quinta-feira, 15 de setembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.5


Nota da Autora: E mais um capítulo dessa história. Confesso que estou amando escreve-la, adoro os comentários. Aliás, algumas viram minha referencia a série mortal, mas acho que não entenderam a homenagem que fiz a vocês através de Ryan. Anyways, se preparem porque no próximo começaremos a ver a saga do loft. Nesse há um pouco de emoção para vocês e claro, risadas. Outra participação especial. Enjoy! 



Cap.5
    

– Vocês, o que?

– É isso mesmo que o senhor ouviu. Castle quer adotar o pequeno Dylan e nós mentimos quanto ao fato de sermos um casal para que a agente burlasse o protocolo e aceitasse a documentação de Castle.

– Mas vocês precisariam ser casados! Essa é a primeira regra que o serviço social demanda na adoção de uma criança.

– Ou termos uma relação estável. Esse foi o argumento. Castle e eu estamos numa relação há três anos. A segunda exigência é o convívio, devemos morar juntos.

– Isso é loucura! – disse Montgomery.

– Você vai se mudar para o loft? – perguntou Ryan – Beckett, por acaso você vinha escondendo seu romance com Castle da gente? É isso?

– Não, Ryan. Beckett tem namorado – retrucou Esposito – ele sabe disso?

– Correção: Beckett tinha namorado – disse Castle enfatizando o verbo no passado – ela terminou com Josh antes de tudo isso acontecer – os três olharam incrédulos para a detetive.

– É verdade. E respondendo a sua pergunta, Ryan. Sim, eu vou me mudar para o loft a fim de tornar verídica a ideia de convivência de família e não, Castle e eu não somos um casal de verdade.

– Ainda... – Ryan deixou escapar com um sorriso.

– O que nos remete ao real motivo de tê-los chamado aqui. Precisamos da ajuda de vocês. Eles farão entrevistas, buscarão evidências de nossas vidas de casal e profissional. Se temos condições de cuidar de uma criança. O que disserem para a agente, determinará o futuro de Dylan.

– Então, além de vocês mentirem, querem que nós façamos o mesmo? – perguntou Esposito.

– Em resumo, é isso – disse Castle. Dylan começou a reclamar no colo de Kate. Ela virou-se para Castle e bastou um olhar para que ele entendesse o que ela queria dizer. Foi para a cozinha preparar o leite. Montgomery desistira de andar de um lado para o outro da sala. Virou-se para encarar sua detetive.

– Inacreditável! Eu sei que Castle é inconsequente, irresponsável. Mas, você? Beckett, você é uma figura de autoridade da lei. O que estão fazendo é crime. Perjúrio. Eu entendo que sinta-se responsável por esse bebê, queira ajuda-lo. Só que há limites, detetive.

– Senhor, a agente concordou em quebrar protocolos porque acredita que Castle pode dar uma família a Dylan. Se ela pensa assim, por que é tão difícil para vocês entenderem que apenas queremos ajudar essa criança?

– A agente pensa que vocês são um casal! – retrucou Montgomery, no fundo, apesar do risco ele estava impressionado com a atitude da detetive. Ela se deixou convencer por Castle. Isso significava uma mudança que não via há anos nela. Ou havia mais do que ela estava mostrando. Beckett suspirou. Precisava convencer seu capitão.

– Roy, será que podemos conversar a sós? – ela o afastou para um canto da sala. Havia um apelo em seu olhar. Certa de que não podiam ser ouvidos, ela falou – olha, eu sei que é errado, você não concorda com a minha decisão e há riscos. Estou ciente disso. Mas pela primeira vez em anos de polícia, eu posso fazer algo nobre. Salvar uma vida, não apenas colocar na cadeia assassinos. Anna, a mãe de Dylan, não merecia aquilo. Ela morreu em um beco, esfaqueada. Roy, ao vê-la ali, abandonada a própria sorte, vi a minha mãe. É estranho, parece coisa do destino. Sei que soa como algo que Castle diria, porém no momento que a associei a minha mãe, Dylan passou a ser minha responsabilidade. Sim, a ideia foi de Castle. Eu não queria aceita-la. Mas, ele realmente se vê nessa criança. Seu desejo de adota-lo é genuíno. Eu devo isso a Anna. Estou arriscando meu distintivo e minha reputação por esse bebê, será que você não pode dar uma simples entrevista para me apoiar?   

Montgomery a fitou analisando-a. Havia muitas semelhanças entre o caso de Anna e o de Johanna Beckett, percebera isso ao ler o relatório que ela lhe enviara. Ele compreendia a necessidade da detetive em fazer justiça e sua vontade em ajudar o bebê. A parte mais intrigante da história para ele ainda era entender se a aceitação em fazer isso com Castle estava relacionada com a própria vida da sua detetive, se existia outro sentimento a guiando. Talvez devesse pagar para ver.

– Roy? Não vai falar nada?

– Eu vou ajuda-la. Ainda não estou convencido de que Castle pode cuidar de um bebê, mas eu farei a entrevista. Espero sinceramente que saiba onde está se metendo, Beckett.

– Obrigada, senhor – e para ser sincera, ela resolveu calar-se porque, de fato, não tinha ideia do que estaria por vir.

– Tudo bem, Castle. Eu farei a entrevista – Ryan e Esposito olharam chocados para o capitão – só não espere que diga boas coisas de você.

– Capitão, bem... na verdade, preciso que fale bem de mim e da detetive Beckett, caso contrário... – Castle estava apreensivo. Montgomery riu.

– Adorei sua cara de espanto, estava zoando com você. Claro que sei que devo dizer maravilhas a seu respeito. Não muitas porque sejamos sinceros, quem manda nessa relação é a Beckett – Castle sorriu aliviado. Ia entregar a mamadeira para ela, porém Beckett foi mais rápida devolvendo o menino a ele.

– Eu faço a entrevista. Adorarei falar do “casal” – disse Ryan. Todos olharam para Esposito.

– Tudo bem, eu faço. Mas se eu sofrer algum tipo de punição por mentir, vou acabar com esse seu rostinho de escritor, Castle.

– É justo. Obrigado, pessoal. De verdade. Significa muito para mim – ele já dava a mamadeira para Dylan que se aconchegara no seu colo – fiquem à vontade, preciso cuidar desse carinha – Castle se afastou deixando Beckett para lidar com os amigos.

– Beckett, o que está realmente acontecendo? Por que cedeu para essa ideia maluca do Castle? – perguntou Esposito.

– Para ajudar o bebê. Por que mais? Castle ficou muito comovido com a história de Dylan. Ele não vai fazer besteira, gente. Ele quer ser pai desse menino.

– Como tem tanta certeza? – perguntou Ryan.

– Eu apenas sei – e voltou os olhares para Castle, Ryan fez o mesmo e comentou.

– Ele leva jeito mesmo. Talvez possa me dar umas dicas, para o futuro – Kate sorriu. De todas as pessoas ali presentes, Ryan era o único que não a julgara por sua decisão. Talvez porque era o único com senso muito forte de família, como Castle.

– Agora que o garotão já está alimentado e dormindo, que tal jogarmos de verdade?

– Mas você perdeu.

– Não. Beckett estava fingindo. Parte do disfarce. Posso embaralhar e distribuir?

– Por que não? – eles jogaram por mais duas horas. Quando decidiram ir embora, se despediram e Beckett disse que ia ficar mais um pouco, ajudar Castle a organizar tudo. Montgomery puxou-o para o canto e falou diretamente para Castle.

– Eu admiro seu gesto, apenas não faça besteira. O que Beckett está arriscando é tudo que ela tem. Seu distintivo. Devo reconhecer, de alguma forma, você a tocou. Eu sei que gosta dela, mas se pisar na bola, se a fizer sofrer, eu vou pessoalmente lhe dar uma surra. Kate é como uma filha para mim, Castle. Não me faça me arrepender de apoia-lo.

– Não irá, capitão. Prometo.

Após todos irem embora, ela começou a recolher os pratos, porém Castle a impediu.

– Não precisa fazer isso. Você devia ir para casa. Amanhã é o enterro de Anna. Quer que eu vá com você?

– Se quiser...

– Claro que irei. Deixarei Dylan com a minha mãe. Ele é muito pequeno para ir a cemitérios. Tudo deu certo no fim.

– Nem começou, Castle.

– Eu quis dizer sobre os rapazes.

– Eu sei – ela sorriu – Montgomery estava furioso. Pensei que ia me dar uma suspensão ou algo do tipo.

– Ele se preocupa com você, é natural. Temos mais um detalhe para fechar das entrevistas. Precisamos de pessoas que nos conheçam pessoalmente. Claro que os rapazes contam, porém não podem fazer os dois papeis. Eu listarei minha mãe e Alexis. Você precisa de alguém, pensei em Lanie só que ela também está ligada a NYPD. Imagino que não queira envolver seu pai nisso. Então, o que iremos fazer? Tem alguma amiga que possa nos ajudar?

– Essa será a parte mais difícil. Tem apenas uma pessoa que possa opinar sobre nós dois – Beckett passou a mão no cabelo – vai ser uma tortura. Já posso imaginar as perguntas, tem que ser sempre da maneira mais complicada.

– Em quem você está pensando?

– Maddie.

– A sua amiga do restaurante? Ah! Gosto dela – disse Castle sorrindo lembrando do comentário que Maddie fez sobre ele e Kate – vai servir. Você conversa com ela?

– Depois do enterro. Melhor eu ir para casa. Tenho que começar a arrumar minhas coisas. Amanhã já é sexta. Como a semana passou tão rápido? – ela se dirigiu a porta – boa noite, Castle.

– Bons sonhos, Beckett.

Na sexta-feira, ela conseguiu adiantar parte da investigação do caso que tinham em aberto. O laboratório trouxe boas pistas e não tinha dúvida que os rapazes podiam cuidar do caso sozinhos. Ela precisava ir ao enterro de Anna. Checou o relógio. Onde estava Castle?

Ele chega afobado ajeitando os cabelos. Para um segundo para respirar, recuperar o folego.

– Desculpa, Beckett. Eu me atrasei. Dylan fez um escândalo antes de eu sair. Foi uma luta para ficar com Alexis. Vamos? Temos vinte minutos para chegar ao cemitério.

– Ele está bem, Castle? – ele notou a preocupação no rosto dela.

– Sim, claro. Ele só não queria sair do meu colo. Você sabe como Dylan é. Ainda não se acostumou com Alexis, nem com minha mãe – eles deixaram o 12th.

O cemitério era um lugar sempre triste. De clima pesado. Para Beckett mais ainda. Ela evitava ao máximo aquele lugar. Ao chegar no local informado, ela avistou Claire, algumas moças que imaginou serem colegas de trabalho de Anna, o patrão e algumas outras pessoas que depois descobrira serem atores. A cerimônia foi rápida. Beckett lutou muito para conter a emoção de ver Anna sendo enterrada. Ao terminar, falou rapidamente com o senhor William. Agradeceu pelo que ele fizera e Claire a abraçou.

– Significa muito você estar aqui, detetive. Obrigada. Dylan está em casa?

– Com a mãe e a filha de Castle.

– Oh, ele ganhou uma avó, uma irmã – sorriu – uma família completa.

– Eu preciso ir, Claire.

– Tudo bem, tem um bebê te esperando. Dá um beijo nele por mim – Beckett sorriu. Ao se afastar, virou-se para Castle e pediu.

– Pode me dar uns minutos?

– Claro, vou esperar no carro – ele sabia o que ela ia fazer. Visitar o túmulo da mãe. Era um momento íntimo dela, não podia interferir. Kate caminhou até o local onde ficava a lápide de Johanna. Ela ficou alguns minutos olhando para a pedra para por fim, sentar-se de frente para a frase que representava tão bem sua mãe. Vincit Omnia Veritas. A verdade vence tudo. Qual era a sua verdade agora?

– Oi, mãe. Já faz um tempo que não venho aqui. Sonhei com você. Eu sentia que precisava conversar, o que é completamente louco já que isso não passará de um monólogo. Estou com um problema e uma solução e ainda não sei como isso tudo irá funcionar. Um bebê. Órfão. A mãe dele foi assassinada em um beco, como você. Eu a conhecia. Seu filho é tão lindo. Ele parece o Castle quando bebê. Vi uma foto. Os mesmos olhos azuis cativantes. Castle irá adota-lo e me arrastou nessa aventura com ele. Tenho medo, mãe. No sonho você me disse para ajudá-lo.

Beckett parou por um instante. Fitou o cemitério sem um ponto distinto, apenas precisava desviar o olhar como se a mãe a tivesse julgando naquele momento. Devo estar enlouquecendo, pensou.

– Tenho tantas dúvidas. Sobre o bebê, sobre Castle, sobre eu mesma. Dylan é tão fofinho. Eu não sou de me apegar a crianças, especialmente tão pequenas, porém eu não sei explicar porque com ele é diferente. Eu me sinto estranha e ainda assim fascinada. Bebês tem poderes, sexto sentido? Castle disse que são sensitivos. Castle. Não sei se essa ideia de dividir e fingir um relacionamento para ele adotar a criança vai funcionar. E se estragar nossa parceria? Gosto das coisas como estão... exceto que... aquele beijo não me sai da cabeça. Ah, mãe... a senhora teria gostado dele. E-eu gosto. Eu não sei o que somos realmente. Toda essa tensão, a provocação. Ela é tudo que temos ou podemos arriscar mais? Viu porque precisava de você? Eu sou uma confusão ambulante. Eu fiz justiça para Anna. Agora me resta fazer o possível para que Castle consiga a guarda de Dylan sem estragar o que temos ao longo do processo – ela suspirou.

– Três semanas vivendo com Castle. Será que sobrevivo? – ela tocou a pedra acariciando-a. Sabia que era um ato insano, contudo ultimamente as emoções andavam brincando com a detetive, fazendo-a navegar em mares desconhecidos, desde que Dylan reapareceu em sua vida – eu sinto tanto sua falta, mãe. Queria que pudesse me ajudar, me dar conselhos. Infelizmente, estou sozinha e só posso desejar que não estrague tudo no meio do caminho.

Ela se levantou. Deu uma última olhada para a lápide e virou as costas seguindo para o carro. Estranhou a ausência de Castle. Onde ele havia se metido? Então o avistou caminhando em sua direção com uma bandeja e dois copos de café. Sorriu. Percebeu o semblante de Beckett, havia um ar de preocupação e serenidade, quase saudade. A mãe. Esse caso, o bebê, tudo fazia com que ela se lembrasse de Johanna, só podia ser isso. E acabara de visitar o túmulo da mãe. Não era um momento fácil para a bela detetive da NYPD.

– Hey, trouxe seu café. Achei que ia precisar. Tudo bem?

– Sim, obrigada. E-eu... – ela desviou o olhar fitando uma última vez o cemitério – quero ir embora. Vou terminar de arrumar minhas coisas. Nove da manhã está bom para você, Castle? – ela perguntou enquanto tomava um pouco da bebida.

– Você não quer que eu vá ajuda-la?

– Castle, não é como se eu estivesse me mudando de vez para o seu loft, são apenas três semanas – a forma que ela colocara isso pareceu errada – olha, é só uma mala. Posso me virar.

– Tudo bem, nove horas está ótimo. Eu e o garotão estaremos esperando por você, ansiosos.

Suspirou. Sabia que ele estava ansioso, ao contrário dela que estava morrendo de medo.

– Vamos, eu te deixo em casa. Dylan já deve estar chateado de estar com a vovó.

– É, Martha Rodgers ainda não conquistou o pequeno. Nem Alexis, o que significa mais tempo para eu e você cuidarmos dele.   

– Eu? Acredito que quem está adotando uma criança de verdade aqui é você, Castle. Eu apenas faço parte do teatro.

– Diga isso ao pequeno. Ele mal pode te ver que já se joga em seus braços... garoto esperto, sabe o que é bom... podia trocar de lugar comigo – ele não percebeu o que deixara escapar. Beckett, sim. Preferiu não comentar.

Beckett o deixou no loft e seguiu para casa. Concentrou-se em arrumar sua mala para manter o pensamento longe de Castle e toda essa situação com o bebê. Para seu azar ou sorte, ele não estava querendo fazê-la esquecer. O celular começou a tocar.

– Fala, Castle.

– Já terminou tudo?

– Sério, você me ligou para saber disso?

– Sim e não. Perguntar não ofende, detetive. Na verdade, eu me lembrei de algo importante. Você já contatou a sua amiga? Já falou com Maddie?

– Não, tenho que me preparar. Não será uma conversa fácil.

– Por que não? Ela é sua amiga, não pode ser mais difícil que seu capitão.

– Ah, Castle... você não conhece, Maddie.  

– Talvez não como você, mas eu lembro de bons momentos ao lado dela e de coisas importantes que ela lhe disse. Adoraria conhece-la um pouco mais.

– Acho que não há porque adiar essa conversa. Vou fazer uma visita para ela no restaurante.

– Quer que eu vá com você? Para ajudá-la a explicar o que pretendemos?

– Não, Castle. Essa conversa precisa ser apenas entre nós duas.

– Tudo bem, até amanhã, Beckett.


Q3 – sete da noite


O restaurante começava a encher. Sexta-feira era um dos dias mais frequentados no Q3 e Maddie se preparava para administrar a noite que tinha um salão repleto de reservas. Instruía seus garçons, checava a adega e conversava com sua Chef para ter certeza de que estava tudo sobre controle. Estava orientando a hostess quando avistou a amiga chegando em seu restaurante. Isso era algo inesperado para um fim de semana e reparou que estava sozinha. Então não era um encontro a menos que seu acompanhante ainda não estivesse chegado. Não, isso não era do feitio de Beckett. Além do mais, o coração dela já tinha dono, mesmo que a detetive negasse com unhas e dentes.

– Kate Beckett. Que surpresa numa noite de sexta-feira. Encontro às cegas ou está esperando um certo escritor? Se bem que se eu conheço Castle, ele não é homem de deixar uma dama esperando – Kate suspirou, isso ia ser mais difícil do que pensava.

– Não estou aqui para um encontro, Maddie. Vim jantar e quem sabe conseguir uns minutos com você para conversar. Sei que hoje não é o melhor dia, está ocupada com o restaurante, mas é importante.

– Tudo bem. Vou leva-la até uma mesa e assim que distribuir umas tarefas aqui, eu volto para conversar com você. Fique à vontade. James – ela chamou o garçom – cuide bem da minha amiga, tratamento VIP para ela.

– Sim, senhora.

Conforme Kate previra, o movimento no local estava muito intenso e Maddie certamente ocupada. Apesar de estar bebendo um vinho delicioso e saboreando uma entrada no mesmo nível, a espera por sua chance de conversar com a amiga estava começando a consumi-la. Estava nervosa. Maddie era esperta demais e não deixaria de fazer perguntas sobre toda a situação. 

Ela apareceu trazendo o prato principal. Sentou-se ao lado da amiga e esperou que Kate tivesse seus primeiros momentos com o prato de comida a sua frente, chamando o garçom, pediu uma taça do mesmo vinho que ela bebia.

– Eu esqueço que seu restaurante é de alta gastronomia, isso está muito bom.

– Isso é um clássico, Kate. E obrigada. Agora que ambas conseguimos um tempo para relaxar, o que a traz aqui no Q3 que é tão importante? Está tudo bem com você?

– Sim, acho que está. Eu vim te pedir um favor, Maddie. Porém, antes que eu lhe conte toda a história e você comece a fazer suposições e teorizar, quero que me escute e tente não surtar ou fazer qualquer escândalo. Não seria muito indicado para a sua reputação ou de seu restaurante.

– Pelo que você está falando, parece que vem bomba por aí.

– Vou tentar contar a história resumidamente e sem esquecer qualquer detalhe importante. Tudo começou quando... – Beckett contava o caso de Anna a Maddie. Embora tivesse dito que iria resumir, ela se viu dando detalhes e mais detalhes sobre o que acontecera nesses últimos dias. Falara de Dylan, de Castle. De justiça e da sua mãe. Por último, ela contou o que Castle pretendia e reafirmou qual era o seu papel em tudo isso. Ao terminar, ela fez o pedido a amiga – é por isso que preciso que você faça essa entrevista, por mim e principalmente por Dylan. Posso contar com você?

Maddie parecia em choque. Ficou calada fitando a amiga por alguns instantes. Sacudiu a cabeça e virou o resto do vinho de uma vez.

– Deixa eu ver se entendi direito. Você encontrou um bebê que ficou órfão numa cena de crime. Conhecia a criança. Castle decidiu adota-lo mentindo dizendo que vocês são um casal?

– Isso, olha Maddie eu... – mas a outra vez sinal para Beckett se calar.

– Você concordou com a mentira e vai se mudar para o loft. E o bebê... ele gosta de você. Nossa! Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginei que algo assim aconteceria para juntar você e Castle! Eu ainda estou em choque...

– Maddie, eu e Castle não estamos juntos. Estou fingindo para dar a Dylan uma chance de ter uma vida melhor, escapar dos orfanatos como Anna queria.

– Certo, você e Castle não estão juntos. Exceto que vão morar sob o mesmo teto por três semanas cuidando de um bebê que se tornará, se tudo der certo, um membro da família Castle. Como você, a racional Beckett se deixou envolver por essa história? Por acaso esse bebê despertou o gene da maternidade em você, Becks?

– Não! Você entendeu tudo errado. Não sou mãe de Dylan, estou fingindo.

– Essa parte eu entendi. Para dar um futuro melhor a um bebê que parece adora-la. É só por ele que você está fazendo isso, Becks? Ou tem outro motivo? Porque depois de escutar tudo o que você me falou, acho que você se sensibilizou com a história de que esse bebê poderia ser Castle. Fala a verdade, está fazendo isso por ele, não?

– Não, Maddie. Por que você insiste nisso?

– Kate, eu te conheço – a detetive suspirou. Mordicou os lábios.

– Talvez um pouco por ele, mas também por mim. Anna morreu como minha mãe. Deixou alguém no mundo sozinho. Só que não é uma moça de 19 anos, é um bebê indefeso e Castle.... ele quer mudar a vida de Dylan. Por mais inconsequente que pareça, no fundo, ambos queremos ajudar Dylan. Ele leva jeito, já é pai e se você o visse com o pequeno... – bem ali, na frente de Maddie estava a prova que precisava. Ao ver o semblante de Beckett ao falar sobre Castle, ela sabia que essa criança podia mudar a vida de Kate mais do que ela imaginara.

– Então, você quer minha ajuda para afirmar que você e Castle são um casal?

– É, preciso de testemunhas. Tenho as profissionais, porém preciso de uma ligação pessoal e não quero envolver meu pai nisso. Além de toda a complicação legal, ele não vai entender o que estou fazendo. Você é minha amiga, conhece Castle e sei que é boa em lidar com pessoas, faz isso todos os dias. Conseguirá vender um bom caso para a agente da assistência social. Por favor, Maddie.

A amiga sorria. Kate estava mais envolvida nisso do que podia perceber.

– Tudo bem, eu vou ajuda-la. Conte comigo para escrever uma excelente história de amor de dar inveja a Rick Castle e sua Nikki Heat.

– Maddie, sem exageros.

– Estou falando sério. Nada de exageros, mas serei convincente.

– Obrigada, significa muito para mim e Dylan. Vou falar com Castle para traze-lo aqui a fim de você conhece-lo.

– Quem diria! Quando brinquei sobre você querer fazer bebês com Castle, não pensei que fosse realmente conseguir um bebê para dividir com ele.

– Não é assim, Maddie.

– Você pode dizer que não, mas o destino sempre encontra uma maneira de nos mostrar o que é certo. E por mais que não aceite, você e Castle? É certo, é real. Será um prazer ajudar. Dylan... preciso conhecer esse rapazinho que virou a cabeça da minha amiga. Ele deve ser um menino muito especial – Kate apenas balançou a cabeça, não adiantava discutir.

– Dylan Beckett Castle. É bonito. Poderoso. Eu gosto.

– Exceto que esse não é o nome dele. Dylan Kingston Castle pode ser seu nome no futuro.  

– Isso, viva na ilusão será melhor para quando a realidade te der uma tapa na cara. Para alguém que não se imaginava nem em um relacionamento, você pulou uma etapa ao aceitar ser mãe mesmo de mentirinha. Lembra da nossa última conversa? Você disse que não estava preparada para ficar com alguém 24 horas. Olha para você agora. É exatamente o que vai fazer.

– Por que você fica jogando essas coisas na minha cara?

– Não estou jogando, estou apresentando fatos. Não é assim que funciona com você, detetive? Tudo bem, vou parar de implicar. Na verdade, eu estou feliz por você, Kate. Por sua atitude. Independente de onde isso vá acabar, de alguma forma, está retribuindo um pouco de tudo que Castle já fez por você. Está se dando para que ele consiga realizar algo importante para ele. É bonito. Com ou sem relação com o caso de sua mãe, tenho certeza que ela ficaria orgulhosa. Conte comigo. Se Castle quer ser pai do Dylan, ele será com o meu apoio.

– Você é uma boa amiga, Maddie.

– Boa? Sou excelente! A melhor que você poderia ter.

– E modesta! – elas caíram na gargalhada. Meia hora depois, Beckett retornava para o seu apartamento mais aliviada. Pelo menos tudo parecia encaminhado. Se todos atuassem como deveriam, talvez Castle conseguisse a guarda de Dylan. Claro que ainda havia a sua parte. Em nenhum momento ela parou para pensar no que significaria agir como “namorada” dele, o que deveriam fazer, não conversaram sobre isso. Será que teria que beijá-lo na frente da agente? Abraça-lo? De repente, uma sensação de pânico e insegurança a tomou. Ela seria capaz de fingir? Pela primeira vez Beckett percebeu que realmente estaria entrando em terreno perigoso. Aquela seria a última noite que passaria em sua própria casa pelas próximas três semanas. Nesse momento, ao invés de curtir uma boa noite de sono, ela se viu pensando no que estava por vir.

Medo. Insegurança. Um frio na barriga. Então, lembrou de Anna. Borboletas no estomago. O que estava acontecendo com ela, afinal?

Naquela noite, ela sonhou outra vez. Uma mistura muito louca. Uma briga entre a agente e Castle. Dylan não ia ficar com ele. Pela primeira vez vira o escritor possesso. Vermelho de raiva. O menino chorava quando a agente pegou-o do colo de Castle para entregar a uma enfermeira. Ninguém menos que sua mãe. Johanna olhava para Beckett e falava “não vai ajuda-lo? Só você pode, Katie...” e ela respondia “eu ajudei, mãe. Não há nada que possa fazer”. “Tem certeza?” e de repente Johanna a olhava com carinho, lhe entregava o bebê e dizia: “o destino de Dylan e de Castle depende de você. Somente de você. Escute seu coração, ele lhe mostrará o caminho. Nada é fácil, filha. Mas você consegue.

Ao ver um Castle desesperado, de olhar perdido e se desfazendo em lágrimas, seu coração apertou e Beckett despertou do sonho assustada.

Levando a mão ao rosto, ela procurou acalmar sua respiração. Esse sonho era um alerta. Se fizesse algo errado, colocaria tudo a perder. Um passo em falso e a vida de Dylan lhe escaparia pelos dedos e magoaria Castle.

Não. Ela não podia magoa-lo. Seria a melhor mãe falsa que Dylan poderia ter, ou pelo menos passaria as próximas três semanas tentando.

Na manhã de sábado, ela revisou cada espaço do seu apartamento, desligou aparatos eletrônicos, verificou se tinha alguma comida na geladeira prestes a estragar e limpou ao máximo o que podia. Certa de que estava tudo em ordem, ela pegou a mala e desceu até a portaria. Comunicou ao seu porteiro e ao sindico que passaria um período fora em uma missão especial, porém qualquer problema em seu apartamento poderia contata-la pelo celular. Eles agradeceram e desejaram boa sorte a Beckett.

Ela colocou a mala no carro. Começara a farsa. Pelo menos não considerava que estava mentindo. Era uma missão especial. Sorrindo, ela dirigiu até o loft de Castle. A medida que se aproximava, ela ficava mais alegre. Estava com saudades de Dylan. Não dava para negar que o pequeno mexia com ela.

Estacionou o carro na frente do prédio dele. Antes de sair, Kate pegou sua bolsa, jogou o celular lá dentro e se pegou pensando. Esse seria seu novo lar pelas próximas três semanas. Ao pegar a carteira para tirar moedas para colocar na maquininha do estacionamento, ela se deparou com uma foto do bebê. Sorriu. Essa não era a foto de Dylan, era Castle. Ele não sabia, mas Kate havia surrupiado sua foto. Ela não podia negar. Adorara ver Castle como um bebê.

A campainha do loft tocou. Segundos depois, a porta se abria.

– Bom dia, Beckett. Seja bem-vinda a “Casa de Castle” – ele a ajudou com a mala levando pelas escadas até o quarto que ela ocuparia. Devidamente ambientada, ela desceu para a sala pensando em arrumar suas coisas depois. Perguntou assim que o viu.

– Onde está o Dylan?  

– Dormindo no meu quarto. Acordou as quatro e não dormiu mais. Ele estava irritado, agoniado. Como se algo muito ruim tivesse acontecido. Acredito que teve um pesadelo – ela não falou nada, mas fora a mesma hora que ela despertara do seu sonho – você já tomou café?

– Só uma xicara de café puro.

– Vem comigo, vou preparar uma omelete para você e o café do jeito que gosta – ele começava a mexer nas coisas da cozinha – falou com Maddie ou desistiu?

– Falei. Ela topou nos ajudar. Pode informar seu advogado para coloca-la na lista dos entrevistados.

– Excelente. Foi difícil como você imaginava?

– Um pouco – não queria entrar em muitos detalhes sobre as divagações de Maddie – Muitas perguntas. O importante é que deu certo – ele entregou o café a ela que bebeu os primeiros goles com prazer. Depois foi a vez da omelete. Quando terminou a refeição, percebeu que ele a fitava – o que foi?

– Preparada? – Beckett ficou calada por uns segundos. Suspirou.

– Quão loucos nós somos? Realmente estamos fazendo isso?

– Sim, definitivamente estamos fazendo isso, Beckett – havia intensidade no olhar de ambos, pareciam que iam dizer algo a mais. Cruzar uma linha. Então, um chorinho ecoou pela sala. Dylan.

– Ele acordou – disse Castle – deixe que cuido disso. Por que não sobe e vai arrumando suas coisas? Quero que se sinta bem aqui, Beckett.

– Tem certeza que não quer minha ajuda?

– Não, pode ficar sossegada. Leve o tempo que precisar para desfazer sua mala e se instalar. Você é minha hóspede. Não tem necessidade de atuar nesse instante – logicamente que ele falara aquilo para testar o quanto ela estava ávida para ver o bebê. Castle esperava descobrir se Kate tinha sentido saudades. Ela entendeu a posição de Castle como aquele que é responsável por tudo. Talvez estivesse criando uma barreira entre ela e o menino ou apenas testando para ver se tinha se rendido ao papel de mãe. Determinada a provar que estava errado, ela respondeu.

– Tudo bem. Eu vou subir. Se precisar me chame – desapareceu nas escadas. Castle sorriu. Sabia que estava se fazendo de durona, tinha certeza que não duraria muito. Ele retornou ao quarto para checar Dylan.

Uma hora depois, Beckett desce as escadas e encontra a sala vazia. Nem sinal de Castle ou de Dylan. Será que sairão? Relutante, não sabia se deveria entrar no quarto dele. Era seu espaço íntimo. Devagar caminhou na direção do escritório. Ouviu o barulho de teclas. Ele estava escrevendo. Nessas condições podia atrapalha-lo. Ela caminhou até a porta. Escorou-se nela.

Castle estava concentrado olhando para a tela a sua frente. Os dedos voavam no teclado. Não queria atrapalhar a sua escrita. Não se incomodava de observa-lo. Alguns momentos ele sorria ao digitar, outros tinha a língua de fora virada para o lado, o que deveria indicar que a cena estava muito boa. A postura dele na cadeira era impecável. A curiosidade de Kate para saber sobre o que escrevia começava a incomoda-la. De repente, o viu mordiscar os lábios e suspirar depois de uma rápida sequência de teclas onde imprimiu um pouco mais de força no último toque.

Finalmente, ele ergueu os olhos reparando em sua presença.

– Faz tempo que você está aí?

– Não muito. Não queria tirar sua concentração. Posso saber sobre o que estava escrevendo?

– Você sabe que é a minha terceira aventura de Nikki Heat. E será tudo que ouvirá de mim, Beckett.

– Cadê o Dylan?

– Dormiu. Ele tinha chorado porque a chupeta caíra da boca. Acho engraçado que as vezes ele a rejeita completamente e outras chora para chupa-la. 

– Ele não está dormindo demais? – certo, ela estava ansiosa para vê-lo. Castle ia fingir que não notara.

– Beckett, ele é um bebê. Passa muito tempo dormindo, acostume-se – ele a viu mordiscar os lábios. Sinal de que estava relutando entre uma decisão. Castle era capaz de apostar que queria pedir para ir ao seu quarto ver o menino. Ele já ia sugerir quando ouviram o choro outra vez - espere aqui, vou ver se dessa vez ele acordou – desapareceu pelo quarto. Dois minutos depois, ele voltou com o pequeno no colo – tive que trocar a fralda. Hey, garotão... olha quem está aqui. Tia Kate. Quer dizer oi para ela? – ao olhar Castle com o bebê no colo, ela sorriu. Sim, iriam fazer isso. Por Dylan. E o menino se jogou no colo dela.


– Hey, Dylan...hey, baby boy... como você está? – ela perguntava e sorria enquanto o menino balbuciava sons e não tirava os olhos dela. A imagem era linda e excitante. Três semanas com essa mulher incrível, pensou Castle, que Deus me ajude!


Continua... 

3 comentários:

cleotavares disse...

O Ryan e a Maddie são dos meus, diretos. E o capitão? um paizão pra Kate. Que agora venham as 03 semanas. A Beckett jura que serão apenas 3 semanas, eu aposto que não.

Vanessa Belarmino disse...

Estou atrasada, mas prometi e tô aqui nessa mini maratona BB.
Como faz para beijar e abraçar Ryan e Maddie??? Não tem mais shippers que eles... Nos representam tão bem... Aquela compreensão e emoção do Kevin foi demais... E assim como Maddie ele não esconde a sua torcida... So que Maddie manda na cara kkkkkkk Maddie BB é mistura de Dana, manda a real hahahaha The Best friend!!! Always!
Eu sabia que o Capitão ficaria bravo, mas acabaria apoiando... Quando a Kate apela para "Roy" ela espera que como amigo, ele entenda, não como capitão... Roy todo protetor com Kate, foi lindo de ver.. Bom e Espo sendo Espo... Idiota! hahaaha
Tanta emoção e isso mal começou... Esses sonhos da Kate tão me coisando... Bem, vamos ver como vai ser KB brincando de casinha...

Priscila Barros disse...

Ai que medo eu tive do capitão não aceitar! Eu suei frio aqui! Ainda bem que ele entendeu as coisas, pelo menos em parte. Espero que de tudo certo. Já era esperada essa reação do Espo, agora meus amigos, migo Ryan é um caskett de carteirinha <3 palmas para o rapaz <3
A conversa da Kate com a mãe, se a Johanna tivesse viva não faria questão em ajudá-la e certeza que ela ia amar o Castle (quem não ama o bundudo? <3) e o pequeno Dylan (uma fofurinha <3).
Ainda teve essa conversa com a Maddie huahauahuahau, adoro! outra caskett de carteirinha! <3 <3 <3 <3
E agora tem as três semanas <3 ai meu coração não aguenta com tanta fofura, esses três amorzinhos juntos <3
amei amei amei muito o capítulo, kah <3