terça-feira, 26 de maio de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.17


Nota da Autora: Esse capitulo foi bem difícil de escrever. Ninguém gosta de ver esse casal sofrer,confesso que gosto de reflexões. Está recheado de angst, drama, um mal necessário para nosso casal. É claro que sempre existe um mais flexivel que o outro, porém não vou mentir. As coisas ficarão estranhas, somente peço que não me odeiem... enjoy! 


Cap.17


Horas antes...


Rick Castle deixou o prédio do 12th distrito bufando de raiva. Não havia reunião alguma, nem qualquer lugar que devesse estar. Ele simplesmente não podia olhar para Beckett naquele instante. Precisava de uma pausa após o que presenciara naquela manhã. Uma pausa de Kate Beckett. Ainda não acreditava que ela pudesse ter saído com o tal médico. Pensava que deveriam começar a recuperar o que aparentemente perderam após aquele desentendimento dos Hamptons. Agora se perguntava se não era apenas fruto de sua enorme imaginação.

Passou por uma cafeteria pegou um café. Não era a bebida ideal para aquele momento. Uma dose de álcool funcionaria melhor. Ou não.

Castle sabia que precisava se acalmar. Sua linguagem corporal estava afetada como se a raiva servisse de combustível para mantê-lo irritado e alerta. Seu semblante estava carrancudo. Sua cabeça doía. Não por consequência da raiva e sim da frustração. As duas últimas semanas tinham sido bem estressantes. Fora exposto a várias situações de ciúmes de maneira exagerada. Vivenciara mais flerte com Kate em poucos dias do que já vira em meses. Por que isso tudo agora? Lembrava-se das palavras dela em sua última conversa, sua suposta DR. Kate declarava que não entendia o que eles tinham, também gostaria de voltar ao que viveram naquelas semanas de verão, porém não tinha certeza que seria possível. Ele percebera a insegurança e o medo naquelas palavras e nos olhos da detetive.

Seguiu o caminho para o loft. Alexis estava na escola e Martha dando aulas. Isso era perfeito porque não queria ver ninguém. O sangue fervia nas veias, como se a raiva estivesse sendo guiada pela adrenalina. Foi direto para o escritório. Sentou-se de frente para o notebook e fez o que sabia de melhor. Transformou a raiva em história. Em questão de minutos, Castle transportou seus sentimentos de frustração para a página em branco a sua frente.

Às vezes aconteciam momentos assim, a arte imitava a vida. Castle deixou seus dedos colocarem para fora através de Rook tudo o que sentira. Uma cena de ciúmes, uma discussão pesada com Nikki que rendera três páginas. Ao terminar, salvou o texto fechando o notebook. Ainda estava no limite, podendo desmoronar a qualquer instante. Nervos à flor da pele.

Andou até o bar e serviu-se de uma dose de whisky. O líquido amargo descia pela garganta queimando. Ele não era fã da bebida, especialmente a essa hora da tarde, mas Castle procurava qualquer coisa capaz de minimizar o que estava sentindo. Um banho frio podia amenizar um pouco esse aperto estranho no peito. Não, um banho gelado com o intuito de esfriar a cabeça.

Uma hora depois, Castle vestia uma calça jeans e camisa de botão azul. Não se preocupou em arruma-la para dentro da calça. Um pouco mais calmo decidia qual seria seu próximo passo. Para alguns, talvez esse fosse o momento da terapia. Ele nunca fora adepto dessas coisas. Não tinha nada contra aqueles que a usavam, porém ele sempre crescera resolvendo seus problemas ou em outras circunstâncias empurrava-os para debaixo do tapete. O humor e a leitura ajudaram-no nesse aspecto. Não estava a fim de usar nenhum dos dois artifícios no momento. Calçou os tênis. A raiva se dissipara, em seu lugar ficara a frustração e a dor. A necessidade de estar sozinho era fundamental.

Logo sua filha estaria em casa, eram quase quatro da tarde. Ciente disso, ele pegou as chaves de casa, seu celular e saiu. Desde que deixara o distrito, ele não recebera nenhuma ligação de lá, muito menos dela. Isso não o espantava. Quando errava, Beckett tinha a terrível mania de se jogar no trabalho fugindo o máximo de tempo possível do problema. Era assim que ela pensava funcionar, era como escolhera lidar com seus sentimentos bons ou ruins ao longo dos anos.

Sim, ele aprendera a ler Kate Beckett além da superfície. Estava longe de desvendar o mistério que a moldara, a fizera ser tão irresistível. Todo dia era uma nova descoberta.     

Logo no início da sua tarefa de segui-la, Castle entendera que Beckett era uma pessoa fechada, não revelava muito. A história que explicava esse comportamento era simples e extremamente complexa. Que frase mais antagônica e ainda assim verdadeira! A perda de alguém amado era capaz de deixar marcas irreversíveis no caráter de uma pessoa, isso se agravava quando não havia justiça para o ocorrido. Uma morte por causas naturais é aceitável ao longo do tempo. Um assassinato sem explicação é capaz de moldar uma pessoa. A morte da mãe fez isso com Beckett. Durante anos, ela dividiu sua relação com essa perda em dois períodos. Aquele que ela sucumbiu ao medo e a obsessão perdendo-se por três anos quase jogando sua vida e sua carreira no limbo. E a nova fase, aquela na qual escolheu deixar para trás sua busca por justiça e ajudar outros. Mas isso não a livrou do medo. Por isso, ela se fechou. Não gostaria de ser machucada novamente pela vida.

Em poucos meses, ele conseguiu raspar um pouco daquela superfície. Penetrar na fortaleza que guardava o coração de Kate Beckett. Tivera uma pequena amostra do que é a mulher por trás da policial durante o Memorial Day. Quando acreditava estar pronto para dar o próximo passo, a vida o surpreendera com um golpe. Não que situações e cenas de ciúmes não fossem acontecer entre os dois. Kate é uma mulher linda, difícil competir com o bando de urubus que gostariam de tê-la ao seu lado seja como namorada, ficante ou apenas sexo. Esse não era o maior problema, porque ele não era como esses caras. Castle já pulara essa etapa, não era apenas atração e desejo, ele estava apaixonado. O problema resumia-se à atitude dela.

O flerte, a implicância e a provocação poderiam ser encarados como uma espécie de “foreplay” entre eles. Até aí tudo bem. Mas descobrir que Kate optou por levar um desses flertes adiante, ter um encontro, isso era quase uma traição. O quase é fruto do simples fato de não terem uma relação assumida entre os dois. Mas em nome da amizade, do que já partilharam juntos? Ele estava muito magoado.

Mágoa. Sentia um nó formando-se na garganta. Não sabia o que fazer naquele momento. Iria para casa? Perambularia pelas ruas? A verdade era que não queria ver ninguém. Do jeito que estava mal humorado, acabaria transferindo a mágoa para outras pessoas. Não podia fazer isso. Automaticamente, durante sua peregrinação pela cidade, Castle se viu em um lugar inusitado. O mesmo parque com balanços que estivera alguns semanas atrás após o lançamento de Naked Heat.

Sentou-se em um dos balanços apoiando sua cabeça na corrente. Mesmo que não quisesse, o pensamento voltava sempre para ela.

Rick Castle estava apaixonado. Talvez pela segunda vez na vida. Era diferente. Não era um caso momentâneo de desejo, paixão e luxúria. Era um sentimento mais puro. Sabia exatamente quando isso acontecera.

Seu primeiro contato com Kate Beckett naquela festa de lançamento de seu livro fora uma surpresa, não necessariamente o momento que se deixou intrigar pela detetive. O clique acontecera na sala de interrogatório. A forma sagaz como ela o questionara simplesmente fizera Castle começar a flertar loucamente com a beldade a sua frente. Não que a comparasse com as modelos ou celebridades que estava acostumado a ter ao seu lado, quase a tiracolo. Beckett estava em outro nível. Não se resumia apenas à beleza. A intensidade daqueles olhos amendoados o conquistaram, a boca carnuda, a inteligência. Ali naquela sala, ela era a comandante e nada do que dissesse iria fazê-lo ganhar.

Ele queria conquista-la a partir daquele dia. Fez tudo o que estava ao seu alcance para tal. Chegou a se oferecer para ser apenas mais um na vida dela. Apesar de estar longe do que ele realmente desejava. Ele já admirava-a por sua forma de pensar, trabalhar e encarar algo tão difícil quanto a morte através de assassinatos. Aquele primeiro caso mostrara isso a ele. Kate dominou sua mente depois da primeira noite juntos. Castle entendeu o quanto seria difícil esquecê-la.

No dia que ela contou porque se tornara policial, Castle foi capaz de simpatizar com sua dor. Sendo criado apenas por sua mãe, podia entender a falta de um dos pais em sua vida, porém é diferente não conhecer um dos seus pais e perder um abruptamente ao longo do caminho. Em poucas palavras, Beckett o fez entender o quanto aquilo era importante, o quanto a impactou em cada decisão que tomara na vida. Apesar de brincar dizendo que sua personagem teria uma historia trágica, ele soube que estava perdido de admiração por Kate. O sentimento de desejo e paixão começava a migrar para algo mais concreto, mais forte, especial.

No meio daquele salão do 12th ele a viu atirar em Coonan para salvá-lo jogando fora a sua única chance em anos de reabrir a investigação da sua mãe, Castle a viu chorar compulsivamente. A tenacidade da mulher o comovera e Castle soubera que estava perdidamente apaixonado pela detetive.

Agora, Castle estava no meio de um dilema. Fazia tempo que não passava por isso. A desolação de um coração partido. Soa clichê para um cara tão metido a mulherengo e solteirão assumido, admitir que estava vivendo algo assim. Concordar em ir devagar, tudo bem. Entender seus motivos, sem problema.  Dar espaço para que se prepare a fim de admitir seus sentimentos, ótimo. Contudo, nem em um milhão de anos ele esperava essa apunhalada. Um encontro com outro homem, pior com alguém que ela sabia que ele detestara à primeira vista.

Ele precisava da distância. Estaria mentindo se dissesse que não iria demandar uma explicação de Kate. Logicamente, não bastava aceitar a provável desculpa para o ocorrido. Ao deparar-se com a decepção, ele se perguntava se outras estariam por vir. Era capaz de lidar com a rejeição? Trabalhar ao lado dela todos os dias sem sentir-se incomodado por não ser ele o responsável por um sorriso em seu rosto? Kate acabara por abrir um precedente para várias dúvidas em sua mente.

É claro que seus sentimentos não mudaram com relação à Kate Beckett. Era impossível se desapaixonar de alguém como ela. A grande questão era algum dia Kate sentiria o mesmo? Admitiria de livre e espontânea vontade o que ele significava para ela? Castle era paciente, optara por agir assim em respeito ao histórico e aos traumas que compunham a vida de Beckett. Mas, afinal, qual seria o limite? Quanto era o suficiente para se esperar por uma chance verdadeira?

Sua primeira escolha foi manter-se afastado até digerir tudo. Também entendia que as explicações de Kate não viriam até ele de imediato. Suspirou. Após uns minutos balançando ali naquela praça, ele ergueu-se do brinquedo e retornou ao loft.

Sua noite não melhorara. Jantara em silêncio, mal prestando atenção à conversa da filha. Para sua sorte, Alexis era uma menina esperta, conhecia seu pai o bastante para não insistir no problema que o afugentava. Os olhos não negavam a tristeza estampada neles. 

Castle ainda permaneceu sentado na sala com uma taça de vinho nas mãos. Não tinha ânimo para voltar a escrever. As três paginas escritas mais cedo o exauriram de forças para usar sua imaginação. Perambulou pela casa até ser vencido pelo cansaço. Não pretendia dormir, mas o stress do dia o derrubou até ser interrompido por um barulho estranho que findou sendo a campainha revelando uma surpresa às duas da manhã. Atrás da porta estava Kate literalmente confusa, alerta e reparou, ferida.


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Castle afastou-se para dar passagem a ela. Seguiu para a cozinha onde guardava uma pequena caixa de primeiros socorros embaixo do balcão. Kate mantinha a cabeça baixa, as mãos apoiadas nas coxas com a palma para cima mostrando a queimadura na região do pulso direito. A área estava bem vermelha. Sentou-se ao lado dela.

Gentilmente pegou sua mão apoiando-a em sua coxa. Com uma gaze úmida, ele refrescava a região para tirar um pouco do calor da pele.

- Como isso aconteceu?

- Eu fui fazer um café para mim. Quando foi a vez do leite, eu fiz besteira e me queimei. Aquela máquina me odeia. Nunca sei como ela funciona.

- Incrível. Uma detetive que manuseia armas como ninguém é capaz de se queimar com leite vaporizado. Não é tão difícil, você apenas não está acostumada com o funcionamento dela. Afinal, sou sempre eu quem lhe serve o café. Pode aprender se quiser – Castle não olhava para ela, apesar de incomodado pelo momento estranho, estava concentrado em terminar de cuidar do machucado. Pegou uma pomada especialmente para queimaduras e espalhou suavemente no braço de Kate. Ela o observava atentamente. Sua dedicação em cuidar dela tornava ainda mais difícil o momento – pronto. Deixe a pele respirar um pouco o medicamento. Não cubra.

Ele se afastou para fita-la, notou que estava com as mesmas roupas de hoje de manhã até ali não tinha percebido. Talvez por conta do sono ou do instinto de primeiramente cuidar dela. A verdade era que a presença dela em seu loft naquela hora da madrugada era tão impensável que somente agora ele começava a raciocinar sobre o que tudo aquilo significava.   

- Você não foi para casa? Estava trabalhando...

- Eu perdi a noção do tempo analisando o caso. Senti falta do café e... eu não sabia que era tão tarde até você dizer. Como foi sua reunião com a editora? – ela perguntou fitando-o pela primeira vez desde que entrara na sala.

- Nós dois sabemos que não havia reunião. Aliás, nós dois sabemos que você não veio até o meu apartamento na madrugada para saber de meus compromissos literários. Por que está aqui, Kate?   

- Eu... você não me deixou explicar. Eu preciso dizer a você o que aconteceu, porque eu errei. Castle, eu te magoei. Posso ver em seus olhos, odeio ser a pessoa que colocou essa tristeza em seu olhar. Minha culpa. Não espero que você entenda, somente preciso me explicar – droga, ela estava se repetindo. Foco, conte de uma vez o que quer, Kate. Brigava mentalmente consigo mesma - Sou uma pessoa complicada, cheia de problemas. Confusa e burra. Sim, o que eu fiz foi idiota, uma decisão estúpida. Eu estava tentando entender o que nós tínhamos e pensei que se saísse com ele, isso fosse me ajudar a compreender o que acontecia com a gente. Não sai para beber com Josh, não foi um encontro, foi um teste. Era só um café.

- Só café? Você tem coragem de me dizer que foi somente café? Eu achei que um momento, tomar um café, fosse nosso momento especial. Aparentemente eu estava errado.

- Não! Você está certo, era nosso momento especial. Ainda é. Por isso digo que errei. Quando eu o vi falando mal de você na minha frente soube que era errado.

- É óbvio que é errado, porque você precisaria sair com um cara metido como aquele para entender o que você quer? De todos os caras você foi escolher logo o médico almofadinha? Sabe o que tem sido essas duas semanas, Kate? Acha que é fácil simplesmente estar ao seu lado vendo todo o tipo de homem jogar cantadas para você, se insinuarem das maneiras mais vulgares? Entende o que é vê-la agir tão sensualmente, respondendo a esses estímulos?

Ele afastou-se um pouco mais dela, passava as mãos nos cabelos nervosamente. Começara e precisava terminar, devia a verdade a ela.

- Você me expulsou da sua vida por meses apenas por deduzir que eu havia dormido com a minha ex-mulher. Não me escutou e saiu acusando a minha pessoa das piores coisas. Você e sua mente paranoica destruíram algo bom que estava acontecendo. Eu aceitei suas desculpas e concordei em seguir no seu ritmo. Então, recebo essa apunhalada nas costas. Como você acha que me sinto? Acha que estou sendo exigente demais, não? Afinal, você nem sabe o que temos!

Ele elevara a voz na última frase. Caminhava pela sala tentando não estourar de vez na frente dela. Levava a mão no rosto esfregando-o. Respirou fundo e continuou. 

- Deve estar pensando quem é ele para falar de encontros ou exigir exclusividade? O meu problema é esse. Não posso ficar calado. Não existe relacionamento de dois pesos, duas medidas. Não comigo. Não tenho sangue de barata, Kate. Não sou um brinquedinho ou um cachorrinho que a segue e abana o rabo como se tudo o que você fizesse fosse aceitável ou lindo. Eu não sou essa pessoa e se pensa assim, você não me conhece mesmo.

- Não, Castle. Eu não acho que você é um bobo ou alguém que aceite tudo. Você tem sentimentos, eu o feri de uma maneira inaceitável. Isso é o que eu faço com as pessoas que se aproximam de mim, que se importam comigo porque eu sou uma fraude quando se fala em relacionamentos, eu afasto as pessoas de mim. Sinto que algo se quebrou dentro de mim desde aquele janeiro – ela calou-se por um tempo. Lutava com as lágrimas que faziam seus olhos arderem. Suspirando, continuou.

- Após a confusão dos Hamptons, eu quis olhar o que estava acontecendo entre nós de forma diferente. Eu não sei definir o que temos, amizade, respeito, parceria, sim. Consigo ver tudo isso claramente. Eu confio em você, Castle a ponto de entregar minha vida a você como já fiz várias vezes. Agora dói porque traí essa confiança. Eu não lido bem com sentimentos, Castle. Foi assim desde que minha mãe morreu. Pode perguntar a quem quiser. Não tenho relacionamentos. Eu sou péssima neles.

Kate se levantou do sofá. Ainda insegura se devia tentar uma aproximação, caminhou até onde Castle estava. Pegou uma das mãos nas suas.

- Foi assim que eu errei. Queria entender o que você era para mim. Quis descobrir da pior maneira, na minha mente se eu tivesse uma comparação, uma outra pessoa, eu conseguia analisar a situação. Só que meu relacionamento com você não é um caso onde eu elenco as evidências e descarto suspeitos para chegar ao motivo e ao culpado. Não é racional. Como explicar racionalmente um toque, um sorriso, um olhar? Sequer tenho palavras para descrevê-los – as lágrimas rolavam – é louco, ilógico e eu não consigo entender. É tão difícil...

Castle observava a luta homérica que Kate travava entre sua mente e seu coração bem a sua frente. Analítica, insegura e medrosa, era incapaz de admitir de uma vez que estava apaixonada. Falava de reações, de sentimentos usando experiências passadas, antigas feridas que em nada a ajudariam naquele momento. Por que era tão teimosa? Mas Castle não estava pronto para ceder por mais que vê-la nesse estado, arriscando um diálogo, era um primeiro passo, sabia não ser suficiente. Ela precisava se entregar.

- Castle, você foi a primeira pessoa que me alcançou depois de anos. Conseguiu penetrar na minha mente, eu nunca falo da minha vida e da minha mãe com ninguém. Eu confio em você. Gosto da nossa parceria. Ter você ao meu lado é muito importante para mim. Eu me acostumei a você, a tê-lo investigando e teorizando comigo. Será que pode me perdoar? Será que podemos voltar a trabalhar juntos? Diga-me que não é tarde, se não podemos ter um relacionamento, posso ao menos ter meu parceiro de volta?

- Kate, você não precisa de mim para investigar casos. Quer seriamente que volte a te seguir como se nada tivesse acontecido? Como se eu não fosse ficar exposto a novas cenas de flertes e cantadas idiotas? Não se trata somente de perdoar. Eu estou triste e magoado, mas sou capaz de perdoar, já perdoei. Esquecer? Isso vai levar um tempo. Já disse antes, você não precisa de mim, acho que nunca precisou.

- Não. Você tem razão. Eu poderia seguir sozinha. Faço isso há anos. Eu simplesmente não quero. Castle, eu não desisto. Não posso deixar que o medo e o passado ganhem novamente. Dói demais vê-lo assim, não é fácil olhar em seus olhos e enxergar a nuvem negra, saber que eu sou a responsável por coloca-la ali. Não quero voltar para toca do coelho, não quero me perder no abismo. Se eu desistir agora... – ela virou-se de costas para Castle, ele pode perceber que ela tremia lutando para segurar o choro, se recompor para apenas terminar o que queria dizer. Fitando-o novamente, ela engoliu em seco – se não por mim, fique pela história, Rick.

Ela nunca o chamava pelo primeiro nome. Aquilo trouxe um fio de esperança ao seu coração. Kate Beckett era uma mulher complicada e do seu jeito insanamente racional, se é que o termo existia, ela estava pedindo sua ajuda, sua companhia para não afundar. Se fosse concordar com isso, seria do seu jeito.

Antes que pudesse deixar claro o seu ponto de vista, ele notou que a distância entre eles era mínima. Kate tocava o seu braço, fazendo pequenos círculos com a ponta do polegar, seus olhos numa rendição imploravam silenciosos por uma resposta. Ficaram longos segundos assim, um tempo quase insuportável para ambos. Então, Kate arriscou-se inclinando o corpo em busca dos seus lábios.

Castle precisou de todas as forças humanas para resistir a um beijo de Kate, afastando-a e virando o rosto. Um breve sussurro escapou-lhe dos lábios consciente de que o efeito seria como uma facada no coração da mulher a sua frente.

- Não...

Ele viu as lágrimas caírem e as reações que uma palavra de três letras causara a ela. O coração dela batia descompassado no peito, quase saindo pela boca. Quando a mão dela deslizou afastando-se, evitando o toque, ele segurou o pulso dela.

- Se você quer minha ajuda nos casos, não é assim que vai funcionar. Não será através de sedução, Kate. Isso não funcionará mais para mim. Não considero essa uma boa hora para tomar esse tipo de decisão. Estamos ambos de cabeça quente e com os piores dos sentimentos guiando nossas palavras. Eu...eu preciso de tempo para pensar. Sabe, nem tudo é sobre você ou para você, Beckett.

As palavras dele pareciam pedaços de vidro perfurando-lhe a pele. Definitivamente, ela o machucara mais do que supunha. Nunca vira Castle falando assim. Ele acabara de dar um ponto final a nossa conversa de hoje. Era a deixa para que Kate fosse embora. O que ela não sabia era o quanto dizer aquelas palavras custaram para o homem a sua frente, agora envolto na penumbra esforçando-se a fim de que ela não visse seu rosto. 

Ele tinha o mesmo olhar sério de antes, quase frio. Kate se dirigiu à porta. Não havia mais nada a dizer. Ao ouvir a maçaneta da porta se abrir, Castle virou-se para observa-la. Ela girou a maçaneta e como magnetismo os olhos se encontraram. Kate vislumbrou uma última vez a imagem do homem a sua frente, tão destruído emocionalmente quanto ela, contudo ainda conseguia visualizar ternura em sua expressão apesar de todo o sofrimento que o causara. Castle não merecia isso.

- Você sabe onde me encontrar se... – mordeu os lábios tentando controlar a emoção – se tiver uma resposta... – droga! Ele a ouviu sussurrando – por favor, não me deixe sem resposta. Mesmo que seja para dizer que não quer me ver nunca mais na sua frente. Boa noite, Castle...

Sem olhar para trás, fechou a porta e desceu as escadas correndo. Não queria ficar mais um segundo sequer naquele corredor, tão perto da dor que causara, tão vulnerável ao homem que virara sua vida de cabeça para baixo.

Às quatro da manhã, tudo que Castle precisava era um copo de whisky puro para digerir a avalanche que se passara naquela sala. Não sabia a extensão do dano que causara a Kate. Podia ser para o bem ou para o mal. Somente o tempo iria responder sua pergunta. Ele ouvira sua proposta, vira o desespero em seu olhar. Não podia negar que ela fora sincera. Castle já tinha a resposta para a detetive. Se Kate gostava de ter o peso do mundo em seus ombros, acabara de ganhar mais um. Poderia parecer cruel, mas não era essa a intenção dele. O simples fato dela querer sua companhia demonstrava que realmente não desistira. Deveria dar tempo para ela avaliar se sua proposta era o melhor caminho ou se cederia ao verdadeiro motivo porque aparecera ali de madrugada.

Kate precisava de um choque de realidade. Ele precisava da paixão dela. Seria capaz de se submeter aos momentos estranhos sem ser completamente afetado por eles? Tarefa difícil, porém Castle sabia usar a irritação, o humor e o sarcasmo a seu favor.  Enquanto não compreendesse sua capacidade de ser feliz, não haveria evolução. Seja qual fosse a reação escolhida pela detetive, ele estaria ao lado dela para descobrir se suas palavras surtiriam o efeito como gostaria.                    


XXXXXXXXXXXXXX


Cambaleando pela rua, Kate seguia até seu carro. Faltava-lhe forças. Castle fora muito duro com ela, mais do que podia imaginar. Ela merecera não havia dúvidas. O estomago embrulhava, teve que correr até a lixeira mais próxima. Colocara para fora todo o conteúdo do estomago, pura bile. Não se alimentava há horas. Com dificuldade chegou até o seu carro.

Sentada em frente ao volante, se permitiu chorar de verdade, sem reservas ou vergonha. Livre, queria eliminar parte da dor que rasgava-lhe o peito. Não sabia ao certo quanto tempo passara ali dentro do carro. Os primeiros raios da manhã iluminavam o ambiente. Ela esfregou os olhos e ligou o carro. Precisava esticar o corpo na cama.

Dormir não era uma opção no seu estado. Deveria, mas não conseguiria. Pelo menos não precisaria estar na delegacia tão cedo. Entrou em seu apartamento, largou o casaco e a bolsa no sofá e jogou-se na cama. Exausta. O cansaço físico não era tão ruim, o psicológico era o pior. Kate sentia-se sem ânimo. Era um misto de sentimentos incoerentes. Raiva e admiração, irritação e frieza, alegria e tristeza, desejo e... por que Castle a rejeitara?

Tudo bem, ele não fizera isso ainda. Deixara em aberto.

A quem estava enganando? Ela enterrou a cabeça no travesseiro. Ele rejeitou seu contato, seu toque, seu beijo. Se um simples encontro com o médico o fizera desaparecer do distrito, o que a fazia acreditar que ele voltaria a trabalhar ao seu lado? Por quanto tempo Castle iria tortura-la?

Ela bolava na cama sem conseguir dormir. Muito preocupada com o que aconteceria a seguir. Levantou-se indo para a cozinha preparar um café. Escreveu uma mensagem para Esposito avisando que não iria para o distrito até à tarde. Elencou as tarefas que deveriam executar e agradeceu ao amigo. Em seguida, preferiu escrever uma mensagem para Dana perguntando se estava disponível para conversar. Era melhor que ligar e soar desesperada.    

Tentara resolver as coisas sozinha, obviamente não tivera sucesso. Kate sentia-se péssima. Queria muito acabar com a sensação ruim que a perseguia. Queria conversar, desabafar. Forçou seu estomago a comer um pouco de cereal e banana. No banheiro, lavou o rosto e percebeu que o local da queimadura tinha bolhas, pequenas, mas era necessário cuidado. Fez a melhor higienização durante o banho. Não tinha pomadas ou anticépticos ideais para os ferimentos em casa. Passaria em uma farmácia a caminho do distrito.

Frustrada, ela colocou o celular no bolso sem nenhuma resposta de Dana e saiu. Após passar na farmácia, recebendo um tratamento correto para a queimadura. Soube que Castle havia feito um bom trabalho na noite anterior. Devidamente orientada e medicada, ela seguiu para o 12th.  

O caso em andamento estava longe de ser concluído. A concentração de Beckett era zero. O cansaço ultrapassava os limites de seu corpo, mas não se rendia tomando o máximo de café possível para se manter acordada. Kate travava uma batalha pessoal com o celular. Checava-o a cada dez minutos esperando uma resposta de Dana ou de Castle. A espera era torturante.

Os rapazes sabiam que havia algo errado com a detetive, provavelmente envolvia o escritor, mas aprenderam a lição da última vez e não seria loucos de perguntar sobre Castle para ela. Ryan sugeriu que falassem com Montgomery depois de insistir muito para que ela parasse com as doses de café e comesse ao menos uns donuts. Beckett conseguiu engolir dois deles.

Ryan não precisou insistir. O próprio capitão chamou-a em sua sala para repreendê-la e manda-la para casa. Concedera a ela um dia de folga. Chateada por se deixar afetar tanto pessoalmente, Beckett saiu bufando do distrito. Optou por ir direto para casa. Porém, após meia hora dividindo sua atenção entre o teto e celular, ela decidiu sair para uma caminhada. A um quarteirão de seu apartamento, havia uma confeitaria com doces maravilhosos. Açúcar, era disso que precisava.

Kate comprou bomba de chocolate, torta de morango e biscoitos de manteiga de amendoim. Para beber, seu latte preferido. Sentada em uma das mesas da confeitaria, ela se lambuzava com os doces. Era um momento para extravasar. Precisava disso. Antes de deixar o local, comprou um pote de sorvete. Seguiu para o parque. Escolheu um banco de frente para a estátua de Alice no Central Park. Sem cerimônia, abriu o pote e meteu a colher cheia na boca.

Sabia que sorvete não resolveria seus problemas ou acabaria com a dor, mas amenizava o que já era um avanço. Kate observava as pessoas que transitavam pelo parque ao cair da tarde. Mães e filhos retornando da escola, jovens com seus fones de ouvido alheios ao mundo ao seu redor, executivos apressados rumo à estação do metro. O bom e velho ritmo novaiorquino. No banco a sua frente, um casal de namorados trocava caricias e beijos, estavam apaixonados. Dividiam um copo de limonada e comiam cachorros quentes. A cena a deprimiu. Resignada, ela seguiu para seu apartamento.

Kate foi vencida pelo cansaço assim que saiu do banho. Estirou-se na cama e adormeceu de imediato.

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Castle tivera um dia péssimo também. Dormira no máximo três horas e as doses de whisky na madrugada o deixaram ressaqueado. Levantara às sete a tempo de tomar café com a filha. Alexis sabia que o pai estava com problemas.

- Está com a cara péssima. Não dormiu direito?

- Acabei distraído pelo livro, fui dormir quase cinco da manhã.

- Eu estou vendo pela sua cara. Melhor dobrar a dose do café se for para o distrito com a detetive Beckett ou pode voltar para a cama, o que lhe faria um bem tremendo.

- Não vou para o distrito hoje. Tenho um prazo estourando com Gina.

- Isso explica o viradão da escrita. Pai... alguém veio aqui ontem, tipo tarde da noite? – ela olhava desconfiada para o pai.

- Não, por que pergunta?

- Achei ter ouvido a campainha e depois vozes. Será que sonhei?

- Provavelmente sim. Como disse, estava no escritório perdido em letras. Ninguém esteve aqui. Melhor se apressar ou vai chegar atrasada na escola – Alexis se levantou vendo o pai encher novamente a caneca com café.

- Não tome demais café e coma alguma coisa – ao seu lado beijou-lhe a bochecha – umas horas de sono também fariam bem. Não vai conseguir escrever as aventuras de Nikki cansado. Tem certeza que está bem?

- Sim, Alexis. Estou bem. Vá para a escola. Divirta-se! A vida não é só estudar... – isso arrancou um sorriso de Alexis confortando-a um pouco por deixar o pai sozinho.

Assim que a filha saiu, Castle entornou o resto do liquido, mordiscou um pedaço de torrada francesa deixado por Alexis. Decidiu tomar uma ducha para espantar o sono. Estava incomodado com a falta de ligações no celular, só então percebeu que estava sem bateria. Conectou o cabo e rumou para o banheiro.

Após um longo banho, Castle vestiu uma calça de moleton e uma camiseta. Não pretendia sair de casa naquele dia. Não mentira totalmente para a filha. Tinha um prazo, queria continuar com o trabalho no livro. Ao checar o celular, não ficou surpreso ao ver três ligações perdidas de Gina. Nenhuma de Kate. Óbvio, não? Ele era quem devia procura-la. Nada de pensar nela hoje. Sentou-se na sua cadeira e começou a rever o que escrevera no dia anterior.

A cena construída no momento de raiva estava muito bem trabalhada. Mesmo sabendo que fora uma explosão de sentimentos ruins, Castle não poderia descarta-la. Talvez não coubesse no contexto desse livro, mas ele guardaria aquelas páginas porque tinha certeza que o usaria em um momento oportuno.

Ao voltar para o seu texto original, o dia desandou. Não conseguia transformar as ideias em palavras coerentes. Tão logo escrevia uma frase, seu dedo indicador pressionava a tecla backspace. A cabeça latejava. Voltou à cozinha e tomou dois analgésicos. Retornou ao escritório. Por alguns momentos, apenas fechou os olhos escorado em sua cadeira esperando que o remédio fizesse efeito. Meia hora depois, estava melhor, a dor já não incomodava tanto, porém nada mudara. Quatro horas se passaram e nenhuma página havia sido escrita.

Frustrado, Castle levantou-se em busca de café. Ao ficar de frente para a máquina, não pode evitar o pensamento em Kate. Primeiramente se perguntava se ela cuidara da queimadura que poderia criar bolhas a qualquer momento. Como não conseguia fazer um café expresso? A preocupação voltou-se para a conversa da madrugada. Por mais que não quisesse, era mais forte que ele. Será que estava bem? Duvidava. Podia apostar que enfiara a cabeça no trabalho para fugir do problema que tinha ocupando sua mente.

Castle não cederia. Ela precisava aprender a lidar com os sentimentos. Se de fato o quisesse de volta a sua vida, teria que ser paciente. Desistiu de escrever indo deitar-se por uns instantes. Dormiu pelo menos quatro horas. Despertou com o barulho oriundo da cozinha. Instintivamente, checou o celular. Mais ligações de Gina. Conformado por não poder evita-la, retornou a ligação.

- Finalmente, Rick! Onde você estava? Entretido o bastante com sua detetive que não podia sequer atender ao telefone?

- Gina, eu não estou com paciência para joguinhos ou brincadeiras. Se está ligando para me cobrar os cinco capítulos adicionais do livro, não os tenho. Consegui escrever apenas dois e não foi por falta de tentativa.

- Sabe, Rick, às vezes você poderia me contar a verdade. Doeria menos. Não seria mais fácil dizer que passou os dias trabalhando em casos interessantes com sua detetive do que fingir que estava escrevendo?

- Porque não acredita em mim? Não estou no distrito, passei a tarde tentando escrever. Pergunte a Alexis. Afinal, vai estender meu prazo?

- Tenho outra alternativa? Semana que vem. Esse não era o único motivo das minhas ligações. Paula entrou em contato comigo ontem sobre o filme de Nikki Heat. Ela tem os nomes de algumas atrizes pré-selecionadas para o papel. Quer agendar uma reunião com você na próxima semana. Disse que a editora seria o melhor lugar para discutirmos e enviará a lista para sua apreciação e análise prévia. Congele sua agenda para quarta à tarde.

- Tudo bem, Gina. Farei isso, obrigado.

Na cozinha, Alexis estava fazendo umas tortinhas com morango e chocolate. Apesar do pai não comentar, sabia que estava precisando de um mimo. A calda de chocolate cheirava, havia espetinhos com marshmallows prontos para serem mergulhados naquela gostosura.         

- O que está aprontando?

- Gordices. Quer um espetinho de marshmallows com calda quente de chocolate meio-amargo?

- É tentador. Vou aceitar – mergulhou o doce na panela melando até os dedos de chocolate. Ao provar, suspirou – está bom mesmo. Isso está delicioso – devorou o primeiro espeto rapidamente e já pegou o segundo, repetindo a operação se lambuzando de chocolate – sabe, eu estou desejando um hambúrguer bem suculento com bastante queijo e bacon. O que me diz de sairmos para comer, Alexis? Com direito a uma super taça de sorvete no Serendipidy depois?

- Alguma ocasião especial?

- Não, apenas a necessidade de confortar o corpo e alma com guloseimas na companhia da minha filha.

- Sei que o motivo é outro, mas não vou insistir. Somente um louco diria não a uma taça de sorvete da Serendipidy.

A saída com a filha e a refeição ajudaram Castle a manter os pensamentos longe de Kate por algumas horas. A terapia clássica de qualquer rompimento: comida gordurosa e doce.

No dia seguinte, Kate foi obrigada a cumprir a ordem de seu superior. Nada de aparecer no distrito. Ponderou sobre o que deveria fazer para passar seu tempo. Sem melhor alternativa, vestiu uma malha e decidiu correr. Ela se exercitou por cerca de duas horas entre corrida e alongamentos. Após hidratar-se, ela parou numa Starbucks próximo ao parque. Após tomar o café, pediu um muffin de blueberries para saciar a fome. Enquanto comia, seu telefone vibrou. Dana. Apesar disso, a mensagem não era muito promissora.  

A terapeuta dizia que estava ocupada em um congresso, mas entraria em contato com Kate até o fim da tarde. A simples mensagem servira para deixa-la ansiosa. De repente, todas as sensações estranhas de perda e dor a atingiram. Ela precisou de um minuto de olhos fechados para se recompor. Baixou a cabeça na mesa respirando profundamente por várias vezes.

Por que ele não ligara? Dois dias. Nem um sinal de Castle. A espera estava matando-a. Em sua mente, formulava as piores ideias. A cada minuto que passava, a resposta dele lhe parecia mais e mais negativa. Se seus medos se confirmassem, Dana ia ter muito mais trabalho com ela.

Kate voltou para casa apenas para tomar um banho e trocar de roupa. Ficar sozinha entre quatro paredes era muito deprimente, isso só a deixava com pensamentos mórbidos e estranhos. Não tinha realmente um lugar para ir, optou por perambular pelas ruas da cidade. Qualquer coisa que ocupasse sua mente e não a fizesse pensar em Castle.

Por volta das cinco da tarde, quando Kate decidiu comer alguma coisa mais consistente entrando em um restaurante árabe, seu celular tocou. Ela deu um pulo pelo susto. Instintivamente a primeira pessoa que pensou foi Castle, sentiu o coração palpitar, porém o nome no visor acabou provocando uma sensação agridoce. Era Dana.

- Oi, Dana.

- Kate, pelo seu tom de voz perguntar se está tudo bem seria abusar de sua paciência, não? – pode ouvir um riso triste do outro lado da linha – desculpe por retornar apenas agora e sinto dizer que não tenho muito tempo. Há algo que possa fazer por você ainda ou cheguei tarde demais?

- Talvez um pouco dos dois. Eu tentei resolver sozinha um problema que causei. Uma verdadeira pisada de bola. Acho que acabei piorando tudo. Fui colocada para escanteio. Estou me sentindo meio que no limbo, quase o purgatório entre o céu e o inferno.

- A julgar por suas palavras, a gravidade é tanta que acionou sua veia poética. Dante Aliglieri? Cheguei mesmo tarde?

- Não, você chegará no momento de juntar os pedaços, os cacos. Eu estraguei tudo, Dana. Com Castle. Dessa vez, temo ser definitivo. Se você conhecer alguém que precise estragar um relacionamento, ofereça meus serviços. Satisfação garantida.

- Kate não fale assim. Não deve ser tão ruim. Você teve outro ataque de ciúmes?

- Não. Eu saí com alguém.

- O que? Você teve um encontro e não foi com Castle? – isso era grave e surpreendente, pensou Dana.  

- Eu disse que era grave, mas para sua informação, não foi um encontro. Foi apenas um café.

- E piora a cada minuto.

- Hey! Eu liguei porque quero que me ajude não que me afunde ainda mais!

- Kate, você definitivamente não torna meu trabalho fácil, não mesmo. Escute, eu preciso voltar para a conferência com a China. Estarei de volta à Nova York somente ao final da semana que vem, para ser honesta eu pretendia passar o sábado aqui em Boston, mas diante desses acontecimentos, voltarei na quinta-feira à noite. Agende uma consulta para a primeira hora da sexta.

- Tudo isso? É mais de uma semana! Hoje ainda é quarta. 

- É o que posso fazer. Sinto muito. E Kate? Se Castle a procurar novamente, faça um favor a nós duas. Não fale nada que não venha diretamente do seu coração. Se tentar se justificar, pare. O silêncio muitas vezes é a melhor resposta.

- É, tenho descoberto isso da pior maneira possível. Obrigada.


XXXXXXXXX


Outro dia se passou. Pelo menos ele conseguira escrever um capítulo. Era uma vitória. Conformado que sua imaginação e concentração estavam comprometidas, decidiu dar uma atenção à lista de atrizes que Paula o enviara. Castle torceu o nariz para a maioria dos nomes. Nenhuma delas combinava com Kate Beckett. Eram atrizes medianas e não conseguia imagina-las no papel da detetive. De todas da lista, a pior era Natalie Rhodes. O problema? Ela era a primeira na lista do roteirista e do diretor. Convencê-los a não usa-la seria uma briga boa e difícil.  

Sentou-se no sofá com dois filmes de terror protagonizados por ela, se tinha que opinar, melhor ter argumentos para isso. Ao assistir os trabalhos de Natalie, ele tentava imagina-la na pele da policial, o que se revelou algo quase impossível. Por conta disso, mal prestara atenção nas cenas da atriz. Ninguém segurava uma arma como Beckett, o jeito de andar, a pose. Percebendo que estava perdendo o foco, desligou a televisão. Antes de deitar, Castle voltou seus pensamentos para Kate, muito por estar influenciado pela avaliação que fazia. Foram dois dias sem qualquer contato, dias que pareciam uma eternidade.  

Ainda não era o momento de contata-la.

Beckett voltara para o distrito na quinta. Sua aparência estava um pouco melhor embora por dentro continuasse em frangalhos. Esposito e Ryan trabalhavam em um novo homicídio. Rapidamente a atualizaram. Independente do que acontecera entre ela e Castle, o capitão os orientara para que a mantivesse ocupada. Mantinha distância da máquina de café, sua queimadura já estava bem melhor. Começava a secar e clarear. Ryan, ciente de que a cafeína era um dos elementos que a fazia sentir-se bem e alerta, preparou várias canecas ao longo do dia para a amiga.


Sexta-feira


O expediente do 12th distrito estava encerrando-se por volta das seis da tarde. Beckett já preocupada com a possibilidade de passar um fim de semana complicado encarando a solidão, se ofereceu para ficar de plantão na delegacia. Na sua concepção, quanto mais estivesse ocupada, menos pensaria em Castle. Montgomery já conhecendo o perfil de sua detetive, recusou a proposta. Beckett tentou insistir, sem sucesso.

- Detetive, eu não vou falar novamente. Não quero vê-la nesse distrito até segunda-feira pela manhã. Isso é uma ordem. Fui claro?                   

- Sim, senhor.

- Descanse, durma, vá a uma festa, leia um livro... faça qualquer coisa menos trabalho.

Suspirando, Beckett se dirigiu a sua mesa, pegou sua jaqueta, seu celular e dirigiu-se ao elevador. Uma noite e dois longos dias para se ocupar. Seria difícil preencher tanto tempo assim, difícil manter o pensamento longe de Castle. Em um impulso, ela decidiu que precisava estar em um lugar bem barulhento. Que melhor lugar em Nova York que a Times Square? Deixou o carro em casa e pegou o metrô direto para a estação da 42nd.

Ao sair pela porta da estação, Beckett se deparou com um mundo de luzes, uma explosão de colorido, pessoas fantasiadas das personagens mais inusitadas possíveis e muito, muito barulho. O cheiro dos pretzels e cachorros quentes de rua impregnavam suas narinas. Observando os letreiros luminosos, Kate caminhava no meio do mar de gente.

Em poucos metros, recebera tantos panfletos de peças da Broadway que estava sinceramente pensando em escolher um musical para passar o tempo. Não, seu humor não estava bom para enfrentar uma noite sozinha no teatro. De repente, no painel luminoso da ABC, uma foto de Castle e a capa de seu Naked Heat inundaram a tela convidando as pessoas para adquirirem uma cópia.

- Ótimo, justamente quando estou tentando esquecer... Rick Castle aparece.   

Ao cruzar uma das ruas, ela se deparou com uma casa de pizza. Uma tradicional rede de fastfood italiana. O que podia ser melhor que um belo pedaço de pizza para esquecer os problemas?

Kate entrou no local apinhado de famílias barulhentas. Escolheu uma fatia generosa e gordurosa com bastante queijo e pepperoni. Uma taça de vinho e deliciou-se com a refeição. Ao terminar, ela continuou a rondar pelas calçadas. Lojas apinhadas de objetos que agradariam qualquer turista para levar uma lembrança da cidade intitulada “Big Apple”. De frente para uma vitrine, não pode deixar de notar a infinidade de mercadorias dos Yankees. Isso a remeteu àquela noite maravilhosa no estádio onde ensinara, ou melhor, tentara fazer Castle rebater uma bola. O baseball era um das ligações mais preciosas que Kate tinha com o pai e naquela noite, compartilhara um pouco disso com Castle. 

Aquilo a deixou triste de repente, durante duas horas tinha conseguido se manter positiva e sem pensar no escritor. Os sinais não pararam por ai. Na próxima loja, havia inúmeros produtos da NYPD. Camisetas oficiais, bonés, chaveiros, canecas. Observando uma camisa azul na vitrine, ela imaginou que Castle iria adorar ter uma dessas. Era bem a cara dele.

Instintivamente, ela passou a mão nos cabelos. Nervosa por estar trazendo Castle de volta aos seus pensamentos. Sinal de que o passeio já não estava cumprindo seu propósito. Desceu as escadas do metro e seguiu para seu apartamento.

Deitada em sua cama após uma taça de vinho, Kate não evitava o pensamento no escritor. Estava com saudade de ouvir suas piadas, suas provocações, sua risada. Não ia entrar no mérito de falar de seu corpo, seu rosto e todas as outras coisas que provocavam sensações incríveis na pele dela. Um pequeno flashback, pedaços de memória compartilhada, desde um simples sanduiche até a cumplicidade em meio à mira de uma arma. Isso tinha que acabar. O melhor a fazer é dormir e acordar bem cedo para uma sessão pesada de malhação. Queria tirar todas as porcarias que colocara em seu corpo nos últimos dias.

Kate amanheceu na academia. Depois de ingerir um copo de suco verde, ela lutava no tatame com uma aluna. Depois, usando um saco de pancada, socou e chutou por meia hora. Satisfeita, ela se dirigiu até o parque e correu por mais cinco quilômetros. Retornou caminhando para casa, parando para sua dose de café matinal.

Após uma ducha, ela perambulava pelo apartamento pensando no que deveria fazer em seguida. Perambulava por seu pequeno espaço sem chegar a nenhuma conclusão. Deveria assistir um filme? Não... sentada nos degraus da escada, Kate apoiava o queixo nas mãos. Quando foi que ficara tão solitária? Quando sua vida se resumira a trabalho e livros? A vibração de seu celular sobre a mesa a assustou. Será que tinham um novo caso?

- Por favor, que seja um homicídio – pedia Beckett levantando-se da escada. Contudo, arregalou os olhos ao ver quem estava ligando. Castle. Imediatamente, as mãos congelaram sem saber como deveria atender aquela chamada. Nem percebera que prendera a respiração por segundos. Suspirando, mordeu o lábio antes de deslizar o dedo na tela. Era o momento da verdade.

- Beckett.

- Beckett, sou eu. Castle. Está trabalhando ou podemos terminar a nossa conversa daquele dia?

- Não, podemos conversar. Quer que eu vá ao seu loft?

- Pensei que seria melhor um território neutro. Quer anotar o endereço?

- Claro. É só dizer – ouviu as instruções de Castle anotando-as em um pequeno bloco de notas que mantinha sobre o balcão da cozinha – pronto. Anotado.

- Três da tarde?

- Tudo bem – disse checando o relógio, ainda teria umas quatro horas pela frente - Estarei lá – desligou o celular ainda pensando no que estava por acontecer. Sentando-se no sofá, Kate abraçou as pernas numa posição quase indefesa. De repente, sentia-se como uma garotinha perdida. Não, a sensação era bem parecida àquela que a rondara por meses após a morte de sua mãe, a de uma perda iminente.

Castle saiu de casa meia hora antes do combinado. Queria chegar primeiro. Sabia o que tinha para dizer. Esperava que conseguisse manter a coragem e o foco. A escolha do local do encontro fora inusitada mesmo para ele, até agora, Castle não sabia porque sugerira o parque Grand Hope. Talvez por ser um sábado contaria com muitas mães e crianças. Neutro. Assim nenhum deles tentaria fazer algo diferente do que devia acontecer ali. Não podia fraquejar.

Curiosamente, o parque estava quase deserto. Poucas crianças brincavam por ali. Sentado nos balanços, ele esperou por Kate. Fora exatamente ali que ela o encontrou. Vestia uma calça jeans, camiseta branca e jaqueta preta. Nada de saltos, usava tênis e seu caminhar não lembrava em nada o andar determinado da detetive de homicídios. Estava insegura e com medo.

Kate já achara a escolha do lugar diferente, mesmo considerando o lado excêntrico do escritor. Esperava um encontro em uma cafeteria ou lanchonete, mas um parque? Teve uma nova surpresa ao vê-lo sentado em um balanço. Era a primeira vez que vinha aquele parque, não o conhecia. Algo bem difícil para uma novaiorquina nata. Aproximou-se de onde ele estava, porém se deu um minuto para observa-lo.

Castle lhe pareceu cansado, percebia pelo jeito dos ombros, entretanto conservava o semblante que a cativara. Estava olhando para algo que não conseguia definir, os olhos azuis intensos. Temia a resposta que receberia em poucos minutos. Essa poderia ser a última vez que veria Rick Castle e Kate não tinha ideia de como seria receber um não e vê-lo sair completamente da sua vida. Aproximou-se dele sentando-se no balanço ao lado.

- Castle...

- Olá, Beckett. Você é pontual.

- Não conhecia esse lugar – ela disse dando uma geral na área ao seu redor.

- Conheci há pouco tempo também, em um momento bem parecido com esse. É um excelente lugar para refletir.

- É isso que faremos aqui hoje? Uma reflexão?

- Não. Estou aqui porque te devo uma resposta. Como está o machucado? A queimadura secou?

- Sim, está bem melhor – disse mostrando o pulso, o local queimado quase sarado – então, você pensou na minha proposta. Castle, eu não quero que os últimos acontecimentos tornem a nossa relação desconfortável e... – ele a cortou.

- Não, você realmente não gostaria de causar desconforto. Concordo – ela entendera o sarcasmo daquele comentário.

- O que estou tentando dizer é...

- Você vai retirar sua proposta antes de ouvir o que tenho para dizer, Beckett? – ele a olhava intensamente. Havia frieza naqueles olhos azuis.

- Não... – a resposta fora um sussurro.

- Quer que eu seja seu consultor, continue participando do dia a dia da NYPD.

- Consultor, não. Parceiro.

- O termo não importa, o mesmo não posso dizer das regras. Começamos erroneamente nossa relação profissional. Teremos que aparar arestas – Castle estava de frente para ela, o nível do olhar conectado. Ela engoliu em seco, decidindo ouvi-lo primeiro. 

- Posso ser seu consultor civil, continuar teorizando, ouvindo e contribuindo para as histórias, porém teremos regras. Você mesma disse, não sabe que relacionamento é esse. Realmente, você não parece entender. Nossa relação na NYPD será aquela que deveria ser desde o início. Não estarei todos os dias ao seu dispor, tenho outros compromissos. Serei seu parceiro, seu ajudante, o escritor que pesquisa para seus livros. Nós seguimos em frente, viramos a página, faremos justiça. Eu a apoiarei e protegerei sua retaguarda porque é isso que parceiros fazem.

Ele tinha o mesmo olhar sério daquela madrugada, quase frio. O azul escurecera e o semblante era grave.  

- Nada de beijos, toques, noites de sexo. Isso ficou no passado, Kate. Simplesmente porque não funciono assim. Tudo ou nada. É assim que Rick Castle encara um relacionamento. Não quero migalhas, não quero uma agenda. All-in, como no pôquer. Quando e se um dia você compreender seus sentimentos, pensar com seu coração e for sincera consigo mesma, talvez possamos voltar ao que os Hamptons significaram para nós. Essas são minhas condições. Pegar ou largar.

Ele estava dizendo sim, ao mesmo tempo esmagava cada pedacinho de seu coração com as palavras. Ele ainda estava magoado, continuaria por bastante tempo. Sua culpa. Castle tinha razão, não podia compreender o que acontecia entre os dois. Se deveria prezar pela amizade e a sinceridade teria que seguir o conselho de Dana. Optar pelo silêncio quando suas palavras não demonstrassem o que realmente estava sentindo. Somente então percebera que estava chorando. 

- Tudo ou nada. Entendi – sentia o chão escapar diante de seus pés, não sabia o quanto mais poderia ficar ali – e-eu... aceito suas condições, Castle. Seguir em frente. Fazer justiça. É mais do que eu podia esperar – passou as mãos pelos cabelos e enxugou as últimas lágrimas que marcavam seu rosto – Obrigada, nos vemos segunda?

- Segunda – Castle respondeu. Ela estava sofrendo, um pouco chocada com o que ouvira dele. Mesmo tocado e de coração apertado, era necessário fazer aquilo.

Ela erguera-se do balanço, fitou-o longamente antes de tomar distância caminhando em direção ao portão do parque, um arrepio percorreu todo o seu corpo. Kate virou-se para ele uma última vez. Arrumando os cabelos por trás das orelhas, despejou sobre o escritor o significado da culpa que carregara. Havia tristeza e sinceridade nos olhos amendoados.

- Tudo ou nada. Eu tenho uma coleção de erros que cometi ao longo da minha vida, esse é sem dúvida o pior deles. Se eu pudesse voltar atrás, apagar a besteira que fiz, eu faria. Daria meu sangue por isso, apenas para não carregar o fardo de ver a tristeza em seu rosto, Castle. Mas não posso. É impossível. Só me resta aceitar a culpa que é completamente minha e não fazer isso novamente. Pedir desculpas é um ato muito insignificante para isso. Tudo ou nada. Não me esquecerei disso.

Virou-se deixando o parque apressada. As mãos nos bolsos numa tentativa de dar sustentação ao corpo porque temia desmoronar completamente bem ali, ao lado dele.


Tudo ou nada. Ela precisava entender qual seu real sentimento por Castle. Não, talvez a questão seria admitir. Ele dissera quando ela estivesse pronta. Os próximos dias seriam decisivos para ela e Castle. O modo como se comportassem definiriam a linha tênue de relacionamento que custaria muito aos dois.


Continua...

8 comentários:

tatiana_greys anatomy disse...

Vc quer é esmagar meu coraçãozinho né. Isso n se faz!

cleotavares disse...

Nooossa! Castle pegou pesado. Mas, vamos vê se a Kate se decide, "tudo ou nada"? Tudo, não é Kate? Pelo amor, né querida, tu não vais deixar escapar, né? Só quero vê, esses dois sem se tocarem. haha

Jaque Sebastiao disse...

Ai quanto sofrimento meu Deus!!! 😭😭😭😭 mas você tá certa!! Kate precisa disso pra se decidir, não dá pra ficar a vida inteira em cima do muro esperando que Rick vá aceitar essa situação numa boa. Ele jogou as cartas na mesa agora é hora dela tomar coragem e correr atrás da felicidade!

Luciana Carvalho disse...

E agora Kate?? Rick tá certo, ela tava precisando de uma chacoalhada p perceber que n vive sem
esse homem maravilhoso e q leva ela ao céu em todos os sentidos!! kkkkkkkkkkkkkk
Sexo sem compromisso nunca acaba bem. Difícil n se envolver e agora ela vai sentir mais do q nunca, já q ele disse: "nada de beijo e sexo."
Confessa logo q está apaixonada por esse homem Kate, pois vai ser difícil ficar perto sem poder tocá-lo.
Ansiosa pelo próximo!!!

MarluLeles disse...

Li 3 capítulos, sei lá quantas mil palavra. E no fim meu coração está em frangalhos. Não sei se bato no Castle ou se parabenizo, não sei se dou na cara da Kate ou se amparo. Acho que vou bater na Escritora.

KAREN PLZ! Não aguento mais sofrer ;'(

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Por mais que doa vê-los assim, acho que o Castle está certinho. A Kate estava precisando de uma pressão pra se resolver! Tão fácil admitir, falar logo o que sente. Mas né, essa não seria Kate Beckett a complicada hahaha
Bora para o próximo!
Parabéns, adorei o capítulo!

Géssica Nascimento disse...

Tenso!!!
Mais concordo plenamente com o Castle!!!
Chega de ser o cachorrinho dela!
Adorei :)

Silma disse...

Muito tenso!!!!! Não gosto dos meus otps separados mas foi preciso,ela precisa aprender.😩