quinta-feira, 17 de novembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.14


Nota da Autora: Demorou, mas consegui postar. Tenho um ritmo, uma maneira de trabalhar, solto capítulos quando tenho bagagem para postar, por isso as vezes a demora parece maior, garanto que não é. A volta ao trabalho, a rotina do distrito, investigar casos. Tudo que Beckett sempre adorou fazer nesses anos todos de NYPD... será? Como a volta está tratando nossa detetive? E tem participação especial... a melhor amiga, claro! Maddie na área. A propósito, sobre a forma de chamar mamãe em inglês: tanto "mama" como "mommy" ou "mom" são aceitos, varia de família para família. Só queria deixar isso claro. E para quem perceber... aqui e ali solto referências LOL Enjoy! 


Cap.14


Dia #15


Ao chegar na cena do crime, foi recebida com alegria pelos detetives. Ryan estava ansioso para saber as novidades, porém antes que começasse a fazer um interrogatório pessoal, ela cortou a conversa pedindo que focassem no corpo. Não se demoraram muito no local, mesmo porque o caso parecia ser bem óbvio. A equipe da CSU encontrara armas e fibras. Dois tiros na estômago, morte lenta. Ele era advogado. Parecia que teriam um crime de vingança. 

De volta ao distrito, ela foi direto a sala de seu capitão para se fazer presente. Montgomery estava ao telefone. Ao ver sua detetive preferida a sua porta, fez sinal para que ela entrasse. Ficou satisfeito ao notar que ela estava descansada, esse tempo com Castle e o bebê fizera bem a ela. Desligando o telefone, sorriu. 

— Bom dia, detetive. Como você está? 

— Bem, senhor. A volta já começou agitada. Estávamos na rua. 

— E o bebê? Castle está se virando bem sem você? 

— Senhor, Castle é o expert nesse caso. Ele ficará com Dylan, posso sentir. 

— Você torce por isso, não? 

— Sim, não tem pessoa mais certa para criar aquele menino - ela sorriu, Montgomery retribuiu o gesto e pensou “exceto você”. 

— É bom tê-la de volta, Beckett, mas lembre-se, caso precise se afastar para ajudar Castle pode ir. Tem minha recomendação. Imagino que ele não irá se juntar a você essa semana. 

— Não. Martha e Alexis não estão acostumadas a ficar muito tempo com Dylan. 

— Sabe, talvez isso seja bom. Não era você que reclamava dele a seguir? Com o bebê provavelmente terá que parar de fazer isso - Beckett inclinou a cabeça erguendo uma das sobrancelhas ao ouvir a declaração de Montgomery. Isso não lhe ocorrera antes. Castle deixar o 12th distrito. Não pode evitar um longo suspiro - pode voltar ao trabalho, detetive. Sentimos sua falta. 

— Obrigada, senhor - ela saiu da sala do capitão direto para a mini copa. Precisava de um café. Ryan a viu e decidiu aproveitar o momento para conversar com ela. Beckett estava parada na frente da máquina criando coragem para encara-la. Pegou uma caneca e colocou abaixo de um dos jatos. Começou a apertar os botões. O cheiro do café preencheu o ar. Sorriu. 

— Hey, Beckett. Acabei de falar com o laboratório. Eles conseguiram uma digital parcial na arma, estão fazendo alguns testes nas fibras, devem ter o resultado em umas duas horas. A vitima é advogado de uma das firmas clássicas de Nova York. Trabalhava no caso de uma empresa acusada de maus tratos aos funcionários. Parece que ele não concordou com o rumo do processo e estava brigando com seus associados. Quer ir comigo entrevistar a equipe dele? 

— Claro. Você já contatou os parentes mais próximos? 

— Noiva e a mãe. Esposito está fazendo isso. 

— Ótimo - ela pegou a caneca com o café e provou. Nem de longe parecia com o de Castle, mas era o que tinha por hora. Ryan se serviu de café também sentado-se ao lado dela. 

— Então, como está sendo a experiência com Dylan e Castle? Está gostando? 

— Ryan, estamos no meio de um caso e… 
— Ah, Beckett, por favor. Estamos tomando café, pode me contar. Não se preocupe, aparentemente eu sou o único curioso sobre esse assunto aqui. Você gosta de ficar com o bebê? Ele dá muito trabalho? - ela não pode evitar o sorriso. 

— Dylan é um amor de criança. Sempre alegre, raramente chora e tirando o trabalho normal de cuidar de um bebê, é um prazer estar com ele. Cada dia é uma novidade. Ontem ele aprendeu a bater palmas - Ryan percebera que ela não conseguia parar de sorrir - ele deu um susto na gente com uma febre esses últimos dias. Era dente. Ele já tem dentinhos, Ryan. 

— Nossa! As coisas acontecem rápido com bebês. 

— Você nem imagina o quanto. É uma experiência maravilhosa e Castle? Ele domina. Nunca pensei que aquele cara que adora me irritar pudesse cuidar de um bebê com tanto zelo e dedicação - Ryan sorriu ao reparar o jeito que ela comentara essa parte, algo lhe dizia que a detetive estava começando a se render ao escritor. 

— Ah, mas Castle é pai. E sempre demonstrou ser uma pessoa cuidadosa. Ele gosta de agradar, pode até irrita-la, mas faz questão de mima-la. Você vê outra pessoa trazendo seu café preferido todos os dias? - Beckett mordeu os lábios, percebeu que Ryan indiretamente insinuava que Castle gostava dela. 

— Ryan, ele apenas quer chamar minha atenção. Espera que assim eu não brigue demais com ele quando fizer besteira. 

— Beckett, você e eu sabemos que não se trata disso - sem saber o que responder, preferiu ficar calada - vou espera-la no salão para irmos a firma da vitima para as entrevistas. 

Ao ficar sozinha, ela tomou um pouco mais do café e fez careta. Jogou-o na pia. Teria que passar em uma Starbucks no caminho. Ela olhava para o celular. Queria muito ligar, saber como Dylan estava. Não deveria, afinal o que isso diria dela? Mordeu os lábios outra vez. Suspirou. Não diria nada. Ela estaria apenas se certificando que estava tudo bem, a agente poderia ir visita-los hoje, não custava nada. Cinco minutos. Os dedos já destravavam o teclado e apertavam o nome de Castle. Três toques depois, ele atendeu. 

— Oi, Beckett. Já está com saudades? - ao vê-la arregalar os olhos, ele acrescentou - de Dylan. Ele está aqui do meu lado. Posso mudar a câmera do FaceTime - não esperou ela concordar, mudou e mostrou o rostinho do bebê na tela - olha quem está ligando, garotão? 

— Hey, baby boy… como você está? - a resposta foi automática “mamama” - daddy está cuidando bem de você, meu amor? 

— Diga, está sim. Estamos brincando com blocos coloridos e formas. Claro que o elefante não deixa de estar ao lado dele - o menino parecia entretido com os brinquedos - aliás tive que fazer malabarismo depois que ele notou que você saiu. Chorou muito. Foi preciso uma overdose de Babar para acalma-lo, se todo dia que você for trabalhar acontecer isso, vai ser melhor não vê-lo antes de sair - saber daquilo fez o coração de Beckett apertar - bem, ele terá que se acostumar uma hora a não te ver constantemente. 

— É, eu acho. Ele está bem? Comeu? Teve febre? 

— Não, está tudo bem, Beckett. Na verdade, está na hora da soneca, vou preparar um leite e fazê-lo dormir. E como estão as coisas ai no distrito? Tem um caso ou somente papelada? 

— Temos um caso. Um advogado morto. Tudo indica que está relacionado com o processo que trabalhava. À noite eu te conto os detalhes. 

— Poxa, eu gostaria de estar investigando com você. Infelizmente, minhas prioridades mudaram - ao que tudo indicava, as dela também. 

— Castle, se a agente aparecer por ai, você me liga? Ou se precisar de ajuda…ou se ele chorar e…

— Beckett, relaxa. Nós ficaremos bem. Pode investigar seu caso sossegada. Diga oi para os rapazes por mim. Dylan, você quer se despedir da Kate? - o menino voltou a aparecer na tela recitando o “mamama” exatamente na hora que Ryan entra novamente na mini copa. 

— Beckett, você não vem…oh, desculpe. Não sabia que estava ocupada. Oi, Castle! Wow! Dylan cresceu - ela estava vermelha. 

— Deixa de ser bobo, Ryan. Eles não crescem tão rápido - disse Castle. 

— Crescem sim - Beckett e ele retrucaram juntos - oi, Castle. Você faz falta aqui. Esposito anda muito mal humorado, acho que é saudades. Se bem que Lanie está viajando para a costa oeste deve ser esse o motivo e… você não quer saber disso. Tudo bem, vou deixar vocês conversarem. Quando estiver pronta, me chame Beckett. 

— Estou terminando, já encontro você - Ryan saiu devagar, curioso para ouvir o que os dois conversavam - tenho que ir, baby boy, vou pegar uns bandidos. Pergunte para o daddy como faço isso. Tchau, meu amor - jogou beijinhos para o menino sorrindo. Ryan estava impressionado - vejo vocês mais tarde - apressou o passo para que ela não percebesse que ele ouvira.        

Com a cara lavada, ele sorriu para Beckett e não disse nada. Nem precisava, ela sabia o que ele devia estar pensando. 

— Só estava checando se a agente aparecera no loft. 

— Não perguntei nada. 

— Não em voz alta - Ryan sorriu. No carro, a caminho da firma, ele voltou a falar. 

— Eu acho incrível, Beckett. De verdade. Você gosta mesmo do bebê e ele gosta de você. O que você e Castle estão fazendo é louvável. 

— Obrigada, Ryan. 

— É serio, não consigo pensar em duas pessoas mais perfeitas como pais de Dylan. Eu disse isso para a agente. Eu realmente torço por vocês dois. 

— Ryan, eu e Castle não somos um casal. É uma farsa, não comece a ver o que não existe. 

— Só porque você tem medo de admitir, não quer dizer que não exista. Nunca foi uma farsa, Beckett, basta você querer - Beckett ficou calada. Até você, Ryan? 

A verdade era que estava apenas umas horas longe de Castle e do bebê e isso já a deixara insegura. Montgomery foi o primeiro que insinuou o possível afastamento de Castle, o que ela definitivamente não gostou de ouvir. Não pensara realmente sobre isso, não muito. E não queria ver isso acontecer, Castle era o seu parceiro. O melhor que já tivera. Contudo, não era esse o real motivo que a deixara insegura. O comentário de Ryan fora mais enfático. Embora não admitisse, a cada dia que passava no loft na companhia de Castle e Dylan, ela percebia que vinha conduzindo sua vida de maneira errada. 

Ryan falou para ela estacionar a frente. Tinham chegado ao destino. Beckett balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos da mente e retornar ao foco da investigação. 

As entrevistas transcorreram bem na firma de advocacia e lhes dera pelo menos o motivo e dois suspeitos. Restava investigar seus passados e seus alibis para a hora do crime, retornaram para a delegacia. 

No loft, após ter feito Dylan dormir, Castle resolveu organizar seu quarto, trocar os lençóis e saborear mais uma vez as pequenas conquistas desses últimos dias em que tivera Beckett em sua cama. Não estava certo de quando isso tornaria a se repetir. Também tinha um jantar para planejar. 

Ao tirar uma pilha de papel de cima do seu dvd, ele deixou cair duas fotos. Eram as suas fotos de bebê que estavam faltando no álbum. Ele foi até a sala, pegou o objeto e virou as páginas até encontrar o local. Recolocou-as, porém ainda faltava uma delas. Castle retornou ao quarto revirando os papeis e nada encontrou. Deu de ombros e retornou o álbum para a estante. Podia estar em seu escritório, ele a encontraria eventualmente. 

Sentou-se de frente para o seu computador querendo planejar o jantar que devia a ela pela aposta. Pensou que era melhor leva-la a um restaurante. O Q3 era uma opção, embora a ideia de ter Maddie por perto não o agradasse. Não por ela, muito pelo contrario. A amiga de Beckett já percebera que ela estava lutando contra seus sentimentos. Por isso não era uma boa escolha, seria pressão demais. Queria um lugar neutro. Nem tão romântico, nem tão descolado. Sabia que Kate gostava de comida oriental, mas sua perdição era a cozinha italiana. Começaria a pesquisar por ai. 

Quando Dylan acordou, Castle o arrumou e decidiu leva-lo ao parque. Encontrou Sophia e a mãe outra vez. Ambas estranharam ele estar sozinho com o bebé. Perguntaram por Beckett. 

— Ela está trabalhando, tem um caso para investigar. Eu deveria estar com ela, mas alguém precisa ficar com esse carinha. 

— Por que não contratam uma babá? 

— Não me entenda mal, porém não acredito em babás. Criei minha filha sem a ajuda de uma, posso fazer o mesmo com Dylan. 

— Olhe para mim, você não está vendo nenhuma babá com Sophia. Quando realmente preciso, apelo para a vó - eles conversaram mais um pouco e Castle se despediu delas. Ambas mandaram lembranças a Kate. 

No final da tarde, Beckett já tinha todas as evidências da balística e as analises de DNA, porém um de seus suspeitos não fora encontrado e o outro tinha um alibi forte. Não havia muito mais o que fazer enquanto o outro sujeito não aparecesse. 

— Beckett, Ryan está nos chamando. Parece que encontrou um email entre a vitima e nosso suspeito desaparecido. Acho que o nosso caso acabou de dar uma virada. 

Eles se juntaram a Ryan que explicou o que o potencial suspeito descobrira. O processo era uma farsa forjada pelo próprio cliente, ele dividira a informação com o seu colega dizendo que iria expor a verdade. 

— E por saber disso, nossa vitima foi assassinada. Querem apostar como o nosso suspeito também? - disse Esposito. 

— Tenho certeza que sim, ele provavelmente deixara de ser suspeito - disse Beckett. 

— E o que faremos, Beckett? - perguntou Ryan. 

— Nada. Precisamos que achem o outro corpo para provar nossa teoria, não? Melhor encerrarmos por hoje. Se quiserem podem ir para casa. 

— Daqui a pouco, acho que podemos pedir uma autorização para checar os emails do nosso ex-suspeito. Vou trabalhar nisso - disse Ryan - vejo você amanhã? 

— Claro. Boa noite, Ryan. Tchau, Espo. 

— Boa noite, Beckett. Faça inveja para o Castle do caso que estamos investigando. 

— Pode crer que será a primeira coisa que ele me perguntará, se solucionamos o caso - ela sorriu e desapareceu no elevador. 

A caminho do loft, ela voltou a pensar na reflexão que fazia. A falta de Castle na delegacia e seus sentimentos quanto a isso. 

Ela começava a gostar do lance doméstico que se instalara ali, no loft. O que começara como uma missão para salvar a vida de um inocente, acabara por afetar sua própria vida. Beckett estava se questionando sobre seu modo de viver. 

Desde que sua mãe morrera, o senso familiar de Beckett fora afetado. Claro que ela amava o pai, porém teve que lidar com anos de alcoolismo, frustração e sua própria obsessão numa busca infrutífera por justiça que a fez perder a noção de núcleo familiar. Sempre tinha almoços regulares com o pai, duas vezes ao mês. Telefonemas durante a noite, essas coisas. 

De repente, ela percebeu que era quase a mesma relação que ela tinha com Maddie. Exceto que sua amiga sabia da loucura em que estava metida ao contrário de seu pai. Isso por si só deveria significar algo. Seu pai não era seu maior confidente. O laço paterno existia embora não fosse tão forte quanto se esperaria após toda a tragédia que acometera sua família. Outra constatação importante lhe ocorreu. Castle era seu maior confidente, mesmo não contando tanto para ele de seus dilemas pessoais, ele parecia saber exatamente como ler o que se passava em sua mente. 

Droga! Ela estava fazendo isso de novo. Estava criando expectativas e saindo do foco principal. Não podia deixar-se guiar pela emoção. 

Voltando ao ponto principal, ela deveria dizer a Castle que não gostaria que ele abandonasse as investigações por completo? Deveria revelar que sentiria falta da interação que acontecia no loft durante esses últimos quatorze dias? 

Suspirou. 

Não. Esqueça tudo isso! Não iria perder seu parceiro. Exceto que não era somente esse fato que a incomodava. Era todo o resto. Ela se sentia atraída por ele, gostava de estar ao lado dele, por Deus! Ela dividira a mesma cama com Castle e isso acabara se revelando como uma experiência maravilhosa. O que isso dizia dela? Maddie realmente estava certa? 

Maddie. Talvez devesse conversar com a amiga? Checou o relógio. Passava das seis da tarde e tudo o que Beckett queria era chegar em casa e ver Dylan antes que ele adormecesse, queria ser ela a coloca-lo para dormir aquela noite. Sentia muita falta do seu baby boy. A conversa com a amiga poderia esperar até amanhã. Ao chegar na porta do loft, ela deu um longo suspiro. Tinha que admitir, era bom voltar para aquele lugar. 

Castle abriu a porta sorrindo. 

— Olha quem chegou, garotão! Olá, Beckett - ela sorriu e beijou seu rosto. Podia sentir o perfume dele no pescoço.  

— Sentiu minha falta, Castle? - ele apenas sorriu, mais do que imagina, pensou - oi, meu amor… - Beckett seguiu para o encontro do bebé que estava no colo de Martha, se ajoelhou para encara-lo - você se comportou direito? Está tudo bem? - o menino se jogou para o colo dela - ah, está cheiroso… 

— Richard, deu um banho nele assim que chegaram do parque. Disse que precisava estar bonito para espera-la. Acho que a regra vale para os dois - acrescentou Martha. Ela apenas sorriu para Martha, ela sempre arranjava um jeito de provocar, agora sabia bem de onde Castle herdara o dom. 

— Você foi para o parque, baby boy? Gostou do passeio? Levou seu elefante? 

— E ele larga esse bichinho? Claro que levou. Sophia adorou brincar com ele e o elefante. Elas mandaram um beijo para você. Julie estranhou você não estar comigo. Perguntou se não tínhamos babá, tive que explicar minha crença para ela - Beckett olhou estranho para ele - o que foi? 

— Nada. Conversou muito com Julie, Castle? - ali estava, ele entendera direito? Ela estava com ciúmes? 

— Apenas para passar o tempo, quero mesmo é saber do seu caso. Vai me contar os detalhes? Já prendeu o assassino ou posso teorizar com você? Está com fome? Vou lhe servir o jantar e… 

— Nossa, Castle, devagar. Eu mal consegui falar com Dylan direito e nem troquei de roupa. 

— Er…desculpa. Acho que senti sua falta. Sem pressa, Beckett. Leve o tempo que quiser com o bebê, vou me concentrar no jantar - Martha olhou para a detetive. Beckett sorria feito boba indo para o quarto do bebê cobrindo-o de carinhos olhando discretamente para seu filho.  

Beckett se demorou o quanto pode no quarto com o bebê, nunca pensou que sentiria tanta falta da criança. O cheirinho, a pele, a risada e os sons enigmáticos. Sua parte preferida? Os olhos azuis vibrantes, grandes e profundos que a olhavam com uma admiração incontestável. Ela se derretera por aqueles olhos tão iguais ao de Castle. Se derretia pelo par do escritor também, não apenas pela beleza, mas pela sinceridade que era capaz de perceber através deles. Os olhos são a janela da alma. Não podia contestar o provérbio. 

Ela pegou um dos livros de Babar e começou a ler para o menino. Dylan parecia prestar uma atenção incrível na historia. A verdade é que agarrado ao elefante, ele era praticamente hipnotizado pela voz suave de Kate. Aos poucos, ele foi cedendo e fechando os olhinhos com o dedo na boca. Minutos depois, já dormia profundamente. Beckett o colocou no berço e por alguns instantes ficou admirando-o. Dylan era uma criança linda e ela estava apaixonada pelo pequeno. 

Como uma tia babona, ela afirmava para si. Ela era tia dele. Por mais que Beckett forçasse seu cérebro para se acostumar a isso, seu coração agia de outra forma colocando todo o instinto materno dela à prova. 

Ao retornar a sala, encontrou Castle arrumando a comida na mesa. Martha já não estava por perto. 

— Você quer jantar agora ou prefere trocar de roupa, tomar um banho? 

— Acho que o jantar pode esperar. Eu já volto - subiu as escadas. Vinte minutos depois, ela reaparecia vestindo uma calça de pijama e uma camiseta preta - pode esquentar o jantar, Castle. Estou pronta - mas percebeu que ele não estava na sala. Para onde ele fora? Estaria no escritório? Ela se encaminhou para o local e descobrira o que ele fazia. Castle estava debruçado no berço de Dylan. A ideia de vê-lo assim fez o coração de Beckett apertar. Será que estava tudo bem? Ele chorara? O semblante logo assumiu o ar sério. 

— Castle? - disse sussurrando - o que aconteceu? Ele está bem? - o escritor puxou-a pela mão levando-a para fora do quarto - Castle… 

— Está tudo bem. Ele chorou um pouquinho. Tinha soltado o elefante. Não tem nada errado com ele, Beckett. 

— Ele não teve mais febre? Não chorou com dor? 

— Não, Dylan está ótimo. Vem jantar - ele arrumou tudo na mesa para ela. Salada, frango e uma porção de quinoa - não me pergunte o que é isso, Alexis que fez. 

— Logo vi que um ato tão saudável não poderia ser de sua autoria - ela sorriu - não quero vinho, pode fazer um café para mim? 

— Claro! E assim que terminar, você vai me contar sobre o caso que está investigando. Aposto que quer minha opinião sobre ele. A morte foi feia? Muito sangue? Algum objeto especial ou a velha arma de fogo? - ele se sentou ao lado dela entregando o cafe e se preparando para ouvi-la como um aluno aplicado volta sua atenção a sua professora favorita. 

— Não é tão fantástico assim, exceto pelo fato dele ter uma gosma estranha, não identificada,  em seu rosto. 

— Gosma? Algum bicho? Substância proibida, contaminada? Beckett, você chegou perto disso? Não podemos correr o risco com Dylan e se der alguma doença ou for a causa… - apesar de desesperado, ela começou a rir - você está mentindo! Você me enganou! 

— Desculpa, Castle, mas adorei ver sua cara. 

— Não tem graça. Temos uma criança agora para cuidar. Não podemos nos arriscar com contaminação ou doenças. 

— Castle, não tem gosma nenhuma. Desculpe. Eu gostei de ver que ficou logo preocupado com Dylan, apesar de pouco se importar comigo… 

— É claro que eu me importo com você, é só que… prioridades - ela sorriu tocando a mão dele. 

— Eu sei - voltou sua atenção a comida - agora sobre o caso… - eles ficaram conversando sobre os detalhes do caso por mais de uma hora, Castle fez questão de apresentar sua teoria, dar ideias de onde ela devia procurar por pistas e toda a dinâmica estava de volta. Beckett se viu suspirando ao ouvi-lo. A parceria continuava lá, porém não mais no distrito. Isso a frustrava um pouco. Castle voltara a falar em prioridades. Dylan era a sua numero um. Depois da ótima conversa, ela agradeceu o jantar e disse que ia para o seu quarto. Desejou boa noite para Castle que mencionou algo sobre escrever. No dia seguinte, ela precisava acordar cedo para retornar a delegacia.    


Dia #16


Conforme era esperado, às sete da manhã Beckett já estava de pé tomando café. A primeira parte de sua rotina fora concluída com sucesso. Ela amamentara Dylan, trocara sua fralda e o deixara na cadeirinha para que pudesse se arrumar. Castle ainda dormia. Era interessante a forma como a detetive inseriu a criança em sua rotina matinal. Comeu o último pedaço do pão e pensou que precisaria acordar Castle porque não ia deixar Dylan sozinho, agora que estava acordado certamente não ia querer voltar para o berço. 

Ela tornou a pega-lo no colo. 

— Vamos acordar o daddy? Pode dizer, Dylan? Daa-ddy… - o menino olhava para ela repetindo as silabas querendo fazê-lo chamar por Castle, mas não obteve sucesso. Dylan não parecia a fim de repetir o que ela dizia - você falando ou não preciso acorda-lo - Beckett entrou no quarto dele, já estava claro e Castle dormia agarrado ao travesseiro com o edredom cobrindo-o parcialmente as pernas. Ela agradeceu por ele estar dormindo de camisa. Não estava preparada para vê-lo mostrando seus músculos a essa hora da manhã. Sentou-se na cama com cuidado, porém a presença dela fora suficiente para que ele se mexesse ficando de barriga para cima. Ótimo, pensou. Beckett sabia exatamente o que fazer.

Ela colocou o bebê sobre a barriga de Castle. Dylan se movia agarrado na camisa para se aproximar do rosto do pai. O menino balbuciava vários sons que ela não conseguia entender, porém não importava. Estava adorando ver o que o pequeno fazia, ele já babava na blusa de Castle. As mãozinhas gorduchas alcançaram o rosto dele. Dylan começou a apertar o nariz de Castle que abriu os olhos. O bebê finalmente encontrou os cabelos dele e puxou-os com vontade reinando. Beckett ria. 

— Hey, garotão… isso é jeito de acordar seu daddy? Deveria começar com uns beijinhos. Foi ela quem lhe ensinou a me maltratar assim? Porque vou te contar, Dylan, ela tem uma mão pesada para beliscão tome muito cuidado. No dia que fizer uma tolice e ela puxar sua orelha não diga que… - o falatório de Castle cessou quando o bebê começou a dizer algo para ele totalmente inesperado. 

— Dadada..dy…daadada…dy - Beckett parou de rir no mesmo instante e abriu a boca em admiração. 

— Oh meu Deus! 

— Beckett… de onde veio isso? - o menino continuava a repetir - vo-você fez isso? E-ele está repetindo sem parar - Dylan tocava o rosto dele e ria ainda repetindo “dadada…dy”, em seguida olhou para Kate como quem diz “viu? eu sei fazer isso” 

— Ele prestou atenção… eu falei Daddy para Dylan algumas vezes, mas ele não repetia nada e agora… 

— Você ensinou a ele? - sim, ele estava maravilhado. 

— E-eu acho que sim. No livro, eles dizem que as crianças repetem os sons que fazemos e talvez foi isso que aconteceu. 

— Ah, Kate. Não o livro outra vez, ele me chamou de daddy, nossa! - Castle se sentou na cama ajeitando o pequeno no colo - Dylan, diz para Beckett quem sou eu - como o menino não parava de repetir as silabas, obviamente foi fácil ouvi-lo recitar “daddy” por várias vezes. 

— Tudo bem, daddy. Eu preciso ir trabalhar - Beckett se levantou da cama sorrindo. Castle a seguiu com o bebê no colo - assuma seu posto - disse colocando o casaco já na sala. Aproximou-se novamente do menino e beijou-lhe a cabeça para depois mordiscar os dedinhos da mão brincando com ele. 

— Diga, tchau Dylan - o menino apenas ria pelos carinhos que Kate fazia nele. 

— Cuide bem do seu daddy, baby boy… - bastou Beckett mencionar a palavra para Dylan repeti-la outras tantas vezes. Sorrindo e visivelmente feliz, ele a puxou dando-lhe um beijo no rosto. 

— Cuide-se, detetive - Beckett ergueu a sobrancelha diante do gesto, porém não deixou de manter o sorriso no rosto - não chegue tarde - ele a viu acenar fechando a porta do loft em seguida. 

Na delegacia, o que ela previra aconteceu. Acharam o corpo do outro advogado. Ryan também encontrou uma série de emails suspeitos que os levaram a outra possibilidade de chantagem e a um novo nome. Mas Beckett sabia que estavam deixando algo escapar. Ela analisava o quadro de evidências, as pistas, relia os emails e nada parecia sinalizar o que ela realmente procurava. Frustrada, deixou escapar. 

— Droga, Castle… você poderia estar aqui. Tenho certeza que veria a peça do quebra-cabeça que falta - resmungando por estar mencionando o escritor para si mesma diante da investigação, ela foi até a mini copa atrás de café. O que havia de errado com ela? Esse era o seu segundo dia de volta ao trabalho e já estava clamando pela ajuda de Castle? Não era assim antes, como detetive sempre investigou seus casos sozinha. Também não era assim há três anos. Gostando ou não de admitir, ela se acostumara com o parceiro e queria a opinião dele. 

Após beber o café, Beckett retornou a sua mesa. Pegou o celular e suspirou. 

— Isso é humilhante - acionou o número do escritor. 

— Ah, detetive Beckett. Sentiu minha falta? Não adianta dizer que está ligando para checar se está tudo bem com Dylan que essa desculpa já não convence. 

— Sempre se achando a ultima coca-cola do deserto… não sei porque ainda me deixo levar por isso. 

— Vamos, Beckett, você precisa de mim, não? - ele pode ouvir o suspiro frustrado do outro lado da linha. 

— É esse caso! Eu sei que estou deixando algo escapar, somente… eu não consigo enxergar. Sei que está na minha cara e ainda assim não vejo. Detesto quando isso acontece. 

— Eu sei… tudo bem, que tal me mostrar o que já conseguiu e que conclusões chegou? - sorrindo, ela colocou a ligação em FaceTime e começou a conversar com Castle. Imediatamente, o assunto preferido deles que os uniu novamente trouxe o sorriso a sua face. A sincronia estava lá e por duas horas eles discutiram cada detalhe do caso. Então, o que Beckett estava esperando aconteceu. Castle enxergou o detalhe que faltava. 

— Incrível! Eu revirei todo esse quadro e não consegui ver isso e estou nesse caso há dois dias, você se intera do assunto e em duas horas descobriu o que faltava. 

— Não se sinta mal, Beckett, as vezes quando estamos muito focados em algo ficamos cegos. 

— Ainda assim. De qualquer forma, obrigada pela ajuda. Vejo você mais tarde, se tudo der certo posso sair mais cedo, isso depende do comprometimento da sua pista. Também quero fechar esse caso o quanto antes. 

— Dylan está bem, à propósito. Ele está se divertindo ali no tapetinho com os blocos, o elefante está do lado. 

— Oh, posso dar um oi para ele? - ela ficara tão absorta na conversa com Castle que por alguns minutos esquecera-se do bebê - ele continua repetindo o que eu ensinei a ele? 

— O que você acha? O garoto é esperto! Espere um segundo - Castle ajustou a câmera colocando bem na frente de Dylan - olha quem quer falar com você, garotão. Quem é ela? - no mesmo instante, o bebê falou “mamama” 

— Olá, baby boy… como o daddy está cuidando de você? 

— Dadaada…dy , dadaada…dy 

— Oh, Castle… ele aprendeu direitinho. Ele já repete sozinho, é o daddy, meu amor?     

— Achei que era reflexo da fala ou você está dizendo que ele me reconhece, Beckett? - no mesmo instante, o corpo de Beckett retensou. 

— Eu não disse isso, eu… 

— Você somente está afirmando que o reconhecimento de Dylan vale para mim que sou pai dele e não vale para você… 

— Castle, não complique as coisas… - nem precisava, o menino já soltava gritinhos e repetia o “mamama” outra vez. 

— Não disse nada, já você… - ela revirou os olhos - diga quem é seu daddy, garotão… conte para Kate - o pequeno segurava a camisa de Castle e repetia “dadaada…dy”. 

— Não sei quem é mais bobo. Você ou o Dylan. Tenho um caso para encerrar. Tchau, baby boy - ela acenava para o bebê, sorrindo, seu olhar voltou a encontrar o de Castle - até mais tarde. 

— Não demore muito ou terei que contar a historia para ele dormir. 

— Não pretendo demorar… 

— Feche mais esse, detetive. 

— Obrigada pela sua ajuda. 

— É o que parceiros fazem, não? Oh, alguém precisa de uma troca de fraldas, vou ter que desligar - ela ria da careta de Castle - tchau, Kate - sem pensar, ela respondeu. 

— Tchau, babe - desligou o telefone e franziu o cenho. Espera, ela acabara de chamar Castle de babe? Porque não fora para Dylan, não era assim que falava com a criança… - meu Deus! Definitivamente estou enlouquecendo. Ryan, Espo, venham comigo, vamos fazer uma prisão. 

— O que aconteceu? - perguntou Ryan. 

— Encontramos a peça faltante do quebra-cabeça. 

— Você conseguiu? - na maior naturalidade, ela respondeu. 

— Castle conseguiu. De novo - ela sorria quando entrava no elevador.    

Fora mais fácil que pensara. Beckett sequer teve que pressionar a mulher. Em questão de minutos, ela contara toda a historia da chantagem à detetive e o passo a passo de como tudo aconteceu ajudando-a a ligar os pontos da investigação. Após pedir para Esposito ficha-la, Beckett desfez o quadro e organizou suas anotações para fazer seu relatório pela manhã. Agora, ela precisava muito conversar com alguém. Queria ver seus pensamentos pela ótica de outra pessoa. Pegando seu casaco e sua bolsa, Beckett deixou o distrito rumo ao Q3. 

Enquanto isso no loft, Castle cuidava do pequeno. Estava terminando de apronta-lo para esperar pela detetive. 

— Sabe, garotão, você deveria se esforçar mais no lance de chamar Kate de sua mãe. Eu sei que o “mamama” diz isso, mas porque não tentamos outra coisa? Tipo “mommy”. Repita comigo “mommy” - o menino olhava para Castle e sem realmente entrar na brincadeira replicou “mamama”. Ele suspirou - Dylan, assim não vai funcionar. Você não quer que ela se renda de vez a nós? Ela é sua “mommy” - nada, era uma luta perdida. Frustrado, ele terminou de vesti-lo e tentou outra vez em vão. Recebeu outro “mamama”.  

XXXXXX

Terça-feira não era uma noite movimentada no restaurante, na verdade era o primeiro dia de funcionamento depois do final de semana. Eles não abriam o lugar na segunda. Uma das tarefas do dia era reavaliar a despensa e fazer a lista de compras para a semana, atividade que Maddie fazia religiosamente todas as terças na companhia de sua chef. 

Ao ver Beckett andando pelo salão do restaurante com a sua hostess, estranhou. O que sua amiga fazia em um restaurante em uma calma noite de terça-feira? Não demorou para descobrir. A sua funcionaria se aproximou com a amiga em sua companhia. 

— Com licença, Srta. Queller. A Srta. Beckett está procurando pela senhorita. 

— Obrigada. Hey, Becks! Veio jantar? 

— Não, eu queria conversar com você. Tem um tempinho? 
— Para você? Todo o tempo do mundo… venha comigo até o escritório. Pode terminar sem mim? - disse checando com sua chef. 

— Claro, assim que acabar levo a lista no seu escritório. 

— Não precisa, deixe na porta da geladeira. Vamos, Becks - Maddie a guiou até sua sala, coisa que a amiga não tinha ideia de que existia - não é o melhor, mas é um espaço tranquilo para eu organizar minhas ideias e planejar. Sente-se. Quer um café? 

— Vou aceitar - disse sentando-se na cadeira de frente para amiga. Maddie serviu a bebida para as duas e olhando como quem analisava Kate, sorriu e perguntou. 

— Então, sobre o que você quer conversar? Está tudo bem com o Dylan, certo? Tudo bem entre você e Castle? 

— Dylan está ótimo. Ele disse “daddy” do jeito dele para Castle hoje. E-eu mesma ensinei. Maddie, está tudo bem com Castle. Bem até demais! Eu não sei o que fazer, isso não era para se tornar algo tão… casual, tão domestico, tão… - ela suspirou deixando escapar a palavra - bom. Eu acho que estou enlouquecendo. Estou me deixando levar pelas pequenas coisas, Dylan não é meu filho, não poderia ser e Castle… ele não é… ele é meu parceiro. Droga! Está tudo errado! Desde aquele encontro, desde o filme e a febre de Dylan e o quarto de Castle…agora eu tenho essas ideias malucas de querer ser a Terry para o Nickie dele e…

— Hey! Devagar… respire. Do que você está falando? Você e Castle tiveram um encontro? E o que a febre de Dylan… Kate, conte tudo! 

E ela obedeceu. Beckett contou sobre todos os acontecimentos do loft nos últimos dias. Falou das provocações, das caricias, do suposto encontro. Sua experiência em dividir a cama com Castle, suas preocupações com o bebê. A cada nova informação, os olhos de Maddie brilhavam e ela lutava com todas as forças para não sair gritando e pulando. Beckett estava a sua frente demonstrando o quanto estava apaixonada por Castle e pelo bebê traindo suas próprias palavras de desespero com sua linguagem corporal, seus sorrisos e seu olhar bobo. O coração de Beckett não se cansava de dizer que estava no comando e o que ela definia como doméstico era apenas um relacionamento na visão de Maddie. 

— Eu liguei para Castle hoje porque não conseguia encontrar a pista que faltava para encerrar meu caso. Eu sou a detetive, não devia fazer isso. Somente demonstra que estou ficando doida. Esse lance da adoção, de dividir tarefas com Castle está me desestabilizando. Droga, Maddie, eu sinto falta dele ao meu lado investigando casos,mas ele mesmo disse que tem outra prioridade. E se isso virar rotina? Se Castle escolher cuidar de Dylan e não voltar ao 12th? Castle pode desistir de ser meu parceiro… e não sei se estou preparada para…para perde-lo. 

— Tudo bem, vamos começar pelo mais simples? Você já disse a Castle que sente falta do seu parceiro de crime? De trabalhar ao lado dele? 

— Não, e-eu tenho medo que ele interprete errado. Eu não sei explicar, sinto falta dele na delegacia, mas sei que ele está ocupado cuidando de Dylan, ficando mais tempo com ele porque é sua prioridade, soa louco, parece que estou com ciúmes do bebê e não estou! Talvez só um pouquinho porque ele tem Castle para si… ah, Maddie, eu não estou fazendo sentido nenhum. 

— Muito pelo contrário. Faz total sentido para mim. Kate, eu sei que você não está com ciúmes de Dylan, na verdade tem medo que Castle vista a camisa da paternidade completamente e se dedique apenas ao bebê, o que o faria desistir de segui-la. Esse é o menor dos seus problemas, aposto que se você disser para Castle que quer tê-lo ao seu lado investigando, no outro dia ele estará lá, mas se não falar ele não saberá afinal não tem bola de cristal. O homem é rico! Pode ter varias babás. 

— Castle não acredita em babás… Acho que você tem razão. 

— Eu sei que tenho. Agora, vamos para o caso mais difícil. Seu apego por Dylan e principalmente Castle. Como você pode ser tão cega? Tudo bem, sei que não é burra apenas não quer admitir o óbvio que está se desenhando bem a sua frente. Por mais que você diga que não é a mãe de Dylan, já é tarde demais. O bebê a escolheu e você se deixou escolher quando assumiu a responsabilidade por ele. Não dormir à noite? Quase chorar porque ele estava com dor? Seu gene materno está gritando dentro de você, minha amiga. Eu sei que não era isso que você queria ouvir, a Beckett que conheço queria que eu dissesse que estava certa que não podia viver nesse mundo de fantasia… quer saber? Você pode. 

— Não, eu…

— Você pode porque não se trata de fantasia. É a sua realidade, sua e de Castle. Quer você aceite ou não, criou um laço com ele através dessa criança. Melhor dizendo, fortificou uma relação que já existia há algum tempo. Esses momentos íntimos, pequenos toques, provocação… são vocês dizendo que se sentem atraídos um pelo outro. Ele está apaixonado. E você… desculpe, Kate, você também está. 

— Maddie, eu não posso… eu gosto dele,mas uma família? 

— Que mal há nisso? Só que Castle não está exigindo que se torne a mãe de Dylan, ele ficaria satisfeito sendo seu namorado. E Kate, pense bem… ele é lindo, carinhoso, milionário e louco por você. Vai mesmo desperdiçar esse chance que a vida te deu? 

— Não posso fazer isso. Não agora. Dylan é a prioridade. Castle me lembra disso todos os dias. Precisamos garantir que ele ficará sob a guarda de Castle. Não se trata do que eu quero agora… 

— Posso concordar com isso, desde que você seja sincera com ele quanto ao lance da parceria. Tem que dizer a ele, Kate. 

— Acho que não faria mal, certo? 

— De jeito nenhum. Ele vai gostar de saber. 

— Ah, não… já posso até ver o jeito dele achando que é o melhor investigador do mundo. 

— Não tanto, mas não posso prometer nada quanto ao titulo de melhor parceiro. Esse decididamente é dele. Você mesmo está admitindo ao tocar no assunto. 

— Será uma longa semana, aposto que vai me lembrar todos os dias disso - elas riram. Maddie decidiu tocar no assunto mais delicado. 

— Sabe o que eu ainda não entendi? O lance do filme, o suposto encontro. Por que “An affair to remember”, o que fez Castle… - então ela se lembrou - mas é claro! Naquele dia que vocês conversavam sobre os encontros perfeitos… ele estava prestando atenção. Você mencionou o filme. Nossa! Castle fez a lição de casa, bravo. Posso fazer uma pergunta? 

— Vai perguntar de qualquer jeito… 

— Bom saber que você me conhece, tudo bem. Lá vai: primeiro, como você consegue assistir um romance sem quase pegação, mal tem beijo! E segundo: como você dorme do lado de Castle e ainda resiste a não tirar uma casquinha? 

— Você disse que era uma…

— Não se preocupe com o numero, me dê as respostas - Kate suspirou. 

— A historia é bonita, improvável. E o romance me lembra Jane Austen. Lizzie Bennett também não beijou Mr. Darcy milhares de vezes e ainda assim… 

— Mas não é somente isso. Tem algo mais, seu olhar não mente, Becks. 

— Caramba! Não consigo esconder nada de você. Minha mãe. A primeira vez que vi esse filme, foi logo depois que assistir “Sintonia de amor” com ela. Mamãe gostava de romances. Ela me fez assistir o filme porque fiquei curiosa. Ela me disse que sonhava com um encontro assim algum dia, no alto do Empire States. Claro que não aconteceu, meu pai não se liga nessas coisas. 

— Ah, então tem um apelo emocional maior que a historia em si. 

— Sim, acho que ele se assustou com a forma como eu me emocionei. Acho que não acreditou que era somente pelo romance, mas não perguntou mais. Sabe o que é pior? Depois que assisti com Castle percebi que existem similaridades na nossa historia. Está vendo? Já estou fantasiando outra vez. 

— Sei, sei. 

— Melhor eu ir embora. 

— Não enquanto estiver me devendo uma resposta. Dormir com Castle? Sua resistência? 

— Ah, Maddie, não é como se eu tivesse resistido. É difícil olhar para aqueles olhos sem se perder neles, vê-lo desfilar com aquele traseiro. Um ato de heroismo resistir. Inconsciente, eu me deixei aproveitar. Contudo, ceder a Castle… eu não posso… acho que gosto desse desafio de provocar e não ultrapassar limites porque quando fizemos mesmo por um caso, o resultado foi explosivo. 

— E poderá ser muito mais se estiver disposta a se entregar, quando estiver na verdade. Você sabe e eu sei que isso será inevitável. Se gosta da brincadeira, ótimo. Apenas tome cuidado para não ir com muita sede ao pote quando acontecer, se bem que Castle não iria reclamar. 

— Maddie! Eu vim aqui conversar, precisando de conselhos, da minha amiga e vou sair daqui mais confusa e não sei como vou olhar para Castle depois dessas observações.  

— Foi você que elogiou o corpo dele. Hey, você ficará bem. Primeiro, aceite que Dylan a conquistou, depois diga a Castle que quer seu parceiro de volta. Sabe, você poderia fazer um jantar especial, algo que gerasse um clima. 

— Pensei que era para focar em Dylan… 

— Claro que sim, mas se você demonstrar uma preocupação maior quanto a parceria quem sabe não consegue algo melhor? 

— E lá vem você mudar o foco de novo… 

— E você irá me ouvir porque sabe que estou certa? Quanto tempo você está disposta a esperar? - Kate não tinha uma resposta para isso, apenas entendia que seu corpo não suportaria muito mais. 

— Não vou ficar agindo como uma adolescente idiota - retrucou Kate achando ser essa a melhor resposta para Maddie. A amiga rebateu. 

— Tarde demais. Você já está agindo como uma adolescente. A-pai-xo-na-da! - Beckett fechou os olhos e suspirou. 

— Preciso ir para casa. Está tarde e quero colocar meu baby boy para dormir. 

— Qual deles? 

— Maddie! 

— Ué… você disse tão bonitinho “meu” que pensei em Castle. E já que não se assume como mãe do Dylan…

— Eu disse? - perguntou Kate surpresa. 


— Disse e posso apostar que não foi a primeira vez. Quer saber, Becks? A maternidade lhe faz muito bem - balançando a cabeça, ela acenou para Maddie e deixou o restaurante enquanto a amiga ria. Não tinha mais volta. Era tudo uma questão de tempo porque Kate Beckett já estava de quatro pelos dois homens mais importantes de sua vida.  


Continua...

6 comentários:

cleotavares disse...

Cada dia mais fortes os laços familiares desses três. E o Ryan, o que dizer do mesmo, eu diria que ele é a versão masculina da Maddie, em uma versão mais light ,ha! A Martha nem se fala, é um amor de pessoa. Tá muito fofo esse baby do Daaaady.

Sandra disse...

Não sei se rio ou se choro,meu coração bate a mil à hora,essa história é linda de mais,o bebê, kate e o seu lado materno,Castle e o jeito dele,o amor entre os dois que só eles fingem não sentir,sei lá é muita emoção mesmo,olha parabéns a você que escreve esta história, é muito linda obrigada por tocar meu coração.

Sandra disse...

Parabéns mais uma vez pelo excelente trabalho.
Para quem viu a série, consegue imaginar todos os detalhes desta sua história.Amo muito isto e fico ansiosa pelo próximo capítulo. Beijos de Portugal.

rita disse...

Sem palavras! Mais uma excelente fic sua Denise. Mais bate uma saudade da série que sabemos não veremos mais.Abraços querida.

Silma disse...

Coisa linda de capítulo 😍

Priscila Barros disse...

Ahh, como eu suspeitava, a mamama ia acabar ficando com saudades do pequeno durante o trabalho 😍 E que lindo ver ela chegando em casa morrendo de saudades do pequeno ❤
Migo Ryan fez o dever de casa direitinho falando as verdades para a Beckett! Hauahauahau. Agora melhor que ele só a Maddie! Que conversa maravilhosa e cheia de choques de realidade para a Kate, ela não tem como negar que ama esses dois ❤
Amei o Castle ajudando ela no caso, só prova mais ainda o quanto essa parceria é importante ❤
Amei o capítulo kah! ❤❤❤❤