quinta-feira, 28 de maio de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.18


Nota da Autora: Ok, escrevi esse capítulo relampago! Sei que tem muita gente querendo sofrer, outras querendo me matar... de qualquer forma, a história continua! Por se tratar de uma fic AU, eu optei por mudar a ordem de alguns episódios. Nesse capítulo falo um pouco sobte o 3x12, os anteriores como 3x10 e principalmente o 3x11 ainda serão abordados. Só um pouco de paciência. 
Mais importante: não queiram bater na Kate... ela é brilhante, mas adora complicar as coisas! 

PS.: O proximo pode demorar um pouco...

Enjoy! 


Cap.18   
  

Segunda-feira


Castle estava em seu apartamento tomando café com a filha. Enquanto se arrumava naquela manhã, ele ponderava como deveria ser seu comportamento diante de Kate. Parte de suas ações permaneceriam, a forma como analisava os casos, o tratamento educado, o humor, isso deveria permanecer. Daria um tempo nas provocações, não havia espaço para tais. E o café... se isso era uma terapia de choque, nada de café para Beckett.

Não podia se enganar, essa nova fase ao lado dela iria ser bem difícil. Haveria momentos que teria vontade de toca-la, provoca-la, mas se conteria. Outras vezes gostaria de mima-la, servi-la ou alimenta-la, todos sabiam que Beckett muitas vezes esquecia de comer quando estava muito envolvida com um assassinato ou ao invés de comer saudavelmente, passava o dia a base de biscoitos, nozes, avelãs e nada de proteína. Policiar suas ações, manter-se afastado emocionalmente, fingir estar tranquilo com a situação. Reconhecia, não seria um passeio no parque.

Ele já estava de saída quando o celular tocou. Beckett. Provavelmente, recebera a informação de alguma cena do crime.

- Castle.

- Oi, sou eu. Temos um corpo. Quer anotar o endereço para me encontrar lá ou passo para te pegar?

- Eu vou encontra-la. Onde é a cena? – escutou as coordenadas e desligou. Era uma boa forma de começar a nova etapa.

Dez minutos depois de ter chegado à cena do crime, Beckett o avistou vindo em sua direção. Suspirou aliviada por vê-lo percebendo que estava bem. Então reparou na primeira mudança. Ele não trazia os copos de café, mordiscou o lábio, deveria ter previsto isso. Não podia voltar ao mesmo ritmo de antes. Era uma demonstração de que as coisas não eram permaneceriam iguais.  

Ele cumprimentou a todos já perguntando o que acontecera com a vítima. Ryan que sempre fora mais próximo do escritor, quis saber o motivo de seu sumiço na semana anterior. Castle respondeu profissionalmente.

- Tinha um prazo espirando.  Gina estava para me matar. Por mais que fuja muitas vezes, tem horas que o livro não se escreverá sozinho.

- É o terceiro livro da Nikki, não? Quer nos contar do que se trata? Qual o crime dessa vez?

- Vai ser um livro diferente, é tudo que posso dizer. Sem mais spoilers.

- Pessoal, vamos trabalhar? Tem um morto aqui – ela chamou-lhes a atenção receando que Castle acabasse por dizer algo que a faria sentir-se desconfortável na frente de seu time.

E com a mudança de foco, eles se ativeram aos dados do crime. Da forma como ele falara, até mesmo Beckett ficara curiosa para saber o que ele abordaria nesse livro, pensando se não usaria parte de suas últimas experiências nele. De volta ao distrito, eles se concentraram em montar o quadro de evidências. Mesmo trabalhando em time, era visível para Beckett que ainda não haviam encontrado seu ritmo. Castle evitava comentários irritantes, além das provocações. Tudo era estranho. Se a interação dos dois se transformasse em uma relação de trabalho comum, seu pedido teria sido em vão. Ao final do dia, ele se despediu sem maiores informações.

Beckett ainda permaneceu no distrito por mais duas horas, esperava um retorno de uma pista sobre um possível suspeito que Ryan e Esposito saíram para verificar. Aproveitou o momento para fazer um balanço de seu primeiro dia com a volta de Castle. Desconforto, talvez fosse uma boa palavra para defini-lo. Ambos pareciam estar pisando em ovos, ela bem mais que Castle. O escritor vestira uma armadura profissional que apesar de algumas brincadeiras, restringiam-se ao profissional.

Não combinava com eles. Soava errado. Durante todo o dia, ele não a serviu uma única vez de café. Voltaram bem mais que à estaca zero, alguns momentos ela se sentiu uma desconhecida para ele, como se fosse apenas mais uma detetive de homicídios e não sua musa. Que ironia! Ela que no início de seus trabalhos juntos ameaçou de quebrar as penas dele, agora sentia falta da atenção e do carinho que ele dispensava todos os dias amaciando seu ego.

Começar de novo. Esse não era o relacionamento que imaginara com Castle. Não queria a formalidade, o respeito exagerado, as respostas mecânicas. Queria seu escritor bobo e preferido de volta. Queria os sorrisos soltos, as alfinetadas. Sabia da dificuldade em acertar o passo entre eles, porém não pensara que a mudança a afetaria tanto. Castle estava deixando claro a repercussão de seu erro para os dois.

Kate Beckett entendeu o recado. Se esperava resgatar aqueles momentos leves, o sorriso de Castle e o jeito fácil de lidar com ela, cabia a detetive consertar seus erros. E levaria em consideração os avisos dele com referencia a isso. Sedução era um ingrediente perigoso. Precisava ponderar cada movimento, cada escolha. Ela sabia exatamente por onde começar.

Na manhã seguinte, Castle repetiu o gesto de chegar ao distrito sem trazer café. Ao longo do dia, eles discutiram teorias, fizeram interrogatórios e descartaram suspeitos. Através de uma análise de câmeras, Castle formulou uma teoria que acabou caindo nas graças de Beckett que ordenou a checagem do sujeito. Com sorte, poderiam detê-lo logo pela manhã.

- É você não perdeu sua imaginação, mas dessa vez a ideia parece ter dado certo.

- Às vezes, eu acerto.

- Que isso, Castle. Você nunca foi modesto! Se estiver certo, eu deixo você se gabar – disse com um sorriso no rosto. Ela levantou-se rumo a minicopa. Era a hora de amansar a indiferença de Castle. Não podia usar a máquina com medo de se queimar novamente, mas pediu para Ryan ajuda-la. Beckett retorna ao salão com duas canecas de café fumegando. O cheiro estava delicioso.

- Trouxe para você.

- Já está se arriscando na máquina, Beckett?

- Não, você sabe que ela me odeia. Tive que pedir ajuda de Ryan, mas garanto que está bom – ela viu o sorriso no rosto dele ao provar o café. Castle entendera o gesto dela. Era uma espécie de confirmação do tipo “entendo porque você não me trás café, mas eu posso lhe servir, ainda me importo”. Quem diria, Beckett estava incomodada com a dinâmica da relação entre eles. Isso era muito bom. Ponto para mim, pensou.

- Tem razão. Ryan faz um bom expresso. Obrigado. Sabe, um dia você terá que aprender a mexer nessa máquina. Como fará café para você quando Ryan não estiver aqui? – Beckett ergueu a sobrancelha achando estranho o comentário. Ele queria inferir que podia não estar aqui? Tinha vontade de perguntar se era isso que se referia, ao possível dia que não estivesse mais ao lado dela. Segurando a própria curiosidade, permaneceu calada.

Ele terminou o café.

- Vou andando. Até amanhã, detetive - Ergueu-se da cadeira preparando-se para ir embora quando o capitão apareceu no salão chamando por ele.

- Castle, pode vir a minha sala?

- Claro – assim que entrou, o capitão ordenou que fechasse a porta.

- Sente-se, Castle – ele fez o mesmo parecendo sério a sua frente – eu lhe chamei aqui porque quero entender o que de fato está acontecendo entre você e Beckett. Ela é a minha melhor detetive e semana passada pude ver o quão devastada ela parecia. Você sumiu por uns dias e de alguma forma afetou-a diretamente. Quero uma explicação.

- Capitão, não existe nenhum problema entre eu e Beckett. Por causa das atividades com a NYPD, eu perdi alguns prazos e estava com a corda no pescoço, tive que sumir – ele fazia cara de culpado, trabalhando no disfarce que pretendia manter frente aos amigos do distrito – na verdade, ainda estou enrolado – deu um sorriso amarelo.

- Castle, não preciso dizer a você que sou capitão e fui detetive. Sei quando as pessoas não estão contando a história completa. Se você e Beckett querem manter o motivo para si, tudo bem. Eu tenho apenas um aviso para você. Não quero ver minha melhor detetive com o semblante da semana passada. Qualquer que seja seu problema com Beckett, resolva. Devo lembra-lo que não é a sua amizade com o prefeito que o mantém aqui, trabalhando com a minha equipe. No 12th, quem manda sou eu. Se está aqui é porque sei que sua presença faz bem a ela. No dia que isso não acontecer, considere-se expulso do meu distrito. Fui claro?

- Sim, não se preocupe. Está tudo bem entre nós dois. Prometo.

- Castle, aquela mulher já sofreu muitos baques na vida. Espero que você não seja mais um a dar uma rasteira nela. Beckett confia em você, mesmo não parecendo gosta de você, de tê-lo ao seu lado. Luta com uma armadura para não demonstrar isso. É muita responsabilidade que você tem em suas mãos. Não posso ser mais claro que isso.

- Certo, eu entendi. Reafirmo, não há com que se preocupar. Eu conheço o que ela já sofreu, contou sobre seus problemas para mim. Fique tranquilo – Montgomery olhou sério, satisfeito por enxergar a verdade naquelas palavras, fez sinal dispensando-o. Antes da porta se abrir, ele tornou a falar. 

- Uma última coisa. Essa conversa é nossa. Beckett não pode saber dela.

- Sim, capitão.

Castle saiu da sala mediante aos olhos intrigados de Beckett.

- O que Montgomery queria com você?

- Tinha um recado do prefeito para mim. Você está indo para casa?

- Sim, vou fechar meu computador e pegar meu casaco. Quer uma carona?

- Não, obrigado. Vejo você amanhã – então a repercussão de sua relação abalada com Beckett fora maior do que previa. Não negava que ferira Kate com a discussão, como ele, sofria e transparecia. Não mudaria sua estratégia, apenas faria algumas concessões.

Na manhã da quarta-feira, a teoria de Castle os rendeu o suspeito principal. Ryan descobriu ligações fortes com a vítima através de transferências bancárias. Satisfeita com a descoberta, ela ordenou que os rapazes fossem busca-los. Castle checou o relógio e ergue-se de sua cadeira cativa.

- Preciso ir.

- Para onde? Temos um interrogatório para fazer, você quebrou esse caso. Merece participar da prisão.

- Não, posso. Tem uns executivos de Hollywood para discutir sobre o filme de Nikki comigo. Preciso comparecer. Boa prisão e você pode me dar os detalhes amanhã.

Ela o viu caminhar em direção ao elevador. A última declaração de Castle a pegou de surpresa. Desde que começara a segui-la, três anos atrás, isso nunca acontecera. Castle fazia questão de acompanhar os interrogatórios principais e estar presente quando as prisões eram efetuadas. Na verdade, ele a intimava a não seguir com a investigação sem antes atualiza-lo de cada nova pista. Era sem dúvida a primeira vez que ele não encerrava um caso ao lado dela, de fato Castle sempre colocava as atividades do distrito antes de qualquer reunião ou compromisso com a sua editora.

Beckett olhava para o calendário a sua frente. Ainda estavam no meio da quarta e precisava urgentemente falar com Dana. Não aguentava mais sofrer todas essas mudanças calada. Sexta parecia um mês à frente. O caso foi encerrado sem maiores problemas, No dia seguinte, ela teve a oportunidade de contar o que acontecera para Castle. Um novo caso caiu na mesa de Beckett, porém dessa vez era tão simples que resolveram em um único dia, sem maiores esforços.

Quando estavam se arrumando para sair, ela perguntou sobre a reunião. Não tinha certeza de que ele realmente tinha o compromisso ou se era outra demonstração da mudança de suas relações.

- Como foi sua reunião? Tudo certo para Nikki ganhar as telonas?

- Estamos quase lá. Discutimos o cast e a alguns pontos do roteiro. Eles estimam começar as filmagens em no máximo dois meses.

- Bom para você, ainda não sei como me sinto sobre isso – ele sorriu e deu de ombros.

- Muitos estariam lisonjeados.

Ao deixar o distrito na quinta, Kate recebeu uma ligação mais que bem-vinda.

- Dana! Já está em Nova York?

- Acabei de chegar. Como você está? Não fez mais outra besteira, fez?

- Não, ainda tenho uma certa dignidade. Mas as coisas não andam nada bem. Eu realmente preciso conversar com você.

- Eu sei, por isso que estou ligando. Em vez de irmos ao consultório, quero que me encontre na cafeteria da esquina. Acredito que essa conversa precisa ser mais informal. Não se iluda, continuarei sendo sua terapeuta, somente quero deixa-la a vontade. Sei quando está querendo uma amiga. Então, tomamos um café, você me fala sobre as bobagens que andou fazendo e vejo se ainda há salvação para o seu caso.

- Nossa! Do jeito que você fala parece que sou um caso perdido.

- Ainda não, mas se não intervir temo estar quase lá. Amanhã, sete horas. Vou te esperar.

- Tudo bem, obrigada.


XXXXXXXXX


Castle sentou-se em seu escritório para escrever um novo capitulo. Por meia hora, ele conseguiu manter o foco na história até o instante que precisava descrever uma cena íntima entre Nikki e Rook. O pensamento automaticamente voltou-se à bela mulher. Não podia esconder que sentia saudades de abraça-la, beija-la. Amanhã completava a primeira semana que decidira agir diferente. O saldo era positivo, percebera que Beckett tentava se adaptar ao novo ritmo e o ato do café era um pequeno indicio de que estava querendo resgatar a proximidade entre eles. Sua primeira vitória. Se mostrar desencanado ou frio não fazia bem a nenhum dos dois. Sabendo que todos estavam atentos as suas ações, precisaria tomar certas precauções para não colocar seu plano a perder.     

A sexta-feira finalmente chegara.

Kate chegara à cafeteria dez minutos antes do combinado. Estava ansiosa por poder compartilhar as últimas burradas de sua vida com Dana. Também estava preparada para ouvir boas broncas da terapeuta sabendo que merecia cada uma delas. Mesmo sendo uma profissional, ela já notara que tinha uma certa preferência por Castle. Ela acabava deixando transparecer isso.

Dana surgiu na porta da cafeteria pontualmente. Avistou-a e sorrindo caminhou em sua direção. Depois de cumprimenta-la com dois beijinhos, a terapeuta pediu logo o café acompanhado de muffins e donuts. Kate optou por uma “bear claw”. Após o primeiro gole da bebida, ela estava pronta para começar a ouvir o que afinal sua paciente tinha aprontado.

- Vamos começar falando de café. Em que estava pensando quando resolveu ter um encontro? E sem Castle? 

- Dana, antes de falar sobre isso, eu deveria comentar os outros acontecimentos. Foram duas semanas complicadas. Onde quer que íamos, havia algum cara flertando comigo. Isso irritou Castle. Quer dizer, no inicio eu nem percebi. Estamos sempre nos provocando, nos irritando que não considerei que conhecer Josh o deixara chateado. Claro que ele reclamou logo que saímos do hospital, mas pensei, ah! é só um ciúme bobo.

- Ciúme bobo? No estilo daquele que você teve, surtando porque acreditou que ele dormira com sua ex-mulher?

- Aquilo foi diferente. Castle tinha um histórico.

- Não é diferente. É ciúmes, simples assim. E quem é esse Josh?

- Um médico que conheci no hospital durante o caso. Ele me cantou e trocamos cartões. Não tinha intenção de fazer nada com aquilo. As situações de ciúmes foram acontecendo e eu ainda estava querendo entender o que realmente tínhamos. Nosso chamado relacionamento era uma incógnita para mim, continua sendo. Na minha mente, eu tive a ideia absurda de que se eu tivesse algo para comparar com Castle, eu conseguiria encontrar algumas respostas. Não era para ser nada demais, nem foi. Era só um café – viu que a terapeuta torceu a boca – é, sei que foi um erro. Fui estúpida.

- Um erro fenomenal, não Kate? Você achou que tendo um encontro com outro homem ia ajuda-la a entender seu relacionamento com Castle? Desculpe, mas essa foi a ideia mais idiota que já ouvi até hoje em termos de relacionamento. No que estava pensando?

- E-eu não sei. Fui racional demais. Quis tratar algo emocional como racional.

- E o encontro? Pelo menos serviu para o seu propósito?

- Não, quer dizer, talvez. Isso é tudo muito confuso. No momento que ele começou a falar mal de Castle para mim, acabou a brincadeira. Ofender Nikki Heat é o mesmo que me ofender. Eu o coloquei em seu lugar.

- Ótimo! Espero que tenha deixado-o plantado! – a mordida nos lábios e o jeito como Kate evitara o olhar dela já mostrava que não fora essa a atitude – ah, Kate! O que mais você aprontou?

- Nada, eu briguei com ele mudamos de assunto e continuamos o papo. Quando o encontro terminou, eu sabia que não o veria outra vez, estava ciente disso. Ele me beijou e foi horrível! Nada comparado com Castle. O problema é que foi inesperado e sequer me lembrei de dizer que não nos veríamos mais. Na manhã seguinte, um buquê de flores foi entregue no distrito. Eu tinha que ser honesta com Castle e tudo desmoronou. Tivemos uma briga feia na madrugada, ele contou tudo o que sentira nas duas semanas, porém nada o magoara mais do que eu ter saído com Josh. Nunca vou esquecer a tristeza que vi naqueles olhos. Eu pedi desculpas, assumi o erro e implorei para que ele não me deixasse trabalhando sozinha. Eu fui sincera com Castle, disse que ainda não entendia o que temos. E agora... eu estraguei tudo, Dana!

- Espera, vamos voltar um pouco na história. Você brigou com ele na madrugada? Você falou que recebeu as flores de manhã? O que aconteceu com o tempo?  

- E-eu perdi a noção do tempo trabalhando, é o que faço quando estou com um problema sério, você me conhece. Então, eu me queimei com a máquina. É, o café. Foi assim que fui parar no meio da madrugada no loft de Castle. Nunca brigamos assim, Dana. Nem quando discutimos sobre os Hamptons foi tão pesado. A frieza no olhar dele foi o que mais me espantou. Por isso sei que estraguei tudo.

- Ele não voltou a trabalhar com você?

- Ele voltou com várias condições. Nada de relacionamento, você sabe, beijos, toques e sexo. Ele está ao meu lado profissionalmente como parceiro, só que não é a mesma coisa. Parecemos dois estranhos, me sinto pisando em ovos. Estraguei, trai sua confiança, como vou tirar essa magoa do rosto dele? Ele sequer me trás café, Dana! O nosso momento especial se foi e a culpa é toda minha.

Kate estava à beira das lágrimas. Lutava para não desmoronar. Dana se sensibilizou com a dor da detetive. O que a teimosia não faz com uma pessoa? Ela esticou o braço, tocando a mão de Kate. Sorriu.

- Dana, por que sou péssima em relacionamentos? Eu odeio o que fiz.

- Kate, você não é péssima em relacionamentos. Você apenas não assimila os sentimentos como as outras pessoas. Deixou seus traumas definirem como pensar e como agir. Sempre planejando, antecipando e raciocinando. Não funciona assim no campo do amor. Consigo entender seu medo, sua insegurança, o que não dá para engolir é porque quer sabotar seus sentimentos. Quando brigou com Castle, por que não disse que gosta dele? Não como parceiro, mas como companheiro, amigo. Droga, Kate ele é praticamente seu namorado, só você que não enxerga? O cara está apaixonado, se importa com você, afinal qual é o problema de assumir o que sente por ele?

- Porque eu não sei o que sinto!

- Isso é o que você quer se convencer. Repete essa frase como se fosse um mantra todos os dias. Algo totalmente sem propósito. Qual é o real problema? Você mesma disse que usaria o encontro como um comparativo, já admitiu que o beijo do médico era ruim, o que falta para escolher o escritor de uma vez?

- Que parte do “eu estraguei tudo” você não entendeu? Rejeitou a mim, ao meu beijo. Castle está magoado comigo, ele está agindo friamente. Não é a mesma coisa. Algo se quebrou e não pode ser consertado.

- Não pode ou você não quer? Porque para mim está bem claro o que Castle espera de você. Às vezes tenho vontade de te bater, sabia? Você realmente acha que ele aceitou sua proposta para segui-la somente por querer trabalhar com a polícia, acredita que mesmo magoado se sujeitaria a estar do seu lado pela história, para bancar o herói? Faça-me o favor! Olhe para a vida dele, Kate. O homem é uma celebridade, Best-seller a cada livro que escreve, muito dinheiro. A história é apenas o pretexto que ele escolheu como um meio para conseguir o que quer. Você, Kate. Se a mágoa dele fosse suficiente para expulsá-la da sua vida, acredite, a resposta teria sido não.

- Você está dizendo que ele está esperando por mim? Oh... ele está. Tudo ou nada. Castle me disse isso no último encontro, não existe meio termo.

- Ele estava esperando que você pedisse perdão e admitisse o que sentia. Bastava isso. Até agora estou tentando entender porque não fez com as palavras certas, preferiu se esconder na parceria, usar os crimes.

- Então, eu tenho chance? – Dana sorriu ao ver um brilho surgir nos olhos de Kate.

- Olha, a chance existe desde o momento que ele aceitou sua proposta. Isso não significa que será fácil. Castle está apaixonado e de coração partido. Reconquistar sua confiança, seu carinho e seu coração não será missão simples. Irá exigir paciência e muita dedicação sua. A primeira preocupação que deverá ter é melhorar a sua relação diária com Castle. Trazer de volta o clima descontraído, a provocação e o flerte podem ser usados desde que não o instigue diretamente. Foque em pequenos comentários sobre você, um pouco de humor, seus livros, pergunte sobre eles. Uma vez estabelecida essa harmonia, teremos uma nova etapa que a meu ver, será bem mais complicada. Resgatar a confiança é seu objetivo principal.

- Complicada?

- Kate, enquanto você não assumir de vez o que sente por Castle, nada acontecerá. Sua relação com o escritor não passará de uma parceria alegre, uma verdadeira amizade. É o que você quer?

- Eu não consigo explicar. Adoro seu toque, seu cheiro, seu beijo. A influência das sensações que Castle causa em meu corpo, em mim, não é algo racional. O jeito como me abraça, suas caricias. Eu sinto falta, por mais que não fosse um contato regular o fato de saber que ele estaria ali quando eu precisasse, era importante. Suficiente.  E agora...

- Suficiente? Pelo jeito que você diz não entendo assim. Está com saudades da relação que tinham embora diga não saber explicar o que era, quer o momento dos Hamptons de volta. Só que Castle não quer algo apenas suficiente. Ele quer o todo, a entrega. Enquanto você não expulsar todo o medo e a insegurança da sua mente e escutar o quanto seu coração está apaixonado, você estará presa. Sua vida não se move.

Kate esfregou ambas as mãos no rosto e depois nos cabelos. Dana percebeu o efeito das palavras acionando a ansiedade e o nervosismo. Precisava acalma-la, trazê-la de volta para o foco do problema. Antes, porém, tinha que jogar mais uma bomba bem na frente da detetive. Ouvir as palavras certas em alto e bom som poderia ajuda-la a transpor a barreira invisível que criou em seu coração.

- Kate, você escutou bem o que disse? Suas palavras gritam “eu estou perdidamente apaixonada”. Eu não estou ao seu lado todo o tempo, contudo sou capaz de jurar que seus gestos, seus olhares para Castle exemplificam exatamente isso. Daí o motivo dele ainda estar ao seu lado, porque acredita que um dia ouvirá as palavras certas deixarem seus lábios.

- Você deveria estar me ajudando, dizendo que tudo ficaria bem. Mostrando como driblar essa situação. Por que insiste em querer que eu me declare?

- Eu estou ajudando-a. iremos devagar. Confiança, amizade. Preocupe-se com isso – ela apertou a mão da detetive reafirmando seu apoio – não se esqueça, Castle se importa e eu também.

- Certo, pequenos gestos.

- Isso. Um dia de cada vez, caso a caso. No tempo certo, encontrará a coragem para se declarar. É um momento singular quando a razão ou o pensamento simplesmente desaparecerão. Tudo o que importará será você, ele e o sentimento. Tudo ou nada, Kate.

- Ótimo! Minha terapeuta tem um lado poético...

- Não se trata de poesia, Kate. Eu apenas acredito no amor.

- Eu tenho que ir trabalhar. Você não tem outros pacientes?

- Não, meu dia é livre. Eu deveria estar em Boston para o fim de semana, porém uma detetive da NYPD estava à beira de um surto nervoso. Ainda tenho esperanças de um dia você invadir meu consultório com um sorriso no rosto dizendo que está apaixonada e muito feliz.

Elas se levantaram após pagar a conta, se despediram.

- Kate, se precisar não hesite em ligar, sou mais que sua terapeuta, sou sua amiga - e cada uma seguiu seu caminho para lados opostos da cidade. 


Uma semana depois...


A interação entre Castle e Beckett continuava fluindo de maneira devagar. O escritor mantinha a distância evitando novas provocações. Porém notara mudanças sutis da parte de Beckett. Ela parecia estar sorrindo mais, durante o dia sempre encontrava uma oportunidade para oferecer café, como se tivessem trocado de função. Ele ainda estava se decidindo se voltava a fazer o ritual que os aproximara tanto. Essa manhã fora surpreendido por receber um copo de café de Beckett. Chegara depois dele ao trabalho. Era impossível não pensar se a detetive não voltara a investir na sua relação com o tal médico. Era livre para isso, não? Depois de tudo o que acontecera, ela seria capaz? A última coisa que precisava era de caraminholas na sua cabeça.

Quando se despedia no final da tarde, outra pergunta inesperada viera dela.

- Como anda o terceiro livro de Nikki? 

- Devagar, mas saindo. Por que pergunta? Está sem livros interessantes para ler?

- Talvez, na verdade me lembrei que você comentou sobre o assunto do livro, queria conversar comigo...

- É verdade, porém podemos falar disso outro dia. Alexis está me esperando, diz que tem algo importante para me pedir. Ultimamente isso é raro. Tudo o que ela faz é estudar e ficar pendurada no telefone com Ashley...

- Hum... ciúmes, Castle? Cuidado, dependendo do que faça pode perder o posto de homem preferido na vida de sua filha.

- Muito bom, detetive. Agora estou realmente preocupado.

No dia seguinte, ele estava ansioso para continuar a conversa sobre Alexis com Beckett. Ela sempre tinha bons conselhos para dar especialmente nessa fase de namorados. Tinha experiência suficiente para opinar, geralmente não tinha problemas em fazer o que ela sugeria. Por esse motivo, ele aceitou a carona até a cena do crime. Nem teve que elaborar uma forma para comentar o assunto, ela mesma o questionou.

- Como foi ontem com Alexis? Ela meteu a facada no pai milionário? Quer uma Ferrari ao invés da scooter?

- Você se diverte com isso, não? Sou obrigado a simpatizar com o seu pai. Deve ter conseguido todos os cabelos brancos por sua causa – de repente se viu checando seu reflexo no retrovisor do carro. Beckett segurava o riso – minha filha e o namorado estão indo acampar comigo no fim de semana, acontece que os pais dele querem me conhecer.

- Ah, o momento de conhecer os pais... é bem crítico para você.

- Por que para mim?

- Bem, Ashley é o primeiro amor de Alexis, certo? O que acha que acontece se não se der bem com eles?

- Ela perderá o interesse?

- Não, exatamente o oposto. Isso tornaria o romance deles proibido e eles estarão por ai fazendo Deus sabe o que. Confie em mim, eu sei.

- Nunca pensei dessa forma... é meio assustador.

- Meu conselho é manter o namorado próximo, mas os pais ainda mais – ela cruzou a faixa pronta para trabalhar – oi, pessoal. O que vocês tem ai?

Castle a seguiu sorrindo. Os conselhos eram importantes, mas ela se preocupar não tinha preço. Ela realmente estava se esforçando. Continuava a servir café para ele quase todos os dias, Castle amolecia a cada nova caneca. Torcia para que ela também estivesse amolescendo a cada dia que passava. Havia uma preocupação de agradar, ele reparou, porém seu semblante estava mais leve. Nova vitória.  
O próximo caso deles mostraria alguns segredos de Kate Beckett que Castle sequer desconfiava. Ele a encontrou no local do crime. Estava atrasado tudo porque Gina ligara para cobra-lo, seus capítulos e um email da revisão do script do filme. Ele cumprira a escrita, mas Gina queria mais dois. Incrível! Será que não poderia dar um segundo de sossego a ele? Chegara irritado na cena do crime. Ela percebeu.

- Algum problema, Castle? Parece preocupado.

- Não, estou bem – aliás, muito bem. Ela estava linda. Seu cabelo diferente, sexy. Uma visão deliciosa. Pena que não podia toca-la. Engoliu em seco. Observa-la calçar as luvas não estava ajudando, podia sentir a pontada na virilha. Respire, Castle, respire. Ela deu uma olhada bem provocante para ele antes de se afastar. Castle respirou fundo.

Somente após se recompor, ele percebeu onde estavam.

- O assassinato foi na loja de mágicas Drake?

- Sim, conhece? – Beckett perguntou avaliando a vitrine sem dar muita atenção a ele.

- Sim, venho aqui desde meus treze anos. Esse lugar é um paraíso para garotos. Almofadas de peido, truques mágicos, vômito falso...

- Não apenas para garotos, Castle. Meu avô era mágico amador e eu vinha aqui todo o domingo quando tinha essa idade – ela viu o rosto dele se iluminar.

- Nunca achei que fosse fã de mágica. Conhece algum truque bom? – ela fez questão de olhar para o rosto de Castle, talvez fosse o momento de provocar indiretamente.

- Eu faço um truque, com cubos de gelo – após jogar a isca, ela entrou na loja. Castle não conseguiu disfarçar a surpresa e sim, depois de ter aquele momento sexy, certamente sabia que o comentário não se referia mesmo a um truque de mágica. Por que você faz isso comigo, Kate?

De volta ao distrito, ela procurava por processos abertos contra a vítima já que a assistente confirmara que fora ameaçado antes. Enquanto esperava ao telefone pela resposta, Castle resolveu fazer uma gracinha. Colocara um óculos mágico supostamente com visão de raio-x. 

- Esses óculos tem visão de raio-x. Posso te ver nua. 

- Sério? Curtiu meu piercing no umbigo? – ele que estava rindo fez cara de espanto e tirou os óculos.

- Você não tem um piercing no umbigo, eu sei.

- Sabe mesmo? – Beckett retrucou e viu a boca de Castle abrir e fechar sem emitir nenhum som. Bom, deixara o escritor falante sem palavras.

Continuando a analisar o caso, após uma pista morta e um interrogatório, Beckett fez mais um truquezinho perto dele, tirou seu celular sem Castle perceber. Ele achou o máximo.

- Você tirou meu telefone sem eu notar? Impressionante! É um outro truque mágico ou você tem um dom para pequenos furtos? Podia ser uma ótima opção de carreira – ele sorria olhando para Beckett que ainda segurava seu celular. Começou a tocar, ao ver a foto de Gina no visor, ela entortou a boca. Ao ver a ligação, Castle a descartou.

A investigação lhes deu outros caminhos. Drake queria C4 apenas não sabiam para o que. Tiveram algumas pistas que levaram Castle e Beckett até um armazém onde o mágico costumava desenvolver todos os seus truques. Uma espécie de esconderijo, sua oficina. No local, não havia portas ou janelas. Beckett observou a parede e apalpando-a encontrou o que queria. Um tijolo falso. O lugar era muito interessante e Castle pode observar um outro lado da detetive. Simplesmente impressionada com o que via.

- Wow, Castle! Meu avô teria adorado esse lugar. Olha, ele tem uma guilhotina. Uma dama de ferro! Até uma caixa de serrar ao meio. Sabe, você teria gostado do meu avô – Castle aparecera ao lado dela com uma caixa mágica cobrindo sua cabeça – na verdade, você me lembra ele um pouco.

- Estou lisonjeado – mas a conversa parou por ali. Beckett encontrou informações interessantes e principalmente o irmão gêmeo de Drake. 
De repente, o velho Castle estava de volta formulando todas as teorias malucas que podia sobre irmão gêmeo do mal. Apesar de fazer isso de maneira involuntária, Beckett adorou poder voltar a implicar com ele, era quase a boa dinâmica de volta. Mesmo com a confirmação de Lanie de que a vítima era mesmo Zalman Drake, a imaginação dele fora afetada. Queria um final surpreendente para o caso. Tanto que seu lado irritante estava se sobressaindo. Por mais que Kate sentisse falta dele, já estava começando a tira-la do sério.

Enquanto entrevistavam o cara na cadeira de rodas, Castle cutucava cada item naquele apartamento. Pior que criança! Fizeram uma descoberta interessante. Zalman pediu para confeccionar um braço mecânico. Ele dissera que estava elaborando seu maior truque. Matar e se safar.

Colocando todas as peças juntas, decidiram por procurar os últimos acidentes que resultaram em explosão. Pesquisando individualmente, eles chegaram à mesma conclusão. Castle até brincou que poderiam ser gêmeos com tanta conexão, o problema era a falta de evidência. Tudo era especulação.

Após verem o vídeo feito antes do acidente que matou um bilionário chamado Chirstian Dahl, Castle iniciou uma teoria maluca, porém foi interrompido com a informação da ex-mulher de Dahl, segundo os rapazes ela tinha motivo e oportunidade. Infelizmente, tratara-se de um novo nada. Pelo menos ela revelara que Dahl estava sem grana. Checando com o promotor, Beckett descobriu que ele estava prestes a ser acusado de fraude e pegar 50 anos de cadeia. Que melhor razão para contratar um mágico para fazê-lo desaparecer? Mas como?

Cansada, Beckett decidiu que eles precisavam descansar. Mas a imaginação de Castle estava a mil e bem ali, no meio do 12th distrito, ele teorizou do seu jeito maluco fazendo ambos reviverem um daqueles momentos onde se completavam em ideias, palavras e pensamentos. Uma conexão única que a fez sorrir. Eles estavam chegando lá.

Combinou com Castle que iriam ao funeral de Dahl cedo pela manhà. Quando deixaram o distrito, o celular de Beckett toca. Dana.

- Kate, estou ligando para saber se ainda está viva. Como andam seus dias?

- Bem, sinto que as coisas estão voltando ao seu lugar.

- Boas noticias. Ele já trouxe café para você? – Kate suspirou.

- Não, ainda não. Dana eu não sei, talvez seja influencia desse caso, mas acho que Castle está mais alegre. Nós inclusive teorizamos juntos. Isso me fez lembrar dos velhos tempos. Há esperança, eu sinto.

- Você parece animada. A pergunta é entendeu seu coração ou ainda estamos brigando com primeira fase?

- Dana, foi você quem disse que preciso focar na primeira fase. Ele ainda não me trouxe o café. Por que ouviria meu coração? Não atrapalhe a ordem das coisas! – se Kate estivesse de frente para Dana a veria revirando os olhos.

- Meu Deus! Não seja tão literal! Pare de racionalizar tanto. Um pouco de mágica não faz mal a ninguém.

- Você está dizendo isso por causa do caso que estamos investigando, o do mágico.

- Mágico? Não sei de nada. Caramba, Kate, eu falei de mágica, mas podia ser tempero, alegria, impulsividade. De qualquer jeito, é bom ouvi-la mais animada. Se cuida! – ela desligou sorrindo. Ainda veria muita água passar embaixo dessa ponte. Cabeça dura!

No dia seguinte, eles confirmaram o palpite de Castle e prenderam Dahl. Além disso, usaram alguns truques para fazê-lo confessar a morte de Drake com a ajuda do seu irmão gêmeo. Ele a parabenizou pela iniciativa dizendo que seu avô ficaria orgulhoso.

Pequenos gestos, a cada dia, Beckett pensou quando se viu assinando uma ordem de prisão usando as costas de Castle como apoio tão naturalmente como respirar. Não pode deixar de sorrir. Foram interrompidos pelo celular dele. Gina. Pediu licença para atender e afastou-se. Todas as vezes que Kate pensava em Gina, ela se lembrava da besteira que fizera para estragar seu verão. Aquela mulher a deixava incomodada, chateada. Não conseguia explicar o motivo, apenas que ela não fazia bem a Castle. Ou seria a ela? Por que tinham uma história juntos? Sentia-se insegura?  

Indo até a máquina de refrigerante, Beckett pode ouvir parcialmente a conversa dele com a ex-mulher.

- Não, Gina. Não é assim que funciona. Tenho meus momentos. Criatividade não é um item que se compra no supermercado. Não gostei do roteiro e como autor da obra, tenho direito de opinar. Quero a cena reescrita. Não vou deixar que banalizem minha Nikki desse jeito, não é justo com Beckett – ele ficou calado um instante – o problema é seu. Ou resolve ou não será mais minha editora. Esse é o seu papel. Resolva o conflito e ficaremos bem. Quanto ao outro assunto, você receberá seus capítulos quando eu terminar.

Desligou o telefone. Beckett podia ver que estava chateado. Ela sorriu aliviada e tratou de sumir de perto dele. Castle a defendera para sua ex-mulher. Talvez pudesse fazer algo para anima-lo um pouco.

Castle a encontrou de casaco, calçando as luvas.

- Indo para casa?

-  Está tarde, mas não ainda. Pensei em pegar um pouco daquela comidinha do food truck – ela virou-se para fita-lo – quer vir?

- Macarroni e queijo, biscoitos... soa como mágica agora – ele precisava de descontração para esfriar a cabeça. Eram apenas parceiros saboreando um lanche. Não estaria infringindo suas regras assim. Esperando o elevador, Beckett pergunta.

- Tudo bem?

- Sim, está – deu um sorriso amarelo.

- É a segunda vez que me diz isso, sei que não é verdade – sorriu para ele Já no elevador e com um truque fez aparecer um buquê de flores que ofereceu a ele – sem problemas - Isso o fez sorrir. Assim que pisaram na calçada, deram de cara com ninguém menos que Josh.

- Olá, Kate.

- Josh? O que está fazendo aqui? – perguntou Kate. O semblante alegre de Castle desapareceu. Ficou ao lado dela, calado, porém com os olhos fixos no médico.

- Está feliz em me ver? Voltei ontem do congresso e pensei que poderíamos sair hoje. Que tal um jantar? – ele já ia puxando Beckett pela sua cintura rumando para os lábios quando ela o empurrou – hey, o que está fazendo?

- Não, eu que pergunto. Afaste-se, Josh – disse ela.

- Não vamos ao nosso segundo encontro? – Castle olhou para Beckett. A decepção estampada bem a sua frente. Pegou o buquê que ganhara dela e jogou-o na lixeira sem desviar o olhar. Começou a se afastar.

- Aproveitem o seu jantar – disse sentido. Droga! Queria socar a cara dele.

- Castle, espere... – ela deu dois passos na direção de Castle, mas Josh a segurou pelo braço.

- Deixa esse escritor para lá, vem quero passar umas boas horas na sua companhia. Senti saudades...

- Mas eu não – puxou o seu braço e empurrou-o – vá embora, Josh. Procure suas enfermeiras, melhor vá até a África. Não é esse o seu sonho?

- E quanto ao beijo? Pensei que íamos levar isso adiante.

- É uma droga! – ela saiu correndo atrás de Castle deixando o médico plantado ali. Ela buscava por ele, olhava em todas as direções. Onde ele se meteu? Não podia ter desaparecido feito fumaça, não havia nenhuma estação de metrô à vista. Chegando à esquina, pegou o celular ligando para ele. Ouviu o toque muito próximo. Ao virar para o lado, percebeu um vulto nas sombras na outra esquina. O barulho vinha de lá.

Apressou o passo. Castle estava escorado com a cabeça na parede. Os olhos fechados. O celular tocava insistente no seu bolso.

- Hey, Castle... tudo bem?

- Você o beijou, Kate? – o olhar resignado.

- Você ouviu... quanto mais você ouviu?

- O suficiente... – sim, ele ouvira exatamente tudo, inclusive a forma como ela o expulsou.

- Castle, eu posso explicar...

- Pode? Ou vai me enrolar não sendo completamente honesta comigo? Cansei das suas desculpas.

- Por favor, Castle. Eu direi a verdade, eu não quis piorar a situação, quis poupa-lo e realmente não importa, foi parte da besteira que fiz – pegou a mão dele na sua, os olhos imploravam por um sinal positivo – vamos conversar com uma travessa de macarroni e queijo. Conto tudo, prometo.

- Poupar? Você mentiu! – ele passou a mão no rosto, querendo controlar o nervosismo - Já pensou que eu não esteja interessado em ouvir? Essa fase da nossa vida acabou.  O que você faz fora do distrito não me diz respeito, é escolha sua. O que me incomoda é a mentira. Espero que isso não ocorra no local de trabalho, afinal pode custar uma vida, a minha.

Ele se afastou dela. Ouviu Kate rosnando atrás de si. Aparentemente chutara a lixeira com raiva. Ótimo! Sofra bastante, Kate. Talvez você aprenda melhor com seus erros, pensou. Resignado, ele seguiu para casa. Podia ter escutado toda a conversa, contudo as palavras dela não eram suficientes para desfazer a dor que sentira ao saber do beijo e principalmente porque ela o omitira.


Um passo a frente, dois para trás. Isso não teria fim?


Continua.... 

3 comentários:

cleotavares disse...

Ah! não. Porque esse Josh tinha que aparecer logo agora. Está na hora da Kate criar coragem e falar o que sente, caso contrário,irá perdê-lo. Coooooorre Kate.

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Ai meu Deus que final!
Josh arghhhh!
Caraca que agora a corda deu dois nós. Ave que tô com dó da Kate. Ela estava tentando consertar tudo :(
Volta aqui, Karen, e resolve isso hahaha
Até o próximo!

Silma disse...

Capítulo tenso! 😰