quarta-feira, 26 de outubro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.11


Nota da Autora: Hoje é dia de alegria! A ultima noticia sobre Stana me deixou animada então resolvi postar. Na fic, Beckett continua sendo desafiada pelos deveres da maternidade. Ainda há muito a se explorar no relacionamento Dylan/Kate antes de chegar ao Castle/Beckett. Essa Beckett não tem os traumas que a nossa Beckett da S4 tem, porém é igualmente complicada, a essência é a mesma, pelo menos na serie que assisti. Portanto, devagar acompanhamos o desenrolar da história. Quatro anos não são quatro capítulos nem 21 dias... enjoy! 



Cap.11 


Quando Beckett chegou ao restaurante com Castle ao seu lado empurrando um carrinho de bebê, a hostess sorriu atendendo-a prontamente. 

- Olá, detetive Beckett. Mesa para dois com espaço para um carrinho? Não se preocupe. Vou providenciar, me dê um minuto – ela desapareceu pelo salão falando no microfone de seu equipamento. Castle olhou para Beckett e sorriu. 

- Olha só, você está famosa. Nada como um escritor de best-seller para escrever sobre você. 

- Não se gabe. Maddie avisou a hostess que se eu aparecesse deveria ter uma mesa disponível, sem espera. 

- Ah... – ele exclamou. A hostess voltou. 

- Pode me acompanhar, detetive? Eu avisei a Srta. Queller que está aqui. Ela irá se juntar a vocês – ela mostrou a mesa, sinalizou o garçom, entregou os menus – John irá servi-los hoje. Tenham um ótimo almoço. 

- Obrigada – Castle já havia encontrado a posição perfeita para o carrinho. Olhava a carta de vinho – eu não quero beber hoje. Um suco está ótimo, também vou pedir para prepararem um bem fraquinho para Dylan. 

- Tudo bem, suco para vocês e cerveja para mim – ele conversava com o garçom e Kate fez inúmeras recomendações sobre o suco do bebê. Maddie chega nesse instante. 

- Sejam bem-vindos! Dylan! Titia estava com saudades – ela se abaixou para brincar com o menino, ele ria para as vozes que Maddie fazia – hoje vou almoçar com vocês. Sem vinho para você, Kate? Hum... assim vou ficar só na água com gás. Como vão as coisas no loft? Essa fofura está lhe dando muito trabalho? 

- O esperado – disse Beckett, o que causou surpresa a Castle após o último episódio – afinal, a responsabilidade maior não é minha. 

- Beckett comentou que você queria conversar conosco, mas primeiro pode recomendar o que comer?

- Claro, deixem a escolha do almoço comigo – ela pegou um menu, conversou com o garçom e voltou sua atenção a eles – sim, eu os chamei aqui por um motivo. Eu fiz minha entrevista com a assistente social. Wilson, não? 

- Sim, como foi? 

- Eu diria que contei uma bela história de amor, digna de cinema. Não podia me inspirar em Heat Wave, por vários motivos. 

- Maddie, o que você andou aprontando? 

- Nada demais, Becks. Tenha um pouco de fé em mim. Foi bom porque eu pude contar o antes e o depois de Castle. Tive a impressão de que ela gosta de você, Kate. Quando me perguntou o que eu pensava sobre você querer adotar o bebê de alguém ao invés de ter o seu, fiz um discurso capaz de trazer lágrimas aos olhos falando de seu senso de justiça e também disse que você é jovem, pode ter outros bebês. Além disso, comentei o quanto você ficou tocada por Dylan ter uma história semelhante a de Castle, ser de fato parecido com ele, era o mínimo que você podia fazer especialmente com todas as vezes que ele arriscou e salvou sua vida – Kate tinha um olhar ansioso diante do que ouvia – não se preocupe, eu disse que era reciproco, o amor. 

- Oh, Maddie... por que? 

- Calma, Becks. A agente parece já ter percebido algumas coisas sobre você. Como vocês se conectam, a sincronia. Ela mesma comentou sobre os olhares que trocam, a comunicação sem palavras. Acho que causaram uma boa impressão. Mais do que imaginam. Eu contei a história que me pediram, ela me perguntou há quanto tempo conhecia os dois. Contei a verdade. Que nós nos separamos depois do ensino médio, como éramos amigas que infelizmente acabamos nos afastando porque tínhamos outras prioridades. Fui para Paris, você entrou para a NYPD e nos reencontramos há mais de um ano atrás, já com Castle na sua vida. 

- Poxa, Maddie. São excelentes noticias. Não tínhamos muitas respostas sobre o que a agente estava achando de nossa interação. Isso merece um brinde, mas vocês não estão bebendo álcool. Não interessa, vamos brindar – eles bateram os copos e riram. Dylan começou a rir querendo participar da brincadeira. Kate fez um carinho e deu um beijo no menino. Aproveitou para checar a fralda. Precisava de troca. Como Castle ainda estava comendo, ela pediu licença levando o menino e a bolsa com as coisas para o toalete. Sozinha com Castle, Maddie viu a oportunidade perfeita para questiona-lo. 

- Agora é entre eu e você. Sem rodeios. O que você está esperando, Castle? Por que você não se declara de vez para a Becks? Meu Deus! Você já conseguiu o mais difícil! Ela se mudou para o seu apartamento. 

- Maddie, é mais complicado do que você imagina. 

- Ah, por favor! Já estou cansada desse discurso. Quero saber o que vai ser preciso para vocês dois encararem o óbvio. Dois bobos apaixonados. Bobos e teimosos feito mulas. São 21 dias, Castle. Não, agora são onze. Você precisa fazer alguma coisa. Ela já caiu de amores por Dylan, tome uma atitude. 

- Maddie, você não imagina o quanto gostaria que Beckett se sentisse segura para arriscar um relacionamento comigo. Acha que está sendo fácil, conviver com ela todos os dias? Beckett anda de short pela casa... eu não quero assusta-la, tem que acontecer naturalmente. Ela tem que perceber. Acredite, eu tento fazer minha parte com pequenos gestos – ela revirou os olhos – não faça isso, Maddie. São três anos juntos, eu sei o quanto ela já mudou em relação a mim. Também sei que gosta, que está apaixonada. Eu não quero atropelar as coisas, especialmente agora que parecem estar caminhando para uma definição. 

- Não consigo entender esse ritmo de vocês... 

- A Beckett que você conheceu no ensino médio, não é essa Beckett. Ela está confusa, dúvida de seus sentimentos, não sabe como lidar com eles. 

- Eu sei que não é a mesma Becks. Contudo, eu sei que três anos com você não são qualquer coisa. É especial. Você é especial para ela, Castle. E ninguém aceita ser mãe de mentira em um processo de adoção arriscando ser descoberto porque é certo. Ela fez isso por Dylan e por você. Se eu tivesse pedido algo do tipo para ela, além de não aceitar iria me dar um sermão. Isso deve valer de alguma coisa para você. 

- Vale muito. Você não tem ideia do quanto. Ai, vem ela. 

- Tudo certo, Dylan está limpinho. Já podemos ir para a sobremesa? 

Meia hora depois, deixavam o Q3 de volta para o loft. Beckett ainda estava com a roupa que saíra quando a campainha tocou. Castle estava com Dylan em seu quarto dando uma mamadeira. Ao abrir a porta, ela se deparou com a agente Wilson. 

- Olá, detetive Beckett. Não está trabalhando hoje? – por puro instinto, ela respondeu. 

- Estou sim. É que aproveitei a espera pelo resultado do laboratório do caso que estou investigando para vir almoçar em casa. Na verdade, estou me arrumando para sair. Algum problema? 

- Nenhum. O Sr. Castle está em casa? 

- Ah, sim. Está com Dylan no quarto. Pode entrar – a agente parou no meio da sala – imagino que essa seja outra visita surpresa. 

- Sim. A segunda. 

- E-eu posso ligar para a delegacia e pedir para os meus detetives continuarem sem mim e... 

- Não se preocupe. Você pode voltar ao trabalho. Vai ser interessante observar a dinâmica com apenas um dos pais. Nessas horas é que se descobre se o pai adotivo está confortável com a criança no mesmo nível da mãe – Castle apareceu na sala carregando Dylan. 

- Ah, agente Wilson. Pensei ter ouvido vozes, achava que era a Kate ao telefone. Ela vem para casa, mas não para de trabalhar – antes que ele pudesse dizer alguma besteira, Beckett se antecipou. 

- Eu preciso voltar, amor. Ryan já tem os resultados do laboratório. 

- Algum problema se Kate for trabalhar, agente Wilson?

- Nenhum. Vou observa-lo cuidando de Dylan sozinho – Castle notou que Kate ia em direção às escadas, então chamou sua atenção sem levantar suspeitas. 

- Amor, já dei a mamadeira para ele. Deixa que lavo depois. Pode terminar de se arrumar – Beckett percebeu o que ia fazendo. 

- Eu só ia verificar se o esterilizador de mamadeiras estava ligado e – ela sorriu – tudo bem, você pode fazer isso. Vou me arrumar – Beckett seguiu para o quarto de Castle. Essa foi por pouco, pensou. Ela pegou seu blazer, ajeitou a maquiagem com as coisas que deixara no banheiro de Castle. Penteou os cabelos. Antes de voltar a sala, ela se viu pensando que essa ideia foi ótima. Assim não teria problemas, evitava arruinar algo durante a visita. Respirou fundo e rumou para a sala. Encontrou Castle conversando alegremente com a agente. Dylan se divertia em seu colo com um dos brinquedos de plástico. Ela tinha o celular no ouvido para fingir outra cena. 

- Ryan acabou de ligar. Acharam outro corpo. Mesmo MO. Tenho que ir para a cena do crime. Acho que vou demorar mais do que previ para voltar para casa – ela se aproximou de Castle para mexer com Dylan – hey, baby boy... mommy precisa ir. Vai se comportar? – ela segurava a mãozinha dele, ria. Beijou o topo de sua cabeça, mordiscou os dedinhos – tchau, Dylan – de repente, seu olhar cruzou com o de Castle e Beckett se viu inclinando a cabeça e beijando-o nos lábios, não um super beijo, mas um capaz de surpreende-lo. Claro que ele respondeu ao ato. Ela se afastou – vejo vocês mais tarde – ela tinha um sorriso nos lábios. 

- Ok, cuide-se detetive. Diga “tchau, mommy” – e Castle balançava a mão do menino. 

- Agente Wilson, acredito que a verei na próxima visita. Sinto muito. 

- Não se preocupe, detetive. Isso não terá um reflexo negativo na avaliação. Faz parte da rotina de vocês. 

- Obrigada – Beckett fechou a porta atrás de si, aliviada. Passou a mão nos lábios de leve. Beijara Castle. De livre e espontânea vontade. E fora muito bom. Era encenação, ainda assim muito bom. Teatro, não? Repetia para si mesma. Embora os mesmos sentimentos adolescentes permanecessem agindo em seu corpo, ela se sentiu bem após o ocorrido. Suspirou. Agora ela precisava achar algo para passar o tempo. 

Entrou no primeiro trem que parou na estação. Percebeu que uma das paradas era próxima a biblioteca publica. Ótimo! Poderia passar um tempo lá. Então, ela se distraiu com a vitrine da livraria, logo Beckett se viu fazendo compras. 

No loft, as coisas corriam as mil maravilhas. Castle já trocara fraldas, dera frutinhas e conversara sobre algumas de suas experiências ao lado de Beckett. Alexis apareceu no loft cheia de livros, a agente Wilson aproveitou a oportunidade para conversar com a menina enquanto Castle se ausentou para fazer Dylan dormir. 

Ficou realmente encantada com as histórias da garota. Alexis falou sobre as idas no parque, as partidas de lasertag que perduravam até hoje, os verões nos Hamptons e o fato de que seu pai nunca contratou uma babá para cuidar dela. Talvez esse seja um dos pontos mais importantes sobre sua criação e sua infância. 

- Sabe, agente Wilson, eu cresci somente com meu pai e minha vó. Vejo minha mãe esporadicamente. Posso dizer que meu pai esteve presente em todos os momentos especiais: as danças da escola, os prêmios que recebi, a primeira queda de bicicleta, meu primeiro acampamento, meu primeiro baile e namorado embora não tenha gostado muito da ideia – ela riu – de qualquer forma, o que eu quero dizer é que eu cresci num ambiente alegre e de muito amor. Eu não precisei da minha mãe para ser feliz. É claro que a amo e me divirto todas as vezes que ela vem a Nova York. Dylan é um garoto de sorte por ter a chance de ter um pai como o meu. 

- Seu depoimento foi bastante esclarecedor, Alexis. E quanto a Kate? Você não falou dela. Alguma objeção? Comentário? 

- Sobre Kate? O que eu posso dizer além do fato dela ter mudado e muito a vida do meu pai? Profissionalmente, ele a escolheu como musa e criou uma série de livros para substituir Storm. Pessoalmente? Acho que é a primeira vez que o vejo tão ligado em alguém. Ela o põe na linha. É engraçado. Eu fiz um estágio para a escola no 12th, foi muito bom sentir aquela atmosfera. Kate é muito boa no que faz e isso fascinou meu pai. Uma coisa levou a outra... e ela é louca por Dylan. Eles tem uma conexão diferente. Nem parece que ele não é filho dela. 

Nesse instante, Castle volta a sala. Dylan já dormia e ele acabara ouvindo a conversa com Alexis. Obviamente, não ia comentar nada, porém estava feliz de ver a filha defendendo não apenas aos dois como a ideia de ter Dylan na família. 

- Agente Wilson, aceita um café? 

- Claro! Assim podemos conversar um pouco mais sobre sua rotina de trabalho. Como você intercala seus livros e as investigações com a detetive Beckett. 

- Será um prazer. 

A conversa se estendeu mais do que poderia imaginar. Tanto que Dylan tornou a acordar. Castle o alimentou, trocou a fralda e resolveu sair com ele para o parque. Quando ia comunicar sua decisão a agente, seu celular tocou. Beckett. 

- Kate está ligando, preciso atender, com licença – ele se afastou um pouco, não muito a fim de demonstrar tranquilidade a agente. 

- Oi, amor – ao ouvir o cumprimento, Beckett deduziu o que se passava. 

- Wilson ainda está ai? 

- Sim, ele está acordado. Na verdade, estava pensando em leva-lo para um passeio no parque. Como anda o caso? 

- Meu Deus! Isso não vai terminar? Eu já comi, fiz compras, li cinco capítulos de um livro na biblioteca e a visita ainda continua? Ela não vai embora? 

- Ah, entendi. Talvez tenha que ficar algum tempo mais. Depende do laboratório. Certo. Tudo bem, amor. Qualquer coisa manda uma mensagem – ele fingia estar ouvindo algo, concentrado. 

- Entendi. Assim que ela desaparecer, me avisa. E se não for, me avise do mesmo jeito. Uma hora terei que voltar para o loft.               

- Ótimo, sim. Eu também te amo, um beijo – por um momento, ela ficou calada do outro lado da linha. Ouvira direito? Ele dissera... pare! Brigou consigo mesma, era uma encenação. Respirou e retrucou. 

- Você está achando tudo muito engraçado, não? Está se divertindo, Castle? 

- Claro, amor. Te espero para jantar. Tchau – ele desligou sem dar chance a Beckett de retrucar – ela está enrolada com a investigação. Vou levar Dylan no parque, você se importa? 

- De jeito nenhum. Como informei antes, não mude sua rotina. 

- É uma boa hora. Passa das cinco, o sol está brando e somente anoitece depois das sete. Uns vinte minutos a meia hora é suficiente para alegra-lo. Ver crianças e socializar sempre faz bem. 

- É uma ótima ideia, vou acompanha-lo. 

- Tudo bem – Castle não podia acreditar – vou apronta-lo – levando Dylan para o quarto, ele quase xingava a agente em silêncio. Será que ela ainda não se cansara? Será que ia esperar Beckett voltar para ir embora? Ele já estava se chateando. Respirou fundo e fez o que precisava fazer. Dez minutos depois, deixava o loft na companhia dela e do bebê. 

Chegando no parque, Castle não ficou surpreso por encontrar Julie e Sophia. A menina fez uma festa para Dylan. Enquanto ele conversava com a garota tomando conta do bebê, a agente Wilson sentou-se ao lado de Julie para fazer umas perguntas sobre Castle. Acabou ouvindo maravilhas sobre o casal. Parece que ninguém tinha nada negativo a declarar sobre eles. De fato, os dois estavam enganando a todos. Julie não tinha ideia de que Dylan não era filho deles. Inclusive mencionou a semelhança com Kate e os olhos do pai. 

Passado o tempo que Castle estipulara para estar ali, ele comunicou a agente que ia voltar ao loft. Ela concordou dizendo que o acompanharia e que sua visita chegara ao fim. Aliviado, ele mandou uma mensagem para Beckett “Acabou. Pode vir para casa. RC.” 

No loft, a agente agradecia pela hospitalidade e pela paciência. A tarde havia sido muito proveitosa. Ela estava de saída, quando Beckett entrou. 

- Castle, estou em casa! Nossa! Como isso demorou e hoje foi...Agente Wilson? Ainda por aqui? 

- Já estou de saída, Kate. Foi uma tarde muito interessante. Como foi no trabalho? 

- Lento, ainda não acabou. O laboratório somente irá liberar as análises das balas do segundo corpo amanhã. Ou seja, a investigação está parada – Beckett tinha uma sacola nas mãos. Barnes & Noble, embora dentro houvesse uma outra de uma loja de bebês – Ryan mandou um presente para Dylan. Dr. Seuss. 

- Ah, que maravilha! – Beckett tirou o blazer, seguiu para o quarto e voltou de lá com uma camiseta e uma calça de moletom que acabara deixando na gaveta do closet. Dirigindo-se a Castle, ela pegou o bebê no colo, novamente sorriu e inclinou-se sorvendo os lábios dele. 

- Você vai fazer o jantar ou faço eu? 

- Você está cansada. Deixa que eu cuido disso – ele acariciou a nuca descendo sua mão pelas costas dela. Beckett sentiu o corpo responder no mesmo instante. 

- Obrigada, babe. Hey, Dylan... tenho uma história nova para contar hoje, baby boy – estava tão absorta com a criança que esquecera-se da agente. Ao virar para o lado, percebeu que a mulher a observava – oh, desculpe, agente Wilson. Eu esqueci completamente que estava ai. 

- Tudo bem, Kate. Estou de saída. 

- Vou abrir a porta para você – a agente sorria. Por mais que não revelasse nada sobre sua percepção, ela sabia que aquela casa era um lar maravilhoso. Estava provado. No fundo, ela tinha um pouco de inveja do que Kate conseguira. Ela gostaria que seu marido cozinhasse para ela depois de um dia árduo de trabalho. 

- Até a próxima, detetive Beckett. E boa sorte com seu homicídio. 

Ao fechar a porta, Beckett suspirou. Caminhou até a cozinha onde Castle estava. 

- Meu Deus! Por que ela demorou tanto? Pensei que já tivesse ido embora quando você me enviou aquela mensagem. 

- Era para ter ido, mas... 

- Eu quase fui pega por causa das sacolas. Ainda bem que coloquei uma dentro da outra. Vou buscar – em um minuto, ela está de volta com a grande sacola da livraria. Dentro, havia outra menor – o livro eu comprei, assim como esses bodies. Espera até você ver. Primeiro esse porque combina com a vida que esse menino terá dependendo do pai… - era um macaquinho escrito nerdy - gostou?

- Adorei! 

- O segundo, na mesma linha. Um dos meus personagens de quadrinhos preferidos - Kate mostra um onesie do Batman - que tal? 

- Meu Deus! Bruce Wayne e Batman são perfeitos. Não sabia que era uma fã, detetive. Se bem que eu já havia comentado que sua vida me lembra a dele. Ah, garotão! Você vai arrasar! 

- Tem um último, na verdade meu preferido - Era branco com a seguinte frase “Handsome like Daddy” - Não são lindos? – ao ver os presentes que ela comprara, Castle sorriu. Pegou o último e fitou-a – me diz que não é a tua cara, Castle? 

- Kate, isso é... eu adorei! 

- Não resisti. Dylan merece usar esse body. 

- Então você admite que sou realmente bonitão? – ela revirou os olhos. 

- Não começa, Castle. O que tem para jantar? 

Mais tarde após a janta, ela colocou o pequeno para dormir. Leu o livro que comprara para Dylan e ainda ficou velando o sono do menino mesmo depois de adormecido. Quando finalmente saiu do quarto, encontrou Castle sentado no sofá. 

- Não vai se deitar? 

- Daqui a pouco. Acho que deu tudo certo mais uma vez. 

- Espero que sim. Eu já vou indo. Boa noite, Castle. 

- Não está esquecendo nada? – ela o olhou intrigada – cadê meu beijo de boa noite? – claramente ele estava se referindo aos dois beijos que recebera dela durante o dia, Beckett não ia se deixar atingir pela provocação. Não podia. 

- Pede para Nikki – subiu as escadas.   

Após um banho, ela deitou-se na cama. Fitava o teto e recordara o que acontecera naquela tarde. Ela beijara Castle duas vezes. Ela tomara a iniciativa. Por que fizera isso? Por que não conseguia entender de onde vinha aquela motivação para agir como se realmente fossem namorados? Sabia que não era para ajudar no processo de adoção, porque no fundo, isso nunca seria uma atitude de Kate Beckett.... suspirou. Não da racional Beckett. Havia uma outra pessoa se apossando de seu corpo ultimamente. Desde que Dylan aparecera na vida deles. A pessoa que estava coabitando naquele loft não era a mesma detetive que Castle conheceu há três anos atrás, não era a mesma pessoa de seis meses atrás. Tudo parecia ter mudado dentro dela desde aquele beijo. Sim, ela era uma outra Beckett. Alguém mexida, com impulsos diferentes, emoções novas e confusa. 

Beckett passou a mão no rosto. 

- Deus! Quanto mais eu penso nisso, mais confusa e perto da loucura eu fico! E ainda teve o telefonema. Por que ele usara aquelas palavras? Não precisava ouvi-las. A forma como ele disse foi tão carinhosa. Mas foi encenação, claro! Ninguém diz as três palavras por nada. Castle não brincaria com algo assim....ou brincaria? Não, apenas queria impressionar a agente. Foi isso. Preciso dormir, estou falando sozinha em voz alta! Esse homem vai me deixar louca... – com o travesseiro sobre a cabeça. Bufou. Ainda iria demorar para finalmente dormir. 

A sala estava vazia, porém a luz do escritório encontrava-se acesa. Castle também não fora deitar cedo. Ele sentara-se de frente para o notebook com o propósito de escrever. Sua mente, porém, se negava a obedece-lo. Tudo o que ele conseguia pensar era no que acontecera durante a visita da agente. Beckett o surpreendera. Duas vezes. Seria isso um sinal de que ela estava cedendo? De que começava a perceber que também tinha sentimentos por ele? Não pareceu encenação e ainda assim ele tinha medo de acreditar, de criar esperanças. Contudo, percebera a reação dela a suas palavras ao telefone, Beckett era uma mulher misteriosa e complicada e embora ele aprendera a interpretar suas expressões, sua mente e seu modo de pensar nesses três anos que a conhecia, Castle ainda não decifrara o seu coração. 

A presença de Dylan na vida deles tinha tornado sua convivência mais intima, o menino a amoleceu e continuava a fazer isso. Infelizmente, ainda não era suficiente para determinar se o sentimento que Dylan conseguia emanar dela poderia trazer a tona outro tipo de sensações e emoções como a paixão, o afeto e principalmente amor por ele. Será que Beckett iria algum dia admitir estar apaixonada por ele? Castle não sabia. 

Diferente do que Maddie queria, ele não podia apressa-la, muito menos pressiona-la. Cuidado era extremamente importante quando se falava de Kate Beckett. Ele aprendera isso ao longo dos anos. A provocação era bem-vinda, desde que saudável, como uma brincadeira. Atitudes e pequenos gestos eram mais importantes que simplesmente partir para um beijo ou jogar toda a verdade na frente dela. Isso a assustaria. Não, nada de entrar na loucura de Maddie. Faria isso do seu jeito. 

Levantou-se da cadeira, decidiu dormir. Antes, parou no quarto de Dylan apenas para checar se estava tudo bem. 

Nos dias seguintes, nenhum dos dois ousou comentar os pequenos detalhes que os intrigaram na última visita da agente. Era como se tivessem apagado da mente, esquecido. Ambos pensavam ser mais seguro assim. O problema era que nesses mesmos dias, a convivência deles com o bebê estreitava cada vez mais sua relação. Não foi uma ou duas vezes que Beckett se pegou tocando o braço de Castle, esbarrando nele. 

Do mesmo modo que Castle constantemente a tocava, como uma necessidade. Seja para simular que precisava passar ao seu lado, para entregar algo, ele inclusive se pegou guiando-a com a mão nas costas de Beckett até o quarto de Dylan. Isso sem contar as mãos quase bobas que escapavam quando sentados no sofá e os momentos de descontração após o bebê dormir quando tomavam um vinho, assistiam televisão ou brincando com Dylan. 

Na outra noite, ela o encontrou sentado na poltrona lendo o livro que ela comprara para o bebê. Castle lia e fazia diferentes vozes, atuava como cada personagem. A cena era inspiradora. Ela cuidadosamente se deixou encostar na porta para observar o momento. Os olhinhos de Dylan estava atentos aos de Castle. Beckett nunca duvidara de que ele poderia ser um bom pai para Dylan, contudo vê-lo tão a vontade com o menino a fazia sorrir. Seu coração ficava leve e admirava ainda mais o homem que assumira o papel de pai, que tomara Dylan como seu. Era emocionante.     

Dia #12

Sexta-feira. Ela planejara levar Dylan ao parque com Castle por volta de umas três horas. Infelizmente, Gina atrapalhara seus planos chamando o escritor para uma reunião na editora às duas da tarde. Se ele escapasse até as quatro, era possível realizar o programa. Também queria tomar um sorvete na Serendipidy. 

Era um bom plano, porém não fora executado porque não somente Castle deixou a reunião quase seis da tarde como Dylan começou a dar trabalho. 

Por volta das cinco da tarde, ela já tinha desistido de sair. Ao perceber que Dylan precisava de uma troca de fralda, Beckett levou-o até o quarto. Encostando o bebê em seu próprio corpo, notou que ele estava mais quente que o normal. Ao despi-lo, a constatação tornou-se verdadeira. O corpinho de Dylan estava bem quente. Ao vê-lo reclamar assim que estava sem roupa, ela se preocupou. Procurou o termômetro e mediu a temperatura do bebê. 38,4 graus. Febre. Ela o agasalhou e passou a embala-lo. O menino continuava protestando. O choro tornava-se mais constante. Preocupada, ela ligou para Castle. A chamada caiu na caixa postal. A porcaria da reunião, pensou. 

Martha que poderia ajuda-la não estava em casa. Sem saber o que deveria dar para o bebê a fim de passar a febre, ela apenas sentou-se na poltrona e o embalou em seus braços. À medida que o tempo passava, a situação somente piorava. Com a reclamação de Dylan, Beckett decidiu fazer um leite. Tudo em vão. O menino não tomou nem dois dedos da mamadeira. Usou o termômetro novamente porque achou que Dylan estava bem mais quente que antes. Tinha razão. A temperatura do menino marcava 39,3 graus. 

Beckett se desesperou. Pegou o celular outra vez. Felizmente, Castle atendera. 

- Oi, Beckett. Estou pegando o nosso jantar. Devo chegar em casa em uns vinte minutos. 

- Castle, eu não sei o que fazer...Dylan... e-ele está com 39 graus de febre, faz mais de uma hora. O que eu faço? Por favor, ele está queimando! 

- Calma, Beckett. Devagar. Você tirou a temperatura dele e marcou 39? 

- Sim! Já é a segunda vez, antes deu 38,4. Só está piorando – ele podia sentir o desespero na sua voz – o que eu faço, Castle? Nem o leite ele quis. Você é o pai, me diz o que fazer.  

- Você não vai fazer nada ainda, continue agasalhando-o, use uma manta para enrola-lo. Estarei logo em casa, então veremos. 

- Não demore, Castle. Por favor. 

Beckett andava de um lado para o outro acalentando o menino. O choro não era intenso, mas parecia de pura reclamação. Como se tivesse com dor. Quando Castle apareceu no loft, pode constatar por si mesmo o desespero de Beckett estampado em seu rosto. Ele deixou as sacolas com comida no balcão da cozinha e aproximou-se dela para checar o bebê. 

- Será que devemos leva-lo ao hospital? E-eu não sei o que fazer...

- A primeira coisa que você precisa fazer é se acalmar. Desespero apenas assusta ainda mais o bebê, não passa confiança. Posso pega-lo um instante? 

- Claro – Beckett deixou Castle tirar o pequeno de seus braços, passou a mão nos cabelos. Ficou andando de um lado para o outro, suspirou – ele está doente de verdade? O que ele está sentindo? Como vamos ajuda-lo se não conseguimos cala-lo? Ele não fala, Castle... 

- Bebês não comunicam suas dores. Não de forma expressiva e com palavras. Você tem que interpretar – erguendo o bebê de seus braços por um momento para fita-lo – o que está acontecendo, garotão? Por que essa febre? – ele falava fazendo vozes engraçadas. Tirando a atenção do bebê da dor. Assim você deixa a tia Kate doida, ela está preocupada com você, bebê. Não pode fazer isso com ela – tornou a ajeitar o bebê em seu colo, sentou-se na poltrona dele. 

Cuidadosamente, Castle abriu a boquinha de Dylan. Tinha uma leve suspeita do que poderia estar acontecendo. Ao examinar as gengivas do bebê com a ponta dos dedos, ele teve certeza. Estavam vermelhas e inchadas. 

- Já sei o que está acontecendo. Suspeito que o garotão esteja para ganhar uns dentinhos. Está bem inchadinho aqui. A febre é uma reação natural ao nascimento dos dentes. 

- Febre de quase 40 graus? Por causa de dentes? Ele só tem sete meses, Castle. 

- Idade suficiente para o nascimento de dentinhos. Em alguns bebês, isso acontece até mais cedo. Pode me dar o termômetro? Quero checar a temperatura dele outra vez – Dylan começou a chorar outra vez. Passava as mãozinhas querendo tocar a cabeça. Enquanto media a temperatura, ele comentou – deve estar com dor de cabeça. Hum... ainda 39,5 graus. Melhor dar o remédio. Acho que teremos que dar um banho nele ou pelo menos colocar algumas fraldinhas úmidas ao redor do corpo dele para ajudar a baixar a temperatura. Pegue umas fraldas na gaveta, Kate. Molhe-as na pia do banheiro. Vou dar o remédio. 

- Como você vai dar remédio para ele, Castle? 

- Em gotas. Pelo peso dele não será mais que cinco gotas. Não se preocupe. Vá pegar as fraldas – ela obedeceu. Quando Beckett voltou do banheiro com as fraldas molhadas, viu que Castle pingava algo na boca de Dylan. O menino parecia estar aceitando bem – certo. Abra uma das fraldas sobre o trocador – Castle se levantou. Colocou o bebê sobre a fralda, enrolou-o com o tecido úmido. Pegou outra e passou por cima. Dylan estava envolto nas fraldas molhadas. Kate estava achando aquilo muito estranho. Castle pegou outra fralda, dobrou e colocou na testa e na cabeça do bebê. 

- Calma, Dylan. Vai já passar, garotão. Só aguente um pouquinho para o remédio fazer efeito. Quer segura-lo em seu colo? Acho melhor tentar dar um leite para ele. 

- Ele não tomou o que fiz. Só dois dedos.

- Vou fazer. Quem sabe agora não tome um pouco mais. Irei fazer uma medida menor – ao vê-la acomodar o bebê em seus braços, ele orientou – mantenha a fralda na testa e na cabeça. Ele precisa esfriar o corpo. Eu já volto. 

Castle não demorou. Ao entrar no quarto outra vez, pegou Beckett murmurando algo para o bebê. Ela conversava com ele, podia ouvir o tom nervoso de sua voz. 

- Baby boy, por favor, fique logo bem. Não gosto de vê-lo com dor, chateado. Oh, meu amor...será que essa febre não vai passar? – Castle se aproximou. Entregou a mamadeira na mão dela. Com todo o carinho, ela chamava pelo menino para convence-lo a tomar o leite. Sorria, fazia vozes de bebê, era uma entrega. Dylan pareceu comprar a ideia e acabou bebendo o conteúdo da mamadeira até mais da metade. Quando largou, Beckett percebeu que estava sonolento. 

- Ele vai dormir? 

- É um pouco da influência do remédio. Vamos medir a temperatura dele novamente, mas antes quero tirar as fraldas do seu corpinho e colocar uma roupa quente – ele procurou nas gavetas por um macacão de manga comprida. Ele colocou a fralda e o vestiu. Beckett entregou o termômetro a ele. O menino já fechava os olhinhos – 38, 7 graus. Está baixando. 

- Ainda está muito alta, Castle. 

- Eu sei, porém precisamos esperar que o remédio faça efeito. Você vai nina-lo? 

- Vou – ele o entregou nos braços dela. 

- Assim que ele dormir, você vem comer alguma coisa. Vou esquentar o nosso jantar – ele saiu do quarto deixando Beckett em seu momento maternidade com Dylan. Quinze minutos depois, ela aparece na cozinha. 

- Quando podemos medir a temperatura dele outra vez? 

- Dê mais um tempo. Sente-se. Coma alguma coisa. Vou fazer um café para você. 

- É tão difícil! E-eu não sei o que ele está sentindo, não dá para entender. Ele está sofrendo, Castle... – o jeito que ela falara aquilo mexeu com ele. Beckett também estava sofrendo. Estava angustiada. Ele se aproximou dela, acariciando gentilmente o seu braço. 

- Hey... eu sei que parece assustador. Você vê aquele pequeno ser chorando, seu corpo quente, irritado e não sabe o que fazer para tirar a dor que ele sente, para fazê-lo ficar bem outra vez. Acontece com todo pai e mãe de primeira viagem, Kate. Bebês não vem com manual dizendo como funcionam ou como conserta-los. É um constante aprendizado. 

- Você sabia o que fazer – ela falara aquilo como se sentisse inferior, derrotada. 

- Hoje eu sabia, não foi assim quando aconteceu com Alexis. Eu fiquei apavorado. Estava sozinho em casa. Meredith estava em um ensaio para uma peça e minha mãe não frequentava muito onde morávamos por causa da minha esposa. Mesmo assim, eu liguei para ela em desespero. Lembro como se fosse ontem, Alexis chorava. Um verdadeiro escândalo. Nada comparado a Dylan, ele é um amor. Minha mãe disse que precisava me acalmar ou assustaria a criança, não estava ajudando porque bebês percebem quando estamos nervosos e se sentem inseguros. Respirei fundo, embalava Alexis nos braços enquanto minha mãe fazia um verdadeiro interrogatório. Acredite, Martha Rodgers pode ser tão sagaz quanto Kate Beckett – isso fez a detetive dar um pequeno sorriso. O primeiro desde que toda aquela situação começara. 

- Então ela descartou qualquer resfriado, infecção. Tive que apertar o corpinho de Alexis em vários lugares para ver sua reação. Chegamos a conclusão que eram os dentinhos saindo. Como disse, não sabia muito sobre bebês, era pai de primeira viagem. Alexis foi minha primeira experiência, como Dylan está sendo a sua – ele tocou o rosto dela ainda apreensivo acariciando a bochecha com o polegar. Ela precisava de um abraço, Castle a envolveu em seus braços e Kate deixou a cabeça repousar em seu ombro. Suspirou. 

- Vai passar. Logo ele estará sorrindo e fazendo seus barulhinhos. É só o tempo do dente rasgar a gengiva. Agora, sente-se e coma. Se estiver fraca não vai ajuda-lo – ele a soltou devagar. Não queria ficar longe dela. Sentir o cheiro de cerejas, a pele macia. Por que tinha que ser tão difícil? Café, concentre-se no café. 

- A febre vai ceder completamente? – ela sentara-se começando a provar a comida tailandesa que ele trouxera. Ainda estava nervosa, o abraço de Castle não ajudou a diminuir o nervosismo embora o motivo fosse outro. 

- Talvez. Irá depender da reação de Dylan ao remédio e a saída do dentinho. Teremos que esperar.  Aqui está seu café. Vamos comer e depois veremos como o garotão está. 

A refeição foi silenciosa. Beckett estava perdida em pensamentos. Entre cuidar do bebê, o titulo de mãe que Castle insistia em lhe conceder e seus próprios sentimentos diante das duas situações. Para piorar toda a preocupação que já tinha, ele ainda a fazia suspirar com esses gestos de carinho que sempre a pegavam desprevenida e a deixavam zonza. Ele fazia tudo parecer tão fácil... ele passava uma segurança que ela mesma não tinha para esses assuntos. Castle a acalmava. Ela terminou de comer, ele serviu-a de outra caneca de café. 

Segurando a caneca entre as mãos, Beckett retornou ao quarto de Dylan. Castle foi atrás. O bebê dormia. Parecia mais calmo. Ela checou a temperatura tocando sua cabeça. Virou-se para encarar Castle. 

- Ainda está quente. 

- Deixe eu tirar a temperatura – ele tomou a frente colocando o objeto na testa do bebê. Termômetros agora eram tão práticos – 38,3 graus, está melhorando. 

- Sim, mas não quero deixa-lo sozinho. Vou ficar por aqui. 

- Kate, você não pode dormir aqui. 

- Eu nem sei se irei dormir. Estou muito preocupada para dormir. Se tiver que cochilar posso fazer isso na poltrona. 

- Você vai ficar toda dolorida, cansada, uma noite mal dormida não irá ajuda-la a cuidar melhor de Dylan. 

- Eu não vou dormir, mas se acha tão importante eu ter um lugar para dormir, você por acaso não teria um daqueles colchões infláveis? São práticos e eu posso coloca-lo ao lado do berço e...

- Não tenho e não seja ridícula, Beckett. Não vou deixar você dormir no chão. Por que não fazemos assim: você vai com Dylan para o meu quarto. Tem um berço lá e você pode dormir na minha cama. Eu fico no sofá. 

- Não, Castle. Não vou admitir que me dê seu quarto. Não vai dormir no sofá. 

- Por que não? Vou passar a maior parte da madrugada escrevendo mesmo. Aceite, Kate. Dylan precisa de cuidado e atenção. Fique no meu quarto – ela o fitava mordiscando os lábios. Ele imaginava que ela estava ponderando o fato de dormir em seu quarto – por favor, Kate. Se vai ficar acordada para cuidar do bebê, precisa pelo menos ter um lugar decente para esticar o corpo. 

- Não quero tirar seu conforto. Não é certo. Olha, eu provavelmente não irei dormir então se ficar cansado quando estiver escrevendo pode se deitar na sua cama. Não tem problema. 

- Então temos um acordo. Deixe que eu o levo para o meu quarto. Não quer se trocar? – ela usava uma calça jeans e um suéter – ficar mais confortável para passar a noite acordada. Ela suspirou. 

- Tudo bem, eu já volto. 

Quando ela retornou vestindo uma calça de pijama e uma camiseta, encontrou a cama de Castle arrumada já sem o edredom. Pronta para alguém se deitar e apreciar uma boa noite de sono. Notou que Dylan estava no bercinho móvel coberto por uma manta relativamente grossa. Castle o admirava agachado ao lado do berço. Ao vê-la, levantou-se. 

- Acho que daqui a meia hora podemos tentar dar outra mamadeira para ele. Sinceramente, espero que ele acorde para pedir comida. Seria um bom sinal. Ele é todo seu. Vou estar no escritório – ele passou por ela, acariciou-lhe os ombros e beijou o topo da cabeça. Automaticamente, Beckett sorriu e acariciou a mão dele com a sua – não seja teimosa. Não fique acordada enquanto ele dorme. Aprenda: quando o bebê dorme, a mãe também dorme – saiu do quarto. Beckett ainda tinha um sorriso nos lábios. As coisas pareciam acontecer naturalmente entre eles. 

Sentou-se na cama. As mãos acariciavam o lençol macio, o colchão macio era convidativo para uma pequena soneca. Essa era a cama de Castle. Não resistindo, ela deitou-se devagar. A sensação era maravilhosa. Sentia os músculos do seu corpo relaxarem. Sim, ela estava muito tensa com toda a situação de Dylan. Ao colocar a cabeça no travesseiro, suspirou. Era bom esticar o corpo. Talvez pudesse dormir por uns quinze minutos. Descansar os olhos. 

Ela estava deitada na cama de Castle. Puxou o travesseiro para mais perto. Cheirando, ela sorriu e suspirou. Tinha o cheiro dele. Fechou os olhos e sequer percebeu quando adormeceu. 

Duas horas depois, o chorinho de bebê a acordou. Kate levantou-se para checar Dylan. Podia estar com fome. Ela pegou o bebê em seus braços embalando-o para cessar o choro. Checou a fralda. Tinha que troca-la. Com cuidado, ela arrumou o protetor na cama de Castle e tratou de livrar-se da fralda. 

No escritório, Castle também ouvira a reclamação de Dylan. Porém, através da câmera sobre o berço, ele pode ver Kate cuidando do menino. Gostava de admira-la agindo como mãe. Ela não sabia ou fingia, mas há tempos deixara de representar. Ele esperava que percebesse que já era a mãe do pequeno. Ele esperava que ela percebesse tantas outras coisas... decidiu não atrapalha-la. Beckett saiu do quarto com Dylan no colo. Precisava preparar uma mamadeira. Ao ver Castle concentrado no notebook, pensou duas vezes antes de atrapalha-lo.             

- Pode ficar um instante com ele enquanto faço o leite? Desculpa, eu não queria atrapalhar sua escrita, mas...

- Tudo bem. Estou entre cenas. Checando minhas anotações. Posso ficar com ele – Kate entregou o bebê – hey, garotão... está com fome? Ele ainda está quente, mas bem melhor do que antes. 

- É, parece. Volto num minuto. 

Beckett fora bastante rápida. Era como se não quisesse passar um segundo longe do bebê. Com a mamadeira numa das mãos, ela fez sinal para Castle lhe devolver Dylan. 

- Depois que ele comer, meça a temperatura apenas para termos certeza. 

- Tudo bem – ela desapareceu no quarto. Com o bebê aconchegado em seu colo, ela ofereceu a mamadeira. Dylan a pegou. Ao vê-lo suga-lo o leite, Kate respirou fundo. O alivio de ver o pequeno comendo trouxe lágrimas aos seus olhos. Estava aliviada. Não queria vê-lo sofrendo. Detestava a sensação de coração apertado que sentia desde o instante que ouviu o primeiro choro de dor do bebê – isso baby boy, coma tudinho. Não quero que fique doente, meu amor. Se você adoece, eu não sei o que fazer e fico preocupada, nervosa. Não faça isso comigo, baby boy... por favor... eu gosto tanto quando você sorrir. Eu amo seu sorriso, meu bebê... coma, por favor... vamos espantar essa febre. 

Kate estava tão envolvida com o bebê que não percebera Castle a observando da porta que ligava o quarto ao escritório. Ele também sorria. A conversa continuou. 

- Como você pode ser tão lindo e cativante? Como seu pai... – ela acrescentou – você é tão pequeno, mas já conquistou meu carinho, minha atenção, meu coração. Eu gosto tanto de tê-lo em meus braços. Gosto da sensação. Castle tem razão, um bebê faz milagres. É, baby boy... daddy Castle... – ela sorria olhando para o menino, porém seus pensamentos estavam em outros olhos azuis. Quando Dylan terminou, ela o colocou para arrotar e mediu a temperatura. 37,5 graus. 

Ela o aninhou nos braços e começou a cantar andando pelo quarto. Uma mãezona. O menino voltou a dormir, Kate velou seu sono até que ela tivesse certeza que a febre cedera por completo. Exausta, acabou adormecendo por volta das três da manhã. Sozinha, na cama de Castle. 

O sol atravessou a janela do quarto de Castle iluminando os lençóis. Kate abriu os olhos. Por um momento esquecera onde estava. Notando o berço a sua frente. Suspirou. Estava no quarto de Castle. Dylan ainda dormia. Ambientando-se melhor, ela sentiu a respiração lenta e relaxada próxima ao seu pescoço. Castle. Não era apenas isso. Ele tinha um de seus braços ao redor de sua cintura puxando-a em direção ao seu corpo. Beckett tentou se mexer, porém foi surpreendida pelos movimentos dele aproximando-se ainda mais de seu corpo. Inconscientemente, ele a puxou contra seu corpo. A sensação de proximidade era maravilhosa. O calor do corpo dele junto ao seu. Suspirou prazerosamente. 


Ao contrário do que pensava, ela não sentiu a necessidade de se afastar. Nada gritava em seu cérebro que aquilo era loucura ou não fazia sentindo. Talvez fosse o sono, o cansaço. Ela simplesmente escolhera não fugir. Virou o rosto para fita-lo. Sorriu ao vê-lo dormir tão relaxado. Estava a centímetros dos lábios dele. Não.... isso não. O desejo de beija-lo fez a pele fervilhar. Voltando a posição inicial, ela suspirou buscando seu autocontrole. A mão se juntou a dele. Adormeceu novamente. 


Continua...

6 comentários:

Pâmela Bueno disse...

aiiiii eu morri de amores nesse capítulo!!!! Ver a Beckett tão carinhosa, sentindo a dor e o desespero de ver um bebê doentinho assim, agindo como uma mãe mesmo, e esse final...para tudo (morri) os dois dormindo abraçadinhos foi tão fofo! Aiii mal posso esperar pelo próximo capítulo

cleotavares disse...

A Beckett mãezona está muito linda, "meu bebê" "meu amor" ela já se comporta como mãe dele e não percebe. É assim mesmo,o desespero quando o bebê está com dor. Acreditem, dói muito mais, na mãe.
E essa dormida de conchinha, hummmmm! Isso vai acabar bem.

Silma disse...

Ai meu gzus,que capítulo foi esse gente? 😍
Essa a agente é muito cara de pau 😂😂😂miga tu não ia sair mais não?A mulher queria voltar pra suposta "casa" dela 😂😂😂✋🏽👌🏽vamos fazer compras pra passar a tarde?Vamos!!!!
A Maddie é a única que me entende cara. Toca aqui colega✋🏽!!! Me diz qual é a necessidade de fazerem as coisas do modo mais difícil?Assim,só me explica pq eu realmente não entendo.Casalzinho mais difícil gente!!!!
"Claro,amor.Te espero para jantar" foi flechada no meu coração com essa frase 😍
"Você está achando tudo muito engraçado,não?Está se divertindo,Castle"? Kate eu não sei ele mais eu tô amando tudo issoooooooooo 😂😂😂😎"
"Ótimo,sim.Eu também te amo,um beijo" Karen miga cê quer acabar comigo acaba de uma vez NÃOOOO fica fazendo esse joguinho 😩👌🏽
Assim que ela desaparecer,me avisa.E se não for, me avise do mesmo jeito" a Kate claramente amando a visita da a agente 😂😂😂😂✋🏽
Não preciso nem comentar o quanto eu estou orgulhosa da Kate.Ela tá se transformando em uma mãe espetacular.Não tá sendo uma coisa forçada,ela tá amadurecendo e tá sendo lindo de se vê.Apesar de toda minha loucura e desejo de vê/na verdade lê 😜 os orgasmos múltiplos que eles iram liberar 😏 tá sendo prazeroso vê a sua cautelar em fazer a Kate se rebelar aos poucos afinal estamos falando da Kate Beckett meu povo.A pessoas dos medos mais que vai superar cada um!!!
Amei o capítulo como SEMPRE! 😍

rita disse...

Capítulo emocionante, gostoso, tão cheio de carinho, amor, preocupação por parte da febre do bebê para Beckett. A emoção que ela sentiu ao acordar e gostar de sentir Castle do seu lado e o braço dele em sua cintura, não querer sair, pegar sua mão e adorar ficar bem pertinho dele.Só faltam os beijos e outras coisas.Abraços e parabéns.Ansiosa pelo próximo.

Vanessa Belarmino disse...

Eu vim de Roma e tava meio perdida aqui... Tipo onde eles estão indo? hahaha
Então lembrei... Maddie!
Titia Maddie não entendendo os paranauês... hahaha
Deixa com Castle que ele entende... haha
Agente ta curtindo tanto essa família que nem queria ir embora... Dois beijos e um abraço e toques e dormir abraçadinho... hahaha Adoro!
Que fofura Kate sofrendo com Dylan... Ela abraçando a maternidade... Castle falando dela como mãe do Dylan e ela sorrindo... Ela se apaixonou pelo filho e ja esta apaixonada pelo pai... So precisa de tempo Beckett dela... hahaha E até lá, eu fico aqui apreciando o caminho... ♥
Está sendo maravilhoso!♥♥♥

Priscila Barros disse...

Como eu amo a Maddie ❤❤❤❤❤❤ melhor pessoinha do universo! ❤❤❤ Mas eu também entendo o Castle, sei que ele tá indo com calma, pra não assustar a Beckett.
E essa agente que parecia não querer mais sair do pé do Castle?! Hauahauahaauahauahaua, tadinha da Kate teve que ficar andando enquanto isso 😂😂😂
E o que falar dessa Kate mãezona, preocupada com o Dylan doentinho? Até dormir perto pra ficar de olho. Tão lindinha! Ela mal tá percebendo o instinto materno dela aflorando com força total ❤
Ainda acordou com o Castle abraçado a ela? 😍❤ Que capítulo maravilhoso ❤❤❤❤❤❤