esposa. Ela não comera nada ontem à noite, além de não ter descansado direito após o pesadelo. Kate despertou alerta. Passou pela sala sem ao menos falar com ele indo direto ao escritório. Pegou os diários de número três e quatro, sentou-se no sofá folheando em busca de respostas.

- Hey, gorgeous... não acha que está muito cedo para fazer isso? Tome ao menos um pouco de café. E vai se alimentar direito, também – estendeu a ela uma caneca, Kate sorveu um pouco e apoiou-a sobre a mesinha de centro. Continuava virando as paginas até a última folha escrita pela sua mãe. Havia uma menção a um policial, chamava de “o outro homem”. Também tinha uma palavra: áudio. Seguida de uma interrogação. Kate se lembrou desse detalhe assim que acordou. Vendo-a deixar o diário de lado, ele perguntou – ok, o que foi? Conheço esse olhar. Você está formulando alguma teoria.

- Eu comentei que no meu primeiro ano de recruta, o capitão Montgomery me pegou escondida na sala de arquivos remexendo o caso da minha mãe. Ele foi gentil em não me reportar, da mesma forma que me tirou das ruas meses depois para trabalhar no 12th distrito. Ele me disse uma coisa sobre uma fita. Perguntou se alguém havia achado alguma gravação. Todos esses anos não me lembrava desse detalhe, até o sonho de hoje. Nossa canção, áudio. Algo me diz que isso está conectado com o que Montgomery disse. Só não consigo entender o que.

- Você mesma disse que a música era algo íntimo, seu e da sua mãe. Nem seu pai sabia. Por que essa suposta ligação entre Montgomery e a canção? Ou o áudio como sua mãe escreveu no diário?

- Eu não sei. Chame de instinto. Sei que não estou enxergando algo importante.

- Então, relaxe por um tempo. Esqueça. Isso pode ajudar a clarear sua mente – ele segurou a mão dela – vem, vamos tomar café. Eles mal sentaram à mesa quando a campainha tocou – será que Alexis esqueceu a chave?

- Deve ser Amy – respondeu Kate.

- Não. Amy já está no quarto com Alex – ele abriu a porta, estranhando as pessoas que vira – Nadine? Jeff? Vieram tomar café da manhã? – a repórter e seu namorado entraram na sala. Kate se levantou da mesa mordiscando um morango.

- Ainda bem que ainda estão aqui.

- Aconteceu alguma coisa? – Kate perguntou – alguma catástrofe jornalística?

- Não se trata de catástrofe, mas pode ser chamado de bomba. Não me interessa o quanto você me odeie depois disso, estou disposta a levar uma surra se for preciso. Sente-se, Kate. Você também, Castle. Precisamos conversar.

Kate trocou um olhar preocupado com Castle percebendo que ele estava tão surpreso quanto ela. O que quer que fosse a notícia de Nadine, era séria. As olheiras em seu rosto e de Jeff não deixavam dúvidas quanto a isso. Castle sentou-se ao lado da esposa esperando pelas notícias. Sem querer esperar, Kate ordenou.  


- Desembucha, Nadine... 


Continua.... 

2 comentários:

Marlene Caskett Stanatic disse...

Primeiro música linda,confesso que quando fui obrigada a estudar francês me deixou com um certo abuso do idioma,mas de uns anos pra cá mudei totalmente com relação a isso. Passei a amar a língua e o país... enfim,vamos ao que interessa.
Tudo está se encaixando,Nadine e Jeff são super amigos tiraram a sorte grande,as lembranças dos momentos com Johanna me emocionou principalmente o “Johanna S2 Katie”.Não é novidade do carinho que tenho pelo vó Joh,mesmo que numca tenha aparecido na série, as fics me ajudam a imaginar como ela é.
O primeiro aninho do Alex oooooh passou rápido até pra mim que to acompanhando a história desde o início.
Vou logo para o próximo cap para ver o que acontecerá.

cleotavares disse...

Lindo capítulo, o café, a música, o aniversário do Alex. E cerco está se fechando.