quarta-feira, 19 de outubro de 2016

[Castle Fic] Sweet Surrender




Sweet Surrender

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Romance
Histórias: Parte do projeto - Guilty Pleasures   
Quando: Em algum lugar da S7, após a decisão de Beckett em se tornar Capitã.
Disclaimer: Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados!
Beckett finalmente resolve dar um passo a mais em sua carreira. Ao optar por fazer o exame para capitã, ela se dedicava aos estudos e ultimamente estava com os nervos a flor da pele, hora do marido entrar em ação.

Nota da Autora: Décima primeira história do projeto - Guilty Pleasures. Essa ideia veio após  uma ótima conversa com amigas e um pouco da influencia de ONO e seus substitutos de endorfina. Será bem pequena praticamente partindo direto para a ação. Enjoy!

O próximo desafio talvez ainda em Novembro? Botem a cabeça para funcionar! Tenho ideias para desenvolver porem são especiais e precisam de dedicação, com o fim de ONO preciso de um tempo. 
Desejo ou fantasia de Castle e Beckett, ok? Lugares... de preferências lugares públicos ou difíceis (não impossíveis, por favor!), cenários, roleplay...    

Lembrem-se é TOP15 a situação tem que ser boa! Deixem as ideias no post oficial do projeto.  






Sweet Surrender 

Apos um pequeno momento de completa insegurança, Kate Beckett conseguiu se concentrar no que era importante. Desde que casara com Castle, eles vinha experimentando a vida de casados, a convivência diária e continuavam trabalhando juntos sempre que possível. Conviver com a detetive de Hong Kong abrira os olhos de Beckett trazendo outra perspectiva para sua vida. Precisava avançar. 

Como detetive, recebera inúmeros elogios de seu falecido capitã, de sua atual supervisora e de muitos promotores e agentes do FBI com quem já trabalhara representando a NYPD ou mesmo quando por um breve espaço de tempo foi, ela mesma, uma agente federal. 

Quando disse a Castle que ia tentar a vaga de capitã, ele vibrou. Há muito tempo ela já deveria ter subido de patente. Ele foi seu maior incentivador. Nas semanas seguintes a sua nova decisão, Beckett criara uma meta de estudo, um planejamento. Tinha dias e horas certas para estudar. Castle não se importava. Enquanto ela se dedicava ao exame da capitania, ele escrevia seu mais novo Nikki Heat. 

O problema da pressão para atingir sua meta começou a aparecer quando faltava um mês para o teste. À medida que o tempo passava, Beckett acreditava que não estava pronta para fazer o teste, em sua mente, ela ia reprovar. Falhar. Por conta dessa ansiedade que a contaminava, ela começou a se encher de doces. Tudo era motivo para comer um pedaço de bolo, balas, chocolates, sorvete. Era começar a estudar e meia hora depois, estava na frente da geladeira catando doces. Claro que a geladeira da casa dos Castles não ajudava. 

Seu marido e a filha eram movidos por pequenas gostosuras. Mas Castle percebera que o consumo de doces ia além do momento de estudo no loft. Algumas vezes, Beckett tinha seu tutorial de exame consigo no distrito e acabava aproveitando algum tempo vago para ler alguma coisa. Sua gaveta estava cheia de chocolates, isso sem falar nos donuts que os oficiais de vez em quando ofereciam a ela. 
Para seu próprio bem, Castle preferiu manter-se calado quanto ao exagero que ela estava comentando nas últimas semanas. Gostaria de recomendar que ela fosse conversar com o Dr. Burke outra vez, queria dar conselhos para que ela focasse essa sua crise de ansiedade em outra coisa que não fosse doces, porém tinha medo da reação dela. 

Então, um belo dia, a realização do que acontecia foi percebida pela própria Beckett. Naquela noite de quarta-feira, Castle havia convidado sua esposa para relaxar. Iam a um restaurante novo que acabara de ser inaugurado em Nova York. Ela chegou do trabalho e foi direto tomar um banho. Optara por usar uma saia longa e uma blusa com um pouco de brilho. Porém, ao tentar vestir a saia, Beckett teve uma surpresa. Quase não conseguira fechar o zíper. O botão fora outro problema. Na frente do espelho, ela analisava o caimento da peça quando Castle se aproximou pronto para sair.

- Algum problema?

- Eu não sei porque essa saia está apertada… não costumava ser difícil de fechar.

- Não sabe? - ela o olhou intrigada - você colocou para secar na maquina? Encolheu? - é claro que ele sabia a razão. Os doces. Beckett andava abusando do açúcar.

- Não. Tem algum tempo que não uso. Espere, eu vou… - ela subiu numa balança que tinha no canto do banheiro, o choque foi grande - meu Deus! Eu aumentei 1,5 kg. Como? - ela tornou a olhar para ele. Apenas de ver a reação de seu rosto, ela sabia que ele tinha algo a dizer - desembucha, Castle.

- Eu não disse nada…

- Mas pensou, portanto fale.

- Você anda um pouco ansiosa ultimamente, o que é normal com a proximidade da prova de capita e o stress… quando deixamos a ansiedade falar mais alto acabamos descontando na comida.

- Você está me chamando de gorda?

- Não! Você está maravilhosa, e-eu só acho que devia…

- Os doces. Oh Deus! A culpa é sua!

- Como de repente isso virou contra mim? - ele estava surpreso.

- Você e sua geladeira cheia de sorvetes, doces, chantilly, chocolates, cookies…

- Bem, as pessoas dessa casa gostam de doces, por que sou culpado de você come-los?

- Porque é você quem compra.

- Kate, sua gaveta mo trabalho está cheia de chocolate, não fui eu quem comprou e isso sem falar nos donuts que come.

- Ah, droga! Você tem razão, tenho me entupido de doces. É claro que ia subir de peso - Castle aproveitou a aceitação dela para sugerir outra coisa.

- Que tal você ir conversar com o Dr. Burke? Talvez ele possa achar uma forma de você se acalmar. Além de ansiosa, também está mais irritada que o normal.

- Não estou irritada! - ele ergueu os braços num gesto de rendição. Ela estava. E toda a ansiedade e o excesso dos doces apenas estavam fazendo-a piorar - tudo bem, eu talvez tenha exagerado um pouco nas últimas semanas. Não preciso conversar com um psicólogo. Sei muito bem o que preciso fazer. A partir de hoje, nada de doces. Cortarei, chocolates, donuts, sorvete, o único açúcar que consumirei será das frutas. Por duas semanas. Você vai ver como voltarei ao meu peso original e tenho até a possibilidade de emagrecer ainda mais.

- A partir de hoje? E o nosso jantar? Não vai comer sobremesa? Foi bem difícil conseguir uma reserva nesse lugar hoje, não sei quando poderemos voltar lá.

- Tudo bem, a partir de amanhã. Duas semanas - ele se aproximou dela envolvendo sua cintura fingindo que estava com dificuldades para abraça-la por causa do peso extra - Castle! - ela esmurrou o peito do marido.

- Sabe, tem uma forma bem mais simples de resolver esse problema. Sexo queima muitas calorias.

- Boa tentativa, mas a resposta é não. Preciso me desintoxicar de tanto doce.

- Você que sabe. A rotina da casa não ira mudar por você. Está pronta? Será que podemos ir jantar?

- Vamos.  

Na manhã seguinte, Beckett estava disposta a cumprir sua nova promessa. Agora tinha dois focos, o exame e a alimentação sem açúcar. Não seria uma tarefa fácil especialmente com Castle a tentando a todo momento. A detetive era determinada e por mais que tivesse sofrido nos primeiros dias ao ver os rapazes se encherem de donuts, ela manteve-se firme. 

De vez em quando, Castle a atiçava com novidades que trazia de alguma cafeteria ou mesmo devorando um pedaço de bolo de chocolate na frente dela. Outro fato interessante aconteceu durante esse período. A abstinência ao doce, transformou-se em abstinência a sexo. Sim, por mais que Castle tenha tentado várias vezes tirar a cabeça da esposa de livros e regras para gerir uma delegacia, não obteve sucesso. 

O resultado disso era uma Beckett ainda mais irritada e um Castle quase subindo pelas paredes. O mais interessante era que ela não percebia que mesmo tirando os doces da sua alimentação continuava com problemas. Ao invés da ansiedade, ela demonstrava outro sentimento. Irritabilidade. 

No sábado de manhã ela se recusou a tomar café com Castle e Alexis apenas porque eles estavam fazendo panquecas e cobrindo-as com chantilly, m&m’s e calda de morango. À noite, Castle tentou outra vez amansa-la. Beckett estava sentada na cama com um dos livros enormes abertos em seu colo. Ele sentou-se por trás dela. Os cabelos dela presos em um coque. Tocando seus ombros, ele acariciava a pele exposta do pescoço. 

- Kate, o que você acha de uma massagem? Acredito que esteja precisando relaxar, amor.

- Cas, eu preciso terminar esse capitulo.

- Só um pouquinho, você poderia esquecer esse capitulo por hoje. É sábado… - ele beijou a nuca e deixou os dentes roçarem numa das vértebras da coluna cervical. As mãos deslizavam pela extensão dos braços enquanto a boca continuava trabalhando no pescoço. Ao mordiscar o lóbulo de sua orelha, Castle ouviu-a gemer. Fizemos contato, pensou, porém no instante seguinte, ela falou.

- Castle, para com isso… me deixa estudar - ele sempre foi insistente portanto não deu ouvidos a ela. As mãos estavam agora se encaminhando para a cintura na tentativa de envolve-la em um abraço puxando-a para si e devorando seu pescoço. Não satisfeito, ele virou o rosto dela para encontrar seus lábios enquanto uma das mãos fechavam o livro. Por mais intenso que fosse o beijo, Beckett se afastou com raiva.

- O que você está fazendo?

- Tentando fazer minha esposa relaxar - ela o empurrou.

- Castle, eu estou estudando!

- Num sábado à noite? Beckett, você estuda todos os dias. Não pode dar uma folga para os livros uma noite? Poxa! Estamos há dez dias sem fazer amor. Desde aquela noite que você insistiu em entrar nessa abstinência de doces - ela olhou surpresa para o marido - é, eu estou contando. O que demonstra o quanto sou patético. Aparentemente, o ato de fazer amor devia estar na lista das coisas a cortar e eu não fui informado. Nós nunca ficamos tanto tempo sem nos tocar. O que há de errado conosco?

- Castle, eu não estou evitando você. E não há nada de errado. Essa prova é muito importante para mim, eu não quero falhar.

- Beckett, é você. Sempre conquistou tudo que queria, ninguém é mais qualificado que  você, mas ainda assim parece que transformou essa meta em uma obsessão. Ah, quer saber. Vou tomar um banho para me recuperar e dormir. Já entendi que essa será minha sina até esse maldito exame acontecer. Espero que eu resista até lá, talvez quando você me procure eu esteja pensando no celibato - emburrado, ele seguiu para o banheiro. 

Beckett suspirou. Não gostava de brigar com Castle. Ele estava realmente chateado. Tinha razão? Fazia tanto tempo assim que não dormiam juntos? Ela sequer percebera. Estava tão focada em sua meta, em fazer isso de maneira correta que esquecera de todo o resto. A palavra que ele usara foi obsessão. Ela não gostava disso. A ultima vez que ela fora definida por esse termo foi quando perseguia a verdade sobre o senador Bracken. Por que Castle não podia entender o significado dessa patente para ela? 

É claro que ele entendia. Castle era seu maior incentivador desde quando isso começara. Ela o negligenciara. Como esposa, esquecera que deveria cuidar dele. O que acontecia com ela? Esse nervoso, essa mania de chocolate… ela travava uma luta todos dos dias ao abrir a geladeira de sua casa ou ir a mini copa. Ela o viu voltar para o quarto, vestia um pijama curto, os cabelos ainda molhados. Sem olhar para ela, deitou-se em seu lado da cama e virou-se de lado evitando o contato. Cobriu-se e fechou os olhos. Ia dar um gelo nela, mas sua tentativa de tira-la dos livros ainda não acabara. Amanhã, ele tornaria a provoca-la. 

Ao vê-lo deitar ao seu lado sem dizer uma palavra, Kate mordiscou os lábios nervosa. Ele estava fingindo que ela não existia. Estava ignorando-a. Ela podia sentir o cheiro do shampoo e do perfume dele. Fechou os olhos. Queria toca-lo. Fazia tanto tempo assim? Esticou a mão tentando alcança-lo, mas recolheu logo em seguida. Não seria uma boa ideia. Ele estava com raiva.

- Castle? Hey…

- Vou dormir, Beckett. Divirta-se com seus livros. Boa noite - ele sequer olhou para ela. Beckett entortou a boca e bufando virou-se para o outro lado. Fechou o livro com raiva e se encolheu na cama com um grande espaço vazio entre eles. Sem toques. Queria distância. 

Castle percebeu que a deixara com raiva. Sorriu. 

Domingo fazia dez dias que ela recusara o doce na sua vida. Como consequência também recusara inconscientemente Castle. Ela acordou louca por café. Demorara demais para dormir devido a pequena discussão que tiveram. Nem terminara de estudar e hoje estava determinada a esquecer esse assunto e dedicar-se aos estudos. Uma enorme caneca de cafe para começar o dia e sentaria no sofá da sala com seus livros. 

Nem bem chegou a cozinha, encontrou Alexis fazendo panquecas outra vez. O cheiro do caramelo, o açúcar das bear claws e o aroma de blueberries dos muffins adentravam as narinas de Kate fazendo-a salivar. 

- Bom dia, Kate. Quer panquecas? Acordei cedo e resolvi ir a nova padaria que abriu na rua de baixo. Sei que você gosta de “bear claws” eu trouxe para você e o papai. Ele ainda está dormindo?

- Está. Obrigada, Alexis. Mas vou passar. Vou comer um bagel com cream cheese e café . Seu pai vai adorar - Beckett suspirou. A tentação começava cedo.  

- Desculpe, eu vivo esquecendo que não está comendo doces. 

Ela fez o que planejara. Apos o café simples, ela escolheu o canto do sofá para se aconchegar e espalhou os livros na mesinha de centro. Quando Castle acordou, a encontrou assim. Debruçada nos livros. Beijou a filha e saboreou o café com um certo exagero de comentários apenas para provoca-la. 

- Hum, Alexis! Essa “bear claw” está divina! Fazia tempo que não comia uma tão saborosa.

- É, eles tem muita coisa gostosa nesse novo lugar. Você precisa ver as bombas de chocolate. É de babar. E os cannolis… hum…

- Bomba de chocolate? Por que você não trouxe para nós? Sabe que adoro o doce - Beckett ouvia a conversa e sabendo que ele fazia de propósito. Não ia cair na sua provocação.

- Eles ficam abertos até às cinco hoje, talvez quando voltar para casa do almoço com a vovó possamos passar lá e comprar.

- Você vai sair com sua vó hoje?

- Ah, sim, Richard. Faremos um programa de garotas hoje. Bom dia, kiddo. Cadê a Katherine?

- Aqui, Martha.

- Oh, querida. Desculpe. Não a vi. Enfiada nos livros? 

- Essa é a vida dela agora. Trabalho e livros - disse Castle com um tom de deboche na voz. 

- Combinamos de almoçar e ver umas vitrines - disse Alexis - Hey, Kate? Você não quer vir conosco?

- Não, Alexis - disse Castle - Kate respira livros. É só o que faz ultimamente.

- Sei como é isso - simpatizou Alexis.

- Ah, mas todos precisam de um descanso. É domingo! Tomar um ar, relaxar. A mente não aguenta tanta pressão. Devia vir conosco, Katherine.

- Obrigada, Martha. Mas eu preciso mesmo me dedicar. Estou atrasada no meu cronograma de estudos.

- Nossa! Verdade? Como isso foi acontecer? - ele falou sarcástico - pelo menos dessa vez não foi minha culpa - Martha olhou para o filho como quem pergunta “o que você está fazendo?”. Castle deu de ombros.

- Vamos nos arrumar, Alexis. Quero bater muita perna antes de nos encher de calorias - aproveitando que sua mãe e a filha desapareceram no andar de cima, Castle arrumou a cozinha e deixou parte dos doces expostos no balcão propositalmente. Ele se sentou na frente do videogame e iniciou uma partida. A principio, deixara no mudo. Esperaria ficar sozinho com ela para começar a operação “vamos irritar a Beckett”. Castle estava determinado a faze-la parar de estudar e perder várias horas do dia na cama com ele.

- Estamos de saída, Richard. Katherine, tem certeza que não quer vir conosco?

- Não, estou bem Martha - ela sorria para a sogra.

- Alexis, não esqueça de passar na padaria e comprar os cannolis e as bombas para mim.

- Pode deixar, pai. Tchau, Kate - a detetive acenou para a menina.

- Oh, quase esqueci. Richard, por acaso você viu meu cartão da galeria de artes do Guggenheim? Não sei onde coloquei. Será que está no seu escritório? Pode vir me ajudar a procurar? Acredito que coloquei dentro de um livro que estava lendo - Castle se levantou acompanhando a mãe até o escritório. Ele imaginava que se tratava de outra coisa, ela não tinha nenhum cartão do museu. Ao estarem sozinhos, ela brigou com ele - o que você pensa que está fazendo? Como pode deixar Katherine se afundar nesses livros em pleno domingo e ainda fica debochando de sua esposa?

- Mãe, não sou eu quem está errado na historia. Beckett não larga esses livros, eu tentei acredite.

- Então, tente mais porque obviamente não foi o suficiente.

- Não se preocupe. Tenho um plano. Estou no controle da situação.

- Está? Não me pareceu. De qualquer forma, boa sorte. Não estrague as coisas, kiddo - ele revirou os olhos, porém não falou nada.  

Ao estarem finalmente sozinhos, ele voltou ao videogame. Dessa vez, tirou do mudo e aumentou o volume além de conversar com o jogo e gritar algumas vezes. Beckett balançou a cabeça, mas não disse nada. Melhor ele se divertir com o videogame do que ficar atrapalhando-a. Castle trocou de jogo, agora era um de batalha. Os sons começavam a incomoda-la. Teria que pedir para ele maneirar. 

- Castle… - nada - Castle… - ele estava concentrado nos barulhos do jogo, os dedos ágeis sobre o controle, a língua do lado de fora e os olhos vidrados na tela - Castle! - ela gritou. Ele a olhou assustado. Pausou o jogo.

- O que?

- Será que dá para baixar um pouco o volume? Está me incomodando.

- Nem está tão alto…

- Castle, por favor…

- Tudo bem - ele desfez a pausa e abaixou um pouco o volume - melhor?

- Sim, obrigada - ela sorriu tentando amenizar o clima entre eles. Obviamente, não havia clima, era tudo encenação de Castle que estava conseguindo mexer com os brios da detetive. Ela voltou ao seu lugar no sofá um pouco incerta se deveria fazer isso. Estava realmente exagerando? Porém, ao sentar-se outra vez e encarar o assunto do livro, ela esqueceu.  

Vendo que ela voltara a se concentrar, Castle esperou mais cinco minutos e tornou a aumentar o volume. Outra vez, ele esperou que Beckett chamasse por ele. Não deu outra. 

- Castle, você aumentou o volume? Não consigo me concentrar. Castle… - dessa vez, ele se fazia de surdo, queria que ela se levantasse do sofá e viesse até ele, cada minuto que perdia era uma forma de desconcentra-la e quem sabe faze-la desistir. Lá estava ela. De pé, ao lado dele com as mãos na cintura - Castle! - ele olhou para a esposa - você aumentou o volume do jogo!

- Não fiz nada disso. Os barulhos são diferentes entre fases, não controlo a sonoridade das batalhas do jogo, Beckett.

- Então por que você não joga no escritório ou com seus fones de ouvido?

- Ah, droga! Morri! Quer saber? Chega de jogar, você já me atrapalhou mesmo. Vou cuidar do almoço, imagino que você queira comer, não? - ele demonstrava chateação e raiva - vou fazer uma macarronada. Se não quiser comer, pelos carboidratos, tem salada.

- Macarronada está ótimo, Castle. 

Ele seguiu para a cozinha. Ela o observava com o olhar. Começava a perceber que essa historia de estudos podia render uma verdadeira competição e criar um clima nada agradável no loft. Não queria isso. Voltou ao sofá pensativa. A primeira meta de Castle fora cumprida. Beckett começava a perder a concentração. 

Quando o almoço estava quase pronto, Castle colocou a mesa e despejou o molho sobre a massa para leva-la ao forno e gratinar por dez minutos. Hora de começar a segunda parte de seu plano. Castle pegou quatro barras de chocolate amargo e cortou-a em pedaços menores, colocou na panela, adicionou manteiga e começou a mexer preparando uma calda de chocolate. Não que precisasse, mas sabia que o cheiro atiçaria o olfato da detetive. Não errara. Beckett estava salivando ao sentir os aromas que surgiam na sala. Podia sentir o queijo gratinando, porem foi o cheiro do chocolate que a fez levantar do sofá indo até ele. 

- Hey… esse almoço está cheirando… me deu fome - ela sorria - pensei que ia fazer uma macarronada comum.

- E fiz. Só estava com vontade de come-la gratinada com bastante queijo. Oh, desculpe - ele disse ao ver que os olhos da detetive estavam nos pedaços de chocolate que sobraram propositalmente na bancada - o cheiro do chocolate está incomodando? Posso desligar. Eu quis fazer uma calda com essas barras de chocolate belga. Vai combinar muito bem com um pote de sorvete que tenho no congelador. Praline e chocolate belga também. Será minha sobre mesa mais tarde.

- Não está incomodando, Castle. Está tudo bem. 

Ele entendera o que ela quisera dizer com aquele comentário. Aos poucos, Kate estava tentando se redimir. 

- Acho que o macarrão está pronto. Quer vinho ou isso pode atrapalhar sua concentração nos estudos?

- Uma taça não fará mal - ela sentou em seu lugar a mesa, recebeu a bebida das mãos dele e esperou que trouxesse a travessa quente e se juntasse a ela para almoçar. Castle a serviu e alertou-a que estaria muito quente. Também encheu seu prato e começou a comer. Apos provar umas três garfadas do macarrão, ela comentou - isso está delicioso, Castle. Muito bom mesmo.

- Não tem nada demais, é uma massa simples.

- Talvez por isso esteja tão saborosa. Sem exageros - ela esticou a mão para toca-lo - Acho que terei que repetir.

- Fique à vontade, mas tome cuidado - sim, ela estava procurando uma forma para se redimir com ele - não vai exagerar na comida e correr para estudar, não é bom. Não quero que você fique passando mal ou dizendo que atrapalhei seus estudos com o meu almoço - ela suspirou. Quando essa briguinha ia acabar? Ao terminar de comer, ela puxou o assunto.

- Castle, desculpa. Você está chateado.

- Não estou. Se você tem que estudar, tem que estudar. Eu também preciso escrever.

- Não tente me enganar. Sei que não está satisfeito com tudo isso, será por pouco tempo, prometo.

- Não quero que prometa, Beckett. Eu sei que vai se dedicar até o teste. E não quero discutir mais por isso, pode estudar, eu não vou mais reclamar.

- Nós.. nós estamos bem? - ela parecia apreensiva, insegura.

- Esquece isso, Kate - ele sorriu - volte para seus estudos, vou escrever um pouco - ele se levantou - quer que eu faça um café?

- Adoraria - ela sorriu para ele. Café sempre significava que as coisas estavam bem entre eles. Castle preparou a bebida, entregou a ela e segurando sua própria caneca, ele se dirigiu ao escritório. Ainda incerta, ela sugeriu - se quiser pode escrever na sala, tem espaço suficiente ao meu lado - ali estava sua esposa tentando se aproximar dele. Não tão fácil, Beckett, tenho algo mais divertido.

-Prefiro ficar no escritório. Eu sempre falo sozinho quando estou escrevendo e posso te atrapalhar. Bons estudos, Kate - não tendo outra opção, ela acompanhou-o com o olhar até que desaparecesse. Gemeu frustrada. Ela percebera que sentia falta dele, dos abraços, do chocolate… ah, droga! Ela reparou nos pedaços sobre o balcão. Não ia ceder, não poderia ceder. Quatro dias. Respirou fundo e voltou para os livros. 

Uma hora depois, Castle reaparece na cozinha. Abre o congelador, serve o sorvete numa vasilha redonda funda. Em seguida pegou a calda que preparara e despejou exageradamente sobre o sorvete. Pegou uma colher e jogou os restos do chocolate por cima. Hora da ação.  Ele se encaminhou para a sala. 

Kate estava sentada no mesmo lugar de antes, lia concentrada o texto mordiscando a ponta da caneta. Ele se colocou de frente para ela. Não usaria apenas o sorvete para provoca-la. 

- Como vai os estudos? - a voz rouca e sensual a fez pular no sofá. Beckett deixou a caneta cair e quase derrubou o livro.

- Castle, você me assustou - então ela olhou para o homem a sua frente. Castle vestia apenas uma calça de moletom obviamente sem nada por baixo. O peito exposto. Os braços e os ombros ao seu dispor e uma vasilha de sorvete nas mãos. Ele levava a colher a boca fazendo parte da calda escorrer de volta no prato. Mordiscava os pedaços de chocolate. Aquela imagem mexeu com a sua mente. Beckett sentiu o corpo reagir.

- E-está bem - mas ela não conseguia parar de olha-lo. Ciente disso, porém bancando o inocente, Castle fingia estar concentrado em seu sorvete. Propositadamente, ele provou outra colher do sorvete deixando cair calda em seu peito. Ao ver o chocolate escorrer pela pele dele, Beckett soltou um gemido.

- Eu ofereceria para você, mas ainda faltam quatro dias…

- Castle? Er… Castle… tem calda d-de chocolate no seu peito… - ela não conseguia desviar o olhar do local. Ele sorriu.

- Que desperdício… - ele passou o dedo na calda e levou aos lábios - hum… agora sim… - ao lamber os dedos viu Beckett se levantando do sofá, ele podia ver o desejo nos olhos amendoados - desculpa, Beckett - pegou a colher e respingou mais calda em seu peito - ops! - quando ele fez menção de repetir o gesto com o dedo, ela segurou a mão dele, olhando com luxuria para os lábios sujos de chocolate.

- Para o diabo com a abstinência! - ela avançou nos lábios de Castle lambendo o chocolate e tomando-lhe a boca em um beijo intenso. Uma das mãos deslizavam pelo peito dele limpando a calda que derramara. Beckett quebrou o beijo levando os dedos a boca sugando o chocolate. Revirou os olhos diante do prazer de sentir o gosto do chocolate - Castle, onde está o resto da calda?

- Numa vasilha no balcão. Beckett, você deveria estudar…

- Nem mais uma palavra, Castle. Você me provocou… agora quero você e o chocolate - ela saiu puxando-o pela mão. encontrou a vasilha com a calda e não esperou chegarem ao quarto. Ali mesmo na cozinha, ela despejou parte da calda no peito dele. Colocou-o sentado em um dos bancos e a boca começou a passear pelo corpo dele lambendo o chocolate. A língua dela brincava com o mamilo dele fazendo Castle sorrir. Ele começava a ficar excitado. Pegou um pouco de calda com o dedo e lambuzou os lábios. Ergueu o queixo dela forçando-a a olhar para si. Ao ver os lábios cobertos de chocolate, ela gemeu. De repente, tirava a blusa, jogara o sutiã. Queria colar seu corpo no dele.

- Você sabe como fazer uma garota se render - ela agarrou-o pela nuca e sorveu os lábios de chocolate. Castle acariciava o corpo dela com as mãos. Ela podia sentir a ereção dele contra seu estômago. Ele desfez o botão da calça jeans que ela usava, ficou de pé e com a colher jogou calda de chocolate no meio dos seios dela. Enquanto fazia a viagem saboreando a pele de sua esposa cheia de chocolate, as mãos deslizavam a calça levando a calcinha junto. 

Os lábios de Castle sugavam os mamilos dela. Chocolate e Kate era uma ótima combinação. Ela se encarregara de puxar a calça de moletom expondo o membro rijo e pulsando pronto para recebe-la. Ele tornou a colocar os dedos na vasilha da calda e ofereceu a Kate. Ela os provou sugando sensualmente, deliciando-se com o momento. Voltou a beija-lo com vontade. Os corpos ja estavam cobertos de doce, o que pouco importava para os dois. 

- Castle, faça amor comigo. 

Contrariando o que ela esperava, Castle a tomou ali mesmo. Penetrou-a de pé contra o balcão da cozinha. O gesto surpreendeu Kate apenas por um segundo. Afinal, ela sentira falta disso. Do corpo, do beijo, do toque, de tê-lo dentro dela. Ele a abraçava enquanto se perdia dentro dela, estocando, pulsando, aprofundando-se mais e mais. Os primeiros indícios do orgasmo alertaram Castle que saiu de dentro dela diante de gemidos de reprovação. 

- Castle, não…

- Acho que precisa de mais chocolate, Kate - ele pegou a colher cheia e virou-a perto dos lábios dela, Kate usava a língua para provar o chocolate que caia, ele deixou cair um pouco em seu colo, próximo ao pescoço. inclinou-se para provar a pele e o chocolate beijando e mordiscando ao mesmo tempo que a surpreendera penetrando-a de uma vez. O grito de prazer escapou de seus lábios. Castle se movimentava trazendo-a de volta ao momento máximo do prazer. Sabendo que ele iria se entregar, pediu a ela.

- Renda-se, Kate… agora… vem, aceite…

- Oh, Castle… - e o mundo explodiu para os dois. 

Após o efeito do orgasmo, ele a beijou carinhosamente. Beckett sorria. 

- Como se sente? - ele perguntou abraçado a ela. Ainda estavam de pé, apoiados um no outro apos a pequena loucura.

- Muito bem…

- Mais chocolate? - ela gargalhou.

- Você é melhor que chocolate, Castle. Desculpa por ter esquecido por um instante do que é realmente importante.

- Tudo bem. A rendição valeu a pena… doce rendição - ele acariciou o rosto dela, Kate entrelaçou a mão na dele puxando em direção ao quarto.

- O que você está fazendo?

- Preciso de um banho, você não? - o sorriso maroto apenas fez o coração dele disparar e sentiu a pontada na virilha.

- Claro, hora de nos livrarmos do chocolate. 

Eles entraram no chuveiro e Beckett seguiu seu plano. Fizeram amor novamente, riram e finalmente deixaram o banheiro. Contudo a diversão não parou. Na cama, eles renderam-se mais uma vez um ao outro. Saciados, ela se aconchegou no peito dele. Estava quase dormindo. 

- Não vai voltar a estudar?

- Não hoje. Não tenho energia, você sugou toda a que eu tinha.

- O prazer é meu. Durma, Kate. 

Eles não ouviram quando Martha e Alexis chegaram com várias sacolas e os doces da padaria. Martha reparou na sujeira do balcão. Havia chocolate grudado até no banco. Também reparou que os livros de Kate estavam jogados no chão. Sorriu. Podia imaginar que o plano de seu filho tivera êxito. 

- Cadê o papai? Não estava louco para comer a bomba?

- Deixe eles, devem estar no quarto. 

Castle foi o primeiro que abriu os olhos. Ouviu as vozes na cozinha, sentindo o marido se movimentar, Beckett acordou e sentou-se na cama. 

- Acho que mamãe e Alexis chegaram.

- Castle, a cozinha…

- Não se preocupe. Elas sabem que faço bagunça quando cozinho - ela se levantou, vestiu o roupão sobre a camiseta e se dirigiu com ele até a sala.

- Ora, vejo que encontraram algo mais interessante para fazer que estudar.

- Estávamos dormindo, mãe.

- Trouxe os doces que você pediu, pai. Aqui está, sua bomba de chocolate - ela entregou ao pai bem na frente do rosto de Kate - oh, desculpe. Você não está comendo chocolate, Kate. Não quis deixa-la na vontade.

- Na verdade, Alexis, a abstinência acabou. Eu já tive uma dose muito grande de chocolate por hoje, mas não dispenso um bom cannoli… - ela olhou para o marido. Castle engoliu em seco.

- Um bom cannoli… sei… e-eu vou voltar a escrever - ele saiu quase correndo. Beckett pegou outro cannoli e caminhou para o quarto - acho que vou saborear meu cannoli sossegada. Passar dez dias sem cannoli não é tarefa fácil… - rindo ela sumiu no quarto. Martha balançou a cabeça. Ser jovem e apaixonado. O casamento desses dois nunca seria sem graça.

- Castle… pode trazer o cannoli que deixei no seu escritório?

- A sessão de estudo vai longe hoje, vamos subir, Alexis. Vamos assistir um filme. E traga as bombas de chocolate, precisaremos delas.  


THE END

8 comentários:

Gabriela Mendonça disse...

Kate e suas obsessões kkkk Niega, niegaaa não deixa o boy assim não kkk
Tadinho do Rick não podia dizer que ela estava exagerando, nem que estava engordando kkkk e para piorar ainda ficou na seca tadinho kkkk nem massagem ajudou... Dei risada com ele atrapalhando ela usando o game kkkkkk
Agora me diz, como é que resiste a Caslte sem camisa e com chocolate?? Immmpoooossiiiiiveeeeel kkkkk. Kate se armou nessa. Ameiii...

Ana Cavalari disse...

Hueheueheueheuehehehehe aí Deus, por que isso é tão familiar hein???
Beckett mostrando que as vezes pode ser um ser humano "normal". A gente te entende Kate! Não conseguiria definir qual é a maior tentação; o Castle ou o chocolate, mas que bom que Kate é espertinha (ou seria safadinha?) E juntou o útil ao agradável 😂😂. Amei Kah. Ps: a sempre bom servir de inspiração (a humilde) hueueheeuhe
Ps2: mais uma e já posso pedir música no fantástico meu!

Ana Cavalari disse...

Hueheueheueheuehehehehe aí Deus, por que isso é tão familiar hein???
Beckett mostrando que as vezes pode ser um ser humano "normal". A gente te entende Kate! Não conseguiria definir qual é a maior tentação; o Castle ou o chocolate, mas que bom que Kate é espertinha (ou seria safadinha?) E juntou o útil ao agradável 😂😂. Amei Kah. Ps: a sempre bom servir de inspiração (a humilde) hueueheeuhe
Ps2: mais uma e já posso pedir música no fantástico meu!

Sarah Maciel disse...

Após muito tempo, finalmente eu apareci. Tomei vergonha na cara e vim agradecer por essa história incrível.

Este foi, definitivamente, o melhor capítulo de GP que você já escreveu, posso estar dizendo isso porque sou uma viciada em chocolate, mas quem liga, não é?

Tive pouco tempo para comentar, mas prometo que aparecerei mais vezes.

BEIJOS!!!!!
DA Sarah

cleotavares disse...

Será que na prova para capitã, tem redação (tema livre, claro)? hahahahahaha A Beckett pode escreve sobre o chocolate e seus benefícios.

rita disse...

Excelente! depois desse começo passei a gostar ainda mais de chocolate. Beijos.

marta cristina oliveira disse...

E assim surgiu KIT KATE!

marta cristina oliveira disse...

E assim surgiu KIT KATE!