quarta-feira, 21 de setembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.6



Nota da Autora: Aqui vai mais um capitulo da saga do bebê. Preparadas para um fim de semana de intensivo com o Prof. Castle? Esse primeiro fim de semana, não conta como os dias de avaliação embora nos deixe ansiosas para o que poderá acontecer. Bebês, Castle, carinhos e uma Beckett confusa... enjoy! 


Cap.6



Castle aproveitou que Kate ficara com o menino e foi preparar uma papinha de frutas para dar a ele. Ela sentou-se no sofá com Dylan no colo. Ainda não se sentia completamente segura ao tê-lo em seu colo, mas aos poucos poderia tomar jeito. Tinha que convencer a agente, afinal, para todos os efeitos, ela seria a futura mãe de Dylan.

Quando Castle sentou-se ao seu lado trazendo um potinho com uma colher e um babador, ela se retensou. Ele iria alimenta-lo com uma colher?

– Castle, o que você está fazendo com essa colher? Não vai meter na boca do bebê, vai? Pode feri-lo!

– Beckett como você acha que ele vai comer as frutas? Não se preocupe. O material é silicone, não vai feri-lo. Sei o que estou fazendo. Primeiro preciso colocar o babador. Quer fazer isso?

– Se você não reparou, eu estou segurando o menino – ele riu – o que foi?

– Uma das atividades mais exercidas pelos pais é a multitarefa. Melhor ir se acostumando, mas por hora, deixe que eu faço isso – ele se aproximou do bebê com o babador. Com o movimento que fez acabou esbarrando no seio de Beckett, não que ele tenha se importado, ela não lidava bem com a proximidade – desculpe... – ele se sentiu na obrigação de fazer isso.

– Tudo bem – ela disse embora o movimento tenha causado arrepios nela.

– Agora é hora da papinha, garotão. Banana e mamão. Uma delícia – Castle enche a primeira colher e leva a boca de Dylan. Para a surpresa de Kate, ele aceita numa boa. Foi muito fácil ver o bebê comendo alegremente em seu colo enquanto Castle conversava e brincava ao mesmo tempo. Ás vezes, ele errava o alvo e sujava o rostinho do menino. Mas limpava com o babador e continuava a festa. Ao terminar, ela reparou que Castle tinha as mãos sujas de papa. Sorriu.

– Você pode se lavar, eu fico com ele.

– Tudo bem, mas o garoto precisa lavar a boca e as mãozinhas. Pode fazer isso?

– Como?

– Não é tão difícil, Beckett. Basta segura-lo no seu colo com um dos braços enquanto molha sua mão na pia e passa a agua no rosto dele.

– Equilibrar o bebê com um braço só... e-eu não acho que consiga...

– Claro que sim. Tente – ele já terminara de lavar-se – vem aqui na pia da cozinha. Eu vou dizer como deve fazer – ela foi relutante. Olhou para Castle com um certo pânico. E se deixasse o bebê cair? – vem cá. Segure-o pelo tronco inclinando-o para a pia.

– Castle, ele vai escorregar... por que você não lava o rosto e as mãos dele enquanto eu o seguro?

– Porque você precisa aprender a fazer isso. Não estarei sempre por perto, além do mais precisa mostrar habilidade com o bebê para o serviço social. Segure-o e use sua outra mão para limpa-lo – desajeitada, Beckett tentava equilibrar o menino. Castle se posicionou por trás dela indicando o que deveria fazer. O contato da boca próximo ao seu pescoço repetindo instruções quase ao seu ouvido, a fez perder a concentração. Apenas segurava o menino. Quando ele chamou por ela, Beckett lutou com todas as forças para focar no que fazia. Com muito custo, ela conseguiu fazer o que Castle dizia – viu? Não foi tão ruim. Aos poucos você pega o jeito. Vou coloca-lo no bebê conforto – fez isso e deu uns brinquedinhos para a criança que ficou alegre e satisfeita. Ela escorou-se na pia ainda tentando se recuperar daqueles segundos onde Castle estivera tão próximo a ela.   

Castle a acompanhou até o sofá. Sentados lado a lado, ela sabia que era o momento de perguntar sobre os próximos passos. Quem deveria iniciar a conversa? Ele, claro! Não era a parte interessada? O pai adotivo? Pensar sobre os próximos dias e o quanto seus gestos impactariam a vida de Dylan a fez suspirar. Não seria somente a vida do garoto.

– E-eu acho que precisamos de um planejamento.

– Planejamento? Do que você está falando, Beckett?

– Dos próximos passos, temos que saber sobre as visitas, como agir... é tudo muito novo para mim, Castle e se eu fizer qualquer coisa errada posso atrapalhar o processo. Temos que ser pragmáticos. Não adianta você me dizer que vai ficar tudo bem ou que vou me acostumar e tirar de letra que não acontecerá assim. Preciso de regras, procedimentos para seguir, o que fazer e... – ele segurou a mão dela como um sinal para que parasse de falar.

– Beckett, estamos falando de um bebê. Com eles nada é previsível, programado. Claro que existem alguns pontos que podemos considerar, mas planejamento? Não é assim que funciona.

– Então, como eu devo fazer isso? – o semblante assustado outra vez. Castle gostava de ser a pessoa centrada nesse momento, talvez aquele que dita algumas regras o que no mundo de Kate Beckett valia ouro. O jogo revertera, ela teria que seguir seus passos, ao menos no loft. Não queria assusta-la, portanto escolheu começar com um território neutro, algo que ela pudesse assimilar e ter segurança.

– Um passo de cada vez. Já determinamos a lista de entrevistados. Falei com meu advogado e na segunda-feira ele fará uma reunião conosco para entendermos como esse cronograma de entrevistas funcionará. O mesmo vale para as visitas. Ele me comentou que a maioria será surpresa. Dará os detalhes depois.

– Visitas surpresas... – sim, ela tinha medo disso – Castle, e se eu estiver com Dylan e algo acontecer quando a visita estiver presente? E se não souber como faze-lo calar ou ele sentir algo que eu não compreenda? Posso colocar tudo a perder.

– Para isso, você terá um intensivo sobre bebês. Irei ensina-la o básico. Mamadeiras, fraldas, o lance de fazer dormir, as papinhas, banho. O resto irá depender do Dylan, não posso prever. Ainda não acredito que você nunca trabalhou de baby-sitter. Jurava que sabia trocar uma fralda, Beckett. Você realmente não sabe?

– Não. E não me olhe com essa cara de que sou a pior pessoa do mundo porque não sei cuidar de bebês.

– Eu não fiz nada.

– Eu não sei se conseguirei fazer tudo isso.

– Claro que vai, você é a melhor detetive da NYPD, caça bandidos. Vai ser moleza cuidar de um bebê. Ainda mais com um professor como eu. Na próxima vez que Dylan precisar de uma troca de fraldas, você terá sua primeira lição, não deve demorar. Essa é a maravilha com bebês, no máximo uma hora depois de comer, já estão colocando tudo para fora. Logo teremos que preparar outra mamadeira. Outro ponto bom de bebês é que dormem bastante. Tiram pelo menos três sonecas ao longo do dia. Sem contar a noite, claro que as vezes fazem serão, mas tudo a seu tempo não quero sobrecarrega-la de informações.

Havia um outro assunto a incomodando. A outra parte da mentira. O suposto relacionamento deles. Beckett se sentia desconfortável em tocar no assunto. Era o elefante no canto da sala. Como iniciar a conversa?

– Castle, tem outro assunto que precisamos falar.

– Tem? – ele não havia pensado sobre outro tópico além da criança.

– Tem. Quando proliferamos a mentira, você disse que... bem, disse que estávamos juntos. O que isso significa para a agente?

– Que somos um casal.

– Castle, teremos que agir como um...

– Isso é um problema? – claro que era, podia ver a apreensão no rosto de Beckett – é como uma operação de disfarce. Deve encarar assim.

– O que exatamente deveremos fazer? Quer dizer...como casal... – Deus! Não acreditava que estava pedindo conselhos de como se portar para Castle! Como isso fora acontecer? Sentia-se uma idiota. 

– O básico. Pequenos gestos, gentilezas, alguns carinhos – ao ver o olhar fuzilante de Beckett, ele resolveu falar sério – tudo bem. Talvez tenhamos que atuar. Abraços, beijos, demonstrar que estamos apaixonados. Sabe aquelas coisas típicas de casais? Eu digo para não se preocupar. Encontraremos um jeito, principalmente porque quando estão cuidando de bebês, casais não tem muito tempo para o namoro – ele podia ver a apreensão no olhar, certamente havia algo mais. Beckett estava lutando contra, talvez, o sentimento que ele presenciou durante aquele beijo? O beijo. Deveria menciona-lo? Não. Quanto menos focasse em momentos íntimos melhor seria, Beckett se sentiria mais calma, confiante.

– Ah! Meu Deus! Eu quase esqueci – ele se levantou puxando-a pela mão – quero te mostrar algo – ainda surpresa pelo gesto, ela o seguiu. Ele estava empolgado – não tive muito tempo, mas considerando a necessidade fiz o melhor. Aqui – ele abriu uma porta que havia em seu escritório. Beckett não reparava na existência dela das vezes que estivera ali. Era um outro cômodo. Kate se deparou com um quarto de criança.

– Castle... isso é... – não completou a frase. Ela estava maravilhada com o que via. O tom do ambiente era creme com detalhes em azul. Havia uma cômoda com trocador, um guarda-roupa, prateleiras nas paredes com bichinhos e brinquedos. Um bercinho, uma cadeira de amamentação. A decoração era toda com bichos da selva, leões, elefantes, girafas. No centro, o berço e uma espécie de cabeceira com um abajur. Tudo muito delicado, de extremo bom gosto. Todas as coisas de Dylan estavam ali. Reparou em um porta-retratos vazio na cômoda e outro na cabeceira.

– Como você...

– Era uma antiga sala de tv, usava para jogar vídeo game ou ficar mais à vontade quando não queria Alexis por perto. Com os anos, acabou virando um quarto da bagunça, agora será o quarto de Dylan. Você gostou?

– É lindo – ela caminhava pelo quarto admirando os detalhes, os pequenos brinquedos. O lençol.

– Eu pensei que uma das coisas que a agente certamente irá querer ver é como o bebê está instalado. Ainda falta alguns detalhes. Eu mandei fazer um quadro, tem as fotos e vou trazer alguns livrinhos de Alexis para cá.

– É perfeito – ela o olhou sorrindo – jurava que ia ser cheio de espaçonaves, aliens ou super-heróis.

– Somente quando ele estiver maior. Assim é mais aconchegante para o bebê.

– Por que você não o colocou para dormir aqui?

– Força do habito, acho. A próxima vez colocaremos. Você estava falando de planejamento, teremos que completar algumas coisas aqui. Por exemplo, os porta-retratos. Quero tirar uma foto sua com ele, Beckett. E no outro podemos colocar uma minha. Assim, ambos estaremos presentes no quarto dele.

– Não deveríamos estar juntos na mesma foto?

– Sim, eu só imaginei...

– Está tudo bem, faz parte do teatro.

– Que bom que pensa assim, porque eu acredito que terei que colocar uma foto sua no escritório e no meu quarto. Posso usar uma do lançamento de Nikki Heat se preferir – ela olhou pensativa para Castle, podia concordar com isso, mas não pareceria muito convincente – o que foi?

– Se isso é uma farsa, Castle. Teremos que fazer direito. Pense no crime perfeito.

– E isso significa?

– Significa que iremos tirar uma foto nova. Como um casal. Pode ser aqui mesmo no loft, ou na rua. Alexis pode fazer isso para nós. Temos que ser convincentes.

– Ótimo – ele estava surpreso com a aceitação e determinação de Beckett. Eles estavam muito próximos. A ideia de criar todo esse clima começava a trazer outras situações para a mente de Kate. Ele a olhava diferente ou estava imaginando? Agir como um casal, carinhos, beijo.

Nesse instante, Dylan começa a reclamar. O chorinho se intensifica. Castle se afasta para ver o que o incomoda.

– Ah! Ele está precisando trocar a fralda. Hora da sua primeira lição, Beckett. Vem comigo até o quarto, é preferível você me ver fazendo isso na cama primeiro, quando já tiver segura use o trocador – ela ainda estava tensa, porém agradeceu pelo bebê ter quebrado aquele momento entre eles, enquanto Castle falava, ela só pensava no beijo. Sim, ela pensava se teria que repeti-lo – Beckett...Beckett? Hey, Kate!

– Oh, o que foi? A fralda... certo – eles entraram no quarto de Castle outra vez.

– Pode pegar as coisas do bebê naquela bolsa? O plástico protetor, fraldas, a nécessaire com os lencinhos e a pomada... ah, e um outro macacão, está quente. Quero que ele durma para que eu possa fazer a sopinha dele – com uma certa dificuldade, ela conseguiu juntar todos os itens que ele pedira.

– Você não vai dar a comida e depois coloca-lo para dormir? São quase meio-dia.

– Eu sei. Nessa fase, horários não são tão importantes apenas precisam ser alimentados de três em três horas. Ele vai dormir e eu terei tempo suficiente para comer e preparar a refeição – ela o viu esticar o plástico sobre a cama – certo, vamos começar. Primeiro, coloque o plástico protetor, isso evita algum desastre caso o conteúdo da fralda seja muito ou esteja em condições não sólidas. Deitamos o bebê. O ideal é dar algo para que se distraia enquanto fazemos a troca. Eles podem ser bem teimosos e normalmente querem o que não devem, como o tubo da pomada ou o pacote de lencinhos. Às vezes, é melhor dar para evitar o choro e trocar a fralda em paz – ele entregou uma baleia de plástico para o bebê.

Beckett estava atenta a tudo que Castle fazia, minunciosamente ele explicava o que fazia. Tirou a fralda, enrolou-a. Sim, era o número dois. Pegou os lencinhos umedecidos e começou a limpar o bumbum branquinho de Dylan. Ele não se preocupava com a quantidade.

– Você precisa assegurar que não há resíduos ou o bebê pode ter assaduras – ele segurava a criança pelas pernas e o erguia para limpar o bumbum – agora é hora de colocar a fralda limpa. Erga-o dessa maneira e coloque a fralda aberta por baixo. Pronto. A pomada deve ser espalhada no bumbum e nas dobrinhas das pernas, não esqueça da virilha. Isso era algo que não tinha que fazer com Alexis, mas meninos precisam ter o pinto esfolado, assim – quando ele demonstrou, Kate soltou um grito.

– Castle! Isso deve doer, pare! – fechou os olhos não querendo olhar – oh, Deus...

– Não se preocupe, não dói. É uma questão de jeito. Bem, vamos continuar – ela reparou que o menino não ficava quieto, de repente virou-se. Com toda a paciência, Castle o colocou de volta onde precisava. Dylan agarrou o tubo da pomada – viu o que dizia? – o bebê erguia as perninhas adorando seu momento com o novo brinquedo.

– Castle, como você vai colocar essa fralda se ele não para quieto?

– É assim mesmo, é um bebê, vai sempre se movimentar. Você tem que distrai-lo – e começou a falar com o menino, beijar sua barriguinha, Dylan largou a pomada e tocava o rosto de Castle agarrando seus cabelos, enquanto ele rapidamente fechava a fralda – pronto, agora esse lado. Feito. Vamos colocar a roupa – outra vez, ele mostrou destreza. Por mais que explicasse para Beckett passo a passo, ela ainda estava impressionada com a naturalidade que ele fazia isso. Pior, quando tentava se imaginar no lugar dele, o medo a tomava. Ela não conseguiria fazer isso.

– E o garotão está pronto para a soneca. Quer faze-lo dormir, Beckett? Acho que seu colo é mais adequado – ele colocou o menino nos braços dela. Sem opção, ela começou a embala-lo. Castle saiu do quarto sorrindo. Ele sabia que ela estava assustada, porém o que Beckett não percebera era que seu instinto maternal iria começar a aflorar quanto mais tempo ela passasse com Dylan. Castle sabia disso, contudo não ousaria dizer-lhe ou ela iria se apavorar. Quinze minutos depois, ela apareceu na cozinha. Ele cortava os legumes.

– Ele dormiu.

– Sabia que iria ser rápido. Vamos ao preparo da sopa? – outra lição. Outra demonstração de experiência. Quando Castle retirou a sopa e a colocou no liquidificador explicou o porque a ela. Reservou em uma vasilha e ofereceu uma colher para que ela provasse.

– Falta sal, Castle.

– Não. Bebês não podem comer muito sal. Nem nada muito forte, caso contrário, podem ter diarreias, cólicas, ficam incomodados e com dor. Choram demais. Por isso quis que provasse, para ter ideia de qual é o paladar.

– Entendi. Só espero que não tenha que fazer isso.

– Eu irei cuidar de tudo, apenas quero que você saiba para o caso da agente questionar. Da fralda e da mamadeira você não irá escapar. E talvez tenha que alimenta-lo ou dar banho.

– E-eu não sei...como vou aprender isso em tão pouco tempo? – ela passava as mãos pelo cabelo visivelmente nervosa. Ele se aproxima dela tocando-lhe a mão.

– Vai ficar tudo bem – o jeito como os olhos azuis a fitavam a fez prender a respiração por alguns segundos – vou fazer o nosso almoço. Alguma coisa especial, madame?

– Nah, me surpreenda – Castle adorou o desafio. Preparou uma salada enorme com vários legumes e verduras do jeito que sabia que ela gostava, colocou peitos de frangos bastante temperados com ervas para assar e fez um purê de abobora. Alexis chegou em casa faminta já sentindo o cheiro da comida. Beckett colocou a mesa e em meia hora sentavam-se para almoçar. Em um único dia, Beckett conheceu muitas facetas diferentes de Castle. Um lado de sua personalidade que contrastava diretamente com o escritor inconsequente e playboy mulherengo que conhecera há três anos atrás. Ela gostava desse Castle, do homem com um lado responsável, porém carinhoso e brincalhão.

Ele a surpreendeu com o almoço. Continuaram comendo e conversando. Alexis perguntou de Dylan, se Beckett estava bem instalada, coisas que precisava para satisfazer sua curiosidade. Por volta das três, o bebê acordou. Castle decidiu dar a sopa. Da mesma forma que fizeram com a papinha, eles repetiram o almoço. Ela segurava o bebê, ele dava a comida. Lembrou que da próxima vez iria coloca-lo na cadeirinha. Ao terminar a refeição, ele estava todo sujo de sopa. Na roupa, no rosto, as mãos. Afinal, quem disse que parava quieto?

– Banho. Não tem como escapar. Fique com ele enquanto preparo a banheira.

– Você vai botar o bebê na banheira? – ela o perguntou de olhos arregalados.

– Não, a banheira dele ficara dentro da minha, tenho que colocar agua quente e esperar amornar na temperatura ideal. Cuide dele, já volto – sumiu na direção de seu quarto. Cinco minutos depois gritava por ela – Beckett! Traga Dylan para o banho! – ela seguiu com o menino no colo. Ao entrar no banheiro de Castle, outro momento estranho lhe acometeu. Ela sentia-se invadindo a intimidade do escritor de uma maneira que não se imaginara fazendo antes. Quer dizer, não por causa de um bebê. A exemplo de tudo no loft, o lugar era espaçoso e Beckett se espantou com o tamanho da banheira. Cabiam duas pessoas ali dentro tranquilamente – devia tirar a roupa dele antes, aqui deixa que eu faço isso – ele disse tirando-a de sua análise.

Sem o bebê no colo, ela se deu um tempo para observar. A pia era enorme com vários produtos espalhados, um espelho capaz de refletir o tamanho do local e luzes que favoreciam qualquer mulher para se maquiar pensou. Então, voltou sua atenção para a área da banheira. Castle havia colocado a banheira do bebê lá dentro. O chuveiro estava ligado enchendo o objeto e Beckett pode reparar nos produtos de banho. Tudo de primeira. O pensamento inapropriado a acometeu. Rick Castle toma banho ali. Nu. Uma imagem se formou em sua mente. Não que ela já tivesse o visto sem roupa, mas a lembrança daquele traseiro perfeito fez a mente viajar por alguns segundos. De repente, sentiu um arrepio em seu corpo e ficou vermelha. Não ouviu que ele a chamava.

– Beckett... você pode segurar o Dylan? Beckett? Hey... – ele tocou o seu braço fazendo-a pular – o que foi? Estou te chamando e nada.

– N-não foi nada, o que você quer? – Castle sabia que esse nada era alguma coisa, ela parecia envergonhada, sem jeito. Só então ficou claro para ele. O banheiro. Sorriu e decidiu não deixa-la mais constrangida apesar de estar louco para saber o que se passava na mente dela.

– Segure o Dylan. Vou checar a temperatura da agua – ele entregou o bebê e desligou o chuveiro. Entrou na banheira. Somente então ela percebeu que ele estava usando uma bermuda. Sentou-se ao lado da banheira do bebê e colocou o termômetro – ah, está na temperatura ideal. Vem, me dá ele aqui – Kate entregou o menino e Castle vagarosamente começou a molhar a testa, as perninhas até que estivesse dentro da agua. Segurava-o com um braço contra o plástico. Dylan pareceu gostar pois fazia sons e usava as mãozinhas para bater a agua soltando gritinhos.

– Parece que alguém está se divertindo.

– O banho é um dos momentos preferidos do bebê. Eles se sentem bem, como se estivessem de volta ao conforto da barriga da mãe. Gostam de agua. Olha, Dylan! Sou uma baleia azul e eu um caranguejo laranja – Castle colocou os bichinhos de borracha dentro da banheira. Enquanto o menino se divertia com a agua e os brinquedos, ele colocou xampu na cabeça do bebê, espalhou com cuidado lavando o cabelinho fino.

– Que cheiro bom...

– É lavanda. Especial para bebês, não agride os olhos. Mesmo assim temos que ter cuidado ao enxaguar – ele pegou outro vidro, sabonete líquido. Espalhou na mão e esfregou o corpinho de Dylan erguendo-o para lavar o bumbum e o saquinho. Mudou-o de posição.

– Definitivamente eu não consigo fazer isso – disse Beckett.

– Não é tão difícil. Devia tentar.

– Eu passo.

– Vamos, Beckett. Não tem nada demais. Entre aqui – relutante, ela obedeceu. Na sua mente, tudo o que pensara era “estou na banheira com Castle”. Droga! Isso era inapropriado. Tinha uma criança ali. Ela balançou a cabeça e voltou sua atenção a ele – segure aqui no estomago de modo que o bebê também se apoie em seu braço – lado a lado os dois experimentavam as sensações de cuidar da criança. Beckett estava com o corpo colado ao dele, podia sentir o calor que emanava da pele de Castle. Dylan percebeu a mudança. O menino olhou para os dois, balbuciou algo e deu uns gritinhos.

– Jogue um pouco mais de agua nas costas dele para tirar o sabão. Está gostando da festa, garotão? – começou a brincar com os bichinhos fazendo o menino rir. Dylan ficou tão empolgado que começou a bater as perninhas e as mãozinhas na agua acertando o rosto e a blusa de Beckett molhando-a.

– Dylan! – Castle começou a rir.

– Essa é outra informação importante. Você sempre se molha ao dar banho neles. Acho que já chega de diversão por hoje, não? – quando ele fez menção de pegar a toalha e Beckett erguia o bebê da banheira as perninhas dele deram outra saraivada molhando ainda mais Kate. A camiseta da NYPD que usava estava colada no corpo. Castle percebeu que ela estava sem sutiã. Podia ver o mamilo surgindo diante do tecido molhado. Ele respirou fundo. Jogou a toalha nas costas de Dylan e o envolveu em seus braços. Beckett saiu da banheira e ele a entregou o bebê. Era melhor que ele estivesse no colo dela assim o impedia de pensar besteiras diante da imagem.

De volta ao quarto, Castle colocou o protetor novamente sobre a cama e perguntou.

– Você não quer que eu faça isso? Posso enxuga-lo e vesti-lo. Pode ir trocar de roupa se quiser.

– Acho que consigo ao menos enxuga-lo. Ainda não me sinto pronta para o resto – ele sorriu e ficou observando o jeito de Beckett com o bebê. Ela sorria e conversava com ele enquanto deslizava a toalha pela pele macia da criança enxugando-o. Primeiro uma mãozinha, depois a outra. Repetiu o gesto com os pés e surpreendeu Castle ao beijar e mordiscar um deles enquanto Dylan abria o sorriso. Ela passou a toalha no bumbum e na barriga beijando-a quando o pequeno agarrou seus cabelos. A gargalhada dela encheu o quarto e o coração de Castle. Ele estava adorando vê-la assim – Dylan... solta os cabelos da tia – ela repetiu o carinho na barriga dele. Devagar, foi tirando as mãozinhas de seus cabelos. Delicadamente, esfregou a toalha nos cabelos castanhos claros – será que podemos deixar molhado, como vou secar esses cabelinhos?

– Paciência – a palavra saiu como um sussurro. Era um conselho que servia para responder a pergunta dela e para acalma-lo diante da cena que se desenhava bem diante de seus olhos. Ver Beckett interagindo com o bebê que poderia ser ele e que agora lutava para ser seu filho mexera com Castle, vê-la gargalhando e sorrindo era um presente.

– O que disse?

– Paciência – ele firmou a voz – tem que esfregar devagar várias vezes para tirar o máximo da agua, não queremos que pegue um resfriado. Falando nisso, é bom se trocar. Eu assumo daqui.

– Tudo bem, já volto – somente ao se ver diante do espelho, ela entendeu porque Castle insistira que ela se trocasse. A blusa grudada ao corpo mostrava claramente o contorno de seus seios e os mamilos em alerta pelo contato da agua – oh, Castle... o que está acontecendo? Primeiro os pensamentos inapropriados do banheiro, o toque das peles e agora isso... – ela conversava consigo mesma – por que eu estou pensando em banho e Castle...nu....o que há de errado comigo?

No seu quarto, Castle vestia Dylan conversando também com o menino.

– Garotão, serão três semanas bem difíceis. Se você continuar molhando Kate a cada banho não sei se irei aguentar. Diz que você também não está apaixonado? Sortudo. Pelo menos ela te beija, te toca, morde – ele balançou a cabeça – meu Deus! Estou com ciúme de um bebê? É isso? Não. Desculpe, Dylan. É involuntário. Ela mexe comigo e o jeito que estava cuidando de você... – suspirou – é apenas o primeiro dia... paciência, Castle... paciência.

Quando Kate desceu as escadas, encontrou Castle fazendo uma mamadeira e Dylan no colo de Martha. O menino estava vestido com um macaquinho lindo vermelho com um leãozinho na barriga.

– Olá, Katherine! Como está sendo sua experiência nessas poucas horas com o meu filho e essa fofura na nossa casa?

– Interessante. Estou me adaptando.

– Ótimo. Richard está tratando-a bem? Ela é nossa hospede. Use sua educação. Por falar nisso, onde anda Alexis?

– Picnic com os amigos no Central Park e Ashley – Beckett riu do jeito que Castle pronunciou o nome do namorado da filha – e por onde andava, mãe?

– No estúdio, onde mais? Está tudo ficando tão lindo. Fiz ensaios para a abertura, será maravilhoso dividir minha arte com as pessoas.

– Isso é ótimo, Martha. Que peça irão encenar?

– Sonhos de uma noite de verão. Não há erro com Shakespeare.

– Definitivamente não! – ela rodopiava com o menino pela sala fazendo Beckett sorrir do jeito que brincava com a criança – ah, talvez você nunca fosse ouvir isso de Martha Rodgers, mas estava com saudades de ter um bebê para mimar. Richard não conseguiu “produzir” nada depois de Alexis, se é que você me entende – piscou para Beckett – claro que tem um lado positivo, acho que ele ainda não tinha encontrado a garota certa... – Beckett percebeu o tempo verbal usando pela mulher a sua frente – fico feliz que o pequeno Dylan tenha surgido. Vovó outra vez.

– Não sabia que esperava ter mais netos, mãe – disse Castle entrando na sala trazendo a mamadeira.

– A opção é sempre boa. Claro que essa fofura não é seu filho de sangue, mas é tão parecido que ninguém vai duvidar. Quem sabe você não se anima e providencia um da maneira correta depois do Dylan?

– Precisa de dois para dançar o tango, mãe.

– Claro – ela olhou para Beckett e depois para o filho – eu ainda sou boa de matemática... quer comer, Dylan? Será que ele aceita que eu o alimente?

– Por que não tenta, Martha? – disse Beckett querendo que ela se mantivesse ocupada. Foram duas insinuações em cinco minutos. A sugestão serviu. Adiantou. Martha passou a conversar com o Dylan. Beckett sorriu ao ver Castle se aproximar trazendo uma caneca de café.

– Obrigada – ela bebeu um pouco – não sabia que sua mãe tinha gostado tanto da ideia de ter um neto.

– É, nem eu. Pelo menos, entendi que a decisão de adotar Dylan foi sensata. Uma das melhores decisões que tomei em muito tempo. Fará bem para todos nós. 

– Uma das...tiveram outras, Castle?

– Claro, a de seguir você e criar Nikki foi outra – ela sorriu enquanto Castle pensou a de beija-la também – é um prazer ajuda-la com a minha inteligência todos os dias, detetive.

– Tão modesto... – ela mordiscou os lábios – mas concordo que é bom tê-lo por perto, me fazendo ver um pouco além das evidências – O pequeno momento foi interrompido por Martha comunicando que o bebê dormira – vou aproveitar e tomar um banho, depois desço para ajuda-lo com o jantar, Castle.

– Não precisa. É sábado. Pedirei comida do Le Cirque. Fique à vontade, já disse que a casa é sua, Beckett.

Ela subiu as escadas outra vez, o resto do dia foi bem normal. Jantaram todos juntos e novamente Castle cuidou da troca de fralda. Depois, fez a mamadeira ensinando-a passo a passo. Era muita informação. De repente, bateu o desespero nela. Como poderia lembrar de tudo isso? Teria que treinar muito. Castle viu a preocupação no semblante dela.

– O que foi?

– É muita coisa. Como vou aprender tudo isso tão rápido? Preciso treinar. Se a assistente chegar e me ver fazendo a mamadeira errada? E se eu esquecer de lavar os vidros ou...ou a chupeta, e-eu acho que não consigo. Trocar a fralda? Com Dylan se movendo? Não... eu vou estragar tudo...

– Hey... – ele tocou gentilmente o ombro dela, virou-a para fita-lo segurando-a com as duas mãos nos ombros de Beckett – olhe para mim. Você é uma detetive de homicídios, enfrenta bandidos, os põe atrás das grades. É claro que você conseguirá aprender a trocar fraldas e preparar mamadeiras. Você só precisa se acalmar e ser prática. Aqui – ele entregou a mamadeira na mão dela – alimente-o e faça com que ele durma, depois quero lhe mostrar uma coisa. 

Beckett acabou fazendo o que Castle sugeria. Dando a última mamadeira antes de Dylan dormir, ela sentiu o carinho que aquele corpo minúsculo era capaz de lhe fornecer apenas por colocar a mãozinha junto da sua. Ele adorava aninhar-se no peito dela. Enquanto sugava a mamadeira, não tirava os olhos azuis dela. O momento íntimo acabou trazendo as sensações que tivera da primeira vez que carregara Dylan. Também foi responsável por fazer Kate se questionar sobre as insinuações da Martha. Era claro que a mulher tinha uma afeição a mais por ela e apostava em algum outro tipo de envolvimento com seu filho. Isso só a deixava com medo e confusa. A vida com um bebê não era simples. Por que estava pensando nisso? Ela não tinha um relacionamento com Castle e Dylan não era seu filho. Segunda-feira ela voltaria para o 12th e só o veria a noite, não tinha muito o que pensar.

Nesse momento enquanto embalava Dylan nos braços constatou que por causa do menino, Castle poderia se afastar das investigações para cuidar dele. Não gostou dessa ideia. Claro que não precisava dele para investigar seus casos, porém se acostumara a tê-lo ali, ao seu lado. Acostumara-se a rir de suas piadas, a ouvir suas histórias e teorias malucas e esperar pelo café. Suspirou. Dylan terminou a mamadeira e tinha os olhinhos quase fechados.

Quando Beckett tirou o objeto e lhe ofereceu a chupeta, tornou a abrir os olhos e segurar seu dedo. O gesto fez o coração dela ficar leve.

– Oh, bebê... Dylan, meu fofinho. Eu prometo que vou me esforçar para cuidar de você, tá? Tia Kate vai fazer carinho, colocar para dormir... vou trocar sua fralda ainda e tudo que quero é vê-lo feliz. Quero que Castle seja seu pai de verdade, porque ambos merecem. Ele vai dar muitas coisas boas para você. Estudo, casa, diversão e principalmente amor e carinho. Ele é bom nisso, Dylan. Se você tivesse ideia do quanto é querido apenas nos conhecendo por uma semana... como você é parecido com ele! Os mesmos olhos azuis cativantes... – ela suspirou – durma, baby boy.

Ficou caminhando de um lado a outro até que ele se rendesse. Satisfeita ao ver que o sono o vencera, Kate seguiu até o quarto que Castle transformara para Dylan e colocou-o no berço. Ainda ficou de pé velando o sono do pequeno por uns quinze minutos. Esse menino exercia uma fascinação sobre ela que não conseguia explicar. Ao retornar à sala, Castle a esperava com uma sacola nas mãos.

– Já vai dormir? Quer um pouco de vinho ou conversar?

– Aceito uma taça de vinho, mas não estou muito a fim de conversar. Desculpe, Castle.

– Tudo bem, eu entendo. Tenho algo para você – ele entregou a bebida e pegou a sacola que deixara sobre a mesa de centro – esses são alguns livros que comprei para refrescar a memória caso a agente me questione sobre alguma coisa relacionada a Dylan. Achei que você poderia gostar de ler também – ela abriu a sacola e tirou os três livros de lá. O gesto foi bonito e interessante.

– Escute, Beckett. Essa leitura irá ajuda-la a assimilar algumas coisas que acontecem com o bebê, porém como já expliquei para você, eles são sensitivos. Muitas vezes, mais que a experiência o que conta mesmo é o carinho, o sentimento que vem do coração. Isso você tem. Por isso ele gosta tanto do seu colo. Não há o que temer, Kate. Acredite, você já está fazendo muito mais do que imaginei.

– Eu quero que dê certo, Castle. De verdade. Eu quero que seja o pai de Dylan.

– Eu também quero – ele ergueu a taça e brindou com ela – ao nosso teste e ao futuro de Dylan.

– Dylan Castle... eu gosto – ela sorriu.

– Dylan Kingston Castle, o sobrenome de Anna permanece. Devemos isso a ela – na sua mente, ele acrescentara mais um, se perguntava se conseguiria registra-lo. Dylan Kingston Beckett Castle. Por enquanto, era um sonho.   

– Eu vou subir agora. Boa noite, Castle – ela se levantou do sofá com os livros nas mãos.

– Boa noite, Beckett.

Em seu quarto, já deitada na cama, Beckett começou a ler sobre como criar bebês. A medida que avançava, ela se via pensando nos obstáculos que enfrentaria nessas três semanas. Outro assunto também rondava sua mente. O elefante no canto da sala, em outras palavras, o relacionamento com Castle.

Todos pareciam entender mais de sua vida e de seus sentimentos que ela. Maddie, Martha, Ryan até seu capitão demonstrava ter uma opinião sobre o assunto. E quanto a ela? Qual era o seu veredito sobre o que existia entre Castle e ela? Não sabia. Sim, ele a atraia. Era carinhoso, amigo. Eles trabalhavam bem juntos. Castle a compreendia como ninguém, a conhecia mais que seu próprio pai. As vezes nem precisava dizer qualquer coisa, bastava trocar um olhar. Por que isso acontecia? Será que Castle... Maddie tinha razão? Estariam os dois apaixonados? Se isso era verdade por que ela não conseguia admitir ou entender? Suspirou... borboletas no estomago, o beijo. Definitivamente, sua interpretação do que sentia não era compreensível. Era demais para assimilar agora e estaria aqui, convivendo com Castle durante três semanas. Não tinha ideia do que poderia acontecer.

Ela fechou os olhos procurando dormir. Sua mente, contudo, maquinava os últimos pensamentos. Relacionamento, Castle, beijo. Atração, carinho. O cérebro não conseguia desligar. Beckett bolava de um lado para o outro da cama. Em nada tinha a ver com o ambiente ou o colchão. Era o simples fato de saber que estava morando com Castle, mesmo que temporariamente, que a deixava ansiosa e alerta. Diante do insucesso para dormir, ela se levantou e desceu as escadas.

O ambiente da sala estava escuro. As luzes do escritório apagadas e apenas o abajur no quarto de Dylan iluminava o local. Dirigiu-se para a cozinha servindo-se de um copo com agua. Sentou-se no sofá e não pode deixar de observar os porta-retratos na mesa ou no aparador. Lembrou-se do comentário dele sobre as fotos para compor o quarto do Dylan e seu escritório. Registrar o que faziam através de fotos não tornava tudo mais real? Para a agente não tinha dúvidas, mas, e para eles? Por que era tão difícil encarar que a convivência com Castle poderia afetar o que ela chamava de parceria hoje ao pensar nele?

Suspirou. Todas essas indagações internas não ajudavam-na a sentir sono, na verdade, a deixavam mais alerta. De repente, ela ouve um chorinho. Dylan. Será que ele acordou? Deveria checar se está bem? O choro aumentava. Quem tinha a obrigação de cuidar dele era Castle. Mas e se ele não ouvisse? Então, ela ouviu um barulho. Permaneceu quieta no sofá. Viu Castle passar para a cozinha esfregando os olhos. Os cabelos bagunçados. Ele usava um short e uma camiseta. Mexia nas mamadeiras. O menino continuava chorando.

Agoniada, Kate caminhou cautelosamente até o quarto de Dylan. Ele tinha o rosto vermelho de chorar. Tirou-o do berço e aninhou-o em seu peito. O chorinho diminuiu, mas não cessou. Ele devia estar com fome. Quando Castle surgiu no quarto ainda zonzo segurando a mamadeira, assustou-se.

– Beckett? O que faz aqui?

– Desculpe, eu ouvi o choro e não queria te assustar... você podia estar dormindo pesado e...

– Babá eletrônica. Nunca falha.

– Ah...é fome?

– Pode apostar que sim – ela ofereceu o bebê para Castle que o pegou no colo colocando a mamadeira em sua boca. Era uma vez um choro. Enquanto Castle o alimentava, ela reparara no jeito dele. Os cabelos emaranhados, o rosto amassado, os olhos sonolentos. Porém, a forma como ele dirigia sua atenção para o bebê era admirável. Caminhou até a cadeira, sentou-se e murmurava algumas coisas para a criança que ela não conseguia entender. Não importava, a imagem valia mais que mil palavras. Ver Castle totalmente entregue ao papel de pai no meio da noite a fez suspirar. Ele parecia mais bonito. Beckett não se dera conta, mas estava escorada na porta com um sorriso bobo no rosto admirando-o.

Vendo que a mamadeira estava quase acabando, ela saiu de fininho de volta para o seu quarto. Não sabia explicar, porém o que presenciara a fizera sentir-se leve e sonolenta. Adormeceu rapidamente.   

No domingo pela manhã, Beckett se levantou cedo. Decidiu preparar o café para todos. Ovos, panquecas, cereal, suco de laranja. Arrumou a mesa e estava a ponto de tirar os pães da torradeira quando ouviu alguns gritinhos e uma voz. Castle surgiu com Dylan no colo.

– Ah, acertei garotão. Você me deve um dólar. Bom dia, Beckett. Sabia que era você quem estava na cozinha atiçando meu olfato com o cheiro gostoso de ovo e bacon.

– Está quase tudo pronto. Falta apenas ligar a cafeteira. Quer fazer as honras? – perguntou colocando o prato com as fatias de pão na mesa. Assim que Castle ativou a cafeteira, ela virou-se para o bebê – bom dia, meu amor. Você dormiu bem, Dylan? – a voz era suficiente para encantar o menino que se jogou para o colo dela – você já comeu? Quer um leitinho?

– A última mamada foi as seis da manhã. Duas horas e meia atrás. Acho que aguenta mais um pouco –  Martha e Alexis apareceram em seguida.    

– Que mesa arrumada e farta! Alguma fada madrinha passou por aqui?

– Sim, a fada Kate.

– Oh, Katherine, você é hospede aqui. Não devia ficar se preocupando com refeições. Richard, isso é sua função.

– Tudo bem, Martha, não me importo. Até gosto. Sentem-se antes que esfrie.

Eles partilharam a refeição como uma família. Não que isso tenha ocorrido a Beckett. Ela tinha o menino em seus braços. Passara mais tempo brincando com ele do que propriamente comendo. Aliás, fora assim o dia todo. Dylan simplesmente não trocava a companhia e o colo de Kate por nada. Exceto pelas vezes que Castle o roubava para trocar as fraldas, ele era exclusivamente dela. Quando ele finalmente resolveu dormir por volta das três da tarde, ela teve a chance de tomar um banho e se alimentar. Esse era apenas seu segundo dia convivendo com a criança, porém já reconhecia que a vida de mãe não é fácil. Sentada no sofá com a cabeça apoiada na própria mão, ela fitou Castle.

– Como as mães conseguem? Digo, lidar com todos os afazeres de casa, o bebê. Fico me perguntando como Anna se virava. Ela ainda trabalhava e fazia teatro. Eu a vi em ação com a criança, era incrível. Eu nunca conseguirei agir como uma mãe verdadeira. Eu nem fiz metade do trabalho e já estou apavorada!

– No início é realmente difícil, se adaptar, se acostumar a tudo. Depois, se torna rotina, automático. Isso vai acontecer com você também, Beckett.

– Castle, como vai ser quando formos trabalhar amanhã? Quer dizer, Dylan é agarrado comigo e você. Não gosta do colo de Alexis... e definitivamente não podemos leva-los para o distrito. De jeito nenhum. Não devemos expor o que estamos fazendo, já tem gente demais sabendo.

– Se ele não aceitar ficar com minha mãe e Alexis, talvez eu tenha que ficar em casa com ele – ali estava, o que Beckett temia, a perda de seu parceiro – ele é a nossa prioridade. A minha – corrigiu.

– Certo. Tudo bem – só que não estava. Ela não queria investigar sem ele – acho que eu vou ler um pouco mais, tenho que estar pronta.

– Sabe, um pouco de prática é sempre bom. Devia experimentar fazer uma mamadeira quando ele acordar ou trocar a próxima fralda.

– Não... ainda não... quero me sentir preparada – ele viu a insegurança nos olhos verdes.

– Não poderá fugir por muito tempo...

– Não fugirei – o choro cortou a conversa dos dois e novamente Kate voltara toda a sua atenção ao pequeno Dylan.

Como para tornar a vida de Beckett um pouquinho mais difícil, na manhã seguinte antes de ir para o trabalho, Dylan aprontou. No segundo que ela entregou o bebê para Martha, ele abriu o berreiro. Chorava de soluçar e apenas se acalmava no colo dela. Castle tentou segura-lo e teve sucesso por poucos minutos antes da reclamação voltar. Com muito custo e zelo, ela o fez dormir.

Conclusão: ela e Castle chegaram atrasados no 12th.

Ao vê-los na delegacia, Montgomery os chamou até sua sala. Mandou-os fecharem a porta. Beckett foi logo se desculpando.

– Eu sinto muito, Capitão. O atraso, e-eu fui pega desprevenida e Dylan... não vai acontecer de novo.

– Você chegou atrasada hoje? – ótimo! Então seu capitão não havia notado até ela mencionar seu pequeno delito. Mordiscou o lábio e baixou a cabeça. O gesto fez Montgomery sorrir – eu os chamei aqui porque recebi uma ligação do serviço social informando que uma das minhas detetives está participando de um processo de adoção. Apenas gostaria que soubessem que já é oficial – Beckett e Castle trocaram um olhar. Estava acontecendo.

– Obrigado por nos avisar, capitão.

– Tendo em vista que estarão sob avaliação, eu tomei a liberdade de lhe dar dez dias de afastamento. Não estou usando suas férias, detetive. Estou justificando sua necessidade de acompanhamento ao processo de adaptação do menor Dylan Kingston.

– Senhor, olha, eu agradeço. Porém, não é necessário. Eu preciso trabalhar, há casos para resolver. Não me importo e Castle já concordou que se tiver que se afastar para cuidar de Dylan, ele o fará.

– Beckett, você precisará estar familiarizada com o loft, a rotina de Dylan, as obrigações de mãe. Se realmente quiser convencer o serviço social, precisa desse tempo.

– Mas capitão os casos e... – ele a interrompeu.

– Você não é a única detetive desse distrito. Meus homens darão conta. Se eles acharem necessário fazer uma consulta a você, poderão ligar para o seu celular, mas apenas após eu me certificar de que não conseguimos resolver sozinhos. Não quero mais ouvir qualquer argumento. Isso é uma ordem, detetive.

– Sim, senhor – ela trocou um novo olhar com Castle. Estava de fato acontecendo. Beckett passaria 24 horas por dia ao lado de Castle. Ao sair da sala, suspirou.


– Você ouviu o capitão. Vou pedir para o Dr. Andrews nos encontrar no loft – ele disse uma das frases que mais desejava dizer para ela nesses três anos – Vamos para casa, Beckett.


Continua.... 

9 comentários:

TheMikyMel disse...

MORRI com esse capitulo!

Castle todo doméstico com o baby e a Kate apaixonadinha com borboletas no estômago e tudo, querendo fazer uma reprise do beijo do 3x13!

Montgomry prevendo tudo e jogou ela na fogueira, adoro! Geral shippa eles, só eles que não veem!

Luciana Carvalho disse...

E agora Kate, vai resistir e brincar de casinha até qd??? Sinto q a brincadeira n vai durar mt tempo e logo logo alguém vai se entregar!!!
Os arrepios tem sido constantes e Dylan só ajuda ainda mais!!!
Ansiosa pelo próximo!!!!
Adorando essa fica fofura, nem parece q é escrita pela Karen!!!
kkkkkkkkkkkkk... no angust!!

Géssica Nascimento disse...

Sinto um orgulho enorme de mim mesma por ter descoberto este blog! Eita escritora boa essa!!!
Karen... você é 10!!!!!!!! O povo aqui do Pará tem uma forma de descrever coisas e pessoas maravilhosas, Karen, você é PAI D'ÉGUA!!! PARABÉNS!!!

Gabriela Mendonça disse...

Não sei qual o desespero maior da Kate, se é o de cuidar do Dylan ou o de ficar pensando besteiras com relação ao Rick kkkk vale lembrar que o desespero dela é só quando começa a pensar, pq ela sabe direitinho o que fazer... Kate pedindo regras foi ótimo kkkkk vai achando que babys seguem regras, é no tempo deles, na hora deles, do jeito deles kkkkk a parte do banho foi hilária, ela agoniada e pensando no Rick tomando banho e o Rick sem ar vendo a Kate td molhadinha Kkkkkkkkk E esse ciúmes do baby kkkk uma não quer perder o parceiro para o baby, o outro com ciúmes dos beijos e mordidas que o baby ganha... aiii meu Deus, boraaa revelar logo povo... Marthaaa, maravilhosaaaa... doida para ver domo vão se comportar com a agente. E Roy? Kkkk esse ai já esta ligado em tudinho kkkk

cleotavares disse...

Já disse que amo a Martha? Sempre um passo a frente. Está muito fofa essa família. E então, quem se entregará primeiro? #amomuitotudoisso.

Karen Jobim _ Escritora e seriadora!!! disse...

Gessica voce e do Para? Serio?! Eu conheço a expressão sou do norte! Muito obrigada! Beijos!

Silma disse...

Nem preciso comentar o quanto eu amei o capítulo! ❤️

Vanessa Belarmino disse...

Posso dizer que já consigo visualizar a trave??? hahahaha
Minha nossa! Eu to amando essas aulas... Castle está sendo um cavalheiro, e isso precisa ser mencionado... Ele ta focando no Dylan, e claro sonhando acordado... Bem, não é o único... Só que dona Beckett ta meio safadinha... Esses pensamentos impuros... haha
Mas também não da para julga-la... Entrar no quarto dele, no banheiro e meio que na banheira dele e não imaginar coisas, seria demais para qualquer mortal... Aquela bunda! hahahaa
Kate ta toda apaixonada pelo Dylan e babando pelo Castle... Mulher, se joga! Não pera... Dylan é prioridade! Depois ela seguir o conselho da mãe e ouvir o coração...
E os tiros da vovó Martha? hahaha
Mas a fada Madrinha do capitulo é o Roy, 10 dias, 24 horas... Vamos pra casa, já! hahaha
P.S Quer ver esse encontro de Dylan e Maddie... Imagina ela tendo as melhores cenas da amiga brincando de casinha...

Priscila Barros disse...

huahuahauhau, o que falar dessa Kate apavorada com os cuidados do Dylan?! huahauhauahauhauahuahau, ri muito dela sem saber como segurá-lo com um braço e lavá-lo com outra huahauhauahuahua tadinha! Mas com um mega professor desses daqui a pouco ela tá craque, logo logo ela pega o jeito.
A parte do banho foi hilária! huahauahuahauhauahua eu sinto que não vai demorar muito para esses dois perceberem que tem que ficar junto, eles são o melhor casal <3 <3 ainda mais com a fofurinha do Dylan para ajudar a manter a proximidade deles?! Nada melhor que esses 'esbarrões' sem querer, uma ou outra camiseta molhada kkkkkkk <3
Lindo mesmo é ver o Castle paizão em ação <3 o bundudo é o melhor! Acordando de madrugada pra fazer mamadeira, todo fofo <3 <3 <3
ai, eu amei demais essa fofura toda Kah <3