quarta-feira, 7 de setembro de 2016

[Castle Fic] One Night Only ! - Cap.64




Nota da Autora: Mais um capitulo. Sim, o angst continua, porém acredito que há momentos engraçados afinal, a dupla dinâmica ataca! Também sei que a maioria não irá aprovar uma determinada parte da história, tudo bem. Na minha opinião é importante manter a essencia, não abro mão disso. Enjoy! 

Cap.64


A noção de Dana em relação a tempo era perfeita quando chegou ao restaurante, o garçom acabara de colocar os pratos com sushi na mesa. Pediu um saquê e cumprimentou as mulheres. Kate estava preocupada com o rumo da conversa. Maddie se dirigiu a terapeuta.

- Chegou na hora certa, Kate estava prestes a me contar como foram as semanas sem Castle e se esse é o motivo dessa carinha.

- Carinha? Que carinha? - ela retrucou.

- Qual é Kate! Conheço você. Esta tristinha, perdida, esse seu olhar não me engana. Está com saudades do escritor. As vezes tenho vontade de socar esse seu rostinho bonito. Você não gostaria de sair nas tapas com ela, Dana? Só para ver se acorda? - a terapeuta se restringiu a rir. Estava adorando ver a interação de Maddie sobre o assunto Castle - quem cala, consente Dana.

- Querem parar?

- Não até você perceber a bobagem que está fazendo, garota. Ainda bem que sou linda e não tenho problemas de autoestima porque ser amiga de Kate Beckett não é fácil. Quer saber por que? Eu conto - Maddie comeu um rolinho de salmão antes de continuar.

- Imagine se olhar todos os dias no espelho tendo Kate como referência? Os cabelos perfeitos, a cor dos olhos, o corpo esbelto com curvas de fazer virar qualquer pescoço, simplesmente perfeitas...

- E marcado por balas, arranhões e cicatrizes - completou Kate querendo sair do pedestal, da berlinda.

- Isso são detalhes que a compõem, que fazem parte do seu outro lado, o de policial competente. Além de tudo isso, temos que lidar com o fato de Kate ter tirado a sorte grande. Tem a seu lado simplesmente um dos homens mais gostosos e charmosos de Manhattan, um milionário de olhos azuis que fez dela sua musa, que está ao seu lado todos os dias, esperando por você se decidir que o quer. Ele é louco por você! Está esperando por você! Por que não deixa essa teimosia de lado e agarra logo o Castle? Onde anda aquela menina do ensino médio, que amava provocar e ser provocada? Coloque-a para fora. Desde a primeira vez que a vi com ele ficou claro, quer fazer bebês com Castle. Assumam logo que se amam e façam amor como coelhos!

- Maddie!!! Dana, será que você pode me defender? – a terapeuta ria das colocações de Maddie.  

- Nossa! Ela conseguiu ser mais direta que eu – aquela oportunidade era única para Dana ser mais explicita - Certo. Terei que servir de mediadora, afinal esse é o meu papel. Ambas estão certas - Kate revirou os olhos na hora - Maddie, você não podia ter definido melhor a situação de Kate. Da mesma forma que mencionou que Castle é louco por ela, eu acrescento que ela também é louca e apaixonada pelo escritor. Não consegue disfarçar ou negar mais esse fato e no fundo, sabe disso. Por outro lado, Kate está se tratando há problemas e traumas que precisam ser vencidos. Sei o quanto ela está lutando, vejo sua determinação para se curar todos os dias que vem ao meu consultório. É admirável. Porém, existe um pequeno fator, uma variável que pode influenciar e colocar tudo em cheque: o tempo.

- Dana! Você deveria estar me ajudando, já me perdi nesse papo de tempo, variável, eu nunca gostei de matemática! - Dana riu.

- Não estou falando de matemática e acredite estou lhe ajudando. Será que posso terminar meu ponto?

- Achei que isso era um jantar entre amigas, não um interrogatório da santa inquisição... – retrucou Kate.  

- Cala a boca, Becks e ouça a sua terapeuta! Acredite, você não podia ter melhores amigas que nós duas.

- Como estava dizendo, seu relacionamento com Castle se baseia em tempo. São quatro anos. Idas e vindas. Apesar de tudo que aconteceu, ele continua lá. Esperando. Já dizia o ditado: quem espera sempre alcança, mas algumas vezes esse mesmo compasso de espera, cansa. O tempo cura feridas, contudo pode ser traiçoeiro. Tudo pode mudar em questão de segundos, minutos, em poucas palavras. Porque a vida não espera. Hoje estamos vivos, amanhã, quem sabe?

- Onde você quer chegar com isso? Está dizendo que Castle cansou de esperar? - Ela podia ver o pavor nos olhos de Kate.

- Não disse isso, ainda. A verdade é que a sua luta para se curar não acabou, mas você não precisa fazer isso sozinha. Não fez da primeira vez, o que quero dizer é que está na hora de você responder aquela pergunta.

- Dana...

- Não se preocupe, Maddie é sua amiga e sabe que Castle a ama.

- Eu não estou pronta...

- Tem certeza?! Porque se engana, Kate? Você gosta dele, se importa, é apaixonada, então por que não se dá uma chance? Diga a Castle como se sente, diga que quer tentar outra vez, mostre que quer o tudo, mais que a lembrança de Roma... - Kate ficou pensativa, mordiscava os lábios.

- Bem, eu não entendi metade do que Dana falou, tudo, Roma, porém se tem uma coisa que eu sei é que Castle é apaixonado por você, mais que isso, ele te ama. É só ver o jeito que ele te olha, Becks. Portanto, estou com Dana. Acho que você deve chama-lo para uma conversa séria e abrir esse coraçãozinho complicado.

- Vocês realmente acreditam que ele irá me ouvir? Dana, e quanto a pergunta que você me fez durante a terapia? Você disse que havia apenas uma resposta. Se não estou pronta para contar a verdade sobre aquele dia então... – Kate calou-se por alguns segundos para perceber ao que a terapeuta se referia – a resposta certa... era eu falar de meus sentimentos, nunca foi sobre contar o que ouvi, foi sobre dizer o que eu sinto... – a realização assustou-a não de uma maneira ruim, um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios – você é escorregadia, Dana. Queria apenas que eu admitisse.

- Não se sente melhor agora? – Dana piscou para ela.

- Mas e se eu o procurar e não for o momento certo?

- Kate, lembra o que eu disse sobre o tempo? Não existe momento certo, você não pode esperar por ele. Certo ou errado, somente existe o agora. Não deixe a vida te pregar uma peça ou será tarde demais.

- Quando Castle volta da turnê? – perguntou Maddie.

- Amanhã. Isso se não decidiu ficar por Vegas.

- O que você quer dizer com isso? – Maddie a olhou intrigada.

- Ele me disse que a turnê terminava na sexta, porém ele só voltava na segunda porque estava pensando em passar o fim de semana em Vegas que era a última parada. Sabe lá o que ele não deve estar aprontando...

- Ele vai voltar e vocês terão um caso para trabalhar. O ideal seria na sua primeira aparição no distrito. Se não for possível, no meio ou no final do caso, você irá pedir para conversar com ele. Se falar o que espero que fale, vocês irão se acertar – disse Dana.

- Como você tem tanta certeza?

- Porque é você e Castle. Não importa quantos momentos difíceis existam, vocês sempre superam por causa do que sentem e da confiança que tem um no outro.

- Agora que o momento terapia passou, que tal a gente pedir a sobremesa e a Becks contar como foram esses dias sem Castle? O que sentiu? Se pensou nele, se houve sonhos intensos...

- Maddie! Que mania você tem de querer saber sobre essas coisas intimas!

- Ah, curiosidade. Não estou pedindo para me falar da performance de Castle na cama, quero saber o que a mente da minha amiga pensou na ausência dele, na falta dele... todas nós temos necessidades fisiológicas, somos humanas – Kate revirou os olhos e cobriu o rosto – vamos, Becks, sei que aquela Kate do ensino médio está aí dentro, deixe-a falar. Podemos ir para o restaurante comer a sobremesa lá, que tal?

- Não, Maddie. O que essa conversa precisa é de chocolate. Muito chocolate. Pensando nisso, eu trouxe a verdadeira sobremesa. Tem uma confeitaria maravilhosa perto da minha casa. Sabia que poderíamos precisar, então trouxe três pedaços de um “Devil´s cake” divino. Sugiro pagarmos a conta e irmos para uma Starbucks, um bom café e essas belezinhas ajudarão Kate a falar da ausência de Castle.

- Excelente – Maddie fez sinal para o garçom.

- Eu te odeio, Dana! – disse Kate contrariada e desejando loucamente o bolo de chocolate. 

XXXXXXXXX

Elas deixaram o restaurante e conforme o plano de Dana foram para a Starbucks mais próxima. Devidamente munidas de café, sentaram-se a mesa e começaram a devorar os doces. Não ficaram apenas no bolo de Dana, compraram brownies e bolo de banana e nozes.

Seja pelo clima descontraído, por estar na companhia de duas amigas capazes de entende-la sem julgá-la ou mesmo pelo sentimento que rondava seu coração, naquela noite tudo era permitido para Kate Beckett. E ali em meio a uma overdose de chocolate e café, ela se deixou falar sobre porque tinha tanta saudade de Rick Castle.

- Por que ele tem que ser tão irritante? Provocante? Ele sabe exatamente o que dizer para me convencer, sabe como me atingir. E aqueles olhos... são hipnotizantes. Parecem ver além de mim. Quando ele estava longe, aquela cadeira vazia me incomodou. Isso faz algum sentido para vocês? Acho que estou ficando louca.

- Ah, sim! Louca de pedra por Castle - disse Maddie rindo.

- Hey! Pare de zoar da minha cara! - Kate reclamou enfiando outra colher com um pedaço imenso de bolo de chocolate. Sim, o excesso de doce a deixava emotiva, Dana percebia os efeitos da endorfina e o quanto a ausência de Castle mexia com ela – vocês só fazem isso porque não tem ideia do que é sentir aqueles lábios nos seus, aqueles braços fortes envolvendo seu corpo, o jeito que ele devora a minha nuca... Deus! Eu pareço patética! Dana, me dá esse brownie - e roubou o pedaço do doce que a amiga tinha nas mãos. Deu a primeira mordida e gemeu. Rindo, Maddie comentou.

- É Becks, pateticamente apaixonada...

De repente, lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.

- E se for tarde demais?! - os olhos cheios de dúvidas e lágrimas escondiam o brilho e a cor amendoada.

- Chega! - disse Dana arrancando o bolo da sua mão - está na hora de suspender o doce para você. Vou leva-la para casa. Maddie, você está de carro?

- Não, fomos de metro para o restaurante.

- Tudo bem, voltaremos de metro então.  Vai nos acompanhar?

- Claro - seguiram juntas até o apartamento de Kate que ainda chorava e balbuciava perguntas sem noção sobre abandono, Castle e desejo. Dana pensava no seu último encontro com o escritor. Ela precisava fazer Beckett tomar uma atitude que anulasse a mágoa de Castle. Maddie se despediu assim que as deixou na sala. Dana ficou com a amiga para ter certeza que estava melhor. Assim que Beckett estava devidamente deitada em sua cama, Dana sentou ao seu lado para um último conselho.

- Kate, preste atenção. Amanhã quando você encontrar Castle, seja natural, esconda as emoções, porém deixe-o perceber que sentiu falta dele. Use um caso para exemplificar se for preciso. Chame-o para conversar e diga finalmente o que quer, o que sente. Você ficará bem, ambos ficarão. Entendeu?

- Sim, obrigada Dana.

- É sempre um prazer, Kate. Agora, descanse. Foi uma noite muito intensa para você.

- E-eu não sei se vou conseguir dormir depois de todo aquele açúcar.

- Vou fazer um chá para você – Dana saiu do quarto se dirigindo para a cozinha. Checando os armários de Kate, encontrou milagrosamente uma caixa de chá de camomila. Colocou a agua para esquentar e tirou da sua bolsa um comprimido para dormir. Dana era uma mulher prevenida sempre. Fazia parte de sua profissão. Esmagou o comprimido misturando-o no chá. Ao retornar ao quarto, encontrou Kate escorada na cama fitando o nada, sabia que ela estava pensando – aqui, beba tudo. Se quiser, fico um pouco mais fazendo companhia a você.

- Não, Dana. Eu vou ficar bem. Vou ler um pouco – a terapeuta não ficou surpresa ao encontrar o terceiro livro da série Heat na cabeceira da detetive. Era outra maneira de lidar com a saudade. Sorriu.

- Tudo bem, boa sorte amanhã. Ligue se precisar de algo, certo? Está pronta para a conversa, Kate? – ela viu a amiga tomar o último gole do chá e suspirar. Olhando para ela, falou.

- Estou – Dana beijou-lhe a testa e saiu fechando a porta do apartamento atrás de si. Kate pegou o livro e abriu onde havia parado. Cinco minutos depois, ela dormia com o seu exemplar de Heat Rises sobre o peito.

Na segunda-feira, passava de dez horas e não havia nenhum sinal de Castle no distrito. Infelizmente, também não havia um caso para servir de pretexto para Beckett ligar para ele. Queria ao menos saber se já retornara a Nova York. Quando ela mais precisava dos mortos, eles a abandonavam. Era algo péssimo de se dizer, mas Beckett acordara naquela manhã decidida a mudar o rumo de sua vida.

A conversa com Maddie e Dana servira para lhe abrir os olhos. Vinha perdendo tempo demais e se privando de aproveitar a companhia de Castle da forma que gostaria. É claro que a conversa que teria com ele não seria tão fácil. Sabia que não poderia aborda-lo no distrito. Também não pensara em como iria falar de seus sentimentos. Descobrira apenas na hora. Ou assim pensava. Pela primeira vez, Kate Beckett não racionalizara ou planejara aquela conversa. Ela iria simplesmente deixar fluir.

Ela ainda não tinha ideia, porém, a tão ansiada conversa com o escritor, iria ser colocada de lado por mais tempo do que podia imaginar.

XXXXXXXX

Rick Castle estava a bordo do voo retornando para Nova York. Embarcara por volta das dez da manhã de primeira classe. O fim de semana em Vegas não fora tão divertido quanto gostaria. Sim, ele aproveitou para tentar a sorte nos cassinos, jogou na roleta, blackjack e foi para a mesa de pôquer. Ganhou mais que perdeu, era verdade, porém o resumo daqueles três dias indicava que perdera. Não monetariamente. Fato era que sentira falta de Beckett durante toda a semana e ao ficar sozinho, apenas remoía um pouco mais a mágoa que ainda sentia dela face aos últimos acontecimentos.

Ele estava calado fitando a janela quando a comissária de bordo se aproximou oferecendo champagne. Ela era muito solicita e percebeu que Castle estava cansado e triste. Ofereceu-se para alegra-lo. Quando perguntou o que ele gostaria de beber, comer ou mesmo de entretenimento, Castle se pegou pedindo por café apenas, comeria mais tarde.

Jacinta, a comissária, serviu-o de café e ainda trouxe um pouco de chantilly caso ele quisesse. Mais tarde, ela trouxe seu almoço e acabou conversando um pouco com ele. Era divertida e acabou fazendo-o rir. Castle descobriu um pouco mais sobre a moça que comentou que a única forma de alguém deixar Vegas tão cabisbaixo era se tivesse perdido bastante dinheiro. Ele dissera que não era o caso. Jacinta retrucou que só existia outra explicação. Problemas do coração. Acabaram conversando um pouco sobre isso e Castle teve uma ideia.

Ao descobrir que Jacinta ia ficar em Nova York por uma semana, ele perguntou se não queria uma companhia e aproveitaria para lhe fazer um favor. Como não tinha nada a perder, ela deu ouvidos ao escritor que explicou o que pretendia. Ciente do que ele procurava fazer, Jacinta topou, embora o tivesse alertado que ele poderia estar brincando com fogo. Castle sabia que não era o caso. Ele ia deixar Beckett com a pulga atrás da orelha, era uma pequena vingança após o que descobrira. Que os jogos comecem.

Beckett finalmente recebera um chamado por volta das seis da tarde. Havia uma vítima esperando por ela. No segundo após desligar a ligação com a central, ela acionou Castle. Ele atendeu no terceiro toque.

- Olá, Beckett.

- Oi. Não tinha certeza se você já voltara para Manhattan. Tenho um caso, estou indo para o endereço nesse minuto. Quer que eu passe para pega-lo?

- Não precisa, apenas me informe onde e encontro você lá – Beckett recitou o endereço e ele agradeceu – te vejo daqui a pouco.

Vinte minutos depois, Beckett já estava analisando a cena do crime quando a Ferrari de Castle estacionou próximo de onde ela estava. Não era apenas o carro que era incomum para uma cena de crime, a forma como ele chegara também. Havia uma mulher loira dirigindo a Ferrari, alguém que ela não conhecia e obviamente Castle estava bem alegre com a companhia. Ela não estava gostando nada disso e ficou ainda mais surpresa ao vê-lo descer e deixar o carro com a tal desconhecida. Ela reparou bem na mulher, não era nenhuma beldade, longe de ser modelo. O ciúme começava a gritar e a curiosidade era maior que seu próprio orgulho. Beckett também reparou que ele estava com olheiras. Assim que ele chegou ao seu lado, perguntou.

- Noite longa, Castle?

- É, ainda não me recuperei do ótimo fim de semana em Vegas. Além do jetlag, fiquei passeando com Jacinta por Nova York. Ela estava no meu voo, é comissária de bordo.

- Sério? – ela o fuzilava com os olhos – anda saindo com ela? Ou você já deixa qualquer uma dirigir sua Ferrari?

- Jacinta não é qualquer uma, ela é divertida.

- Sei... eu tenho um caso para resolver – e saiu pisando duro distribuindo ordens para os rapazes e o time da CSU. Castle sorriu, a primeira impressão já deixara Beckett muito irritada. Ponto para mim, pensou. Infelizmente, se Castle soubesse o que sua atitude significara, não teria trazido Jacinta até ali.

Beckett recolheu todas as informações que podia da cena do crime e resolveu voltar para o distrito a fim de montar seu quadro de investigação e esperar por mais detalhes da autopsia e do laboratório. A vítima já havia sido identificada e já pedira um mandado para vasculhar o apartamento dela. Mas não era o caso que a perturbara e sim a nova amiguinha de Castle. Por que isso fora acontecer logo agora quando ela estava disposta a conversar com ele? Ela imaginava o que ele podia ter feito em Vegas e isso não apenas a deixava chateada, na verdade partia seu coração. Quem era essa mulher afinal? Era um flerte ou Castle estava começando a desistir dela?

Ela queria perguntar, mas ao mesmo tempo, não queria parecer incomodada. Decidira que ia observar melhor a situação. A tal conversa entre os dois teria que ser adiada.

O resultado do laboratório e da visita ao apartamento da vítima foram providenciais. Encontraram o lugar revirado de ponta a cabeça e digitais de um tal Colin Hunt. Descobriram pelas atividades de seu cartão de crédito que estava hospedado em um hotel no centro de Manhattan. Beckett não pensou duas vezes, hora de fazer uma visitinha ao seu suspeito. Castle a acompanhou.

No caminho para o hotel, eles não conversaram. Beckett estava concentrada em pegar seu suspeito planejando seus movimentos. Assim que chegaram, ela mostrou o distintivo e o concierge a levou até o quarto do tal Colin. Sem cerimônia e de arma em punho, Beckett o pegou de surpresa, tanto que acabara de sair do chuveiro. Estava envolvendo uma toalha na cintura.

- Mãos ao alto. Agora! - ele obedeceu e certamente a visão foi bem interessante. A toalha escapuliu deixando-o completamente nu na frente deles, por instinto, Castle cobriu os olhos de Beckett para que não conferisse o instrumento. Mas a detetive se esgueirou porque a curiosidade era maior e gostou do que viu. Então, Colin mostrou sua identificação falando que estavam cometendo um engano. E tinha razão, Colin Hunt era um detetive inspetor da Scotland Yard.

A viagem de volta ao distrito não fora tão silenciosa. Castle notou a cara de poucos amigos de Beckett. Imaginava o motivo.

- Está tudo bem?

- Claro! - certo, não estava.

- Tem certeza? Não parece - insistiu.

- Por que não estaria?

- Porque sei que está irritada. O que aconteceu?

- Você está me perguntando? Sério? - o pingue pongue da conversa estava bastante interessante do ponto de vista de Colin.

- Você que parece ter acordado com o pé esquerdo - isso provoque, pensou Castle.

- Não banque o inocente...muito menos o burro, isso você não é, a menos que tenha se contaminado.

- Está naqueles dias? Podia avisar, eu não entendo...

- Sim, definitivamente você não entende...

- Vocês são assim o tempo todo? É muito interessante - ambos responderam do seu jeito.

- Sim - disse Beckett.

- Não! - retrucou Castle - temos nossos momentos. Sério, Beckett, você não vai me dizer porque está tão irritada? É por que você estava sentindo minha falta? Oh! É por causa de Vegas? - ele sabia o motivo. Ciúmes.

- Castle, apenas esqueça, ok? Não quero falar, temos um caso para investigar – o detetive britânico sorria.

Chegaram no distrito e foram direto para a sala de Gates. A primeira ação era confirmar a identidade de Colin Hunt antes de investiga-lo, se fosse realmente da Scotland Yard, podia ser útil e compartilhar informações que ela não tinha para o caso. Gates recebeu a confirmação e ótimas referencias do inspetor. Colin comentou que era amigo da vítima e gostaria de se juntar a investigação. A capitã não se objetou. Ele compartilhou o que sabia da vítima e suas desconfianças. Juntos com os rapazes, eles buscaram pistas e finalmente encontraram um novo suspeito. Quando Beckett procurou Castle para que pudessem ir a sala de interrogatório juntos, ele declinou o convite.

- Eu passo, Beckett. Na verdade, tenho um compromisso de almoço. Colin pode ir no meu lugar.

- Tem certeza?

- Absoluta. Vejo vocês mais tarde.

- Tudo bem... – ela disse, porém não estava. Castle nunca recusou um caso, um interrogatório. Ela se sentia estranha, é como se ele quisesse que ela continuasse agindo sozinha. Sem parceiro. Em meio as dúvidas, Beckett optou por priorizar o caso ao invés de sua luta pessoal.

Castle ficara ausente do distrito o resto da tarde. A investigação evoluiu e novas pistas quanto ao suspeito e ao motivo foram agregadas a tudo. Colin Hunt era simpático e estava sendo muito útil durante as horas de trabalho, infelizmente, ele não era Castle.

No dia seguinte, Castle apareceu e Beckett o atualizou da situação. Chegaram a um nome o representante da embaixada britânica nos Estados Unidos. Como ele tinha imunidade, eles ainda estavam procurando por algo mais que justificasse um mandado para um juiz ou uma maneira de conseguir suas digitais para comparar com a parcial encontrada na cena do crime.  Ela não aguentou não mencionar a ausência dele de ontem.

- Então, seu almoço foi bom ontem. Você sequer retornou.

- Sim, delicioso. O risoto estava fantástico. A companhia excelente, acabamos esquecendo do tempo e quando percebi já passava das cinco. Não tinha porque voltar. Que bom que evoluíram na investigação.

- Não tanto quanto eu gostaria. Ainda precisamos de mais para conseguir trazer o suposto culpado para o distrito. Vou pegar um café – ela falara isso de propósito para ver se ele se oferecia para servi-la, não aconteceu. Desde que voltara da turnê não trouxera a bebida para ela. Beckett seguiu para a mini copa. A cabeça fervilhando entre o caso e sua parceria com Castle. Afinal, o que estava acontecendo? Ele estava indiferente, alheio. Nem parecia estar muito a fim de investigar com ela. Seria a presença do detetive britânico? Não, ele não demonstrara ciúmes. Pelo menos não diretamente. Estava tão interessado na tal aeromoça que os casos da NYPD não o prendiam mais? Ou o problema era com ela?

Será que Dana estava certa? Será que o tempo simplesmente acabara para os dois?

Beckett não queria acreditar nisso, não depois de tudo o que já passara até ali. Havia algo de estranho atrapalhando a relação deles e ela estava disposta a descobrir porque de uns tempos para cá, Castle estava sendo frio com ela e tratando a parceria deles quase com descaso. Sim, ela queria conversar, mas antes precisava resolver esse caso.

Castle tornou a sumir por mais algumas horas do distrito. Felizmente, nesse meio tempo acharam uma saída. Claro que voltara com um plano mirabolante que queria apresentar para os rapazes. Ele já notara que Beckett estava se dando muito bem com o tal detetive, então decidiu resolver o caso de vez conseguindo a tal digital que ela precisava. Ele montara todo um esquema em desenho para explicar seus planos a Ryan e Esposito.

- Tenho o plano perfeito. Vocês irão me ajudar. Vou conseguir essa digital e fechar esse caso para Beckett. Escutem com atenção – ele começou a dar a explicação dizendo exatamente o que cada um dos rapazes faria. Esposito reclamou logo, mas Castle o convenceu que tinha o melhor papel. Estava no meio da sua teoria quando o detetive britânico apareceu no salão trajando um smoking.

- Por acaso alguém viu a detetive Beckett? – os três balançaram a cabeça negativamente. Em seguida, ela surgiu na frente deles com um vestido preto longo muito elegante realçando seu colo. Os cabelos penteados em forma de coque. Estava linda. Castle estava boquiaberto diante da imagem. O que estava acontecendo? Beckett ia sair com esse cara? A explicação veio logo depois.

- Vamos a uma festa beneficente na embaixada. Colin conseguiu dois convites. Entramos, encontramos nosso suspeito, pegamos sua digital e saímos. Uma missão disfarçados.

- Viu? Assim me parece bem mais fácil – disse Esposito a Castle que ainda não se recuperara do choque de ver Beckett tão sensualmente vestida.

- Podemos ir, detetive? – Colin perguntou oferecendo o braço a ela. Sorrindo, Beckett aceitou. Juntos, deixaram o distrito, a visão de Kate de costas era outro tiro para Castle. Provara de seu veneno sem querer. Não gostara nada de saber que ela o deixara de fora de uma missão como essa. Ele sempre a acompanhava nas operações de disfarce. Por que ela o excluíra agora? Era ele quem deveria estar de braços dados com ela naquela embaixada, não um britânico metido a besta que, infelizmente para o azar de Castle, podia muito bem ser mais do que um parceiro de investigação para a sua detetive.

Agora, a situação criada por ele para causar ciúmes a Beckett não parecia deixa-lo confiante. Não sabia quais eram as intenções daquele inglês. E se ele desse em cima dela? Uma festa, haveria dança, flerte, bebida...eles podiam levar a situação para um outro nível, não?

Castle estava tão absorto com seus pensamentos que Esposito foi obrigado a dar uma safanão na orelha dele para conseguir sua atenção.

- Bro! Eu já chamei três vezes por você! Está no mundo da lua ou querendo ir a uma festa na embaixada? Dessa vez alguém o superou, não? Acho que seu plano não vai ser necessário. Eu e Ryan vamos para casa.

- Ah, cala a boca, Esposito! – e saiu em direção ao elevador. Espo olhou para Ryan que sorria.

- Quando esses dois irão deixar de agir como idiotas?

- Você me pegou, Espo. Vamos tomar uma cerveja?

- Por que não? Beckett está se divertindo, nós também podemos.   

O jantar beneficente estava bem movimentado. Agindo como um suposto convidado na lista, Colin e Beckett tiveram acesso ao universo diplomático. Para se misturarem com os demais, eles se arriscaram na pista de dança para também ter uma visão completa do salão. Enquanto dançavam, Beckett acabou descobrindo um pouco mais sobre Colin que dissera ser casado com o seu trabalho, algo que ela entendia muito bem. Até Castle aparecer na sua vida, claro que não revelou esse detalhe ao inspetor. Colin era um homem muito charmoso, bonito e aquele sotaque mexia com qualquer mulher. Em outros tempos, ela talvez lhe desse uma chance, não agora. Apesar de toda a raiva que estava experimentando desde que Castle voltara de Vegas, ela não conseguia evitar. Seu coração pertencia ao escritor, mesmo após as burradas que ele andava fazendo. Ela lembrou-se de uma frase dita pelo próprio anos atrás “o coração quer o que o coração quer”. Agora ela entendia o real significado daquela frase.

Fora tirada de seus devaneios ao perceber uma oportunidade de abordar o suspeito. Encarnando o papel de uma femme fatale, ela se oferecia para o seu alvo. Usando sua sensualidade e seu charme, ela se sentiu como seu alter ego, ela encarnara Nikki Heat naquela noite, Castle ficaria orgulhoso. Infelizmente, sua missão não foi tão fácil. Os seguranças desconfiaram que Colin era penetra já que pareciam haver dois homens na festa com a mesma identidade. Passaram um sufoco e Colin saiu um pouco chateado por não ter conseguido completar a missão. Obviamente, ele não conhecia bem sua parceira. Beckett surrupiara o porta-cartões de seu alvo o que era bem melhor que um copo de bebida. As digitais dele estariam todas naquele pequeno pedaço de metal.  

Infelizmente, após todo o esforço de Beckett a digital não era a mesma. Voltaram à estaca zero. Ou assim ela pensou. Porém, os rapazes cavaram informações interessantes e logo tinham um novo caminho a seguir. Castle continuava se dividindo entre o caso e os encontros fazendo questão de mencionar o nome de Jacinta uma vez ou outra para Beckett. Isso a deixava irritada, contudo o sentimento ia além disso. Kate estava triste. Os últimos dias estavam sendo difíceis. O pouco que conseguira interagir com Castle trouxera a sua mente lembranças nada boas de quando costumava ler nos tabloides sobre suas confusões e romances de quando agia como um playboy. Seria realmente esse o fim de sua parceria de quatro anos? Ser trocada por uma loira sem graça... quando suas investigações deixaram de ser interessantes? Quando ele perdeu o interesse em sua musa? E mais importante: por que? Com todas essas dúvidas em mente, Beckett sabia que precisava conversar com Castle. Cansara de supor, queria entender porque essa mudança de comportamento justo agora que ela estava tão próxima, que queria estar com ele outra vez.

Colin se aproximou percebendo que ela estava pensativa e que não tirava os olhos do escritor enquanto ele conversava com Ryan.

- Hey... Posso atrapalhar sua reflexão?

- Claro, não é nada. Estava pensando no caso.

- Percebi. Um caso com olhos azuis? Quer descobrir quando será o próximo encontro? - Deus! Ela dera tanta bandeira assim? - conheço o sentimento. Já me senti inseguro nesse quesito. Mas não foi por isso que atrapalhei seu momento introspectivo. Tenho um plano para resolvermos esse caso de vez. Quer ouvi-lo? - ela sorriu. Sim, precisava focar no trabalho lidaria com Castle depois.

- Sou toda ouvidos...

Castle os observava de longe. O tal Colin estava querendo algo mais que resolver esse caso. Ele estava flertando com Beckett e ela estava deixando isso acontecer. Isso ia de encontro a tudo que planejara. Ciúmes sim, mas se jogar nos braços de outro?! Não. Ela seria capaz de troca-lo? Não era o que ele tinha mostrado com Jacinta? Que era descolado e não ligava para ela? Ele se afastou e deu espaço para o inglês. Era melhor voltar a se interessar pelo caso antes que Beckett se encantasse com o detetive.

E no segundo seguinte, Castle se juntou a eles bancando o mestre das teorias. Depois de saber do plano de Colin, ele sinceramente achou que não ia funcionar, mas não queria parecer chato. Na falta de uma ideia melhor, concordou.

Felizmente a sorte estava do lado de ambos. De Colin por conseguir escapar ileso da sua invasão no aeroporto e de Castle por perceber que a atenção de Beckett não estava de fato no inglês e sim nele. Bastou um comentário e uma frase que apesar dela achar que sim, não passou desapercebida por Castle. Isso o fez relaxar um pouco, mesmo com raiva, ele ainda se preocupava se Kate se cansaria dele. Ao se sentir mais confiante, decidiu manter seu plano. Talvez esse fora seu grande erro.

O caso chegou ao fim, o assassino foi preso e Colin Hunt voltaria para a terra da rainha. Ele se aproximou da detetive sorrindo.

- Bem, mais um criminoso atrás das grades. Obrigada, detetive Beckett por me deixar fazer justiça pela minha amiga. Foi um prazer trabalhar ao seu lado.

- O prazer foi meu detetive inspetor Hunt - ela sorriu estendendo a mão para cumprimenta-lo, ele retribuiu o sorriso.

- Colin, por favor.

- Kate.

- Sabe, eu ainda tenho algumas horas antes do meu voo. Você não quer tomar um drinque comigo? - o olhar de Beckett procurou por Castle, ele estava bebendo café. A forma como o observara dizia tudo. Sorriu, não um sorriso de desculpas. Aquele sorriso era de alguém apaixonada. Não era para ele, era para Castle.

- Tenho muita papelada para terminar, mas obrigada. Tenha um ótimo voo.

- Espero encontra-la novamente em melhores circunstâncias. Cuide-se, Kate. E se alguma vez precisar de ajuda nas terras da rainha, pode ligar. Você tem o meu número - sorrindo virou-se de costas e seguiu para o elevador. Beckett sentou-se em sua cadeira. Arrumava a papelada displicentemente. Sua mente fervilhava pensando em tudo que presenciara durante esse caso, na verdade desde que Castle voltara de sua turnê. Ele estava diferente e a tal aeromoça não parecia uma distração. Seria uma armadilha para ela? Suspirou. Independentemente do que tudo significava, Beckett precisava entender o que estava acontecendo. Ela não iria abrir mão da conversa. Viu Castle se aproximar.

- Castle, tem um minuto? Eu queria conversar com você.

- Não posso. Estou de saída, tenho um jantar com Jacinta - aquelas palavras foram um soco no estomago.

- Wow! Três encontros em quatro dias. Você deve gostar mesmo dela - ele sentiu o tom amargo na voz da detetive.

- Sim, ela é divertida e descomplicada. É o que preciso agora. Vou indo, ela já está lá embaixo.

Descomplicada.

A palavra atuou como uma facada direto no coração dela. O seu oposto. Era isso que ele queria? Um pouco perdida, ela precisava sair dali. Não tinha cabeça para redigir relatórios. Uma bebida cairia bem. Pegando o celular, ela discou para alguém. Colin Hunt.

- Oi, ainda está disposto a me pagar aquela bebida? - claro que estava e foi assim que Kate Beckett foi parar no saguão do JFK atrás do inglês. Começaria com um drinque, mas a noite lhe traria outras revelações. Aparentemente, não apenas para ela. A caminho do aeroporto, Beckett refletia sobre sua decisão em se encontrar com Colin. Estava agindo corretamente? Deveria se arriscar em um encontro fútil para se vingar de Castle? Ela não tinha muita experiência nesse lance de relacionamentos. Nunca escondera esse fato de ninguém, nem mesmo dele. Sim, era ótima em flerte, em curtição. Afinal, não exigia sentimentos, envolvimento. Todas as vezes que tentara algo novo, errara. Não fora exatamente assim que acabara criando um problema ao decidir ver Josh?

Quando decidiu testar seus próprios sentimentos saindo com o médico, acabou magoando Castle e colocando a vida deles em perigo. Dar o troco com Colin e ignorar o que sentia por Castle era o melhor caminho ou seria outra tentativa frustrada de negar o óbvio? Colin estava indo embora, não representava perigo, certo?
Um drinque. Uma conversa e ela provaria para Castle que era divertida.  

Colin estava sentado em um dos bancos de frente para o barman. Ao vê-la, acenou. Beckett sentou ao seu lado.

- Desistiu da papelada?

- Posso terminar amanhã, acho que mereço me divertir também.

- Claro - ele já sabia o que essa frase queria dizer - o que vai tomar?

- Martini... não, espera. Tem Jameson?

- Com certeza. Duas doses de Jameson.

- O que você estava tomando?

- Gin tônica, mas certamente posso acompanha-la no whisky. É uma daquelas bebidas que cura tudo.

- Precisa amaciar feridas, Colin? Por causa de Naomi? É mais difícil quando se trata de alguém próximo, não? – ela olhou para o copo a sua frente, pensando que o que dissera acabara de acontecer com ela. Castle a ferira - Tem alguém te esperando além do Atlântico?

- Não. Sou um lobo solitário. Uma espécie de James Bond, se me perdoar o trocadilho pobre - ela sorriu - já estive na sua situação antes, Kate. Inseguro, com várias dúvidas, entre o medo de arriscar e ser feliz.

- Do que você está falando?

- Castle. Você gosta dele e parece que mesmo retribuindo o sentimento, ele a testa, a provoca. Está com ciúmes da tal Jacinta. Saíram outra vez e você decidiu por não ficar sozinha sofrendo. Por isso está aqui.

- Como você...? - ela estava surpresa.

- Está estampado na sua cara, além do mais sou um detetive. Existe uma tensão entre vocês. Algo que lutam para não transparecer. Sinto dizer que não está funcionando - ela virou o shot da bebida, Colin fez o mesmo. Pediu mais duas doses - deixe eu lhe contar como me tornei esse lobo solitário – com uma nova dose da bebida a sua frente, Colin conta sua própria história mal resolvida.

- Seu nome era Shioban, uma irlandesa deslumbrante. Era advogada. Eu a conheci através de um amigo também detetive. Já tive alguém assim no passado que fazia tudo por mim. Tratava bem, cuidava, amava. Shioban movia céus e terra por mim. E era maravilhosa em todos os sentidos, se você me entende. Nunca esquecerei o brilho daqueles olhos verdes, as sardas nos ombros, era especial.

- O que aconteceu? Pelo jeito que fala, namoraram um tempo.

- Eu não dei valor. Achei que ela estaria sempre ali. Imaginava que por causa do meu trabalho, seria complicado. Não daríamos certo. Um dos grandes arrependimentos da minha vida. Um dia, ela chegou dizendo que ofereceram a ela uma vaga de sócia na filial da firma que trabalhava em Paris. Teria que deixar Londres. Teríamos que nos separar. Não morávamos juntos, mas passávamos muito tempo juntos. No apartamento dela ou no meu. Qualquer momento que tínhamos folga. Então, pode imaginar que senti falta dela. De sua companhia, sua risada.

- Por que você não foi atrás dela?

- Porque era teimoso, não queria me envolver. Achava que não estava pronto para o lance doméstico, achava que se me juntasse a alguém, eu não teria mais a liberdade que precisava para o meu trabalho. Pensava nos riscos. Não queria colocar a vida de Shioban em risco. Eu escolhi o trabalho. Nós nos falávamos esporadicamente – Colin bebeu o shot de whisky e fitou o copo vazio por alguns minutos.

Kate esperou absorvendo cada detalhe da história. Havia muitas similaridades entre essa e a sua própria história com Castle. Notou que ele ficara triste. Será que Shioban encontrara outra pessoa? Será que estava casada e feliz enquanto ele se dedicava a investigações sozinho, sem parceiros, sem alguém? Então, Colin voltou a falar. 

- Dois anos depois, ela morreu em um acidente de carro. Tenho certeza que era o amor da minha vida. Aquela que deixei escapar. Desde então casei com meu trabalho e vivo uma vida a la Bond. Se pudesse voltar atrás, eu nunca a deixaria partir.

Kate tinha lágrimas nos olhos. Sentia um aperto no coração que não conseguia descrever.

- É uma bela história.

- Sem o final feliz... o que a torna um belo conto de Shakespeare. De final trágico – ele percebeu que ela estava emocionada, pediu outra dose de Jameson para os dois – nada é o que parece. Arriscar na maioria das vezes é a coisa certa a fazer. Você é a primeira pessoa que conto sobre isso desde que ela morreu.

- Não sei se agradecer é apropriado diante de tudo, mas eu gosto de boas histórias.

- Como as de Nikki? – ela sorriu.

- Quanto tempo ela...

- Cinco anos. Parece que foi ontem – ele pega a carteira e tira uma pequena foto de um casal. Ele e Shioban rindo abraçados em frente ao rio Tamisa em Londres.

- Ela era muito bonita. Vocês formavam um belo casal. Sinto muito.

- Obrigado. A única coisa que posso dizer é que foi intenso e maravilhoso conhece-la e poder disfrutar de três anos em sua companhia. Se eu tivesse ido para Paris, talvez não tivesse mudado o seu destino, porém teria mais dois anos a seu lado. Nunca saberei agora. Que tal mudarmos de assunto? – vendo que ela continuava com o olhar triste – por que não me conta algum caso engraçado que já teve que investigar? Será que existem casos loucos na NYPD como na Scotland Yard? Algum fantasma roubando dinheiro ou querendo matar viúvas?

- Não. Mas que tal vampiros e lobisomens?

- O que? – e Kate contou alguns dos momentos engraçados que já investigara no 12th, todos, Colin notou, ao lado de Castle. A menção do nome dele dessa vez, trazia o sorriso de volta ao rosto da bela mulher e em pouco tempo, eles gargalhavam. Kate relaxou e começou a aproveitar a noite como deveria. Era um encontro descontraído.   

O autofalante anunciara o seu voo, Colin sorri e paga a conta. Ela caminha ao lado dele até a área de embarque. De frente para Kate, Colin decide deixar um último conselho.

- Hora de voltar para o outro lado do Atlântico. Foi realmente um prazer conhece-la e desfrutar de sua companhia, Kate. Divertido, inspirador e reconfortante. Talvez em outras circunstâncias o final dessa noite fosse outro – ela entendera o recado e ficara vermelha – você é uma bela mulher, Kate Beckett.  Merece ser feliz. Se me permitir um último conselho, tudo pode mudar muito rápido em nossa vida, escolha suas batalhas sabiamente – ele tomou a mão dela na sua, beijou-a como um cavalheiro. Em seguida, beijou-lhe o rosto suavemente, muito próximo aos lábios e sussurrou ao seu ouvido – se as coisas não terminarem como você deseja, será um prazer recebe-la em Londres algum dia. Você sabe do que estou falando – afastou-se para fita-la uma última vez – cuide-se, Kate – sorrindo, desaparece pelo portão de embarque internacional.

Kate volta pensativa para casa. A história de Colin mexera com seus sentimentos. O pensamento tornara a se concentrar em Castle. Não queria imaginar o que ele estava fazendo, deveria estar em seu encontro, se divertindo. Checou o celular. Três ligações perdidas de Dana, sabia a razão dela estar tentando falar com ela. Castle jantando com Jacinta, se divertindo. Não importava, ela iria tomar um banho e não pensar nisso. Obviamente a combinação banho e Castle era bem mais interessante e Kate se deixou levar por memórias. Quando por fim deitou-se para dormir, ela tomara uma decisão. Observaria o comportamento de Castle por mais alguns dias e então, tentaria conversar outra vez.


Em outro lugar de Manhattan, alguém estava tendo um encontro nada agradável. O que deveria ser divertido, transformara-se em um choque de realidade bem mais direto e ameaçador que a história contada por Colin a Kate. Castle não imaginara que ia ser surpreendido naquela noite pela sua anfitriã. Definitivamente, não tinha ideia. Jantar no Q4 fora seu erro ou talvez sua salvação.

Continua...

7 comentários:

MarluLeles disse...

Ok! Eu temia esse capítulo pelo simples fato, Jacinta... :(
A propósito amei essa versão do Colin cavalheiro. *-*

Luciana Carvalho disse...

É impressão minha ou senti algo estranho no ar!!?? Jacinta vai aprontar?? Fiquei extremamente curiosa!!!
Adorooooooo os papos do clube da luluzinha.. kate como sempre na berlinda!! kkkkkkkk
Ahhhh, por um segundo pensei q o detetive Colin ia dá em cima da Kate e ela ia ceder!!! Ainda bem q só ficou no achismo!! N gosto de imaginar Caskett bjando outras bocas!!!

Pâmela Bueno disse...

Nossaaaaaaa, sensacional esse Colin, amei, podia super ter sido assim na série hahahah mas, MEU DEUS quero te matar por acabar com o capítulo assim, parece até que a Jacinta vai virar uma serial killer kkkk eu to mega curiosa!!!!!!!!

Unknown disse...

Muito sofrimento, esse capítulo me deixou com o coração na mão e esse final muito tenso, tremenda ansiedade para o próximo capítulo

Line Psi disse...

Muito sofrimento, esse capítulo me deixou com o coração na mão e esse final muito tenso, tremenda ansiedade para o próximo capítulo

cleotavares disse...

Amei o momento clube da Luluzinha, tadinda da Kate tendo overdose de doce.
Não gosto dessa Jacinta. Ela soa como "Jasinta" minha mão na tua cara.kkkkk
Sobre o finalzinho, D. Kah, como você faz isso conosco, serumaninhos românticos, querendo vê o Castle e a Beckett se pegando. EU vou dá uma de mãe Dinah e prever a continuação. A Jacinta chamou a imprensa, uma revista, a Sônia Abrão, sei lá. Ela quer aparecer.

Vanessa Belarmino disse...

Apareceu a margarida... Não prometo textão, porque essa parte da série é complicada e vc faz ficar pior ainda... De um jeito bom, mas ruim... Eu não estou fazendo sentido algum...hahaha
Tenho vontade de matar o Castle, mesmo entendendo que ele estava machucado, magoado e com raiva... Mas aqui minha raiva aumenta, porque Kate pode ter mentido, mas ele sabe que ela estava tentando derrubar seus muros, estar pronta... E pior, ela disse que queria mais que Roma, porra... E tem mais, ele ta esquecendo que tb esconde algo dela ne... Eu fiquei tão puta que ja tava torcendo pra Kate ir com o Colin pra Londres (tô na tpm... haha)
Aliás amei a história dele e o conselho... E foi muita covardia usar "porque o coração quer o que o coração quer"
Ah, eu amei o clube da Luluzinha e Kate emotiva...