quinta-feira, 8 de setembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.4



Nota da Autora: atendendo a pedidos, aqui está. Apesar que acho que irão reclamar depois... a história de Anna pode ter acabado, mas a de Dylan com nosso casal preferido está apenas começando. Divirtam-se! Ah, antes que me esqueça, uma pequena homenagem a minhas leitoras e a minha personagem preferida dos livros através de Ryan (apenas justificando a citação do nome de alguém real e sua obra). 


Cap.4  


– Acredito que entendeu bem seus direitos, não?

– Eu não fiz nada, nem sei porque estou aqui.

– Ah, claro. Ótima maneira de começar nosso bate-papo, Rodriguez. Você tem uma ficha e tanto. Doze prisões, quatro foram passagens pelo reformatório. Roubo de carros, assalto, porte de drogas, assalto, roubo, assalto, drogas... que lista! – ela virou a ficha – nossa! E você só tem 23 anos! O que aconteceu agora? Resolveu subir um degrau? Tentar algo mais excitante que apenas assalto?

– Não sei do que você está falando, dona.

– É detetive, Rodriguez. Respeito. Uma curiosidade: você tem mãe?

– Tenho.

– Coitada. Deve sofrer vendo o que você já fez. Só que agora é pior. Você evoluiu para o latrocínio. Tem filhos, Rodriguez?

– Não.

– Pelo menos algo bom – Beckett abre a pasta e mostra várias fotos de Anna – reconhece sua obra? Era para ser um simples assalto ou queria mesmo machuca-la?

– Não sei quem é ela. Nunca a vi.

– Certo, o que é isso no seu braço? Esse curativo? – ela arrancou a gaze – um arranhão e tanto. Feito por ela, tentando se defender. Aposto que você não esperava por isso. Pela reação dela.

– Está me confundindo com outra pessoa, só pode.

– Então, pode explicar porque encontramos seu DNA na pele dela, nas roupas, na bolsa. Ela te arranhou. Sua pele estava nas unhas dela. Pensou que seria fácil. Mais uma mulher indefesa, ameaço com a faca, puxo a bolsa e corro. Rápido, tranquilo. Ela reagiu, você se assustou e não pensou duas vezes antes de meter a faca no corpo dela. Se era para roubar, porque não saiu correndo? Por que a faca?

– Foi um acidente, a vadia não devia ter gritado nem avançado para cima de mim. Jogou uma pedra na minha direção, ordinária e vadia metida – o murro que Beckett deu na mesa quase o fez cair da cadeira.

– Ela não é vadia! Ela é a minha vítima de homicídio que você matou. Ela tem nome. Anna! Ela estava protegendo seu bebê. Você sabia que ela tinha um bebê, ela lutou para salva-lo. Uma mãe, Rodriguez. E você acabou com a vida dela, deixou uma criança órfã e para que? Dinheiro para drogas? Ela era uma mulher honesta que trabalhava duro para criar seu filho e você a matou! – ela estava enfurecida – deixou-a no beco escuro para morrer sozinha. Não se contentou com uma facada, foram quatro! Suas digitais estão por toda parte, mas principalmente na arma que encontramos jogada em uma lixeira há dois quarteirões da cena do crime. Não ouviu o choro do bebê? Não pensou em ao menos fazer uma ligação anônima para a polícia? Você e seu comparsa são dois trastes.

– Eu não tive a intenção de matar...

– Intenção, sei, conhece o ditado “de boas intenções o inferno está cheio”? Você e seu comparsa merecem apodrecer no inferno. É para lá que vocês vão. É de lá que você irá ligar para a sua mãe e contar que matou uma jovem mãe e deixou um bebê sozinho no mundo. Prepare-se para seus próximos vinte anos, isso se você sobreviver todo esse tempo. 

Beckett saiu da sala esgotada. Bateu a porta com raiva. As mãos tremiam de raiva. Irresponsável. Miserável.

– Espo, pode interrogar o cúmplice, Fernandes. E fiche os dois. Quero o relatório do caso ainda hoje na minha máquina. Vou ligar para o promotor. Quero-os fora daqui amanhã cedo, nem um minuto a mais. Eles não passam de assassinos inconsequentes.

Castle estava na sala conversando sozinho com o pequeno Dylan.

– Ela é demais, não? Muito brava, mas não se preocupe. Ela só fica irritada com quem faz algo muito errado. Não é o seu caso. Ela estava defendendo sua mãe. As vezes ela fica com raiva de mim, não como ela demonstrou com esses caras. Logo passa. Vamos esperar quietos até que ela se acalme e então iremos nos despedir dela por hoje. Duvido que esteja com cabeça para ir para o loft conosco.

Dez minutos depois, ele aparecia na mesa dela. Beckett estava de cabeça baixa.

– Hey... – ela levantou o rosto e ele pode ver o esgotamento emocional – viemos nos despedir. Está na hora de ir para casa. Esse garotão precisa descansar.

– Tudo bem.

– Não fique trabalhando até tarde, detetive. Você está destruída. Como se tivesse sido atropelada por um caminhão – ela riu cansada.

– Você sabe fazer uma mulher se sentir para baixo.

– Sou sincero. E não disse que estava feia. Está arrasada, mas continua linda. Acabou, Beckett. Descanse bem. Amanhã começaremos uma nova batalha. Dê boa noite para a tia Beckett, Dylan – ele mexia nas mãozinhas dele como quem dava tchau. Sorrindo, ele tocou a mão dela – até amanhã, detetive.

– Boa noite, Castle.

Naquela noite em seu apartamento, Beckett recapitulava toda a loucura daquele dia. Uma verdadeira montanha-russa de emoções. Estava se sentindo melhor por ter feito justiça para Anna. Era parte de seu dever cumprido. Ainda tinha a outra parte. Dylan.

De todas as situações que já vivenciara na NYPD, essa talvez seja a mais difícil e diferente após o caso de sua mãe. A perda de seu apartamento, serial killers, bombas, eram casos esperados durante o exercício da profissão. Ensina-se sobre eles na academia. Procedimento, protocolo. Riscos calculados da profissão. Em seus mais de dez anos de polícia, já experimentara sequestros, atentados, mas essa era a primeira vez que sua vítima deixava um órfão para trás, um bebê indefeso.

O que tornava tudo ainda mais difícil era o fato dela conhecer a vítima, a mãe. O segundo fator crítico era a semelhança da história de Anna com a mãe de Castle. O escritor abusara de seus sentimentos hoje com a proposta que fizera. Era errada em tantos níveis e ainda assim, era digna e certa. Salvar uma vida. Era assim que Castle interpretava sua escolha. Será que o escritor estava certo?

Tinham um longo caminho pela frente. Beckett e ele precisavam convencer seu capitão e os rapazes a apoiarem sua história. Como se pede para o seu superior mentir por você? Devia desistir dessa ideia maluca e todas as vezes que pensava nisso, apenas uma imagem lhe vinha à mente. Os olhos azuis de Dylan e a semelhança impressionante com o par que tanto admirava.

Não havia desistência, ela concordara. Escolhera dar a Dylan o futuro que sua mãe sonhara. Se morar com Castle garantisse isso, ela faria sem pensar duas vezes.


Loft


Após colocar um adormecido Dylan no berço, Castle tomou um banho e serviu-se de café. Ele tentara escrever um pouco, porém sua mente não estava propícia a isso. Perambulou pela casa, assistiu um pouco de televisão e acabou na cozinha com outra caneca de café nas mãos. A verdade era que estava pensando sobre o processo de adoção.

A relutância de Beckett, o desabafo, o interrogatório como uma espécie de vingança pela vítima. A imagem dela, a força daquela mulher o deixava extasiado. O jeito como ela se entregava, defendendo suas vítimas em especial a de hoje. O golpe era sempre maior quando se conhecia a pessoa envolvida. 

A pasta com os documentos já formatados pelo advogado estava a sua frente. O processo de adoção de Dylan. Teria que lê-los. Ele estava satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando. A declaração de Beckett sobre sua proposta o pegara de surpresa. Ela conhecia Anna. Castle se perguntava o quanto da semelhança de sua própria história e do caso da própria mãe de Beckett influenciaram na decisão dela. Era fácil perceber as semelhanças. Mãe, assassinada em um beco, deixada lá para morrer, esfaqueada. A aparência física, o reconhecimento. Ele não percebera até que a detetive mencionasse. Anna se parecia com ela.

Havia muito por acontecer. Ele entendia que o processo era demorado. E não se resumia apenas a avaliação do estado. A vinda de Beckett para o loft, a convivência diária agora 24/7, seriam desafiadoras. Provas de fogo para sua amizade e para o relacionamento dos dois. Ele queria mais. Estava apaixonado. Só que Kate Beckett não era qualquer uma. Ele precisava ter cuidado. É uma mulher extraordinária, porém com muitos problemas, traumas. Para sentimentos, ela tinha que ser lapidada, como um diamante.  

– O que faz ainda acordado, kiddo? São duas da manhã.

– Eu não estou com sono. E você?

– Sede. Como foi com a assistente social? Tem chance de conseguir o que quer? E Katherine? O que ela pensa de tudo isso?

– A conversa com a assistente social foi boa. Eles procuram casais.

– Sinto muito, Richard.

– Não sinta. Eu disse que éramos um casal. Eu e Kate, ela quase me matou, mas... acho que ela se apegou ao bebê, mãe. Há alguma coisa entre ela e o pequeno que a desestabiliza. Ela conhecia a vítima e concordou em afirmar que somos um casal para a agente.

– Ela concordou em mentir? Por que?

– Por Anna, por Dylan. E gosto de pensar que um pouquinho por mim, pela minha história. Ela terá que se mudar para cá por uns tempos, acredito que semanas.

– Richard, isso pode ser perigoso. Não acha que foi longe demais? É por isso que você pensou em adotar essa criança? Para aproxima-lo de Katherine?

– Não! Eu nem sabia que ela a conhecia. Anna. Ela me contou depois de brigar comigo. Quero adotar Dylan porque é o correto a fazer. Eu posso e nunca houve segundas intenções, mãe. Tudo o que eu consigo pensar é que ele poderia ser eu.

– Tudo bem, filho. Estou aqui para ajuda-lo. Apenas tome cuidado. A convivência muito próxima a Katherine pode se tornar um problema. Não a pressione. Eu sei que está apaixonado por ela, Richard. E uma criança certamente pode aproxima-los. Apenas não abuse da sorte.

– Não farei nada disso – Martha pegou seu copo com água e começou a andar em direção as escadas. Então, tornou a virar para encara-lo.

– Fingir ser um casal para salvar uma criança. Não é qualquer mulher que se sujeita a isso, por uma criança que nem é dela. Admirável a atitude de Katherine. Ela deve gostar muito de você para se propor a isso.

– Ela não fez por mim, mãe. Fez pela Anna.

– Tem certeza? – Castle riu vendo sua mãe subir as escadas. Para alguém que recomendava ir com calma, ela parecia bastante disposta a jogar lenha na fogueira. Decidiu que deveria se deitar. Nem bem chegou ao quarto, escutou o chorinho do bebê. Estava na hora da próxima mamada. Ele retornou para a cozinha, preparou o leite e de volta ao quarto, ele pegou o menino no colo e o alimentou.

No dia seguinte, ele chegou ao distrito com os papeis da adoção em uma pasta dentro da bolsa de Dylan. Seu advogado os encontraria na hora marcada. Com Dylan em um dos braços e a bolsa do bebê no outro, trazia dois copos de café.  

– Bom dia, Beckett. Seu café.

– Obrigada – ela pegou o copo, bebeu e sorriu para o garoto – oi, Dylan! Tio Castle tomou conta de você direito?

– Conta para ela, garotão. Faço o melhor leite do mundo – sorrindo, ele percebeu quando o menino se jogou para os braços de Kate, ela não pode evitar – os criminosos já foram despachados?

– Sim, logo cedo. Estou terminando de dar meu parecer no relatório para enviar para o capitão e a promotoria. Já conversei com ele por telefone – não percebera, mas a mãozinha do bebê estava no rosto dela, mais precisamente nos lábios e sem pensar ela brincava mordiscando os dedinhos fofos do pequeno.

– Eu trouxe os papeis da adoção caso você queira ler antes da reunião. Meu advogado estará aqui na hora combinada.

– Sei que deve estar tudo em ordem, aliás não é definitivo ainda. Teremos que ouvir as recomendações da agente Wilson antes.

– Tem razão.

– Pode pega-lo um pouco? Preciso terminar meu trabalho.

– Claro! – ele pegou o bebê do colo de Beckett. O menino reclamou um pouco, mas Castle logo conseguiu sua atenção. Afastou-se indo para a mini copa a fim de deixar a detetive trabalhar. Aproveitou para checar se a fralda estava limpa. Tudo certo. Faltava uma hora para a reunião e não podia negar, estava nervoso.

Finalmente a agente Wilson apareceu na delegacia. Sabendo da seriedade da reunião, Castle pediu para Ryan tomar conta do bebê. Relutante, ele aceitou, porém se chorasse muito o detetive avisou que seria obrigado a bater na porta da tal reunião.

Ninguém no distrito sabia dos planos de Castle. Para todos os efeitos, aquela reunião com a assistente social era para resolver a entrega do bebê para o sistema. Era bom que a situação ficasse apenas entre ele e Beckett nesse instante. Afinal, era uma condição delicada.

Entraram na sala cumprimentando educadamente a agente Wilson. Castle apresentou o advogado. Devidamente sentados, a palavra era da oficial.

– Muito bem, Sr. Castle. Houve uma demonstração de sua parte em abrir um processo de adoção do menor Dylan Kingston. Para tanto, é necessário cumprir as exigências mínimas da justiça. A primeira delas, como já havia mencionado, é a adoção por um casal. O senhor informou que você e a detetive Beckett tem um relacionamento estável há três anos e que não moravam juntos. Portanto, a primeira providência é quebrarem essa barreira, devem viver e cohabitar sobre o mesmo teto – ela tomou um pouco de agua.

– Durante o período de três semanas, vocês receberão visitas esporádicas minhas ou de outros agentes para avaliar o convívio familiar. Conforme seja o comportamento de vocês, a justiça lhe dará a guarda temporária. A partir daí, o bebê passa ser sua responsabilidade e o departamento de assistência social irá realizar novas visitas agendadas para acompanhar a evolução da criança na casa e na família. Após dois anos, o juiz avaliará nosso parecer e concederá a guarda definitiva para vocês. Está claro?

– Sim, muito.

– É de comum acordo que vocês iniciam esse processo?

– Sim – Beckett respondeu.

– Sim, com certeza – Castle afirma e busca a mão da detetive. Eles trocam um olhar.

– Saibam que estou abrindo uma exceção nesse caso. Eu vi a preocupação de ambos com a criança. Normalmente, eu selecionaria casais para entrevistar e vocês seriam um deles. Eu decidi ignorar as regras e pular essa parte do processo. Não façam eu me arrepender.

– Não faremos. E qual o próximo passo, além de morarmos juntos?

– Vocês precisam entrar com o pedido de adoção oficial. Nele deve conter dados pessoais de ambos, situação financeira, antecedentes, exames médicos atuais e seus históricos médicos. Também serão realizadas entrevistas com as pessoas mais próximas de vocês, no ambiente profissional e pessoal. Precisamos ter certeza de que o casal é maduro suficiente para criar uma criança – ao ouvir sobre as entrevistas, Beckett apertou a mão de Castle. Esse era um motivo de preocupação para ambos.   

– Trouxe um rascunho para a sua análise, agente Wilson – disse o advogado entregando os papeis na mão dela.

– Posso revisar para vocês, mas também posso lhes enviar um exemplo desse pedido oficial. Mais importante é ter todos os dados disponíveis o quanto antes – a agente voltou-se para Beckett – detetive, como anda o caso?

– Encerramos ontem com duas prisões. O relatório oficial com as confissões foi enviado esta manhã e os prisioneiros transportados para Sing Sing ficando na espera do julgamento.

– Pelo menos uma boa notícia. Não era o que desejaríamos para essa jovem nem para Dylan, mas é bom ver a justiça agindo em defesa dos inocentes. Eu deveria retirar o bebê do convívio de vocês até que recebamos o pedido oficial, porém seria injusto com a criança que aparentemente está bem tranquila diante do cuidado de vocês. Sr. Castle, tem vinte e quatro horas para entregar todos os documentos protocolados. Caso contrário, serei obrigada a levar a criança.

– Não se preocupe, terá o que me pede. Obrigado mais uma vez pela confiança em nós, agente Wilson.

– Estou apenas fazendo o meu trabalho e acredito que querem o melhor para essa criança. De verdade – eles se cumprimentaram outra vez e se despediram. Até aquele momento, nenhum dos dois havia largado a mão do outro. Nem perceberam o que faziam. O advogado perguntou a eles sobre os históricos. Beckett disse que não haveria problema em conseguir as informações rapidamente. Era uma das vantagens de ser policial. Castle confirmou que enviaria seus dados por e-mail assim que chegasse em casa.

Sozinhos, eles ficaram calados se encarando por um momento.

– Nós realmente estamos fazendo isso. Beckett, eu não sei como te agradecer pelo que está se dispondo, arriscando, não sei se poderei retribuir o gesto.

– Castle, não me agradeça ainda. Temos muitas etapas pela frente. Essas entrevistas...

– O que tem elas?

– Elas me preocupam. Teremos que conversar muito com os rapazes, o capitão, sua mãe... Deus! Será que vão querer falar com meu pai?

– É provável. Porém, não adianta sofrer por antecedência, Beckett. Irei conversar com meu advogado para saber se há a possibilidade de escolhermos as pessoas consultadas. Seria muito melhor para nós, assim diminuiríamos a chance de erro.

– Vou providenciar as minhas informações – ela já se dirigia para a porta.

– Beckett?      

– Sim?

– Sobre sua mudança para o loft... não conversamos sobre isso. Quer dizer, quando faremos....

– No fim de semana. Eu me mudo no sábado – ele suspirou depois que ela saiu. Ele estava empolgado e nervoso com o que poderia acontecer nessas três semanas.

Castle cumpriu o prazo para a agente. Entregou todos os documentos que pedira. Nos dias que se seguiram, ele apareceu rapidamente no distrito. Seu foco era conseguir deixar tudo organizado para a adoção e para a vinda de Beckett para o loft. Durante esse tempo, Dylan ganhara duas novas babás, Alexis e Martha. Castle também consultou seu advogado e descobriu que poderiam indicar as pessoas que passariam pela entrevista durante o processo com alguns requisitos. Deveriam ter contatos pessoais e profissionais de ambos.

Na sexta-feira, Beckett recebeu um telefonema da agente indicando que estava tudo em ordem com sua documentação e que assim que o juiz da vara infantil assinasse o pedido, começaria seu tempo de avaliação. Tudo indicava ser segunda-feira. Ela agradeceu e resolveu ligar para Castle. Era a hora de comunicar a conclusão do caso para a amiga de Anna.

Ele também falou ao telefone que tinha uma boa notícia para Beckett e contaria pessoalmente. Estaria em meia hora no distrito. A detetive ligou para Claire pedindo para que viesse encontrá-la. Quando Castle chegou, ela já o esperava com Claire numa das salas de investigação. Obviamente trouxera café.

– Olá, detetive. Desculpe o atraso. Café? – ela aceitou – oi, Claire. Como tem passado?

– Tentando voltar a vida normal. Anna e Dylan fazem muita falta. O apartamento anda silencioso, vazio sem os dois. Descobriu o que aconteceu com a minha amiga, detetive Beckett?

– Sim, Claire. Infelizmente, dois irresponsáveis a atacaram por dinheiro. Drogas foi o motivo. Estão presos e pegarão vinte anos, isso se sobreviverem todo esse período na prisão. Não trará sua amiga de volta, mas pelo menos a justiça aconteceu e não farão novas vítimas. Liberaremos o corpo para ser enterrado. O Sr. William agendou para sexta-feira.   

– E Dylan? O que acontecerá com ele? Vai para o sistema? Por favor, digam que encontraram um lar para o meu menino... – Castle e Beckett se entreolharam. A detetive suspirou.

– Claire, o que vamos lhe contar é extremamente confidencial ainda. Portanto, contamos com a sua discrição. Castle entrou com um processo para adotar Dylan, segundo a agente do serviço social a proposta estará válida a partir de segunda-feira. Ficará em avaliação por três semanas para conseguir a guarda provisória.

– Oh, isso é... espere, não precisa ser um casal para adotar uma criança? O senhor não é casado e... quem é a suposta mãe?

– Eu sou – disse Beckett.

– Oh, meu Deus! Vocês estão juntos? Isso é maravilhoso! Anna, ah... ela adoraria conhecer você, detetive.

– Na verdade, eu a conheci. Em um café, em um domingo. Também conheci Dylan. Ele merece um futuro, uma chance diferente da mãe, como Anna queria. E Castle pode dar isso a ele.

– E você também. E-eu não sei o que dizer, isso é tão... – ela chorava – detetive, você foi um anjo que cruzou o caminho de Anna, nada acontece por acaso. Eu acredito nisso. Eu posso te dar um abraço? – Claire se levantou e abraçou Beckett novamente agradecendo-a pelo que estava fazendo. Depois, foi a vez de Castle. Ela enxugou as lagrimas e sorriu.

– Onde está Dylan?

– No meu apartamento com a minha mãe. Eu vou lhe dar o endereço. Pode visita-lo quando quiser.

– Obrigada. Quando uma porta se fecha, Deus sempre abre uma janela. Destino. Você até se parece com Anna, detetive.

– Por favor, é Kate.

– Obrigada, Kate. Muito obrigada – sorrindo, ela deixou o distrito. Castle virou-se para Beckett.

– Você não comentou que sua “maternidade” era temporária.

– Não queria estragar o momento de alegria dela. Estava satisfeita – ele sorriu.

– Hey, tem um minuto? – ele perguntou oferecendo o copo de café que ela deixara sobre a mesa.  

– Sim, na mini copa?

– Está ótimo – quando se viram sozinhos na salinha, ele falou sobre as novidades que seu advogado lhe informara – estava pensando que podíamos fazer algo para reunir todos e comunicar a nossa decisão e o que precisaremos do lado deles. Que tal um jantar no loft amanhã? Eu convidaria todos sem um grande pretexto e revelaríamos o que estamos fazendo.

– Não sei se é uma boa ideia...

– Por que não? Pretende fazer isso aqui no distrito, pegando-os de surpresa sem qualquer preparação? Um jantar simples, descontraído e a situação da adoção. Acredito ser o melhor momento para contar.

– Talvez tenha razão – mas sua mente gritava “cuidado!” Um jantar. Não parecia algo muito íntimo? Ora, o que era um jantar diante da loucura de adotar uma criança com Castle?

– Sei que tenho – ele afirmou sorrindo.

– E como você pretende que eles estejam presentes no loft? Podem ter compromissos.

– Acredite, eles não irão deixar de ir. Confie em mim – ela deu de ombros. Voltaram para o salão. Castle já chamara por Esposito – Espo, cadê o Ryan, quero falar com os dois.

– Ele está arquivando umas pastas, não deve demorar. Qual é o problema? Fez alguma besteira, Beckett chutou seu traseiro e agora precisa de ajuda? Quando vai aprender, Castle?

– Não é nada disso. Por que você pensa sempre o pior de mim? – Esposito o olhou com uma cara de quem diz “você sabe” – não é nada disso! – Ryan se aproximou.

– O que aconteceu?

– Castle aprontou – a cara de reprovação de Ryan foi impagável. Era como ver a reação de um leitor a um personagem pelo qual torcia muito e que errou feio, pensou o escritor.

– Hum, tudo bem, nós discutimos e eu a provoquei. Acabei desafiando-a para um jogo de pôquer, uma aposta. Só que ela se recusa a jogar um mano a mano compreende? Então, estou convidando vocês para compor a mesa. Também chamarei o capitão. E tenho um par de ingressos para o jogo do Knicks contra os Celtics no domingo.

– Eu irei a sua casa com prazer para ver a Beckett acabar com seu traseiro, Castle. Nem preciso de suborno – disse Ryan.

– Hey, bro! Não recuse uma oferta dessa, se não quer, tem quem queira. Também estou dentro. Quando será?

– Amanhã. Sete da noite. Vou conversar com o capitão – assim que ele se afastou para falar com Montgomery, Ryan comentou.

– Cara! Quando Castle vai aprender? Ele vive pisando na bola com Beckett. Assim nunca vão se acertar.

– Ryan, Beckett tem namorado!

– Beckett não gosta do namorado, você não entende nada de relacionamentos mesmo. Ela está com o médico por pura conveniência. Porque Castle não toma a atitude correta.

– Você realmente acha isso?

– Tenho certeza. Além do mais, o namorado dela nem para em Nova York, quer situação mais cômoda que essa?

– Certo, Dr. Phil, você já leu o último livro de Nora Roberts? – perguntou Esposito claramente debochando do parceiro.  

– Ah, o último da série mortal foi muito bom. Eve arrasou. Ela me lembra a Beckett e...

– Cala a boca, Ryan! – o detetive deu de ombros indo em direção a mesa da colega.

– Então, você aceitou o desafio de Castle no pôquer? O que ele disse para te irritar a ponto de ceder a isso? – era essa a desculpa dele. Certo. Podia conviver com isso.

– Desde quando preciso de incentivo para arrasar com Castle? Ele provocou, mal sabe o que o espera.

– Estarei lá, torcendo para isso. Posso levar Jenny? Se ela estiver disponível, não sei se trabalha...

– Er...claro. Eu acho, a casa é de Castle. Pergunte a ele – não conhecia a noiva de Ryan a ponto de considerar algo normal tê-la em um momento como esse. Jogaria a bomba para Castle... mas, ah! Que droga! Ele seria capaz de concordar. Não estava preparada para essas situações. Onde fora se meter? Meia hora depois, Castle senta em sua cadeira cativa. Estava sorrindo.

– Tudo certo, Beckett. Todos irão comparecer no loft amanhã. Para todos os efeitos será um jogo de pôquer e não me importo se você ganhar de mim, eles estão esperando por isso.

– É, Ryan já veio demonstrar seu apoio. A propósito, ele falou com você sobre Jenny?

– Falou, disse que tudo bem – ao notar a cara de reprovação de Beckett, justificou – o que você queria? Não podia dizer não sem ter um motivo. Nem sabemos se ela poderá ir. Relaxe!

– Relaxe? É isso que você tem para me dizer? Castle estamos prestes a contar que adotamos uma criança, dividiremos responsabilidades para os nossos amigos. Uma verdadeira loucura e, Jenny... sem ofensas, mas ela nem nos conhece direito! A cada hora que penso sobre o que fizemos, percebo quanto essa ideia é louca e errada.

– Nada é errado. Beckett, o que você está fazendo por Dylan, por mim, é louvável. Um gesto altruísta como pouco se vê. Ninguém vai condena-la por isso. E no fundo, você sabe que não é errado. Tomou a decisão certa ao concordar em me ajudar. Deu a uma criança a chance de ser feliz, salvou um inocente. Quem irá julga-la por isso? E além do mais, pode servir como prática, não? Para o futuro?

– Castle...limites.

– O que? Aposto que depois de cuidar de Dylan vai querer ter uma penca de filhos.

– Eu não vou cuidar de Dylan – ela sussurrava – ele é sua responsabilidade.

– Eu sei, mas terá que encenar algumas coisas para a assistente social. Afinal, você é a “mãe” da minha história.

– Exceto que esse não é um dos seus livros, trata-se de vida real, Castle. Ou você acha que é tudo uma brincadeira?

– Claro que não, detetive. Tenha um pouco de fé em mim. Pode me dar um pouco de crédito? – ela suspirou – vou para casa agora, ver como estar o meu pequeno. Até mais tarde, Beckett.

– Até amanhã, Castle – ele deu de ombros. Ao vê-lo se afastar, ela sorriu. O jeito como ele falara do menino, meu pequeno. Castle parecia mesmo feliz diante da ideia de experimentar outra vez a chance de ser pai. Era um lado dele que pouco via. Confessava para si mesma que tinha curiosidade de passar uns dias com ele vendo-o cuidar de Dylan.

Mais tarde, Esposito veio perguntar sobre Castle. Beckett dissera que saíra a cerca de uma hora.

– Aposto que foi praticar jogadas, analisar probabilidades. Deve estar morrendo de medo de enfrenta-la amanhã.

– Espo, Castle é a pessoa mais convencida da face da terra. Aposto que tem certeza que ganhará de mim.

– Eu sei que não. Vai ser engraçado vê-lo aborrecido com a sua vitória. Ele parece criança, vai se doer.

– Veremos. O capitão está na sala dele? Preciso atualiza-lo no caso de Anna.  

– Está sim, e como ficou o bebê?

– O que você acha? Infelizmente, nem sempre ganhamos.

– Mas nós prendemos os culpados – Beckett deu de ombros e seguiu para a sala de seu capitão. Ao receber a permissão para entrar, ela sentou-se de frente para Montgomery.

– Senhor, quero lhe atualizar sobre o caso de Anna Kingston. Conversei com a promotoria agora há pouco e eles me garantiram que ambos irão passar bons anos em Sing Sing. Rodriguez pegara no mínimo trinta anos, o seu cúmplice um pouco menos. É estranho, mesmo quando conseguimos fazer justiça, algumas vezes não é suficiente. Como nesse caso.

– Você sente que falhou com a vítima, por causa do bebê. Como foi com o serviço social? – Beckett detestava ter que mentir para seu superior, mas era necessário. Pelo menos até amanhã.

– Da mesma forma de sempre. Procedimentos, papelada, muitas perguntas. A agente comentou que tem três potenciais casais para a adoção. Resta esperar que Dylan tenha um melhor futuro que sua mãe.

– Ele terá, detetive. Sabe, Beckett, nosso trabalho é difícil. Nem sempre saímos satisfeitos. Quando envolve uma criança, tudo se torna mais complicado. Um ser inocente, completamente alheio as maldades do mundo. Não assuma essa culpa para si. Eu sei como casos assim lhe deixam. Lembro muito bem do sequestro. Dylan ficará bem.

– Assim quero que seja. Espero que tenha tomado a melhor decisão para ele.

– Diante do que tinha, eu sei que tomou – não, Capitão, o senhor não tem ideia, ela pensou – agora, quer me contar o que Castle fez para você. Como chegamos a um jogo de pôquer?

– Não vem ao caso. É Castle. Boa coisa não podia ter feito. O senhor vai amanhã?

– Jogos, bebida, comida e a chance de ver Castle chorar? Não perderia isso por nada! – ele ria – vá para casa, Beckett. Você já fez demais por hoje.

– Obrigada, Capitão. O relatório está na sua máquina.

– Bom trabalho, detetive. Descanse.

Beckett saiu da sala de seu capitão, pegou suas coisas e desceu no elevador. Ao entrar no carro, ao invés de dobrar para a esquerda e seguir para casa, ela contornou a rua e seguiu rumo ao SoHo. Ela não sabia explicar, mas sentia a necessidade de passar no loft e verificar se estava tudo bem com Dylan.

Ao abrir a porta, Castle não deixou de demonstrar-se surpreso ao vê-la ali.

– Beckett? O que faz aqui? Novo caso?

– Não, e-eu... precisava checar se está tudo bem com Dylan. Ele está dormindo?

– Não, está com Alexis. Acabou de jantar uma sopinha de legumes. Daqui a pouco, darei o leite para fazê-lo dormir. Entre. Eles estão no sofá – ela já entrou encaminhando-se para o local quando Martha a avistou e a pegou de surpresa em um abraço apertado.

– Ah, Katherine! Que maravilha te ver. Ah, querida... nem sei como começar a agradece-la pelo que você está fazendo – finalmente a soltando, Martha olhava sorrindo para a detetive – você tem um coração de ouro. Um gesto como esse é para poucos. Sua mãe, onde quer que ela esteja está orgulhosa da mulher que você se tornou. Por Deus! Eu estou orgulhosa, Katherine! Venha vê-lo. Teremos muito tempo para conversar – era a primeira vez que ouvia alguém falar de sua mãe como se estivesse em seu lugar. Martha parecia olha-la de modo diferente, não sabia explicar porque.

O pequeno Dylan estava no colo de Alexis. Brincava com os bichinhos que Castle dera para ele. Estavam todos babados. Ao se aproximar, cumprimentou a filha de Castle com um sorriso e sentou-se ao seu lado.

– Hey, Dylan... hey, baby boy... – ao ouvir a voz de Beckett, o menino a fitou na mesma hora. Ela sorria e o pequeno se jogou para o colo dela ainda segurando o elefantinho azul todo babado.

– Ele gosta mesmo de você – disse Alexis – foi um sacrifício para ele vir para o meu colo. Tive que engana-lo com brinquedos para o papai poder tomar banho. Você vai mesmo se mudar para cá? Por semanas? – Beckett anuiu – posso mostrar seu quarto se quiser. Eu achei muito bonito seu gesto, detetive. Ainda mais sendo o meu pai, o outro adulto responsável. Pelo menos, você pode prendê-lo se fizer besteira. Nem precisa chamar o serviço social – elas riram.

– Hey! Eu estou bem aqui.

– Sério, ele queria muito isso. A princípio não entendi porque, mas a vovó me explicou. E ganharei um irmãozinho. Logo eu que nem sonhava com isso. Acho que daquele mato não sai mais coelho...

– Alô? Não sou invisível e ainda sou seu pai, que tal um pouco de respeito? – ela ria e Kate também não pode evitar ao ver a cara de chateação de Castle.

– Vem, vou mostrar seu quarto. Assim você tem noção do que trazer.

– Quando terminarem, voltem para a cozinha. Vamos jantar.

– Não, Castle não precisa...

– Você já jantou? Porque eu não e temos que conversar sobre amanhã – sem alternativa, ela cedeu. Quando voltara do quarto, Dylan já dormira em seu colo. Ela seguiu com Alexis para colocá-lo no berço. Foi a menina que acabou fazendo a maior parte do trabalho. Aquilo ainda era muito novo para ela. Ao retornar à cozinha, Castle lhe entregou uma taça de vinho e o jantar já estava servido.

– Pizza? Essa é a sua ideia de jantar?

– Dá um tempo, Beckett. Você pensa que é fácil cuidar de uma criança? Tive que trocar fralda, fazer mamadeira, preparar sopa ou você acha que Dylan comeu potinho? Não mesmo.

– Quer desistir, Castle?

– De jeito nenhum! – ela sorriu – coma a pizza e não reclame – balançando a cabeça ela obedeceu diante dos olhares de Martha e Alexis. Ele parecia uma mãezona dona de casa. Assim que devoraram metade da pizza, eles começaram a conversar sobre a noite do pôquer e como seria sua estratégia para contar a novidade aos amigos. Castle não escondia seu medo a reação principalmente do capitão. Era nesse momento que contava com a presença e a racionalidade de Beckett. Não se preocupava com Ryan, sabia que o amigo iria apoia-los. Quanto a Esposito, tinha certeza da reprovação. Pouco se importava com a opinião dele, afinal já convencera Beckett e sabia que no fundo, o detetive metido a durão acabaria se acostumando com a ideia.

Eles estavam terminando de conversar quando o chorinho veio do quarto de Castle. Dylan acordara. Fome. Ele queria leite.

– Vou fazer a mamadeira. Beckett, você se importa de acalma-lo por uns minutos. Já chego lá com o leite.

– Tudo bem – ela se encaminhou para o quarto. Dava umas palmadinhas de leve no bumbum do bebê. Sentada na cama de Castle, ela não pode deixar de notar como o quarto era espaçoso e bem arrumado. A cama deliciosa. Dylan chorou um pouco mais e ela se arriscou a tira-lo do berço. Não foi uma tarefa fácil. Ela se contorcera toda como uma malabarista, mas por fim tirou-o do berço aconchegando-o em seu peito. Outra vez, a cena se repetiu. O choro diminuía e os dois olhos azuis a fitavam intensamente. A mãozinha sobre o seio dela. Castle a encontrou andando pelo quarto com o menino nos braços. Nem pensou em tira-lo de seu colo. Entregou-lhe a mamadeira.

Kate o olhou intrigada. Ele sussurrou.

– Ele está quieto, vai mamar e dormir logo no seu colo – sem argumentos, ela ofereceu a mamadeira para o menino que aceitou na hora. Sugava o leite com vontade. Ela achava incrível o jeito dele. Aconteceu exatamente como Castle dissera. Dylan foi fechando os olhinhos enquanto devorava o resto do leite, a mãozinha tocava agora a mão dela que segurava a mamadeira. O calor do toque foi algo diferente de tudo o que ela já experimentara. Não sabia explicar, mas era diferente. Quando a mamadeira esvaziou, ele já dormia. Sequer reclamou quando ela tirou o bico de sua boca.

– Não o coloque no berço agora. Precisa digerir o leite, pode mudar a posição que o carrega.

– Eu não sei fazer isso, Castle.

– Eu te ajudo – ele se aproximou erguendo o bebê e virando-o com cuidado colocando sobre o ombro de Beckett – pronto, agora bata de leve nas costas dele – ela obedeceu – isso! Não é tão difícil, viu? Opa! Já arrotou uma vez, continue...

– Quanto tempo demora isso?

– Calma, pelo menos uns dez a quinze minutos. Depende da reação dele. Está indo bem para uma iniciante – ele sorria. Finalmente convencido que já poderiam colocar o bebê de volta no berço, Castle tirou-o do colo dela e arrumou-o cuidadosamente cobrindo-o com a manta. De volta a sala, Beckett pegou sua bolsa para ir para seu apartamento.

– Viu? Nem foi tão difícil, mas não vou mentir. Essas semanas de ambientação não serão fáceis. Ele é exigente, não vai com qualquer pessoa.

– É, Anna me disse isso.

– Ele não gosta do colo de Alexis, o da mamãe só por pouco tempo. Vai sobrar para nós.

– Bem, ele terá que se acostumar. Vai morar aqui para sempre e eu preciso trabalhar.

– Eu sei, mesmo assim, vou precisar muito de você – o jeito como ele dissera aquilo foi tão sincero que Beckett se viu prendendo a respiração por alguns segundos – vá para casa, Beckett. Amanhã temos uma noite interessante pela frente.

– Sim, nem quero pensar nisso.

– Vai dar tudo certo. Confie em mim.

– Não tenho outra alternativa, tenho?

– Fala isso da boca para fora, eu sei.

– Boa noite, Castle.

– Até amanhã, detetive.

O dia passou sem maiores problemas. Um novo caso surgira no meio da tarde, porém ficaram presos a demora do laboratório e somente poderiam conclui-lo no dia seguinte. Nada iria atrapalhar a noite já programada de jogatina.

Conforme combinaram no dia anterior, Castle alimentaria o pequeno e o faria dormir. Não queriam que os rapazes dessem logo de cara com o bebê. Ainda tinham toda uma história de convencimento para contar antes de revelar a bomba. Porque sim, na opinião de Beckett seria uma bomba. Boom! Adotamos um bebê! Não é todo o dia que se ouve isso, ainda mais vindo de duas pessoas completamente diferentes sem qualquer ligação familiar.

Ela estava um pouco nervosa. Ryan reparou nos gestos dela.

– Ansiosa por hoje à noite? Tenho total confiança em você.

– É, mas Castle também é bom no pôquer. Não será um jogo fácil.

– Você é melhor, não se preocupe. Desfaça essa cara. Vai ganhar – então ela estava com a preocupação estampada no rosto. Precisava se conter. Tinha acertado que iam direto do distrito para o loft, porém lembrando-se do bebê e do fato que estivera numa cena de crime, ela achou melhor tomar um banho no distrito mesmo e trocar de roupa. Sempre tinha uma muda extra disponível em seu armário. Por volta das seis e meia, ela já estava pronta. Aproveitou para secar os cabelos, estava cedo para aparecer no loft.   

As sete e quinze a campainha soou no loft. Ao abrir a porta, seus quatro convidados surgiram.

– Pronto para levar uma surra, Castle? – perguntou Montgomery.

– Hahahaha, vocês não perdem por esperar.

– Fazendo piada? Quem ri por último, ri melhor – disse Esposito – não, Beckett?

– É o que o ditado diz – ela concordou. Mal sabiam que a piada era bem séria – vamos logo começar? Ou você quer desistir, Castle?

– Ah, detetive, por favor. Sentem-se na mesa de jogo e claro, vocês conhecem minha mãe. Ela vai se juntar a nós porque não resiste ao vício. Querem beber o que? Vinho, cerveja, whisky?

– Cerveja, pare de enrolação e sente na mesa, Castle – disse Montgomery.

– Certo, isso soou como uma ordem. Tudo bem, vou só pegar as cervejas e começamos, temos regras.

– Regras além das do jogo normal? – perguntou Esposito.

– Sim, por causa da aposta. Serão cinco rodadas, o vencedor leva. Se empatar, melhor de 3.

– Ele está criando isso porque está com medo – Castle não ligou para a provocação de Esposito, entregou as cervejas e sentou-se. O disfarce ia começar. Eles jogaram, riram, perderam e a disputa ficou apenas entre os dois. Estavam empatados. Duas vitorias para cada lado. Como tinham combinado, Beckett ia fingir ter uma mão muito boa, aumentaria a aposta e Castle pagaria e também aumentaria. Só que ela iria para o tudo ou nada e ele desistiria.

– Então, estou esperando. All-in, Castle – ele olhava para ela e para as cartas fingindo estar apreensivo.

– Eu estou fora.

– Covarde! – Ryan começou a imitar uma galinha – perdeu! – eles riam.

– É, Castle. Não é todo o dia que se é arrasado no pôquer por uma mulher – disse Montgomery. De repente, um choro de criança invade a sala ficando cada vez mais alto. Beckett troca um olhar com Castle, ambos em pânico. Alexis surge na sala envergonhada com o bebê no colo.

– Desculpa, pai. Ele não quer ficar quieto de jeito nenhum. Não aceita meu colo ou a chupeta – os três amigos olham para a filha e depois para Castle. Perderam alguma coisa? Ela balançava o menino tentando acalma-lo – Dylan, por favor...

– Dylan? – foi Ryan quem primeiro fez a ligação – esse é o filho de Anna? A nossa vítima?

– Detetive Beckett, por favor me ajude – ela se aproximou de Kate e entregou o bebê. Aos poucos, ele foi se acalmando no colo dela. Montgomery a olhava perplexo.

– Dylan... você me disse que ele estava com o serviço social. O que ele faz aqui, Beckett? – ela trocou um novo olhar com Castle. Era a hora da verdade. Não fora para isso que inventaram o jogo daquela noite?


– Eu sinto muito, senhor. É melhor vocês se sentarem. Eu e Castle temos algo importante para contar. 


Continua....

15 comentários:

Camila Lorrane disse...

Baby Dylan que fofo Amei Ka Parabens 💕👶🏼

Gabriela Mendonça disse...

Kate arrasando no interrogatório kkkk!!! É tão lindo ver o cuidado que Rick e Kate com o baby... O Dylan já está tão ligado com a Kate e ela com ele, pena que ele ão vê e fica de mimimi que ele é responsabilidade do Rick. Tadinhaaaa... Sabe de nada inocente. Doida para ver como vai ser a adaptação dela no loft, primeira noite lá o Dylan chora na madrugada e ela no impasse levanto ou não levanto?
Ai, queria tanto eles no balanço, tipo inserir esse lugar, tão marcante para Caskett, nessa fic linda. O Dylan apesar de muito parecido com o Rick é grudadinho na Kate, imagino eles na pracinha, ou nos HAmptons kkkk Ninguém nunca iria dizer que é adotado.

MarluLeles disse...

Kah, não me faça esperar uma eternidade pelo próximo episódio, obrigada!

Luciana Carvalho disse...

Owwwwwwwww tô amando essa fic, adoro ver Caskett brincando de casinha!! Com criança então, melhor ainda!!!!
Doida p ver esse amor começar a nascer de um jeito diferente.. os dois tão domésticos!!!!
Esperando o próximo..

Unknown disse...

Já estou ansiosa para o próximo. Baby Dylan é o melhor. 😍😍❤

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Larissa Ferreira disse...

Já estou ansiosa para o próximo. Baby Dylan é o melhor e a Kate já está apaixonada por ele, desde o primeiro momento. 😍😍❤

Bruna disse...

ai meu Deus! !!!! que capítulo maravilhoso 😭💕 Amei ver uma cena linda de badass Beckett e o Castle com o Dylan no colo enquanto isso acontecia hahaha sei que isso vai levar um bom tempo porém sinto que essa coisa da Beckett de "você vai tomar conta dele sozinho" vai acabar mudando pq ela vai se envolver muito,ela já está muito envolvida para deixar ele sozinho não é mesmo? e espero que o fato de que eles vão precisar morar juntos para poderem adotar o bebê Dylan aproximem os dois de uma forma muito linda e que eles fiquem juntos logo 💕 excelente capítulo, Karen!Muito obrigada por isso 😝😚

Carla Bonette disse...

♡♡♡♡♡
Caskett a caminho
E de quebra um bebê caskett de cupido
Dylan seu fofo

Ryan falando da série mortal ♡♡
Comparando kate a eve aaaaaaa
Cono lidar?

Carla Bonette disse...

♡♡♡♡♡
Caskett a caminho
E de quebra um bebê caskett de cupido
Dylan seu fofo

Ryan falando da série mortal ♡♡
Comparando kate a eve aaaaaaa
Cono lidar?

cleotavares disse...

Gente! É muita fofura junta, Dylan, Caskett,família.

leticia cristinny disse...

AAAAAA Kate já esta se sentindo em casa antes mesmo de se mudar, fora que ela já é super mãe, aquela cena da pizza como jantar só mostrou isso, alias eu amei a cena, quero mais dessas cenas assim papai e mamae kkk. Dylan sendo tao fofo quanto arco iris e unicórnios <3 Os dis brincando de casinha, maaaas não, nada demais vai acontecer, afinal eles nem se amam ne. Ai Ai viu Kate que inocente vc kkkk. Quero ver só as tretas com o pessoal pra eles ajudarem, até por que super comum, nem somos um casal e pah! adotamos um bebe UEHUEEUEHUEHU. AAAAA KAH, posta logo o próximo que estou adorando, fic esta um amorzinho demais

Ana Cavalari disse...

Estamos cada vez mais apaixonada por BB e principalmente o poço de fofura que o Dylan é. Momentos Badass Backett são sempre incríveis, confesso ser a minha parte favorita, adoro ver Castle adimirando ela do outro lado do vidro, mas ele fazendo isso ao lado de Dylan foi melhor ainda.Simplesmente amei o desfecho do caso de Anna, pelo menos a justiça foi feita e o pedido dela será atendido. Vamos falar sobre o grito que dei quando Ryan citou a série mortal? "A Beckett me lembra um pouco a Eve" HDHSJSSUJSJSJSJJSJSJSJDHHSHA não superei isso ainda. Tô louca pra ver a Sega "brincar de casinha" como a Lee disse, aposto que trará muitos sentimentos guardados e experiências novas. Kate tenta negar, tadinha, já está completamente in love por Dylan, e o coração logo logo amolece pelo papaizão Castle. Amei o capítulo kah, estamos amando essa história lindinha que faz a gente vomitar arco íris. Beijinhos.

Vanessa Belarmino disse...

Ai tão lindinhos... ♥♥♥
Kate Beckett colocando Dylan para arrotar, ao menos eu li isso em fic...
Eu tb to nervosa, principalmente com a reação do capitão... E com essas visitas... Espero que tudo dê certo... Ansiosa para o proximo...

Priscila Barros disse...

Ai como é maravilhoso ver a Beckett colocando medo nos bandidos nos interrogatórios!! Ai que saudades da minha detetive <3
A martha é tipo a gente, sabe que o Castle tem que ir com calma, mas não consegue ficar sem colocar fogo no circo! huahauhauahuahauhaua somos todos Martha <3
Agora fofinho mesmo é o Dylan, querendo o colo da Kate <3 tão lindo, aos poucos tá quebrando o medo de não saber lidar com crianças, aos pouquinhos ela tá cuidando dele, colocando pra dormir <3
– Certo, Dr. Phil, você já leu o último livro de Nora Roberts? – perguntou Esposito claramente debochando do parceiro.

– Ah, o último da série mortal foi muito bom. Eve arrasou. Ela me lembra a Beckett e...

AHHHHHH, MEU CORAÇÃO DEU OUTRO PULO COM ESSA REFERÊNCIA <3 <3 <3 <3

O que será que o pessoal vai falar da decisão dos dois?! Ai, tomara que o capitão não dê bronca neles. Essa atitude dos dois foi tão fofa <3

Amei kah <3 <3 <3 <3