quinta-feira, 7 de maio de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.14


Nota da Autora: Nesse capitulo, vamos rir e falar de confiança... será que Beckett vai dar o braço a torcer e tentar construir algo com Castle?! Não se preocupem com os detalhes dos casos, realmente não são importantes. Enjoy!


Cap.14     


Ao contrário do que Castle pensara, sua chegada no distrito após o último caso não pareceu a melhor das recepções. Saíra do elevador trazendo dois copos de café e um saco de papel com uma bear claw. O pequeno ritual iniciado durante os primeiros casos que trabalhara ao lado de Beckett. Acabou virando uma marca registrada na relação dos dois.

A primeira pessoa que ele avistou assim que começara a caminhar no corredor foi Esposito. Sorrindo, cumprimentou o detetive.

- Hey, Espo! Bom dia!

- Castle, o que você está fazendo aqui?

- Vim trabalhar. Por que? Não temos um caso novo?

- Não foi isso que quis dizer. Sabe, às vezes eu acho que você se fia em seu dinheiro ou posição, talvez seja apenas cara de pau mesmo. Eu esperava que você não voltasse para o distrito, já ficou longe por três meses, para que voltar?

- Se você não percebeu, eu ganhei a aposta – Esposito revirou os olhos – qual o problema, Esposito? O que você não está realmente me dizendo?

- Três meses sem qualquer notícia. Ela estava bem, não falava em você. Sabemos que não ficou bem por um tempo, eu e Ryan tivemos que aguentar suas clássicas mudanças de humor. Voltar a segui-la? Não precisa disso para escrever suas historinhas de mistério. Por que vem atrapalhar a vida de Beckett agora que ela está tão bem? Ela está sob controle. Não tem o direito de estragar o momento dela.

- Esposito, acredito que você esteja exagerando. Eu nunca disse que minha parceria com a NYPD tinha acabado. Eu precisava de tempo para escrever meu livro – Castle estava sério, se o detetive queria dar uma de macho para cima dele, iria se defender como homem também, sem brigas, apenas a verdade – voltar para cá não estava fora de questão. Ao contrário do que você pensa, a única pessoa que pode me dizer o que fazer aqui é Beckett. Ela decide se quer a minha presença.

- Castle, eu sei o que você pensa que vai conseguir com isso. Está errado. Ela está bem com Tom, feliz. Se você pensar em estragar o namoro de Beckett com Tom... – a informação pegou-o de surpresa. Então, ela não contara aos rapazes que terminara. Deve ter suas razões, a reação de Esposito talvez seja um dos motivos. Ele podia manter o plano dela – vou fazê-lo sofrer.

- Tom? Ah... você está se referindo ao seu amigo detetive. O tal Demming. Vamos falar sério aqui. Eu ganhei uma aposta. Eu perguntei se ela estava bem com a ideia de me ter de volta aqui no 12th, Beckett disse que sim. Não se preocupe, estou aqui pela história e não vou atrapalhar o namoro dela. Mas, somente Kate Beckett tem o direito de me expulsar daqui, entendeu?

Esposito olhou para o semblante de Castle. A seriedade não era algo que combinava com o escritor. Isso significava que a conversa não era uma brincadeira para ele. Sim, o detetive estava com raiva pelo sumiço do escritor, receoso que sua volta afetasse Beckett. Ainda não sentia-se disposto a dar trégua para Castle, porém sabia que ele tinha razão. Se Beckett não se importava em tê-lo como sombra, não havia muito o que ele podia fazer além de deixar as coisas um pouco mais difíceis para o seu lado.

- Ok – saiu caminhando para a sua mesa. Castle suspirou. Infelizmente, Esposito não era o único decidido a implicar com ele. O próprio capitão recebeu-o com cara de poucos amigos. Ryan que sempre fora um dos mais apegados e defensor do escritor, se via influenciado com a pressão de Esposito. Contudo, as palavras, olhares e supostas ameaças desapareceram no instante que ele avistara Beckett.

Ela estava sentada em sua mesa, olhos atentos à tela de computador. Uma pequena ruga de preocupação marcava o espaço entre os olhos. Ficava uma graça quando fazia essas expressões. Ao pressentir sua sombra e o cheiro de café, desviou o olhar para encontrar o dele. Um singelo sorriso formou-se no canto dos lábios. Ele trouxe café.

- Bom dia, detetive Beckett.

- Oh, é você – disse implicando – vou deixar passar o atraso por conta do café.

- Atrasado? Por que temos um caso?

- Não. Parece que você está com azar. Nada de caso, só papelada. Começou com o pé esquerdo.

- Nem me diga... – ele murmurou pensando na ameaça de Esposito – quer saber? Acho que é um ótimo sinal. Você não tem pressa para trabalhar a papelada, portanto pode se dar ao luxo de tomar seu café com tranquilidade e saborear – ele sacudiu o saquinho de papel – o que me diz? – viu o sorriso iluminado no rosto dela. Puxou o objeto das mãos de Castle abrindo-o e cheirando-o. Parecia criança com um belo doce. 

- Bem, como você ainda não fez nada inapropriado ou errado, isso não é um pedido de desculpas e se for uma forma de desculpas antecipada por qualquer besteira que faça, já aviso que não aceito.

- Ah, quanta gentileza, Beckett. Senti falta disso... – ele riu – pelo menos você está sorrindo para mim, ao contrário dos outros, isso é um bom sinal.

- Do que está falando?

- Os rapazes e acredito, o capitão estão agindo diferente comigo. Estão chateados pela minha volta, ao que tudo indica, posso ser uma má influencia para você ou mesmo posso estragar sua vida na opinião deles. Sabe, seu namoro com o Demming – ela mordiscou o lábio – por que não disse a verdade a eles? Por que insistir que está namorando quando sabemos que não está?

- Castle, eu... acho que essa não é a hora para uma conversa sobre esse assunto.

- Certo, como se tivéssemos algo para fazer... – nem bem terminou de falar o telefone de Beckett tocou. Ele a ouviu questionando e escrevendo algo em seu bloco de notas. Desligou.

- Pegue seu casaco, Castle. Temos um assassinato.

Fora um daqueles casos simples e previsíveis. Nem levaram dois dias para colocar o culpado atrás das grades. Mesmo assim, era bom estar de volta. Viver aquela dinâmica de uma investigação novamente. Outro ponto importante nesse primeiro caso após sua volta foi observar a forma como Beckett se comportara. Ela estava bem relaxada ao lado dele, exceto por algumas reviradas de olhos, nem chegou a ficar irritada com ele. Também percebeu o comportamento dos rapazes com Castle constatando o que o escritor comentara anteriormente. Beckett sabia que precisava manter o disfarce do namoro, da mesma maneira que teria que manter a harmonia de sua equipe. Somente tinha que descobrir como.

Felizmente, não fora ela quem acabara puxando a orelha dos rapazes. Fazia quase uma semana que Castle estava de volta ao 12th distrito quando Montgomery resolveu tomar providencias. Ele decidira chamar Esposito e Ryan em sua sala após observar algumas atitudes de Beckett em relação a Castle. A detetive parecia tranquila, sorrindo e por vezes a surpreendeu rindo com o escritor na minicopa. Se ela estava bem, então porque os demais não podiam acabar com essa guerrinha de vez?

Apesar da bronca, Ryan sentiu-se um pouco aliviado por poder parar de fingir estar com raiva dele. Estava louco para comentar o novo livro de Castle com o escritor. Assim que deixou a sala do capitão, ele se dirigiu à mesa de Beckett sorrindo. Ao vê-lo parado sem dizer nada, ela ergueu uma sobrancelha não entendendo o jeito do detetive.

- Quer falar alguma coisa, Ryan? Algum problema com o relatório?

- Na verdade, eu queria falar com Castle.

- Comigo? – ele pareceu surpreso devido ao tratamento que vinha recebendo nos últimos dias.

- É, sobre Naked Heat. Cara! Aquela cena da Nikki soltando-se da cadeira. Muito bem pensada. Fiquei com medo dela não conseguir se livrar. Tensa e excitante – ele mordeu a boca olhando para Beckett – desculpa, Beckett... é a Nikki não você, quer dizer é você... – ao ver a olhada que a detetive dirigiu para ele, tentou consertar o que dissera – certo, então. De qualquer formar, ótima cena. Gostei do livro. Muito. Você já leu, Beckett? – Castle aproveitou a chance para instiga-la e também saber a opinião dela, coisa que Beckett escondera até ali.

- É, Beckett. Você já leu o livro? O que achou?

- Não tive tempo... – mentiu, ela devorara na mesma noite que recebera dele.

- Como não? Eu vi seu exemplar na sua mesa, seu marcador passava da metade. Tenho certeza que já terminou – disse Ryan deixando-a vermelha.

- Mesmo? Trouxe meu livro para o trabalho, detetive? Aposto que quis usar alguma pista para ajuda-la em um caso.

- Caso não tenha percebido, Castle, lidamos com realidade aqui, não ficção – Ryan ria da situação, sentira falta desses momentos de implicância entre aqueles dois, continuou jogando lenha na fogueira.

- Ah, Beckett, vamos. Sei que terminou. Conta o que achou.

- Não quero ferir os sentimentos do escritor – mas seu semblante não colaborou com a tentativa de implicar com ele.

- Ah, Ryan, ela gostou... conheço esse olhar.

- Eu não disse nada! – mas os dois já estavam rindo e fazendo hi-5. Ryan se despediu desejando boa noite. Castle pegou seu casaco, levantou-se da cadeira e observou-a por alguns segundos antes de falar o que tinha em mente.

- Hey, não vai para casa? – ela começou a fechar o computador, vestiu o casaco – estava pensando, que tal uma parada no Remy’s para um bom hambúrguer? Assim podemos ter a chance de conversar sobre a sua ideia maluca de manter um relacionamento com Demming e claro, falar qual sua parte preferida de Naked Heat.

- Você definitivamente não vai me deixar em paz até que eu responda isso, não?

- Ah, detetive, você me conhece bem – ele ganhou uma nova virada de olhos, mas não se importou – vamos, tudo se conserta com hambúrgueres e milk-shakes do Remy’s , até as criticas ruins – piscou para ela.

Deixaram o distrito juntos. Sentados em uma mesa de canto, Castle já fizera os seus pedidos. Enquanto saboreavam cada um o seu milk-shake, ele voltara a comentar sobre o falso namoro. Beckett suspirou e começou a falar.

- Olha, Castle, foi um pouco por impulso. Eu estava com muita raiva de você, os rapazes também ficaram chateados. Eu fiquei insuportável umas semanas e eles assumiram que eu tinha brigado com Tom, achei melhor manter a mentira do que abordar a verdade. Tudo o que eu não queria era ficar me lembrando de você. Era mais fácil para explicar e convencer a mim mesma. Estava certa de que não haveria volta ao distrito.  

- E quanto a nós? Esposito é amigo de Demming, ele pode descobrir que você mentiu...

- Acho que preciso simular uma briga logo.

- Seria bem melhor, com uma condição. Que eu não seja o motivo, caso contrário posso sofrer a tal ameaça – ela sorriu.

- Não precisa se preocupar com isso. O Capitão deu uma dura neles.

- Ah...bom saber. Mudando de assunto, pode dividir com a classe seus pensamentos sobre Naked Heat?

- Além de ter detestado a capa? O que você ignorou mesmo quando comentei?

- Ah, Beckett, você sabe que isso tem um certo apelo para o livro. É a Nikki, ela é sexy, quente e...- o olhar de novo – uma excelente detetive. Qual a sua cena favorita?

- Depois daquela mencionada pelo Ryan? Sabe que aquele seu ensaio acabou servindo para alguma coisa? Deu realidade à cena – a conversa continuou animada entre os dois. Chegaram os sanduiches e o jantar ficava mais agradável a cada minuto. Castle pagou a conta e a acompanhou até seu apartamento. Claro que não esperava que ela o convidasse para subir. Desde que fizeram as pazes, nada acontecera. Conhecendo a insegurança de Beckett, ele preferia manter a situação como estava, sem pressão. Eventualmente, eles achariam um momento certo. 

Kate passara todo o caminho de volta para casa ponderando se devia considerar o jantar apenas um momento descontraído entre dois amigos ou uma tentativa de amolecê-la a ponto de tentar algo mais. O engraçado é que Castle parecia bem tranquilo em relação a isso. Em nenhum momento demonstrou ou fez um gesto sequer procurando aproximar os dois. O comportamento dele intrigou e chateou um pouco a detetive. Quer dizer, conversaram bastante, riram, por que não se beijaram?

Não que ela já estivesse realmente confortável em fazer disso um habito. Adorava os lábios de Castle nos seus, porém ainda havia receio de sua parte no campo da confiança, não o problema era a sua insegurança. Beckett detestava que traíssem sua confiança, não tinha muitas pessoas em sua vida com as quais podia contar em todos os momentos. No trabalho era diferente, tinha parceiros, colegas e era parte da responsabilidade deles proteger um ao outro. Na vida real, talvez seu pai fosse o único e nem sempre fora assim. A relação dos dois tivera momentos extremamente difíceis, fardos que ela carregara sozinha.

Por que estava fazendo essa reflexão toda apenas para decidir se beijaria ou não Castle naquela noite? Sacudindo a cabeça, afastou o pensamento analítico da mente. Castle comentara algo sobre a estação de metro e Beckett voltou sua atenção a ele. Na frente do prédio dela, eles ficaram se olhando. Eram interessantes esses momentos que antecediam uma despedida. Parecia estar sempre se policiando sobre o próximo passo. Procurando fazer do instante uma coisa natural, ele sorriu.

- O jantar foi ótimo, Kate – era a primeira vez naquele dia que ele a chamava pelo primeiro nome, era bom ouvir – acho que te vejo amanhã.

- Obrigada, Castle. Eu gostei do convite – sorriu para ele. Castle inclinou-se para beija-la. Mirava a bochecha. Ao roçar seus lábios no rosto de Kate, porém, foi surpreendido quando ela puxou o queixo dele direcionando seus lábios para sua boca deslizando sua língua para dentro dela. O choque durou segundos, então Castle se deixou fazer a vontade dela.

Ao se afastarem, Kate tinha as mãos sobre o peito dele. Mesmo com o beijo terminado, os dedos dela continuavam fazendo pequenos círculos sobre a camisa que ele usava. Percebeu quando ele prendeu a respiração, demonstrando claramente a dificuldade de se recompor. Kate se afastou com um sorriso nos lábios.

- Boa noite, Castle. Não se atrase amanhã – ela atravessou a porta do edifício percebendo que ele ainda estava parado com um olhar perdido, gritou – e não esqueça o café. Rindo desapareceu. Castle suspirou retomando a caminhada de volta à estação de metro.

No instante que pisara em seu apartamento, escorou-se na porta tocando os lábios. Ainda mantinha o sorriso. Invariavelmente, não seria Kate Beckett se não voltasse a pensar no significado daquilo e na briga mental que mantinha com seu cérebro antes do beijo acontecer.

Sim, fora um impulso. Ele não ia beija-la na boca. Ainda não entendera porque Castle parecia estar se segurando quanto a ela ou ao tipo de relação que tinham. Será que ele estava considerando que havia uma falta de confiança da parte dela? Por causa do que acontecera nos Hamptons? Não sabia explicar, porém Castle era uma das poucas pessoas que parecia honesto com ela, desenvolvera uma confiança nele difícil para alguém como ela, cheia de murros, receios e inseguranças. Essa suposta confiança poderia ser quebrada? Não que Castle soubesse disso, talvez desconfiasse. O que Rick Castle tinha de tão especial capaz de virar a cabeça de uma das pessoas mais desconfiadas e fechadas que existia?

Rindo, Beckett tirou as roupas rumo ao chuveiro.

Confiança. Kate Beckett tivera sua cota de traições, desapontamentos com pessoas inesperadas. Decepções. Todas as vezes que isso acontecia, ela ficava muito mal. Fora assim que o muro crescera ao redor de seu coração. Estava prestes a passar por isso novamente. Podiam dizer que faz parte da vida, nos ajuda a crescer. Beckett tivera seu coração partido muitas vezes para considerar isso algo positivo.
Na semana seguinte, um caso interessante caiu nas mãos de Beckett. Uma vidente assassinada. Entre as idas e vindas da investigação, Castle vibrara ao descobrirem uma carta potencialmente escrita pela médium descrevendo como morreria. Fora o suficiente para querer enxergar algo paranormal naquela morte. Isso somente fizera Beckett se irritar com as especulações dele. Desculpa perfeita para que ele implicasse com o ceticismo dela.

Durante aquele caso, Castle descobriu que ela não acreditava em destino, nem em nada que remetesse a fantasia, ao imaginário. Isso o incomodou. Todas as vezes que encontravam uma pista que evidenciasse algo fora da linha da racionalidade, ele tentava o possível para convencê-la de que aquilo era possível. Castle não fora o único a desafiar as crenças de Beckett. A filha da vidente aparentemente tinha um pouco dos poderes psíquicos da mãe. Um dia, ela chegou correndo ao distrito querendo falar com Beckett com urgência. A informação que passou a detetive veio em sonho.

Ela disse: “Alexander. Você irá conhecer um Alexander e ele será muito importante para você. Ele salvará sua vida um dia.”

Não que Beckett tivesse ligado tanto para o que ouvira, aquilo tudo parecia muito estranho. Até o final do caso, ela teria ouvido muitas tentativas interessantes de convencê-la e teve que dar credito a Castle quando ela a confrontou sobre o fascínio em relação ao imaginário.

- Castle, por que é tão importante para você que eu acredite em destino, psíquicas e papai Noel?

- Porque se você não acredita nem na possibilidade da magia, você nunca irá encontra-la.

Por incrível que parecesse, aquele pensamento a intrigou. As reviravoltas não paravam de acontecer. Penny, a filha da vítima voltou a procurar Beckett para contar outra informação importante. Ela resistiu dizendo que não conhecia nenhum homem misterioso chamado Alexander. Castle obviamente ficou interessado e ela prometeu contar a ele depois. Porém, dessa vez ela realmente trouxe uma pista quente que Beckett apenas seguiu devido à insistência de Castle chegando a assassina de duas vítimas.

Não podia negar que fora um caso bem interessante. Mesmo para os padrões de Beckett. Quando Castle se despediu dela, lembrou-se da historia de Penny.

- O que Penny quis dizer sobre Alexander?

- Nada. Só umas coisas tolas que não faziam sentido algum. Por que?

- Porque meu nome do meio é Alexander – Beckett foi pega de surpresa.

- Eu pensei que seu nome do meio era Edgar.

- Anda lendo a sessão pessoal do site de Richard Castle novamente, não? – ela sorriu – não, mudei meu nome do meio para Edgar por causa de Poe quando mudei meu sobrenome para Castle, na verdade meu nome era Richard Alexander Rogers. Que coincidência não? – ele deixou o distrito sem perceber que Beckett estava sorrindo. Falando em coincidências e sinais... será que realmente Castle tinha razão? Havia magia e destino rondando nossas vidas? Não! – ela sacudia a cabeça ainda rindo – Castle estava colocando ideias malucas em sua mente, tirando o foco de sua racionalidade.

No dia seguinte, Castle foi apresentado a um novo dilema de Alexis antes mesmo do seu café da manhã. Ela queria uma scooter. Ah, e havia um novo assassinato. Um fiador fora morto, sim até aí nada de interessante. Até Lanie descobrir um pedaço de papel cheio de rabiscos escondido na meia da vítima. Para Beckett, irrelevante. Castle, porém, ficou obcecado em descobrir do que se tratava deveria ter importância porque mais isso estaria escondido. Beckett assumiu que isso era apenas uma forma dele esquecer o pedido da filha, especialmente depois dela aterroriza-lo um pouco sobre Alexis estar entrando na fase rebelde.

De todas as reviravoltas nesse caso, incluindo uma perseguição nas ruas por um suspeito, Beckett não se preparara para encontrar alguém bem especial. Royce. Seu treinador quando ela saiu da academia. Isso certamente mexeu com a imaginação e o senso investigativo de Castle. Quem melhor que Royce para revelar alguns detalhes da vida de Beckett?

Para ela, fora um encontro inesperado e divertido, à primeira vista. Royce informou que estava trabalhando como caçador de recompensas e que o suspeito de Beckett lhe renderia uma boa grana. Ele os acompanhou até o distrito. Castle recusou acompanha-la ao interrogatório apenas para saber histórias de Kate Beckett. Não apenas historias, subliminarmente Beckett deixou escapar um pensamento bem especifico com relação a Royce, o que deixou Castle meio balançado. Será? A dúvida permaneceria até o dia em que ele conseguisse tirar a verdade de Beckett.

Para um teste de sanidade de Beckett, o tal papel rabiscado tinha muita importância. Após encontrar criminosos antigos, entre padres, escutas, esposas havia muito mistério nesse assassinato. Porém, uma coisa era claro. Todos se interessavam pelo tal papel. Todos se conheciam. Beckett surpreendeu-se ao encontrar Royce em sua mesa. Trouxe uma foto dela em uniforme quando ainda era uma novata. Ela estava linda. Também convidou-a para almoçar. Ao descobrir que o último crime do velhote foi um roubo de milhões em diamantes, Castle desenvolveu outra teoria, maluca, mas coerente. O papel é um mapa do tesouro e agora era realmente sua obsessão desvenda-lo.

Beckett saiu para almoçar com Royce. Entre histórias antigas e risadas, ela confidenciou ao seu amigo sobre a descoberta que fez no caso da sua mãe. Sim, ela confiava tanto nele. Royce a ajudou em um período difícil. Quando mencionou que deveria voltar, ele disse que iria ao banheiro. Na verdade, ele a enganara. Royce não entregara Random para a central. Por essa, ela não esperava.

- Não acredito que ele me enganou – Beckett estava chateada consigo e com Royce.

- Dinheiro leva as pessoas a fazerem coisas estranhas – disse Castle tentando minimizar a situação.

- Aparentemente, ele não tem o mapa.

- É, não espere! A foto que tirei de vocês. Ele tem o mapa, apenas não decifrou. Por isso voltou aqui. Queria saber se nós havíamos decifrado.

Para piorar a situação, Ryan confirmou que Royce estava na investigação do roubo dos diamantes. Castle tentou evitar o pior dizendo que isso não significava que ele matara. Mas, para Beckett, seu amigo virou seu suspeito. Isso era difícil de assimilar, especialmente para alguém como ela. Então, ele ligou.

- Sou eu, garota.

- Royce se entregue – ela fez sinal para Ryan rastrear a ligação.

- Não posso, garota. Estou muito perto do dinheiro para desistir agora. Só preciso que saiba que não quis que fosse assim.

- Você matou o Carver pelo mapa?

- Ah, você me conhece.

- Eu acho que não – ela virou-se de costas para Castle com medo que as emoções a traíssem – porque o homem que conheci, não me trairia assim. Mike, eu estava apaixonada por você – Castle fora pego de surpresa com essa constatação.

- Kate, não faça isso. Você era o único que conhecia minha obsessão. Não ficava dizendo que eu superaria e que ela não queria que eu fizesse isso.

- Só tentava fazer o certo para você.

- Sonhei com você. Na noite que atirei no cara que matou minha mãe. Sonhei com você. Sonhei que era eu que estava morrendo e você aparecia e me dizia para levantar porque eu ainda tinha trabalho para fazer. Quando acordei naquela manhã eu queria te ligar, mas não nos falávamos a tanto tempo.

- Devia ter ligado. Eu nunca esqueci.

- Eu vou pegar o assassino de Carver, Royce. E depois recuperar os pertences de Lloyd. E quando eu te prender, você vai perceber que o que destruiu hoje, valia muito mais que dinheiro – então ela desligou, os olhos encontraram repentinamente os de Castle antes de perguntar – consegui segurá-lo tempo suficiente?

- Sim, temos um endereço.

- Ok, vamos – ela pegou a arma na gaveta, Castle não resistiu em perguntar.

- Tudo isso era um ato para rastrea-lo?

- Claro – ela respondeu saindo, o que não tirou a pulga que ele tinha atrás da orelha, somente fez sua dúvida aumentar. Se pudesse ver o rosto de Beckett agora, saberia que ela estava mentindo. Não conseguira segurar as lágrimas que se formavam em seus olhos. A vontade de chorar era imensa. Engoliu em seco e correu para o banheiro. Precisava de um minuto para lidar com essa traição dura e inesperada. Beckett limpou a região dos olhos, respirou fundo e escolheu fazer seu trabalho.

A batida no apartamento de Royce revelou outra pista importante. A esposa sabia do mapa. Royce estava em algum lugar em Nova York tentando achar o tesouro. De volta ao escritório da vítima encontraram varias anotações, inclusive a única informação que Castle conseguira extrair do mapa. Under the gun. Mais uma vez, o escritor teve um insight. O tesouro estava escondido no cemitério, o mesmo do folder sobre a mesa, as linhas no mapa eram túmulos.

Claro que sua visita ao cemitério fora composta de momentos bem intensos, todos os interessados estavam lá esperando pela chance de colocar as mãos no tesouro. Numa ótima estratégia de parceria entre Castle e Beckett, eles conseguiram dominar os suspeitos e prende-los. Inclusive Royce. Castle assistiu a cena. Tinha certeza que em nenhum momento de sua vida, Beckett imaginou que diria tais palavras para o seu treinador “Michael Royce, você está preso”. Foi doloroso, isso ele podia dizer.

Um pouco frustrado por não ter terminado sua caça ao tesouro, ele é abordado por Ryan querendo saber como Beckett estava se sentindo. Realmente, ele não sabia dizer. Não era fácil ver seus heróis se perderem. Ele aproximou-se dela, estava retirando alguns itens do quadro branco. Deu um meio sorriso na direção dele. Castle comenta que não entendia porque fazer um mapa para um tesouro que não existe? De repente, ele teve um insight. Gravado na tatuagem de Lloyd estavam os últimos detalhes para entender onde o tesouro estava. Ele e Beckett seguiram numa viagem de volta ao cemitério.

Não foi fácil, porém cada momento valera a pena. Cavaram durante uma hora, Beckett foi quem primeiro segurou o tesouro nas mãos, enrolado em um pano velho, as pedras brilhavam lindamente nas mãos dela. Castle tocou alguns daqueles pequenos notáveis. Com um sorriso de tirar o fôlego, ela se jogou nos braços dele comemorando o feito. Suados e cansados, sentaram-se na pedra próxima ao túmulo. Por alguns instantes, eles não conseguiam parar de admirar as pedras. Seus braços roçavam um no outro.

- Incrível! Uma verdadeira caça ao tesouro como bônus de uma investigação de assassinato. Como não amar o seu emprego?

- É, tem dias bons – ela disse, mas Castle pode ver a tristeza em seus olhos.

- Você diria que hoje foi um bom dia, Kate? – do seu jeito, ele queria saber como ela estava depois do que aconteceu com Royce.

- Teve seus momentos. Uns certamente ruins – ela o fitou – esse, por exemplo, foi o ponto alto do dia – sorriu – eu realmente precisava dessa aventura.

- Que bom que pude ajudar – ele sorriu e entrelaçou seus dedos ao dela – como você está?

- Castle, eu... eu prefiro não falar sobre isso – os olhos azuis olhavam profundamente para ela. De repente, ela se viu contando  – eu... nunca pensei, ele era meu amigo, a pessoa que me deu a mão, entendeu o quão era importante achar o assassino da minha mãe – ela passou a mão nos cabelos, mordia a boca. Ela sempre fazia isso quando estava nervosa, ele já conhecia seus trejeitos – eu... aprendi tanto com Royce, tivemos bons momentos. Isso torna tudo... – ela engoliu em seco para não ceder as emoções que queriam aflorar, ela nem sabia porque contava isso a Castle – tudo difícil. Eu confiei minha vida, fomos parceiros – sentiu a mão de Castle acariciando suas costas, como um estímulo para que ela continuasse a falar – ele foi muito importante nos primeiros anos. Ensinou-me coisas que não aprendi na academia. Foi sua força, seu conhecimento que me mostrou a vida real das ruas. Eu era apenas uma novata e agora... é exatamente assim que me sinto, como uma novata, boba, enganada por seu mentor. Uma das pessoas que mais respeitava.

- Kate, eu sei que não é fácil. Uma decepção dessas não deixa boas marcas em nossas vidas. Royce errou, escolheu um caminho errado e sem volta. Porém, a última coisa que você deve pensar é que todo o resto foi em vão. Olhe para você, tudo o que ele lhe ensinou, você aprimorou. Não há ninguém como você na NYPD. É a melhor detetive de homicídios que já conheci. É racional, analítica, rápida, interroga um suspeito como ninguém e tem a melhor característica que um bom justiceiro deve ter. Você põe seu coração em cada investigação, honra suas vítimas independente dos erros que eles cometeram enquanto estavam vivos. Luta por eles. Você evoluiu e tudo começou há anos atrás. Você não é mais aquela novata, Royce influenciou isso. Ele não a criou como eu criei a Nikki. Os méritos de quem você é, são exclusivamente seus. Você é Kate Beckett, é a minha detetive. Minha musa. Extraordinária.

Agora as lágrimas não a obedeciam. Ali, na escuridão, sentados à beira de um túmulo de um cemitério, ele a admirava. Podia ver a intensidade dos sinceros olhos azuis, sentir o toque dos dedos quentes segurando sua mão. Aquelas palavras agiram como um bálsamo na ferida aberta naquela tarde. Kate não conseguia pensar em outra coisa senão beija-lo.

A palma da mão suja de terra acariciou-lhe a linha da mandíbula até o queixo trazendo-o ao seu encontro. Sorveu os lábios dele nos seus, a colisão de duas línguas ávidas pelo contato. Tinha suas duas mãos no rosto dele aprofundando o beijo, querendo todo aquele carinho que lhe fora dito em palavras como um beijo. Quando se separaram, Kate manteve a testa colada na dele. Sorria.

- Melhor que diamantes... – ele sussurrou limpando as marcas das lágrimas.

- Obrigada... – a mão dela continuava tocando-o sobre sua coxa. O pano que envolvia o tesouro caíra de seu colo no chão de terra. Ela ainda não conseguia se desvencilhar dele, não queria perder o contato. Naquela turbulência, Castle fora a calmaria.

- Está melhor? – ele perguntou sabendo que não era tão simples assim.

- Um pouco, mas eu realmente preciso de um banho – ele riu.

- Fazendo piada de si mesma, definitivamente melhor – contra toda a sua vontade, Castle quebrou o contato levantando-se e oferecendo a mão para ajuda-la – vamos, Kate. Esse realmente não é o melhor lugar para um amasso. Deixe-me leva-la para casa – ela aceitou a mão dele e ergueu-se. Juntou os diamantes envolvendo-os no pano e depois colocando-os em um saco de evidências que trouxera no bolso de seu casaco – não mereço ao menos uma pedrinha pela ajuda a NYPD?

- Esse tesouro não é nosso, Castle. Não podemos ficar com ele. Devolverei ao dono.

- Realmente tira a beleza de uma caçada ao tesouro, não detetive? – ela sorriu apanhando o casaco, Castle ofereceu o braço a ela que aceitou de bom grado – mais um item para cortar da minha “bucket list”.

- Caça ao tesouro? Sério? “Bucket list”?

- E uns amassos no cemitério, oh! São dois! – ela deu um beliscão de leve no braço dele – au! Calma!

Castle a levou para casa. Kate se despediu dele com um beijo no rosto. Ele a viu entrar no prédio. Não descobrira tudo o que gostaria sobre o seu mentor, mas estava satisfeito por ela ter conversado, desabafado.    Ele chegaria lá, passo a passo.

Após um longo banho, Kate secou os cabelos, vestiu seus pijamas e caiu na cama. Abrindo a gaveta de sua cabeceira, ela tirou um pequeno álbum de fotografias. Seu primeiro ano na polícia. Ali estava uma foto dela e de Royce escorados e abraçados na viatura da NYPD. Castle tinha razão, Royce fora uma importante parte de sua vida, mas não definia quem ela era, quem se tornara. Deixou os dedos acariciarem o rosto do mentor com os olhos brilhando. Decepção, mais uma na vida de Kate Beckett.

No dia seguinte, ela acordou atrasada. Arrumou-se o mais rápido que pode e partiu para o distrito desejando um copo de café bem grande. Torcia para que Castle não demorasse a aparecer. Sua primeira atitude foi cuidar do tesouro apropriadamente. Conversou com seu capitão pedindo permissão para contatar o dono. Explicou como ela e Castle encontraram o tesouro e confirmou que teria seu relatório ainda pela manhã.

Saindo da sala de seu capitão, ela percebeu que Castle ainda não chegara. Droga! Não podia mais esperar. Seu corpo clamava por cafeína. Demais. Seguiu para a minicopa. Beckett olhava para a máquina de expresso como para um monstro. Não sabia por onde começar. Todas as vezes que tentara ou se queimava ou fazia a máquina esfumaçar mais que o normal, sem falar no estrago do café. Ao lado da máquina, uma garrafa térmica continha o café já adoçado. Suspirou. Resignada, serviu-se do café com gosto de mijo de macaco como Castle descrevera uma vez. Provou-o e uma careta logo se formou. Ele tinha razão, era horrível.

De volta a sua mesa, ela apoiou a caneca ao lado do computador, destravou-o e começou a redigir o seu relatório. Havia escrito apenas um parágrafo quando Castle surgiu ao seu lado.

- Você está bebendo essa porcaria? Meu Deus! Tem uma máquina de expresso aqui sabia?

- Eu e essa máquina de expresso não nos damos bem. Aliás, você dormiu comigo, Castle? – ele arregalou os olhos. Ops! Isso saiu errado – cadê sua educação?

- Oh, detetive Beckett! Estamos um pouco ranzinza essa manhã, vamos começar de novo – ele se distanciou da mesa dela para refazer a caminhada. Beckett revirou os olhos tentando segurar o riso. Ao se aproximar dela, entregou-lhe o copo de café – bom dia, detetive Beckett! Como você está essa manhã? – sorria.

- Bom dia. Não estou ranzinza, só necessito urgente da minha dose de cafeína.

- Ah, e não era isso que tinha nessa caneca? – ele provocava vendo-a virar o copo com avidez. Beckett, porém não deu importância ao que ele dizia, nesse instante ela só queria experimentar a sensação maravilhosa que aquele café trazia ao seu corpo. Fechou os olhos e soltou um gemido. Castle engoliu em seco diante da cena. Como ela era sexy!

- Bem melhor agora – disse abrindo os olhos, Castle já estava sentado na cadeira ao seu lado – sinto desaponta-lo, mas hoje não temos um novo caso. Ninguém ligou. Estou fazendo meu relatório – viu a careta que ele fez – ossos do oficio, Castle. Se quiser, pode ir embora. Prometo que se um corpo aparecer, eu ligo.

- Espera, você está me expulsando do distrito? Como você é interesseira! Só queria o meu café.

- Castle não é nada disso. Tá, talvez um pouco. Você mesmo disse que detesta trabalho burocrático, só estou sendo solidária.

- Tudo bem, vou fingir não estar magoado com a sua atitude, Beckett. Vou aproveitar e resolver um assunto com Alexis. Estou devendo um almoço para minha filha e sei que ela está insistindo muito então imagino que deve estar querendo alguma coisa.

- Por falar em Alexis, esqueci de perguntar. Ela desistiu da scooter?

- Graças a Deus! Estou tão aliviado.

- Alexis é uma boa garota. Você tem sorte, mas isso não quer dizer que a fase rebelde passou. Ainda pode se surpreender.

- Não comece. A última coisa que preciso ficar pensando em Alexis querendo tatuagem ou....ou...

- Ela tem namorado, não?

- Ok, ok. Você não vai me deixar agoniado, não vou cair nessa. Tenha um bom dia, Beckett – ela acompanhou a saída dele rindo da cara de desespero que ele fizera. Claro que aproveitou a vista. Rick Castle tem um bumbum realmente bonito, nem percebeu que passava a língua na ponta dos dentes. Sentiu um tremor no corpo. Chega, Kate. Repreendeu-se. Tinha algo importante a fazer, algo que Castle não podia saber.

Pegou o telefone, discou. Marcou um horário para aquele mesmo dia. Precisava conversar com Dana. Estava tentando esquecer ao máximo o assunto Royce, porém sabia que logo teria que colocar para fora tudo o que sentira. Castle ajudou um pouco ontem, foi bem compreensivo. Na verdade, ele deixara seu coração mais leve. Apreciara isso, demais. Porém, não era apenas isso que a incomodava nessa história. Confiança. Beckett levava uma tapa da vida outra vez.

Por volta de seis horas, Kate entrou no consultório de Dana. Sentou-se no divã. Ajeitou o cabelo e colocou as mãos sobre as coxas.

- Olá, Kate! Como você está?

- Bem, na medida do possível. Eu queria conversar sobre um assunto delicado. Por mais que eu tente ver o lado bom de tudo, a vida parece me dar uma rasteira.

- Estamos falando de Castle?

- Não, porém o assunto acaba voltando para ele.

- Por que não me conta o que a fez ficar chateada com a vida? – Kate suspirou.

- No último caso que investiguei, eu encontrei alguém do meu passado. Uma visita inesperada. Mike Royce.

- Seu treinador depois da academia. Você já me falou sobre ele. Foi o oficial que lhe ensinou a vida das ruas e apoiou sua causa, em busca do assassino da sua mãe. Não que tenha evitado o seu declínio, sua fuga para a toca do coelho. Ele é alguém importante para você, seu mentor. A aparição dele deve ter deixado-a feliz, não? Fazia um bom tempo que não o via, estou certa?

- Sim, anos. Eu fiquei feliz em vê-lo à principio.

- Aconteceu alguma coisa entre ele e Castle que a deixou chateada?

- Não, na verdade Castle adorou Royce. Especialmente porque ele contou conversas e casos da época que trabalhávamos juntos, e para Castle tudo é pesquisa, pelo menos é isso que ele diz. Sei que no fundo só quer bisbilhotar a minha vida.

- Ou conhecer um pouco mais sobre você, o que seria excelente se você contasse as histórias para ele ao invés de ter que mendigar com seus amigos – primeira alfinetada do dia, Dana pensou – então, se dois homens importantes de sua vida em momentos diferentes se encontraram e parecem ter se dado bem, o que foi essa rasteira? O caso revelou algo inesperado? Tem relação com o caso de sua mãe?

- Não... eu fui traída. A maldita da confiança parece achar que pode brincar com a minha cara, me fazer de trouxa. Royce não trabalha mais na força, ele fez isso quando eu vim para a divisão de homicídios, se aposentou. Agora ele tornou-se um caçador de recompensas. Tudo bem, é outra forma de trabalhar suas qualidades, fazer justiça. Só que não era nada disso que ele estava fazendo. Sua visita ao distrito não foi algo que decidiu porque queria me ver, pelos velhos tempos. Ele queria informações sobre um suposto tesouro que fazia parte da minha investigação. Ele me usou para conseguir informação porque queria roubar, estava interessado no dinheiro ao invés de colocar a conversa em dia.

- Isso é complicado. Ele lhe disse por que fazia isso?

- Pelo dinheiro. Ele me traiu. Destruiu toda a imagem e o carinho que tinha por ele. Minha confiança. Eu fui apaixonada por ele, estava me afogando e ele era a terra firme. Royce acabou de arruinar o pouco que ainda nutria desse sentimento. Sempre foi assim na minha vida, todos que estiveram ao meu redor me traiam, me decepcionavam. Ele era um dos poucos que não fazia parte dessa maldita estatística. Decepção atrás de decepção! Como posso seguir em frente, arriscar, quantas vezes vou ter que passar por isso? Além do meu pai e dos rapazes no distrito, eu não tenho ninguém mais em que confiar. Sou um desastre! Não sirvo para relacionamentos, eu sou quebrada. Esses muros, eles não podem simplesmente desaparecer. Eu... eu não sei o que fazer.

Dana a viu passar a mão no rosto resignada. Lutava contra a frustração e as lágrimas que ardiam em sua garganta. Pode perceber o quanto estava decepcionada com toda a situação. A terapeuta sabia que doía. Ter sua confiança traída é um golpe forte demais para se levar tantas vezes na vida. Dana dava um tempo para que Kate acalmasse seu coração. Cada vez que uma situação dessa acontece, um pedaço de seu coração é arrancado e os muros como ela mesma comentou tendem a ficarem mais evidentes, ganham força. Kate tinha alguém em que podia confiar. No fundo, ela sabia disso. O medo de admitir, porém tornava-se maior após uma experiência como essa.

- Kate, olhe para mim – aguardou até que os olhos da detetive encontrassem os seus – não vou ser hipócrita a ponto de dizer que isso não machuca, não dói. Muito pelo contrário, você deve estar se sentindo um lixo nesse momento. Se questionando se há algum plot sinistro do universo para arruinar sua vida. Está conspirando contra você, seus desejos, sua vontade, sua felicidade. Deve estar pensando por que tudo na minha vida acontece da maneira mais difícil? Por que tudo é tão obscuro? Independente dos tropeços que já apareceram, você não é um desastre. É uma mulher brilhante. Uma profissional de dar inveja a muito marmanjo na polícia. Inteligente, bonita. Não pode deixar as pedras ao longo do caminho a colocarem para baixo, não se menospreze ou se minimize, Kate.

- Dana, me poupe desse papo exotérico que a culpa é do universo ou destino, até carma.  

Dana se levantou sentando-se ao lado dela. Pegou sua mão. Continuou.

- A confiança é talvez o sentimento mais importante em qualquer relação da sua vida. Só perde para o amor. Royce pode ter traído sua confiança, errado ou escolhido um caminho diferente, porém suas atitudes não definem quem você é, não pode apagar os ensinamentos que ele passou para você. Isso a ajudou, a fez crescer. Foi uma influência na sua carreira, somente não define quem é.

- Foi exatamente o que Castle disse.

- Então, você falou com Castle sobre isso... – um avanço finalmente, Dana escondeu o sorriso mordendo os lábios.

- Sim, ele presenciou meu telefonema com Royce, mas foi educado o bastante para não forçar uma conversa. Ao final do caso, ele me perguntou se estava bem. Eu não sei se foi o olhar em seu rosto ou o fato de eu estar chateada com tudo, eu desabafei com ele e Castle é um mestre com as palavras. Ele sabe exatamente o que dizer.

- Isso é bom. Como você se sentiu após essa conversa com Castle?

- Melhor, de verdade. Não que tenha esquecido tudo. Estou aqui, não? Contudo não posso negar que fez muito bem a mim.

- Você falou sobre confiança – Dana sabia que estava pisando em terreno minado – não foi esse sentimento que a fez abrir-se com Castle? Ele é alguém em que você pode confiar.

- Eu sabia que você tocaria nesse assunto. Quem me garante que ele também não irá me trair? Que não fará algo que me deixará com raiva dele? Todas as pessoas que confiei ou estão mortas ou me apunhalaram pelas costas. Por que Castle seria diferente?

- Porque ele se importa com você, Kate.

- Royce também se importava.

- Não é a mesma coisa. Royce importava-se, porém era diferente. Ele precisava treina-la, era seu mentor. Sua relação com Royce era de professor e aluna. Castle gosta de você, não vou dizer que a ama porque não o conheço tão profundamente, apaixonado não tenho dúvidas. Kate se tem alguém que você pode confiar é ele. Qual motivo um escritor famoso como Castle teria para ficar te seguindo por tanto tempo? Ele tem material suficiente para escrever, o segundo livro dele já está nas livrarias. A razão porque vai todos os dias para o distrito é você. Ele salvou sua vida, ao contrário de Royce, não tinha obrigação nenhuma. Se você quer alguém para confiar, seu alguém é Castle.  

- Como você pode ter tanta certeza? Eu não sou boa em relacionamentos. Eu não me abro facilmente, desde que perdi minha mãe algo mudou. Não quero me machucar. Gosto de estar com ele, é divertido na maioria das vezes. Mas, e se a confiança for violada? E se eu cometer burrices? Não estou preparada para o relacionamento a dois.

- Eu não tenho certeza. Não sou vidente. O que eu sei é que gosta dele embora não admita. Vejo o jeito que fala dele. Castle foi a única pessoa que apareceu em sua vida e conseguiu te tocar. Você se abriu sobre sua mãe, você sentiu-se segura para comentar e experimentar coisas que há muito não fazia. Não estou dizendo que os muros sumiram. Eles continuam aí. Pela primeira vez, você está pensando em enfrenta-los, em tentar move-los ou derruba-los. Talvez não consiga de uma hora para outra, leva tempo. Experimente devagar. A única coisa que você não pode ter é a dúvida.

- Castle... e se ele me decepcionar? Eu não sei se consigo passar por outra derrota.

- Ele não vai. Já provou que é confiável, vai continuar fazendo isso todos os dias.
Kate ouvira todas as palavras de Dana, conselhos. Ainda tinha muitas dúvidas. Reconhecia parte do que a terapeuta lhe dizia. Ela mesma se imaginava apostando mais na proximidade com Castle. O medo, contudo, estava lá. Ela agradeceu o tempo da terapeuta. Quando ia saindo, Dana chamou sua atenção.

- Kate – ela virou-se para fita-la – deixe-se apaixonar. Coloque um pouco de magia em sua vida – ao ouvir a recomendação de Dana, Kate ergueu a sobrancelha. Acreditar na magia, não foi isso que Castle falou para ela? – até a próxima, Kate.

- Obrigada, Dana.

Kate dirigia pelas ruas de Nova York. O barulho incessante das buzinas, o andar frenético das pessoas eram motivos porque ela amava aquela cidade. Estava com fome. Checou quanto tempo demoraria para chegar em casa com esse trânsito. O GPS indicava vinte minutos. Sabia que tinha um ótimo restaurante tailandês perto do loft de Castle. Por um impulso, ela mudou a direção. Por que não?

Ela passou no restaurante, escolheu alguns de seus pratos preferidos e seguiu. Esperava sinceramente que não estivesse cometendo um erro. De frente para a porta do apartamento de Castle, ela suspirou. Tocou a campainha. Castle mostrou surpresa ao vê-la na sua frente.


- Alguém pediu o jantar? – Kate sorria mostrando as sacolas que enchiam o ar com seu tempero forte e delicioso.


Continua..... 

3 comentários:

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

So mesmo um capítulo desse pra animar minha noite depois de ter uma das minhas séries cancelada.
Adorei a iniciativa da Beckett em beijá-lo, assim como levar o jantar agora no final do capítulo. É muito bom ver ela cedendo e fazendo por ele o mesmo que ele fez e faz por ela.
Linda as palavras do Castle quando ela desabafou.
As alfinetadas da Dana são ótimas e sempre surtem efeito em Beckett. Ponto para a terapeuta!
Ah, esse jantar, estou ansiosa por ele.
Até o próximo! :**

cleotavares disse...

Como é bom vê a Kate evoluindo. E o Castle como sempre um príncipe, pensei que ia agarra-la ali mesmo, no cemitério, kkkkkkk. E agora que ela foi até o Loft, se joga querida que a atmosfera está ótima. Uhuuuuu! #castleseason8.

Silma disse...

Muito fofa dona Kate!