sexta-feira, 1 de maio de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.13


Nota da Autora: Eu pensei em quebrar esse capítulo em dois, porém dado os últimos acontecimentos, resolvi deixar assim um bem grande. Ia torturar um pouco mais, o que não seria justo. Adorei escrever essa parte da história, o angst me ajuda. Mudei alguns diálogos e achei a forma de inserir o caso. Vamos a S3! Enjoy! 


Cap.13


Ainda surpresa de um modo nada agradável, Kate respirava fundo para ouvir o que provavelmente seria uma apunhalada nas costas. Não tinha como não pensar o pior.

- Tenho que dizer, Nikki. Você é uma mulher poderosa. Não sei o que você fez com Rick, mas o homem está um arraso. Nunca o vi assim. Tão sagaz, tão ligado. Wow! Merece meu reconhecimento e parabéns. Ele sempre foi criativo e tal, porém agora... será que você pode me contar o seu segredo?

- Gina, eu não sei do que você está falando e quer saber? Pouco me importa, faça o que quiser com ele, não dou a mínima. Diga a Castle que ele não precisa voltar ao distrito. Aliás, diga para não me procurar.

- Hey! Diga isso você mesma! Não sou mulher de recados, detetive – nesse instante Castle apareceu na sala ouvindo o pedaço final da conversa. Kate. Ah, não!

- Gina, o que você está fazendo? – perguntou Castle correndo até onde ela estava arrancando o celular da mão da ex-esposa – Kate? – tarde demais, Beckett já desligara – o que você disse? Por que atendeu meu telefone?

- Porque estava tocando, Rick... ah, deixa de frescura. Sua detetive é bem esquentadinha, não?

- Droga! Você está bêbada, Gina. Vai tomar um banho e um café. De preferência, depois vá pra sua casa.

- O que foi que eu fiz?

- Provavelmente me ferrou a vida, não seria a primeira vez – Castle disse discando o número de Beckett. Estava enrascado.

Beckett não acreditava no que ouvira. As palavras ecoavam na sua mente, não queria acreditar. Com o celular na mão, estava parada no meio de seu apartamento. Lágrimas deixavam seus olhos vermelhos, ardendo. Simplesmente não conseguia controlar o choro. Era por isso que estava chateada, porque independente do que estava sentindo, deveria ter previsto, se enganou por sua conta e risco. O que ela estava pensando? Ele é assim, rico, exibido, adora festas, mulheres e vida boa. O que uma detetive de homicídios seria para ele senão uma diversão? Como chegou a considerar um relacionamento com ele? Imaturo, irritante, fútil. Kate, você foi burra o bastante para se deixar cegar. Estava decepcionada com Castle e principalmente consigo mesma.

O celular vibrava em suas mãos. Estava tão absorta em seu próprio drama pessoal que sequer vira as ligações. Castle. Não estava preparada para enfrenta-lo, porém a raiva falara mais alto.

- Castle, o recado não foi suficiente? Disse para não me procurar!

- Kate, escute, não sei o que a Gina falou para você, mas eu quero...

- Não! Você não quer nada! Não vou escutar qualquer desculpa, pra mim ouvi o bastante. Eu errei quando aceitei o maldito convite para os Hamptons, eu errei quando pensei em dar um próximo passo. Como poderia ter acertado? Esse é você, irritante, metido, rico, fútil, vive cercado de mulheres, modelos. Sempre procurando aventuras. Eu fui apenas mais uma conquista. Simples assim. Só que acabou. Não quero ver você, não venha ao meu distrito e faça o que quiser com sua Nikki.

- Kate, pare! Você está me acusando do que? Eu não fiz nada! O que quer que Gina tenha lhe dito, eu não sou culpado. Está me acusando, me ofendendo e eu nem sei por que!

- Não sabe? Você está nos Hamptons com sua ex-mulher bêbada e elogiando sua criatividade? Faça-me o favor!

- Espera, você está insinuando que eu dormi com Gina? É isso? Pois é uma mentira! Como você pode pensar isso depois de....depois...- ele não sabia como completar a frase sem complicar ainda mais a situação.

- Ora, Rick, dado ao seu histórico de ex-mulheres não seria a primeira vez, certo “gatinho”? – o tom na voz dela doeu, Kate acabara de enfiar um punhal em seu coração.

- Você vai ao menos deixar eu me explicar?

- Não há necessidade. Está bem claro para mim. Pensei que havia uma possibilidade. Ainda bem que poupei meu desgosto de ver a cena ao vivo quando chegasse ai. Basta, Castle.

- Claro, certo. Tudo bem, Beckett se essa é a sua opinião irrefutável, não sou eu quem vai ficar aqui escutando xingamentos e me acusar de algo que não fiz. Não quer mais falar comigo, ótimo! Eu também não quero conversar com alguém incapaz de ouvir. Você me deve um pedido de desculpas. Não vou ligar, não se preocupe.

- Ótimo! – ela desligou o telefone com raiva. Soltou um grito frustrado jogando-se na cama sem coragem para fazer nada.

Castle engolia em seco. Os olhos azuis estavam opacos e frios. Por que ela não deixara ele se explicar? Por que assumira que estava errado e pronto? Seria uma possibilidade de sabotar os bons momentos que tiveram? Ele não queria desistir dela, porém estava com muita raiva no momento para encara-la. Acusa-lo era bem fácil, não? Maldita hora que Gina resolvera aparecer ali.  Ela estava vindo encontra-lo. Droga!

Ao ver Gina surgir com a cabeça molhada após o banho, ele a encarou sério.

- Preciso de um café.

- O que você precisa é ir embora daqui. O que você falou para Beckett?

- Não disse nada demais, eu inclusive a parabenizei por ter causado esse efeito em você. Falei da sua criatividade, não é verdade? Foi ela que o fez escrever tão bem esse segundo livro e rápido.

- Ah, não! Gina ela entendeu tudo errado. Está com raiva de mim, me acusou de coisas que eu não fiz!

- E por que não explica para a detetive o que aconteceu?

- Tentei, quem disse que ela quis ouvir? Teimosa! O que você queria? Bêbada, falando de mim de um jeito estranho, claro que pensaria besteira.

- Eu vim pedi ajuda a um amigo. Não é todo o dia que se termina um relacionamento pegando outra na cama com seu namorado. Eu tenho o direito de afogar as mágoas, encher a cara. Sou tão humana quanto você. Rick, você me ajudou. Estou melhor depois da super dose de álcool de ontem e da nossa conversa.

- Exceto que você não parou de beber.

- Isso é um detalhe... espera, se ela ficou tão chateada... você está dormindo com ela?

- Não – mentiu – é que a nossa relação, é um tanto complicada. Pelo visto acabou mesmo qualquer parceria que pensei ter com Beckett e com a NYPD, já era.

- Por que diz isso? O Rick Castle que conheço não desiste tão fácil. Não foge de uma briga sem tentar todas as possibilidades – ela aproximou-se dele, acariciou-lhe o braço – desculpe por ter causado esse problema. Não foi minha intenção. Relacionamentos são difíceis, o que quer que tenha com a sua detetive, talvez deva pensar se vale a pena insistir numa nova chance.

- Gina, nesse momento não vou fazer absolutamente nada. Preciso ficar sozinho. Vá embora. Por favor.

- E o livro?

- Leve o que lhe dei, mas me deixe sozinho – ela pegou suas coisas, o manuscrito e com um beijo na testa dele, deixou a casa. Castle ainda ficou na sala fitando o nada por um bom tempo. Serviu-se de uma dose de whisky tentando digerir o que acontecera e como poderia encarar a próxima etapa.

A teimosia e o orgulho são qualidades memoráveis. Podem ser consideradas dádivas ou maldições, usadas tanto para o bem quanto para o mal. No caso desses dois cabeças duras, o resultado não poderia ser diferente. A nova semana começou e Beckett voltou a trabalhar no distrito procurando esquecer os últimos acontecimentos do fim de semana. Trazia no rosto as marcas deixadas pelo choro e a falta de sono. Nas primeiras 48 horas passadas mal se alimentou ou dormiu. Ainda procurava entender porque a sua reação ao ocorrido era tão forte. Talvez porque passara anos tentando evitar uma decepção, uma nova dor. Castle errara feio com ela. Logo agora que estavam tão bem, começavam a encontrar um ritmo próprio para o que quer que fosse aquilo que estavam vivendo.

Mais de duas semanas se passaram, Beckett decidira por fazer aquilo que sabia de melhor. Enfiar a cara no trabalho. De caso em caso, ela procurava se ocupar ao máximo. Infelizmente, as noites eram os piores momentos. Quando não estava de plantão na delegacia, era impossível não remeter seus pensamentos para Castle. A raiva diminuíra um pouco, porém ainda estava decepcionada por ter se deixado enganar. Não se falaram desde então. Durante esse tempo, houve momentos que chegou a balançar olhando para a tela do celular, querendo ligar. Não pensou que ele cumpriria com a sua palavra. Acreditava que iria fraquejar um dia e ligar. Isso não aconteceu.

Por vezes ao investigar determinado caso, se pegara olhando por longos minutos para a cadeira vazia de Castle. Desde que ele se fora, Beckett não tivera coragem de tira-la do lado da sua mesa. Outras vezes, quando levava trabalho para casa e se encontrava em um momento ruim ou sem qualquer pista para seguir adiante, sentia-se tentada em ligar para ele, pedir ajuda. Mesmo que fosse somente para ouvir sua voz mais uma vez. Certamente ele ainda estava com raiva dela ou se divertindo com sua ex-mulher em várias festas do seu meio social.  Talvez fosse a hora de seguir em frente, não seria fácil. Castle voltava ao seu pensamento em momentos mais que inoportunos. Como esquecê-lo se logo haveria vários exemplares de seu segundo livro espalhados pela cidade?

Não sabia se ele ainda estava nos Hamptons. Não procurara se informar, tão pouco se continuava com sua ex-mulher. Que faça bom proveito, pensou. Com o fim do verão, contudo as coisas começaram a piorar para Beckett. Sabia que a mídia noticiaria sua volta assim que recebesse informações sobre o próximo livro. Por mais que tivesse muito trabalho a fazer, não era suficiente para evitar pensamentos que a remetesse a ele.

Outro dia após sair do distrito, ela se viu entrando em um restaurante italiano para tomar um vinho tinto e comer um espaguete a carbonara apenas para constatar que o de Castle era melhor. Não bastando isso, na mesma noite acordou por volta das quatro da manhã ensopada. Acabara de ter um sonho erótico com ele. Preocupada com sua reação a tudo e a forma como aquilo vinha lhe afetando, decidiu procurar Dana. Ela devia ter uma ideia de como poderia resolver esse problema, o que fazer para tira-lo da sua mente e seguir adiante. Agendou a consulta para o dia seguinte ao sonho, estava na hora de tomar as rédeas da situação.


Consultório de Dana Anderson


Ela marcara o último horário disponível para conversar com a terapeuta. Na antesala do consultório, apenas ela e a secretaria aguardavam a porta se abrir. Beckett consultou o relógio. Sete e quarenta e cinco. A sessão anterior já deveria ter terminado há quinze minutos atrás. O constante movimento das pernas batendo com seu salto no chão do assoalho, denunciava a ansiedade de Kate.

Finalmente a porta se abriu. Dana saiu acompanhada de um rapaz franzino e pálido. Despediu-se dele e cumprimentou Beckett.

- Olá, Kate! Bom te ver. Vamos entrar? – ela a seguiu fechando a porta atrás de si. Sentada na poltrona de sempre, ela criava coragem para expor as novidades que de certa forma confirmariam algumas suspeitas já levantadas por Dana em sessões anteriores como também faria a terapeuta possivelmente puxar sua orelha.

- Você quer começar? Faz tempo que não vem aqui. Espero que não tenha sido por nada do que falei da última vez. Como vai o namoro com Tom?

- Não vai. Eu terminei com ele.

- Hum, a quanto tempo? Depois do feriado? – Dana cutucou, pois sabia que a resposta e a conversa deveria iniciar exatamente naquele ponto.

- Antes do feriado. Na verdade, eu passei o Memorial Day com Castle.

- Ah, interessante. Então, estão namorando agora?

- Não! O que temos é o oposto de um namoro. Não quero vê-lo na minha frente nem pintado de ouro! Ele é um idiota, fútil e exibicionista com aquela casa dos Hamptons, aquela Ferrari e todo o seu estúpido dinheiro. Não preciso dele.

- Achei que era sua musa, que já tinha superado essa parte. É por isso que está aqui? Por que voltou para a estaca zero? Na primeira briga de casal?

- Nós não somos um casal! E não se trata da primeira briga, foi a última e definitiva. Vim aqui porque preciso seguir adiante, tinha uma vida antes de Castle aparecer no meu caminho, quero retoma-la.

- A vida chata de workaholic e comida chinesa aos sábados na frente da TV? Nossa! E eu pensei que você estava evoluindo, saindo de dentro da concha, deixando a vida de ostra para trás e mostrando a perola que realmente é.

- Muito engraçado! Hahaha! Virou poetisa agora? Se não fosse sua insistência em me jogar nos braços de Castle, criticar minhas ações e colocar ideias na minha cabeça, eu não estaria tão enrascada. Não teria passado por outra decepção. Eu disse que não queria sentir dor. Adivinha? Tudo o que não queria aconteceu!

- Kate, não tem nada de engraçado aqui. Estou vendo no seu semblante que está chateada, machucada. Suas olheiras me indicam que está trabalhando demais, chorando à noite. Você veio aqui para se abrir, dividir suas angustias e seus problemas. Se quiser ajuda, terá que me contar o que aconteceu durante o verão – um silêncio se estabeleceu entre elas. Dana levantou-se para servir-se de café, entregou uma caneca a Kate. Era um convite para que se sentisse confortável o bastante para encara-la. Pareceu funcionar.

Com toda a atenção voltada para sua paciente, ela ouvira todos os detalhes da história de Kate. Sua primeira ida aos Hamptons, sua convivência com Castle, o desejo, a entrega, os momentos felizes. Era interessante observar a linguagem corporal dela naquele momento. O rosto oscilava entre sorrisos e olhares vagos quando alguém se desconecta do mundo para visualizar um outro lugar, outro tempo. O peito arfava lembrando dos carinhos, do contato. Em seguida, a dúvida, as lagrimas começavam a povoar os olhos e a pontada da dor reaparecera, quando ela finalmente começara a falar de seus sentimentos.

- Era estranho. O tempo que passamos juntos e ainda assim, separados foi...foi como se não estivéssemos separados. Ele, escrevendo seu livro nos Hamptons, eu trabalhando em Nova York. Falamos algumas noites, discutíamos casos, eu voltava nos fins de semana. Por instantes me via desejando que o tempo passasse depressa para que eu pudesse vê-lo novamente. Não sei definir exatamente o que era essa relação, somente posso afirmar que não vivia algo assim em anos. Pela primeira vez, cheguei a considerar algo mais em um futuro próximo, não disse isso a Castle. Eram meus pensamentos. Ele nunca me forçou a nada, disse que seria como eu quisesse.

- Pelo que me descreveu, parecia um relacionamento bem promissor. Vocês estavam aproveitando, se conhecendo. Um bom momento. Da maneira como conta, posso ver a leveza em seu semblante. Você estava feliz com isso. O que mudou?

- Nada mudou. Castle apenas voltou a ser Castle, o idiota!

- Kate, precisa me contar...

- Eu estava com tudo pronto para passar mais um fim de semana com ele. É incrível como instinto é algo poderoso. Minha intuição me fez ligar para ele, ia avisar que estava a caminho, que me aguardasse. Qual não foi a minha surpresa quando a ex-mulher dele atendeu ao celular bêbada! Isso não foi o pior. Ao saber que era eu, não apenas ficou falando que eu era poderosa, que melhorara Castle como fez questão de dizer que dormira com ele e me deu os parabéns por atiçar sua criatividade. Ele fez de novo. Ele agiu como o mesmo idiota mulherengo e fútil que eu conheci. Como pude pensar que seria diferente comigo? Fui mais uma conquista. Deve ser pré-requisito, dormir com a sua musa. Nunca tive tanta raiva de alguém e também de mim mesma. Como deixei isso acontecer?

- O que Castle disse? Você falou com ele, certo? Não ficou apenas com a palavra da ex-mulher – ao ver a culpa estampada no rosto, já sabia a resposta – você o ouviu, Kate?

- Não tinha o que ouvir! Seriam desculpas, mentiras... não é bem o que você está pensando. Não, para que me sujeitar ainda mais a sofrer, ouvindo histórias inventadas sobre isso?

- Kate, deixe-me resumir o que ouvi: você estava às boas com Castle, curtindo e vivendo um bom momento em suas vidas, nada sério, nada exigente. Um belo dia, você é surpreendida por um telefonema. Uma possibilidade de turbulência. Sim, fica chateada, a raiva é iminente afinal você acreditava que estava indo bem, no caminho certo, então ao menor sinal de perigo você se esconde, pula fora sem qualquer explicação, sem dar ao outro o beneficio da dúvida? Sem como você mesma faz, em seu trabalho de detetive, examinar todos os fatos, os lados da historia?

- Isso não é uma investigação. Dana, acho que você está querendo me culpar. Por acaso está do lado de Castle? – a terapeuta riu, sempre a teimosia.

- Pelo contrário, não estou escolhendo lados. Nem o seu, nem o de Castle. Meu papel aqui é fazer vocês enxergarem o que está diante de si, entender e trabalhar a verdade. Kate, eu a conheço há bastante tempo, sei como analisa as situações, sei suas reações, por isso me pergunto se sua raiva e sua decisão de não vê-lo ou escuta-lo não seria uma fuga tão característica de Kate Beckett. Não está se aproveitando dessa brecha para fugir de algo bom que poderia estar se formando, se solidificando e caminhando para o inevitável por medo? O velho sentimento de medo?

Kate permaneceu calada. Como responder a isso? Dana tinha razão? Fora precipitada em sua escolha? Não, ela apenas não conseguia ver o quadro todo. Ela a conhecia, mas não a Castle.

- Dana, você está querendo ajudar. Diz que não vê lados, mas certamente não conhece Castle. Como pode saber que o compreende a ponto de apontar a culpa apenas para mim?

- Quem falou de culpa? Tem razão, não conheço Castle a ponto de falar sobre ele ou defende-lo. Conheço você. Se está inclinada a não assumir que errou ou fugiu, por que não me diz o que a faz coloca-lo como vilão da historia?

- Tudo o que ele é!

- Rico, charmoso, carinhoso, divertido e.... – Dana provocou - mulherengo?

- Isso! Dana, ele já fez isso antes! Já dormiu com a ex-mulher! Já aprontou demais em festas, é quem ele é.

- Então, o lance de dormir com ex é reincidente. Certo, me diga quando isso aconteceu, ele estava com alguém? Você estava envolvida com ele?

- Não... nós não estávamos juntos. Não tínhamos nada, ele... – calou-se diante do olhar de “eu sabia” da terapeuta.

- Vamos tentar uma outra abordagem. Supondo hipoteticamente, que ele realmente tivesse dormido com a ex-mulher. Está errado e não merece sua compaixão. Imagine que isso fosse um crime, você iria leva-lo para a sala de interrogatório e pressiona-lo para que lhe dissesse o motivo de ter feito aquilo. Ia gritar, advertir e suga-lo até que confessasse.

- Isso é diferente – ela retrucou.

- Mesmo? Quão diferente? Interrogar, questionar, são formas de diálogos também. Agora, considere outra situação hipotética, Castle liga para o seu celular e Tom atende. Não importa porque, nem como, escuta coisas que não gostaria ou imaginava. Raiva, frustração, ele tem direito de sentir. E quanto a você, não ia querer uma chance de se explicar? Não teria o direito de resposta? Se coloque na situação reversa, no lugar dele, Kate. Desfazer esse mal entendido seria sua prioridade não? Ele a ouviria?

Calada, Kate passava as mãos nos cabelos. Nervosa, ansiosa por ter que encarar o que Dana mostrara para ela. Fizera isso mesmo? ignorara a chance de Castle se explicar. Por que? Era mais fácil a fuga. Escapar do algo mais... isso não era um jogo, Dana estava errada, exceto que não estivera das outras vezes. Isso tudo era uma forma de confundi-la?

- Você não respondeu minha pergunta, Kate. Ele a ouviria?

- Esse não é o ponto! – ela explodiu – o ponto é que ele cometeu o mesmo erro de antes. Se fez isso agora, como posso ter certeza de que não fará de novo? Se tinha algo para explicar, por que não ligou novamente? Ele não ligou!

- Ah... então temos outro problema. Você também está chateada porque ele não ligou. Deveria?

- Claro que sim! Ele precisava se explicar.

- Você ouviria? Atenderia a chamada? Porque pelo que me disse não quer mais saber dele, falar com ele. Diante de tudo o que você o acusou, as palavras duras que disse, você ligaria?

- Talvez... não.

- Do meu ponto de vista, você deve desculpas a ele em primeiro lugar.

- Não vou me desculpar, eu não errei. Não dormi com ninguém.

- E sequer sabe se ele realmente fez isso. Está inferindo porque se sente melhor, usando essa desculpa para manter a distância. Olha, Kate, como sua terapeuta devo aconselha-la da melhor forma quanto as suas dúvidas. Porém, não posso ver injustiças. Todo o problema, todo relacionamento precisa de um fechamento, de cartas na mesa. Somente resolvendo esses assuntos pendentes é que se consegue ir em frente. O melhor caminho era você ouvir o que Castle tem a dizer, tirar a historia a limpo. Essa é a minha opinião, posso estar cruzando a linha ou sendo bem pessoal quanto ao assunto, mas não posso esconder o que penso de você – viu a expressão de Kate demonstrar surpresa.

- Por outro lado, sou sua terapeuta. Tenho uma relação profissional com você. Dito isso, eu farei o que me pedir. Se você quer esquecer e seguir com sua vida a partir desse momento, eu a ajudarei. Basta pedir. Como imagina fazer isso? Diga e eu seguirei.

- Pensei que esse fosse seu trabalho...

- E é, mas com um assunto inacabado entre vocês, como espera que eu a guie daqui para frente. É muito fácil dizer que você apenas precisa focar em seu trabalho, prender criminosos e ir para casa todas as noites descansar, dormir. E quando Castle voltar a Manhattan, a promoção de seu novo livro começar, alguma revista irá procura-la no 12th distrito, meu conselho? Haja normamente, seja profissional. Está bom assim? Posso concluir que meu trabalho aqui está feito. Acabou a terapia.

- Dana, não é bem assim... e o futuro?

- Exato! E depois, o que será? Qual o próximo passo? Você me diga, Kate – propositalmente Dana checou o relógio – nossa sessão acabou. Você tem todo o direito de não voltar ao meu consultório se quiser, pensar que meu trabalho aqui está terminado. Continuarei aqui se precisar.

- Dana, eu não quero que pense mal de mim. Não estou dizendo que seu método, sua análise está errada. É um pouco demais estar aqui, ter problemas e ter que expô-los a um profissional. Não posso usar uma amiga, não nesse caso.

- Kate, antes de mais nada, não estou ofendida. Entendo perfeitamente tanto que nesse momento estou morrendo de fome. Que tal me acompanhar num jantar entre amigas? Esqueça a terapeuta, preciso de uma boa taça de vinho, uma massa e uma boa companhia como você, topa? Sem perguntas analíticas...

- Tudo bem, eu aceito seu convite.

As duas deixaram o consultório rumando para uma pequena cantina italiana no Soho. Dana não fizera isso apenas por uma cortesia profissional, ela sentia que Kate precisava de um tempo, esquecer por algumas horas o assunto que fazia parte das suas 24 horas diárias. Fora dura, pegara pesado. Tudo por um bom motivo. Conhecia a resistência de Kate quanto a relacionamentos e Castle fez bem a ela ao entrar em sua vida. Ainda acreditava que podiam se acertar. Tudo o que dissera fora uma maneira de chacoalha-la. Kate errara e logo reconheceria seu erro. Enquanto isso, ela a entreteria contando algumas coisas malucas que fizera na vida, coisas que apenas amigas contam as outras.

Funcionou. O jantar foi regado a vinho e risadas. Dana contou suas aventuras românticas pela Europa quando morou seis meses por lá durante um curso de especialização. Kate contou um pouco sobre sua viagem na juventude. Era uma reafirmação de confiança mutua, Dana ficara satisfeita com o resultado. Despediram-se e Kate rumou para sua casa, uma leveza perceptível em seu semblante. Dormiu tranquilamente como a muito não fazia.


XXXXXXXXXX


Rick Castle entrara na sala de sua editora ainda usando os óculos escuros. Tinha um envelope grosso nas mãos. Sentou-se de frente para Gina que terminava uma ligação. Assim que desligou o telefone, acionou sua secretaria ordenando um pacote para ser trazido até o escritório.

- Olá, Rick! Confesso que não o esperava antes do fim de setembro. Está três semanas adiantado pelas minhas contas. O que significa esses óculos? Pode tira-los – ele acabou acatando o pedido dela. A secretaria entrara com o tal pacote, Gina esperou-a sair para comentar – nossa! Não existe noite nos Hamptons?

- Queria acabar logo com a história. Trabalhei mais algumas horas além, nada demais.

- Não devia ter se apressado, como eu disse, ainda temos três semanas. A menos que queira antecipar o lançamento.  

- Tanto faz, não é como se tivesse outra coisa para fazer.

- Tudo bem, entendi – ela disse retirando o manuscrito do envelope que ele colocara sobre sua mesa – não quer dar uma olhada no material promocional? Ainda podemos mexer se quiser – decidiu não entrar no assunto que provavelmente o fizera adiantar todo o trabalho. Castle pegou o pacote, abriu observando as capas e ilustrações. Os banners também foram bem feitos. Segurando uma das capas ampliadas em suas mãos, ele não pode deixar de lembrar-se do comentário de Kate quanto ao fato de Nikki estar nua na capa novamente. A lembrança arrancou-lhe um suspiro profundo.

- O que achou?

- Ficaram ótimas. Não há nada para mudar.

- Certo, já que está aqui, você pode discutir um pouco sobre a turnê? Imagino que voltou definitivamente dos Hamptons.

- Sim, para mim o verão terminou. Podemos trabalhar no que você quiser – eles revisaram cronogramas, programaram leituras e sessões de autógrafos. Castle pediu que começasse na próxima semana e evitasse muitas entrevistas. Apenas para o NY Ledger e outro. Faria toda a costa leste em duas semanas. Na costa oeste faria apenas Los Angeles e Vegas, seriam suas primeiras paradas. Gina queria perguntar mesmo sabendo que a possibilidade de uma entrevista com a detetive Beckett era quase nula, porém achou prudente não tocar no assunto dessa maneira.

- Acho que terminamos aqui. Naked Heat será lançada na semana que vem. Precisa de algo mais, Gina?

- Na verdade, não. Acredito estar tudo em ordem. O material promocional será distribuído a partir de amanhã. Rick, eu adorei a dedicatória. “To the real Nikki Heat, with gratitude”. Ela irá gostar.

- Não sei, pareceu certo.

- Você escreveu isso antes daquela discussão, não? – ele anuiu – você não voltou a falar com ela?

- Não sou eu quem deve desculpas.

- Tem certeza que vai ficar bem? As próximas semanas serão bem movimentadas, perguntas serão feitas. Está preparado?

- Estou, Gina. Faço isso a um bom tempo. Serei eu mesmo, independente do que tenha acontecido, as palavras nessa frase são verdadeiras.

- Eu sei – ela sorriu vendo seu ex-marido deixar o escritório.

Gina tinha razão, os primeiros compromissos de sua turnê em Los Angeles foram bem agitados. A volta para Nova York não dera tempo dele descansar. Já havia leituras e noite de autógrafos para atender. Em uma tarde, após assinar por mais de duas horas e dar uma entrevista simpático e galanteador como sempre, Castle deixou a livraria em direção ao metro. Na verdade, não queria voltar ao loft ainda. Precisava de um tempo sozinho, sem qualquer pessoa perto dele. Desde que voltara dos Hamptons, teve que lidar com os olhares piedosos de sua mãe e Alexis, sempre tentando anima-lo. Ele não contara o real motivo. Sua mãe obviamente entendera que algo acontecera entre ele e a detetive já que depois de retornar, ele sequer voltara ao distrito ou mencionara o nome de Beckett. Sabia que elas faziam por bem, mas estavam sufocando-o com seu zelo. Andando a esmo, viu um pequeno parque ao atravessar a rua. Sorriu. Podia ser exatamente o que precisava.

Caminhando pela grama, ele avistou os balanços. Fazia muito tempo que não se sentava num desses. Costumava levar Alexis ao parque e a embalava. Sentou-se em um deles. Encostou sua cabeça nas correntes. Fazer essa turnê trazia lembranças de Kate a sua mente, especialmente após uma entrevista na qual lhe perguntavam sobre ela.

Castle não teve coragem de dizer que não trabalhava mais com a NYPD. Nem ele acreditava nisso. Ainda esperava que pudesse reverter essa situação. O último mês sem vê-la fora bem difícil. Mesmo que não fossem trabalhar juntos novamente, o modo como se separaram era errado, doloroso. Não deveria ter sido assim. Por que ela não dava o braço a torcer? Por que não o procurara? Orgulho, sem dúvida.
Ali, sentado naquele balanço um sorriso apareceu no rosto cansado. Ao olhar para o lado, vendo um outro balanço vazio perguntava-se se a sua cadeira cativa ainda estava ao lado da mesa dela, vazia. Queria acreditar que sim. Talvez algo acontecesse para que se reencontrasse. Castle contava com isso, um sinal apenas.

Os sinais como Castle queria começavam a reaparecer na vida de Beckett. No caminho de seu apartamento para o distrito, ela se deparou com cartazes de Naked Heat, pôster do tamanho real de Castle em plena Barnes and Noble e para completar um grande outdoor na Times Square. Rever aqueles olhos azuis a sua frente mesmo que em uma fotografia, fez seu coração acelerar. É como o ditado diz, longe dos olhos, longe do coração. O seu momento mais estranho foi na livraria. Kate ficou parada em frente ao Rick Castle de tamanho real por um tempo estranhamente longo para as pessoas que a observavam. Desde a última consulta com a terapeuta, Kate não voltou. Não que tivesse levado à sério o que Dana lhe falou, o motivo era bem simples, além do trabalho, ela não conseguira se decidir sobre o que realmente queria das opções dadas pela terapeuta. A raiva diminuíra, era verdade, mas não saberia dizer se ao vê-lo a sua frente agiria de maneira louca ou estranha. Era uma das perguntas que se fazia ao olhar para o banner gigante.

Apesar de ver o material promocional espalhado pela cidade antes do final do verão, imaginou ser um dos objetivos da editora, avisar e excitar os leitores de Castle que seu livro estava a caminho. Percebeu que a data de lançamento fora adiantada, o que significava que ele estava em Manhattan. Mesmo assim, optara por não dar sinal de vida.

E o sinal, a favor de Castle, aconteceu dois dias depois. Ele estava no seu loft descansando após uma tarde de autógrafos. O celular tocou. Sua amiga e escultora Maya Santori ligou falando que precisava de sua ajuda, corria perigo e não podia acionar a policia. Ele tomou isso como uma boa noticia, quem sabe não era a maneira de chegar até Beckett?

No 12th distrito, as coisas andavam um pouco devagar. Os rapazes acabaram se entretendo com vários outros assuntos. Beckett arranjou logo algo para eles fazerem. Invariavelmente, o assunto Castle foi mencionado. Ela tentou desconversar, porém os rapazes insistiram.   

- Talvez você devesse ligar.

- Ele disse que voltaria após o verão que já acabou, então, claramente, ele tem coisas melhores a fazer – ela disse apenas para fazê-los desistir.

- Talvez ele não tenha voltado de Hamptons – Esposito comentou.

- Ou ainda está trabalhando no livro – disse Ryan. Por sorte, o telefone tocou e Beckett pode escapar da conversa. Havia um novo assassinato. Saíram para o local, fizeram a avaliação da cena do crime e depois de revistarem o apartamento da vítima Chloe Whitman, professora. Olhando a área, Ryan notou um banner gigante de Castle segurando o novo livro “Naked Heat”, outro cartaz indicava uma noite de autógrafos nessa semana. Novamente, Beckett ficara intrigada com a imagem dele, parecia que estava lhe olhando. Descobriram que a vítima tinha um namorado, mas também não demonstrou nenhum perigo. Aparentemente, ela pretendia deixar a cidade e ele nem tinha ideia. Encontraram na mão da vítima um endereço em Tribeca. Registrado no nome de Maya Santori. Precisavam checar.

No prédio, perceberam que a porta do apartamento estava aberta. Deveria ter alguém lá. Fazendo sinal para os rapazes, todos pegaram suas armas e empunharam. Ao sinal dela, invadiram.

- NYPD! Mostre as mãos!

- Largue, agora!

- Arma! – Ryan gritou e disparou a esmo. Ao ver a pessoa virar, ela não acreditava.

- Castle?

- Beckett?

- O que está fazendo aqui?

- Eu...

- Abaixe! Abaixe! Abaixe a arma! – ela gritou com ele. Seguida pelos rapazes que ordenavam o mesmo com as armas apontadas para a direção dele.

- Solte a arma agora!

- Solte a arma, idiota! Solte!

- Sim, não, não, está bem.

- Solte, imbecil!

- Certo, pessoal, calma. Isso não é o que parece.

- Nunca é. Vire-se – ela ordenou - Castle, vire-se – ele obedeceu e Beckett o algemou - Richard Castle, está preso por assassinato.

De volta ao distrito, ela o manteve na sala de interrogatório. De todas as alternativas possíveis sobre um reencontro com Castle, essa realmente não passara por sua cabeça. Agora teria que enfrenta-lo. Ainda tinha medo da sua reação. Castle não estava seguro também. Dependendo de como ela o abordasse, poderia perder a paciência. Por hora, escolhera agir casualmente como se tivesse se separado amigavelmente. Quando entrou na sala, não pode deixar de reparar no quanto ele a afetava. Continuava lindo. 

- Algo está diferente. Mudou algo? – sim, Castle ótima maneira de começar uma conversa.

- Já foi informado de seus direitos, Sr. Castle?

- É sério? Não vai nem perguntar como foi meu verão?

- Está ciente de que está preso por assassinato?

- Achei que estava exagerado nas algemas por diversão – queria facilitar o contato, estreitar o laço - Você parece bem - era verdade, ela estava mais bonita que da última vez que a vira, talvez fosse o jeito do cabelo.

- Você também parece bem.

- É?

- Para assassinato.

- Por que está tão brava comigo? – o segundo comentário quase saiu pela sua boca. Era ele quem deveria estar com raiva,

- Talvez porque foi encontrado ao lado de um cadáver, armado.

- É, mas te disse, ela estava morta quando cheguei.

- Por que não ligou? – Beckett perguntou claramente não se referindo a esse momento.

- Eu ia te ligar. Mas você apareceu antes que eu pudesse... – ele entendera o questionamento dela, porém esse não era o lugar para dizer o real motivo da falta do telefonema.

- Verdade? Então por que te encontramos no apartamento da vítima?

- Bem, porque ela me ligou.

- Então você e a Srta. Santori tinham um relacionamento.

- Não diria que era um relacionamento, Comprei umas esculturas...

- Estava dormindo com ela? – a pergunta saiu de supetão e de modo reativo.

- Qual a relevância?

- Motivo.

- Não, eu não estava dormindo com ela.

-Tem certeza? Mulher bonita...

- Estou em um relacionamento – aquilo a pegou de surpresa. Estava se referindo a...

- Com quem?

- Este batom é novo?

- Castle.

- Você sabe com quem – o jeito como a olhara indicava que não era com a pessoa que estava pensando.

- Como eu saberia? Não te vejo há meses. Pode ter tido vários relacionamentos desde então.

- Está parecendo ciumenta.

- Ciúmes de seu namoro com sua segunda ex-mulher e editora? Me conte, ela te obriga a fazer tudo no prazo? – certo, isso foi baixo. Ela passara dos limites, contudo Castle não tinha coragem de enfrenta-la ali, principalmente porque os rapazes estavam observando junto com o Capitão. Era perigoso e não ia expor Beckett diante deles. Ela resolveu mudar o rumo da conversa.  

- Esta vítima que te ligou, qual era o assunto?

- Ela disse que estava com problemas e não podia ir à polícia.

- Então por que ela te ligou?

- Porque Maya sabia que eu tinha um relacionamento com você. Com a Polícia de NY – corrigiu rapidamente - Achou que eu poderia ajudar.

- Ajudar como?

- Bom, ela não disse, só falou para eu ir até lá. Quando cheguei, a porta estava aberta, O lugar, destruído. Ela estava morta na cama e havia uma arma no chão.

- Então você, sendo o veterano de várias cenas de crime, decidiu pegar a arma do assassinato para o quê? Ter certeza de que teríamos suas digitais?

- Talvez tenha perdido a parte em que disse que ela estava morta. Quando ouvi o barulho na outra sala, achei que o assassino estivesse voltando. Então peguei a arma para me defender. Me pareceu uma ótima ideia na hora. Foi quando você, Esposito e Annie Oakley destruiram a porta.

- Devíamos estar na cena do crime, procurando pistas. Então me diga, por que devo acreditar em você, considerando que cria histórias para viver?

- Porque você me conhece – droga! Nisso ele tinha razão.

- Você a conhece? Chloe Whitman. Ela foi morta a tiros. O endereço de sua amiga foi encontrado nas mãos dela depois dela ser morta.

- Outro assassinato? Qual a conexão?

- Eu não sei. Você que estava com a arma. Me diga você.

- Beckett, uma palavra – Montgomery apareceu na porta.

- Oi, Capitão. Como está? – o olhar de Montgomery dizia o quão feliz estava em vê-lo.

- O quê? Você também? Sério... Por favor, pessoal! – Beckett saiu da sala para receber a confirmação de que as balas não batiam com a arma que Castle segurava. Poderia libera-lo, a questão era será que ele a obedeceria? Só havia um meio de descobrir.  

-Está livre para ir – ela disse ao entrar na sala novamente.

- Bem, é isso?

- As balas não são da sua arma. Está fora de perigo – virou-lhe as costas saindo da sala.

- Eu estou... – ele correu para alcança-la - Então qual o próximo passo?

- Não tem um. Para você, pelo menos. Você vai para casa – ela estava bem séria.

- Duas vítimas, uma delas conhecida minha, e me manda para casa?

- Você é testemunha, Castle. Não posso envolvê-lo.

- Já estou envolvido.

- Castle, vá para casa. Volte para o Hamptons, sua ex-esposa, suas festas de livro. Certo? Tenho trabalho a fazer – ela virou-lhe as costas e saiu andando, queria estar o mais longe possível dele. O simples fato de sentar de frente para Castle a fizera voltar a sentir todas aquelas sensações maravilhosas. Ele estava magoado, não pensava que seria tão ruim passar por isso. Fora bem pior. Porém, não acabara ali. Ele acharia um jeito de falar com ela em um lugar mais apropriado onde realmente pudessem conversar sobre tudo o que acontecera, sem se preocupar com que os outros vão dizer.

Chegando ao loft, encontrou a mãe e a filha conversando sobre o mesmo assunto que gostaria de evitar. Relacionamentos. Alexis estava chateada porque um cara que ela conheceu no curso de verão prometeu ligar e não ligou. Historia da minha vida, pensou Castle.

- Apesar dele ter dito que nos falaríamos quanto ele voltasse da Europa, o que ele já fez.

- Se sabe que ele voltou, por que não liga?

- Ele que foi embora. Se ele se importasse, teria ligado.

- Talvez ele fosse ligar, mas não sabia como você se sentiria. Talvez estivesse preocupado que algo tivesse mudado enquanto estava longe – disse Castle projetando seu próprio problema através do da filha.

- Richard Castle, é a coisa mais estúpida que já ouvi. Não te ensinei nada sobre relacionamentos?

- Você é um grande exemplo. O quanto isso importa? – perguntou ele.

- Nem sei se ainda quero vê-lo.

- Por favor, nem está dando uma chance.

- Por que está do lado dele? – Alexis o encarou.

- Não estou. Talvez ele faça algo que seja certo. Talvez ele só... Talvez ele te surpreenderá.

- Talvez ele tenha perdido a chance dele – as palavras da filha o atingiram em cheio. Claro que no seu caso e de Beckett, era ela quem sumira, quem o destratara e o acusara. O pedido de desculpas deveria vir dela. Porém, após o ocorrido hoje no distrito, ele percebeu que além de magoada, Beckett acreditava piamente que ele estava com sua ex-mulher. Isso é tão frustrante! Tudo bem, se Kate não era corajosa o bastante para encara-lo, ele faria isso pelos dois. Queria voltar ao 12th, mais que isso, queria se acertar com ela. Tirar o mal entendido entre os dois e quem sabe, suspirou, quem sabe não poderiam voltar exatamente para aonde tinham parado? À noite, seria o melhor horário para conversarem. Podia aborda-la em seu apartamento. Enquanto isso, ele teve uma ideia.

Beckett deu algumas tarefas para os rapazes. Ficar olhando para a cadeira de Castle vazia a sua frente não ia resolver o crime nem seu problema. Decidiu ir até o necrotério falar com Lanie. Descobriu que ambas as vitimas tinham tatuagens feita pela mesma tatuadora, recibos de taxi do dia da morte estavam em seus bolsos e uma dela possuía um numero gravado na pele visível com luz negra. 227. De volta ao distrito, soube de uma conexão entre as duas. Receberam telefonemas do mesmo cara antes de morrerem. Tinham um endereço. Quando chegaram lá, qual não foi a surpresa de Beckett ao ver o suspeito morto e Castle na cena do crime, de novo. Com a cara mais lavada, dizia que podia explicar. Ela o levou algemado para o distrito pela segunda vez no mesmo dia.

- Poderia me escutar, por favor?

- Por quê? Você não me escuta.

- Eu estava investigando sozinho. Isso não é um crime, é?

- Não, mas entrar na cena do crime é, assim como assassinato.

- Estava tentando ajudar.

- Não preciso de ajuda. Como chegou até aqui, aliás?

- Estava seguindo uma pista, como você.

- Sério? Então viu os registros telefônicos das vítimas e procurou por pontos em comum?

- Não, não exatamente.

- Então o quê? – ela apertou a orelha dele.

- Tudo bem! Vi o registro de chamadas! Vi o registro de chamadas!

- Registro de chamadas?

- Sim, no celular da Maya. Imaginei que acharia a última ligação dela. Telefonei para o McCutchin aqui, peguei o nome na caixa postal, e, então, pesquisei na internet. Diga que não está impressionada.

- Entrou em uma cena do crime ativa sem autorização.

- Sim... Mas usei luvas.

- Beckett. O corpo dele está gelado. Está morto há horas.

- Viu? Eu não o matei – ela revirou os olhos indignada. Que dia era aquele?

- Estranho, ele vendia máquinas como aquelas de refrigerante e doces. O que teria em comum com uma escultora.

- E uma professora – Beckett mandou os rapazes vasculharem a vida dos três do avesso, queria qualquer conexão.

- Como posso ajudar?

- Olha, Castle, sinto muito por sua amiga. Sinto mesmo, mas isso não significa que pode aparecer e agir como se nada tivesse acontecido. A verdade é que, se quisesse voltar, já teria voltado, mas não voltou. Então vamos encarar. A única razão pela qual está aqui agora é porque estava no lugar errado, na hora errada.

- Já parou para pensar que, talvez, eu estivesse esperando notícias suas? – sim, ela estava chateada e não reconhecia que precisava desculpar-se. Pelo menos não estava sendo agressiva. Se forçar um pouco mais, poderia convencê-la.

- Sabe o que estes corpos são? Um sinal.

- Um sinal?

- Um sinal. Um sinal do universo nos dizendo que precisamos resolver este caso juntos. Você não quer decepcionar o universo, quer? – aqueles olhos azuis a fitando faziam Beckett perder a concentração.

- Você não vai embora, não importa o que eu faça, não é?

- Eu respeito o universo.

- Certo. Tudo bem. Deixarei você se juntar a mim neste único caso, contanto que prometa fazer o que eu mandar, quando eu mandar e não fazer investigações sozinho.

- Prometo. Não irá se arrepender disto.

- Já estou arrependida – como isso foi acontecer? Por que cedera tão fácil às loucuras de Castle?

Apesar de dizer que não gostava de tê-lo de volta, Beckett sorriu internamente quando ele surgiu no distrito trazendo café para ela. Sentira falta do gesto, especialmente do café. Desde que ele se fora, não tomava café da máquina de expresso. De frente para o quadro buscavam a conexão entre as três vitimas. Vasculharam tudo e não encontraram nada. Castle lançou suas teorias.

- Talvez sejam agentes top da CIA, marcados para execução.

- A CIA é uma teoria popular para você.

- É, bem, a estatística diz que, eventualmente, estarei certo.

- Havia esquecido o quão úteis suas deduções podem ser.

- É? – claro que o olhar que ela o lançou indicava desdém - Aposto que descubro como eles estão ligados antes que você.

- Tudo bem. Está apostado. Mas se eu vencer, tem que prometer ir embora e nunca mais interferir em nenhum de meus casos.

- Certo, e se eu ganhar... – isso está ficando bom, pensou Castle e fez sua oferta - Tem que me aceitar de novo como seu parceiro.

- Fechado – Castle estava gargalhando por dentro, o universo voltara a conspirar a seu favor.

Eles conversaram com a namorada de Tom, a terceira vítima e descobriram que ele estava devendo dinheiro a um agiota, porém ao entrevistá-lo, ele confirmou que não matara o rapaz, ele atrasou, mas pagou o que devia com juros e seu álibi era bom. Assim, Castle sugeriu que talvez devessem dar uma olhada nas finanças, afinal um cara que trabalha com maquinas de vendas de refrigerante não tem tanta grana assim de uma hora para outra. Castle, Beckett, Ryan e Esposito sentaram-se em uma sala de reunião para revisar todas as informações disponíveis das vítimas. Deviam ter deixado passar algo. Encontraram um pagamento igual e feito na mesma data para as três vitimas além de descobrirem que eles frequentavam o mesmo lugar KCBC. Enquanto os rapazes checavam com o banco, eles ficaram sozinhos na sala. Castle tinha um risinho de satisfação no rosto.

- Não pense que isso significa que você ganhou a aposta. Só sabemos que eles estão ligados. Ainda não sabemos como.

- Também senti sua falta – sorrindo para ela, o que a fez sorrir também.

A noite estava se tornando longa. Castle ainda queria um momento com Kate para conversarem sobre tudo o que ocorrera. Mesmo que estivessem bem enquanto investigavam, o que parecia uma coisa natural para ambos, sabia que a mágoa continuava ali. Havia poucas pessoas no distrito, ele poderia leva-la para uma sala ou até na minicopa mas qual seria a reação? Novamente, o destino parecia estar agindo por eles.

Esposito conseguiu traquear o local de onde saíram as cobranças de cartão de credito. Tinham um endereço. Beckett o chamou para acompanha-la. A oportunidade perfeita. Ninguém próximo aos dois. Antes de entrar no carro, Castle segurou sua mão.

- Beckett...Kate, nós precisamos conversar.

- Castle, não temos nada para conversar. Temos um caso para solucionar. Entre no carro.

- Não espere. Eu sei que está com raiva, magoada comigo por algo que não fiz. Eu preciso me explicar, você me deve isso.

- Não, você não precisa me explicar nada. Está tudo claro. Seguiu sua vida, simples assim.

- É esse o problema, você inferiu uma situação e acreditou nela como se fosse verdade absoluta!

- Você não ligou! Dois meses e você não ligou! O que quer que eu pense, Castle? – a voz estava alterada – estava bem sem mim, não precisava de mim. Já tivera o bastante!

- Como você pode me dizer isso? Você disse para eu não ligar, esquecer que existia. E pode não se lembrar, mas quem deveria ter ligado com um pedido de desculpas era você. Kate, eu contei não foram dois meses, foram dois meses e dezesseis dias esperando por um sinal, por uma ligação para que você me pedisse desculpas e ouvisse o que tinha a dizer.

- Eu não preciso de explicação sobre como levou sua ex para cama. Eu não fiz nada errado! – ela reafirmou com a voz alterada.

- Ah, claro! O idiota fútil e mulherengo que fez. Por que você tem que ser tão teimosa? Por que não admite que me xingou mesmo sem saber o que aconteceu? Não, seu orgulho não a deixa pedir desculpas. Tudo bem, nesse caso eu faço, mesmo não tendo culpa, eu faço – ele passou a mão nos cabelos tomando fôlego para continuar - Eu sinto muito que você tenha ouvido as besteiras da Gina, ela estava bêbada e acabou mostrando as coisas de um jeito totalmente errado. Sim, ela estava elogiando você porque me ajudou a escrever o livro. Atiçou minha imaginação. Eu não dormi com a Gina. Aliás, não dormi com ninguém exceto você, Kate. Não quer ouvir a história? Azar seu, porque vai ouvi-la. Gina apareceu lá em casa arrasada. Disse que precisava de um amigo, alguém que entendesse o que ela estava passando. Ela dirigira sem parar até os Hamptons após pegar seu atual namorado com outra em sua cama. O mesmo que acontecera comigo e Meredith. Eu ofereci vinho a ela, deixei-a falar.

Castle se aproximou um pouco mais encurtando a distância entre eles. Continuou.

- Ela viu as folhas do meu livro espalhadas pela mesa, surpreendeu-se que estivesse tão próximo de termina-lo. Leu alguns capítulos inclusive a cena de sexo. Por isso deve ter falado sobre criatividade. Ela acabou a garrafa de vinho, entrou no whisky, na vodca. Não parou de beber. Quando você ligou, eu havia deixado-a sozinha para lavar o rosto e fazer café. Precisava desesperadamente de cafeína para me manter acordado. Estava trocando o dia pela noite por conta do livro, exausto era como me sentia. Ao voltar a sala, ouvi o que ela estava dizendo no celular. Mas já era tarde demais. Você já tinha criado a sua própria história e.... o resto você sabe. Eu mandei Gina embora, me senti um lixo por alguns dias, esperei você ligar, quase liguei. Então, resolvi fazer o que precisava. Eu escrevi. Terminei o livro três semanas antes do prazo e voltei para Nova York. Eu não apareci antes porque preferi acabar minha turnê antes de reencontra-la, porém Maya ligou.

Kate que ouvia a cada palavra de Castle, começava a se sentir mal por tudo o que ocorrera. Novamente, Dana tinha razão. Se tivesse ouvido evitaria sofrimento, brigas e dor. Não teriam ficado esse tempo todo sem se falar. Acreditava nele, droga, sim! Ele estava sendo sincero. Não podia ceder tão fácil, ou podia?

- Kate, eu sinto muito. Nós podíamos ter evitado tanto... – ele viu Kate passar as mãos pelos cabelos, ela estava cedendo. Castle se aproximou, sem pensar duas vezes, Prensou-a contra o carro e sorveu-lhe os lábios. Deus, ele sentira falta daquela boca! Kate respondeu ao beijo. Suas mãos chegaram aos seus cabelos aprofundando seu contato com o corpo de Castle. Ele enfiou a mão por dentro da blusa que ela usava. O toque causara arrepios por todo corpo dela. Ao se separarem, ela percebeu os olhos azuis olhando-a intensamente.

- Fale alguma coisa, Kate.

- Eu senti falta desse beijo... – ele sorriu aliviado.

- Significa que estamos bem?

- Não exatamente, Castle eu posso ter exagerado na interpretação do que Gina me disse, eu posso ter errado. Mas eu não sei se o que estamos fazendo, eu nem sei o que é isso que estávamos vivendo. Não sei o que pode acontecer daqui para frente. Não esperava encontra-lo dessa forma, dentro de uma investigação. Não vou mentir, depois que passou todo o turbilhão e a raiva, foi bom vê-lo novamente. Eu acredito em você, de verdade, mas não me peça para decidir o que fazer agora. Temos trabalho para fazer.

- Tudo bem, posso viver com isso, porém tenho uma condição. A aposta acabou. Você me aceita de volta no distrito independente dela. Não precisamos pensar sobre nós, nesse instante quero somente trabalhar com você, investigar. Eu senti muita falta disso e de você. O que acha?

- A aposta continua para despistar os rapazes e nenhuma palavra sobre essa conversa.

- Feito – ele estendeu a mão para firmar o acordo. Ela aceitou e acariciou a pele dele com o polegar. Sorriu – vamos trabalhar.

Eles encontraram um clube burlesque, a ligação entre as vitimas e a dona do clube. Entre entrevistas e suspeitas, eles acabaram dando voltas, chegaram a acusar Chloe e os outros de estarem envolvidos na fabricação de metanfetamina. Depois, o namorado parecia o suspeito mais viável. Apesar de ter encontrado a arma do crime no apartamento dele, não significava que era o assassino, nem ela nem Castle acharam uma conexão plausível. Até Castle chegar a uma excelente teoria que os levou a conclusão sobre o verdadeiro assassino. Ela estava olhando para o quadro com o olhar de que algo não se encaixava. Quando Esposito confirmou que não havia nada nas finanças de Evan. 

-Talvez fosse o motivo dele. O que quer que estivessem tramando, ele não pegou a parte dele.

- O que era a parte dele? No que diabos estavam metidos? É como uma piada sem graça – disse Beckett - Uma escultora, um vendedor de máquinas e uma professora de química entram em um bar burlesco.

- É, só que não temos a frase de efeito – brincou Castle.

- Só que fizeram muito dinheiro e foram assassinados.

- "Fizeram muito dinheiro."

- O quê? – ele provavelmente tinha uma teoria, pensou Beckett.

- Uma escultora que trabalha com metal, uma química... E um operador de máquina automática... Acho que sei o que eles estavam fazendo. Ainda temos a bolsa de Chloe? – ele a deixou sozinha para procurar o objeto na sala de evidências, quando ele voltou, Beckett observava-o empolgado para contar sua ideia, a mesma que ela já desvendara. Mas, não ia estragar o momento. Afinal, ainda tinha uma aposta e um assassino para finalmente encerrarem o caso.

- O que está procurando?

- Olhe os números de série dessas notas – mostrando o dinheiro para Beckett.

- São os mesmos.

- Essas notas são todas pré-1998. Isso foi antes de redesenharem a moeda. É nossa frase de efeito. É como todos estão ligados. Na falsificação, o mais difícil é fazer o papel. Mas eles tinham todo o papel que precisavam. Tinham estoque infinito de notas de 1 dólar.

- Das máquinas automáticas – Beckett completou.

- E as substâncias químicas encontradas nos corpos...

- Eram usados para lavá-las para fazer notas de banco apagadas – bem pensado, ela disse.

- Um procedimento que requer a perícia de uma química. E o que falsificadores fazem com notas de banco apagadas? – perguntou Castle instigando o jogo tão bem praticado por eles ao resolverem quebra-cabeças.

- Imprimem valores maiores, para o qual precisavam uma placa de impressão de metal.

- E quem melhor para providenciar isso do que uma escultora?

- Então... Placas, papel... Só está faltando um ingrediente – disse Beckett dando uma última olhada no quadro. Então, o olhar de satisfação a tomou. Virando-se para fita-lo, ambos exclamaram.

- Sei quem é o assassino! – naquele instante, ela soube que estavam de volta. Quase o beijou por esse pequeno momento intimo. Com um sorrisinho maroto, ela o chamou - Vamos lá.

A prisão de Kitty e seu marido acabou sendo bem trabalhosa. Mais uma vez, Castle salvou Beckett de levar um tiro. Ela pediu para que ele não fosse atrás dos suspeitos deixando com ele uma das suas armas para proteção. O que teve bom uso já que todos se envolveram em uma perseguição e muitas balas, a detetive teve a chance de retribuir o gesto evitando que Castle levasse chumbo. Coisa que ele também fez, quase em uma cena de duelo.

- Que caso! Muito inteligente, não? Para sua sorte eu descobri o esquema – ele piscou para ela – hora de contar que ganhei a aposta.

- É parece que você ganhou honestamente – ela sorriu.

- Então, te vejo amanhã? – ele perguntou.

- Sim, te vejo amanhã – assim que Castle saiu, Esposito se aproximou.

- Então, quanto tempo antes de Castle você já sabia que isso era sobre falsificação? – ela apenas sorriu. Retornou para sua mesa para fazer o relatório. Ele tinha razão, fora um bom caso. Interessante, e ver Castle se dedicar para achar a resposta para tudo trouxe ótimas memórias do quanto era bom tê-lo por perto. Não mentira para o escritor. Ainda tinha dúvidas. Retornariam de onde pararam? Era tão simples assim? Apenas jogar-se nos braços dele? Uma parte dela desejava muito isso, a outra preferia agir devagar. É, tê-lo trabalhando em seu distrito era uma maneira de levar as coisas devagar.

Kate acabara de colocar seu pijama quando a campainha tocou. Oito horas. Talvez ela soubesse quem fosse. Estava certa.

- Oi, Kate. Já jantou? – ele ergueu a sacola com várias caixinhas de comida chinesa.

- Não... – ela sequer teve a chance de convida-lo para entrar, Castle já estava no meio de sua sala rumando para a cozinha. Ela o seguiu ajudando a arrumar a mesa para que comessem. Depois, tirou da geladeira duas cervejas – aceita?

- Claro, obrigado. Sente-se. Antes que me pergunte porque estou aqui, que não deveria fazer isso e tantas outras possíveis desculpas que você queira inventar, não estou pressionando nada. Eu queria passar um tempo a sós com você, um pequeno jantar, conversar e – ele pegou uma outra sacola de papel de onde retirou uma caixa – entregar isso. Eu prometi que você teria. Planejava entregar antes, mas diante de tudo que aconteceu...

Ela abriu a caixa. Um exemplar de Naked Heat. Sorriu. Ao virar a pagina, viu que ele assinara abaixo da dedicatória “To the real Nikki,with gratitude”. Simples e bonita. Quando será que ele escrevera? Antes ou depois da briga?

- Eu gostei do presente. E da dedicatória.

- É verdade, sou grato pelo que vivemos, fazemos. Grato a você, Kate – ele se inclinou beijando-a no rosto. Um pouco frustrada, ela continuou a comentar.

- Espero que seja bom. O último de Patterson estava ótimo – ela disse implicando.

- Você leu o livro de Patterson? Isso é traição, Kate. Estou magoado... você é minha musa. Como pode fazer isso?

- Eu estava com muita raiva de você. Para ser sincera, eu ainda prefiro o pedaço do capitulo que li de Naked Heat, suas cenas de sexo são bem mais interessantes.

- Pervertida! – ambos sorriram. Logo o semblante de Kate tornou-se mais sério.

- Castle... eu realmente espero que consigamos voltar ao que éramos.

- Mesmo não sabendo exatamente o que estávamos fazendo?

- É, soa idiota e sem noção, porém esse é o jeito que consigo lidar com a gente. Devagar.

- Baby steps. Se for levar em consideração como eu estava me sentindo semana passada ao dar uma entrevista e falar sobre você, evolui bastante – trocando sorrisos, eles voltaram a se concentrar na comida. Mais tarde quando ela anunciara que estava tarde, Castle levantou-se do sofá em direção à porta. Ali, parados, os olhares diziam silenciosamente o quanto aquele reencontro fora prazeroso. Antes de sair pela porta, ele agradeceu.

- Obrigado pela companhia. Tenha uma boa noite, Kate.

- Obrigada pelo jantar, e Castle? – ela o puxou pela mão a fim de aproxima-lo de seu corpo – você estava certo, eu sinto muito – inclinou-se para beijar-lhe os lábios carinhosamente – desculpa por não ouvi-lo antes.

- Bem, pelo menos essa parte já acabou. Desculpas aceitas.  

- Boa noite, Castle. E observou o escritor desaparecer no elevador fechando a porta com um sorriso nos lábios. Estavam bem, pensou. E torcia para que continuassem assim.


Continua...... 

4 comentários:

cleotavares disse...

Estão vendo, seus teimosos, nem doeu. Eu estou cada dia, mais viciada nessa fic.

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Não deu tempo de comentar o outro, pois vc já tinha postado capítulo novo hehe
Fiquei com o coração na mão com o fim do outro cap, não pq desconfiei do Castle, mas sim pela reação da Kate. Sabia que ela ficaria desconfiada, magoada e que não seria fácil essa reconciliação. Mas graças a vc, temos uma Dana pra mostrar a Kate como as coisas são, e fazer ela pensar. Esse capítulo foi sensacional. Adoro o começo da 3 temp, e o que vc fez coube certinho no capítulo. O Castle tomando a iniciativa pra esclarecer as coisas 😍 o beijo, ele levando o jantar... Muito bom ver eles bem. Amei, a Fic está perfeita ❤
Beijos!!!

Marlene Brandão disse...

Que bom que está tudo ok,mas meu medo é esse... Pq sempre vem bomba depois.
Achei muito legal ele ter feito ela o ouvir,Dana sempre tem razão incrível adoro o jeito com ela faz a Kate lidar com as coisas.

Silma disse...

"Eles estão bem" ❤️