domingo, 23 de outubro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.10


Nota da Autora: Mais um capitulo para vocês. As coisas nessa fic estão muito tranquilas, então vamos colocar a "mamama" para ser testada. A titulo de curiosidade, falar de bebês é difícil para mim porque lembro do meu baby (meu sobrinho) que morro de saudades e que cuidei pelos primeiros 10 meses. Parte do que está nessa historia tem um pouco dele. Aproveitem o capitulo e não especulem... enjoy! 
PS.: No capitulo anterior, mencionei o filme, se não viram perderão referencias futuras, alias apenas uma pessoa mencionou, Silma, você certamente saiu na frente. E obrigada pelos comentários. 



Cap.10 

Dia #9 

Beckett começava a ficar entediada com o tempo livre. Quando Dylan estava dormindo e Castle escrevendo, ela não tinha muita alternativa senão assistir televisão ou ler um livro. Mesmo a leitura não parecia conquista-la tanto no momento. Foi assim que decidiu ir para a academia. 

Ela sumiu por quase duas horas, ao retornar, ainda suada com a toalha no ombro e os cabelos grudados no rosto, encontrou Castle na sala segurando Dylan e mais uma visita. Claire. 

- Olha quem chegou. Você nem avisou que tinha saído, Beckett. 

- Tecnicamente não sai. Estava na academia do seu prédio – ela reparou o olhar de Castle, a boca semiaberta como se tivesse chocado ao vê-la. Preferiu ignorar mesmo sabendo os efeitos que aquilo causava em seu corpo - Oi, Claire! Vocês me dão um minuto? Preciso beber agua e de um banho. Prometo não demorar – após abrir a geladeira e beber quase um litro de agua, Beckett subiu as escadas. O olhar de Castle a seguia em cada movimento, boquiaberto diante de tanta beleza. 

Quinze minutos depois ela estava de volta. Os cabelos molhados secando ao natural, uma calça legging realçando seu bumbum e uma camiseta lisa branca babylook com a sigla da NYPD em uma das mangas. Castle engoliu em seco ao vê-la. Não fazia de propósito ou pelo menos ele achava que não, porém cada vez que ela aparecia na frente dele, Castle imaginava milhares de cenários diferentes. Todos acabavam com eles nus, não necessariamente na cama. 

Beckett foi direto cumprimentar Claire que tinha Dylan no colo. O menino parecia muito satisfeito no colo da amiga de Anna. 

- E como você está, Claire? 

- Estou bem. Tenho trabalhado bastante no salão. Peguei mais turnos. Tudo para evitar voltar  naquele apartamento vazio. Hoje é minha folga por isso decidir vir visita-lo. Anna faz muita falta e meu amoreco também. Nossa! Ele cresceu. Está mais fofo e posso ver que é muito bem cuidado. Onde quer que Anna esteja, sei que está feliz. 

- As coisas tem caminhado muito bem, mas você sabe que ainda não é certo que Dylan seja adotado. Estamos passando por avaliações.  

- É, o Sr. Castle me disse – estranhando o silêncio por parte dele, Beckett virou o rosto para fita-lo. Ele estava parado no meio da sala com o olhar perdido. Nela. Ele estava concentrado em observa-la, um arrepio percorreu o corpo de Beckett. O que ele estava fazendo ou pensando? De repente, ela imaginou o que poderia estar se passando naquela mente. Oh, não! Precisava fazer algo. 

- Castle, que tal um café? Ou talvez chá gelado com bastante gelo. Você aceita, Claire? 

- Chá está ótimo. 

- Castle, pode servir o chá para nós? Três copos. Castle? – ele ainda viajava, ela gritou – Castle! 

- O que foi? 

- Precisamos de chá gelado para Claire. Três copos e coloque mais gelo no seu. Certamente está precisando...

- Sim, gelo extra...muitas pedras de gelo... – ele saiu murmurando alguma coisa. Beckett o observava com o canto do olho. Tinha certeza que ele iria demorar mais tempo que o necessário com a porta da geladeira aberta. A situação, embora completamente estranha, a fez sorrir. Ela sabia que Castle fantasiava com ela especialmente para escrever as cenas de Nikki Heat, porém essa era a primeira vez que presenciava sua reação, seu transe. De certa forma se sentiu orgulhosa por causar essas sensações nele. Voltou sua atenção a Claire. 

- Você pretende continuar no mesmo apartamento? 

- Ah, sim. Mas no próximo mês terei que começar a procurar por uma nova colega de quarto. Não darei conta de pagar aquele aluguel sozinha. Detetive, quanto tempo para que vocês saibam realmente se poderão ficar com Dylan? 

- Bem, o período de avaliação é de três semanas. Imagino que o serviço social nos dê um parecer no máximo dois ou três dias depois porque dependendo do resultado existem protocolos a seguir e ações a tomar caso não formos aprovados, terão que procurar outro casal para ficar com Dylan e... – Castle coloca a bandeja com os chás gelados na mesinha de centro, oferece um para Claire. 

- Isso não irá acontecer. Vai dar tudo certo – disse virando o copo com chá gelado de uma vez. Precisava esquecer a imagem de Beckett em sua malha de ginástica suada e também a que via nesse instante, com os cabelos molhados. Suspirou. 

- Também acredito nisso, Sr. Castle. Vocês são perfeitos para serem os pais de Dylan – a criança que até aquele momento estava quieta no colo de Claire, decidiu se manifestar. Com as mãozinhas na direção de Kate, ele começou a recitar seu rol de silabas. 

- Mamamama... – jogou-se para o colo dela. Quando Beckett inclinou-se para pega-lo, o movimento fez os cabelos deslizarem sobre seu ombro vindo para frente. Castle pode sentir o aroma de cerejas. Prendeu a respiração. 

- Ah, que lindo! Ele já a reconhece como mamãe – foi a vez de Beckett suspirar. Ela não iria perder tempo explicando novamente que aquilo era um mero reflexo fonético. Pelo menos, ela continuava se enganando por puro medo de admitir o que estava bem diante de seus olhos. 

- Quando foi a última vez que Dylan comeu, Castle? São três da tarde, talvez ele queira um potinho ou leite. 

- E-eu vou ver o que temos – sim, ele estava desesperado para sair de perto dela antes que fizesse uma besteira. Nesse momento, Martha desce as escadas. 

- Oh, Katherine, você já está de volta. Estava pensando se você não queria ir comigo e Dylan dar uma volta, tomar um café. Quero lhe mostrar a minha escola, afinal foi você quem me deu a ideia e nada mais justo que...ah, temos visita! 

- Martha, essa é Claire, a amiga de Anna. Claire, Martha Rodgers, a mãe de Castle. 

- Muito prazer. Na verdade, eu já estou de saída. Preciso lavar roupa e organizar algumas coisas pois volto a trabalhar amanhã. Apenas queria matar a saudade dessa fofura. Estou muito feliz de vê-lo assim, bem cuidado, amado. Minha amiga teve seu desejo realizado. 

- Não ainda, Claire. 

- Ah, bobagem. É claro que receberemos a guarda de Dylan. Como não poderíamos com uma mãozona dessas? Não acha, Claire? 

- Com certeza. Você é perfeita, detetive – Kate enrubesceu, tentando evitar um momento de constrangimento, ela voltou sua atenção para Castle. 

- Hey, Castle! É para hoje com esse potinho? 

- Nós estamos sem potinho e as frutas estão feias. Vou ter que ir ao mercado.

- Vou aproveitar e sair com o senhor. Foi um prazer revê-la detetive – Claire segurou a mão de Dylan, mordiscou o pezinho e brincou com ele – Dylan babe... tia Claire te ama e está muito feliz por você, está sim! 

- Claire, posso te perguntar uma coisa? Por que Anna escolheu Dylan? 

- Para o nome do bebê? O que você acha? Ela era fã de Bob Dylan. Sua música preferida era “Blowin’ in the wind”. Ela gostava de músicas antigas, da batida folk dele. 

- Oh, interessante - Castle já estava na porta esperando. Claire deu mais um tchauzinho para o bebê no colo de Kate. 

- Não demore, Castle e aproveite para comprar mais leite e fraldas. Estamos quase sem. 

Quando a porta se fechou, Martha voltou a conversar com Beckett. 

- O que Richard tem? 

- Que eu saiba nada. Por que? 

- Conheço meu filho. Algo estava lhe perturbando... então, podemos sair juntas? 

- Eu adoraria, Martha, mas primeiro preciso alimentar essa coisinha fofa – Beckett caminhava em direção a cozinha, Dylan começou a reclamar – está vendo? Eu disse para Castle que ele estava com fome – analisando os armários, ela encontrou um potinho de frutas. Interessante. O choro de Dylan se tornava maior. Ela verificou a validade e estava tudo em ordem. Por que Castle dissera que não tinha? – achei um potinho. Será que devo dar a ele? Banana e maçã – o menino estava agoniado. 

- Katherine, esse choro não me parece ser fome. É outra coisa. 

Beckett sentou-se no sofá outra vez. Dylan continuava chorando, ele parecia estar com dor. Ela analisou a fralda, estava seca. A temperatura dele estava normal. 

- Não é a fralda. Não parece estar com febre – ela ergueu a blusa dele e reparou no estômago do bebê – Martha, você não acha que a barriguinha dele está maior, inchada? – com medo de causar mais dor ao menino, ela apertou a pele devagar. Ele balançou as perninhas em reflexo – será que está com dor? 

- Pode ser cólica – Martha sentou-se ao seu lado, examinou o estômago do bebê. Como alguém experiente, ela apertou a barriga, colocou uma das mãos no local e usou o indicador para sentir – não é gases. Talvez seja prisão de ventre. 

- Agora que mencionou, eu não me recordo dele ter feito o número dois desde segunda. Quer dizer, eu troquei todas as fraldas e a menos que Castle tenha trocado alguma na madrugada... ele não comeu nada diferente. Ontem dei banana para ele, mas hoje foi mamão. Não deveria estar influenciando, está acostumado a comer essas frutas.  

- Ele definitivamente está com dor. Tem certeza que não aconteceu nada diferente? 

- O leite... a pediatra trocou o leite e nós estamos dando desde segunda. Será que é isso? 

- Tudo indica que sim, as vezes os bebês precisam de um tempo para se acostumarem com a mudança. Podem ter prisão de ventre, diarreia. Vamos fazer assim, você continua tentando acalma-lo que eu vou fazer um chá. Vai acalmar a dor. 

- Tudo bem, vou para o quarto dele – Beckett seguiu balançando o bebê em seu colo tentando fazê-lo parar de reclamar. Sentou-se na poltrona e começou a embala-lo. Murmurava uma canção de ninar, porém não parecia funcionar. Ela levantou-se e pegou o Mr.Frog, entregou para o menino que o abraçou e colocou o dedo na boca. Então, Beckett cantou “joy to the world” para acalma-lo. Martha a encontrou acalentando e cantando para o menino. Fazia carinho no rosto dele. sorriu ao ver a cena. 

- Aqui, Katherine. Veja se ele toma um pouco – cuidadosamente, Beckett tirou o polegar da boquinha dele e ofereceu a mamadeira. Ele chorou na mesma hora, ela insistiu. Dylan pegou a mamadeira e sugou. Ao sentir que não era algo que estava acostumado, ele rejeitou. Beckett tentou outra vez, ele tomou mais um pouco e largou a mamadeira voltando a chorar. 

- Ele não tomou nem um dedo da mamadeira. 

- Tudo indica que não agradou, não é o que ele quer ou a dor está incomodando muito. 

- Oh, Deus! A barriguinha dele parece estar ainda maior. Oh, baby boy... como faço para parar essa dor? Oh, meu amor... – ela acalentava o menino enxugando as lágrimas dele, brincou um pouco com o Mr. Frog e viu-o colocar o dedo novamente na boca – e-eu não sei o que fazer, Martha... – o olhar de preocupação no rosto da moça fez Martha sorrir. Tocando em seu ombro, falou. 

- Eu sei, querida. As vezes temos que esperar. É terrível ver um bebê com dor e não saber o que fazer. 

- Deve ter alguma coisa naqueles livros! – havia um pouco de desespero em sua voz. 

- Livros são teóricos, não ajudam muito nessas horas. Experimente massagear a barriguinha dele. Devagar, em círculos. Talvez estimule-o a evacuar. Certamente é a reação a troca do leite. Richard e Alexis tiveram isso – ela decidiu fazer o que Martha aconselhou. Com carinho, ela deslizava a mão fazendo círculos na barriga do bebê. Voltou a murmurar uma canção. Um dos clássicos de Sinatra. Ficou uns cinco minutos repetindo os movimentos. Aos poucos, Dylan parecia se acalmar. Pelo menos isso. Queria que a dor fosse embora de vez. Os olhos azuis estavam fixos nela,cheios de lágrimas. Os dela também, Kate sequer percebeu que chorara junto com o bebê. Como ela amava a cor deles, intensos, vibrantes – sabe, se realmente trata-se de adaptação ao leite, quanto mais ele tomar, melhor – comentou Martha. 

- Você acha que ele aceitaria a mamadeira? Não quis antes. 

- Era chá. Se for o leite, pode dar certo. 

- Não custa tentar – disse Beckett – você fica com ele enquanto eu preparo? 

- Claro, querida – ela entregou o bebê para Martha. Como estava agarrado ao Mr.Frog, não reclamou. Seguiu para a cozinha, Martha foi atrás. 

- E onde Castle se meteu? Já faz quase uma hora que saiu – concentrou-se em preparar o leite para ajudar o bebê. Nem queria pensar na ideia dele piorar e precisassem ir ao hospital. Isso era algo que ela não considerava acontecer quando decidiu viver essa aventura com Castle. Era para ele estar aqui, pensou. Com a mamadeira pronta, ela tornou a pegar o bebê do colo de Martha levando-o para o quarto. 

- Hey, Dylan, meu baby boy…você quer um leitinho, meu amor? Vamos tomar tudinho? – ela sorria para o menino. Dessa vez ao tirar o polegar dos lábios dele, não houve reclamação. Ela ofereceu o bico entre os lábios vermelhos do menino que aceitou. Ao perceber que era leite, passou a sugar com mais vontade. Colocou uma das mãozinhas sobre a de Kate. Ela sorria e continuava falando – isso! Muito bem, meu bebê. Tome tudinho. Prometo que a dor vai passar logo, baby boy... prometo – ela se balançava na poltrona. Martha sorria vendo a cena. Kate estava apegada ao menino, uma verdadeira mãe. Talvez nem tenha percebido que chamou-o de seu bebê. Se nada acontecesse entre seu filho e ela nas próximas semanas, essa moça ia sentir muita falta desse menino. Torcia para que Richard tomasse uma atitude. 

Dylan tomou todo o leite deixando Beckett aliviada. Após coloca-lo para arrotar, ela tornou a massagear a região do estômago. 

- Isso, continue estimulando-o. Vamos torcer para que agora com o leite ele consiga colocar para fora o conteúdo do estômago. já está muito cheio se você diz que ele está desde segunda sem evacuar. Em último caso, se ele não melhorar teremos que leva-lo ao hospital para fazer uma lavagem ou dar um remédio que o ajude. 

- Não, isso seria terrível. Dylan no hospital. Não mesmo. Onde está o Castle? Martha pode pegar meu celular? Ele está na sala – quando a mãe de Castle se afastou, Dylan começou a ficar vermelho, estava fazendo força. Kate nunca o vira assim – o que foi, bebê? Martha! – ela gritou – Martha! Ele está ficando vermelho! Meu Deus... – ao ver o que acontecia, ela sorriu. 

- Ele está tentando fazer coco, Katherine. Por isso está vermelho. Continue massageando o estômago, vai ajuda-lo – obedecendo a orientação da mãe de Castle, ela pensou como teria lidado com isso se estivesse sozinha. Não sabia. De repente, ela sentiu algo quente em sua coxa. 

- Acho que está conseguindo – checou a fralda – sim, está. Graças a Deus. Pegou o meu celular? 

- Aqui está, querida – Kate respirou fundo para se acalmar, não queria fazer uma cena ao falar com Castle. 


XXXXXXX


Castle caminhava pelos corredores do supermercado com uma cesta vazia. Na verdade, ele acabara de chegar ao local. Quando deixou o loft, ele precisava ficar longe dela para se acalmar. Pegou o metro tentando afastar os pensamentos impuros da mente. Parou na estação próxima ao mercado, porém entrou em um pub ali perto para tomar uma dose de whisky. Estava necessitado. Era embaraçosa a sua situação. Acabou percebendo que seria melhor algo gelado. Trocou para uma caneca de cerveja. 

Quase dez dias vivendo uma montanha-russa de sensações com a presença de Beckett no seu loft. Perambulando pela casa de shortinho, camisetas, cabelos molhados. Depois daquele sábado com o filme, ele não conseguia mais parar de pensar em ficar com ela. Queria tanto abraça-la, beija-la. Torcia para a visita da agente acontecer logo. Para piorar, ele tinha que escrever cenas entre Rook e Nikki, o que contribuía para sua imaginação provocar estragos em seu corpo. 

Andando pelos corredores do mercado em busca dos produtos de bebê, ele repetia para si mesmo que deveria focar em Dylan. Ele era sua prioridade. Isso, dizia. 

- Castle, o que você precisa comprar para Dylan? Potinho. Frutas. Leite, precisava de latas de leite. O que mais Dylan precisa... – parecia estar funcionando. Estava mais calmo. O celular tocou. Beckett – oi, Beckett. 

- Castle, onde você está? Dylan estava com dor, eu não sabia o que fazer. Sua mãe desconfiou de prisão de ventre. O leite e... estômago inchado e ...ah, que droga! Por que está demorando tanto? 

- Calma. Responda, ele está bem? – a voz soava preocupação - Kate? 

- Sim, a-acho que sim. Ele conseguiu fazer coco. Parou de chorar. A fralda está muito pesada, Castle. Eu não sei se ele está bem e se tiver algo no ... você sabe... eu não entendo disso. Você precisa vir para casa e troca-lo. 

- Eu ainda não terminei aqui, Beckett. 

- Como não? Faz mais de uma hora que você saiu! 

- O mercado está cheio e perdi o metrô. Tive que esperar. Basta troca-lo. Não é nada demais, você já é expert nisso. Mostre as fezes para a minha mãe. Ela vai saber identificar se é reação ao leite. Desde que não haja sangue, estará tudo bem. 

- Sangue? Como assim sangue? – o desespero na voz dela era genuíno – uma hemorragia? Isso pode acontecer? 

- Talvez, se não foi só prisão de ventre por causa do leite... 

- Não posso fazer isso, não posso... Castle, eu preciso de você... – a forma como ela dissera aquilo o fez sorrir, ela estava nervosa. 

- Você pode e vai fazer. Não acontecerá nada, Kate. Troque a fralda. Quando eu chegar, vejo se precisamos fazer algo mais. Respire, é só uma troca de fralda. Vamos, detetive, você já enfrentou coisas piores. 

- Eu te odeio! – desligou o telefone na cara dele – ele mandou eu troca-lo e... – ela parou de falar, arregalou os olhos. O liquido escorreu em sua calça – ele está... 

- Diarreia. É do leite. Você não terá apenas uma fralda para trocar. Ele precisa de um banho. 

- Oh, Deus! 

- Sugiro você tirar a fralda no banheiro de Richard e já coloca-lo na banheira para lavar o bumbum. 

Todos os piores pesadelos de Beckett não se comparavam a esse momento. Dar banho em um bebê. Ela nunca fizera isso antes. Como conseguiria? Sabia que não podia deixa-lo sujo porque podia causar irritação na pele e no bumbum dele. E se ela o deixasse cair? Ela levantou da poltrona. Seguiu para o quarto de Castle. A cabeça a mil. 

- Parece que vou ter que fazer isso sozinha. Somente eu e você, baby boy. Confia em mim? Eu preciso fazer isso, mas é minha primeira vez. Não quero machucar você - ela pegou o protetor, colocou sobre a pia do banheiro. Deitou Dylan sobre ele - quanto será que você está sujo - tinha medo de abrir a fralda, olhou para sua calça. Havia uma mancha marrom na altura da coxa - ainda está com dor, Dylan. Oh, droga! Devo estar enlouquecendo. Ele é um bebê não vai me responder. O que você está pensando, Kate? - ela passou a mão nos cabelos, respirou fundo - você consegue. Ok, baby boy. Lá vamos nós.  

Beckett abriu a fralda. Ficou impressionada com a quantidade e Martha tinha razão, estava mole. Não era possível. Como um bebê podia fazer todo esse estrago? 

- Meu Deus! O que eles colocam nesse leite? - levou a mão a boca para controlar a súbita ânsia de vomito. Respirou fundo. Ela pegou um lencinho para limpar o excesso. Esquecera de ligar o chuveiro para encher a banheira dele. Isso ia demorar mais do que previra. Tirou a fralda do caminho e jogou no cesto, Dane-se! Pensou. Era uma diarreia por causa do leite. Certificando-se de que limpara o bumbum de Dylan o suficiente para carrega-lo em seu colo, Kate o ergueu do protetor. 

- Vamos ligar a agua, baby boy? Está na hora de tomar um banho - vendo o sorriso aparecer no rosto dele, ela respirou aliviada, ele estava bem. Ligou o chuveiro na agua quente para encher a pequena banheira de Dylan. Enquanto esperava, ela pensava em como daria aquele banho. Teria que entrar na banheira de Castle para segura-lo na do bebê. Com Dylan preso em um de seus braços, ela entrou na banheira. Estava tão preocupada em não derrubar o bebê que se esqueceu que o chuveiro estava ligado. O contato da agua quente a fez gritar e declamar vários palavrões. Estava encharcada. Cabelos, blusa, calça... rapidamente alcançou a torneira e fechou-a. 

- É, Dylan... parece que você não é o único a tomar banho. Vamos ver se eu consigo completar a tarefa. 

Aos poucos e com extremo cuidado, ela conseguiu dar banho no bebê, lavou a cabeça, passou sabonete, limpou o bumbum e ainda deixou-o brincar com os bichinhos. Ouvir os gritinhos de alegria do menino proporcionou um alivio imenso ao coração de Kate.

Ela usou o mesmo cuidado para tira-lo da agua. Envolveu na toalha e caminhou para o quarto de Castle para vesti-lo. 

Foi ali que ele a encontrou. 

- Beckett, eu cheguei... posso fazer isso – mas ela não deu ouvidos a ele. Iria terminar o que começou. 

Dylan estava sequinho, cheiroso e vestido impecavelmente. Um contraste diante de Beckett que tinha os cabelos bagunçados e grudados no rosto e nos ombros, a blusa toda molhada colada ao corpo e a calça com uma mancha que ele imaginara ser efeito do leite. Beckett colocou o menino no berço e olhou-o com raiva. Ao ficar de frente para ele, Castle podia ver as curvas dela, o contorno dos seios perfeitos, os mamilos despontando sobre o tecido mesmo que ainda estivesse com o sutiã. Ele deixou escapar um gemido. Kate notou que ele estava evitando encara-la, estava perdido em algum lugar na altura de sua blusa, porém a raiva era bem maior. De repente, todo o medo, a insegurança e a frustração que experimentara na última hora com Dylan se transformara em raiva. Então, ela explodiu.

- Onde você estava? Por que demorou tanto?

- Eu fui fazer compras, Beckett. Hey, você deu banho no Dylan! 

- Fazer compras? Era apenas para buscar leite, frutas e fraldas não para ficar zanzando nos corredores! – ela avançou na orelha dele - Você me deixou sozinha, ele estava com dor, ele é sua responsabilidade! 

- Ai, ai... Beckett... – ela soltou a orelha dele. 

- E-eu não sei fazer isso... eu vou, eu... ele estava sofrendo, Castle! - ela começou a esmurrar o peito dele, as lágrimas enchiam os olhos - Deus! Você tinha que estar aqui, eu não sou... – Beckett não conseguia completar a frase, algo dentro de si não a deixava afirmar que não era a mãe dele - eu não consigo... 

Castle segurou seus pulsos impedindo que ela batesse mais nele. Após domina-la, ele a puxou contra seu peito e a abraçou. 

- Está tudo bem, você conseguiu - beijou o topo da cabeça dela prendendo-a em seus braços - você deu banho, cuidou dele e aliviou a dor. Olhe para ele, Beckett. Está sereno, sorrindo. Tudo por sua causa – ainda haviam lágrimas. Beckett o abraçou de volta enterrou o rosto no peito dele. ela precisava daquele contato, precisava se sentir segura. Respirava fundo. Castle se afastou. Segurou o rosto dela com as duas mãos, passou seus polegares nas bochechas limpando as marcas deixadas pelo choro. Beijou-lhe a testa – você cuidou dele, foi exemplar. Já passou. 

- Eu tive tanto medo, eu... e se a agente estivesse aqui? Se ele chorasse mais ou se tivesse que leva-lo para o hospital? Você não estava aqui, eu precisei de você... não posso fazer isso sozinha. 

- Adivinha? Acabou de fazer – ele suspirou – você está certa. Ele é minha responsabilidade. Foi errado não estar aqui. Desculpe, Beckett. Eu realmente sinto muito. Não queria que tivesse que passar por uma situação difícil com o bebê. Vou cuidar dele – as palavras dele tiveram um outro efeito nela. Não queria que ele a excluísse. 

- Você não podia imaginar que ia acontecer algo assim. Eu quero ajuda-lo. Eu apenas me apavorei. Tive medo de derruba-lo, machuca-lo... 

- Mas nada disso aconteceu. Sabe por que? Você se importa, gosta dele, zela por Dylan. Nunca o machucaria – porque o ama, Castle pensou – agora vá se cuidar. Tomar um banho, trocar de roupa. Você relaxa um pouco, come algo que irei preparar e deixe que hoje eu tomo conta dele. Se sentir dor outra vez, será minha responsabilidade. 

- Tudo bem – ela deu mais uma olhada para o berço. Dylan balançava os pezinhos e mordiscava um dos bichinhos de plástico. Inclinou-se na lateral e fez um carinho na cabeça dele. Sorriu. Encaminhou-se para fora do quarto. Já na porta, virou-se para Castle. Ele a olhava com um sorriso nos lábios. Passou a mão nos cabelos e suspirou indo em direção as escadas. 

No seu quarto, não acreditou na imagem que vira no espelho. Ela estava um desastre ambulante. Vendo seu reflexo, entendeu porque Castle não tirava os olhos de sua blusa. O tecido branco grudara completamente no corpo e seus mamilos estavam realçados pela camiseta molhada. Ela sentou-se no vaso trazendo os joelhos contra o peito. Apoiou o queixo neles. 

Aquele foi o primeiro momento tenso que vivenciara com Dylan. Não esperava por isso. Um medo a tomou, fez seu coração doer. Não queria vê-lo sofrer. Ela não era a mãe verdadeira de Dylan, mas naquele momento em que ele chorava, queria transferir a dor que o bebê sentia para si. Não tinha ideia de quanto vê-lo sofrer mexeria com ela até aquela tarde. 

E ainda tinha Castle. Tinha vontade de esgana-lo. Porém, no instante que ele a abraçou, a confortou com gestos e palavras, não queria mais sair de seus braços. Sentiu o corpo arrepiar. Novamente o comportamento adolescente. Não tinha condições de pensar nisso agora. Estava exausta devido a todo o nervosismo daquela tarde. Tirou a roupa e entrou no banheiro. Ficaria de molho ali até que seu corpo rejeitasse a agua. 

Duas horas depois, Beckett aparece com os cabelos secos, uma calça de moletom e uma camisa de pijama de botão e manga comprida. Encontrou Castle na cozinha. Percebeu que Dylan estava no colo de Alexis. 

- Beckett, o jantar está quase pronto. Comeremos risoto. Mamãe estava perguntando por você. Ela está no quarto de Dylan. 

- Vou falar com ela – Beckett encontrou Martha arrumando a cômoda. Notou que o quarto cheirava a limão e perfume de bebê. 

- Oi, Katherine. Estava limpando o quartinho de Dylan. Deixando tudo higienizado, é importante para o bebê. 

- Ah, Martha! Devia ter me falado. Não é sua obrigação. 

- Como não? Sou vó, além disso você estava ocupada cuidando dele. Muito bem, devo acrescentar – ela pegou a mão de Beckett – como você está, querida? Sei que ficou assustada com o que aconteceu mais cedo. É natural para uma mamãe de primeira viagem. Você foi maravilhosa. 

- Eu não sabia o que estava fazendo... 

- Não diga isso, Katherine. Eu posso ter orientado-a em algum momento, mas foi você quem o acalmou, o limpou, acalentou e deu banho. Quando Richard chegou não havia mais nada para resolver porque você cuidou da situação com maestria. Como uma verdadeira mãe que se arrisca em terreno desconhecido porque quer livrar seu bebê da dor – ela sorriu. 

- E-eu não sei como consegui... de verdade. 

- Eu sei, você seguiu seu coração e seu instinto de proteção. Brava! – Martha a abraçou e deu-lhe um beijo na bochecha. 

- Beckett! Mãe! O jantar está pronto! 

- Pelo menos depois de todo o trabalho que tivemos hoje não precisamos nos preocupar em cozinhar. É bom Richard se redimir – elas riram e foram para a cozinha. 

Após o jantar, Castle pediu para Alexis cuidar das louças. Serviu mais uma taça de vinho para Beckett e ordenou que ela ficasse à vontade. Ele ia fazer a mamadeira de Dylan e coloca-lo para dormir. 

- Castle, tem certeza que devemos continuar dando esse leite. Quer dizer, olha o que aconteceu desde que ele começou a toma-lo. 

- Tem razão, vou ligar para a pediatra. Explicar a reação dele. 

- É melhor – Castle pegou o celular e começou uma conversa com a médica assim que ela atendeu. Explicou tudo o que acontecera desde segunda-feira, das reações, a dor. O resultado das fezes. Ficou quase meia hora na ligação.  Ao desligar, Beckett o olhava ansiosa com as mãos na cintura – então? 

- A doutora disse que a reação é normal. Esse leite é mais forte que o anterior. Mandou que continuássemos usando, porém que reduzíssemos a medida. Fazer mais fraco. Uma colher a menos. Disse que deve funcionar. Quando as fezes estabilizarem, podemos ir aumentando a dosagem. 

- Você vai fazer isso agora com a próxima mamadeira? 

- Vou. Já disse para relaxar, Beckett. Sente-se no sofá, tome seu vinho, assista um filme. Eu cuido disso – um pouco contrariada, ela fez o que ele sugeriu. Dylan estava no bebê conforto enquanto Castle preparava o leite. Ela fingiu não estar tomando conta dos movimentos dele. Dez minutos depois, ele desaparece com o menino. Beckett tenta se concentrar na televisão. Pelos próximos cinco minutos, ela consegue. E foi só. Levantou-se do sofá para espiar o que Castle fazia. Viu a mamadeira vazia sobre a cômoda. Castle tinha Dylan de bruços em seu colo. Ouviu um pequeno arroto e a voz dele. 

- Muito bem, garotão. Agora, que tal uma historia antes de dormir? – o menino estava atento a Castle – não, nada de lua, estrelas. Quero contar uma história diferente. Sobre sua “mamama” ou melhor a personagem que ela me inspirou criar. Você sabia que ela é a minha musa? Nunca vou esquecer aquela noite em que ela apareceu no lançamento de Storm Fall esfregando aquele distintivo na minha cara. Nossa primeira vez na sala de interrogatório foi incrível. Eu a provoquei, disse que tinha olhos lindos. O que é a mais pura verdade. Os olhos de Beckett são uma mistura. Adoro o tom amendoado que eles ficam a maioria do tempo, porém em ambientes mais claros principalmente com o efeito da claridade, do sol, tornam-se verdes. Belos como ela. Mas não foi apenas a beleza que me atraiu em Beckett. Foi o jeito como ela faz seu trabalho, como se importa. Ela se doa pelas vitimas. Fez isso pela sua mãe, garotão. Infelizmente, nem todos são como ela. O detetive que cuidou do caso da mãe dela não teve a mesma preocupação. Johanna era mais uma – o menino respondeu. 

- Mamamama...

- É, essa parte é triste. Vamos falar da parte divertida. Ela é viciada em café. E muito competitiva, medita a certinha. Como eu adoro seu jeito de andar, seu revirar de olhos, seu jeito de me fuzilar com o olhar se passo dos limites... espero que você conheça tudo o que estou lhe contando a respeito dela – a medida que Castle falava, o coração de Beckett disparava no peito. As pernas estavam bambas. Ela fazia o possível para se controlar, não queria dar mancada para que ele descobrisse que estava ali e ouvira tudo. Por outro lado, sua vontade era correr até onde ele estava e beija-lo, abraça-lo e, por Deus, se perder com ele. 

Sorrateiramente, ela afastou-se da porta voltando para a sala. O corpo tremia, desejo pulsava em suas veias. Sentou-se no sofá, porém a expressão no seu rosto não passou despercebida para Martha. Ela se aproximou. 

- Katherine? Está tudo bem? Você está vermelha – Martha tocou sua testa – está quente. 

- Está tudo bem. Só um pouco de dor de cabeça e... cansaço. Puro cansaço, o dia foi muito tenso. 

- Eu sei, querida. Devia ir se deitar, repousar. 

- Eu acho que vou mesmo – o celular de Beckett começa a tocar. Ela o pegou na mesa de centro. Maddie. 

- Hey, Becks! Tudo bem? 

- Oi, Maddie... está..

- Nossa! Que cumprimento mais chinfrim. Está tudo bem mesmo? 

- Está, eu só estou cansada. Já estava indo me deitar. Dylan deu trabalho hoje. 

- Ah, esse é precisamente o motivo da minha ligação. Quero convidar você, Castle e Dylan para virem almoçar amanhã comigo. Fiz a entrevista e quero compartilhar meus pensamentos com vocês. Uma da tarde está bom? 

- Acho que sim. Estaremos aí. 

- Ótimo! Estou com saudades de você e do seu filhote... Dylan é um encanto. 

- Maddie... – disse Beckett repreendendo a amiga. 

- O que foi? Ele é mesmo uma gracinha. Puxou ao pai – Kate revirou os olhos, ótimo! Tudo o que ela precisava para encerrar a noite. Mais provocações de Maddie. 

- Até amanhã, Maddie. 

- Au revoir! – vendo-a desligar, Martha voltou a insistir. 

- Será que agora pode se deitar, querida? Não quero que adoeça. 

- Eu já vou. Só quero dar boa noite ao Dylan – Beckett se levantou sentindo a firmeza dos pés. Respirou fundo e caminhou até a porta do quarto do bebê. Castle o embalava nos braços. Murmurava alguma canção. Ela bateu na madeira de leve, ele virou o rosto para fita-la. Sorriu – posso entrar? Só quero dar um beijo de boa noite. 

- Claro – ele sussurrou – acabou de dormir – Beckett se aproximou. Acariciou um dos pés do menino, levou-o até o nariz e cheirou-o para depois beija-lo. Mudando de posição passando na frente de Castle, ela inclinou-se para beijar a cabecinha de Dylan. Não resistiu e cheirou-o novamente. O delicioso aroma de bebê. 

- Boa noite, baby boy. Que os anjos te protejam. Bons sonhos, meu bebê – ela olhou para Castle, sorriu. Afastando-se dele, o viu levantar-se e aconchegar Dylan no bercinho. Kate o cobriu com a manta. Estavam lado a lado. Então, ela virou-se para fita-lo. Inclinou-se e beijou-lhe o rosto bem próximo aos lábios – boa noite, Castle – deixou o quarto sem explicações e um Castle atordoado diante da atitude dela. 

Em sua cama, ela recordava as palavras ouvidas. As sensações sentidas. O abraço recebido. Novamente se portava como uma adolescente apaixonada, um turbilhão de hormônios. Não conseguia evitar. Especialmente após ouvir sobre a admiração dele quanto a ela. Borboletas no estômago. Território perigoso. Coração acelerado e Beckett ainda tentava entender porque o beijara há pouco.  

Castle saiu do quarto de Dylan um pouco perdido. Fora um dia de emoções intensas do início ao fim. Ele gostara especialmente do fim. Dirigiu-se a geladeira, serviu-se de uma taça de vinho. Viu sua mãe sentada no sofá. Se juntou a ela. 

- Alexis já foi se deitar? 

- Sim, Katherine também, mas você sabe. Richard, foi um dia difícil para ela hoje. Essa moça se viu na dúvida em assumir ou não o papel de mãe dessa criança. Estava apavorada. Eu sei que acabou cedendo ao coração, mas isso me faz lembrar o que lhe disse no começo dessa historia. Usar esse bebê para conquista-la pode ser muito perigoso. 

- Mãe, não estou usando Dylan. Eu reconheço que forçar Beckett a fazer o papel de mãe acabou por deixa-la confusa. Hoje reconheço que pisei na bola, mas o que você queria que eu fizesse? Decidi sair porque estava sendo tentado. Não é fácil se deparar com uma bela mulher usando malha de ginastica toda suada, linda a sua frente e depois com uma roupa colada e os cabelos molhados... eu tinha que sair daqui. Não queria constrange-la, o que ia acabar acontecendo. Como poderia adivinhar que Dylan ia ter dores justamente na minha ausência? 

- Foi por isso que você saiu? As compras foram um pretexto? 

- Precisava fazer compras, mas foi uma desculpa sim. 

- Richard, onde essa história vai parar? 

- Eu queria ter a resposta. Kate está se apegando, ela ama o bebê e morre de medo de admitir. Eu não desisti de conquista-la, porém eu falhei hoje. Ela quase desistiu. Eu sou fascinado por essa mulher, mãe. 

- Eu sei, kiddo. E algo me diz que a reciproca é verdadeira. Chega de álcool e aventuras por hoje. Vá deitar. 

- Vou mesmo. Nem que quisesse escrever, não conseguiria. Boa noite, mãe – beijou-lhe a testa e seguiu para seu quarto. 

Na manhã seguinte, Beckett acordou e foi direto ver Dylan. Mesmo que ele não tivesse chorado, ela levantou-se preocupada em saber se ainda estava sentindo dor. Seis da manhã, provavelmente estava com fome. Preparou uma mamadeira, entrou no quarto e viu o bebê se divertindo com os brinquedos no berço. 

- Bom dia, meu amor – ela sorria e acariciava o estômago dele. ergueu a blusa e percebeu que não estava inchado. Checou a fralda. Apenas xixi. Tirou-o do berço, fez a troca e sentou-se na poltrona para dar o leite – quem quer papar? – as mãozinhas já se manifestavam. Dylan sugou a mamadeira de primeira sem hesitar. Ela balançava a poltrona, sorrindo enquanto observava-o comer. Castle apareceu nesse instante. 

- Hey... ele já está mamando? 

- Está – ele se aproximou para ver o bebê, Beckett puxou a camisa do pijama dele fazendo-o se abaixar próximo a ela, beijou-lhe o rosto – bom dia, Castle – ele ergueu a sobrancelha, mas sorriu. Dylan terminou o leite e Beckett o entregou a Castle mencionando algo sobre café que ele não entendeu. Quando chegou na cozinha, viu que ela preparara torradas francesas, separara o cereal e comia um iogurte. 

- Só falta o café – sorriu apontando a cafeteira, um sinal de que era sua obrigação. Castle programou a máquina e sentou-se de frente para ela no balcão da cozinha. Beckett levantou-se e colocou o carrinho ao lado dela. Tirou Dylan do colo dele e o prendeu no carrinho. Castle entregou a caneca de café servindo outra para si. 

- Sente-se, Castle ou as torradas vão esfriar – ela entregou o Mr. Frog para o menino que o agarrou e levou o polegar a boca. Ficaria quieto por um tempo – Maddie, ligou ontem nos convidando para almoçar no Q3 hoje. Ela já fez a entrevista – ele largou a torrada que mordiscava. 

- Como foi? O que ela disse? 

- E você acha que ela ia me contar ao telefone? Esse é o motivo do almoço. Teremos que esperar. Uma da tarde.  Está muito cedo para acordarmos. Acredito que ele vai cochilar outra vez. Veja, está sereno – ela comeu o ultimo pedaço de sua torrada, bebeu o resto do café. Reparou que Castle parara de comer. Estava pensando no resultado da entrevista – hey... Castle... – ela deixou a caneca sobre o balcão. Acariciou seus ombros e disse com uma voz doce – pare de pensar, coma seu café – a mão de Kate deslizou pelas costas dele até que não a sentisse mais. Viu-a tirando Dylan do carrinho levando-o de volta ao quarto. Suspirou. 

Cinco minutos depois, ela reaparecia na sala. 

- Ele dormiu. Acho que vou me deitar um pouco mais também. Até mais tarde, Castle – subiu as escadas. Ela ainda estava muito mexida com o que ouvira ontem à noite. Isso justificara o gesto de beija-lo. Sorrindo, Beckett relembrou seu primeiro encontro com Castle. A conversa na sala de interrogatório. Adormeceu pensando nisso. 

Uma hora depois, um chorinho a acorda. Ela checa o relógio. Oito e meia da manhã. ela desce as escadas e se depara com Castle já conversando com o menino. 

- Ele estava chorando. 

- Sim, quer companhia. E precisa de uma troca de fralda. 

- Deixa que eu faço isso. 

- Não, Beckett. Está tudo bem, vou cuidar dele – já colocava o menino no trocador, abriu a fralda - é o numero dois. 

- Está mole? 

- Um pouco. Melhor que ontem. Acho que durante o dia de hoje deve acontecer o que a doutora falou – terminou o que fazia, ergueu o bebê e entregou nas mãos dela – pode ficar com ele um instante? Preciso fazer uma ligação para Gina. 

- Você tinha algum compromisso com ela hoje?

- Não necessariamente. Quero discutir meu próximo prazo para a entrega de capítulos. 

- Você está atrasado.. por causa do bebê? 

- Não, estou tentando achar um pulo do gato na minha historia. Nada demais. Antes que pergunte, não é bloqueio. Devia escrever ontem à noite, mas não estava com cabeça. Tinha outros pensamentos diferente de cenas de crimes – ele sorriu. Os pensamentos era sobre ela, pensou Beckett. 

- Quer que eu cancele com Maddie? 

- De jeito nenhum. Não se preocupe, vou adiar a entrega dos capítulos para a próxima semana. 


Mais tarde, eles se arrumaram e saíram juntos no carro de Castle para o almoço no Q3. Beckett não comentara, mas também estava ansiosa para saber o que a amiga tinha a dizer. Além disso, torcia para que Maddie não notasse qualquer mudança. Ultimamente, tudo estava ficando muito evidente com esse comportamento ridículo de adolescente que a tomava de vez em quando. 


Continua...

7 comentários:

rita disse...

Leio todas as suas fics. Amo todas e as acho excelente, se não tenho feito comentários maiores é que desde de abril ando adoentada, as vezes durmo o dia todo devido aos remédios. Agora que estou melhorando. Fiz exames que nem sabia o que significava. Não tinha forças para ligar o PC, não tinha vontade de fazer nada.Mais li todas as suas fics as vezes metade num dia e a outro metade no outro dia.Estou adorando "Baby Boom". Querida continue você é uma das melhores.Abraços da amiga que muito te admira.

Vanessa Belarmino disse...

Sabe,estava pensando que Dylan estava muito calminho... Como assim nada de cólicas e etc? haha
Eu seria um Beckett em apuros... Me vi nela totalmente... Só passei um terço desse apuro, mas meu afilhado ja estava com dois anos e foi apenas diarreia... Porém a dindinha estava sozinha e sem uma Martha para ajudar. Mas a dindinha encarou o numero dois e banhos... E a parte fofa era que mesmo quando a vovó chegou, ele só deixava eu dar banho nele... Me puxava pela mão e dizia: "Vem dindinha" ♥♥
Kate se saiu super bem, eu fiquei orgulhosa... Nove dias e ela ja cresceu tanto... É lindo de ver cada passo, emocionante... Ela seguiu o coração e amo quando ela faz isso... Vovó Jo tem razão afinal...
Essas traves... OMG! Vc vai nos matar... Isso é incrível, sério... Cada parte dessa caminhada... Esse abraço, ela abraçou de volta (mano, ela deixou ele abraçar e confortar ela???? UAU! Ta, eu sei que ela não é tão broken aqui, mas é Beckett). Ela dizendo que precisa dele, que não pode fazer isso sozinha... Eu achei que tinha surtado ali, aí vem a historinha pra dormir e depois dois beijos no rosto (sim, eu contei)... Aiii ♥♥♥♥
Eu sei que Kate está travando varias batalhas internas... Eu entendo, respeito e admiro isso... Ela tem o tempo dela... Mas Beckett é muito forte, caraaaaa, eu ja teria me jogado... E não falo so pela tensão sexual, mas por tudo... É demais, para qualquer mortal...
Bom, para migo Castle tb não ta fácil... Acho que o chá com gelo não ajudou muito... Tadinho haha

Queria dizer que Martha é incrível, deu todo apoio a Kate na hora do apuro e ainda disse que ela foi mãe... Sem falar dos conselhos para o filho... ♥
E Maddie que aparece por 30 segundos e ja causa... ahahaah "Seu filhote" Adorooooo!
Próximo capitulo tem Maddie e a família mais linda do mundo... ♥♥♥

cleotavares disse...

Pobre Castle. É muita tentação. Uma "faisquinha" e esses dois pegam fogo.E Kate, está muito mãezona, está linda. OMG! E essa cólica, é horrível, já passei muito por isso.
Próximo capítulo " o ataque da Maddie" adooooooro!

Silma disse...

Que capítulo maravilhoso 😍 Minha menina Kate já é mamãe e nem percebeu isso 👌🏽 que orgulho gente ❤️
Que dor o Dylan doentinho 😪 fiquei com o coração apertado imaginando a cena da Kate toda aflita 😩 mas como todas mãezonas tirou de letra 😍😍😍
Karen quando você falou do filme eu fui atrás de procurar 😂😂 e vou te falar eu amei 😍👌🏽 não poderia ter sido outro.
Kate miga vamos se soltar e fazer acontecer pq nem eu e nem o Castle aguenta esperar 😂😩 EU QUEROOOOOOOOO VOCÊS SE BEIJANDO!!!!!!!E OUTRAS COISAS TAMBÉM 😏 Mas vamos por partes!!!!
E a situação do gelo?😂😂😂 só muito gelo mesmo 😂😂😂😂😂✋🏽
Eu fiquei igual o Castle 😂😂😂😂 torcem pra agente ir 😂😂😂😂 mais ela nem foi 😪
Esperando ansiosamente pelo próximo capítulo 👌🏽 vamos ter Maddie 😍

Gabriela Mendonça disse...

ACho que a Kate quer matar o Castle kkkk testar os limites kkkk a pessoa me aparece td suada com roupa de academia, depois me vem de cabelo molhado e td apertadinha (como diria minha mãe) kkk ai não tem Castle que aguente kkkkkk
"Três copos e coloque mais gelo no seu. Certamente está precisando..." provoca e ainda tira onda kkkkk
Ai eu imagino o desespero da Kate sem saber o pq o Dylan estava chorando. Só quem já ficou com uma criança sabe a agonia e o desespero que dá ao ver ele chorando e vc olha fralda, faz tudo direitinho e ele não para. Sorte dela foi a Dona Martha incrível e salvadora, e danada porque ela ficou só nas instruções kkkk deixou a Kate lá na prática kkk e sozinha ja que senhor Richard estava tentando esquecer as imagens da Kate provocante.
Owwn, foi muito fofo ela chamando Dylan de meu bebê, quero ver se agora ela vai ter coragem de dizer que o mamamama não é ele chamando ela de mãe.
Que belo jeito de aprender a dar banho kkk eu ri kkkk tadinha td agoniada... mas ela deu show...
Muito xonys o Castle contando ao Dylan coisas sobre a Kate... como não amar esse homem Brasil??
kkkkk se a Maddie já estava ligada nesse amor antes, imagina agora que a Kate não consegue disfarçar nem o apego com o Dylan e muito menos o quanto o Castle mexe com ela?! Já queroooo

Priscila Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila Barros disse...

Quantas emoções em um único capítulo!!! Confesso que fiquei com o coração na mão quando o pequeno começou a chorar de dor, tadinho! E ainda fiquei mais apreensiva com a Kate lidando com tudo isso, um terreno totalmente novo. Ainda bem que ela conseguiu ultrapassar a barreira do 'dar banho' e fez tudo direitinho. Tão lindo ver esse amor dela pelo Dylan ❤❤❤❤
O Castle contando a história da Kate pro Dylan foi amor puro, que homem lindo, com tanto amor. Esses dois precisam se acertar ❤❤❤❤
Ai tô ansiosa por esse almoço com a Maddie, ela vai perceber a tensão maior entre eles ❤❤❤❤