terça-feira, 27 de setembro de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.65


Nota da Autora: Desculpem o atraso. Essa fim está chegando em um momento critico, próximo do final. Sim, o angst continua. E devo lembrar de um detalhe. Agora ambos estão se martirizando e please! Nada de raivinha do Castle... tudo tem uma explicação, afinal ele também tem direito de se revoltar...enjoy! 


Cap.65


Castle chegou ao Q4 com Jacinta por volta das sete da noite. Ele fizera reserva para não depender da boa vontade de Maddie, afinal ela era amiga de Beckett e não queria arrumar confusão, mas como o efeito de seu plano fora um sucesso em sua opinião, ele não deixaria Jacinta sair de Nova York na manhã seguinte sem provar o nhoque do chef Rocco. Ao ligar para fazer a reserva, perguntou se a dona estaria ali naquela noite. Recebera a confirmação que ela estava cuidando de seu outro restaurante, o Q3. Ótimo, pensou Castle. Menos um problema. 

Eles sentaram-se a mesa, pediram vinho e Castle escolheu o menu da noite. A conversa fluía tranquilamente. Ela lhe contava quais seriam seus próximos destinos no mês seguinte, alguns deles já visitados por Castle. Estavam na entrada quando Maddie chegou ao restaurante. A princípio, Castle não a vira. O choque da cena fez Maddie arregalar os olhos. O que Castle estava fazendo em seu restaurante com uma loira? Por que diabos não estava ali com Becks? Seria outro jantar de negócios? 

A conversa. Kate ia conversar com Castle. Já fazia quatro dias. Será que ela desistira? Ou o resultado não fora o esperado?  Não. Maddie se recusara a pensar que tudo dera errado. Não era possível. Não para os dois. Não contendo sua curiosidade, ela teve que ir até a mesa dele. 

- Ora, ora, Richard Castle outra vez no meu restaurante. A que devo a honra de sua presença? – ela o olhou sorrindo, porém ele percebeu que havia algo mais naquele olhar. Maddie examinava de cima a baixo a acompanhante – outro jantar de negócios? 

- Olá, Maddie... – ela reparou que ele estava surpreso com sua presença ali aparentemente – essa é Jacinta. Uma amiga visitando Manhattan. E não, nada de negócios hoje. Estou sendo hospitaleiro.  

- Oh... então você está se divertindo hoje? Interessante. E com tantos lugares em Nova York escolheu meu restaurante. Fico lisonjeada – definitivamente ele arrumara um problema. Castle sabia que a amiga contaria a Beckett – como vai a Becks? Ela me disse que você estava fora da cidade. Ou voltou e nem falou com ela? – Maddie ignorava completamente a presença de Jacinta. Ela queria deixar claro que estava de olho em cada passo do escritor. 

- Sim, estávamos investigando um caso até hoje a tarde. Eu estava em uma turnê. Tenho certeza que Beckett mencionou isso também, ainda tenho compromissos, sou escritor. Investigamos um caso logo após minha volta. Somos parceiros esqueceu?     

- Não, eu não esqueço. Apesar do termo “parceiros” não estar funcionando como deveria ultimamente. Se pegaram o assassino, por que não veio comemorar com ela? Passou uma semana longe, não? 

- Não que seja da sua conta, Maddison, mas minha parceria com Beckett é de nível profissional, como ela mesma assim escolheu. 

- Mesmo, Castle? Hum... alguém precisa abrir os olhos... e sim, tudo que diz respeito a Becks é da minha conta – vendo o garçom se aproximar com os pratos, resolveu recuar por uns instantes, já o instigaram o suficiente. Logo teria sua segunda rodada - Aproveite o seu jantar – distanciou-se. O clima de descontração fora substituído pelo de tensão. 

Eles comeram o nhoque quase em silêncio com exceção de poucos comentários de Jacinta sobre a delicadeza do prato e quanto estava gostoso. Castle estava um pouco irritado com a interrupção de Maddie, tentava não transparecer embora fosse difícil. Talvez Dana tivesse razão, o controle de seus sentimentos não era algo tão simples assim. 

Ao terminarem o jantar, antes da sobremesa ser servida em sua mesa, Maddie resolveu atacar outra vez. Usando a fama do escritor, ela o enganaria para ter um momento a sós com ele. Para ela, era a hora da verdadeira confrontação, se ele e Beckett brigaram, ela precisava saber.

- Com licença, Castle. Não queria interrompe-lo mais uma vez, porém tem uma fã sua jantando no restaurante e ela realmente gostaria de conhece-lo. Está sentada do outro lado do salão. Você se importa? – Jacinta respondeu por ele. 

- Claro que ele não se importa. É o trabalho dele, vai lá Richard. 

Castle se levantou dizendo para Jacinta não se preocupar caso a sobremesa chegasse, ela podia comer apesar de não pretender demorar. Maddie o guiou para o outro lado do salão. Então, ela o puxou pelo braço até uma pequena sala, uma espécie de escritório. Fechou a porta. 

- Certo, o que você está fazendo? 

- Eu? Jantando com uma boa companhia. É geralmente isso que as pessoas fazem em bons restaurantes. Qual o problema, Maddie? 

- Qual o problema? Você ainda pergunta, Castle? Você está no meu restaurante com uma loira, jantando, comendo nhoque e acha que isso é normal? Que é um jantar inocente?

- Mas é! Não estou entendendo onde você quer chegar... – de certa forma, ele sabia. 

- Kate! 

- O que tem a Beckett? Por acaso eu só posso jantar na companhia dela? Eu e Becket não temos um relacionamento, Maddie. 

- Não? E a parceria é o que? Um passatempo? Ah, Castle, faça-me o favor! Minha amiga pode ser complicada o bastante, mas quando se trata de sentimento não gosto de brincadeiras. Há poucas semanas você estava nesse mesmo restaurante acompanhado dela e não adiante negar, muito bem entrosado para quem diz não ter um relacionamento. Eu vi a forma que você mexia com Becks naquela noite e a reação dela deixou claro o que aquilo significava. Você mesmo me disse, não? Portanto, esqueça o discurso de “não temos um relacionamento” porque não engana ninguém com isso. 

- Maddie, eu realmente compreendo sua preocupação, você é amiga de Beckett, tem todo o direito de ficar chateada, mas acho que você escolheu o alvo errado. Não sou eu quem precisa de lição de moral e... 

- Você acha, Castle? Ainda apostando na tecla ciúmes quando já ficou perfeitamente claro para nós dois ou melhor, nós três que ela sente ciúmes de você, que gosta de você. Por que insistem em fazer tudo errado? Becks estava triste. Saudosa. Estive com ela no domingo. Mas aposto que não percebeu como ela se sentiu ao vê-lo na segunda porque estava tão focado e interessado em sua nova amiguinha que só olhou para os seus desejos, suas vontades. 

- Hey! Quer parar? Eu vim aqui no seu restaurante para jantar, não para levar lição de moral. 

- Castle, você prestou atenção no que disse? Kate estava com saudades de você! Ela confessou isso. Que tal virar a pagina dos ciúmes e focar no que realmente interessa? Os sentimentos! – podia estar enganada, porém tudo indicava que eles não conversaram depois que Castle voltou a Nova York.

- Maddie, acho que antes de me acusar de qualquer coisa, você precisa parar de defender Kate. Não conhece toda a história, não sabe o que... – ele não ia contar a Maddison sobre o que ocorrera no atentado, isso era algo que dizia respeito apenas a ele e Kate. 

- Apenas me responda uma pergunta. Você ao menos conversou com a Becks? 

- O que você quer dizer com conversar? – Maddison suspirou. 

- Castle, a Kate em algum momento após sua volta pediu para conversar com você? – antes que ele respondesse, a expressão em seu rosto falara por si – Deus! 

- Ela disse que queria conversar, mas eu disse que não tinha tempo, tinha um compromisso, o que era verdade e aliás, você está atrapalhando-o – ele viu Maddie levar as mãos a cabeça em sinal de descrença e irritação, naquele momento, ele pareceu perceber que a tal conversa poderia ser importante. O que Maddie sabia que não estava revelando? 

- Vocês são dois teimosos idiotas! – Maddie desabafou. 

- Haha! Eu vou embora, não vim aqui para ser xingado – Castle fez menção de deixar a sala, mas ela segurou seu braço. 

- Ainda não terminei – ele sabia que a mulher a sua frente não o deixaria ir, no fundo, estava interessado em descobrir mais do que Maddie estava falando sobre a conversa -  o que aconteceu com aquele cara que me disse ser complicado iniciar um relacionamento porque Kate estava se curando, se tratando? Você me disse que gostava dela. Não, você a ama. Parece que esqueceu muito rápido aquele áudio. Por que está agindo como um idiota saindo com loiras a tira colo? Aliás, aquilo ali nem é páreo para Becks, você já foi melhor em matéria de mulher, Castle. 

- Não fale de Jacinta assim. 

- Ah, blablabla... isso, vá em frente. Defenda sua nova amiguinha. Talvez ela seja o que lhe reste depois de tudo isso. 

- Maddie, do que você está falando? Está sendo muito misteriosa com esse papo de conversa, relacionamento... 

- Estou sendo clara até demais. Já disse que Becks estava com saudades de você, mas você deu uma chance a ela? Percebeu? Não! Quer que eu seja mais clara? Você devia ter conversado com ela ao invés de estar aqui com essa mulher insossa e levando gritos da melhor amiga da mulher que você ama. Tudo porque é orgulhoso demais. Estava preocupado demais em bancar o descolado para irrita-la, não? Esse jogo de vocês me cansa, quer saber? Acho que é tarde demais para voltar. 

- Você está dizendo que Kate não irá querer conversar comigo? É isso? 

- Não estou dizendo nada. Eu não tenho paciência para isso. Deixa a Dana se virar, ela é a profissional. Recebe para isso. Tudo o que queria era ver minha amiga feliz... – Maddie suspirou, não podia revelar nada sobre o que de fato a amiga queria com ele, não seria justo com Kate – volte para o seu jantar, Castle. Não deixe sua convidada esperando. 

- Maddie, eu preciso saber... o que era a conversa? Kate queria me dizer alguma coisa? 

- Terminamos por aqui. Eu já me intrometi demais na vida dos outros. Vou cuidar da minha.        

- Maddison, pode me dizer? 

- Não, Castle. Por que não tenta descobrir? Se quiser, pergunte para a Dana – ela virou-se de costas para ele claramente indicando que não falaria mais nada. Castle se aproximou da porta, mas antes decidiu expressar sua própria frustração. 

- Maddie, sua amiga não é totalmente inocente nessa história. Quando se trata de magoar, Kate Beckett pode ser certeira. Acredite, não é todos os dias que você é apunhalado por alguém que você julgava conhecer. As pessoas podem nos surpreender quando menos esperamos. 

- É, Rick, eu também acredito nisso. Acabou de acontecer, não? 

Chateado com as palavras de Maddie, ele voltou para o salão. Encontrou Jacinta tomando café. 

- Você se importa de eu pagar a conta e chamar um taxi para você? Preciso ir para casa, minha cabeça está estourando. 

- Tudo bem, tenho que terminar de arrumar minhas coisas. O voo sai as sete da manhã. Foi um ótimo jantar.

- Não precisa ser educada, Jacinta. Fui uma péssima companhia. 

- Não se diminua tanto, Richard. Você apenas gostaria de estar com outra pessoa hoje. Eu entendo. E se quer minha opinião, devia repensar sobre sua estratégia. Acho que ciúmes e joguinhos já não criam o efeito desejado. Por que não tentam resolver a situação da maneira correta? Conversando? – ele franziu o cenho. Por que de repente todo mundo parecia estar falando em conversar? 

- Talvez não seja tão simples. 

- Talvez... você já tentou? – ele calou-se. A resposta era uma só: não. Castle se despediu de Jacinta e desejou-lhe uma boa viagem. Seguiu para o loft. A dor não fora uma desculpa para encerrar o jantar. Sua cabeça estava mesmo explodindo. Tomou um comprimido e deitou-se na cama. 

O espaço ao seu lado parecia grande demais, frio demais. Apesar de tudo, ele sentia falta dela. Saudades. Maddie dissera que Kate estava com saudades. Então, lembrou-se do sorriso que ela tinha no rosto ao vê-lo chegar ao distrito quando retornara da outra turnê e a sua irritação no carro dessa ultima vez. Como Maddie podia afirmar sobre saudades? 

Porque, no fundo, Castle podia ler nas entrelinhas. Ela percebera que vinha agindo diferente. Mas e Beckett? Estava também agindo de outra maneira. Maddie tinha razão? Se preocupara tanto em atingi-la que perdera os verdadeiros sinais? 

Era muito para digerir, muito para entender. Ele não esquecera as palavras dela sobre o atentado. Ele ainda estava magoado. Dana. Maddie mencionara a terapeuta. Se a amiga sabia sobre a conversa, certamente Dana também. Iria dormir. Amanhã ele lhe faria uma visita a fim de desvendar esse mistério.

Dana estava assistindo a um documentário na televisão quando seu celular apitou. Torcia para ser uma mensagem de Kate. Estava errada. Era Maddie. Ao ler, a terapeuta se preocupou. Tudo indicava que um novo desvio fora tomado na estrada de Castle e Beckett. 

“SOS. Becks não conversou com Castle. Ele esteve no restaurante com uma zinha hoje. Ele não deu a chance para ela falar. Dias turbulentos a frente, cansei de ser terapeuta. Deixo isso para você. XO. Maddie” 

Suspirando, Dana retornou a mensagem perguntando se podia ligar. Ao receber a resposta positiva, acionou o nome de Maddie em sua lista de contatos. Se ia enfrentar um tornado, precisava saber exatamente com o que lidaria. 

Na manhã seguinte, um telefonema adiou seu encontro com Dana. Beckett ligara dizendo que tinha um assassinato e embora curioso com o que a terapeuta podia lhe dizer, ele preferiu se juntar a detetive para observar como ela o receberia agora que não tinha mais o detetive britânico e Jacinta também já viajara. Também optou por continuar indiferente. 

Ao chegar no distrito, ele a encontrou sentada em sua mesa com as pernas cruzadas concentrada lendo um arquivo, segurava a pasta na altura dos olhos. Ele podia ver a testa franzida demonstrando que estava intrigada com alguma informação. De frente para ela, cumprimentou-a. 

- Bom dia, detetive Beckett – ela ergueu os olhos da pasta abrindo um largo sorriso ao vê-lo. Ali estava a representação que Maddie comentara. Esse sorriso significava saudades? – pensei que tivéssemos um caso. 

- Desculpe, alarme falso. O cara não estava morto. Está no hospital se recuperando, assim que estiver melhor irá nos contar sobre quem o atacou, mas o caso não é mais da homicídios. É do 15th distrito. Foi um erro de um novato. Acontece com alguns. Desculpe, por não avisa-lo. Podia ter lhe poupado a viagem. Eu ia ligar, porém – eu queria vê-lo, pensou – Gates me chamou em sua sala e eu me enrolei. Temos um grande caso para defender no tribunal e coube a mim depor pela homicídios. Tenho que me preparar. 

- Ah! Tudo bem. É por isso que está lendo esse arquivo? 

- É sim. Não irei prende-lo aqui. deve ter outros compromissos – a língua coçava para falar de Jacinta, evitou a principio – como está o livro? Frozen Heat, não? 

- Está ótimo. Tenho que entregar cinco capítulos ao final da semana. 

- Pelo visto anda inspirado. 

- Sim, aposto que vou escreve-los em dois dias. Tenho tempo de sobra. 

- Castle, hoje é sexta-feira. 

- Eu quis dizer da outra semana. 

- Tudo bem, então. Vai aproveitar o fim de semana para passear com Jacinta? 

- Ela já viajou – pode ver o alivio no semblante de Kate – estava somente de passagem por Nova York. 

- Que pena. Você estava gostando dela, não? – ele não respondeu. 

- Então se não temos um caso, melhor voltar a escrever. Quanto tempo você vai estar envolvida com esse lance do tribunal? 

- Pelo menos até quarta-feira. Castle, está tudo bem? 

- Por que não estaria? – ela respondeu a pergunta silenciosamente: porque você não me trouxe café, porque não conversa direito comigo, porque não fez nenhuma das brincadeiras que normalmente faz, porque não a acusou de não saber resolver casos sem ele... – vou indo. Quando se livrar disso e tiver um caso de verdade, sabe onde me encontrar. 

- Não desapareça. Tenho a sensação de que não nos vemos há algum tempo – ele prestou a atenção nas palavras, processou e decidiu não responder. Ela acrescentou – posso precisar de teorias malucas – ele virou-se acenando para ela, percebeu que a detetive continuava sorrindo. Era disso que Maddie falava? Saudades? Não ia se deixar impressionar. Iria para casa, afinal mentira. Ele não escrevera absolutamente nada e seu prazo estava se esgotando. A verdade era que Castle não conseguia se inspirar para contar histórias de Nikki Heat desde que descobria que Beckett se lembrava do que dissera no dia do seu atentado. 

Sem muita opção, ele foi para casa. 

Beckett ainda estava no distrito quando seu celular tocou. Dana. A terapeuta vinha ligando praticamente todos os dias, sem qualquer sucesso para falar com a detetive. Ela decidira que se Kate não a atendesse na sexta, ela ia pessoalmente no distrito, no apartamento dela, onde quer que precisasse para falar com a amiga. Ao ver o nome dela no visor do seu celular, ela ignorou mais uma vez. Sabia que a terapeuta queria saber sobre a tal conversa. Não queria falar sobre isso. 

Então, Beckett lembrou-se das palavras da amiga no ultimo domingo. Ela podia apenas estar querendo saber se ela estava bem. Reconsiderando, Beckett pegou o telefone e retornou a ligação. 

- Oi, Dana! 

- Graças a Deus! Já estava começando a pensar que você tinha sido abduzida. Custa atender o celular, mandar uma mensagem? Estava preocupada. Mesmo que estivesse atolada de trabalho, podia ter dito, escrito, ia levar apenas cinco segundos do seu precioso tempo. 

- Já entendi, você está furiosa. Desculpe. Não vai acontecer de novo. 

- Como você está? Não nos falamos desde domingo – mesmo sabendo que a conversa não aconteceu, ela precisava perguntar – alguma novidade? Conversou com Castle ou ele ainda não deu as caras por Nova York? 

- Ele já voltou e a resposta é não. 

- Mas eu disse para você...

- Sei o que você disse, não tive oportunidade. E antes que me pergunte, não desisti. Eu realmente estive e estou trabalhando muito. Castle inclusive esteve por aqui hoje. Gates me colocou em um caso de defesa no tribunal. Tenho que revisar todos os relatórios da investigação, verificar evidencias e ajudar a promotoria a montar o caso. Isso significa que não terei fim de semana. 

- Castle esteve ai? O que ele queria? 

- Eu tinha ligado sobre um homicídio que acabou sendo alarme falso. Logo em seguida, Gates me escalou para o caso do tribunal. Ele está ocupado. Tem que escrever.  

- Hum, entendi. Mas você está bem? Vocês estão bem? 

- É... talvez... eu não sei. 

- Quer falar sobre isso? 

- Dana, eu não tenho tempo para terapia. Estou trabalhando contra o relógio aqui. Será que podemos fazer isso outra hora? Preciso voltar para o meu caso. Eu apenas retornei a ligação porque você já tinha insistido demais. Semana que vem nós conversamos. 

- Semana que vem? 

- É Dana, hoje é sexta e vou ficar ocupada com o tribunal até quarta, isso porque vou trabalhar sábado e domingo. Entendeu porque não posso perder tempo? Semana que vem eu irei ao seu consultório. 

- Tudo bem, mas você me avisa se precisar? Ou se mudar de ideia? Posso levar comida para você no distrito quando tiver trabalhando. 

- Espera, por que esse zelo todo? O que você está querendo? Anda me espionando? Ou está me escondendo alguma coisa?

- Deixa de ser boba, Kate. Só me preocupo com você. Coisa de amiga, ou já se esqueceu da cena do domingo passado? – ela tinha um ponto. Kate realmente se deixara levar pelas emoções no domingo na frente das amigas. 

- Certo. Não precisa trazer comida, sei me virar e vou ficar bem. Obrigada, Dana. 

- Se cuida, Kate. 

E Beckett realmente ficou bem. Manteve-se ocupada com pesquisas e argumentos do caso, preparando a defesa da melhor maneira que podia. Mesmo trabalhando no final de semana, ela se deu um descanso. Almoçou um dia no Remy´s e outro comeu no distrito pedindo um delivery de comida japonesa e não abriu mão de sair para comprar o café. Alguém não se dera tão bem quanto a detetive. 

Como Castle já imaginava, seu fim de semana foi totalmente improdutivo. Por mais que tentasse, não conseguira escrever uma linha sequer de Frozen Heat. Frustrado, entediado. Nada parecia certo. Ele detestava quando isso acontecia. Bloqueio criativo. Não. Era simplesmente a lembrança daquele momento na sala de interrogatório e a mágoa em seu coração que o impediam de colocar a cabeça para funcionar e escrever os pontos da história que já imaginara para Nikki. 

O final de semana passou e a segunda-feira chegou. Nada mudara. Ele estava tão afetado pelo bloqueio que se limitara a brincar com uma boneca que chamava de Nikki e um dinossauro que mais parecia o Godzilla quando sua mãe entrou no escritório. 

- Oh, Richard! Brincando de boneca outra vez? 

- Não são bonecos, são figuras de ação. Estou trabalhando numa cena de Nikki. 

- Sei, sei... isso significa que não está escrevendo nada. Está com bloqueio. Seria por causa de uma certa detetive? Talvez um assassinato o anime ou você abandonou seus dias de distrito? 

- Não, Beckett está se preparando para um caso no tribunal. Nada de mortos esses dias e não é por isso que não escrevo, estou precisando de algo diferente. Novo – ele fitou a televisão que estava ligada ao seu lado, o jornal reportava um caso de cabeças decepadas. Viu um detetive meio maluco gritar com a imprensa e teve uma ideia – é isso! Cabeças decepadas... hum...

- Oh, Richard... você está pior do que pensava. Cabeças decepadas, filho? 

- Não. Estou falando dele. Do detetive. E um pouquinho das cabeças decepadas. 

- Você já tem uma musa... 

- Eu sei, mas musas servem para inspira-lo e pelo que pode ver isso não está acontecendo ultimamente. 

- E um detetive horroroso desse irá? 

- Não estou dizendo que ele vai substituir Nikki, só irei trazer um tempero diferente a história – claro que ele não acreditava em nada que dizia, o tal detetive não se encaixava em seu livro, tudo o que precisava era de uma distração, clarear sua mente e um caso com um detetive durão e cabeças decepadas parecia exatamente o que o médico receitaria como uma espécie de cura para ele, não? 

Empolgado, Castle sabia que precisava de informações para encontrar o detetive. E havia uma pessoa que poderia ajuda-lo. E que melhor maneira de conseguir o que queria e ainda deixa-la intrigada do que aparecendo de surpresa com café? 

Beckett estava bem adiantada em seu trabalho, porém tinha muito o que fazer para conclui-lo. Acabara de receber mais arquivos para compilar. O promotor gostara tanto de suas anotações que pediu sua consulta em um outro caso que iria a julgamento logo em seguida. Por que não? Era uma forma de se manter ocupada e não pensar tanto sobre a sua vida pessoal e sobre Castle. Bastou uma simples lembrança do escritor para lhe fazer suspirar e como mágica, o próprio aparecera no salão. Na frente de sua mesa. Definitivamente uma surpresa, ela pensou. Uma bela surpresa reafirmou a si ao ver os copos de café. 

- Castle, o que faz aqui? 

- Não nos vemos há alguns dias, estou passando para ver se está tudo bem. Como anda o caso do tribunal? 

- Está indo bem, ainda tenho muitos detalhes para acertar. É bom te ver. E como vai o livro, conseguiu evoluir em Frozen Heat? 

- Está ótimo. Os capítulos pipocando – ela não conseguia evitar o sorriso ao olhar para ele. Fazia tempo que não tinham uma conversa relaxada, sem ataques. Então, antes mesmo que a sensação de conforto se acomodasse, Castle revelou o real motivo de sua visita. 

- Você conhece o detetive Slaughter? 

- O caso das cabeças decepadas... sei, ele está a frente do caso. – então era por isso que estava no 12th. De repente aquele copo de café não parecia tão atraente assim. Era uma espécie de chantagem, agrada-la para conseguir informação. Chegara a pensar que estava na hora de um momento de trégua entre os dois. Enganara-se – é por isso que está aqui?  

- É, eu pensei que... podia checar do que se trata, afinal você está envolvida com o caso do tribunal, seria interessante como pesquisa para meus livros, o ponto de vista de outro detetive. A menos que isso seja um problema para você. 

- Não, problema algum... – mas ela estava receosa com a atitude do escritor. 

- Ótimo, então onde posso encontra-lo? – ela já abandonara o café e se diria a sala onde os demais arquivos estavam, não queria perder muito tempo com Castle depois do que ouvira. Respondeu apenas para que ele saísse dali o quanto antes. 

- Onde o corpo está? 

- Certo – e viu o escritor sair alegremente rumo ao elevador. Ela chegara a se questionar se o encanto que existia entre eles estava chegando ao fim. Chantagea-la com o café fora um golpe baixo. Ela realmente pensara que ele tinha ido visita-la. Cedo ou tarde teria que confronta-lo. Deixaria ele provar o outro lado, Beckett sabia que poderia ser muito instrutivo, especialmente pela reputação de Slaughter. Ele trabalhava sozinho e era bruto. Castle teria algumas surpresas. 

E ela estava certa. O detetive Slaughter era o oposto de Beckett em todos os sentidos. Bruto, criador de caso, quebrador de regras. Não estava interessado no que o escritor pensava, suas teorias ou mesmo em protege-lo como Beckett sempre fazia. Ela mesma o alertou que estava cometendo um erro e poderia morrer. Ele sofrera, brigara, levara uns bons socos, seus amigos sentiam-se trocados e a detetive estava bem mais triste do que chateada. Pela primeira vez, Beckett percebeu que Castle poderia estar se distanciando dela. Cansando de tudo. 

Mesmo sentindo-se trocados, Esposito e Ryan não queriam deixar o amigo sozinho, especialmente conhecendo a reputação de Slaughter. Sabiam que Castle poderia correr risco de vida. E acabaram salvando-o. 

Enquanto ele perambulava pelo 12th, Beckett o evitava, fingindo que não estava incomodada com a súbita mudança de Castle. No fundo, estava preocupada. Temia que ele fizesse alguma besteira. Felizmente, Castle percebera que Slaughter não era apenas um quebrador de regras encrenqueiro, ele cruzava limites ao seu favor, para conseguir o que queria. Esse não era o método de Beckett e nem a maneira que Castle gostava de ver a justiça vencer. Ao pressionar o detetive, viu que ele não iria voltar atrás, era como trabalhava. Então, Castle fez o que sua consciência dizia. Caiu fora. 

Infelizmente, ele não queria ver a justiça ser usada de forma errada. Não fora assim que aprendera com Beckett, não era nisso que acreditava. Queria a ajuda dos rapazes, porém Espo e Ryan tinham um caso e não poderiam ajuda-lo. Restava apenas Beckett. Se fosse recorrer a ela, teria que engolir seu orgulho. Sabia que a ideia de ter escolhido acompanhar Slaughter não agradava a detetive. Seria uma espécie de “eu te avisei” mesmo que ela não dissesse uma palavra sequer. Beckett sabia se expressar apenas com o olhar.  

Pensando na justiça, ele foi até ela. E contrariando tudo o que estava pensando até aquele momento, apesar de um pequeno ato de rebeldia para faze-lo sofrer um pouquinho e quase implorar em nome da justiça, ele acabou com uma possível prova nas mãos. Beckett estava lhe dando cobertura desde o inicio. Não o abandonara como aparentemente ele fizera. 

Ela fora além, decidira ajuda-lo a descobrir o real assassino mesmo tendo certeza que isso poderia custar-lhe muito dentro da NYPD e para a sua carreira. Quando foi ameaçada por Slaughter, ela não recuou e o escritor teve uma nítida lembrança de porque a admirava tanto. Somente então entendera o que a ameaça de Slaughter significava para Beckett. A detetive podia perder seu distintivo se não descobrissem o assassino ou pelo menos provassem que o suspeito fictício do detetive era inocente. Castle sentiu-se mal por isso, ela se arriscara por ele. 

Juntos, colocaram suas mentes e ideias para trabalhar como faziam sempre e tão bem. Descobriram o assassino e sim, naquela uma hora, Castle encontrara a sua inspiração após vê-la ameaçar um figurão do crime organizado sem dó nem piedade. Como um ultimo presentinho, Slaughter deu um soco no estômago dele fazendo-o se contorcer de dor. 

Ele ainda estava se recuperando quando Beckett se aproximou. 

- Oi...obrigado pela ajuda. 

- Sem problemas, Castle. É o que parceiros devem fazer – e saiu andando pelo corredor. 

No loft, após uma conversa com a filha e uma vasilha grande de sorvete, ele sentara-se de frente para o seu notebook e reorganizara suas ideias. Estava pronto para retornar a escrita. Antes, porém, Castle dedicou alguns minutos para fazer uma reflexão baseada em seu dia. Em tudo o que acontecera e na frase que dissera para ajudar a filha que, no fundo, referia-se a sua própria dúvida “quer tanto algo, a ponto de  superar a mágoa?”

Castle descobrira da forma mais difícil que não podia negar. Beckett era a sua parceira, aquela que tinha sua retaguarda, o protegia a todo custo. Se preocupava, se importava. Em meio a um caso onde correra risco de vida, ele se deu conta de que também sentia falta dela. 

Sentia falta das conversas, das divagações sobre os suspeitos, dos momentos que estavam em sincronia. Castle descobriu que não era apenas Kate que sentia saudades. A experiência com o detetive Slaughter serviu para mostra-lo que por mais que tente fugir ou fingir-se de forte, ele desenvolvera uma dependência de Beckett e desapaixonar-se pela detetive estava completamente fora de questão. Castle considerava uma missão impossível. Independente da mágoa. 

Ele quase virara a noite escrevendo. Aquela cena de ameaça que presenciara ficaria muito boa em seu livro adaptada para o caso que Nikki investigava. Perdeu a noção das horas e acabou dormindo sobre o seu notebook no escritório. Acordou as nove da manhã com o barulho de mensagem no celular. Gina cobrando capítulos. Ele checou o que conseguira durante a noite. Dois capítulos completos. Sorriu. Era bom conseguir escrever outra vez. 

Cansado, seguiu para o seu quarto e jogou-se na cama. Seu corpo e sua mente precisavam de um descanso. 

Dois dias depois, Beckett estava no distrito. Acabara de sair da sala de Gates onde recebera vários elogios da capitã pelo seu trabalho com a promotoria. O chefe dos detetives também ficara impressionado. Ela agradeceu dizendo que apenas estava fazendo seu trabalho. 

De volta a sua mesa, ela fitou a cadeira vazia. Desde o caso que Castle a trocara por Slaughter, ele não aparecera no distrito. Ainda estava matutando sobre a sua real situação com o escritor. Ele parecia distante, mesmo quando ela perguntara se estava tudo bem, ele afirmava que sim. Beckett sabia que não e nesse momento, ela queria um corpo simplesmente porque não aguentava olhar para o lado e não vê-lo ali. Talvez com a sua presença naquele lugar, ela criasse coragem para confronta-lo e terem a conversa que evitara há semanas. 

O pedido de Beckett fora atendido. Tinham um novo homicídio como Esposito a informara. Era sua chance de ver se Castle ainda estava interessado em segui-la. Mandou uma mensagem de texto para o escritor com a informação e o local da cena do crime tentando ser casual. Ele a respondeu quase de imediato que a encontraria no endereço. 

Era um caso simples, sem grandes mistérios ou reviravoltas. Fora providencial para o que Beckett queria. Saber se a incomoda sensação de perda era real ou fruto de sua mente analítica que tendia a pensar o pior sobre tudo. 

Infelizmente para azar da detetive, ela tinha razão. Apesar de discutirem o caso, as possibilidades, Castle estava distante. Alheio principalmente a ela. Nada de brincadeiras, nada de café. O estômago dela revirava, era o medo. Teria o encanto se quebrado? Só havia uma maneira de descobrir, não iria adiar uma conversa mesmo que a resposta dele partisse seu coração. 

Quando o caso terminou, ela juntou todos os papeis e evidências existentes em uma pasta na sua mesa. Ele o ajudara a desmontar o quadro. Beckett pegou as duas canecas vazias sobre sua mesa e começou a se distanciar rumo a mini copa. 

- Não quer café? – ela perguntou sem dar chance a Castle de responder. Ele foi atrás dela. Assim que se viram sozinhos no local, ela colocou as canecas sobre a mesa. Não queria café – certo, eu preciso saber. O que há de errado com você? 

- Comigo? Nada. 

- Castle, não minta para mim. Eu sou detetive, esqueceu? Sei que há algo errado. você está diferente, agindo diferente desde que voltou da sua turnê. 

- Mesmo? Por que acha que estou diferente? Alias, o que é diferente para você, Beckett? – com receio de expressar-se erroneamente, ela tenta ponderar as palavras. Infelizmente, as lembranças acabam por trai-las e a conversa toma um rumo bem diferente do que Kate esperava. 

- Eu não sei. Parece que você está agindo como o Castle de anos atrás. Não parece você. 

- Está me chamando de playboy? 

- Não, sim... quer dizer, você voltou de Vegas e recusou investigar um caso, recusou um interrogatório para ir almoçar fora com...com a Jacinta, depois eu pedi para conversar e você me esnobou. Usou um novo detetive, não traz mais café. Algo mudou e eu não sei o que é. Castle, esse não é o seu comportamento e... – ela falou um pouco mais baixo – e você não quis conversar comigo... 

Mesmo sabendo o que ela se referia com a conversa pelas palavras de Maddie e Dana, a raiva que sentia e a mágoa foram mais fortes do que a vontade de ouvi-la. 

- Você está me acusando do que exatamente, Beckett? De ser um cara fútil, playboy milionário que sai com piriguetes para se divertir? 

- Não ponha palavras na minha boca, Castle. Eu não o chamei de playboy e nem usei a palavra piriguete. 

- Mas pensou! – ele elevou um pouco a voz, o que fez Beckett olha-lo assustado – quem é você para julgar comportamento, Beckett? – ele a olhou sério. Havia algo estranho em seu olhar. Sem dizer mais nem uma palavra, ele virou-se de costas e deixou-a sozinha. Então ela soube, algo estava muito errado entre eles. 

Kate sentiu as lagrimas arderem subindo-lhe pela garganta, queimando-lhe os olhos. Precisava sair dali, suas suposições estavam se confirmando. Castle estava seguindo em frente. Seria tarde demais para voltar? 

Ela pegou o casaco e saiu apressada descendo as escadas. Iria ver Dana. Não podia ser o fim.       


Continua...

8 comentários:

Géssica Nascimento disse...

Quando isso vai acabar, heim???
Dói ver o sofrimento desses dois!!!

cleotavares disse...

Ô sofrência da gota. Pensa Kate, pensa, bota a cabeça pra funcionar e entende que ele assim depois daquele interrogatório. Idiotas apaixonados, teimosos e lindos.

alessandra silva rodrigues disse...

Nossa chorei aqui...que agonia 😭😭

Luciana Carvalho disse...

Qd não é um, é o outro!!!!?? Não aguento mais tanto sofrimento, faz esses dois se juntarem logo Karen!!!! :(

Silma disse...

Eu não acredito mais esse sofrimento!

marta santos disse...

Aqui estou eu ... meu bloquei tinha uma razão afinal , essa sofrencia esta cada vez dificl. Não julgo castle pela atitude , de certa forma ela o traiu e traição sempre nos quebra e ele não é um privilegiado e um ser humano de carne e osso ( tem todo o direito de ficar chateado ) é claro que meu core está partido , mas sei que depois da tempestade , tem sempre uma "ALWAYS " a nossa espera e quando tem Always tem CASKETT💙 . EU AMO ONO E NÃO ABANDONAREI, NÃO MAIS . DERRUBEI OS MUROS 😂😂😂😂

THX KAH 😘😘😘

Mah .

Pâmela Bueno disse...

nossa meu coração quebrou nessa cena final... ai que sofrencia!!! tadinha da Kate e tadinho do Castle tmb, quero mt saber oq vai acontecer!!!!!!!!

Vanessa Belarmino disse...

Maddie me representando... hahaha
Eu amei! Amei ainda mais, ela mandando msg pra Dana e depois as duas conversando... Maddie sem paciência... Me definindo...kkkk
O golpe do café foi duro hein... Poxa... Ai Kah, vc ainda vai me matar...
E esses dois tb... Só Dana pra dar jeito... Coitada! Eu ja tinha chutado o balde... Chamava os dois e mandava a real... Foda-se! Parem com isso, vcs se amam... Ja colocava ate o Smitt no meio... To descontrolada... kkkkkkk