sexta-feira, 19 de maio de 2017

[Castle Fic] Vendetta - Cap.2


Nota da Autora: E vamos para mais um capitulo. Vale ressaltar que ainda estamos no começo de tudo,  então não fiquem apreensivas... apenas curtam a viagem e como disse antes, tudo tem um propósito. Ah! E para aquelas que não leram uma outra fic minha chamada ONO, vão estranhar uma menção nesse capitulo. De alguma forma, eu "linkei" essa historia a One Night Only no quesito tempo e plot. 
Aliás, ontem a Staninha postou uma foto do que estava lendo: Alan Moore. V de Vendetta estava entre os livros (btw não tem nada a ver com a historia, o titulo é puramente o plot em italiano), mas a pessoa vibra mesmo assim! Enjoy! 


Cap.2 

Ela dormia serena. Silenciosamente, ele caminhava até a cama com uma bandeja de café da manhã. Ao olhar para a bela mulher ainda não acreditava que há um ano atrás estavam casando. Sua eterna musa.  
O aroma do café se fez presente. Beckett espreguiçou-se na cama abrindo os olhos. A figura do marido admirando-a com aqueles profundos olhos azuis era uma ótima maneira de começar a manhã. Isso e café.  
— Hey... 
— Hey... bom dia, babe. 
— Feliz Aniversário de casamento, Kate - ele colocou a bandeja na cabeceira da cama sentando-se ao lado dela. Inclinou-se para beija-la. Ao sentir o toque daqueles lábios ela o puxou pelo pescoço aprofundando o contato - isso é muito bom... 
— Faz realmente um ano? Parece que foi ontem que estávamos a caminho daquele rancho.  
— Sim, mas é apenas o primeiro de muitos - ele pegou a caneca de café e ofereceu a ela - está na hora de nossa nova lua de mel. Pegamos o avião hoje à noite com destino ao Caribe. Eu me certifiquei de que teríamos uma ilha isolada somente para nós.  
— Como assim? Castle, você não está me dizendo que vamos acampar no meio do nada no estilo náufrago, diga que não, por favor ou serei obrigada a brigar com você no dia do nosso aniversário de casamento. 
— Por mais tentadora que soe a sua ideia, será que pode ter um pouco de fé no seu marido? É uma ilha particular com resort e toda a infraestrutura que merecemos apenas seremos os únicos por lá.  
— Hum... os únicos? Isso realmente é inspirador, escritor.  
— Exatamente meus pensamentos, Beckett. Tome seu café, coma as panquecas e faça as malas.  
— Espera, e quanto ao meu trabalho? Tenho um distrito para dirigir. Não posso sumir assim.  
— Pode e vai. Já falei com o prefeito. Além do mais, são apenas 4 dias e um de trabalho realmente. Terça estamos de volta e quarta você já pode voltar a chutar o traseiro de seus detetives - ela viu o marido levantar da cama, ficando de joelhos, ela puxou-o pelo braço. 
— Você não está esquecendo nada nessa manhã tão especial?  
— Você quer um presente? Além da viagem? - ele se fez de bobo, tinha certeza do que Beckett queria.  
— Não se faça de desentendido, eu me casei com um homem inteligente que sabe solucionar mistérios... 
— Mesmo? E o que mais seu marido é? Charmoso? Lindo? - ele puxou as pernas dela fazendo-a cair na cama de costas para o colchão. Ele se inclinou sobre o corpo dela - excelente na cama? - ela gargalhou enquanto Castle sorveu seus seios transformando a gargalhada em gemidos.  
— Deus! Como eu quero você, Cas... 
— Aprecie a viagem, Kate - perderam-se um no outro esquecendo o café que provavelmente esfriaria enquanto a temperatura de seus corpos apenas subia.  
Castle mais uma vez tinha razão. A quietude na ilha era inspiradora. Ter pessoas prontas para servi-los a qualquer tempo ou hora era incrível. Eles mergulharam, provaram vários drinques diferentes, jantaram os frutos do mar mais frescos que alguém podia ter e fizeram amor por horas seguidas. Era seu último dia na praia. O sol do Caribe já deixara a pele de Beckett bronzeada. Castle ficará vermelho logo no primeiro dia, mas agora exibia a cor dourada em seus braços, costas e tórax. Apenas de observá-lo sentado em uma toalha estendida próximo a ela, Kate já desenvolvia os pensamentos mais pecaminosos possíveis. Eles estavam sozinhos na praia afinal. Ela se aproximou de onde ele estava. Trocando um simples olhar, estendeu a mão para ele. Castle sabia exatamente o que sua esposa tinha em mente. De mãos dadas, eles caminharam até o mar. Beckett soltou a mão dele mergulhando de cabeça por baixo de uma onda. No lugar onde estava era capaz de ficar de pé embora a água batesse acima de sua cintura. Ela fez sinal para ele chamando-o com o dedo indicador para se juntar a ela.  
Castle entrelaçou sua cintura com os braços. Beijou-lhe os lábios deixando suas mãos vagarem pelas costas dela. Desfez os laços do biquíni que ela usava.  
— Ops... - olhou maroto para Beckett. Então seus lábios devoraram os seios. A língua brincava com os mamilos deixando-os rijos, alertas. A boca sugava cada um deles preguiçosamente fazendo Beckett erguer as pernas para conseguir se manter presa a ele. As pernas já bambeavam e o movimento das ondas tornava seu desejo de tê-lo ainda maior. Arqueou o peito, sentiu os lábios de Castle devorando a pele no local de sua cicatriz. Não resistindo ergueu a cabeça dele para que sua boca o tomasse em um beijo intenso e provocante.  
Ele deslizou as pernas dela de volta ao chão. Baixou o calção colocando o membro excitado e pulsando para fora. Com uma das mãos afastou a calcinha do biquíni para o lado, virou-a de costas para si e se preparou para penetra-la. Eles trocaram um novo olhar . Beckett mesma arriou a calça do biquíni até os joelhos e sorriu. A água cristalina dava a Castle a visão privilegiada do traseiro dela. Acariciou o local e viu a esposa afastar as pernas o máximo que pode. Ela sentiu a mão dele tocando seu clitoris e gemeu. Ele ia levá-la a loucura devagar. E foi exatamente o que Castle fez. Introduzindo seus dedos dentro dela, ele a provocou, instigou e proporcionou um orgasmo intenso a ponto de vê-la contorcer-se em seus braços e implorar para tê-lo dentro de si.  
— Cas... por favor... quero você... agora! - certo, implorar seria exagero. Ela o intimou e ele obedeceu.  
Os corpos unidos moviam-se em sincronia, as mãos se procuravam tocando a pele quente, as bocas se encontravam explorando, beijando, sugando até o último suspiro. Quando o orgasmo poderoso aconteceu, ambos gritaram e se seguraram como puderam enquanto as leves ondas os empurravam para a praia.  
Kate se segurava nos ombros dele. Castle tentava boiar sempre sentindo seus pés tocarem o fundo do mar. Ao sentirem mais confiança ao chegar próximo a praia com a água na altura de suas coxas, Beckett se deixou relaxar sorvendo os lábios dele mais uma vez, agora sem a urgência de antes apenas o carinho, a doçura. Castle ajeitou o calção e o biquíni dela. Seu tórax colado ao peito de Kate. Ela sorria com uma brilho intenso nos olhos extremamente verdes naquele momento.  
— Seu louco!  
— Ao que me consta você me arrastou até o mar... - ela riu mordendo de leve o ombro dele, uma mão beliscava seu traseiro.  
— Vamos voltar para a praia. De repente, percebi que estou morrendo de fome. Quero uma lagosta para encerrar nossos dias aqui.  
— Hum, Kate? Você perdeu a parte de cima do biquíni. Vai fazer topless?  
— Não tem ninguém aqui, mas se isso realmente te incomodar terá que voltar a praia agarradinho ao meu corpo. Tenho uma camiseta na bolsa de praia.  
— Não será sacrifício nenhum ficar colado em você.  
Voltaram para a praia, Beckett vestiu a camiseta que por sinal era branca e não adiantava muito com o corpo molhado e seguiram para o hotel. Eles saborearam a lagosta e ao fim da tarde após apreciarem o último por do sol no Caribe, pegaram um taxi para o aeroporto. De volta à realidade da caótica e apaixonante Nova York.  

XXXXXXX

Enquanto uns se divertiam, outros planejavam.  
Ele estava na biblioteca acompanhado de seu cúmplice e aprendiz.  
— Repita tudo o que você precisa fazer.  
— Ao sair da prisão, eu irei procurar um emprego comum. Visitarei a biblioteca para ver o quadro The Jewish Bride no livro para me inspirar como Rembrandt. Irei me depilar: sobrancelha, bigode, barba, peito.  
— Sim, essa parte é muito importante. Não queremos deixar rastros. Deverá ser feita após a escolha da vitima e de conseguir sua confiança para que não se deixe alarmar por isso.   
— Voltarei ao seu antigo apartamento para pegar luvas e a caixa secreta escondida no buraco do sótão do seu vizinho. Então começo a procura da vítima.  
— Exato. A polícia nunca achou essa caixa, apenas um segundo estilete. A estação do inverno é promissora, a cor escarlate do sangue combina com a neve. Tenho certeza que nevará em janeiro em Nova York. Continue.  
— A vítima tem que ser mulher entre 20 e 30 anos, magra, alta, cabelos castanhos claros, bonita. Após executar a obra de arte próximo a região indicada, deixarei o sinal. Escondido.   
— Sim, a mais bela obra de arte para abrir caminho para a minha tela perfeita. A sétima. Caso a mídia não noticie a morte provavelmente porque a polícia abafará o caso, você terá a missão de mostrar a Nova York que ainda não acabou. Ela precisa saber que eu estou apenas começando - um sorriso maligno despontou em seus lábios - a minha obra levará bastante tempo para ficar pronta. Ela nem imagina o que está por vir. Prepare-se para ter seu nome atrelado a um verdadeiro artista, Mike.  

XXXXXX 

Em dezembro, Michael “Mike” Doyle deixa Sing Sing com a promessa de realizar a obra do seu mestre. Ele seguiu o plano como haviam combinado. Arrumou um emprego em uma McDonalds, voltou ao apartamento e de posse da caixa com suas ferramentas começou sua pesquisa para achar a vítima e montar a cena perfeita. Seu mestre ficaria orgulhoso de seu ato. Apenas quando estivesse próximo de executar a obra era que faria a depilação. Não queria levantar suspeitas.  
O inverno chegou com bastante força esse ano em Nova York. Tempestades de neve aconteceram no natal e no ano novo. A previsão do tempo garantia boas nevascas até o fim de fevereiro. 
Em meados de Janeiro, ele começava a contar os dias a espera de boas noticias. No seu lugar preferido, a biblioteca, ele se pegara pensando se seu aprendiz executaria todo o planejamento conforme seus ensinamentos. Sabia que escolhera bem. Mike era um apreciador de belas mortes. Seu crime fora matar a irmã porque ela se juntou com o namorado, seu melhor amigo, para trai-lo. Ela o roubara. Não era nenhuma novidade. Mulheres eram o esgoto da sociedade, usavam de artimanhas como sedução, seios e aquilo que tinham no meio das pernas para deixar os homens a mercê delas. Os fracos acabavam cedendo. Tolos. Isso era o que se tornavam. Tolos e idiotas. Não ele. Apenas uma mulher o enganou e pagou por isso. Desde então sua missão era livrar o mundo desses seres inescrupulosos que praticavam o mal e afetavam o juízo dos homens. Porém, ele o fazia de forma poética, por meio das artes. Tinham tanto mais para oferecer, tanto bem para proliferar no mundo. 
Mas não! Outra vez, uma dessas mulheres cruzara seu caminho. Desgraçada. Apertava com força as mãos perdendo um pouco de sua calma. Respirou fundo. Ele era melhor que ela e iria provar. Precisava continuar executando suas funções naquela prisão. Tinha um comportamento exemplar. Apenas alguns meses o separavam de sua grande chance. 
Estava ansioso por noticias. Vira no jornal da semana passada que havia nevasca prevista para a semana seguinte e a próxima, o que significava em sua linha do tempo a atual e a subsequente. Mike poderia escolher um dia qualquer nessas semanas. De todas as suas preocupações, a maior se resumia aos pelos do corpo. Mike tinha que obedece-lo e depila-los. Não poderia cometer o mesmo erro outra vez. Fora assim que ela o pegara. Por um cílio deixado na cena do crime. Um cílio! 
Algo tão insignificante oriundo de seus olhos fez com que aquela policial o caçasse e o levasse a um tribunal. 
De volta a sua cela, quando as luzes foram por fim desligadas com o toque de recolher. Ele pegou o seu dossiê escondido debaixo do colchão e com uma pequena lanterna que conseguira com um dos manda-chuvas da prisão, releu as noticias de jornais que exaltavam Kate Beckett. Considerada a melhor detetive da NYPD. Vamos ver se é boa a ponto de pegar o seu aprendiz. Era capaz de apostar que não desconfiará de qualquer ligação com ele ou se o fizesse, não teria a chance de provar. Chegara a hora de ter um pouco de publicidade negativa. O brilho da mídia seria para alguém bem mais interessante. Um artista e um gênio. 

Três dias depois… 

Mike sai do trabalho sorridente. Todos os dias durante aquela semana, ele tomava um café após o seu horário com uma moça que conhecera há seis dias atrás. Ele a encontrara por acaso saindo da biblioteca com um livro de artes nas mãos. Foi dessa maneira que a conversa se iniciou entre os dois. Ela fazia faculdade de Artes. Convidou-a para um café, porem espertamente mudou o rumo da conversa a fim de conhece-la melhor. Sua descrição se encaixava no perfil de seu mestre, precisava ter cuidado caso ela tivesse namorado ou marido. Deveria ser solteira. O primeiro encontro rendeu o segundo e o próximo. Acabaram se encontrando todos os dias para um cafe e uma conversa amigável. 
Ele descobrira que ela era solteira e não tinha família em Nova York. Sua mãe e um irmão moravam no Oregon. Mike decidira que podia transforma-la em sua obra de arte. No encontro de hoje, ele sugeriria que o próximo fosse em uma cafeteria que ficava em um endereço da jurisdição do 12th distrito. Estava na hora de colocar seu plano em pratica. Comunicou para a moça que trabalharia até mais tarde no dia seguinte e por isso a mudança de endereço. Também contou que ia dar uma mudada no visual para fazer um trabalho relacionado com sua arte e que ela não precisava se assustar ao vê-lo no dia seguinte. Claro que ela ficou curiosa. Jane era seu nome. 
Naquela noite, ele fez toda a preparação que seu mestre lhe ensinara. Separou as ferramentas, as roupas e os acessórios necessários colocando na mochila. Em seguida, foi a vez de se depilar. O processo foi lento, parte com o aparelho de barbear, parte com cera. Sacrifício que tinha um propósito maior. Um significado importante. Amanhã era o grande dia. Definitivamente seria uma segunda-feira diferente. 
Às oito da noite de uma segunda-feira fria e sob uma fraca nevasca, Jane entrara em uma cafeteria há cinco blocos sul do 12th distrito para se encontrar com seu mais novo amigo. Ficou surpresa ao vê-lo de cabeça raspada, não apenas isso, ele se livrara das sobrancelhas, qualquer pelo do bigode e barba. Eles tomaram café, comeram croissants e brownies durante a conversa agradável e por volta de dez da noite, Mike acompanhou sua amiga até a estação de metro mais próxima ou assim ela pensara. 
Na verdade, Mike a levara até o beco mais próximo, fizera-a desmaiar e levou-a para um apartamento vago em um prédio naquela mesma rua. Era hora de se divertir. Jane ainda não sabia, porém nunca mais veria a luz do dia. 

Terça-feira

Beckett estava em casa tomando café ao lado de seu marido. Um prato de frutas com iogurte, o velho e inseparável latte que ele preparava todas as manhãs para ela estava a sua frente. Castle se deliciava com ovos. 
— Sabe, eu espero sinceramente que quando chegarmos hoje no distrito Espo e Ryan tenham um caso picante. 
— Precisando de diversão, Castle? Está fugindo de algum compromisso com a escrita? Sofrendo de bloqueio? Está entediado e eu não sou suficiente? - ela implicou. 
— Claro que não. Você sabe o quanto eu adoro fazer as coisas ao seu lado, com você - ele se aproximou dela tocou o braço de Beckett com carinho, sua mão se encaminhando para o pescoço dela o polegar acariciava a linha da mandíbula, sorria - mas, para ser completamente honesto, eu tenho saudades de investigar ao seu lado, bolar teorias malucas para vê-la revirar os olhos ou mesmo completar os pensamentos um do outro para descobrir o verdadeiro assassino. Eu sinto falta de nós… 
— Hey… ainda somos nós. 
— Sim, marido e mulher, amantes, amigos. Faz já faz um tempo que não somos parceiros de crime. 
— As coisas mudaram, babe. Sabíamos que isso ia acontecer. Claro que gostaria de investigar com você, porém tenho outras responsabilidades agora e se não surgir um caso realmente complicado, eu continuarei a administrar meu pessoal cuidando de papelada e garantindo que eles tenham todos os recursos para fazer seu trabalho adequadamente. Você não está sozinho. Talvez nós possamos fazer algo diferente? Que tal você hoje à noite você me contar qual o plot de seu novo livro e podemos juntos trabalhar montando e investigando o caso de Nikki? 
— Você quer escrever meu livro comigo? Nossa! Seu caso está pior que o meu! Será que você morre de tédio naquela sala sobre a sua papelada antes que eu consiga resgata-la para almoçar mais tarde? 
— Então você não vai para o distrito comigo? 
— Não, contudo eu prometo aparecer na hora do almoço para te salvar do tédio. 
— Eu estava falando sério em ajudar com o livro. 
— Eu sei, está curiosa com o que acontecerá com Nikki no próximo e por esse motivo se ofereceu. Quer spoiler. Eu chamo isso de trapacear, Beckett. Não é o comportamento correto de uma capitã - ele provocou - há regras, procedimentos. 
— Castle, você está tirando sarro da minha cara? 
— Não, apenas irritando você. E funcionou. Como nos velhos tempos. É bom ter esses momentos novamente. Agora posso passar mais umas horas resistindo ao fato de que ficarei longe de você, Beckett. Vejo você mais tarde. Vamos almoçar. E quanto ao livro, vou pensar na sua oferta - ele sorveu os lábios da esposa em um beijo carinhoso.   
Beckett saiu sorrindo de casa. Tinha que concordar com Castle. Ambos sentiam falta do frisson das investigações que sempre os divertia, irritava e fazia deles uma dupla imbatível. Foi também a maneira que ela acabou se apaixonando pelo escritor. Do momento que entrou na sua sala aquela manhã, a capitã já esperava ansiosa pelo almoço com seu escritor e parceiro. 
Era uma da tarde quando Beckett saiu do telefone com Gates. Discutiam por mais de uma hora um assunto relacionado a orçamento e marcaram uma reunião na 1PP para avaliar a performance do 12th no ano que passou e no mês de janeiro.  
Estava cansada. Seus olhos ardiam e precisava de um café. Tinha que admitir, detestava quando Castle não estava por perto para manter sua caneca cheia. Ela esfregou os olhos tentando lutar contra o cansaço e tantos números. Um minuto disse a si mesma e iria até a mini copa pegar café .  
Castle a encontrou de cabeça baixa sobre os papéis. Sorriu.  
— Eu sabia que papelada era tediosa mas a ponto de fazê-la desmaiar? - Beckett levantou de supetão.  
— Você me assustou...  
— O que houve, Kate?  
— Nada, eu só precisava de um minuto depois de ter discutido tantos números com Gates.  
— Você não precisa de um minuto. Precisa de uma hora inteira, não! Duas. Vim te buscar para almoçar no seu restaurante favorito. Já liguei e fiz os pedidos porque assegurei a eles que minha esposa é uma capitã muito ocupada. Vamos, vista seu casaco. Está um frio de matar lá fora, com muito vento. Melhor clima para tomar um café ou um vinho se você não estivesse trabalhando.  
— Tudo bem, duas horas. Afinal sou capitã desse distrito - ela se levantou sorrindo. Colocou o casaco, a echarpe e calçou as luvas. Antes de sair da sua sala, ela aproximou-se do marido e beijou-lhe carinhosamente nos lábios - eu adoro quando você faz essas surpresas para mim.  
— Tecnicamente não era surpresa porque avisei que ia te levar para almoçar, mas aceito o elogio de melhor marido do mundo.  
— Eu não disse isso.  
— Você não disse em voz alta, mas pensou.  
— Não se ache, Castle. E tire esse sorrisinho convencido do rosto - ela virou-se de costas deixando sua sala segurando o riso. Ao chegar a sua antiga mesa onde Esposito trabalhava agora, Beckett perguntou.  
— Como está o caso? Você conseguiu encontrar o suspeito?  
— Duas pessoas responderam ao APB, os oficiais da patrulha estão checando se alguma é válida.  
— E você não deveria estar com eles?  
— Ryan está.  
— Se achando o chefe, Esposito? - implicou Castle - ele é seu parceiro.  
— Ryan fez questão. Quando voltar com boas notícias encurralamos o cara juntos.  
— Acho bom mesmo, vocês já estão há quatro dias nessa investigação. Tempo demais. Quero esse caso concluído hoje e o relatório na minha máquina, caso contrário é bom ter uma excelente explicação para eu dar a Gates na reunião de performance de sexta-feira. Eu estou saindo para almoçar, volto mais tarde.  
Assim que entraram no elevador, Castle falou.  
— Deus! Isso foi sexy! Se eu não soubesse que pular o almoço deixará você sem se alimentar pelo resto da tarde podíamos ir para casa e ter outro tipo de refeição.  
— Controle-se, Castle. Você me prometeu um almoço e ainda me deve o café. Onde vamos mesmo?  
— Onde mais? Le Cirque.  
— Ah! Então é no seu restaurante favorito... 
— Ao que me consta você adora aquele filé - ela riu.  
Eles almoçaram muito bem curtindo a companhia um do outro. Ela estava relaxada e após a sobremesa, Castle dispensou o café. Iriam tomá-lo fora dali. De mãos dadas, eles caminharam pela rua até a cafeteria próxima ao distrito. Ele pediu o seu café favorito e sentou-se numa mesa com ela.  
— Andei pensando sobre a proposta que me fez essa manhã. Talvez seja bom discutirmos o próximo caso de Nikki. 
— Eu sabia! Você está com problemas para escrever e Gina está no seu pé. Por isso aceitou minha ajuda tão fácil. Castle, por que não disse que estava com bloqueio? Sabe eu acho que se não está com vontade de escrever, não escreva. Não é como se você dependesse de um livro para pagar suas contas. Pode se dar ao luxo de parar por uns tempos, babe. Se for isso que quiser... - ela parou de falar para observar o semblante do marido - não é por isso que não escreve, é por minha causa, certo? Porque virei capitã e... - ela tocou a mão dele. 
— Não diga que não é mais minha inspiração que isso não é verdade. Kate, você é minha musa - afirmou olhando-a com ternura, logo em seguida suspirou - o problema não é você, nem o fato de ser capitã agora. Sou eu. Acho que preciso de um bom caso, daqueles que nos faziam elaborar teorias, histórias, tão bom quanto nossas discussões. Aqueles que se transformam em pesadelos para o leitor de maneira que ele não consiga colocar o livro de lado.  
— Nível Jerry Tyson?  
— Talvez um pouco menos estressante.  
— Tudo bem. Tenho uma ideia, porém antes eu quero que me prometa algo.  
— Diga - ela apertou a mão dele, brincou com a aliança usando a ponta de seus dedos.  
— Quando estiver com dúvidas ou algo perturbando sua mente, converse comigo. Durante muito tempo eu me fechei, você sabe muito bem disso acabou como vítima das minhas neuroses. Se não fosse a terapia e o apoio de... 
— Dana... eu sei. Não esqueça de acrescentar o quanto meu amor pesou durante todo o processo - ele a olhava com tanta ternura que o coração de Beckett palpitou como se sofresse uma taquicardia - eu entendi. Prometo que se estiver chateado ou achando que você está cansada, trabalhando demais, eu falarei. Serve para nós dois. 
— Não se refere somente a mim, estou falando de problemas com você também, babe.  
— Temos um acordo. Você ia me contar a sua ideia... 
— Estava pensando que como você está atrás de um caso interessante, talvez fosse uma boa ideia olhar os arquivos do 12th. Temos uma pilha de casos difíceis resolvidos no passado e temos umas caixas de casos não solucionados. Pode lê-los e quem sabe não os resolve ou os usa para Nikki resolver?  
— O caso da sua mãe ficou por muitos anos nessas caixas, não?  
— Sim, mas graças a sua maneira irritante de se meter nas minhas coisas nós o solucionamos. Só tem um problema, você terá que garimpar na sala dos arquivos. Esses casos não foram digitalizados ainda. 
— Isso não será um problema. Meu faro de Sherlock Holmes me ajudará a encontrar o caso ideal. Obrigado, Beckett.  
— Não precisa agradecer. É a minha maneira de retribuir esse almoço a dois - ela se inclinou beijando os lábios de Castle com vontade. Sentiu as mãos dele deslizando na lateral do seu corpo puxando-a mais para perto. Ela gemeu entre os lábios do marido - hora de voltar. Quero ter certeza que aqueles dois concluíram o caso.  
— Eu pensei que ia te convencer a dar uma esticada lá em casa... 
— Guarde sua disposição para a noite, Castle.  
Eles deixaram a cafeteria e Beckett ficou surpresa com o vento extremamente frio que a atingiu.  
— Está realmente frio. Estranho para 5 graus, não?  
— É o vento. Há previsão de neve hoje à noite.  
— Ótimo - ela beijou-o mais uma vez - clima perfeito para uma garrafa de um bom merlot e se enfiar debaixo das cobertas com você. Vou perguntar dos rapazes se prenderam o assassino e peço para Ryan levá-lo até o arquivo.  
— Eu vou esperá-lo na mini copa, algo me diz que você irá brigar com Esposito e não sei se consigo resistir a uma Capitã tão sexy... - rindo, ela se distanciou dele. Castle tinha uma certa razão. Eles trouxeram o suspeito e o prenderam, porém estavam enrolando para fazer o relatório. Beckett deu mais uma hora de prazo aos dois.  
— Por que ela está insistindo tanto nessa papelada?  
— Espo, é fim de mês. Cada caso solucionado conta para a performance do distrito - disse Ryan.  
— Ah! É verdade, por um momento eu achei que ela apenas queria que fizéssemos relatórios para que não se sentisse sozinha nisso. Ela sente falta das ruas. Posso sentir.  
— Ela não é a única. Deixa eu levar Castle ao arquivo como Beckett pediu. Se pintar algum caso teremos que chamá-lo. O cara está entediado a ponto de revirar arquivos antigos. Já volto.  
Duas horas depois, ela lia o relatório dos rapazes quando Castle entrou na sua sala trazendo uma caneca de café fresco.  
— Eu sabia que estava na hora de repor suas energias - entregou a caneca com a bebida e sentou-se em uma das cadeiras em frente à ela.  
— Obrigada. Como vai o seu garimpo? Alguma coisa boa? 
— Talvez. Um ou dois com potencial. Tem vários John Doe's lá. A maioria bem antes do seu tempo. Finalmente você conseguiu fazer Esposito entregar o relatório não?  
— É, preciso de tudo o que conseguir até sexta. Terei a reunião de performance com Gates e não quero que ela diga que o meu distrito já foi melhor porque isso significaria dizer que ela era melhor capitã do que eu.  
— O que ambos sabemos não ser verdade, porém ela tinha a melhor detetive de Nova York na sua equipe.  
— Nossa! Quantos elogios, por que eu acho que você está tentando me induzir a algo? Está querendo me chantagear, Castle? - ela olha séria para o marido. 
— Não! Eu só pensei que como as coisas por aqui estão calmas, talvez você pudesse sair mais cedo.  
— Castle são cinco da tarde.  
— Certo, mas se eu não conseguir arrasta-la agora você vai chegar em casa lá pelas oito da noite...  
— A semana mal começou. Terça-feira. Nem quero pensar onde esse tédio vai te levar até o fim de semana. Quer saber? Não precisa me adular. Vou encerrar o dia por hoje - ele abriu um sorriso.  
— Isso quer dizer que vamos ter nossa pequena festa particular antes do jantar.  
— Está falando sério?  
— Claro que sim! Estou me segurando desde que vi você dar aquela bronca no Esposito - ela balançou a cabeça sorrindo. Arrumou os papéis de sua mesa e desligou o computador.  
— Vamos para casa, Castle.  

Quarta-feira  

O dia começara muito bom para a capitã Beckett após a noite igualmente prazerosa que tivera ao lado de seu marido. Ao chegar no distrito acompanhada por Castle, ela recebeu a notícia de que tiveram mais dois casos fechados naquela manhã. Ryan iniciou uma conversa interessante com Castle sobre os casos antigos que ele estava analisando quando o telefone da mesa de Esposito tocou. 
— Yo! Temos um novo caso aqui perto. Uma patrulha acaba de chegar ao local e isolar a área. Vou ligar para Lanie.  
— Você vem com a gente, Castle? - perguntou Ryan.  
— Uma sala cheia de poeira e uma cena de crime com muito sangue? Contem comigo!  
Ao chegarem na cena, a sala de um pequeno apartamento há cinco quadras dali, os oficiais informaram aos detetives que a cena era triste e a equipe de CSU não estava tendo muito sucesso em encontrar pistas ou evidências. Esposito perguntou e foi informado que a Dr. Parish já estava no local. 
Não era uma cena grotesca ou sangrenta como Castle imaginara. Era estranho dizer, mas parecia poética. O local estava frio como a rua. O assassino deixara o ar condicionado ligado com um propósito: manter a temperatura em torno de dez graus simplesmente porque o cenário da morte fora montado sob uma boa quantidade de neve. A vitima, uma jovem de pouco mais de vinte anos estava deitada sobre a camada de neve. Seu corpo nu exibia vários cortes nos braços e pernas de onde parte do sangue escapara misturando-se com a brancura da neve dando-lhe uma tonalidade vermelha. 
No pescoço havia uma coleira de espinhos e uma de suas mãos, a esquerda, estava algemadas presa a uma espécie de cano acima da cabeça. A direita estava ao lado do corpo. Castle notou que havia uma marca em seu dedo anelar, parecia uma queimadura que lembrava um anel. Ele olhava a cena com fascinação e muita preocupação. Esse não era um simples assassinato. 
— Como ela morreu, Lanie? - Ryan perguntou. 
— Asfixiada e perdendo muito sangue. O assassino fez questão de estrangula-la com força sobre a coroa de espinhos no pescoço isso foi suficiente para cortar a pele e atingir a carótida. Não há qualquer marca de dedos aqui nessa região. Os cortes no resto do corpo foram uma espécie de foreplay, tortura. 
— Ela foi abusada? 
— Sim, mas não com um órgão masculino propriamente dito. Minha avaliação inicial não mostra sêmem, saberei mais quando leva-la para o necrotério. CSU encontrou alguns brinquedinhos sexuais. Ela foi violentada com eles. 
— Vingança? Traição? - Esposito perguntou. 
— Não, nada disso - disse Castle - isso vai além de violência propriamente dita. Existe um significado aqui. Por que o assassino teria tanto trabalho para montar essa cena? Por que a coroa de espinhos, essa marca no dedo? Neve em uma sala? Estamos lidando com alguém louco e frio. Eu quase consigo ouvir as paredes sussurrando: serial killer. 
— Castle, não viaja. Você sabe que para alguém ser considerado serial killer precisa ter matado ao menos três vezes. 
— Sim, mas isso não quer dizer que obrigatoriamente precisamos das três mortes nesse momento. Isso aqui não é normal. Não há emoção para ser vingança. Se fosse passional, por que usar dildos? Por que não violenta-la pessoalmente, fazê-la pagar? Não, nada de vingança ou traição, pelo menos não diretamente.Tudo foi orquestrado, há preocupação com detalhes. 
— Não viaja, cara! - Esposito não queria dar o braço a torcer. 
— Vou ligar para Beckett, ela precisa ver. Ela vai concordar comigo - pegou o celular e discou.   
— Ela vai brigar com você. Não devia perturba-la. 
— Hey, Beckett. Acho que você precisa vir até essa cena de crime. Estamos diante de uma morte, no mínimo, brutal. Intrigante. 
— Castle, tenho certeza que os rapazes podem lidar com isso. 
— Beckett, estou falando sério. Algo nisso não faz sentido. Foi trabalhado, pensado. Não é um assassinato comum, acredito que estamos prestes a enfrentar um serial killer. Por favor, você precisa ver com seus próprios olhos - ele esperou a esposa dizer algo do outro lado, estava ansioso. Seria essa a chance que esperava para trabalhar ao seu lado outra vez? - sim, ótimo. Ninguém vai mover o corpo até você chegar - desligou o telefone, olhando para Esposito falou - ela está a caminho. 
— A vitima é Jane Sheldon, 26 anos, natural do estado do Oregon. Tem uma carteira da NYU. Estudante de artes - disse Lanie - achei uma aliança perto da mão direita, entreguei para a equipe de peritos listar como evidência. Não posso fazer muito mais. Vamos esperar a Beckett. 
A capitã podia ter dito não ao pedido do seu marido, sabia como ele andava carente ultimamente e compartilhar uma cena de crime com ele talvez fosse uma boa ideia para amenizar a demonstração de carência e saudades pela parceria que dividiam durante investigações. Porém, ao ouvir Castle atribuir as palavras “serial killer” ao ato, sua mente foi fisgada. Por mais devaneios que o escritor pudesse ter, ele sabia reconhecer elementos de crime como poucos. Havia algo nesse assassinato que o induzira a pensar em assassinatos em série. A curiosidade foi maior. 
Ao vê-la entrando no pequeno apartamento, ele sorriu. Era bom observa-la entrar em um cena de assassinato. A mesma pose de antes. Dona de si. Esposito se antecipou e foi logo desbancando a ideia de Castle pedindo desculpas. Ao fazer isso, ele bloqueou a visão da capitã da cena. 
— Beckett, eu sinto muito que você tenha vindo até aqui, já tentei explicar para o Castle que se trata de um crime de vingança, ele está teorizando de maneira exagerada. Eu e Ryan podemos muito bem cuidar de tudo. Pode voltar para o distrito. 
— Espo, eu sei que Castle pode ser um tanto excêntrico quanto ao seu jeito de ver assassinatos e formular teorias, porém ambos sabemos que ele já nos ajudou bastante a solucionar muitas mortes. Se ele desconfiou de algo a ponto de me arrastar até aqui, acredito que devo ao menos ver a vitima, não? Acha mesmo que ele falaria em serial killer do nada? - ela deu um olhar de repreensão para o seu detetive, Esposito deu de ombros e se afastou deixando o caminho livre para a capitã Beckett ter sua primeira visão do lugar. Fazia meses que ela não pisava em uma cena de crime. 
— O que temos aqui? - contudo, no momento em que viu a vitima pela primeira vez, o semblante de Beckett demonstrou apreensão. Castle notou que ela empalidecera. Seus olhos corriam pelos elementos da cena. A coleira de espinhos, os cortes no corpo, o sangue. Ela respirou fundo. Aproximou-se do corpo e agachou-se para examinar a mão direita. 
— Beckett, está tudo bem? - Castle perguntou. Ela olhou rapidamente para o marido e parceiro, tornou a fitar a vitima. Calçou as luvas. Com todo o cuidado analisou os dedos da mão direita. Castle podia estar errado, mas ela parecia saber o que estava procurando. 
— Lanie, havia uma aliança em algum lugar? 
— Sim, uma queimada aparentemente. Entreguei aos peritos. Como você sabia? - Beckett levanta-se e olha para o rosto da vitima. Passa a mão nos cabelos. 

— Não pode ser… não… - Castle viu o medo nos olhos amendoados da esposa. 


Continua...

4 comentários:

cleotavares disse...

Ui! Calor! Beckett perdendo o biquíni,quem diria em capitã?
Agora o troço ficou tenso. E essa aliança?
Os parceiros do crime estão de volta.

Glaucia GN disse...

Cenas calientes no Caribe, muito tesão desse casal. Esse criminoso é louquinho de pedra, muita maldade numa mente, e inteligente em convencer outro a realizar crimes para dar continuidade na sua loucura, parabéns Karen, uma continuação alternativa é estimulante.

Glaucia GN disse...

Cenas calientes no Caribe, muito tesão desse casal. Esse criminoso é louquinho de pedra, muita maldade numa mente, e inteligente em convencer outro a realizar crimes para dar continuidade na sua loucura, parabéns Karen, uma continuação alternativa é estimulante.

Priscila Barros disse...

Oeoeoe! Que capítulo maravilhoso!
Primeiro com essa viagem maravilhosa!!! Esses dois juntos são fogo eim!!! Hauahauahu ❤❤❤❤
Agora vamos ao doido do coração cheio de ódio que tá planejando vingança contra minha Kate. Essa morte é essa reação da Kate me deixou com o coração na mão, momentos de tensão. Aii, sinto que vem muita emoção por aí.
Tô amando tudo Kah, obrigada por mais uma fic e por esse capítulo ❤❤