quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.12


Nota da Autora: Talvez algumas me odeiem, outras nem tanto... de qualquer forma está feito! Novos momentos maternidades para KB. Inspirados em alguns dos meus (embora não seja mãe). Esse capitulo é dedicado a Miky, obrigada pela ajuda na pesquisa quando decidia como abordar o assunto de brinquedo dessa parte da história. Enjoy!  


Cap.12


Quando Castle abriu os olhos naquela manhã, deparou-se com os cabelos de Beckett bem na direção de seu nariz. Vanilla e cereja. Cheiros que gritavam Kate Beckett. Essa era uma excelente maneira de acordar de manhã. Com os braços envolta de uma bela mulher, de fato, a mulher que se ama embora ela não saiba disso ou fingia que não. Ela ainda dormia, serena. Havia algum tempo que não via Kate Beckett tão tranquila, desde que ela prendera os assassinos de Anna e viera dividir o loft com ele e Dylan sentia uma mudança positiva na sua detetive preferida, sua parceira. 

Não resistindo a tentação de tê-la tão perto, Castle cheirou o cabelo dela deixando seu nariz roçar no ombro. Beckett se mexeu preguiçosa. Não acordara, apenas demonstrara sua apreciação ao gesto com um pequeno gemido. Castle percebeu que estava mexendo com fogo. Estava pronto para se queimar, mas e quanto a ela? 

Então, ela murmurou seu nome “Castle, hum...isso é bom, muito bom... quero outro beijo – ela sorria – e outra massagem...hum” – dera um risinho. Ele ouvira certo, não? Kate estava sonhando com ele? Ele e beijo? 

De repente, ela se virou ficando de barriga para cima. Espreguiçava-se e uma das mãos quase o tocou nas partes baixas. Por reflexo e prevendo que Beckett iria acordar logo, ele se levantou indo para o banheiro. Precisava se “acalmar”.

Quando retornou ao quarto, ela continuava dormindo, porém ele não ousava deitar ao seu lado novamente. Além disso, Dylan estava acordado. Castle o pegou no colo. 

- Está com fome, garotão? – ele sussurrava – vou preparar um leitinho para você. Vamos deixar a mama Kate dormir – ele saiu do quarto – se ela escuta o que estou dizendo, é capaz de me arrancar a orelha. Acredite não é bonito e não seria a primeira vez – ele sorriu lembrando da vez que o gesto acontecera – primeiro, vou trocar sua fralda, depois vou tirar sua temperatura apenas como prevenção, você não parece estar com febre. Aí sim, farei seu leite. 

Enquanto trocava a fralda, ele continuava conversando com o bebê que prestava uma atenção a Castle como se entendesse tudo o que ele dizia. 

- Ela estava sonhando comigo, garotão. Será que foi a cama? A proximidade? Acho que tenho que agradecer a você. Sem sua febre, isso não aconteceria ou pelo menos eu não saberia. Tão bom dormir abraçado a ela. A boa noticia é que você não está com febre, a ruim é que ela não dormirá na minha cama essa noite. Sem ofensa, garoto – ele colocou Dylan no bebê conforto. Cinco minutos depois, lhe dava a mamadeira na poltrona do quarto do menino. 

Retornou o bebê para o mesmo lugar assim que acabou de faze-lo arrotar, preparou uma caneca de café. Era sábado. Devia retribuir o café que ela preparara para eles no outro dia. Começou a fazer a massa das panquecas. Ia usar a frigideira quando Beckett apareceu. 

- Bom dia, Beckett. Dormiu bem? 

- Dormi demais – ela o fitava admirando o homem a sua frente – devia ter me acordado – não conseguia parar de fita-lo. Castle percebeu que era um olhar diferente, quase de.... desejo? O sonho! Ele lembrou. Era esse o motivo. Sorriu, não ia provoca-la agora.  

- Ambos dormimos tarde. Estou fazendo panquecas. Dylan já foi trocado, alimentado e não tem febre. 

- Isso é uma ótima noticia – se aproximando do bebê conforto, ela mexeu com o pequeno – bom dia, baby boy... – o menino respondeu com um sorriso – você está melhor? Castle cuidou direitinho de você, não? – ela o tirou da cadeirinha erguendo-o no ar, balançando-o – cadê o baby boy? Cadê? 

- Beckett, eu não faria isso se fosse você. Ele está com o estômago cheio – nem bem acabou de falar, o menino golfou sujando parte do rosto, braço, o ombro e a camiseta dela com leite. 

- Oh, não! – exclamou Beckett. Ao olhar para ver o que acontecera, Castle se deparou com Beckett toda suja de golfada. Começou a rir – Castle! Não é engraçado! 

- É sim! – e a risada se transformou em gargalhadas. 

- Pare de rir e preste atenção às panquecas. Oh meu Deus! Isso fede a coisa azeda! Ah, Dylan... preciso de um banho! – ela colocou o bebê de volta. 
- Vá em frente, Beckett! Não quero ninguém fedendo a leite azedo na mesa do café – ele esperava que ela subisse as escadas. Em vez disso, Beckett retornou ao quarto dele. Castle olhou para o bebê intrigado, ergueu a mãozinha dele e fez um high five – essa foi excelente, garotão. Agora, o que ela foi fazer no meu quarto? 

Ela sequer percebeu que viera diretamente para o quarto de Castle, apenas quando fitou sua imagem no espelho foi que entendeu. Estava no banheiro de Castle. Deveria ter ido para o quarto de hospedes. Por que viera até ali? Tinha roupas para trocar, mas precisava de um banho e não iria fazer isso na banheira de Castle. Se bem que se ela saísse nesse instante dali, provavelmente iria passar vergonha ao aparecer na frente dele se desculpando por ter inferido que podia usar… o que você esta pensando? - ela se recriminou. Será muito pior se você aparecer já de banho tomado porque ele entenderá que está disposta a aceitar essa intimidade, era quase como se dissesse “hey! Vamos seguir em frente com esse lance de relacionamento”. Ótimo, agora você realmente está entrando em paranoia, Kate… o que poderia fazer? 

Ela simplesmente escolheu usar de praticidade. Remexendo nos armários do banheiro, encontrou toalhas limpas. Por que não? Tirou a roupa suja de golfada e entrou no chuveiro. Meia hora depois, Beckett emerge do quarto de Castle de cabelos molhados, calça de moletom e uma blusa babylook. Encontrou Castle preparando umas frutas para Dylan enquanto Martha brincava com o pequeno. 

- Ah, Katherine! Que bom que juntou-se a nós. Estava comentando com Richard, você agiu muito bem ontem com Dylan. E nada de febre, não é ótimo? 
- Eu realmente estou aliviada, Martha. 
- E acabamos por não ir ao meu estúdio. Haverá outra oportunidade. Algum plano para hoje? Você já está de cabelos molhados…                                                                            
- Castle não contou? Dylan golfou em mim.  
- Ah, esqueci de mencionar - Martha sorriu. Era interessante. Ela usara o banheiro do seu filho. Será que acontecera algo que passou desapercebido para ela? Perguntaria a Castle depois - vamos comer, garotão. Hoje tem morango, banana e um pouquinho de suco de laranja. Acho que vai gostar. Quer alimenta-lo, Beckett? 
- Não, pode fazer isso. Eu vou arrumar algumas coisas no meu quarto. Mais tarde preciso lavar roupa. 
- Num sábado? Sério? Pode fazer isso depois. 
- Esqueceu que volto a trabalhar na segunda, Castle? O capitão me deu apenas dez dias de licença. 
- Ah, e-eu esqueci. De verdade - a realidade o atingiu mais do que previra. Se ela voltasse a trabalhar, provavelmente não poderia acompanha-la e a veria muito menos durante o dia. Justamente quando Beckett estava começando a ceder. Como ele poderia reverter essa situação? Era algo a se pensar.

Quando Beckett desapareceu nas escadas, Martha que também notara a decepção do filho, resolveu descobrir o que estava acontecendo. 

- Então, alguma razão para Katherine estar usando seu quarto, seu banheiro? Ela me pareceu bem à vontade ao contrario de você quando ela mencionou que precisava voltar para o trabalho. O que foi, kiddo?

- Nada aconteceu, mãe. Eu ofereci para que ela dormisse no meu quarto por causa de Dylan. Ela estava insistindo em dormir na poltrona no quarto dele. Não podia permitir isso.   
- E você dormiu lá também? - Castle suspirou. 
- Sim, dormi e nada aconteceu. 
- Ainda. Algo me diz que sua detetive está um pouco balançada. Que tal fazer algo diferente com ela nessa noite de sábado? Eu posso ficar com Dylan. Saiam, aproveite a noite de Nova York. Um jantar, um bom vinho. Uma caminhada pela cidade. Pode ser o momento perfeito para isso. Por que não testar? 
- Vou pensar sobre isso. 
- Pense rápido. Oportunidades como essas não aparecem muitas vezes.

Castle terminou de dar a papinha do menino e decidiu que um banho ia fazer bem ao bebê depois da noite exaustiva de febre. Voltou ao seu banheiro, aproveitando que sua mãe estava olhando Dylan para preparar a banheira do garoto. O perfume de Beckett estava em todo lugar. A mesma mistura de vanilla e cerejas que sentira naquela manhã. Afinal, por que Beckett escolhera usar seu banheiro? Estava querendo dizer algo? 

Com Kate Beckett era bem difícil de saber ao certo. 

Em seu quarto, ela também estava em um dilema. O medo de perder o parceiro das investigações retornara ao seu pensamento. Conseguiria continuar fingindo que não sentiria falta dele? A verdade era que não seria apenas da sua presença no distrito que sentiria falta. 

Para piorar havia o sonho. Como isso fora acontecer? Ela sonhara que eram um casal. Castle e ela estavam na cama após um dia de trabalho difícil e ele sugerira uma massagem. E Deus! Que massagem! Ele tinha dedos mágicos ou era apenas o resultado que seu corpo atingia ao ser tocada por Castle. Enquanto a massageava, ele sorveu seus lábios de uma forma tão doce e ao mesmo tempo tão sensual que a fazia gemer. Ela estava gemendo apenas por recordar. Trocaram muitos beijos em seu sonho, no seu subconsciente pervertido muito melhores que o primeiro. 

A sensação de borboletas no estômago estava de volta. Como isso era possível? Ela dormira inocentemente na cama dele por uma questão logística. Pura necessidade para ajudar Dylan. Não havia segundas intenções naquele instante. Ambos estavam preocupados com a criança. Simples assim. Era isso. Chega de ficar procrastinando sobre o assunto Castle. A prioridade de ambos era fazer o processo de adoção acontecer para garantir o futuro de Dylan. Nada além disso.  

Ao retornar a sala, Castle estava no tapetinho com o menino. Reparou que Dylan estava com outra roupa e de sapatos. 

- Hey! Por que tão lindo, baby boy?
- Tomei banho e quero sair para passear. Que tal irmos a uma loja de brinquedo?    

- Por que não? Nova York tem a melhor loja de brinquedos mesmo, mas terá que me prometer que não vai chegar la e comprar a loja inteira. Consegue se conter, Castle? 
- Talvez… 
- Essa foi uma resposta bastante evasiva. Vou fingir que concordou comigo. Quer vir conosco, Martha? 
- Não, querida. Ver Richard feito bobo em meio a brinquedos não é meu forte. Divirtam-se! Alguém certamente irá. Certo, Dylan? 
- Tudo bem, vou me arrumar - dessa vez, ela seguiu para o quarto de hospedes. Martha esperou a detetive desaparecer para confrontar o filho. 
- Isso foi o melhor que pode inventar, Richard? E você se acha escritor… eu estava sugerindo um encontro de verdade, com velas, vinho, luz suave…
- Mãe, eu estou tentando agir naturalmente. Ser casual, acredite você não conhece a Beckett como eu. E será bom passar algum tempo com ela e Dylan. Esse ambiente de família a amolece. Tornara mais fácil outro tipo de convite.

- Se você diz… 

Deixaram o loft munidos de mamadeiras, fraldas, leite e potinhos. Tudo na bolsa de Dylan que Castle carregava. Ele optou por não levar o carrinho, portanto preparou o canguru em seu peito e exibia o pequeno com orgulho pelas ruas. Beckett gostava de admirar aquela imagem. Castle papai. Usando o metro chegaram rapidamente ao destino. 

Aquele lugar era o paraíso para qualquer pessoa. Crianças enlouqueciam com tantas possibilidades, adultos voltavam a ser crianças. E o colorido apenas dava um toque especial ao lugar. 

Dylan olhava a novidade fascinado. Os pequenos olhos azuis estavam atentos aos sons, as cores, objetos. Balbuciava sons e silabas querendo participar daquilo que aos seus olhos era uma verdadeira festa. 

Beckett o tirou do canguru levando-o em seu colo para a sessão de bebês. Novamente, outra grande descoberta para o menino que sorria e mexia-se quase em êxtase ao ver os diferentes brinquedos. Castle desapareceu por um instante. Ela já imaginara que estaria comprando brinquedos para si. Era o momento do seu lado moleque aflorar. Beckett não se incomodou. Encontrando uma vendedora, ela começou a perguntar sobre os melhores brinquedos para um bebê de sete meses. Disposta a ajudar, iniciaram uma conversa bastante produtiva que resultou em uma cesta de produtos. 

Meia hora depois, Castle a encontrou com uma cesta cheia de brinquedos e roupinhas. Ele também tinha sua própria cesta. Videogames e bonecos de ação. 

- Castle, eu pensei que o objetivo de vir a uma loja de brinquedos era adquirir coisas para Dylan. Não sei onde videogames se encaixam exatamente na educação de uma criança de sete meses. O mesmo vale para os bonecos.   
- Relaxe, Beckett. Eu também posso fazer umas compras. Os jogos são para mim, mas os bonecos? Estou pensando no futuro - ele observou a cesta dela - para alguém que fez um discurso sobre não gastar muito dinheiro, não acha que sua cesta esta muito cheia? 
- Não irei comprar tudo. Separei alguns para que você decida-se por um ou dois no máximo. 
- Dois no máximo? - a cara de aflição de Castle a fez rir - ah, Beckett, pare com isso! Se eu gostar levarei todos. 
- Não vou deixar você fazer isso. Tem que haver limites, Castle. 
- Dinheiro não é problema - ela revirou os olhos. 
- Não estou falando de dinheiro, senhor best-seller. Se pretende educar uma criança com senso critico, não pode dar tudo o que ele quer, ou nesse caso, você quer. Dylan não entende o que isso significa, portanto iremos com calma - ela nem percebera que estava tomando decisões referentes ao futuro de Dylan, educação e limites. Castle, sim e teve que sorrir diante do fato. 
- Tudo bem, você venceu. Levarei dois. E um bichinho de pelúcia. Eles gostam nessa idade. 
- Ele já tem o Mr.Frog. 
- Ele precisa de outro, mais macio, bom de abraçar. Confie em mim, Beckett. As crianças desenvolvem uma relação especial com bichos de pelúcia nessa idade que duram por longos anos. Ainda lembro de Alexis. Vimos o mesmo acontecer naquele caso do sequestro forjado pela mãe, lembra? - outra vez, Castle vencia a discussão. Ela entortou a boca. Pelo menos não perdera completamente. Ele aceitara levar apenas dois brinquedos.

A vendedora que a auxiliara anteriormente, sorria. Acabou por comentar. 

- Gostei do método de negociação de decisão de vocês. Se todos os pais agissem assim, argumentando e ponderando talvez as crianças de hoje fossem menos rebeldes e mimadas. Vocês são ótimos pais, posso perceber. E uma linda família devo acrescentar - Beckett apenas sorriu diante da constatação que a mentira criada por eles se proliferava como pólen. E para tornar tudo ainda mais real, Dylan escolheu aquele momento para falar “mamama” - ah! Que lindo! Vamos escolher seus brinquedos, meu amor? - disse a vendedora. Castle trocou um olhar com Beckett e não pode evitar sorrir. 
- Obrigado. Eu e a mãe dele nos esforçamos para fazer o melhor para o nosso garotão - reparou quando ela começou a balançar a cabeça embora não resistira e acabara sorrindo olhando para ele.

Ultima parada fora no corredor de bichos de pelúcia. Havia uma infinidade deles. Castle testava a afinidade de Dylan com vários animais. Nada parecia agradar. 

- Castle, você esta fazendo isso errado. Tubarão, foca, macaco? O que aconteceu com os bons ursinhos, coelhos, cachorrinhos? 
- Muito chatos e comuns, Beckett. Um pouco de imaginação, por favor! 
- Haha! So falta você sugerir unicórnio. Por que não um personagem da Disney? 
- Eu tentei. Ele jogou o Woody no chão, esqueceu? 
- Que tal os clássicos? Mickey? - ele revirou os olhos - já vi que vamos levar a tarde toda e eu estou ficando com fome. Aposto que Dylan também. 
- Se você se julga tão esperta, por que não tenta? Mostre algo que o agrade. Eu te desafio a encontrar algo que agrade ao garoto. 

- Tudo bem. Vou encontrar o bichinho perfeito para o meu baby boy… - ela mexia com o bebê em seu colo, mordiscava os dedinhos dele - vamos ver o que temos desse lado - Castle observava a determinada detetive em uma verdadeira saga pelo bichinho perfeito. Ela analisava o tamanho, o tecido e a maciez antes mesmo de mostrar ao menino. De fato, ainda não tentara nenhuma sugestão. Ele resolveu provoca-la. 
- Pensei que era para hoje. Não estava com fome? 
- Cala a boca, Castle. Ao contrario de você que apenas vê o lado da brincadeira, eu estou preocupada em achar algo que não faça mal a Dylan. Nada que cause alergias, irritações e que seja cientificamente aprovado para evitar sufocamento. Eu li a respeito em um daqueles livros. 
- Fazendo a lição de casa. Muito bem, detetive Beckett. 
- A segurança de Dylan em primeiro lugar. 
- Com certeza - ela ponderou suas opções e fez a primeira tentativa. Ofereceu um ursinho marrom de pernas compridas, na mesma hora Dylan jogou-o no chão. Castle riu - mais uma tentativa? 
- Quantos fracassos você teve, Castle? Hum… nem sabe… só comecei. E não irei demorar. Ah! Achei dois potenciais - ela ofereceu um pluto porque crianças gostavam de rabos. Não agradou. Tentou o coelho pelas orelhas, nova rejeição. Ela pensava em seu próximo alvo quando o bebê começou a se mexer no colo dela jogando-se para a frente. 
- Acho que ele está tentando te dizer alguma coisa, Beckett. 
- O que foi, Dylan? O que você quer, baby boy? - ela começou a andar pelo corredor na direção que o menino inclinava o corpo. Parou na frente de uma parede cheia de bichinhos coloridos. Os mais diversos possíveis. Não tinha ideia do que o atraíra. Aproximou-se ao máximo da prateleira para ver a reação dele, Dylan começou a dizer “mamama, dei dei dei”  esticando-se todo para pegar um elefante de orelhonas pela tromba. Era cinza claro e tinha uma roupa verde e ao contrario de vários outros bichos de pelúcia que vira, esse era macio, sem pelugem e fácil de segurar  deixando espaço suficiente para a criança agarrar-se nele. Beckett pegou o elefante e ofereceu a Dylan.

O sorriso automático e a repetição do “mamama” com direito a um gritinho, provara que o menino fizera sua escolha. 

- E temos um vencedor - disse Castle - um elefante, Dylan? Por acaso você será fã de Dumbo?  Hey, eu conheço esse elefante. Um desenho, acho. Banda, Ban…Babar! Rei Babar - então ele reparou que Beckett olhava para o menino com um fascínio diferente. Os olhos amendoados estavam repletos de lágrimas. 
- Está tudo bem? Perdi alguma coisa? Hey… Kate? 
- Elefantes… nada. Estou apenas observando o jeito de Dylan. - melhor você se dirigir ao caixa. Dylan já deve estar com fome e eu também. 

Castle não pensou duas vezes, ela precisava de um tempo para se recuperar. Acabara de perceber que se via como mãe de Dylan e essa revelação para Beckett era bem pesada.      

Saíram da loja com uma sacola enorme. Castle sugeriu que comecem ali por perto mesmo. No whole foods da Columbus Circle. Era um bom lugar para dar a sopinha de Dylan e tinha um bom self-service saudável do jeito que Beckett gostava. Durante o almoço, Castle evitou o assunto do bichinho de pelúcia embora Dylan parecesse fascinado pelo novo brinquedo. O comportamento dela estava estranho. Podia jurar que estava relacionado ao brinquedo, não ousou perguntar. Ao terminarem a refeição, Castle não achou apropriado mencionar o convite para jantar. Ela já estava distante e confusa demais para lidar com a ideia de modo racional, seria apenas mais um peso para confundi-la. Ele pensaria em algo para fazer em casa. Talvez uma boa refeição caseira fosse melhor diante dos últimos acontecimentos. 

O destino parecia ter planos diferentes dos imaginados por Castle. Não que ele tivesse qualquer reclamação frente ao que surgira assim que chegaram no loft. 

Dylan dormira no caminho para casa. Beckett tratou de coloca-lo no berço. Por ser quase cinco da tarde, Castle decidiu ir para a cozinha preparar o jantar sem comentar nada com Beckett. Como Alexis estava na sala com o namorado, ela achou que seria melhor ficar em seu  quarto. Ainda estava mexida com a súbita escolha de Dylan pelo elefante. 

Sentada em sua cama, ela voltou os pensamentos para a mãe e lembranças de sua infância. A mão procurou imediatamente o colar com o solitário. Acabou adormecendo. 

Ao despertar, checou o celular. Sete da noite. Melhor checar como estava Dylan. Desceu as escadas e encontrou o bebê sentado no tapetinho com os brinquedos novos ao seu redor. Alexis o observava. Beckett tomou um susto. 

- O que Dylan está fazendo sentado? 
- É a primeira vez que ele faz isso? - perguntou Alexis. 

- Sim! Nem sei se ele pode estar se machucando e… - a voz de Castle a cortou. 
- Ele acabou de sentar, Beckett. Na idade de sete meses isso é esperado. Não tem nada de errado. Alias deveríamos estar celebrando essa nova descoberta dele - Beckett caminhou ate onde ele estava. Agachou-se no tapete e sorriu. 
- Você está sentando, baby boy? Está gostando da nova posição? Um mundo novo para explorar, meu bebê? - Dylan respondeu com outros sons e gritinhos - como você aprende rápido. Daqui a pouco vai estar correndo pelo loft deixando “daddy” doido… vou adorar ver isso - Alexis trocou um olhar questionador com o pai que apenas sorria. Ao se inclinar para beijar a cabecinha dele, Kate se demorou um pouco mais. Encostou sua bochecha na testa dele e depois a mão - Castle… - a forma como ela o chamou indicava preocupação. 
- O que foi, Beckett? 
- Eu não quero parecer paranóica, mas acredito que Dylan está com febre outra vez. Pode toca-lo? Posso estar errada, sentindo coisas que não deveria.. sei lá! - ele largou o que fazia, lavou as mãos e foi até onde ela estava usando primeiramente as costas da sua mão, ele encostou na testa de Dylan. Depois foi a vez dos braços e da cabeça. 
- Acho que você está certa. Vou pegar o termômetro - ele desapareceu pelo escritório. Retornou com o objeto e colocou sobre a testa do menino brincando com ele para que não reclamasse ou estranhasse. 
- Não devíamos ter saído com ele hoje. Não tinha se recuperado totalmente. E se pegou um vírus? Um daqueles resfriados que provocam febre, tosse e fraqueza? Onde eu estava com a cabeça quando concordei com você, Castle? 
- Quer se acalmar? O que está acontecendo ainda é resultado do dentinho. Por acaso, você reparou que a gengiva dele continua inchada? A febre apenas deu uma trégua. O quanto antes esses dentes inferiores sairem, melhor - ele verificou o visor - 38,4 graus. A febre está de volta. 
- Ah, não… o que faremos? 
- O mesmo que fizemos ontem. Só que primeiro vou alimenta-lo, depois damos o remédio. Se a febre subir, compressas. E vamos torcer para esses dentinhos rasgarem logo para que ele possa ter uma noite tranquila de sono. Vou esquentar a sopa e Beckett? Apenas brinque com ele, nada de pânico. Ele está bem. Está se divertindo.      

Beckett não disse nada. Castle preparou a sopa enquanto ela observava o menino se divertir com os blocos. Ele não esquecia do elefante. De vez em quando, dava um puxão na orelha ou tentava balança-lo pela tromba. Ela não estava muito bem e esse retorno da febre de Dylan voltava a lhe preocupar. Por mais que Castle dissesse ser normal, ela detestava a ideia de ver Dylan sofrer. Quando estava tudo pronto, ele fez sinal para Beckett trazer o bebê até a cadeirinha. Ele comeu as primeiras dez colheres muito bem, tinha os bloquinhos para se divertir, a partir dai começou a ficar irritado. Rejeitava a colher ou demorava para aceitar a próxima. Os primeiros sinais de choro apareceram após ele virar o rosto para um das colheradas que Castle oferecia. 

Esticava as mãozinhas pedindo para sair dali, o choro se tornou mais intenso. Ao tira-lo da cadeira aconchegando-o em seu colo, Beckett percebeu que seu corpinho estava mais quente. 

- Castle, eu acredito que a temperatura está aumentando. 
- Leve-o até a pia, lave o rostinho e as mãos dele. Vou fazer um leite para tentar complementar a alimentação. Vou pegar o antitérmico. 
- Ele está irritado demais para aceitar o leite - após limpa-lo, Kate o levou ao tapete para pegar o elefante. Entregou nas mãos dele a fim de diminuir o choro. Deu resultado apesar de não ter cessado. Seguiu para o quarto dele. Tentaria embala-lo e quem sabe não dormiria?

Castle a encontrou com Dylan nos braços agarrado ao elefante. Beckett permanecia meio calada. Ele se agachou para melhor dar o remédio ao menino. Não houve objeção, porém quando Kate ofereceu a mamadeira, ele balançou a cabeça evitando o bico e recomeçou o choro. 

- Não, baby boy… tudo bem. Sem leite agora - Castle colocou o termômetro outra vez. 
- Vou preparar as fraldas para enrolarmos nele. Está quente, deve estar com quase 39 graus. Você terá que coloca-lo no trocador para eu cobri-lo. Tudo pronto, Beckett - ela se levantou da poltrona, Castle tirou o termômetro e constatou - 38,9 graus. Vamos esfriar esse corpo, garotão - enquanto ele o ajeitava, Beckett observava preocupada. Assim que Castle afastou o elefante para poder trabalhar, Dylan abriu o berreiro. Chorava muito forte, de quase soluçar. Castle tentava conversar com ele sem sucesso.

Agoniada, ela empurrou Castle do trocador jogou as fraldas desajeitadamente cobrindo o corpo de Dylan e o pegou no colo. Ofereceu o elefante. As lagrimas escorriam pelo rosto dele, copiosamente. Kate beijava o topo da cabeça e murmurava. 

- Vai passar, baby boy… tem que passar. Meu bebê, meu amorzinho… vai ficar tudo bem - ela murmurava uma canção de Sinatra “I’ve got you under my skin”. Em meio aos versos, ela deixou escapar palavras - meu baby boy, como amo você… meu bebezinho… vai passar - o bebê foi se acalmando. Fechou os olhos ainda agarrado no elefante. Sem nem perguntar, Kate pegou uma manta e se dirigiu ao quarto de Castle. Acalentava Dylan envolto na manta. Castle observara tudo, maravilhado.

Quando o bebê finalmente dormiu, ela o colocou no berço. Sentou-se na cama, pensativa. Seria outra longa noite. 

- Vem, Beckett. Deixe-o descansar. Com sorte a febre cedera logo. Você está precisando de um copo de vinho. 
- Não vou beber com Dylan doente, Castle. 
- Café, então - ela o acompanhou até a sala. Após Castle lhe entregar a caneca, continuou calada. Ele finalizou o jantar e se alimentaram igualmente em silêncio. Ele não ia aguentar essa situação estranha por muito mais tempo. Desde a loja ela ficara assim. Havia algo incomodando Beckett. Precisava saber o que era. Ao terminar de jantar, ela anunciou que ia tomar um banho e subiu as escadas. Ela não dissera, mas Castle sabia que dormiria em seu quarto outra vez.

Castle estava sentado em sua cama já de pijama com o notebook no colo. Beckett entrou no quarto trajando calça de moletom e camiseta de alcinhas. Pelo menos era preta. Fingiu estar ocupado no computador para não dar bandeira ao vê-la sentar na cama próximo ao berço. Velava o sono do menino. 

- Sabe, você pode aproveitar que ele esta dormindo para descansar também. 
- São dez horas da noite. 
- Eu disse descansar, pode ler um livro, ver um filme. Ligue a televisão se quiser. Não me importo. 
- Obrigada, mas não estou a fim - ela fitava as mãos que estavam sobre suas coxas. Era estranho pensar que ela e Castle estavam dividindo a cama. Viu quando Castle deixou o notebook de lado, virou-se para ela e falou. 
- Chega. Não vou ficar aqui fingindo que não tem algo acontecendo. Qual o problema, Beckett? Desde a loja de brinquedos você está estranha. Passou o almoço calada, se estendeu pelo jantar. Estava quieta com Dylan e não adianta dizer que está bem porque seu discurso não vai funcionar comigo. Eu vi seu semblante mudar de repente, você tinha lágrimas nos olhos. Fiz algo de errado? Você está com algum problema? Fale comigo, Kate, por favor. Somos parceiros, amigos… - ele acrescentou na sua mente, estamos apaixonados - estou esperando.

Beckett olhou para Castle, havia preocupação naqueles olhos amendoados e um outro sentimento que ele não conseguia definir. Seria tristeza? Não, era diferente. Ela suspirou. 

- Você vai me achar boba. Eu preferia não falar sobre isso. 
- Não vou achar nada. Quantas vezes falei besteiras para você? E precisa falar porque o que quer que seja está te afetando emocionalmente. Não adiante negar - ela sabia que ele não iria desistir. Talvez fosse melhor colocar para fora. 
- Tudo bem. Foi o elefante. 
- O bichinho de pelúcia? O Babar? 
- Sim. Elefantes. Eram os animais preferidos da minha mãe e se tornou o meu também, Eu tive um elefantinho cor de rosa desde um ano de idade. Ele ficou comigo até a adolescência. Minha mãe comprava livros do Babar, ela me ensinou a ler com a historia dos  elefantes, aprendi a ler, sempre que tínhamos nossos momentos de leitura na cama antes de dormir, eu estava agarrada ao meu elefante. Quando tinha dez anos, ganhei um Babar. Os livros se perderam depois que ela morreu porque era dolorido demais olhar para eles e me lembrar dela. Ainda tenho meus dois elefantes, estão numa caixa na garagem do meu prédio. Quase os perdi com o incêndio.

- Oh… - chame do que quiser, para Castle era destino e apenas mais um sinal de que Beckett e Dylan tinham uma ligação especial. Agora ele entendia. O sentimento que existia em seu olhar era nostalgia.  
- Pinky. Era o nome dele, por razões óbvias - Kate sorriu - minha mãe costumava ler todas as noites comigo. Isso me fez…
- Lembrar dela, dos momentos juntos. É por isso que tem aqueles elefantes em sua mesa no distrito? 
- Era da minha mãe. Ela dizia que era a representação da história de Babar, uma família como a… - a voz falhou - nossa. 
- Não tem problema em sentir saudade, Kate. A ocasião acabou por provocar isso. Não é vergonha para ninguém se sentir nostálgico, especialmente se o acontecimento lhe remete a uma parte boa da sua vida - não conseguindo conter a emoção devido as palavras de Castle e as lembranças que povoavam sua mente, ela se permitiu derramar uma lagrima. E depois outra, e outra. Castle segurou sua mão. Sorriu mostrando solidariedade. Levou a mão de Kate ate seus lábios, roçou-os levemente antes de beijar a pele. Em seguida, usou o polegar para enxugar o local onde as lágrimas escorreram e outra se mantinha teimosa. Kate sentiu o coração acelerar.

Ali estavam eles, dividindo hipoteticamente a mesma cama em meio a fortes emoções de seu passado. O carinho e a proximidade dos corpos tornavam-se evidentes e então quando Kate prendeu a respiração por fita-lo longamente, o choro do bebê ecoa no quarto. Ela solta um longo suspiro e inclina-se no berço. Castle deixa a cabeça descansar no encosto da cama, fecha os olhos. Tão perto e ainda assim… tão longe. 

- O que foi meu bebê? Está com fominha? Acho que alguém quer leitinho. 
- Eu vou providenciar - Castle se levanta da cama rumo a cozinha. Beckett pega o bebê no colo trazendo consigo o elefante. Acomodando os dois no colo, ela checa a temperatura dele. Parece estar mais branda, quente. A febre não cedera completamente, mas não se comparava ao que estava antes. 
- Hey, baby boy… como se sente? Essa febre chata que não vai embora. Queria tanto saber se está com alguma dor, meu bebê… eu fico angustiada - a resposta de Dylan foi “mamama”. Ela sorriu - de quem é esse elefante? De quem? Sim, do Dylan - Castle ja voltara com a mamadeira, entregou para ela. Ficou observando o momento mãezona de Kate. Ela ajeitou-o em seu colo e ofereceu o leite - olha o que o “daddy” trouxe. Hum… uma delicia. Quer, meu bebê?

O pequeno abocanhou a mamadeira com vontade. Sugava seu conteúdo e não tirava os olhos de Kate. Ela, por sua vez, não parava de sorrir. Castle queria saber da febre, mas não ousava atrapalhar esse momento tão intimo dela com a criança. Preferiu admira-la e esperar. Dylan tomou todo o conteúdo da mamadeira. 
   
- Pode segura-lo um instante? Coloca-lo para arrotar? Eu realmente preciso ir ao banheiro - entregou o menino a Castle - a febre ainda persiste, ele está menos quente. Nossa, isso foi estranho de se dizer. Eu já volto - ela saiu apressada para o banheiro da suíte. Após terminar, lavou o rosto. Suspirou e preparou-se para ficar com o menino mais um tempinho. Tudo indicava que ele não ia voltar a dormir agora. De volta ao quarto, encontrou Castle perambulando na tentativa de faze-lo dormir. 
- Tirei a temperatura. Estava certa. 38,2 graus. Bem melhor. Ele está até mais esperto, não  acredito que vá dormir agora. 
- Tomara que a temperatura baixe logo de vez. Quer que fique com ele? 
- Não precisa. 
- Eu queria um café. 
- Ah, segundas intenções - ele sorriu - Beckett, são quase onze da noite. Tem certeza que quer café? 
- Para sua informação, café não tem esse efeito em mim. Não quando eu estou bem. Vem, Dylan. Castle vai fazer café. 
- Pedindo com tanto carinho… - deixou o menino no colo dela e desapareceu. Minutos depois retornava com duas canecas fumegantes - resolvi acompanha-la, ainda quero escrever um pouco hoje então café soa muito bem - ele colocou a caneca na cabeceira ao lado que dormia. Ela teria que ter cuidado por causa de Dylan. Castle decidiu facilitar a vida dela pegando o menino. Colocou-o sentado na cama entre os dois. Beckett bebia longos goles de seu café.

Dylan resolveu chamar a atenção outra vez reclamando. 

- O que ele tem agora? - ela olhou para Castle querendo uma explicação. 
- Cheque a fralda. 
- Precisa de troca. 
- Tudo bem, deixa comigo - ele se levantou da cama levando Dylan consigo até o trocador do quarto dele. Ao retornar, o bebe choramingava - ele está enjoado. Talvez queira pega-lo um pouco em seu colo. Vai que ele dorme? 
- Não me parece que ele queira dormir - Castle estava sentado na cama ao lado dela. Dylan estava sentado apoiado em sua perna, no meio dos dois. Kate suspirou e sorrindo pegou outra vez o elefante que estava ao seu lado e balançando-o na frente de Dylan, falou - você quer o elefantinho, baby boy? Gostou dele, meu amor? Seu nome é Babar. Consegue dizer? Babar - a resposta foi engraçada. Dylan balbuciou “mamama” e algo que parecia “bam” - Gosta de elefantes que nem eu e a vovó? - ao perceber o que dissera, tentou consertar - e-eu quis dizer…
- Johanna. Você quis dizer Johanna - ele sorria. 
- Sim… - foi tudo que conseguiu dizer antes de sentir o rosto queimar de vergonha. Disposta a não continuar a conversa, ela pegou o menino no colo para tentar fazê-lo dormir. Sabendo do embaraço que acabara de sofrer, Castle pegou seu notebook e fingiu que escrevia, para manter-se ocupado. Cinco minutos depois, ele se levantou da cama e foi para o escritório. Ela precisava de um tempo para si.

Dylan finalmente dormiu e Beckett deitou-se na cama tentando prender sua atenção em um livro. Sua concentração ia e vinha especialmente após mencionar sua mãe como a vó de Dylan. Isso significava admitir que se via como mãe dele, o que não era verdade. Ou era essa a mentira que Beckett insistia em repetir em sua mente como um mantra sagrado. Acabou se rendendo ao sono e nem viu quando Castle voltou para o quarto. 

O domingo amanheceu chuvoso. Era possível ouvir os respingos na janela. Castle viera para a cama por volta das três da manha. Fora ele quem alimentara Dylan nesse horário porque Beckett estava apagada. Não podia culpa-la era a segunda noite que dormia mal preocupada com o bebê. 

Ele abriu os olhos sonolento. Tinha certeza que era cedo demais para se levantar. Então, ele teve uma surpresa. Agarrada a ele, estava Beckett. Sim, o que quer que tenha acontecido durante a noite, ela se mexera na cama a tal ponto de ficar com a cabeça no peito dele, um dos braços também acompanhara o movimento. A respiração era calma. Dessa vez, ela não estava sonhando. Castle sorriu. Nem em seus melhores planos, imaginava que seu domingo começaria dessa maneira. Tudo o que ele queria na noite anterior era um jantar, um momento caseiro na companhia dela. Ao invés disso, tivera a oportunidade de conforta-la em um momento de nostalgia e acordara com Kate Beckett abraçada ao seu corpo. Se ele fizesse qualquer movimento na intenção de levantar, ela certamente acordaria. E Castle não queria perder a sensação gostosa de intimidade que estava experimentando. 

Fechou os olhos e se entregou ao momento. Não seria ele quem quebraria o encanto do momento. Meia hora depois, ele estava acordado. Para todos os efeitos, dormia. Ouviu pequenos sons. Dylan. Se ele começasse a chorar, Beckett acordaria com certeza. Não deu outra. 

O pequeno resolveu reclamar porque estava na hora do seu leite. Foi com o chorinho dele que Beckett abriu os olhos. Ao inalar a primeira porção de ar da manhã, ela sentiu o perfume de Castle. Ergueu a cabeça e percebeu como ela havia dormido. Ela estava no peito de Castle. Dormira abraçada a ele. 

Não! Ele sequer estava na cama quando adormecera ontem. Então, ela só poderia… sim, ela acabara se aconchegando nele. Notou que Castle tinha os olhos fechados. Dormiu. Menos mal, pensou. Ao menos ela seria poupada de outro momento embaraçoso. Eles não paravam de acontecer ultimamente. 

Beckett constatou que estava gostando do calor do corpo dele. Pegou-se deslizando a mão pelo peitoral o que acendeu um alerta no cérebro de Castle. Se ela continuar brincando, fazendo caricias, isso poderia não terminar bem. Ela parou de acariciar o peito dele, mas sua mão tocou de leve o rosto. O polegar contornou os lábios. Não resistindo, ele deixou escapar um gemido prazeroso. 

O alerta vermelho acendeu na mente de Beckett. 

O que você pensa que está fazendo? Ele pode acordar! - ela se recriminava em silêncio. Havia um limite, ela não podia simplesmente ultrapassa-lo. Indo contra o recado que seu cérebro insistia em lhe mandar, ela colocou a cabeça no peito dele outra vez e inalou o cheiro de Castle. Foi suficiente para despertar a vontade nela. Os pelos do corpo eriçaram e o medo de cometer uma besteira foi maior que a pequena parte de sua mente que gritava “renda-se”. 

Sentou-se na cama respirando profundamente várias vezes procurando se acalmar. O coração acelerado tornava o momento mais difícil. Dylan. Precisava focar em Dylan. Ela se levantou pegando o menino em seus braços. 

- Bom dia, baby boy… está com fome? Vou fazer seu leite. Qualquer coisa que tire meus pensamentos do seu pai antes que enlouqueça - Beckett deixou o quarto sem saber que não apenas Castle ouvira seu comentário como também sorria diante da pequena cena que fora brindado naquela manhã. Abriu os olhos e virou-se abraçando o travesseiro com o cheiro dela. 
- Ah, Kate… até quando conseguiremos viver nesse jogo de gato e rato? Meu limite está se esgotando… - ele suspirou - mais sete dias para conseguir a aprovação da adoção e para convencer sua musa de que aquilo não era uma farsa. O relacionamento deles era bem real, mais que evidente. Era uma questão de encontrar o caminho para provar isso a ela.   


Continua....

3 comentários:

cleotavares disse...

Cada dia mais apaixonada por essa fic. Dylan,cada dia mais lindo e apegado a Kate. A Kate, ainda não sabe,mas não largará ele, de jeito algum. E a tensão entre os dois,está quase saindo faísca.

Silma disse...

Eu amei o capítulo 😍
Dormiram juntos de novo 😎 obrigada Dylan 😂😂✋🏽
Até quando vamos ficar nesse joguinho? Amo meu casal!!!

Priscila Barros disse...

Hauahauahau, Beckett foi 'batizada' mais uma vez, agora com golfada hauahauahaauahauahaua!!!
OK, Castle e loja de brinquedos não é algo que pode dar em economia hauahauahau, mas até que a Kate se saiu bem na negociação. Agora o Dylan tá pegando ela pelo coração a cada dia mais, achei tão linda a relação da escolha do ursinho com a história da própria Kate. Ela tá percebendo o quanto ela é mãe desse baby lindo.
E o Dylan de quebra ainda tá ajudando mamama e daddy a ficarem mais pertos ❤❤❤❤❤
Tão lindo ver esse cuidado e preocupação da Beckett com ele, essas atitudes de mãe ❤❤❤
E ainda acordou nos braços do Castle de novo 😍❤
Amei o capítulo Kah ❤❤❤❤