terça-feira, 19 de maio de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.16


Nota da Autora: Eu troquei a ordem dos episódios de propósito. Precisava ter um plot para o que gostaria de abordar nesse capítulo e para a entrada de uma nova personagem (que talvez tenha vida breve). Não quero que foquem em detalhes do caso, o que importa são as situações que a cada momento parecem desafiar Beckett deixando-a ainda mais confusa. E geralmente o resultado é besteira, não? Espero que riam, façam careta e um pouco de raiva não faz mal a ninguém, certo?! Enjoy! 

Dedicado a Thais! Happy B-Day, Girl! 



Cap.16


A experiência com Jerry Tyson, pela primeira vez, mexeu com o subconsciente de Kate Beckett. Eles já estavam trabalhando juntos há quase três anos. Entre casos e perigos, dessa vez ela teve muito medo de ter arriscado demais, colocado a vida de Castle em perigo. Obviamente, ela sempre se preocupava com ele, estava em seu instinto e sua responsabilidade de proteger e servir, no fim das contas, ele era uma espécie de parceiro mesmo que não admitisse abertamente. Aquela noite trouxera outra perspectiva. Teria que procurar ser mais cuidadosa com ele. Não era como ela que escolhera aquele caminho para seguir, no qual o risco de se acidentar ou morrer estava calculado ou não, vinha com a profissão. Castle era um escritor, não um policial. Não se inscrevera para correr riscos de assassinato, tinha uma família.

Beckett não entendia porque esses pensamentos rondavam sua cabeça nesses últimos dias. Era como se um sinal de alerta tivesse sido disparado em sua mente. Naquela manhã no 12th distrito, ela esperava digitando os últimos comentários em seu relatório pelo seu ritual clássico que se estabelecera entre eles ao longo dos três anos. O café.

Quando o viu caminhando em sua direção, não pode deixar de sorrir e admirar o homem a sua frente. Ele vestia-se muito bem, escolhera tons de roxo hoje. Será que ele imaginava que essa era sua cor preferida? Os olhos azuis estavam bem mais claros essa manhã. Uma pena que nessa posição ela não podia ver a segunda parte preferida de seu corpo. O traseiro. Mordeu os lábios para não deixar escapar um riso.

- Bom dia, detetive Beckett – entregou o café – o que temos para hoje?

- Até agora, só o fim da papelada. Você está muito sorridente hoje, Castle? Viu algum passarinho verde?

- Não é o que você está pensando. Consegui os ingressos de Alexis. Você precisava ver a alegria dela ontem quando chegou do show, mesmo tendo que aturar o namorado beijando-a, ganhei o título de pai do ano.

- Ah, e como adora um elogio... ok, eu preciso dizer que admiro a forma que lida com sua filha. É tão... não você.

- Isso era para ser um elogio, detetive?

- É que quando você está falando ou fazendo as coisas para Alexis, você é responsável e não fica me irritando com baboseiras ou teorias malucas.

- Hey! Você gosta das minhas teorias malucas ou vai negar que já me consultou para salvar sua pele quando estava presa e sem ideia de como seguir em seu caso?

- Foi um lapso.

- Sei, sei.  Bem, se não tem um caso, acho melhor eu voltar para minha casa. Estou trabalhando no próximo livro de Nikki. A história é um pouco mais densa dessa vez. Tenho que desenvolvê-la corretamente.

- Oh, então você ainda é um escritor. Bom saber – disse ela implicando com um belo sorriso no rosto.

- Engraçadinha. Ligue se algum corpo cruzar o seu caminho – ele levantou-se da cadeira, ia apenas virar e ir embora, mas a tentação de toca-la foi maior. Castle deu um passo para frente e colocou sua mão sobre a dela, deixando o polegar se perder acariciando a pele. Beckett levantou o olhar para fita-lo. Por que ele estava fazendo isso? O contato já mexia com seu corpo, os pelos do braço já eriçavam com o pequeno toque. Oh, Castle! Quando ele parou e seguiu pelo corredor, Beckett se viu segurando a respiração. Droga, ele também sabia provoca-la.

Mais tarde naquele dia, Beckett recebera um chamado de um homicídio. Uma médica. Avaliando todas as possibilidades de motivos, eles chegaram em dois caminhos: uma potencial ligação com a máfia através de Cesar Calderon e alguém do hospital. Ao falarem com o ex-mafioso, descobriram que além de ser fã de Rick Castle e Nikki Fuego, como ele se referia ao livro em espanhol, a vítima era sua médica particular, o que justificava parte das finanças encontradas no extrato que analisaram antes. O mafioso não tinha nada contra a vítima, pelo contrario, não faltava admiração. A segunda hipótese parecia bem mais coerente, eles se apegaram a mesma conclusão de que o assassinato estava relacionado com o hospital. Logo encontraram uma personagem muito peculiar, um enfermeiro que parecia encantar todas as mulheres. Inclusive Beckett. O que não agradou nem um pouco a Castle e esse não foi o único homem que pareceu se insinuar para Beckett nesses últimos dias.

Na primeira ida ao hospital, Greg foi sutil, mas persuasivo em seu flerte com Beckett. Quando voltaram lá pela segunda vez, assim que descobriram a ligação entre o enfermeiro e uma prisioneira, eles esbarraram em um médico da emergência. Castle reparou na forma como o cara olhava para a detetive. Quer dizer a secara. Ou ela não percebera suas intenções ou estava gostando de ser paquerada. Ela perguntava sobre o enfermeiro, mas não parecia em nada com a detetive durona que entrava nas salas de interrogatório e arrasava seus oponentes.

- Dr. Davidson, o que pode me dizer de Greg, como ele se relaciona nesse hospital?

- Por favor, me chame de Josh – Castle mordia os lábios para evitar que grunisse em frustração. Ele estava dando em cima dela descaradamente. E Kate? Espera ela mexeu no cabelo? Ela está sacudindo o corpo? O que está acontecendo aqui, detetive? Ela continuava conversando com o médico totalmente alheia a batalha que Castle travava ao seu lado. Ele realmente não sabia o que fazer para tira-la dali. Felizmente, foram interrompidos pelo telefonema de Laine com novidades sobre o que acontecera com Amy. Beckett pegou um cartão e entregou ao médico.

- Obrigada pelas informações, Josh. Caso se lembre de algo, basta ligar – o médico pegou o cartão das mãos dela retribuindo o sorriso de Beckett. Estendeu um cartão próprio para ela.

- Se precisar, pode me ligar a qualquer hora. Nós médicos estamos acostumados em sermos acordados no meio da madrugada.

- É, o mesmo acontece com os detetives – ela estava enrolando o cabelo nos dedos?! Beckett, o que era isso?

- Mas se quiser apenas tomar um café. Eu conheço um ótimo lugar e não é a cantina desse hospital.

Aquilo tudo estava acabando com ele, Castle queria vomitar. Assim que pisaram fora do hospital, ele não se conteve. Precisava  entender o que era aquela cena que acabara de presenciar.

- Nós médicos estamos acostumados em sermos acordados na madrugada? Ah, faça-me o favor! Você não podia ter dado atenção a ele. Josh, eca! Beckett, você realmente não percebeu que ele estava babando em você? Ele queria te comer com os olhos! Como pode dar trela e... – ela estava sorrindo maliciosa – espera, você realmente gostou daquilo? Aquelas frases batidas, cantada de quinta?

- Alguém está realmente incomodado com o médico, não? Ciúmes, Castle?

- Ciúmes? De você? É claro que não! – mentiroso, era tudo o que Beckett pensava segurando o riso – o que odiei foi vê-la se rendendo a uma cantada de quinta, como se precisasse disso. Você é uma detetive, uma figura da lei, deveria se dar ao respeito. Honrar o distintivo e não ficar... – ele pausou passando as mãos nos cabelos – você estava enrolando o cabelo, balançando o corpo... – viu quando ela levou as mãos à cintura, a pose característica de detetive sexy que ele tanto adora bem ali a sua frente. Ela estava certa, estava morrendo de ciúmes dela. O cara era médico e bonito. Como poderia competir com isso?

- Então, você está preocupado com a minha reputação na NYPD? Não se trata de ciúmes? Hum... – ela pegou o cartão de Josh nas mãos, revirava entre os dedos – sabe, Castle, uma mulher sente-se lisonjeada quando recebe um flerte ou um convite para um café, mas adivinha o que a deixa nas nuvens? Um homem com ciúmes. Apenas admita, escritor...

- Droga, Kate! Tudo bem, promete que se eu admitir meu ciúme, você joga esse cartão fora? Fiquei com ciúmes, não gostei nada daquele cara e nem do jeito como você falou com ele. Eu admito – ele viu a risada super gostosa que ela transmitia.

- Como você é fácil, Castle... – viu que ela guardara o cartão no bolso.

- Espera, você não vai jogar o cartão fora?

- Não prometi nada. Talvez precise de um café algum dia desses... – meu Deus, ela é implicante!

- Eu trago café para você todos os dias!

- Eu sei, agradeço por isso... mas não custa manter as opções disponíveis. Vamos, temos que voltar ao distrito. Lanie já está a caminho de lá.                    

Kate estava aprendendo bastante sobre Castle nesse caso. Ele era conhecedor e porque não dizer quase viciado em séries médicas, adorava vê-lo com ciúmes e desconfortável por causa dela e o que ainda estava por vir? Apesar de todo o jeito de implicante e solteirão mulherengo, ele gostava de um bom romance. 

De volta ao distrito, Lanie explicou como Greg e Amy conseguiram simular o derrame e suposta morte da prisioneira para depois livra-la de voltar a prisão. Os APB’s de ambos já estavam circulando a cidade, porém como haviam planejado muito bem a fuga de Amy, devia ter um plano igualmente bom para sumirem. Castle sugere que leiam as cartas trocadas entre os dois pombinhos em busca de pistas. Assim, ele e Beckett se trancaram numa sala para ler uma a uma as cartas.

Era um monte de palavras sem qualquer pretensão, uma declaração de amor após a outra. Sempre comentando o quanto sentiam falta um do outro.

- Isso é inútil. Parecem dois adolescentes apaixonados – comentou Beckett – escuta só isso. “Eu não aguento vê-lo sofrer. Comece outra vida com outra pessoa. Seja feliz. Se alguém merece, é você.”

- Acho que tenho a resposta dele para isso. “Eu não acredito em muito, mas eu acredito em nós”. Eu gosto desse cara. “E não importa os obstáculos, não importa o quanto você tente você nunca se livrara de mim, eu te amo – de repente, ambos se deram conta que poderiam estar falando deles mesmos, era melhor não pensar nisso – você tem razão, são inúteis.

Tentando disfarçar o pensamento que ainda a deixava desconfortável, Beckett continuou a buscar algo que pudesse ajudar em encontrar o casal.

- Então, dois amantes se reencontram após três anos, aonde você iria?

- Um motel.

- Sério, isso é o que você chama de especial?

- Estou presumindo que eles tem um orçamento limitado. Para onde você iria?

- Eu não sei, algum lugar romântico ou com significado especial – disse Beckett.

- Como o primeiro lugar onde se conheceram? – disse Castle já procurando por uma das cartas, a leu para Beckett – “eu nunca esquecerei a primeira vez que te vi, aquela noite fria e chuvosa no Burgueropolis, em Hilsdale”. Hilsdale, New Jersey.

- Burgueropolis? Você acha que esse é o seu lugar especial? – sim, ela parecia cética a ideia de Castle.

- É, isso é bobagem – disse Castle resignado. Estavam presos mesmo nessa investigação. Mais tarde, Castle acabou descobrindo que ela o enganara, pois colocara uma patrulha na lanchonete e os policiais acabaram prendendo os dois. Aquele interrogatório foi um dos mais chatos que Beckett já vivenciara. Eles estavam tão apaixonados que dava vontade de vomitar de tanto enjoo. Ok, tinha que admitir era bem interessante ver o que o amor verdadeiro era capaz. Um plano para tirar quem você ama da prisão, bem ambicioso, mesmo que estúpido.

Nem tudo fora perdido no interrogatório, Greg garantiu que a médica tinha um namorado e que ele lhe dera um bracelete. Checando novamente as fotos, não havia a joia na cena do crime, porém ela definitivamente o usava na foto antes de sua morte. Beckett já vira esse bracelete antes. Voltaram a visitar Cesar, ele era o namorado da médica. O bracelete um presente, porém sem que ele soubesse, o irmão assassinara a namorada porque descobrira que ela estava trabalhando com o FBI. A ironia era que não estava investigando o mafioso e sim a corrupção no hospital.

Beckett voltou ao distrito com o preso enquanto Castle foi para o loft. O dia fora bem cheio. O caso interessante, mas o ponto alto do stress era pensar em quantas vezes ele teria que passar por uma situação de ciúmes antes que Beckett percebesse que gostava dele. Conversando com a mãe, ele ouviu algo bem peculiar com relação ao que Greg fizera. Alguém disposto a arriscar tudo para tirar a amada da cadeia, todos deveríamos ter algo assim. Então, Martha lembrou ao filho o que realmente importava,

- Você já pensou sobre isso, quando chegasse o momento teria alguém disposto a tira-lo da cadeia? Porque isso é amor verdadeiro, filho.
Ao ouvir as palavras da mãe, Castle começou a pensar. Será que não deveriam dar a Greg e Amy uma nova chance? Imediatamente pegou o celular.

- Beckett, sou eu. Você ainda está no distrito?

- Sim, por que?

- Estive pensando. Greg jurou a inocência de Amy, arquitetou todo o plano para resgata-la. Amy também gerou uma certa dúvida no meu ponto de vista, veja o julgamento. Então, em nome do amor verdadeiro, será que esse caso não merece uma nova visão. Que tal ajudar esse casal a ter seu final feliz? O que me diz, Beckett? Vamos trabalhar juntos e servir de cupido em nome do amor?

- Engraçado você mencionar isso. Eu estava pensando em rever o caso de Amy. Algo parece ter sido deixado de lado.

- Ah! Mentes brilhantes pensam iguais. Quer minha companhia para investigar, detetive?

- Se você não estiver muito ocupado escrevendo seu próximo Best-seller... – é claro que queria rever o caso com ele, só não diria isso tão explicitamente.

- Por que sempre fala nas entrelinhas, Beckett? Não custa nada pedir minha ajuda diretamente. Estou a caminho e com o café.

Eles sentaram-se diante das informações que tinham, encontraram os furos e conversaram com o representante da procuradoria geral que concordara em reabrir o caso. Ambos estavam satisfeitos com o resultado alcançado.

- Acho que o nosso casal irá gostar bastante das novidades. Porém, acho que está faltando um toque especial para os amantes.

- Como assim, Castle?

- Nós ou melhor, você atrapalhou o reencontro deles. Quando estavam comendo e relembrando o primeiro encontro em Burguerópolis. Nada mais justo do que devolver o momento a eles, não?

- Castle, é impressão minha ou você está fazendo do relacionamento de Greg e Amy seu novo romance pessoal?

- Ah, vamos detetive, amoleça esse coração. Sei que existe uma romântica aí dentro... posso comprar os hambúrgueres para você também.

- Tudo bem, Castle. Você me convenceu, de verdade.

Meia hora depois, eles deram as boas notícias para os dois. Amy tinha boas chances de sair da prisão e manter as esperanças. Quando Greg perguntou porque estava fazendo isso para eles, Beckett fez questão de dizer.

- Porque alguém me convenceu que um amor tão forte como o de vocês merece a chance de um final feliz – ela olhava para a cara de felicidade do casal e a cara de bobo de Castle ao seu lado. Cutucou-o com o cotovelo.

- Ficamos mal porque a patrulha os trouxe de Burguerópolis antes que pudessem reviver seu primeiro encontro. Então, até que fiquem livres, trouxemos isso para vocês – Castle colocou a bandeja no meio deles, feliz por fazer isso. De volta ao salão, Esposito mencionou que fizeram algo bacana para os dois prisioneiros.

- Eles mereceram e além disso, se fosse eu e você na situação de Amy, ainda estaríamos presos.

- Fale por você, eu escaparia.

- E me deixar lá?

- É a lei da selva. Tenho que cuidar de mim.

- Nossa. Nada como uma prisão hipotética para descobrir quem é seu amigo – Beckett que ouvira a conversa dos dois, resolveu dar sua opinião.

- Não se preocupe, Castle. Eu te tiraria de lá – ali, Castle se maravilhou com a resposta dela. É claro que Beckett não tinha ideia do que aquelas simples palavras podiam significar – você vem? Trouxe o meu hambúrguer, não?

- Sim – diante de um dia bem cheio de situações nada agradáveis de seu ponto de vista, Beckett,sem saber, acabara de acalmar um pouco de seu coração apreensivo. Eles sentaram na pequena cozinha para comer os sanduiches. Castle ainda não esquecera a vontade de mencionar sobre o cartão do médico, mas talvez não fosse o momento mais apropriado. Estavam ali tendo uma refeição alegre, a dois podia acrescentar, portanto o melhor a fazer era aproveitar.

- Esses hambúrgueres são gostosos. Não tinha comido lá ainda.

- Foi um belo caso, não? Gosto de finais felizes. Uma pena que Cesar não teve o mesmo prazer. Ele amava a médica. Agora terá que se contentar com Nikki Fuego.

- Você gostou da pequena bajulação, não? Castle, às vezes você é tão bobo!

- Bobo de uma forma romântica? Porque devo dizer detetive, você realmente me surpreendeu com essa veia romântica.

- Eu? Foi você quem sugeriu a revisão em nome do amor verdadeiro.

- Mas foi você, Kate, quem nos levou ao lugar especial, simbólico mesmo que tenha sido uma simples lanchonete em New Jersey – ela sorriu. Ele realmente conseguia entende-la bem, mesmo com todos os obstáculos que Kate impusera em sua vida.

- Pequenos gestos importam - disse Beckett - Muito mais do que um jantar no restaurante mais caro da cidade. As vezes, lugares comuns com boas paisagens podem fazer a diferença.

- Como um copo de café?

- Sim, como um copo de café – ela sorriu.

- Soou quase poética, Kate. Eu me lembrarei disso – ela sorriu quase podia ouvir a voz de Dana ecoar em sua cabeça “ele se importa”.

- Acho que descobrimos muitas coisas nesses últimos dias, não? Você é o melhor pai do mundo, teve uma crise de ciúmes e aparentemente é um eterno romântico. A questão é o que fazer com essa informação?

- Bem, detetive, com todos os seus skills eu diria que não seria difícil imaginar-me como uma versão moderna do príncipe encantado. Quanto a você, além do seu lado quase doente por adorar provocar alguém, nesse caso, eu, descobrimos que o romance não está mesmo morto para você. Isso foi uma excelente camada desvendada de Kate Beckett, quer dizer, eu tinha minhas suspeitas especialmente depois dos Hamptons, fico feliz de constatar que as suposições estavam certas – ele ergueu-se da cadeira, pegou seu paletó e sorriu – até amanhã, Kate.

- Até, príncipe encantado... – ela disse rindo e balançando a cabeça.

Castle foi para casa com um misto de sentimentos. Queria beija-la, mostrar para Kate que ela não precisava de insinuações ou médicos para ter alguém que realmente se importava com ela ao seu lado. Havia esperança, sabia disso.

O próximo caso parecia não querer dar uma trégua ao elemento ciúme de Castle. Durante a investigação de um homicídio de um stripper. Ele vira um dos seus grandes sonhos sair totalmente ao contrario. Sim, ele e Beckett iam visitar um clube de strippers, porém masculinos. E Beckett? Ela fez questão de leva-lo em sua companhia. Se isso não fosse outra forma de provoca-lo, ele não sabia o que seria. E ela sabia fazer isso como ninguém!

Ao descer para encontra-la na saída de seu apartamento, Castle não acreditara na imagem a sua frente. Kate vestia uma meia-calça preta embaixo de uma saia bem curta. Uma blusa de renda e um casaco fino tudo em preto realçando suas curvas e brincando com a imaginação dele porque era possível ver vários pedaços de pele sob o tecido fino. Ela definitivamente estava matando-o.

- Precisava se vestir tão bem para ir averiguar um suposto suspeito?

- Relaxe, Castle. E aproveite a noite. Avise-me se precisar de algumas notas de um dólar.

Quando Beckett foi pegar bebidas para eles, se surpreendeu ao ver Castle rodeado de mulheres que pareciam estar paparicando-o. Não gostou mesmo do que viu.

- Castle?

- Oi,querida. Você me achou. Estava falando sobre você com Denise – rapidamente as mulheres começaram a se dispersarem, Kate sentou-se ao lado dele – essa é a minha namorada, foi ideia dela vir aqui hoje à noite, ela é bem aventureira, vocês não tem ideia...- finalmente sem ninguém além dela ao seu lado, ele sorveu um pouco do drinque - graças a deus você me encontrou, essas mulheres parecem piranhas.

- Eu acabei de falar com o bartender. Derek estava com problemas com outro dançarino. Hans. A razão da briga era por melhores turnos, o que lhe dá motivo e oportunidade – Castle se levantou.

- Vamos pegar esse Hans.

- Não precisa, querido. Ele está no próximo ato – Castle tornou a se sentar.

- Bombeiros? Sério? Não é um pouco clichê? – mas Beckett não estava dando muita atenção ao que ele dizia. Estava bem mais interessante apreciar o que estava no palco. Homens sarados dançando. Não que ela realmente gostasse de homens tão musculosos assim, olhar não tira pedaço. Quando um deles tirou o chapéu, o cabelo era loiro e comprido. Castle quase implorou para que ela o prendesse logo.

Beckett se levantou ficando de frente para o palco e especificamente para Hans mostrando seu distintivo e anunciando ser da NYPD. Pediu para que Hans descesse do palco. Os dançarinos porém, entraram na brincadeira e foram todos para a direção de Beckett cercando-a. Por mais que ela pedisse e enfatizasse que era uma policial de verdade, as pessoas pareciam não leva-la a sério. De longe, Castle já estava irritado por ver aquele bando de homens sobre ela podendo toca-la e sabe-se mais o que. Precisava fazer alguma coisa.

De repente, o pó químico do extintor surgiu na frente dela detendo os dançarinos.

- Demais? – mas apesar da revirada de olhos de Beckett, Castle estava bem satisfeito com o seu feito. Descobriram que Derek tinha uma namorada, uma coroa e que aparentemente a relação estava abalada. Eles voltaram ao distrito, trocaram suas teorias incluindo uma bem humorada de Castle, Beckett decidiu que deveriam esperar até que conversassem com a viúva. Quando saíram do distrito juntos, ele estava um pouco quieto.

Na verdade, Castle estava aproveitando o tempo para observa-la, Beckett estava linda e sexy. Depois de tantos episódios ruins de ciúmes, certamente ele teria problemas em demonstrar isso à mulher sentada ao seu lado. Ao estacionar o carro na frente do prédio dele, a curiosidade de Beckett falou mais alto.        

- O que aconteceu, Castle? O gato comeu sua língua?

- Não, apenas acredito que tive muita informação estranha nessa semana. Espero que tenha acabado porque estou quase ficando sem palavras.

- Nossa! Quer me dizer o que o deixou assim? Com dificuldade de tagarelar? – ela estava virada para fitar o rosto dele. Castle podia se deliciar com a beleza do decote de sua blusa, um convite para a perdição e para a imaginação. Ficava difícil de se concentrar diante da imagem.

- Eu... eu acho melhor não. Isso exigiria muito das minhas forças agora e não quero discutir.

- Tudo bem, você que sabe. Hoje é sexta, então tecnicamente a semana terminou. Você está livre de suas situações estranhas, Castle.

- Certo, talvez você tenha razão. Contudo, tem uma coisa que preciso fazer por falta de palavras mesmo – ele avançou para cima dela puxando-a pela nuca ao seu encontro. Beijou-a sensualmente mordiscando o lábio inferior e massageando-o depois com a ponta da língua. Ao se distanciar dela, viu a confusão e a surpresa no rosto de Kate. Queria um momento para se vingar dela e parece que conseguira.

- Quem está sem palavras agora, detetive? Boa noite, Kate.

Na semana seguinte,  Castle acabou por descobrir que a semana não parecia ser diferente da anterior. Era para ser um caso de duplo homicídio, porém ao chegar à cena do crime, Lanie percebeu que um deles estava vivo ainda. Beckett ligou rapidamente para a emergência. Se essa vítima sobrevivesse, ele podia falar que os atacou.

Dando instruções para os rapazes, ela e Castle seguiram a ambulância que levava a vitima ao hospital. Quando ela entrou pela emergência rapidamente se identificou e viu seu cara na maca sendo atendido por vários médicos e enfermeiros. Reconheceu Josh entre eles. Fora impedida de continuar, naquele instante o paciente era tratado como um João Ninguém.

Beckett e Castle foram obrigados a esperar pelo menos meia hora na recepção. Ele logo descobriu onde era a cantina do hospital voltando com café para melhorar a manhã que já começara difícil. Ele avistou Josh antes de Beckett, mas claro que o medico preferia fingir que o escritor não existia mesmo sabendo que estavam ali juntos.

- Detetive Beckett?

- Sim, oi Dr. Davidson. Notícias da minha vitima? – Castle se aproximou ficando ao lado de Beckett quase que como demarcando território, se fazendo presente.

- É Josh, por favor. Infelizmente, não tenho boas notícias. O seu Zé Ninguém não resistiu. Ele perdeu muito sangue e seu coração não aguentou. Como médico de emergência, eu tentei de tudo, sempre trabalho no extremo. Sinto muito. O que você quer que façamos com o corpo?

- Preciso que o libere para ser examinado. Será autopsiado. Já tenho a identidade dele, tem antecedentes. Chama-se Jeff Moore. Faça todos os procedimentos necessários, livre-se da burocracia para que eu leve o corpo até o necrotério da NYPD.

- Tudo bem. Você pode me acompanhar para atualizarmos o cadastro dele? Sabe se tem família?

- Filho único. Pais mortos. Mora com uma tia. Meus colegas já estão contatando-a, não se preocupe. Apenas agilize a liberação – Castle ficou de longe observando o que conversavam. O tal Josh fazia o possível para esbarrar “sem querer” nela. Situações clássicas de flerte se passavam na frente de Castle, a pior foi ele se colocar por trás dele fingindo pegar uma caneta. Como Beckett estava de costas, era difícil saber como estava seu semblante, mas pode ver uma mão sendo passada no cabelo. Será que ela estava entrando na dele ou fazia isso para conseguir apressar as coisas?

De qualquer forma, aquilo aborrecia o escritor. Mesmo não estando juntos, em uma relação exclusiva, ele tinha ciúmes e não queria dividi-la com ninguém. Como devia agir nesse caso? Não podia impedi-la de flertar com quem quisesse ainda mais diante da não obrigatoriedade existente entre eles. Se ele se abrisse com Beckett, será que ela entenderia o que ele estava sentindo ou podia querer se afastar dele de vez? Ele viu Josh assinar uns papéis e comentar algo com Beckett.

- Tudo pronto. Você já pode informar seu contato para vir buscar o corpo. Nós ainda não tivemos a oportunidade de tomar aquele café, que tal se me acompanhasse até a esquina? O café da Starbucks é bem melhor que o da nossa cafeteria.

- Obrigada, mas estou trabalhando Josh.

- Eu pensei que você quisesse tentar, me dar uma chance.

- Não é isso, é que – ela olhou disfarçadamente para Castle, por um impulso respondeu – para não dizer que sou injusta. Eu te encontro assim que terminar de resolver esse caso. Ligo para dizer o local. Pode ser? – Josh abriu o sorriso.

- Claro. A gente se fala, Kate.

Com os papéis nas mãos, ela caminhou até Castle. O escritor pode perceber que havia algo diferente em seu semblante, o que ele temia. Beckett não comentou nada, apenas que deveriam voltar para o distrito a fim de continuar a investigação e o telefonema de Lanie quando a autopsia de Jeff estiver concluída. Desde que saíram do hospital, ela parecia um pouco distante. O que será que conversara com o médico? A curiosidade estava corroendo-o por dentro, mas não poderia perguntar a ela, não sem arriscar tudo o que tentava construir até ali.

O caso seguiu e no dia seguinte, eles prenderam o assassino. Entretanto, nesse um dia e meio Castle percebeu que havia um certo buraco entre eles. Sabia que Beckett estava escondendo algo dele, o pior era ter quase certeza de que aquele médico tinha relação com isso. Pela primeira vez, Castle sentia-se acuado, sem poder definir o que fazer em seguida.

Foi uma espécie de confirmação quando Beckett anunciou por volta das cinco da tarde que estava de saída, alegando um compromisso. Tão cedo assim, ele temia que compromisso seria aquele.

Kate Beckett tomara uma decisão bem inesperada ao convidar o médico para um café. Agora, de frente para a cafeteria sugerida por ele, criava coragem para encara-lo. Não sabia ao certo porque optara por fazer isso. Passara rapidamente em casa para tomar um banho. Quando ligara para Josh, soubera que seu plantão acabava às seis desse modo, uma hora depois era mais do que suficiente para se encontrarem. Pela hora, poderia ter ido a um bar, tomar drinques. Isso seria muito extremo, reconhecia.

Respirando fundo, ela desceu do carro caminhando na direção do pequeno e elegante café em pleno Chelsea, Kate sentia o peso da culpa em sua mente. Era um teste, mesmo assim não tinha ideia do que aconteceria. Assim que entrou no local, avistou o médico em uma mesa do lado direito. Reconhecia que era bonito, tinha um charme.  Ao vê-la, levantou-se para cumprimenta-la com um beijo no rosto. Kate sorriu sentando-se de frente para ele.

- Então, você fechou o caso?

- Sim, mais um assassino atrás das grades.

- Que bom. Deve estar contente, com a sensação de dever cumprido.

- Dever cumprido, sim. Contente? Não mesmo. Trabalhar com assassinatos é bem diferente de ser médico, você não tem a chance de salvar o dia porque para você realizar seu trabalho alguém sempre tem que perder a vida antes. Não é fácil.  

- É, olhando por esse lado. Tem razão.

- Enquanto você salva vidas, eu tento evitar que outras sejam perdidas. Mas, não vamos falar de mortes. Estamos aqui para aproveitar o tempo, falar de coisas interessantes. O que você tem para me contar sobre você, Josh?

A conversa mudou de rumo a partir dali, entre cafés gelados e quentes acompanhados de biscoitos e tortas, Josh contava sobre sua vida. Por mais que fosse médico com histórias incríveis, ela percebeu que ele estava usando o assunto para se gabar. Entre as conversas, Josh esticou o braço para tocar-lhe a mão. Estava pedindo permissão, aproximando o contato. Kate evitava comentar sobre sua vida, não diria nada sobre seus segredos e sentimentos para alguém que estava começando a conhecer e que apesar de contar fatos interessantes, não chegava nem perto das aventuras de Castle.

Ao comentar sobre o motivo que ela deixava o escritor segui-la, Kate deu a resposta automática e calculada na qual não revelava muito da sua real ligação com Castle, seja lá qual fosse.

- Ele é minha sombra. Está fazendo pesquisas para criar suas histórias de Nikki Heat.

- Com toda sinceridade? Eu detesto livros de mistérios policiais, acho um assunto tão sem graça, sem significado e conteúdo. Rick Castle? Está longe de ser um bom escritor, talvez mediano – Kate tentou não demonstrar sua indignação ao comentário, ao invés disso, o comentário serviu para ajuda-la nas conclusões que deveriam sair desse encontro. Respondeu de uma maneira que não revelava tanto de sua verdadeira opinião sobre Castle.

- Interessante você falar assim, não gostar de mistérios policiais é o mesmo que dizer que não aprecia meu trabalho. Considerar a resolução de um crime sem conteúdo é menosprezar o trabalho de qualquer detetive. Quase um insulto.

- Não estava falando do seu trabalho, Kate. Ele é muito importante. Estava falando dos livros da história.

- As histórias de Castle são baseadas nos meus casos, nos meus atos como detetive. Sendo assim, ao considerar o trabalho dele medíocre, está falando de mim.

- Desculpe, eu me expressei mal. Você é muito conceituada no que faz. Eu li as reportagens. É uma das melhores na sua área. Meu comentário foi inapropriado. Vamos mudar de assunto, você gosta de viajar?

- Ah, quem não gosta? – Kate aceitou o novo tópico, isso não significava que esquecera as opiniões que ouvira. Foram duas horas de conversa. Josh pediu a conta e insistiu em pagar. Quando deixaram o local, ele comentou que estava de moto, perguntou se queria uma carona de volta para casa, ela disse que não precisava, pois viera de carro.

- Eu gostei muito da nossa noite. Saber um pouco mais sobre você. Estou viajando na sexta para um congresso e um curso preparatório de traumatologia, quinze dias fora, mas quando eu voltar gostaria muito de revê-la assim que puder. Podemos marcar outro encontro?

- Já disse que isso não é um encontro, é um bate-papo. Vamos esperar você voltar e ver no que dá – ela realmente acabara de deixar a porta aberta? Mas, por que?

- Tudo bem, quando eu voltar procurarei por você, Kate – então ele se aproximou, segurando em um de seus braços, inclinou-se para beija-la. Kate não esperava pelo gesto, não sabia ao certo como reagir à principio, porém acabou cedendo. Ao se afastar dela, ele sorriu – até a próxima.

Ainda confusa com o que acontecera, Kate seguiu para o seu carro. Josh foi a primeira pessoa que a beijou nesses últimos meses além de Castle. Automaticamente, ela passou a mão na boca com o intuito de limpar os lábios. Quem diria, para alguém que sequer pensava em sair no sábado à noite, ela tinha um médico bonito querendo conhecê-la mais a fundo, que não perdera a oportunidade de mostrar que estava disposto a ir além, ele a beijara. Kate suspirou.

Assim que entrou no carro, apoiou a cabeça sobre o volante. Ele a beijara. Sim, pelo flerte e pela insistência ela já suspeitara que isso poderia acontecer. No fundo, estava curiosa. Criara uma certa expectativa. Para um primeiro beijo, Kate o achou simplesmente... errado. As bocas não se encaixaram, a língua era estranha, muita saliva e informação. Em todos os seus relacionamentos, Kate impusera uma única regra. Se o primeiro beijo não for bom, não a fizer sentir nada, não haveria esperança porque certamente nada seria bom, inclusive o sexo.

Bem diferente de Castle. Tudo fazia sentindo com ele, o toque, o beijo, o abraço e, oh, Deus! O sexo...

- Onde eu estava com a cabeça quando aceitei fazer isso? E um segundo encontro? - Deixara em aberto, não podia ter feito isso - Uma ideia estúpida. Não vai acontecer.

Passando a mão pelos cabelos, ela finalmente ligou o carro e foi para casa.


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Castle jantara sozinho essa noite. Estava de frente para o seu notebook organizando as ideias do próximo capítulo que escreveria de seu terceiro livro de Nikki Heat. A abordagem dessa história entraria um pouco mais no âmbito pessoal da vida da detetive, suas reflexões, seus anseios. Não comentara nada ainda com Kate sobre isso. Sairia um pouco do mundo real criando algo mais pessoal para sua personagem.

Ele já rabiscara alguns pensamentos no bloco de anotações ao lado, porém não conseguia encontrar as palavras para fazer fluir a história nas teclas a sua frente. O motivo? Kate Beckett. Não conseguia tirar da sua cabeça que aquela saída misteriosa mais cedo do distrito não era comum. Tudo bem que fecharam o caso e não havia motivo para ficar trabalhando. Contudo, o jeito com ela saiu ativou o sinal de alerta na mente de Castle. Desconfiava que ela escondera o tal compromisso por se tratar de algo que ele não iria gostar.

Desde quando fizeram as supostas pazes, eles não voltaram a se reunir de forma pessoal. Houvera momentos de trocas de carinho, beijos, continuavam bem, porém não avançavam. Se voltar ao patamar dos Hamptons era o mínimo que Kate esperava, eles não pareciam estar fazendo muito esforço para chegar até lá.

O caso do serial killer foi a última vez que ele vira uma demonstração de afeto genuína que partira dela. Será que desistira dos dois? Isso estava errado, Ele estava pensando todas essas besteiras devido às últimas situações de ciúmes. Presenciar Beckett levando cantadas era extremamente desagradável. Tinha muita vontade de afasta-la desses urubus e colocar os pingos nos i’s. Exceto que não tinha direito para fazer isso, não era seu dono nem sabia definir que tipo de relacionamento eles tinham fora do ambiente profissional.

Era amizade? Certamente. Colorida, do tipo amigos com benefícios? Era uma maneira de classificar apesar de não ter acontecido muita ação ultimamente. Kate se preocupava com ele, gostava de sua companhia, se divertia com suas tiradas e teorias, mas o que realmente sentia por ele? Gostava ao menos um pouco de estar com ele? Como ele poderia considerar que ela não estaria apaixonada por ele se cada vez que se tocavam ambos ficavam elétricos? Se cada beijo era uma explosão de desejo e todos os sentidos pareciam elevados a um nível indescritível?

Ele não negava, estava apaixonado a um bom tempo por aquela mulher. Kate o conquistara não apenas pela beleza. Sua forma determinada de agir, a paixão pela justiça, a luta que travava todos os dias. Nada de curvas, apesar que ele era capaz de perder-se nelas. Os pequenos gestos eram seu ponto fraco. O mordiscar de lábios, o revirar de olhos, a primeira reação ao beber o primeiro gole do café. Coisas tão simples que eram capazes de tirar seu fôlego.  

Castle suspirou. Não sabia quanto tempo mais aguentaria permanecer calado, especialmente se os urubus continuassem a rondar sua detetive. Se ao menos ela lhe desse um sinal...

No dia seguinte, Castle chegara ao distrito trazendo os dois copos de café. Beckett estava sentada escrevendo o relatório do último caso. Ele sentou-se na sua cadeira cativa, estendeu o café para a detetive.

- Bom dia, detetive Beckett.

- Bom dia, Castle. Obrigada pelo café – ela sorveu o primeiro gole da bebida quente e revigorante – hum, realmente delicioso. Estava precisando mesmo disso – estendeu a mão para acariciar a dele. O gesto pegou-o de surpresa intrigando ainda mais a mente de Castle. Notara que havia algo de diferente nela, seria culpa?

- Aconteceu alguma coisa?

- Nada. Estou fazendo o relatório do caso para arquiva-lo. Por que?

- Não sei, você está diferente. Não na aparência, estou falando de semblante, aura...

- Aura? Desde quando virou exotérico? Acho que você está vendo demais, Castle. Sou a mesma pessoa que estava trabalhando aqui ontem.  

- Sim, concordo. A mesma pessoa de ontem, talvez não a mesma de uma semana atrás ou daquela que me resgatou um tanto desesperada naquele motel de beira de estrada com medo que eu tivesse morrido nas mãos do 3XK.

- Castle, por favor, isso não é assunto para o distrito, não é apropriado.

- E quando será apropriado falar sobre isso? Sobre o que está acontecendo com você, Kate? Eu mesmo gostaria de conversar com você sobre o meu próximo livro, sobre o que pretendo abordar.

- Qual a sua sugestão? Uma DR, Castle? De onde veio isso?

- Do simples fato de conhecer tanto você para saber que está me escondendo algo – Beckett automaticamente mordeu os lábios e passou a mão nos cabelos. O que apenas comprovou que sua desconfiança estava correta. Ela estava com problemas.

Nesse instante, Esposito se aproxima para entregar sua parte do relatório atrapalhando a conversa que, pela primeira vez, tomava um rumo sério, podia inclusive ter gerado um momento a dois para mais tarde, agora o clima para a conversa se perdera. Ryan se juntara a eles. Restava a Castle esperar por outra oportunidade. Podia ter esperanças, não?

Infelizmente, a maré não estava ao seu favor. Ao invés de esperança, fora a vez de Castle sofrer uma decepção.

Um dos rapazes que fazia parte da patrulha do 12th, adentrou o salão com um buquê de rosas vermelhas em suas mãos. Como era grande e forte, Esposito foi o primeiro que tirou sarro da cara do policial.

- Hey, Mike! Ganhou do seu namorado? A noite foi boa, não? – ele riu para não se amedrontar com o olhar matador que o colega deu para ele. Se aproximou da mesa de Beckett, parando bem ao lado de Castle.

- Detetive, esse buquê foi deixado para você – entregou o ramo de flores sob o olhar intrigado de Castle. Ela parecia surpresa com o gesto apesar de saber exatamente quem as havia enviado. Não era o que esperava, especialmente já considerando toda a desconfiança de Castle. Ele não ia deixa-la em paz até saber que era a pessoa que comprara flores para ela.

- Flores, podia dizer que são de agradecimentos pelo último caso, mas rosas vermelhas? Não são flores usadas para esse propósito.

- Obrigada, Mike – o policial se afastou. Beckett pegou o cartão.

- Você não vai testa-las? E se tiver uma bomba escondida embaixo das flores? Ou uma espécie de veneno nas pétalas que quando cheira-las a derrubem? – ele viu a revirada de olhos que Kate dera para ele – sério! Pode ser de um inimigo.

- Castle, não é nada disso. Deixa de ser paranoico. 

- Não sou paranoico, sou precavido. Você trabalha na polícia deveria primeiro desconfiar de coisas assim e – então a ficha caiu – espera, você sabe quem as enviou... não foi a família de ontem, certo? Foi um homem... – a voz de Castle saiu como um sussurro. Podia ver a decepção se formando em seu rosto.

- Castle... – ela abriu o cartão apenas para confirmar o que já sabia “Adorei a noite. Se cuida e até o próximo café. Josh.” – eu não... são do Josh.

- Josh? O médico engomadinho, Josh? – ele estava indignado – você está saindo com ele?

- Não! Eu só aceitei um café. Nada demais. 

- Isso foi ontem? O compromisso... é claro! Eu cheguei a pensar que poderia ser um encontro... mas – ele passou a mão nos cabelos, se levantou – o médico? – seu olhar era de desaprovação. Ele precisava sair dali. Viu que os rapazes se aproximavam, era sua deixa.

- Castle, você está exagerando...

- Será? Eu preciso ir.

- Hey, bro! Temos um caso. Corpo na sacada de um prédio na Amsterdã. A faxineira encontrou o dono do apartamento morto no chão do quarto nu. Aposto que vai gostar desse Castle. Tem cara de crime passional – mas Castle colocava o paletó caminhando para a saída – está com pressa para ver, não? – brincou Esposito.

- Agora não, Esposito. Tenho uma reunião com minha editora. Já estou atrasado.

- Mas é um caso interessante, Castle – disse Esposito.

- Fica para a próxima – ele sumiu rumo ao elevador. Beckett estava apreensiva pensado se deveria ir atrás dele. Não, eles não conseguiriam conversar nada com a raiva que vira em seus olhos.

- Deixem-no. Ele já tinha me falado do compromisso. Espo, pode ir na frente? Mande o endereço por mensagem. Eu encontro vocês lá. Preciso passar em um lugar antes. Karpowski! Você gosta de flores? Se não pode jogar fora.

- Você vai jogar as rosas fora? – perguntou Ryan surpreso.

- Não pedi por elas. E chega de problemas – Beckett rasgou o cartão esmagando-o nas mãos, pegou o casaco e saiu a passos largos para o elevador.

- O que será que aconteceu? – Ryan perguntou.

- Melhor não perguntar dela, só aconselho isso – disse Espo.

No elevador, Kate respirava fundo. Estragara tudo e precisava achar um jeito de consertar. O problema era que não sabia como. Ela bateu com a mão na parede do elevador.

- Droga, Kate!

Caminhava pelas ruas de Nova York com uma certa pressa. Estava tão desnorteada que nem lembrou do carro. Desceu as escadas da estação de metrô mais próxima. Pegando o trem para uma viagem de quine minutos. A sala da recepção estava vazia. Dirigindo-se a secretária perguntou.

- Posso falar com a Dr. Anderson?

- Sinto muito, ela não atenderá hoje. Nem o resto da semana. Está em um congresso em Boston. Quer agendar para a próxima semana?

- Boston? Ela está em Boston! Mas eu preciso falar com ela. É uma emergência!

- Quando não é? Sinto muito, a doutora deu ordens expressas de que não atenderia pacientes durante esse intervalo de tempo. Quer agendar? – Kate deixou o impulso tomar conta de sua razão, então fez algo que nunca pensou antes.

- Não estou aqui como paciente – mostrou o distintivo – estou aqui como detetive da NYPD. É assunto de polícia.

- Oh! Entendo... nesse caso pode ligar para este número – a secretária estendeu um post-it com um número de celular.

- Obrigada – colocando o papel no bolso, ela disparou para a rua. Quando chegou na calçada, olhou atentamente para o pedaço de papel. Bastava um telefonema, Dana a atenderia, poderiam conversar. Começou a teclar o número então seu celular tocou. Esposito. O caso.

- Hey, Espo.

- Onde você está? Nós praticamente terminamos aqui. Lanie quer saber se você quer ver o corpo da vítima ou pode levar para o necrotério.

- Ela pode levar. Consiga todas as informações necessárias. Encontro com vocês no distrito.

Ao desligar, a mente de Kate pareceu voltar ao mundo real. O que ela estava fazendo? Mentindo, abusando de seu poder e para que? Será que estava tão desesperada a ponto de precisar de sua terapeuta para resolver seus problemas. Algo que ela mesma causou? Devia assumir seus erros. Tinha uma vítima a esperando, alguém que precisava de justiça. Prender um assassino era mais importante que sua bagunça pessoal.

Decidida, desceu as escadas da estação pegando o trem de volta ao 12th distrito. Novamente, Kate Beckett escolheu adiar seu confronto pessoal e enfiar a cara no trabalho. Ligada em 220, ela trabalhou em cada pedaço de evidência trazida da cena do crime. Montara seu quadro, listara seus suspeitos, examinava e eliminava cada um que entrava na sala de interrogatório até a investigação travar completamente.

Beckett já revirara as finanças da vitima e do seu último suspeito de ponta a cabeça sem conseguir encontrar uma ligação. Os rapazes já haviam saído a mais de uma hora, ou assim ela pensava. Perdera a noção do tempo. Aqueles números estavam acabando com ela. Estendeu a mão para a caneca de café. Vazia. A última dose que tomara fora trazida por Ryan.

Cansada esfregou os olhos, pegou a caneca e se dirigiu até a minicopa. Apertou os botões da máquina, apoiou a xícara no local apropriado e esperou o café sair. O cheiro era revigorante. Quando foi acionar o leite vaporizado, a pressão do botão foi maior que a necessária jogando água na xícara e leite sobre a pele.

- Droga! Porcaria de máquina – colocou a mão embaixo da torneira com água corrente - Isso é inútil! Por que ela me detesta? Por que até para tomar um café decente eu preciso de Castle?

Castle.

Tudo se resumia a isso, não? Ela o magoara da maneira mais idiota possível. Ela não queria vê-lo longe do distrito, não queria perder sua parceria, sua amizade... de repente, ela saiu quase correndo de volta para sua mesa, pegou o casaco, o celular, a bolsa e entrou no elevador.

Nervosa, na frente da porta do loft, acertou a campainha com os dedos trêmulos. Uma primeira tentativa e nenhum sinal. Deveria tocar de novo? Repetiu o gesto. Um minuto se passou sem qualquer resposta. Isso era um erro, porém de alguma forma esses pés se recusavam a sair dali. Pegou o celular. Quando ia ligar para ele, Castle abriu a porta vestindo pijamas e esfregando repetidamente os olhos. Franzindo a testa e inclinando a cabeça para o lado, perguntou.

- Beckett? O que faz aqui?

- Eu...

- Alguém morreu?

- Não...podemos conversar?

- Beckett, são duas da manhã!

- Não, são umas dez da noite e – ela olhou para o relógio – meu Deus! Eu perdi a noção do tempo. Eu não devia ter vindo, sinto muito. Desculpe por acorda-lo, eu... vou embora – quando virara as costas para ele, Castle segurou sua mão – aiii... – ele olhou surpreso para a mão dela. O que acontecera?


- Não, entre. Você deve ter um excelente motivo para bater a minha porta às duas da manhã.                                              



Continua....

8 comentários:

Jocielly Neves disse...

Gosto muito dessa história, mas acho que Castle tem que se valorizar mais. Todo capítulo Kate se aproveita por saber que ele gosta dela. Acho que está na hora dele sair com outra pessoa para Kate começar a perceber o que está perdendo e assim valorizá-lo mais.

Jocielly Neves disse...

Gosto muito dessa história, mas acho que Castle tem que se valorizar mais. Todo capítulo Kate se aproveita por saber que ele gosta dela. Acho que está na hora dele sair com outra pessoa para Kate começar a perceber o que está perdendo e assim valorizá-lo mais.

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Primeiramente, muito obrigada por dedicar o capítulo <3
Agora vamos ao que interessa. Poxa vida, que balde de água gelada no Castle e em mim hahaha
Por mais que a Kate não esteja disposta a ficar com o Josh, as coisas se complicaram. Esse médico desgramado sempre atrapalha, tanto na série quanto nas fics!
Adoro os dois juntos e o Castle com ciúmes, mas a colega ai em cima(Jocielly) tá certa. Kate tem começar a sentir o que pode perder. Sei que vc tem que seguir mais o menos a linha da série. Mas seria bom mudar um pouco o jogo.
Apesar de tudo confio em você. Ansiosa pelo próximo, como sempre =D
Beijos!!!

Luciana Carvalho disse...

Dona Kate n tá dando valor ao homem q tá do seu lado! Tá merecendo um gelo mesmo e principalmente ficar c ciúmes tb!!! Castelinho tá mt disponível qd ela precisa e sente saudade.

Bia Branco disse...

Suas fics são as melhores! Todos os dias venho atras de capitulo novo! Hahah parabéns!!

cleotavares disse...

Poxa Kate, magoou. Está pensando que o coração do meu Castelinho é de papel? Ficou toda nervosinha com a Gina e agora fica dando trela pra esse Josh.Se ajeite viu D. Kate, se ajeite.

Géssica Nascimento disse...

A verdade é que a Kate sempre fez do Castle de gato e sapato! Adoro essa 'Fic'!!

Silma disse...

Tia Kate amiga assim não dá pra te ajudar,tu só tá fazendo merda.Que mancada mulher,o pobre do homem te ama e daria até a vida por ti e você fica fazendo ele de palhaço!Assim não dá miga,maneira aí se não tu vai ficar sozinha!!!!E aquele médico metido não serve pra você 😒...! #SeOriente