quinta-feira, 29 de setembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.7


Nota da Autora: Ok, esse é o inicio da saga do loft. A partir de agora, vocês verão os acontecimentos por dias, não necessariamente todos os 21 serão relatados. Leiam com calma, apreciem a jornada e nada de pressa. Trata-se de um momento de descoberta para ambos. Para esclarecer: Maddie é a BFF de Kate, Lanie não tem participação nessa fic AU. 
Antes que me esqueça, obrigada pelos comentários, por favoritarem no Nyah e pelas recomendações. Fiquei mega feliz! Um agradecimento especial a Miky que tornou isso possível. Chega de falar e divirtam-se! 


Cap.7    

Na volta para o loft, enquanto dirigia, Kate se pegou pensando na proporção que essa loucura estava tomando. Agora não era somente uma mentira dela e de Castle, estendeu-se para seus amigos a ponto de seu próprio capitão a afastar do trabalho para que ela se familiarizasse com a vida no loft, como se ela fosse ficar lá por muito tempo, acostumar-se a ser mãe, ele disse. Ela nunca pensara sobre isso antes. Mãe. O real significado dessa palavra se perdeu anos atrás naquele beco. 

– Por que você está calada? Não está com raiva porque Montgomery lhe deu as duas semanas, certo? Ele tem razão, sabe. Precisamos ser perfeitos para a agente. Atuar, digo. 

– Não é nada. Só estou pensando. 

– Se está pensando é porque tem algo te incomodando. 

– Estou pensando em como irei aprender tanta coisa e convencer a agente de que sou boa mãe. 

– Você vai conseguir. Tem as duas coisas mais importantes: o afeto do bebê e o melhor professor disponível 24 horas por dia.  

– Você não pode ser tão modesto, Castle. 

– E você gosta de mim justamente por isso – ele sorriu para a detetive, de alguma forma as palavras dele tiveram outra conotação para Beckett. Gostar. Por que parecia ter um outro significado agora? Soou como um sentimento mais forte. Não, ela estava ficando paranóica. Precisava esquecer essas coisas. 

Dia #1 

Quando chegaram no loft, Castle foi direto para o escritório contatar seu advogado. Beckett encontrou Dylan brincando com Martha. A mãe de Castle tinha o bebê no colo. 

– Já em casa? Algum problema? 

– Meu capitão resolveu me afastar do trabalho, uma espécie de licença temporária por causa da adoção. 

– Licença maternidade? – perguntou Martha interessada no objetivo do capitão, será que ele via o mesmo que ela? Beckett mordiscou os lábios. 

– É mais como um tempo extra para eu me familiarizar e conseguir convencer a agente que posso cuidar do Dylan. 

– Sei, mas isso não quer dizer que precisa atuar, Katherine. Você pode aprender de verdade a cuidar dele. Aposto que em uma semana você entra no ritmo e vai estar uma mãe perfeita. Quer segura-lo? Ele realmente não gostou de deixar seu colo hoje pela manhã. 

– Tudo bem, somente até o advogado chegar. Eu e Castle precisamos conversar com ele sobre as entrevistas e as visitas. 

– Claro, querida. Na verdade, está na hora do próximo leite dele. Você pode preparar a mamadeira, então? 

– Posso tentar, Castle já me ensinou as medidas. 

– Ótimo, eu espero aqui – Beckett foi até a cozinha abrindo o esterilizador de mamadeiras. Pegou uma delas, encheu com a agua quente que estava em uma garrafa térmica que Castle comprara exclusivamente para o bebê e com cuidado abriu a lata de leite e colocou as medidas necessárias para o tanto de agua. Fechou e balançou o objeto até ver o liquido homogêneo. Satisfeita, ela voltou a sala. 

– Aqui está, Martha. 

– Não seja boba, dê você a mamadeira. Ele vai adorar estar em seu colo – não esperou pela resposta dela, simplesmente jogou o menino em seu colo. Beckett sentou no sofá aconchegando-o melhor e ofereceu o leite. Dylan sugou imediatamente. Quando Castle voltou do escritório, encontrou a cena a sua disposição, Beckett não sabia ainda, mas a forma como ela alimentava Dylan era tão natural que ninguém ousaria a dizer que ela não era sua mãe. 

– Tudo certo. Dr. Andrews deve chegar daqui a uma hora. Espero que esse carinha esteja dormindo para que possamos conversar tranquilamente. O que quer almoçar? Pelo menos não vamos comer sanduíches. Não me leve a mal, eu adoro especialmente cheeseburgueres, mas todo o dia? Não dá. Acho que vou colocar umas costelas de porco para assar. Elas já vêm temperadas só preciso deixa-las banhadas no molho barbecue e alguns temperos antes de leva-la ao forno. Hum, deu até agua na boca. 

– Castle, por que não podemos almoçar algo simples? 

– Isso é simples, Beckett. O forno vai fazer todo o trabalho. 

E realmente fez, após ela terminar de alimentar o bebê, deixou-o com Castle para trocar de roupa. Voltou para sala e encontrou um tapete acolchoado no chão e os dois sobre ele com vários brinquedos. O escritor conversava com uma voz doce e sorria. A cena era meiga. Um homem enorme daquele se derretendo por um ser humano tão pequeno. O coração de Beckett acelerou ao constatar como Castle ficara mais bonito daquele jeito. E lá estava sua mente lhe pregando peças outra vez. 

A campainha tocou. Devia ser o advogado. Ela foi até a porta recebe-lo. 

– Olá, você deve ser a detetive Beckett. É um prazer conhece-la, sou Jack Andrews. Castle fala muito bem de você – ele estendeu a mão para cumprimenta-la, após o gesto, Beckett afastou-se convidando-o para entrar. Castle já se levantara do chão e tinha Dylan nos braços – e esse é o carinha revirando a vida de vocês... ele parece estar muito bem entrosado. Oi, Castle! 

– Dr. Andrews, já conheceu Kate Beckett. 

– Sim, voce não exagerou. 

– Exagerou sobre o que? Do que vocês estão falando? – eles trocaram um olhar – Castle...

– Nada. Vamos cuidar de negócios. Mãe! Onde ela está? Mãe! Preciso que fique com Dylan. 

– Ela deve estar no quarto, vou chama-la – antes que Beckett chegasse ao meio da escada, Martha apareceu. 

– Por que esse escândalo, Richard? Eu não estou surda e... oh, Dr. Andrews! Como você está? 

– Muito bem, Martha. 

– Mãe, fique com Dylan, por favor. Eu e Beckett precisamos conversar sobre assuntos sérios. Vamos para o escritório? – os três seguiram para o ambiente indicado. Devidamente sentados, Andrews tirou de sua pasta um arquivo – certo, pode nos contar como o processo de entrevistas funciona? 

– Claro. Diferente das visitas da agente social, o processo de entrevistas deve ser devidamente agendado com cada um dos participantes listados pelas partes interessadas. Nesse caso, eu preparei a lista conforme Castle me orientou e entreguei a agente Wilson, a responsável pelo caso. Ela irá contatar cada um dos envolvidos e agendar uma data que melhor se encaixe em suas próprias agendas. Portanto, eu não posso dizer agora qual o cronograma, porém tão logo ela feche as datas, enviará uma copia para mim que divulgarei para vocês a fim de mante-los informados. Após cada uma das entrevistas, ela irá avaliar as informações recebidas e as condensará em um relatório individual sobre cada um de vocês e outro relativo ao seu parecer do casal. O resultado somente estará disponível após o período de avaliação. Quanto as visitas da agente propriamente ditas, serão todas surpresas. Não podemos prever nem dia, nem horários. Também não será problema caso um de vocês não esteja presente em casa, afinal, é importante ver os pais cuidarem do bebê sozinhos. 

– Então, nenhuma ideia ou pista dos potenciais dias de visita? Mesmo que baseados em outros casos de adoção? 

– O que posso assegurar é que serão no mínimo três. Provavelmente uma a cada semana. Também é comum que uma delas aconteça no fim de semana para que observe toda a dinâmica familiar. Eu apostaria na segunda visita, apesar de não poder afirmar. Se a agente não ficar satisfeita com o resultado, pode realizar uma quarta visita também sem qualquer aviso prévio. 

– Em resumo, temos que estar preparados para recebe-la a qualquer dia ou hora – disse Beckett. 

– Sim, excluindo a noite e as madrugadas, ela pode aparecer de supetão. 

– Tem algo com que devemos nos preocupar? 

– Não realmente, quer dizer, é importante que hajam de maneira natural especialmente como um casal. A interação dos dois nas tarefas envolvendo o bebê conta muito – Beckett engoliu em seco. Casal. Agir como um casal com Castle a deixava nervosa. 

– De quanto tempo são as visitas? – ela perguntou. 

– Entre duas e três horas dependendo da agente. Não se preocupem, vocês vão tirar de letra.

– Assim espero – disse Castle. Ele fez mais algumas perguntas e meia hora depois, eles surgiam na sala. Castle o levou até a porta e voltou dizendo que ia olhar o estado do almoço. 

– Richard, alguém precisa de uma troca de fraldas. 

– Um segundo, mãe – Beckett murmurou algo sobre banheiro e desapareceu escada acima. A verdade era que não queria trocar a fralda agora. A conversa com o advogado a preocupou. Tinha medo de falhar, especialmente se tivesse que atuar o lance do casal o que ficou claro que teriam que fazer. Abraçar, ter os braços de Castle ao redor de si, mãos dadas talvez, beijo no rosto e Deus, como fica o lance do beijo na boca? Eles realmente teriam que fazer aquilo? Era tão necessário assim ou passaria despercebido, sua preocupação maior deveria ser o bebê, não? Ela suspirou. Acalme-se Beckett, ralhava consigo mesma. Esse é apenas o primeiro dia, nada de surtar. 

Ao descer para a sala, encontrou Castle na cozinha cuidando do almoço. 

– Cadê o Dylan? 

– Dormindo. O almoço ficará pronto em dez minutos. Pode arrumar a mesa? Seremos apenas nós três. Alexis enviou uma mensagem dizendo que ia da escola direto para a biblioteca. 

– Claro que sim – e foi até o armário onde ele guardava as louças. 

O resto do dia 1 na nova fase Beckett, Castle e um bebê terminara tranquilo. Ela se esquivara de todas as trocas de fralda dedicando-se a mamadeira. Carregada de emoção por esse dia, ela deu a última mamadeira da noite e o fez dormir. Cansada, se despediu de Castle após comer o resto do almoço com ele. Restavam 20 dias e três visitas. Mal sabia Kate que a brincadeira estava apenas começando. 

Dia #2 

Beckett acordou por volta das nove da manhã surpresa por ter dormido tanto. Ao descer as escadas, encontrou Martha com Dylan no colo sentada ao piano. O bebê tinha seus dedinhos sobre o teclado embora sua força não fosse suficiente para fazer qualquer som. 

- Bom dia, Martha – ela se dirigiu a cozinha e constatou que não havia café pronto – cadê o Castle? 

- Saiu, foi a farmácia comprar fraldas. 

- Comprar fraldas? Mas ele comprou 120, ainda tem muitas. 

- Ai que você se engana. Hoje pela manhã ele percebeu que tem apenas um pacote com cinco fraldas. Se der para o dia de hoje será por pura sorte – ela notou a cara de espanto de Beckett – se tem algo que bebês consomem são fraldas e leite. E tudo indica que Dylan é bem parecido com Richard. Estilo comilão. Devorador de mamadeiras. Até isso eles tem em comum! De qualquer forma, não deve demorar muito. Quer tomar seu café antes de carrega-lo? 

- E-eu não sei mexer nessa cafeteira. 

- Coma umas frutas, é o tempo que Richard volta e faz café para você – ela aceitou a sugestão de Martha, dez minutos depois, Castle surge no loft carregando três sacolas enormes de fraldas. 

- Você acabou com o estoque da farmácia, Castle? 

- Haha! Bom dia para você também, Beckett. Comprei 240 dessa vez. Vamos ver se dura até a outra semana – ela reparou que ele trazia uma das bandejas de café da Starbucks na outra mão – eu trouxe café para você, mal-agradecida. 

- Oh, Castle...obrigada! – ela praticamente voou na direção dele. 

- Alguém precisa dessas fraldas... – disse Martha. 

- Beckett ainda está tomando seu café, vou deixar passar dessa vez, mas a próxima será sua e não tem discussão – quando ela ia retrucar, o seu celular tocou, automaticamente ele perguntou – é da delegacia? Já estão precisando das minhas habilidades e teorias tão cedo?

- Não, outra pessoa. Oi, Maddie! – ela cumprimentou a amiga que já falava como uma metralhadora do outro lado da linha – certo, você já escolheu o dia da sua entrevista? Ah, semana que vem? Ótimo! Obrigada por me avisar. O que? – agora o semblante de Beckett parecia preocupado – tem certeza? Não há necessidade e...posso encontra-la – Maddie disse mais algumas coisas – o bebê? Tudo bem, que horas? – nova conversa – sim, não se preocupe. Ele também. Até mais. 

- Hum, temos um encontro com Maddie? Por acaso vamos almoçar no Q3? 

- Não. Ela quer vir nos visitar. Aliás, praticamente me intimou a recebe-la. 

- Quando? 

- Hoje, por volta das duas. Ela disse que precisa se preparar para a entrevista que será na próxima segunda e para ser convincente quer detalhes e conhecer o Dylan. 

- Acho que ela está certa, embora preferiria encontra-la no restaurante e saborear aquelas maravilhas que ela tem no menu. 

- Tarde demais. Ninguém convence Maddie. Tudo é do jeito dela. 

- Acho que vou gostar dessa conversa. Vou preparar as frutas do Dylan. A ultima mamadeira foi há quase três horas.  

XXXXXX

A campainha tocou. Castle se antecipou para abrir a porta. Estava curioso para saber o motivo dessa visita repentina já que Beckett não foi muito clara quanto ao objetivo da vinda de Maddie ao loft. Conhecer Dylan tudo bem, mas poderia apostar que havia algo mais. Lá estava ela, do mesmo jeito que ele recordava loira e elegante, um enorme sorriso no rosto. 

- Rick Castle, já faz um tempo que não o vejo. Continua charmoso. 

- Maddie seja bem-vinda. Você também não mudou nada. Deixe-me tirar seu casaco. 

- Obrigada, como você não apareceu mais no Q3? Eu dei uma remodelada após aquele "incidente". Cadê minha amiga? Becks? 

- Na sala com o bebê - Maddie se aproximou dele sussurrando. 

- Você pode não saber, mas com essa sua ideia de adoção, pode ter despertado um lado da minha amiga que estava adormecido. Ótima jogada para conquista-la, escritor. Não que realmente precise - ela piscou. 

- Não foi jogada. Não é sobre mim ou Kate. Isso é sobre Dylan - ela sorriu. Chamando-a pelo primeiro nome, isso é bom, pensou. 

- Wow, você é encantador...

- Castle? - a voz elevada - quem era... - não completou pois os dois apareceram na sala. 

- Hey, Becks! Oh, essa é uma imagem que merece ser fotografada. Imagino que foi esse príncipe que virou sua cabeça? - ela olhou para o escritor ao seu lado - se cuida, Castle - sentou-se ao lado de Kate bem a tempo de ver o revirar dos olhos - olá, Dylan! Sou Maddie, amiga de sua mãe postiça - ela pegou a mão do menino e brincou cumprimentando-o, ele sorriu - ah, ele sorriu para mim. Fizemos progresso. Nossa! Ele tem os olhos de Castle. 

- Menos, Maddie...

- Mas é verdade! Eu mesma não acreditei quando você falou. E olha para você, toda zelosa com um bebê nos braços. Posso segura-lo? 

- Maddie, eu não sei se é uma boa ideia - mas antes que Beckett pudesse evitar, a amiga já tirara o bebê de seu colo. Kate temia um escândalo, o que não aconteceu. Dylan estava bastante interessado no brinco e nos cabelos de Maddie. 

- Marilyn tinha razão, os homens preferem as loiras - percebendo o que dissera, corrigiu - não eu. Gosto das inteligentes e independentes, a cor do cabelo não importa. Quer um café, Maddie? E a que devemos a honra de sua visita? – isso, Castle, continue dando mancada, pensou. 

- Eu aceito o café. Estou aqui porque precisava conhecer essa fofura, ter uma ideia do que é morar no loft. Minha entrevista foi marcada para segunda, preciso saber o que contar para a agente - Kate estava impressionada com a desenvoltura de Maddie com Dylan. 

- Olha para você. Desde quando você sabe cuidar de bebês? Incrível, Castle. Ele não estranhou. 

- Você não se lembra? Mrs. Johnson, duas casas abaixo da minha? Eu trabalhei como babá para ela, tinha um casal. Jane e Josh. Adorava aqueles dois! 

- Viu, Beckett? Toda adolescente fez isso um dia. 

- Eu não sabia! Quando foi isso? 

- Quando você resolveu fazer aquele intercâmbio na Europa, Kiev acho... e Paris. Mamãe disse que não iria com você porque tirei aquele D em biologia? Decidi trabalhar de babá para juntar dinheiro, desde lá não parei de trabalhar. Era o que eu fazia para ter dinheiro. 

Castle colocou o café na mesa de centro, sentou-se de frente para as duas e perguntou. 

- Ok, Maddie, você quer saber algo em particular sobre como sou como pai? 

- Na verdade, estou tentando fazer uma espécie de retrospectiva na minha cabeça, a ordem cronológica dos acontecimentos. Três anos atrás, você foi consultor em um caso com Becks, gostou tanto que decidiu segui-la e criou uma nova personagem baseada nela. Detetive Nikki Heat. Eu reencontrei Becks há um ano e conheci você, mas não havia romance. Então, como devo contar sobre quando começaram a namorar? - Castle e Beckett trocaram um olhar. 

- Nós não conversamos sobre isso...

- Como não? O que esperam que os entrevistados digam? E se as histórias não baterem? - Kate arregalou os olhos. 

- Ela tem razão, Castle. Não sabemos que tipo de pergunta será feita ao capitão e aos rapazes. Oh, Deus! 

- Relaxa, Beckett. Definimos o que iremos dizer e ligamos para o capitão. 

- É Becks, afinal eles não deveriam saber detalhes do relacionamento de vocês, irão dar sua opinião profissional e também tecnicamente são detalhes íntimos. 

- É, tudo bem - Beckett virou-se para Castle - Você disse a agente que tinha um relacionamento estável de três anos, nós nos conhecemos um pouco mais que isso, então quando realmente... - ela percebeu que não conseguia continuar a frase, outra vez sentiu, ele estava ali. O elefante no canto da sala. Maddie notou o nervosismo no semblante da amiga, ela estava balançada, Castle pensou em intervir, porém Maddie foi mais rápida para colocar lenha na fogueira. 

- É, pessoal… eu sou a melhor amiga de Kate, tenho que saber detalhes de seu relacionamento. Primeiro beijo, transa, primeiro aniversário, viagens... essas coisas. 

- Podemos dizer que estávamos juntos desde o lançamento de Heat Wave. Tudo aconteceu depois da festa - sugeriu Castle - lembra como ficou irritada comigo? 

- O que você queria? Começou a me insultar... 

- Não insultei, você que ficou toda nervosinha porque eu estava com a oferta dos livros de Bond e pararia de segui-la. Admita, você odiou a ideia de me perder. Se acostumou comigo ao seu lado, foi o que me disse, lembra?

- Castle está saindo do foco. Temos um assunto sério e delicado para resolver. 

- Eu continuo no assunto, isso é parte da história - Beckett entortava os lábios, Maddie estava adorando a dinâmica dos dois, de repente, Kate teve um insight. 

- O caso do FBI, quando você dormiu no meu apartamento antes dele explodir - ao ver a cara maliciosa de Maddie, completou - no sofá. Depois de dormir no sofá. 

- Sim, é perfeito para servir de exemplo porque os rapazes ficaram me perguntando sobre os detalhes do que aconteceu e... 

- As panquecas! Isso! Ryan queria saber depois do vinho, as panquecas de café da manhã, lembro que encheu a minha cabeça por uns dias com indiretas. 

- Ryan vai adorar falar disso, no fim mentimos para os dois a fim de manter a relação em segredo. 

- Então, veio o caso de Maddie, no restaurante. Ela pode dizer que atrapalhei o jantar de vocês por causa de Brad e... 

- Quem é Brad? 

- Não vem ao caso, longa história, resumindo Maddie me acusa de gostar de você, eu nego. 

- Depois que fechou o caso, você volta ao Q3 e conta a verdade - completou Castle. Maddie estava fascinada. Como eles faziam isso? Completar o pensamento um do outro? 

- É assim que vocês investigam casos? Impressionante! Vamos falar de grandes datas, encontros românticos - essa era a especialidade de Castle, a imaginação começou a contar coisas que já sonhara em fazer com ela. Porém, não contava que Beckett fosse entrar na sua história contribuindo com algumas vontades próprias. 

- Um jantar romântico no Q3, uma sessão tardia no Anjelika para assistir um clássico "An affair to Remember".

- Cary Grant e Deborah Kerr, sim... Nova York, Empire States, as time goes by... a voz de Nat King Cole – Beckett sorria ao colaborar e formatar o cenário em sua mente – um jantar no terraço ou em qualquer lugar romântico. 

- Para o aniversário, o fim de semana nos Hamptons - disse Castle. 

- Sim, você me convidou uma vez, então contaria. 

- Bons restaurantes, caminhadas na praia, um tempo sozinhos, sem assassinatos, sangue...

- Sem livros, prazos, ex-mulheres. Um passeio de barco, sol e mar...- enquanto os dois divagavam trocando ideias, Maddie segurava as mãozinhas de Dylan e sussurrava ao seu ouvido. 

- Está vendo aqueles dois malucos teimosos? Eles são seus pais. Ambos estão apaixonados e se enganam dizendo que estão apenas querendo lhe dar uma chance, especialmente sua mãe. Kate. Sim, mommy e daddy - o bebê dava risinhos olhando para os dois e balbuciava pequenas silabas. Maddie percebeu que ele precisava de uma troca de fraldas. 

- Pessoal, Dylan precisa de uma fralda nova. Desculpe, não queria atrapalhar os planos de vocês quanto ao próximo encontro perfeito, mas... quer saber? Eu mesma faço. Onde estão as coisas dele? – Kate enrubesceu na hora. Não percebeu o quão envolvida se encontrava na história de mentira que estavam criando até Maddie interrompe-los. 

- E-eu pego as coisas – disse Beckett desesperada por um momento sozinha para se recompor. O que deu nela? Por que ficara fantasiando com Castle, pensou. Maddie sorria. A amiga estava balançada. Seria tão fácil mexer com ela, implicar. Definitivamente ela tinha uma missão. Castle bebia café, notava que estava sorrindo, virou-se para Maddie. 

- Você está amando isso, não? 

- Como não poderia? Vocês fazem uma dança, um pingue-pongue incrível completando as sentenças um do outro e, nossa, que sincronia! – ouviu passos em direção a sala – ela está vindo – no instante que Beckett chegou e colocou o protetor, a fralda e a pequena nécessaire com os itens necessários para a troca, Dylan abria e fechava as mãozinhas na direção dela como se quisesse alcança-la, balbuciando. 

- Mamamama – o fato não passou despercebido a nenhum deles. Maddie e Castle trocaram um olhar. 

- Eu troco a fralda – disse Maddie – pode segura-lo um minuto enquanto eu arrumo tudo? – nem precisava pedir, o menino já se jogava para o colo dela. Ele continuava pronunciando as silabas repetidamente “mamamama” olhando diretamente para Kate. E lá estavam elas. Borboletas no estômago. Um misto de afeto e medo pelo que aquele pequenino estava fazendo com ela. Com tudo pronto, Maddie tirou o bebê do colo de Beckett e trocou-o como uma mãe experiente. Isso incomodou a detetive. Ela não podia ser a única sem essa habilidade. Tomara uma decisão, a próxima troca de fraldas era sua, não iria fugir mais. 

- Ah, senti falta disso. Anos atrás, mas eu ainda domino a arte. Prontinho! – entregou Dylan para Kate. 

- Ele está com fome, vou fazer uma vitaminada – disse Castle deixando-as sozinhas. 

- Então?

- Então, o que? 

- Não finja, Kate. Eu assisti o show bem aqui de camarote. Vocês planejando encontros, aniversários, completando pensamentos um do outro. O que posso dizer? Negue o quanto quiser, porém você está cada vez mais envolvida com toda essa história, com Dylan e Castle. 

- Maddie, não comece... 

- Não vou. Nem preciso. O pior cego é aquele que não quer ver – Castle voltou com a mamadeira, entregou para Kate que se dedicou a alimenta-lo para evitar qualquer outra insinuação de Maddie na presença de Castle. 

- Trouxe uns pedaços de brownie e um café expresso fresquinho – Maddie pegou um dos bolos provando-o. 

- Ok, me respondam mais umas perguntas. É exatamente assim que vocês trabalham nos casos? Porque devo dizer: excelente trabalho em time. Parceiros perfeitos – Kate não deixou de perceber a olhada que a amiga lhe dera. 

- Sim, trabalhamos assim, em sincronia. Exceto quando sua amiga não acredita em alguma das minhas teorias e fica irritada porque não encontra uma explicação racional. 

- Pudera! Teorias sobre ET´s, CIA, vampiros, espiões e máfia, todas loucas e provadas racionalmente erradas – Maddie riu. 

- Mais uma coisa. Situações de perigo. vocês já enfrentaram algumas, a da bomba por exemplo. Alguma outra onde Castle salvou sua vida? 

- No caso do FBI, ele pulou no cara para evitar que eu levasse um tiro. E de morrer incendiada. 

- Beckett salvou minha vida no 12th quando Dick Coonan me fez refém, ela atirou nele para me salvar mesmo sabendo que acabara de perder a melhor pista que tinha em anos sobre o caso de sua mãe. 

- Tivemos nossos momentos... – disse Beckett sorrindo – quase morremos congelados antes da bomba. 

- Acho que chegamos a um consenso da história de vocês. Apesar de que Kate, eu acredito que a agente vai perguntar se você está pronta para ser mãe e porque não preferiu ter os seus próprios filhos com Castle. 

- Eu tenho a resposta para isso. 

- O que? Vai usar a máxima de que não pode ter filhos? Você pode, certo? – Maddie pareceu preocupada. 

- Claro que posso, mas não vou dizer isso como parte da mentira que estamos contando porque eles tem meu histórico médico. Não se preocupe, tenho a minha resposta. 

- Acho que minha pesquisa aqui está terminada. Estou pronta para contar a história de Castle e Beckett. Tenho que ir andando, abrir o restaurante. Aliás, vocês estão convidados a jantar ou almoçar no Q3 trazendo esse carinha fofo a qualquer hora, não precisam de reserva. 

- Obrigado, Maddie. Nós iremos. 

- Se quiserem ir sozinhos, em um encontro, também é possível. 

- Maddie...

- Hey, foi só uma sugestão! – ela deu um beijo na amiga, fez algumas caretas para Dylan, fingiu morder os dedinhos dele fazendo-o rir – tchau, Dylan. Cuide bem da sua mommy. 

- Maddie! – mas a amiga não se importou com a bronca de Kate. Deu um beijo no rosto de Castle e um ultimo tchauzinho na direção de Dylan antes de desaparecer porta afora. 

- Isso foi...interessante – reconheceu Beckett por falta de uma palavra melhor. 

- Admita, Maddie acabou nos ajudando. Melhor ligar para os rapazes. Você liga para o capitão? 

- Tudo bem – Beckett pegou o celular e discou o número da sala de Montgomery – senhor, é a Beckett. Sei que isso é um pouco embaraçoso, mas eu preciso atualiza-lo sobre a história que eu e Castle contaremos para a agente do serviço social – então ela repetiu o que haviam criado na companhia de Maddie. Castle fez o mesmo com os rapazes, acabou descobrindo que a entrevista deles seria dali a dois dias. 

Mais tarde, quando Kate percebeu que Dylan estava outra vez com a fralda cheia, ela sabia que era a hora de tentar, isso foi logo depois que ele acordou de uma pequena soneca de duas horas. Castle estava preparando a sopinha dele. Ela anunciou.     

- Vou trocar a fralda de Dylan – Castle a ouviu. Não perderia essa cena por nada. Mesmo porque, se ela tivesse qualquer dificuldade precisaria ajuda-la. 

- Quer ajuda? – ele tinha que perguntar. 

- Não, Castle. Chegou a hora de eu fazer isso sozinha. Se quero lhe ajudar e passar como a mãe de Dylan, o mínimo que devo saber é trocar uma fralda. 

- Tudo bem, você está certa. Não sabemos o que pode acontecer na visita da agente – ele seguiu acompanhando-a até o quarto, Beckett olhou para ele de cara feia – o que foi? Eu só vou observar. Para o caso de você esquecer algo, afinal é a sua primeira vez – ela bufou, mas sabia que ele tinha razão. Não tinha segurança no que estava prestes a fazer.

Ainda com o bebê no colo, ela tentou esticar o protetor sobre o colchão de Castle. Conseguiu. Pegou uma fralda, colocou sobre o plástico. Tirou tudo o que ia precisar da nécessaire deixando do lado da fralda. Suspirou. Deitou Dylan. Até ali tudo bem. 

Com o máximo de cuidado, ela abriu o macaquinho que ele vestia, despindo-o e erguendo-o até a cintura. As mãozinhas estavam ocupadas com o tubo de creme que encontrou ao seu alcance. Ela abriu a fralda e para sua sorte de principiante havia apenas xixi. Tirou a fralda suja enrolou e virou-se para joga-la no chão com medo que o menino pudesse pega-la. Castle permanecia calado, somente observando. Assim que voltou sua atenção ao bebê, ela tomou um susto. Dylan tinha se virado de costas, o tubo de creme na boca. 

- Oh meu Deus! Como ele... Castle! Por que você não disse que ele se virou? 

- É você quem está trocando a fralda, pensei que não quisesse minha ajuda – ela tornou a colocar o bebê deitado de barriga para cima. Pegou um lencinho umedecido e começou a limpa-lo. Claro que Dylan não ficava quieto tentando se virar constantemente. 

- Como faço para ele parar? Ninguém consegue trocar uma fralda com um bebê se mexendo! 

- Ele é um bebê, Kate. Vai se virar, se distrair. Você precisa chamar sua atenção, então conseguirá fazer as coisas – ela suspirou. Ia ser mais difícil do que pensara. Puxando o bebê outra vez para o centro do protetor, ela começou a conversar com ele. Ao ouvir a voz dela, Dylan pareceu se interessar. Castle entregou uma baleia de plástico para que ela o enganasse e pudesse usar o creme. Com jeitinho e sorrisos, ela conseguiu tirar o tubo da mão dele. 

Agora era Castle quem tinha um olhar bobo. Aquela mulher a sua frente era bem diferente da sua detetive durona. De sorriso fácil, voz macia, ela encantava o pequeno como ninguém. Sentindo-se mais segura, Kate começou a espirrar o creme em seus dedos, mas mantinha a boca e o rosto próximo da barriguinha do bebê brincando de soprar e fingindo morde-lo, a risada gostosa era a resposta do menino aos carinhos dela. Castle desejou demais ser aquele bebê. 

De repente, ele percebeu o que estava prestes a acontecer. O pintinho de Dylan já estava armado e antes que ele pudesse avisa-la, o chafariz foi ligado. O xixi do bebê foi direto no rosto dela assustando-a. Beckett se afastou, porém não o suficiente para evitar que o liquido molhasse parte da camiseta que usava. 

- Dylan.... por que você fez isso? – a gargalhada de Castle ecoou pelo quarto – Castle! 

- Parabéns, Beckett. Você foi batizada na sua primeira tentativa de trocar uma fralda – ele não conseguia parar de rir. 

- Não é engraçado... – ela replicou chateada. 

- Não? Aparentemente, não sou o único que acha – o bebê já se virara e estava rindo sozinho. Claro que não era necessariamente dela, porém Castle não ia perder a oportunidade de implicar – tudo bem, pode continuar. 

- Mas o xixi... – foi a vez dela rir – Deus! Eu sou um desastre... – e ria. Dylan pareceu gostar da brincadeira e tornou a balbuciar “mamamama”. Ela passou um lencinho no rosto ainda rindo. Castle adorava o som daquela risada.  

- Jogue essa fralda fora e pegue outra. Antes de coloca-la, limpe o pintinho novamente com o lencinho para somente então passar o creme e fechar a fralda – com um certo receio, ela fez o que lhe foi dito. Delicadamente passava o lencinho sobre as partes da criança com medo terrível de machuca-lo, os dedos tremiam. Finalmente, ela conseguiu concluir. 

- Pronto, meu amor. Você está sequinho. Quer comer sopinha? – ela atacava a barriguinha dele outra vez. Mordia os pezinhos – você é muito fofo, é sim... vamos comer, baby boy? – ela o pegou no colo, Castle se calara observando-a com cara de apaixonado – seu pai fez sopinha de legumes. Sim, papai Castle... – de repente, ela o fitou sorrindo com o bebê nos braços. O encontro dos olhares dizia tudo. Ele estava observando-a, não. Era mais que isso, ele parecia...perdido nela. Um arrepio lhe percorreu a pele. Engoliu em seco – vo-você pode ficar com ele... eu... eu preciso trocar minha blusa. 

- Claro! – Castle pegou Dylan no colo e partiu em direção a sala, viu Beckett subir as escadas correndo. Suspirou. Quanta tentação ele teria que aguentar durante três semanas? Esse era o quarto dia dela no loft, o segundo efetivamente da avaliação e sua mente já estava poluída de pensamentos com Kate Beckett. 

- Ah, Dylan... se você soubesse o quanto tem sorte, garotão... 

Quando ela voltou, Castle já estava dando a sopinha para o bebê. Ainda estava sem jeito pela ultima cena no quarto, ele sabia disso e fez questão de agir naturalmente. 

- O que quer jantar? Sobrou um pouco de frango do almoço, posso fazer um risoto bem rápido. 

- Se não for dar trabalho... 

- Nada! Super rápido – e tinha razão, mal terminara de dar a sopa para Dylan o risoto já estava na panela. Ele serviu duas taças de vinho para os dois e após limpar o bebê disse que ia coloca-lo no bebê conforto enquanto jantavam. Nessa hora, Martha e Alexis aparecem no loft – pensei que não morassem mais aqui. Quer dizer, sua vó bem que tentou, mas Chad bateu as botas...

- Castle!

- Richard! 

- Pai! 

- Desculpa! Nossa, um trio! – Alexis pegou o bebê conforto e levou para a sala. As duas já haviam jantado e acabaram por entreter Dylan enquanto eles jantavam. Castle decidiu por um território neutro para conversar – a sua conversa com o capitão foi boa? 

- Um pouco estranha devido ao assunto, mas foi boa. A entrevista dele é amanhã. 

- Ah, a dos rapazes é na sexta. Eles ficaram me zoando. Parecem crianças. 

- Se a situação fosse reversa, você faria o mesmo. 

- É, talvez. Quando você acha que a assistente social fará a primeira visita? Eu estou ansioso – por impulso, ela pegou a mão dele apertando-a. 

- Vai dar tudo certo. Tem que dar – ele sorriu diante do gesto – você é ótimo com Dylan. 

- Você também. Ele a olha fascinado. Eu o entendo completamente – Kate se remexeu na cadeira – vai ser uma boa mãe, vai passar no teste. Ele mesmo já reconhece – ela franziu o cenho. 

- Você está dizendo que aquele... – os olhos arregalaram-se. 

- Relaxa, Beckett. Na idade de Dylan é natural emitir sons como ma, pa, da repetidamente. É claro que há um certo reconhecimento nisso, mas tratasse de um exercício da fala. Está no livro. 

- Ah, lembrei... que nem fazer os sons de mu da vaca ou bé do carneiro. Isso me deu uma ideia. Se ele já não dormiu com a companhia daquelas duas. Você tem algum livro infantil, Castle? 

- Tenho os de Alexis. Estão no escritório. Algum em particular? 

- Eu só me recordo dos Dr. Seuss. 

- Eu tenho um perfeito para isso. Um clássico. Termine seu jantar e vou pega-lo para você – assim que terminaram o jantar, ele sumiu no escritório e Beckett foi se juntar as outras duas na sala. Dylan estava no colo de Martha que anunciou que ele estava sonolento. 

- Que tal aconchega-lo no seu colo para dormir, Katherine? 

- Sim, posso fazer isso – Martha entregou o bebê para ela. Percebeu como melhorara ao segura-lo. Aconchegando do jeitinho que fizera da primeira vez que o acalmara, ela fitava os olhinhos azuis maravilhada, segurava sua mãozinha entre o polegar e o indicador. 

- Ele é lindo, não? Bebês são presentes de Deus. Toda vez que o olho, eu vejo meu Richard, pequenino, gorduchinho e de olhos atentos. Azuis, brilhantes. Eles nos fazem esquecer toda a maldade do mundo, nos trazem paz – Martha suspirou e sorriu ao ver que Kate também sorria e esfregava seu nariz no rostinho do bebê. Ela está apaixonada por essa criança, pensou. Vai ser difícil desapegar depois que tudo isso acabar ou nem precise, quem sabe? 

- Aqui está... – mas ele não conseguiu completar a frase diante da imagem a sua frente. Respirou fundo ao ver Beckett acariciando o pequeno com o nariz. Devagar, ela ergueu o rosto olhando para Castle. 

- Achou? Castle? O livro... 

- Ah, sim...livro... aqui – Martha deu um beliscão nele disfarçadamente. Ele entregou-o e exemplar para Kate. 

- Oh! – o rosto dela se iluminou ao ver o titulo – esse livro... minha mãe lia para mim... não, nós recitávamos porque sabíamos a historia de cor. Faz muito tempo, eu tinha três ou quatro anos – ela suspirou – não sei se ainda me lembro. 

Martha saiu de fininho desejando boa noite e carregando Alexis. Castle se sentou ao lado de Beckett no sofá para vê-la contar a história para Dylan. Alheia a tudo, ela pegou o livro, abriu sobre seu colo. 

- Quer ouvir uma história, baby boy? Chama-se “Goodnight, moon.” – ela começou a ler as primeiras frases – “In the great green room, there was a telephone and a red ballon…” – a medida que ia virando as paginas, as frases fluiam em sua mente, estavam adormecidas em seu subconsciente e agora ganhavam vida outra vez. A voz melodiosa embalava o menino levando-o para o mundo dos sonhos, lutando para manter os olhos abertos fitando aquela que em sua mente era a sua mãe. Kate perdia-se no azul recitando as frases. Ao seu lado, alguém precisava de um babador e não era Dylan – “Goodnight room , Goodnight moon, goodnight cow jumping over the moon” ... “goodnight nobody, goodnight mush and goodnight old lady whispering hush. Goodnight stars, goodnight air, goodnight noise… everywhere” – ao sussurrar a ultima palavra Dylan já dormia e Castle deixou escapar um gemido. 

Com cuidado, ela ergue-se do sofá para leva-lo até o berço. Acomodou-o e cobriu-o com a manta. 

- Boa noite, baby boy. Bons sonhos – quando virou-se, Castle estava escorado na porta do quarto. Beckett foi até seu encontro – é um clássico. E foi muito importante para mim, trouxe uma recordação há muito esquecida – sorriu tocando-lhe o ombro – obrigada, Castle – por impulso, beijou-lhe o rosto – boa noite – seguiu subindo as escadas enquanto ele fechava os olhos sorrindo. 

Dia #4

A rotina começava a se estabelecer no loft de Castle com a chegada de Kate e Dylan, sem perceber, os dois pareciam em sincronia cuidando do garoto. Todas as mamadeiras dele eram preparadas por Beckett, o banho ainda era função de Castle e as fraldas também embora a detetive tenha trocado ao menos duas naquele dia ganhando um pouco mais de confiança. 

Mais tarde, após se esconder no quarto de Dylan para faze-lo dormir, Beckett se lembrou da conversa sobre as fotos deles. Outro pensamento lhe ocorreu. Encontrou Castle sentado na sala com o notebook no colo. 

- Escrevendo? 

- Não. Respondendo alguns e-mails. Ele dormiu? 

- Sim – ela calou-se por alguns segundos fitando as próprias mãos sobre os joelhos - Castle? Não deveríamos providenciar as fotos para colocar no quarto de Dylan e no escritório? 

- Tem razão. Eu esqueci completamente. Vou chamar Alexis. 

- Mas Dylan está dormindo. 

- Precisaremos de algumas de casal. Quer trocar de roupa? Não vamos levar mais que vinte minutos para fazer isso, tenho o local perfeito – ele deixou o computador de lado e foi a procura da menina, Beckett fez o que ele pediu. Cinco minutos depois, ela o encontrou esperando-a na sala. Vestia uma calça social e a camisa vermelha de botão. Beckett vestira um de seus conjuntos de calça e terninho com uma camisa roxa por dentro. Alexis estava com a câmera nas mãos – ótimo! Vocês duas, venham comigo. 

Por impulso, ele pegou Beckett pela mão entrando no elevador. Foram até o último andar do prédio. Ele as guiou pelo corredor até uma porta no fim. Dava acesso a uma escada. Subiram e chegaram ao telhado. O lugar era bonito. No telhado do prédio de Castle havia um pequeno jardim, uma mesa e a vista incrível da cidade. 

- Uma foto aqui fará toda a diferença, Alexis acredito que esse seja o melhor ângulo – aproximando-se de Beckett, viu a filha ajustar as lentes e o zoom da câmera, parecia satisfeita. 

- Ótimo. Pai abrace Beckett pela cintura – ele obedeceu a filha, relutante Beckett se deixou abraçar e aos poucos inclinou seu corpo para tocar o dele – cheguem mais próximos – Castle puxou-a contra si – agora sorriam – Alexis capturou os sorrisos, o olhar de Castle para Beckett e uma tentativa que mostrava Castle querendo sussurrar algo em seu ouvido. Satisfeita, Alexis sugeriu outra coisa – por que não voltamos para o loft? Quero uma foto sentados no sofá. 

Eles retornaram para o loft. Beckett estava nervosa. Aquele pequeno momento no qual sentiu os braços de Castle envolta do seu corpo mexeu com seus pensamentos. O corpo também reagiu. Ainda não terminara. Alexis os fez sentar no sofá e assumirem uma posição de namoro.  Ordenou que ela tirasse o terninho ficando apenas de blusa, tinha que parecer diferente. Castle tinha seus braços sobre os ombros dela. Beckett descansara a cabeça no ombro dele, sorria. Deus! Por que esse homem cheira tão bem? Isso era muita tentação. Mais alguns cliques e terminaram. 

Quando Dylan acordou, eles fizeram mais uma sessão. Beckett trocara de camisa e registrara várias fotos. Castle também fora fotografado. Enquanto o menino se entretinha no tapetinho com Alexis, Beckett revelou sua outra preocupação. 

- Castle, eu sei que estamos colocando fotos no quarto de Dylan, mas e se a agente pedir para ver o seu quarto, nosso quarto? Não deveria ter alguns produtos lá? Roupas? Algo que indique eu estar presente ali também? 

- Agora que você falou, eu concordo. Tinha esquecido que deve haver indícios de uma presença feminina no meu quarto – ele estava surpreso por ela ter trazido esse assunto para discussão – o que você sugere? Produtos no banheiro? Maquiagem? Eu vou colocar um roupão extra atrás da porta, branco. Arrumo um espaço no meu closet para você colocar parte das roupas também. 

- Roupas, higiene. Precisa ter mais. Espere aqui – ela subiu as escadas rumo ao seu quarto. Castle ficou pensativo. Talvez esse pequeno gesto de Beckett abrisse uma brecha para outras possibilidades. Queria ter mais desculpas para continuar tirando fotos com ela apenas para abraça-la. Teria que pensar em algo para aproxima-los especialmente com as visitas. Não podia falhar em mostrar que eram um casal apaixonado. Beckett reapareceu trazendo duas sacolas. 

- Vem comigo, Castle – ela seguiu para o quarto – qual a parte do closet que será minha? – ele se moveu avaliando as prateleiras que tinha. Tirou algumas camisas que tinha penduradas para liberar espaço para casacos ou roupas mais sociais. Abriu a primeira gaveta da esquerda logo abaixo do vão. 

- Pode colocar alguns cabides com casacos e a gaveta é sua. 

Beckett colocou algumas roupas na gaveta, pendurou sua jaqueta de couro, um casaco preto e quatro paletós de seus terninhos. Também deixou uma pequena nécessaire que Castle não tinha ideia do que havia dentro, suspeitava que fosse peças intimas. O pensamento o fez sentir uma pontada na virilha. Ela acabou decidindo pendurar as calças sociais e uma jeans. 

- Vou deixar a roupa de trabalho aqui. Como não vou ter que ir a delegacia, pelo menos dá um ar de convivência – da outra sacola ela tirou sapatos. Colocou um próximo a porta jogado displicentemente. Outro próximo a entrada do banheiro. Com outra necessarie, ela se dirigiu a pia. Arrumou alguns cremes do lado esquerdo, colocou um vidro de hidratante e uma bolsa com objetos de maquiagem e um vidro de perfume. Retornando ao quarto, ela se dirigiu a cabeceira do lado esquerdo da cama. Ali deixou outro hidratante, um dos livros de maternidade e a caixinha onde guardava o relógio e o solitário da mãe. Castle apenas observava o que ela fazia. De alguma maneira, Beckett estava se fazendo presente em sua vida, mais do que ela imaginara ser possível. 

- Acho que está bom. Podemos dizer que divide seu quarto com alguém, não? – ela sorriu. 

- Sim, um belo disfarce. Só tenho uma pergunta: voce não vai precisar dessas coisas? 

- Eu tenho outro hidratante e mais maquiagem. As roupas não serão tão necessárias no momento e quando precisar dos cremes, posso vir pega-los. Ah! Quase esqueci! Esse casaco fica junto do seu. 

- Certo. Vamos ao toque final então – ele abriu uma gaveta e tirou de lá um roupão branco, pendurou-o ao lado do seu atrás da porta – agora sim. 

- Gostei. Deve servir. Nem vou perguntar de onde veio esse roupão. Não era da Meredith, era? 

- Não! Esse roupão é novinho. Eu trouxe de uma viagem que fiz a LA. É de um hotel que sempre fico. Esse é feminino. Você pode ficar se quiser – Kate apenas balançou a cabeça. Retornou a sala. Mal sabia que iria usar aquele roupão e não seria para manter um disfarce. 

Ao final da tarde, o quarto de Dylan e a casa já tinha fotos dos três espalhadas. Alexis queria tirar mais, porém Castle a freou. Disse que não podia demonstrar exagero. No fundo, ele queria poupar Beckett do constrangimento.    

Dia #5

Beckett acordou angustiada naquela manhã, não dormira bem a noite. Algo a incomodava. Um pressentimento. Desceu as escadas à procura de Dylan. Foi direto ao quarto do menino onde o deixara na noite anterior. Seu instinto dizia que ela precisava protege-lo, estar com ele. Não conseguia entender a razão de estar se sentindo assim. Ao se deparar com o berço vazio, o coração acelerou. O tapete enorme continuava montado no chão cheio de brinquedos. Onde ele estava? 

De repente, ouviu a risada gostosa do bebê. Sem pensar duas vezes, ela adentrou o quarto de Castle. Parou no meio do caminho entre a porta e a cama. Castle estava debruçado no colchão sobre o menino brincando com ele enquanto terminava de trocar a fralda. Ele mordia os pés do menino e a barriguinha provocando cócegas. Os dois riam da situação. Havia mais um detalhe a tudo. Castle estava sem camisa. 

Beckett pode reparar nos ombros largos, os músculos das costas se contraindo com os movimentos e os braços. Era a primeira vez que se deparava com os bíceps de Castle. Como a roupa enganava. Ela deixou escapar um pequeno gemido. Isso foi suficiente para que ele percebesse a presença no quarto. Ao virar-se, encontrou uma Beckett quase boquiaberta, os olhos fixos nele. Sorriu e pegou o menino no colo. Isso deu tempo para que ela pudesse também observar o peitoral dele. 

- Bom dia, Beckett. Hey, garotão, olha quem acordou... 

- Castle, ele dormiu bem? 

- Sim, acordou para mamar umas duas da manhã e depois as seis. Por que pergunta? 

- Não sei, uma sensação estranha. Como se ele precisasse de ajuda, proteção – ela se aproximou – hey, baby boy, como você está? – pegou uma das mãozinhas dele beijando-lhe a palma. O menino sorriu de imediato. 

- Por que não vai tomar seu café? Acabei de desligar a cafeteira nesse instante – ele reparou que ela não conseguia tirar os olhos dele, ou melhor do corpo exposto - Kate? Café? – nada – hey, Kate... – de repente, ela se deu conta do que fazia e ficou vermelha na hora – não quer café? – tentando se recompor, perguntou.  

- Você não vai tomar? – ele apontou para a caneca na cabeceira da cama.  

- Já é minha segunda, também já comi. Tem cereal, frutas, suco de laranja e uns brioches. Fique à vontade. Eu e o garotão vamos brincar um pouco – ela balançou a cabeça concordando. Saiu do quarto e tentou se concentrar em sua refeição embora a imagem tivesse registrada em sua mente. 

Ele reapareceu na sala com o bebê no colo. Dessa vez, com uma camisa. Sentou-se no tapetinho com Dylan e começou a brincar outra vez. Foi a vez de Beckett se perder observando a interação dos dois. Enquanto bebia o café, ela admirava o jeito dele com a criança. Castle era um ótimo pai, sabia disso por causa da maneira como tratava de Alexis. Porém, era bem diferente ver seu comportamento com um bebê. Era apaixonante. O jeito como o tocava, brincava, zelo e carinho. Não, era mais que afeto. Era amor. Ela suspirou. Amor. Dylan teria um pai maravilhoso. Infelizmente, a vaga de mãe ficaria em aberto. 

Mãe. Família. De repente, a voz de Johanna ecoou outra vez em sua mente “Você consegue, Katie”. Por que isso agora? Ela não podia ser a mãe de Dylan, ela não era casada com Castle, não eram namorados. No que estava pensando? Ela virou a caneca esperando que o café clareasse sua mente e expulsasse esses pensamentos malucos. A imagem de Castle brincando com Dylan também não ajudava. Sacudiu a cabeça, deveria voltar para o seu quarto, deixa-los ali por um tempo. Mas seu corpo, suas pernas não a obedeciam. Ela queria segura-lo no colo. Queria ficar mais perto daquele momento. Sentou-se no tapete ao lado de Castle. Ao vê-la, o menino se jogou para o seu colo. 

- Bom dia, baby boy... – tornou a beijar as mãozinhas, deitou-o devagar no tapete. Entregou um dos brinquedinhos na sua mão e atacou a barriguinha do bebê com beijos. Deixou seu corpo encostar no de Castle, ele estranhou o gesto, contudo não ousava reclamar. Ela bocejou. 

- Não dormiu direito? 

- Não muito. Essa sensação... – ela tinha a cabeça escorada no ombro dele enquanto massageava o pezinho do bebê. 

- Por que não vai descansar um pouco mais? Eu cuido dele – mal terminou de falar a campainha do loft tocou – fique aqui, vou ver quem é – Kate não gostou de ter que mudar de posição, mas decidiu retomar a brincadeira com Dylan. Estava fazendo sons com os animais de plástico prendendo a atenção de Dylan quando ouviu passos. 

- Castle, quem está ai? – ao erguer os olhos ela se deparou com a agente Wilson. 


- Bom dia, Kate. Curtindo o filhote? Vim fazer minha primeira visita – ela trocou um olhar com Castle. Ele entendeu. Era esse o motivo da sensação. 


Continua....

8 comentários:

Gabriela Mendonça disse...

Maddie, sempre causando... Fez o casal sem querer contar seu desejos e pensamentos em relação ao outro kkkkk. A Kate trocando a fralda kkkkk, sempre tem que rolar uma mijada. é de lei isso.
A Kate, vai ficar doida, doida de amor e desejo pelo Castle; doida com tantos pensamentos e paranoias... Não sei quem esta babando mais, ela por ver o Rick sem camisa ou o Rick por ver ela com o Rick.
Queria ver a Kate meio sem querer provocando o Rick com suas roupas, ou acordando para ver o Dylan que acorda chorando, ela de camisola e o Rick sem camisa kkkkk e isso poderia ser depois de um beijo para enganar a agente kkkk.
AMei esse final, tão maravilhoso ver a Kate desenvolvendo um extinto materno, e a agente n poderia chegar numa hora melhor (na verdade poderia ne, já que o casal estava bem juntinho com o baby). Sabe o que me ocorreu as ex's do Rick. Ele precisava avisar, já pensou se a Meredith aparece?

Barbara Braga disse...

ai que to nervosa aqui...
Tava tudo belezinha e agora deu medinho do que vai acontecer!
E eu vou morrer com essa fofura toda dos três juntos...
amei o capítulo <3

Sandra disse...

Quando sai novo capítulo, amei e estou ansiosa por saber mais...

cleotavares disse...

Mamamamama.. Tem coisa mais linda? Não.
Quando Einstein disse "A imaginação é mais importante que o conhecimento" Tenho quase certeza que ele estava falando das fics. hahahah

Géssica Nascimento disse...

MARAVILHOSO CAPÍTULO!!
Aliás, a estória em si, tudo perfeito!!!
Ansiosa para outros e outros capítulos!!

Vanessa Belarmino disse...

Tanta emoção em um capitulo só que fica ate difícil comentar... Eu amo seus capítulos enormes... ahahah
Vamos começar por Maddie... Gente, eu nem sabia que ela estaria ja nesse capitulo... ahahah
Foi simplesmente incrivel... Ela se divertiu demais e nós tb... Kate batizada na primeira troca hauhauha Hilário!
Eu to amando a evolução da mommy Kate... E a interação deles com Dylan...
E esses toques,olhares, essas fotos... E ate o bonitão sem camisa... Que tentação!
Eita que a visita vai começar... Nós que ficamos com aperto no peito agora, cruzando os dedinhos pra dar tudo certo...
P.S Fim da mini maratona. Missão cumpridada! Vc arrasando como sempre!

Priscila Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila Barros disse...

ai que fofura <3
Já falei e vou repetir, somos todos Maddie! huahauahuahua tão caskett de carteirinha. Isso ai garota, abre os olhos dessa sua amiga cabeça dura, o homem da vida dela tá bem na frente dela <3 <3 e essa imaginação das comemorações? hmm, esses dois precisam ficar juntos logo huahau <3
O que foi a Kate sendo 'batizada' pelo Dylan eim?! huahauhauahuahua, me acabei de rir!
Eu to toda boba com a fofura dessa fic, desse capítulo, desse baby <3 e o 'mamamama' lindo desse baby fofo, tão cheio de amor <3
A Kate toda fofa lendo para o Dylan <3 <3 <3 só deixa o Castle mais bobo e apaixonado por ela <3 <3 <3
E acho que alguém perdeu o fôlego com o Castle sem camisa eim! huahauhauahuahauhau amoooo <3
Agora a tensão da visita da agente. Ansiedade a mil, tomara que saia tudo certinho <3
amei muito o capítulo, kah <3