segunda-feira, 1 de maio de 2017

[Castle Fic] Vendetta - Cap.1




Vendetta 

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Drama, angst
Capítulos: 1 de ? - AU 
Quando: S8 – esqueçam tudo que aconteceu nessa temporada e foquem na informação de um ano de casados...
Disclaimer: Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados! 

Castle e Beckett estão próximos de fazer um ano de casados. Continuam trabalhando no 12th e Kate agora é capitã. Suas vidas tem o ritmo de sempre, casos, madrugadas, exposição ao perigo e teorias malucas como cortesia de Castle. Algo está prestes a perturbar a rotina dos apaixonados. O passado voltara a rondar a vida de Beckett. O inimigo tem um único objetivo. Vingança. O resultado pode ser perturbador. 

Nota da Autora: Uma nova longfic idealizada a um ano atrás aproximadamente. Tive que mudar alguns elementos da história e desconsiderar a S8 por motivos óbvios. Sim, é totalmente AU com vários elementos da série e algumas participações especiais pelo caminho. Novamente, existe um caso. Ele é usado para definir o angst. Antes que me perguntem, a fic tornasse angst pesada depois de um tempo, há história para contar. O tempo é outro elemento importante, sendo assim prestem atenção. Espero que seja tão interessante quanto as demais (sei que não irá superar ONO para algumas - falando de angst psicológico, mas…) 

PS.: Gostaria de ressaltar um pequeno detalhe antes que possam me acusar de certo plágio. Escrevi o plot dessa fic e meses depois, li um dos livros da série mortal “New York to Dallas”. A ideia é bem parecida. Fiquei muito surpresa quando li. Mas as semelhanças param no início da história. Só queria deixar registrado. E a capa é só uma capa, apesar do símbolo ser conhecido. 


Vendetta





Prólogo

Doze anos atrás...

Ele não acreditava que fora vencido. Estava sendo transportado para uma prisão de segurança máxima. Fora impedido de concluir sua obra-prima. Seu ciclo de sete. Parara na quinta tela. Seu Picasso. Por que o impediram? Estava ansioso por concretizar sua sexta obra, o Rembrandt. Agora não poderia. E por causa de uma mulher, uma policial inexperiente e intrometida. Tal qual o amor de sua vida, ela o reduzira a um nada e Logan odiava sentir-se menosprezado especialmente por uma mulher. Não podia deixar seu ciclo inacabado. 
A morte é bela. Como uma tela em branco precisava ter a chance de brilhar. 
Condenado. 
Trinta anos em prisão de segurança máxima. Ele não esperaria tanto embora soubesse que a vingança é um prato que se come frio. Sim, ele teria seu momento e quando isso acontecesse, ela ia se arrepender de ter cruzado seu caminho. 

Cap.1 

Maio 2015  

Eles acabavam de voltar da festa de premiação de Castle. Premio Edgar Allan Poe. Ela não poderia estar mais orgulhosa. De volta ao loft, ela o levou direto para o quarto. 
— Hum, alguém está animada hoje. 
— Precisamos comemorar. É um momento especial. Você recebeu um reconhecimento por sua carreira como escritor, eu estou prestes a subir mais um degrau na NYPD, por que não? 
— Então você já decidiu sobre qual proposta irá escolher? - Beckett abraçou-o deixando os braços ao redor do pescoço dele. Sorveu os lábios prolongando ao máximo o contato com o corpo de seu esposo - você está evitando minha pergunta. 
— Não, babe - ela se sentou na cama. Castle ao seu lado. Os dedos entrelaçados com os do marido e um sorriso no rosto - eu tive a oportunidade de descobrir que as pessoas estão sempre me observando. Meu nome é conhecido no 1PP, pelo secretário de segurança, pelo Comandante e pelo procurador do estado. Fiquei chocada e lisonjeada pelo que ouvi deles. Uma oferta como essa, senadora do estado de Nova York é incrível, uma honra. 
— Eu já disse que você pode fazer isso. Kate Beckett é uma mulher do povo, que inspira confiança. Defensora da justiça, das vítimas. 
— Obrigada, Castle. Não estou pedindo discursos nem slogans para campanha. A verdade é que a decisão de me tornar policial no passado foi baseada na tentativa de fazer justiça e de certa forma vingar minha mãe. Com o passar dos anos, porém, eu me apaixonei pela profissão. O lema do meu distintivo nunca fez tanto sentido. Servir e Proteger. Fiz disso minha bandeira. Cresci, sofri, ganhei mais do que perdi - ela acariciou o rosto dele, Castle sabia que ela estava se referindo a eles - superei obstáculos, desafios, mortes. Encontrei meu lugar no mundo e você, a pessoa que eu amo, meu parceiro, amigo que sempre esteve ao meu lado. Ser Capitã do 12th distrito de Nova York é uma honra. Sentar na mesma cadeira do meu mentor. Não posso virar as costas a tudo que aprendi em todos esses anos. 
— No fundo, eu não esperava outra decisão sua. Você é uma policial. A melhor detetive de homicídios que já conheci. O titulo de Capitã lhe cai bem. Mostrará aqueles que colocam suas fichas em você porque ganhou o direito de sentar naquela cadeira. 
— O que aconteceu comigo não é a ordem natural das coisas. Eu pulei uma patente. Devia ter me tornado Lieutenant primeiro, mas Gates me explicou que minha experiência e meus muitos anos como detetive sênior influenciaram essa quebra de protocolo. Tem outra coisa igualmente importante. Eu não sei se terei o comando do 12th, quer dizer, Gates o controla agora e tenho dúvidas se terei ao menos uma delegacia de homicídios. 
— Quer dizer que não necessariamente você comandará o 12th? Pode ir para uma delegacia de roubos ou narcóticos? Isso não me soa correto. Você é uma detetive de homicídios, sua experiência toda é nessa área. Não seria justo depois de tudo o que você já conquistou. 
— Você está esquecendo de Gates. Aquela cadeira ainda é dela. 
— Isso é um problema para você? Não chefiar um distrito de homicídios? - Castle perguntou analisando o semblante da detetive. 
— Não, eu apenas terei que me adaptar. Se isso acontecer, você sabe que não poderei leva-lo comigo. Pelo menos por um tempo. 
— E-eu não tinha pensado nisso. Ficar longe de você. E Gates provavelmente não irá me deixar perambular pelo 12th - Castle desviou o rosto. Sim, ele não considerara essa possibilidade. Beckett percebeu que essa informação o fez perder parte do entusiamo que tinha antes.
— Eu não sei o que dizer, babe. Sinto muito? - ele voltou a fita-la sorrindo. 
— Ficará tudo bem. Será como aquele tempo em que você trabalhou com o FBI exceto que eu terei sua companhia todas as noites. Daremos um jeito, tenho certeza que você logo precisará da minha inteligência e das minhas teorias para resolver seus casos - ela apertou a mão dele, bateu seu ombro no dele.
— Convencido… - Beckett suspirou - Eu serei a capitã mais nova da NYPD. 
— Posso matar uma curiosidade? Agora que é casada comigo, será chamada de Capitã Castle? - ela riu. 
— Em seus sonhos, escritor. Mesmo casada com você, meu sobrenome oficial na policia é Beckett. Isso não irá mudar. Em honra da minha mãe, em sua memória. 
— Capitã Kate Beckett… sexy… 
— Por falar em sexy… onde paramos mesmo? - ela o empurrou contra o colchão. Posicionando-se sobre as pernas dele, Beckett desfazia os botões da camisa que ele usava. Os lábios se perdiam no pescoço dele mordiscando a pele logo abaixo do seu pomo de Adão. A boca seguiu para os ombros e em um rápido movimento ele sentou-se para facilitar o descarte da camisa. Em seguida, ela puxou o próprio fecho do vestido erguendo-o pela cabeça. Castle viu a peça voar. Ela não usava sutiã. Debruçou-se pelo peito dele explorando, sentindo o cheiro delicioso do perfume masculino misturado ao suor. Fazia movimentos esfregando-se propositalmente nele fazendo-o gemer e seu membro crescer dentro das calças. Sorriu. Ele estava excitado.
As mãos de Castle deslizavam pela lateral de seu corpo, percorriam as costas e encontraram o que procuravam. Seus seios. Ao primeiro toque, ela gemeu. Ansiava sentir suas mãos neles bem como queria a boca provando-os. Castle pareceu adivinhar seus pensamentos. Ele a ergueu de suas pernas colocando-a na cama. Agora ele estava por cima e seria sua vez de brincar e provocar. Seus lábios contornavam os seios dela, a língua brincava com o mamilo até ouvi-la gemer em antecipação ao movimento de abocanhar completamente um deles, provando, sugando, desejando. Uma das mãos deslizava para o meio das pernas dela. 
Kate não sabia dizer quando nem como perdeu a calcinha. Ela estava muito ocupada experimentando as sensações que Rick Castle causava em seu corpo. Ao se dar conta, ele já estava com a boca no meio de suas pernas levando-a à loucura. Após o primeiro orgasmo, ela sequer teve tempo de se recompor. Castle a penetrou de uma vez. 
Juntos, eles se completaram, se desejaram, se amaram entregando-se totalmente à explosão de prazer. 
No dia seguinte, uma Kate Beckett super bem disposta após um café da manhã especial chegava ao 12th distrito. Castle não a acompanhara. Tinha uma entrevista agendada com o New York Ledger sobre seu prêmio. Certificando-se que a capitã estava em sua sala, ela bateu na porta. Gates fez sinal para ela entrar. 
— Bom dia, detetive Beckett. Sente-se, por favor - ela obedeceu. Gates sorriu antes de continuar - imagino que esteja aqui por causa da conversa que teve com o Comandante e o procurador há dois dias. Eu também recebi uma ligação dele essa manhã. Acredito que estão ansiosos por uma resposta.
— Sim, eu estou aqui por isso. Eu tenho umas perguntas antes de confirmar minha escolha. 
— Claro, Beckett. Estou aqui para ajuda-la e se não souber responder eu sei quem pode. Antes deixe-me parabeniza-la apropriadamente. Você merece o titulo. Eu nunca escondi minha admiração quanto a você. Apoiei sua decisão quando foi a Washington, sei de suas habilidades e excelente instinto para investigação e posso dizer que nem todos os detetives tem sua tenacidade e muito menos conseguiriam levar um senador à prisão. Tenho orgulho especialmente por você ser uma mulher como eu. A minoria, porém Kate, você e eu sabemos que temos mais colhões que muitos homens nesse salão - Gates sorria. 
— Obrigada, Capitã. Significa muito. 
— Eu sei. 
— Capitã Gates, quais as chances de eu comandar uma delegacia de homicídios caso aceite a posição de capitã? 
— Todas, Beckett. A NYPD respeita a experiência de seus membros. Não estou dizendo que algumas vezes não há troca de áreas, mas a maioria das situações são baseadas em histórico. Não há outra divisão para você. 100%. Por que perguntou isso? Achei que estava claro. 
— É claro que precisava saber, não é como se eu fosse assumir esse distrito. Ele está sob o seu comando agora - Gates a olhou intrigada. 
— Espera, você está dizendo que não vai assumir o 12th por minha causa? Acha que estaria tirando meu comando e consequentemente conseguindo minha inimizade? - ela riu - eles jogaram bem - Beckett estava sem entender a reação da capitã - achei que tivessem lhe contado. Quando você passou no teste, eles já sabiam que naturalmente você sentaria na cadeira do 12th. Portanto, eles me ofereceram uma posição na 1PP como coordenadora regional de delegacias com o seu distrito sob minha supervisão. Como pode pensar que não chefiaria esse lugar? 
— Trata-se de hierarquia e tempo de casa, senhora. 
— Exato. Essa é a sua casa, Beckett. Já era sua antes mesmo de eu chegar. Ninguém merece sentar nessa cadeira mais que você. Montgomery sabia disso. Deixe-o orgulhoso e aceite o lugar que lhe é de direito. Acho que eles não mencionaram esse detalhe para você porque sonhavam com a possibilidade de que aceitasse concorrer para o senado - ela sorriu. Viu o alivio no semblante de Beckett. 
— E-eu… - ela sorriu - será uma honra sentar nessa cadeira e comandar o 12th distrito, senhora. 
— Eu sei. Vou ligar para o comandante e informa-lo de sua decisão. Acredito que em uma semana você assume o seu lugar. Pode ir, curta seus últimos dias como detetive. Eu lhe mantenho informada. 
— Obrigada, senhora. E Gates? Será um prazer trabalhar com a senhora outra vez - a capitã sabia que sim. 
Beckett manteve-se calada sobre sua conversa com Gates. Não queria festejar antes de ter toda a confirmação e não era justo com os rapazes. Castle, por outro lado, era uma pedra no sapato. Desde que reapareceu no distrito, ele não parava de pergunta-la sobre isso. Estava ficando irritada. Puxou-o para a mini copa alegando querer um café. Ele já imaginou que ela ia lhe contar sobre sua conversa, mas não foi bem o que aconteceu. 
— Então? Você conversou com Gates? Descobriu onde vai trabalhar? - ele percebeu o olhar fulminante em sua direção - o que foi? Só quero saber! 
— Castle, se você me perguntar sobre isso mais uma vez, eu juro que vou bater em você e deixa-lo sem sexo uma semana, que tal? 
— Nossa! Para que violência e ameaça? Eu entendo que você está nervosa, é uma grande mudança por isso mesmo deveria dividir comigo, quero ajuda-la. Além do mais somos casados, não podemos ter segredos. 
— Não se trata de segredo, Castle. Eu apenas não quero comentar isso aqui. Conversamos em casa. Agora vê se cala a boca e faz meu café antes que arranque sua orelha com meu beliscão - instintivamente ele levou a mão até o ouvido fazendo uma careta de dor. 
— Tudo bem. Será do seu jeito. Não quero ser agredido e você manda, afinal tem a arma. 
— Ótimo! - ela tentava segurar o riso diante da cara de pavor dele. 
À noite no loft após o jantar, eles estavam na sala bebendo um pouco mais de vinho. 
— Castle, por que não pega o pote de sorvete de chocolate? Não comemos a sobremesa e estou com vontade. Preciso de um doce. 
— Desejos, detetive? Será que… 
— Pode esquecer esse pensamento. Probabilidade zero - ele a olhava tentando decifrar se a expressão dela era de alivio ou se parecia interessada no assunto - Castle? Sorvete? 
— Ah, claro! - ele se levantou indo até a cozinha. Ao retornar, ele reclamava trazendo dois potes de sorvete - Alexis deve ter comido sorvete hoje. Só tem um pouquinho de chocolate. Trouxe o strawberry cheesecake para você, tudo bem? - ela resolveu implicar. 
— Quer dizer que se eu estivesse grávida e desejando o sorvete de chocolate teria que me contentar com o outro porque o chocolate é somente para você? 
— Beckett, você acabou de me dizer que não está… você está? - o olhar de surpresa no rosto dele fez ela rir, revirou os olhos. 
— Hipoteticamente, Castle! Meu Deus, você é muito fácil. 
— Não sou fácil! Esse assunto é muito sério, se estivesse grávida eu daria o sorvete para você porque não quero que me acuse de negar as coisas para uma mulher nessas condições, mas isso que você fez é maldade. Lembrei o quanto você estava irritada hoje e podia ser um sinal de que estivesse esperando um bebê - ela o puxou pela camisa e tascou um beijo nele. 
— Desculpe, babe. Você realmente pensa em ter mais filhos? 
— Por que não? Eu amo você. Adoraria ter uma mini Beckett rondando essa sala. Esse loft precisa de barulho, bagunça, risadas. 
— Você já faz bagunça demais sozinho, Castle. Eu achei que queria um menino. 
— Tanto faz, desde que seja nosso bebê. Isso se você quiser, eu não quero obriga-la a nada, Beckett - ela colocou a mão no rosto dele. 
— Eu sei. Só que agora não é o momento. Tem muita coisa acontecendo nas nossas vidas, novas experiências, desafios. Vamos combinar uma coisa? Não comentamos sobre esse assunto até que seja o momento certo. E Castle? Eu saberei quando for o momento certo. Você ouvirá dos meus lábios esse pedido, para me dar um filho - ela sorriu. 
— Tudo bem, eu concordo. Aceito suas condições. 
— Afinal, eu precisarei muito da sua ajuda nos próximos meses quando estiver comandando o 12th distrito. 
— O que? - ele viu o sorriso genuino no rosto - você vai ser a capitã do 12th? Eu estou de volta! E Gates? 
— Ela vai assumir uma posição na 1PP, chefe regional. Responderei sobre a minha delegacia para ela. Você sabe que as coisas não serão como antes, eu não terei muito tempo para investigações. Terá que se virar com os rapazes. 
— Não importa. Posso aguentar o jeito ranzinza de Espo - ele a beijou rapidamente - Isso é maravilhoso, Kate! Você merece sentar naquela cadeira. É sua por direito até Montgomery sabia disso.  
— É sim, comandarei aquela que sempre foi minha, nossa segunda casa.   
— E qual é a sua primeira casa então, posso saber? 
— Acho que alguém disse uma vez que “Home is where the heart is”. O meu está com você, portanto onde você for será sempre minha casa. 
— Wow, Capitã Beckett é uma romântica incurável… 
— Cala a boca e me beija, Castle. 
Uma semana depois, o anúncio oficial sobre a promoção de Beckett e sua nova casa de comando foi colocado no diário oficial e no site da NYPD. Gates mesma reuniu todos os seus oficiais e contou exatamente como a mudança ocorreria revelando seu novo cargo. Parabenizou Beckett mais uma vez e pediu que todos a ajudassem nesse novo desafio de sua carreira. 
Nas semanas que se seguiram, Kate Beckett se dedicou a conhecer e se adaptar as nuances e responsabilidades da vida de capitã. O trabalho exigia tudo o que Castle detestava, toneladas de relatórios, papelada para analisar, controle de orçamentos, provisão de recursos, tudo para garantir as ferramentas necessárias para que seu time de detetives e oficiais pudessem fazer o trabalho adequadamente. 
Também incluía nisso reuniões com a 1PP, participações em julgamentos de tribunais, manter-se informada de todos os casos em aberto e da performance de seus funcionários. E uma vez ou outra envolvimento em investigações mais pesadas e prioritárias para a cadeia de  comando.  
Castle continuava acompanhando-a todos os dias exceto quando Gina não estava em seu pé por causa de capítulos atrasados. Ele estava escrevendo o sétimo livro da serie Heat. Um dos especiais, ele dissera. Saia nas ruas para cenas de crimes com os rapazes. Continuava formulando teorias malucas e irritando Esposito. A vida seguia seu curso normal. 

Setembro 2015

Castle estava empolgado. Era a noite de lançamento de Driving Heat e além de estar feliz com o resultado do seu novo livro, ele estava orgulhoso por conseguir esconder de Kate a história. Sabia que ela estava muito curiosa. Queria saber a opinião dela, porém recusara-se a compartilhar qualquer draft da obra com ela. Com um terno preto e a blusa vermelha combinando com a arte da capa, Castle esperava por sua esposa na sala. 
Quando Beckett surgiu usando um vestido longo em tom alaranjado sem alças colado ao corpo, ele deixou escapar um gemido. Os cabelos estavam presos em um coque e usava uma gargantilha de ouro no pescoço combinando com as argolas grandes nas orelhas. Castle reparou que ela não tirara a pulseira que ele lhe dera de presente. Nos dedos, apenas seu anel de compromisso e a aliança. 
— Você está linda como sempre, Capitã. Vai ser difícil me concentrar na leitura olhando para você na platéia. 
— Tenho certeza que você conseguirá se controlar, escritor. 
— Fala isso porque não sabe o assunto do primeiro capitulo… 
— Você não me deixou ler! Ainda não acredito nisso. Devia ter te ameaçado. 
— Não ia funcionar. Vamos, Beckett. Hora de se divertir e ter finalmente seu exemplar de Driving Heat autografado pelo seu escritor favorito que por acaso também é o seu marido lindo e charmoso - ela riu dando o braço para Castle. 
No elevador, ela mordiscou os lábios. 
— Sabe, eu ainda não me acostumei com isso, ser casada com alguém famoso. Esse lance de fama não me cai bem - ao ouvir sua declaração, Castle esticou o braço até o painel do elevador e travou-o - o que você está fazendo? 
— Não é verdade. E caso não tenha notado até hoje, a fama não é apenas minha. Os leitores e a maioria dos cidadãos de Nova York a adoram por tudo que você representa, Beckett. Você é uma capitã da NYPD. Sua imagem, seu rosto, torna Nikki Heat real e isso acaba lhe trazendo reconhecimento e fama de onde menos espera. Claro que você não tem mais fama que eu, nem poderia, eu sou a estrela. Mas Beckett, tudo bem aparecer nos jornais, na mídia uma vez ou outra. Também é importante. Desde que não seja na coluna de fofoca como a Page 6 - ela riu. 
Castle a empurrou contra a parede do elevador. As mãos dele vagavam pelo seu corpo enquanto os lábios a devoravam. O beijo intenso, cheio de desejo fez Beckett gemer. Os dentes dele em seu pescoço trouxeram lembranças de sua primeira noite juntos. O jeito como ele a jogara contra aquela porta. Castle parecia ler seus pensamentos. Os lábios beijaram o meio dos seios e voltaram para a boca vermelha e tentadora de sua esposa. Beckett podia sentir seu corpo reagir ao toque dele, seu centro úmido. Então ele se afastou e acionou o botão do elevador novamente. 
Beckett estava um pouco zonza com o súbito ataque de seu marido. Respirou fundo e ajeitou seu vestido. Ao olhar-se no espelho, viu que os lábios estavam vermelhos e inchados, parte do batom manchara seu queixo. Suspirou. Teria que retocar a maquiagem no carro. 
Quando a porta do elevador se abriu, ela finalmente conseguiu perguntar. 
— O que foi isso? - Castle olhou para ela, deu de ombros, um sorrisinho malicioso no rosto. 
— Nada demais, apenas um pequeno spoiler da noite que você terá pela frente. 
A festa estava sendo um sucesso. Havia fotógrafos e repórteres por todos os lados. A maioria se aproveitava do tema do novo livro de Castle e a promoção de Heat para capitã como um bom pretexto para conseguir uma entrevista com a verdadeira capitã da NYPD, Kate Beckett. Ela tentava a todo o custo fugir deles. Infelizmente, a presença do prefeito não ajudou no plano de Beckett de continuar anônima na noite que deveria ser sobre seu marido. 
Claro que Castle estava rodeado de pessoas da mídia e adorando cada segundo. Gina acabou sendo a pessoa que a salvou de todo o burburinho, porém não sem um sacrifício. Ela comentou com Beckett que o prefeito disse a ela que ficaria muito satisfeito se conseguisse alguma publicidade para a NYPD através dela e desse evento. Foi assim que Beckett concordou em dar uma única entrevista para o New York Ledger sobre sua vida na policia e a influência de seu papel como musa para os leitores e cidadãos de Nova York. 
Mais tarde, ao ouvir a leitura do Driving Heat, ela entendeu o que Castle dissera sobre o spoiler no elevador. Maldito! Agora ela queria demais voltar para casa e continuar a cena. Estava olhando intensamente para ele, o desejo exposto no olhos amendoados. Ele virou-se para fita-la. Sorriu. Sabia exatamente o que se passava na mente da esposa. 
Kate se aproximou segurando um exemplar do livro. Colocou na frente dele, apoiou os braços na mesa sabendo que a posição colocava seus seios quase na altura do olhar de Castle. 
— Pode assinar para mim, escritor? 
— On-onde você quer? - ele a olhava fascinado. 
— Onde você acha? - ela falou sensualmente, ele deixou a caneta cair de sua mão. Então mudou o tom - no livro, Castle!  
— Sim, c-claro. Onde mais? - se recompondo, ele podia ver o sorriso de Beckett no canto dos lábios. Droga! Ela sabia provocar. Respirou fundo e começou a escrever - acredito que você apreciou a leitura, não? 
— Muito… se não estiver muito ocupado podemos sumir daqui e continuar o que começamos naquele elevador. 
— Tem certeza? - Castle perguntou entregando o livro nas mãos dela. Beckett o abriu na pagina da dedicatória, ele escrevera abaixo das palavras originais “Because of You. Because of Us. Always. To my real Captain, owner of my heart. My home is forever yours. Love you. RC” e a assinatura - tem câmeras ali… 
— Agora mais que nunca…. - ela o fitou. Os olhos amendoados demonstravam um tom esverdeado nas pontas. Castle não viu apenas desejo ali, ele vira amor - vamos sair daqui, Castle. Tenho certeza que você também sabe obstruir as câmeras - ele sorriu.  
Ao entrarem no elevador, ele esperou que começasse a subir para acionar os botões. Então, ele a empurrou de volta contra a parede. 
— Onde estávamos mesmo? - sorveu os lábios dela com vontade. As mãos de Castle estavam por baixo do vestido dela procurando a calcinha. As de Beckett desabotoavam a calça dele. Tiraram as roupas do caminho com extrema rapidez. Castle ergueu as pernas dela colocando-as ao redor de sua cintura, Beckett envolveu seus braços no pescoço do marido aprofundando o beijo em seus lábios. Sentiu-o penetrando devagar. Então tudo ficou intenso demais. Eles gemiam, se movimentavam em ritmo acelerado. Castle se afundava dentro dela ouvindo Beckett chamar seu nome, pedindo mais. Loucura e prazer. O orgasmo pegou a ambos com surpresa, forte, urgente e intoxicante. Ambos ofegavam vermelhos. Castle deixou as pernas dela deslizarem, seu corpo pressionava o dela contra a parede do elevador. A cabeça dele descansava em um dos ombros de Beckett. A respiração foi retornando ao normal. Ele acionou os botões do elevador que começou a se locomover até o andar deles. Quando as portas se abriram, ele sorriu para Beckett. 
— O prazer foi meu, Nikki - e pode ouvir a gargalhada gostosa da esposa. 
Na manhã seguinte, eles tomavam café sentados à mesa. Beckett ainda estava de roupão. Segurava uma caneca fumegante da sua bebida preferida em uma das mãos, na outra o seu exemplar de Driving Heat. Castle estava sentado ao seu lado mordiscando um pedaço de croissant e comendo ovos. 
— Será que dá para largar esse livro um minuto? Pelo menos enquanto tomamos café? Eu sei que a leitura é intrigante, o autor é muito bom, o melhor, mas nesse momento ele gostaria da atenção da sua esposa ao invés da fã - ela baixou o livro sorrindo. 
— Pensei que estava interessado nos comentários do jornal sobre seu novo feito. Não estava lendo as resenhas? As opiniões dos críticos? 
— Eu já terminei. São boas, claro que a mais importante virá de você, porém posso esperar um pouco por isso - ele tirou o livro da mão dela. 
— Hey! Eu estava lendo isso! 
— Tome seu café - ele beijou a testa dela. Beckett pegou um pedaço de brioche e roubou uma fatia de bacon do prato dele - esse bacon era meu… 
— Era, você disse bem. Não quer dividir o café com sua esposa? 
— Minha culpa. Eu quero mostrar uma coisa para você - ele puxou o exemplar do New York Ledger que deixara em cima do balcão da cozinha - sua entrevista, Capitã. Ficou muito boa. E agradeço por falar tão bem de mim, como escritor e parceiro. As fotos também foram bem escolhidas. Representam bem a musa e a capitã. 
— Eles publicaram fotos? - ela arregalou os olhos. 
— Duas! Uma com o vestido de ontem que a deixou sensualmente deliciosa e uma profissional digna de Capitã, veja por si mesma - ela puxou o jornal com força das mãos dele. Beckett examinou a reportagem - muito inteligente da sua parte citar o prefeito. Ganhou uns pontinhos no lado politico da sua profissão. Nunca duvidei que a cadeia de comando fazia bem a você. 
— Exceto que há uma semana atrás você estava reclamando que estava com saudades de investigar casos comigo. 
— O que não deixa de ser verdade, amor. Nada contra Ryan e Esposito, eles são ótimos. Mas somos nós, a sincronia, as teorias refutadas, os olhares - ela suspirou. Beijou-lhe os lábios. 
— Você sabia que seria assim, babe - sorriu - tem razão, a reportagem ficou muito boa. Tenho que reconhecer mesmo não gostando que a ideia da Gina me ajudou. Não aguentava mais aquele bando de microfone querendo saber “capitã, quanto de Nikki tem em você? As cenas quentes são inspiradas no seu relacionamento com Rick Castle?” - ela usava uma voz nasal fazendo pouco dos repórteres - pelo menos dei apenas uma entrevista - ela colocou mais um pedaço de pão na boca, sorveu outro gole do café. 
— E quanto a sua critica, escritor, já tenho minha opinião. 
— Já? Mas você sequer terminou de ler! - ela sorriu. 
— Eu amei o casamento, babe. Fiquei com vontade de casar outra vez com você. 
— Mas… você pulou capítulos? - ele parecia chateado. 
— Claro que não, eu terminei de ler na madrugada. Estava relendo. 
— Você… você leu enquanto eu dormia? - ele parecia impressionado. 
— Tenho que manter minha reputação de fã hardcore e #1 intacta, não? - ele avançou para ela sorvendo seus lábios. 
— Oh, capitã Beckett… acho que você merece um agrado especial por tanta dedicação… - ele a puxou pela mão de volta para o quarto. O resto do café fora esquecido bem como a releitura. 

XXXXXXXX

Sing Sing - um mês depois… 

Matar é uma arte. Uma forma de trazer paz e purificação a almas deturpadas e embebidas no sentimento vil que uma traição pode proporcionar.  
Como toda arte, matar alguém envolvia planejamento, estratégia, atenção aos detalhes por menores que fossem. Há que se escolher bem as cores e formatos dos elementos de cena. Combina-los na proporção exata para criar impacto e significado da mesma maneira que um artista escolhe pincéis e combina sua paleta de cores.  
Infelizmente, a exaltação da morte é um tipo de arte incompreendida por muitos, alguns são tão ignorantes quanto um animal irracional. Por causa dessas pessoas, ele tivera seu momento de inspiração, sua melhor vernissage interrompida.  
Sete era seu número mágico porque esse número está ligado às artes. Completara cinco antes de ser forçado por policiais ignorantes a viver naquele lugar. Encarcerado, incompreendido. 
Ele não era como os outros. Sua inteligência, sua percepção da realidade era superior e diferente daqueles homens presos a bens materiais, completamente mundanos.  
Pelo menos durante esse exílio forçado, ele estava em contato com livros. Era responsável pela biblioteca, o que lhe dava um certo conforto. As notícias do mundo exterior chegavam com algumas semanas de atraso, pelo menos os jornais como o NYT e o Ledger. Não havia acesso à internet. Raros momentos de jornalismo na TV, queriam mentes alienadas. Filmes, desenhos e algum esporte. Isso era tudo. Mesmo diante de todos esses obstáculos, seu tempo na biblioteca fora bastante útil para ajudá-lo na criação de sua obra-prima.  
Seu número 7.  
Ele a escolhera há doze anos. Sua vítima perfeita. 
Na biblioteca, passava horas entretido desenvolvendo o plano ideal para concluir sua missão em grande estilo. Tudo meticulosamente planejado. Escolhera um cúmplice, treinara-o. Ensinara sua arte. Tinha a responsabilidade de executar sua morte de número seis. Assim que terminada, a próxima etapa era sua fuga. Somente de volta às ruas de Nova York poderia concluir e deixar seu legado. Ele esperava pacientemente. Ainda tinha alguns meses pela frente. 
A sirene tocava avisando que o dia acabara para eles. Deveriam voltar às suas celas onde passariam pela contagem antes de seguir para o refeitório para a última refeição do dia antes do toque de recolher.  
Caminhava tranquilamente com uma página do New York Ledger nas mãos de volta ao cubículo que dividia com seu aprendiz. Colocou o papel debaixo do cobertor e esperou a aproximação do guarda que fazia a contagem.  
Quinze minutos depois, ele ergueu o colchão tirando do meio dos estrados de metal uma pasta. Um verdadeiro dossiê.  
Fotos, notícias das conquistas, menções honrosas. Havia muitas histórias sobre ela nos jornais especialmente nos últimos sete anos quando envolveu-se com esse outro cara, um suposto escritor de mistérios que a transformou em sua musa. Ha! Musa… o que ela entendia de arte? 
Não acreditou ao saber da sua última audácia ao prender um senador dos USA, apenas pensava pararia por ali, mas ela acabou com a vida de outro artista. Um visionário como ele. Diferente métodos, mesmo propósito. Ele era um admirador de Tyson, até ela destrui-lo.  
Como a vida se desenhara a seu favor. Em destaque por 7 anos ao lado de alguém que se intitulava artista, um escritor. Nada era por acaso, não era coincidência. Destino.  
Abriu a pasta e colocou sua última informação lá dentro. Teve o cuidado de folhear algumas das últimas páginas anexadas ali. Recortes de lançamento de livros, a reportagem do senador Bracken, a coluna Page 6 que noticiara seu casamento e a mais recente sobre a conclusão do crime do 3XK com rumores de uma possível promoção para capitã. O momento que ele tanto aguardara chegara por fim.  
Em destaque no New York Ledger havia uma foto com o rosto dela e a manchete "A Mais Jovem Capitã da NYPD". Não importava qual título ela teria agora ou quão importante fosse. Para ele, era a mesma de 12 anos atrás, a mulher irritante e metida a saber tudo. A tela perfeita para a sua obra-prima que ficaria eternizada para sempre.  

Detetive Kate Beckett.  


Continua...

6 comentários:

Rebeca Nascimento disse...

Que primeiro capitulo.Já louca pelos próximos,como sempre tudo que vc escreve torna um vicio pra mim.Parabéns por mais uma historia envolvente,um novo começo.

Madalena Cavalcante. disse...

AI. MEU. DEUS. Kah, assim vc acaba comigo!!!! Gente, já estou ansiosa, por saber do angust louco que essa fic vai ser! Queria dizer que fiquei bem feliz com a alegria que teve nesse el, e vou me agarrar a ela pq sei que o vem pela frente vai ser bem diferente!

Glaucia GN disse...

Estou com medo, mas, você faz a estória com tanta clareza de detalhes, nuances, caracteriza o vilão, e ele é louco de pedra, só pode, achar a morte uma arte. Vamos sofrer muito?

rita disse...

Louca para ler os próximos capítulos!! Quando digo que você é excelente, é porque mesmo escrevendo outras fics, consegue nos trazer uma novinha e excelente já no primeiro capítulo. Abraços da amiga.

cleotavares disse...

Obaaa! Mai uma pra minha lista. Primeiro capítulo quente, Kate e Castle que o digam.
Já estou com medo do cidadão.

Priscila Barros disse...

Aiiii, fic novaa ❤❤❤❤
Que capítulo maravilhoso, cheio de momentos caskett, são lindos demais ❤❤❤❤
Agora preciso falar desse doido cheio de ódio no coraçãozinho, querendo vingança, tô com medo. Esse caso promete eim.
Amei amei amei, Kah! Obrigada por nos presentear com mais uma fic maravilhosa ❤❤❤❤