terça-feira, 18 de outubro de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.67


Nota da Autora: Enfim, dobramos a esquina, chegamos a "Always". Como não poderia deixar de ser, esse episódio foi uma milestone para Castle e Beckett e todos os fãs que compreendem tão bem o significado da luta desses quatro anos. Tão marcante que não poderia ser relatado em apenas um capitulo. Antes que me perguntem, sim, existem falas do episódio no texto, existem tambem enxertos, modificações e cenas novas. Há pouco o que mudar ou acrescentar nessa primeira parte. Quero lembra-las que ainda é uma fic AU com elementos diferentes da série, mas de mesma essência então não poderia ignora-los nem criar plots malucos, estamos falando da S4, a mais dramática. Eu diria que a carga emocional desse capitulo não é tão grande, o mesmo já não posso dizer do outro. Um passo de cada vez e enjoy! 


Cap.67        

Quando voltou no consultório de Dana no dia seguinte, Beckett tinha um sorriso de orelha a orelha. Havia um brilho no olhar. 
- Olá, Kate. O que aconteceu com você? 
- Nada... – ela tentava disfarçar. 
- Alo? Sou sua terapeuta esqueceu? Nada não existe para mim e não adianta se fazer de desentendida. Conte logo. Aqui nesse consultório não temos segredos. Viu passarinho verde ou devo dizer um “passarinho” de olhos azuis? 
- Meu Deus! Será que posso ao menos sentar? – no fundo, ela estava ganhando tempo para atiçar a curiosidade da amiga. Por dentro, estava vibrando. Sentou-se no divã, suspirou – não vai me oferecer um café? 
- Resolveu me torturar, Kate? Seu semblante não nega, está louca para me contar algo – Kate apenas manteve os olhos fixos na terapeuta – está bem, vou pegar o café. Não ouse perder nem mais um minuto me enrolando. Essa alegria estampada no seu rosto tem nome e sobrenome. Rick Castle – Dana entregou o café para ela – Desembucha. Você disse algo mais para ele ou Castle fez algo...oh! Ele agarrou você? 
- Não, Dana! 
- Alguma coisa aconteceu... – Kate sorriu. 
- Sim. Pela primeira vez em muito tempo o dia foi bom, muito bom. Foi quase uma volta aos velhos tempos. 
- Quase? 
- Para ser completo, teria que ter acontecido um beijo de verdade. 
- Oh...agora você tem toda a minha atenção. Pode contar... – Kate suspirou, abriu um sorriso. 
- Tudo começou essa manhã... 

12th Distrito 

Beckett estava sentada em sua cadeira lendo o relatório do último caso enviado por Esposito. Até aquele momento, não havia sinal de Castle e nem de um novo homicídio que servisse de pretexto para que ela pudesse ligar para o escritor. E já eram quase onze da manhã. Depois dos últimos acontecimentos, Beckett pensara que as coisas iam ser diferentes. Ficariam mais tempo juntos. Sorriu brigando consigo mesma. Você sequer tem um caso! Pare de agir como a adolescente ansiosa. Então, ela decidiu ir a cozinha encher novamente a sua caneca de café. 
Quando estava no caminho, ele apareceu na sua frente. O sorriso no rosto provocou a reação imediata em Beckett. Ali estava Castle vestindo a camisa roxa, o blazer cinza com dois copos de café nas mãos. Café. Depois de tanto tempo, ele trouxera café como fazia antes. 
- Castle, o que faz aqui? – ela não conseguia disfarçar o sorriso. 
- Decidi ver se alguém morreu e trazer um café para o caso de você está entediada. 
- Você sabe que se tivéssemos um homicídio eu ligaria. Por que realmente está aqui? Além do café – ele entregou o copo nas mãos dela - obrigada. 
- Eu perdi a inspiração para escrever. Passei boa parte da noite e da madrugada escrevendo e chegou um momento que travei. Então eu tentei dormir um pouco. Cochilei. Voltei para o notebook e nada aconteceu. Cheguei a conclusão de que precisava de algo novo, um caso ou uma conversa com você. Talvez conversar com a minha musa trouxesse minha inspiração de volta – o coração de Beckett bateu mais rápido ao ouvi-lo chamando-a de musa. Será que ele tinha ideia do quanto ela queria essa interação novamente? 
- Oh, Castle... sinto muito. Não tenho corpos, nem casos. Dessa vez, não posso ajuda-lo. Vai ter que achar um modo de sair do bloqueio sozinho. Ou pode ler um dos seus concorrentes... – ela implicou e ele sabia. 
- Hahaha, muito engraçadinha você. Como eu disse, uma das formas de resolver isso é conversando. Já que não tem um caso para investigar, por que não aproveitamos a calmaria e saímos para almoçar? 
Ela ouviu direito? Castle estava lhe convidando para almoçar? Ele realmente queria passar um tempo na companhia dela? Beckett ainda estava meio atordoada com o convite. Depois de tanto tempo, isso era... não conseguia definir o que era...não precisava dramatizar ou colocar uma definição. Era bom. Sentiu um frio na barriga. 
- Almoçar aonde? Estou trabalhando, no meio do meu turno. 
- Beckett, você não tem muito o que fazer, deve estar passando o tempo com a papelada tediosa. E você precisa comer. Tem duas horas de almoço. Não precisamos ir muito longe. Se preferir comer algo no Remy´s por mim, tudo bem. 
- Remy´s é sempre bom. Mas ainda não posso ir. Tenho que terminar uma revisão da papelada chata como você diz, além disso, não são nem meio-dia. 
- Tudo bem, termine o que precisa. Eu vou aproveitar para dar uns telefonemas para Gina. Tenho umas coisas para resolver com ela. 
- Você vai ligar para Gina mesmo com bloqueio? Quais as chances dela não te cobrar capítulos? 
- Ela não vai cobrar. Estou no prazo. São outros assuntos. Posso usar uma das salas de interrogatório? 
- Vá em frente – sorrindo, Beckett voltou a sentar-se em sua mesa. Agora tinha ânimo para terminar a verificação do relatório. Eram quase uma da tarde quando Castle sentou-se na sua cadeira cativa. 
- Esqueceu de almoçar ou morreu de tédio olhando para esse computador? Que tal parar um pouco e vir comigo até o Remy´s? 
- Tudo bem, vamos – ela travou o computador, pegou sua jaqueta e anunciou na direção de Ryan e Esposito – rapazes, vou almoçar. Liguem se algo pintar – eles acenaram em concordância. Nem bem os dois viraram as costas, Ryan comentou. 
- Finalmente! Acho que agora esses dois se acertam de vez. Estava odiando aquele clima tenso e Castle correndo atrás de outro detetive. Sem falar naquela tal loira. Já foi tarde. 
- Bro, qual é o seu problema? Por que fica mexericando a vida dos outros? Parece mulher! 
- Eu só quero que eles sejam felizes. Eles merecem. 

Remy´s       

- Detetive Beckett, bom vê-la outra vez. Castle. 
- Olá Jimmy – disse ela sentando-se a mesa. 
- O de sempre? 
- Por que não? – ela respondeu. 
- Ok, dois cheeseburgueres, fritas, um milk-shake de morango, outro de chocolate caprichado saindo – os dois riram. Mesmo não vindo na lanchonete por, pelo menos, dois meses eles sabiam de cor suas preferências. Tudo devido a fama de Beckett e seu apego ao lugar. 
- Parece que o crime resolveu lhe dar uma folga, Beckett. Não que eu esteja reclamando, mas hoje eu precisava de uma historia. 
- Por que não me diz o que está lhe incomodando? Talvez possa ajudar. Espera! Não é uma cena de sexo, é? 
- Claro que não, Beckett! Tenho muita imaginação para isso – ele olhou maliciosamente para ela – o meu problema é um motivo convincente para o leitor – então eles começaram a discutir ideias, era quase uma investigação própria. A comida chegou, a conversa continuou e eles perderam a noção do tempo. Quando terminaram o almoço, Castle sugeriu dividirem uma banana Split. A espontaneidade do convite fez Beckett sorrir. Era bom ver as coisas entrando no ritmo para eles. Aceitou. Enquanto dividiam o sorvete, Castle mudou o tópico da conversa. 
- O verão está se aproximando. Você tem algum plano? Pretende tirar uns dias de folga? 
- Não sei. As coisas tendem a ficar loucas em Nova York no verão. Por enquanto, sem planos. E você? Pensando nos Hamptons para escrever? 
- Não para escrever. Vou terminar a historia antes. Tenho algumas alternativas. Se quiser ir aos Hamptons, fique à vontade. Apenas me avise. 
- Você está dizendo para eu passar um tempo lá sem você? 
- Não, logicamente você seria minha convidada. Sou um ótimo anfitrião, não a deixaria sozinha, Beckett. Como disse tenho vários planos alternativos. Um deles é os Hamptons que seria ainda melhor com a sua companhia – ele tocava a mão dela, acariciando de leve. Beckett abriu um sorriso e suspirou. Não podia evitar. Sentia falta do toque de Castle, do carinho. O coração começou a bater mais forte. Quando ele afastou a mão, pode ouvir um gemido frustrado escapar dos lábios de Kate. Automaticamente, ela colocou outra colher do sorvete de chocolate na boca. Era seu acalanto como a própria Dana dizia. 
- Sabe, estou pensando em viajar, porém não decidi sobre isso. Não estou a fim de viajar sozinho. 
- Por que você não leva Alexis? – idiota, ele está tentando te convidar, pensou. 
- Tudo que Alexis pensa é na formatura, faculdade e se despedir dos amigos que vão morar em outros estados. E eu não seria boa companhia para ela. 
- Ainda é cedo para definir seus planos, Castle. Faltam pelo menos três semanas para o verão. 
- Veremos. De qualquer forma, se viajar será para a Europa – Roma, foi o pensamento que veio a mente de Beckett. 
- Ótima escolha. 
- Posso pedir a conta? – o olhar de Beckett pareceu triste – podemos ir a cafeteria da esquina para um café? 
- Oh, claro! – Beckett tentou disfarçar o sorriso, Castle percebeu o alivio. Pagou a conta e saíram caminhando até a Starbucks da esquina. Sentaram no canto com seus copos grandes de café – Não importa o quanto eu coma, sempre há espaço para o café. 
- É porque você é uma viciada como eu. Como vão as coisas com Dana? Desculpe, se não quiser conversar sobre isso... eu sei que é pessoal. Não quis me intrometer. Desculpe, esqueça. 
- Tudo bem, Castle. Não está se intrometendo. Não há muito o que falar, quer dizer, a terapia vai bem. Falamos sobre muitos assuntos importantes. Coisas que nunca tinha percebido sobre eu mesma. Por mais estranho que possa soar, eu me sinto outra pessoa, venho redescobrindo a Kate. Acho que me acostumei em conversar, em ter alguém para me ouvir e apontar caminhos. Dana torna isso mais fácil também. 
- Fico feliz em ouvir você falar assim. 
- Ela diz que falta pouco. Eu espero que sim. 
- Espera ou sente? 
- Um pouco dos dois – ela sorriu – eu preciso voltar são quase três horas de almoço, Castle. Você vem comigo até o 12th? 
- Não, vou para casa, afinal com sua ajuda pude achar o caminho. Na verdade, minha cabeça está fervilhando com palavras, diálogos. Preciso colocar isso no papel – ela suspirou. 
- Tudo bem. Ainda sou capaz de inspira-lo. 
- Always – ele sorriu – cuide-se, Beckett. E não fique perdendo muito tempo com essa papelada. Faça um favor para nós dois, arranje um assassinato – ela riu. Castle se aproximou dela, podia sentir o perfume tão familiar dele – bom trabalho, detetive – ali estava, a palavra doce saindo de seus lábios. Não apenas isso, mas Castle inclinou-se e beijou-lhe o rosto fazendo Beckett fechar os olhos. Ele não sabia, mas naquela fração de segundos, Kate Beckett resistira ao seu desejo como um viciado em meta anfetamina resiste a primeira tragada na reabilitação. Castle foi embora. 


- E foi isso que aconteceu. Eu fiquei lá parada. Esperando meu corpo voltar ao normal porque eu praticamente não sentia minhas pernas, havia um redemoinho no meu estômago, um arrepio na espinha e um coração descompassado dentro do meu peito. Eu quase o beijei, Dana. 
- E por que não foi adiante? Por que não se rendeu ao desejo que dominava seu corpo, sua mente e seu coração?
- Porque não seria correto. Eu já disse que estou pronta para encarar meus sentimentos com relação a Castle, porém ainda tenho um assunto pendente. Se eu cedesse ao beijo, não conseguiria mais parar e depois ia ficar procurando motivos para não ter feito aquilo e se algo acontecesse referente a minha mãe, eu acabaria fazendo besteira. Quando acontecer, Dana, eu quero me entregar por inteiro. Não quero ter mais vínculos com o passado ou ao menos estar ciente do que eu possa fazer quanto a isso. 
- Entendo. Isso é um pensamento muito maduro. A velha Kate certamente não diria isso. O que você acha que aconteceria se eu chegasse hoje para você e repetisse a experiência? Qual seria sua reação? – Beckett fechou os olhos por alguns segundos, depois baixou a cabeça fitando as mãos. Dana sabia que ela estava ponderando sua resposta. De repente, ela pega a corrente em seu pescoço. O solitário. O símbolo de afeto e perda que a acompanha diariamente, o pedaço da mãe que vive com ela. 
- Ontem você me disse para pensar sobre isso. E-eu acho que cheguei a uma conclusão. 
- E qual seria? 
- Se você realizasse a experiência hoje, após todos os muros que já derrubamos, todos os assuntos difíceis que tratamos, a minha resposta e reação ainda seria a mesma. Eu surtaria, enlouqueceria saindo pela porta afora em busca de respostas, caçando a pista. Eu também entendo porque eu faria isso. Depois de treze anos, eu entendo. 
- E por que sairia correndo investigando a pista? – Dana já imaginava a resposta, porém queria ouvi-la dizer. 
- Porque eu preciso saber a verdade. Eu devo isso a ela e a mim. Vincit Omnias Veritas. Somente descobrindo a verdade irei vencer essa fase da minha vida. Porque em todos os casos que trabalho, todas as vitimas de assassinato que cruzam meu caminho, eu busco pela verdade e pela justiça. Eu não descanso enquanto não prendo os culpados e conheço toda a historia. Buscar justiça é o meu trabalho, mas também é parte de quem eu me tornei. Não importa quanto tempo se passou, a verdade será sempre importante. Seria irônico e injusto saber que ajudei a colocar o ponto final no caso de milhares de pessoas e não pude fazer o mesmo com o da minha própria mãe. Simplesmente deixar esses treze anos para trás seria desacreditar em tudo que construí nesses anos na NYPD. Minha reputação, meu distintivo e a mim mesma – Kate suspirou enxugando uma lágrima. 
- Então, acredito que estou presa ao último murro por tempo indeterminado. 
- Talvez não. Para mim, você acabou de derruba-lo simplesmente por ser capaz de entende-lo e a si mesma tão bem. Porém, concordo que a prova final será vivenciar a experiência na vida real. O que nos deixa com outro problema. Quando isso efetivamente poderá acontecer? Não sabemos, Kate. Pode ser amanhã, daqui a um mês, um ano, dez anos. 
A terapeuta suspirou antes de continuar. 
- Lembra quando entrou no meu consultório dizendo que queria superar tudo. Ser mais do que era? – Beckett acenou concordando com a cabeça – adivinha o que acabou de acontecer, Kate. Você conseguiu. Não apenas conseguiu entender quem é, como está lidando e crescendo a cada nova descoberta. Você acabou de responder a outra pergunta. Sobre o assassinato de sua mãe. Nunca quis que ignorasse o que aconteceu, Kate. É parte de quem você é. Quem se tornou, a admirável detetive que roubou a atenção de seus colegas e superiores e o coração de Rick Castle. Portanto, eu poderia dizer que concluímos nosso tratamento na teoria. Você se reinventou, Kate. Estou orgulhosa de ver o que aconteceu em quase um ano. 
- Você está me mandando embora de seu consultório, Dana? 
- Claro que não, Kate. Não ouviu o que disse? Sobre você ter crescido. A teoria acabou, a vida se encarregará da prática. Como se sente? 
- Eu me sinto muito bem. Claro que ainda receosa com o que uma pista sobre o caso da minha mãe pode fazer comigo, mas reconheço que aquela velha Kate como você costumava dizer desapareceu quase por completo. 
- E ainda tem Castle... 
- Sim, Castle – ela não conseguiu evitar o imenso sorriso – no fundo, foi ele que me fez querer ser melhor. 
- Não, isso é totalmente um mérito seu. Você quis, Kate. Castle apenas exerceu um papel muito importante na decisão, na sua trajetória. Diante disso, será que não está sendo rígida demais em não se deixar aproveitar a outra parte da sua vida que está clamando por uma ação? O seu lado pessoal, seu relacionamento com Castle. Sua chance de ser feliz. 
- Eu não sei... talvez... como devo lidar com isso, Dana? 
- Acho que já deu o primeiro passo. O próximo seria continuar a aproximação. Por que não pensa com carinho no convite de Castle para passar o verão nos Hamptons. Pode ser uma forma de você reavaliar suas prioridades e a linha do tempo – ela consultou o relógio – falando nele, acho que acabamos por hoje. Apenas queria fazer uma observação. 
- Vá em frente. 
- É incrível a carinha de felicidade com a qual você me contou sobre o dia especial com Castle, seus olhos brilhavam ao falar do café, seu almoço, do toque e claro, do beijo. Vê-la assim me dá a sensação de dever cumprido.        
- Ainda não acabamos, Dana. 
- Não na prática – a terapeuta sorriu – gosto da teoria, me deixe ficar feliz por essa conquista também. Quando você quer retornar? Daqui a dois dias está bom?
- Sim. Quando você viaja mesmo? 
- Dez dias. 
- Tudo bem... vou ter que me acostumar a ficar sem as nossas conversas. 
- Se precisar, fale com Maddie – Kate riu. 
- Se depender de Maddie, eu não só vou para os Hamptons como viajo por seis meses com Castle já contando a partir de amanhã – Dana gargalhou. 
- Pode culpa-la? – Kate balançou a cabeça sorrindo – até a próxima, Kate. 
- Tchau, Dana.  

Dois dias depois…

Era para ser apenas mais um homicídio, porém naquela manhã, algo diferente aconteceu. 
Beckett estava a caminho da delegacia quando recebeu a ligação de Ryan avisando para ir direto a uma nova cena de crime. Logo em seguida, ela ligou para Castle perguntando se ele estava disponível e se queria uma carona. Ele aceitou desde que Beckett concordasse em parar numa cafeteria antes para comprar cafe. Castle aproveitou a oportunidade para comentar da formatura de Alexis. 
Ja no endereço indicado por Ryan, ela pergunta como ele está lidando com a novidade. Castle diz que depois da formatura, Martha ira para os Hamptons, Alexis para festa e ele se dedicará a uma maratona de filmes de John Woo. Vendo o interesse de Beckett, ele perguntou. 
- Você gosta de John Woo? 
- Quanto mais sangrento, melhor - então ele arriscou. 
- Você gostaria de se juntar a mim? 
- Na verdade, eu adoraria - disse Beckett. A resposta inesperada o fez parar no meio do caminho, surpreso. Com um pequeno sorriso nos lábios, ela tornou a falar com ele - você vem, Castle? - ele finalmente se moveu, Beckett não vira, mas Castle também tinha um sorriso no rosto. 
Infelizmente a vitima havia cometido um roubo antes de ser morto. O assassino aparentemente queria os mesmos objetos que estava em sua posse. Apos averiguar o carro da vitima, eles descobriram algo estarrecedor. O ultimo endereço no GPS era da casa de Montgomery. 
De repente, Beckett sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. Isso não era um bom sinal. 
Ao conversar com a esposa do seu ex-capitão, eles descobriram que ela atirara no ombro de sua vitima, ele tinha arquivos antigos e o notebook de Montgomery. Beckett ficava cada vez mais intrigada. Seu semblante denotava preocupação. De volta ao distrito, Esposito foi o primeiro a falar abertamente que o roubo poderia estar conectado ao caso da mãe de Beckett. Não poderia ser apenas uma coincidência o fato do cara estar morto após invadir a casa do capitão. Não querendo ceder a possibilidade, ela ordenou que os rapazes vasculhassem casos antigos que Montgomery trabalhava que talvez envolvessem a vitima. 
Na mini copa, ela preparava um cafe. Tentava manter-se calma, organizar os pensamentos e principalmente não ceder de imediato a conclusão que gritava em sua mente. Ela tentava lembrar de sua ultima conversa com Dana, de como poderia reagir se o assunto do caso de sua mãe viesse a tona outra vez. Foi assim que Castle a encontrou. Calada, com o olhar preocupado, mexendo uma caneca de cafe. Ao vê-lo, falou. 
- Diga algo reconfortante. 
- Há milhares de casos de roubo em Nova York. 
- Não pode ser uma coincidência, Castle. 
- Não tire conclusões precipitadas… - mas o olhar que ela lhe deu, fora suficiente para entender que ambos ja consideravam a mesma coisa. 
- Nosso ladrão está morto e o que ele roubou desapareceu. Eu nem sei quantas vezes eu me perguntei porque continuo viva. Da ultima vez, eles disseram que eu estava chegando muito perto e ainda assim eu não consigo entender como ainda estou aqui - Castle a olhava sereno. Ele sabia. Montgomery pedira sua ajuda. Não podia dizer a ela, para sua própria proteção. 
- É como se eu estivesse esperando constantemente para algo significante acontecer. Eu não  sei, e se isso for o que eu esperava? 
- Não vamos assumir isso agora. Além do mais, o que quer que aconteça será tratado diferente por você. Lembre-se da experiência de Dana, do seu tratamento. Precisa encarar o cenário de outra maneira, mude a perspectiva. 
- O que você quer dizer com isso? 
- Que se de alguma forma, Esposito estiver correto, se estiver ligação com o caso de sua mãe, você irá devagar. Irá seguir a evidência até onde ela a levar, cuidadosamente. Precisa assumir o papel de observadora, como se esse fosse um homicídio qualquer. 
- Você sabe que não é tão simples assim. 
- Eu sei, mas você terá que tentar.     
 Mais tarde em seu escritório Castle fitava a tela de seu monitor. O arquivo que mantinha sobre o atentado dela e o caso da mãe aberto. O semblante preocupado e o silêncio que se instalara no loft logo após sua chegada acabou atraindo a atenção de Martha. Ela o encontrou fitando a foto de Beckett. Ao perceber a presença da mãe, ele começou a falar. 
- Não é justo. Não agora. Ela estava melhor, lutando, por nós. Começou a sair da sua toca, romper todos os muros e barreiras. Por que? 
- Você realmente acha que pode ter relação com o caso da mãe dela? 
- Sinceramente, desejo que não. Por outro lado… eu não posso deixa-la sozinha, não posso contar… não sei o que pode acontecer. Eu tenho medo. 
- Eu sei… - Martha decidiu deixa-lo sozinho com seus pensamentos. 

Naquela noite, alguém sequer deixara a delegacia. Beckett ficara até tarde analisando as evidências que tinha, queria muito encontrar um motivo no passado da vitima que indicasse o roubo e que não tivesse relação com o caso de sua mãe. Cada minuto que passava, ela tinha mais certeza de que seu instinto pessoal e profissional estavam certos, apenas não queria admitir. Tentava seguir o conselho de Castle. Ela chegou a cogitar ir para casa, pensou em dormir na delegacia mesmo. Desistiu. Dormira duas horas e retornara ao 12th por volta das sete da manhã.  
Quando Castle chegou trazendo o café, encontrou-a na mesma posição. Fitando o quadro. Ele entregou o cafe. Sentou-se ao lado dela. 
- Você dormiu? - ela aparentava cansaço. 
- Muito pouco. 
- Alguma noticia sobre a nossa vitima? 
- Ele não estava envolvido em nenhum caso antigo de Montgomery. 
- E a ligação?   
- Não é possível de rastrear. Celular pre-pago. 
- Hey, você não está sozinha. Eu estou aqui - Beckett sorriu para ele, pegou a mão de Castle na sua acariciando-a levemente. 
- Eu sei - eles trocaram um longo olhar. Então foram interrompidos por Ryan e Esposito. Segundo os dois, havia sim um conexão entre Montgomery e a vitima através de um cara que fazia parte da mesma gangue. Além disso, uma testemunha vira esse mesmo cara com uma tatuagem no mesmo beco onde a vitima fora morta, Montgomery prendera o primo dele, uma ordem para reabrir o caso foi solicitada um mês depois que Montgomery fora morto. Identificaram o suspeito através de câmeras de transito. Por um breve momento, o alivio tomou conta de Beckett. Deixou a preocupação de lado e assumindo a postura de detetive, ordenou que os rapazes encontrassem o tal suspeito. 
Na delegacia, Beckett o entrevistou. A arma que estava com ele era a mesma que fora usada na vitima. Ele afirmou conhecer a vitima e não vê-lo em anos. Também disse que as armas não seriam compatíveis. Beckett teimou afirmando que a ultima ligação da vitima foi para o número do celular encontrado com ele.  Do lado de fora, Ryan e Esposito receberam uma noticia explosiva. Balística e o DNA não eram dele, porém havia batido com outro caso. O atentado contra a vida dela. Beckett ficou arrasada. Não queria que Gates soubesse. Castle estava devastado diante da possibilidade dela se jogar de cabeça nisso tudo. 
Quando estava no loft, ele recebeu um telefonema de Smith. Castle explica que eles invadiram a casa de Montgomery. Ele afirma que é apenas uma questão de prevenção contanto que Beckett se mantenha fora disso. Castle disse a ele que não era algo fácil, Smith foi claro, ou ele a controla ou eles irão retaliar. 
Durante todo o dia, Castle tentou desvia-la da investigação, infelizmente era algo difícil de conseguir. Beckett era muito determinada e os rapazes também a ajudavam. As pistas foram esquentando e chegaram a uma face. A maior pista de todo os tempos. Ao se separarem naquela noite, Castle foi para casa com um sentimento ruim. Ele precisava encontrar uma maneira de convence-la e estava sem ideias. 
Em seu apartamento, Beckett fitava todo o quadro que montara do assassinato de sua mãe incluindo a morte de Montgomery e seu tiroteio. Um filme passava em sua mente, cada detalhe, cada morte, cada pista perdida. Ela não ia perder nada agora. Não. Dessa vez, ela pegaria o culpado. 
Seu celular vibrava. Dana. Ela tinha consulta no dia anterior, porém com o caso sequer se lembrou de ligar para a terapeuta. Não atendeu, mas de repente se viu pensando no que discutira ha alguns dias em seu consultório. Sobre a chance de vivenciar a experiência na prática. A dúvida de como reagiria. Parece que chegara o momento de se perguntar qual o caminho que iria seguir. Beckett suspirou. No fundo, ela sabia. Dedicou sua vida a verdade, a justiça. Precisava seguir a pista. Tinha que encontrar aquele homem misterioso. E o que isso dizia de sua relação com Castle? Ela sabia que ele estava preocupado, mas era Castle. Ele sempre a seguia em suas batalhas. 
O celular voltou a tocar. Dana outra vez. Melhor atende-la. 
- Oi, Dana. 
- Kate! Como você some desse jeito? Esqueceu a nossa conversa de ontem?  
- Não esqueci, Dana. Surgiu um caso, um daqueles bem intrigantes. Acabei sendo consumida por ele e esqueci de avisar que não ia. 
- Quando posso espera-la? 
- Não sei, deixa eu terminar esse caso. Eu te ligo - ela notou a ansiedade na voz da amiga. 
- Kate, está tudo bem? 
- Está, Dana. Falamos assim que eu resolver esse caso - desligou. Não poderia dizer a Dana que estava investigando o seu atentado e talvez o caso da sua mãe. Outra vez o celular tocou. Esposito. Ao terminar de falar com o detetive, alguém batia em sua porta. Castle. Ela estava tão pilhada pelo último fio de esperança dado por Espo que não reparou no semblante do escritor. Ao vê-lo, tratou de atualiza-lo com as informações, deixando claro que sabia ser procurar agulha no palheiro e que não se importava. Ele tentou interrompe-la duas vezes sem sucesso para por fim ela lhe conceder a palavra. A voz de Castle quase falhou de tão nervoso que estava.     
- Beckett, você precisa parar essa investigação. 
- Castle, nós ja conversamos sobre isso. Eu estou bem. Estou no controle - ela parecia calma, tinha um sorriso nos lábios, queria acalma-lo. 
- Não, você não está. Eles estão e se você não parar, eles irão mata-la, Kate. 
- Do que você está falando? - Castle suspirou e começou a falar. Hora de colocar tudo as claras. A voz era baixa, como alguém que confessava um pecado, ele contava a historia. 
- Antes de Montgomery ir aquele hangar, ele mandou uma pacote para alguém que conhecia para protege-la, mas o pacote não chegou a tempo e você sofreu o tiro. O amigo de Montgomery teve que negociar com eles. Disse que se você ficasse a salvo, aquele arquivo nunca seria revelado, mas você tinha que parar. Você parou e esse é o motivo pelo qual você continua viva, Kate.  
- Como você sabe disso? - agora o sorriso desaparecera e o nervosismo começara a aflorar. Não era apenas Castle quem estava ansioso. Ele baixou a cabeça tentando se manter calmo, o que era quase impossível. 
- Para que o acordo funcionasse, alguém tinha que ter certeza de que você não iria continuar. 
- Você é parte disso? - ela se afastou. Não, ele não podia ser, não podia tê-la traído. Virou-se de costas, não queria fita-lo antes de entender tudo. Prontamente, Castle respondeu. 
- Eu só estava tentando te proteger - mas era tarde demais. A emoção da descoberta já aflorara na mente e no corpo de Beckett. Como ele pode? A pergunta persistia, ela virou-se para encara-lo. 
- Mentindo para mim sobre a coisa mais importante da minha vida? 
- Essa mentira era a única coisa te protegendo. 
- Castle, eu não precisava de proteção, eu precisava de uma pista. Você escondeu isso por um ano - enquanto ela falava, ele ponderava seus sentimentos, mas estava a ponto de explodir - e quem é essa pessoa? Como eu o encontro? - lá estava ela novamente, interferindo, querendo continuar. 
- Ele é uma voz no telefone, uma sombra na garagem… 
- Você se encontrou com ele? Como você sabe que ele não está por trás do assassinato da minha mãe? Como você sabe que ele não está envolvido e como diabos você pode fazer isso? 
Chega! Era isso! Ele não iria mais se segurar. 
- Porque eu te amo. Mas você já sabia disso, não? - ela engoliu em seco. Não esperava que ele fosse dizer isso - Você já sabe por quase um ano. 
- Está brincando? Você realmente está trazendo isso à tona agora? Depois de dizer que você me traiu? 
- Kate, me escute… 
- Te escutar? Por que eu deveria te escutar? - ela ergueu a voz, ainda não acreditava que Castle mentiu para ela - como posso confiar em qualquer coisa que você diga? 
- Como? Como? Por causa de tudo que passamos juntos - ele gritou - quatro anos, eu estive bem aqui. Quatro anos esperando que você abrisse seus olhos e visse que eu estava bem aqui. E eu sou mais que um parceiro! Tivemos juntos, fomos namorados. Por um breve momento nós vivemos um romance, sentimos o quanto fomos importantes um na vida do outro. Você me disse que queria se curar, quando descobri que você se lembrava Kate, e-eu perdi o chão. Não era para ser assim - ele respirou, baixou a voz - mas eu continuo aqui. Por que? Porque você me disse que queria mais que Roma, disse que queria mudar, e e-eu acreditei. Mesmo depois de me ver magoado, após escutar você dizer que se lembrava de cada segundo do seu tiroteio, eu estou aqui. Chegar a ser patético, mas sou um bobo apaixonado. Toda manhã eu lhe trago um copo de café apenas para ver um sorriso no seu rosto porque eu acho que você é a mulher mais marcante, louca, desafiadora e frustrante que eu já conheci e eu te amo, Kate e se isso significa alguma coisa para você, se você se importa comigo, não faça isso. 
- Se eu me importar com você? Castle, você fez um acordo pela minha vida como se eu fosse uma criança. Minha vida. Minha! Você não pode decidir. 
- Se você continuar com isso, eles vão decidir. Eles virão pega-la. 
- Deixe-os vir. Eles mandaram Coonan e ele está morto, eles mandaram Lockwood e ele está morto e eu ainda estou aqui, Castle. E eu estou pronta. 
- Pronta para que? Para morrer por uma causa? Isso não é mais uma investigação de assassinato, eles a transformaram numa guerra. O que aconteceu com aquela mulher que me disse logo após a experiência de Dana que precisava parar? Você não ouviu nada do que eu disse antes? Está cega diante da raiva. Não compre essa guerra - mas ela não o ouvia. Estava possuída pela obsessão outra vez. Era a velha Kate falando. 
- Se eles querem uma guerra, então darei a eles a guerra direto na porta deles. 
- Bem, eu acho que não há nada mais que eu possa dizer, não é? Certo, sim - ele estava perplexo, com dificuldades de achar as palavras - Você está certa, é a sua vida. Pode joga-la fora se quiser, mas eu não ficarei por perto para vê-la fazer isso. Isso… - seu coração doía - chega. Acabou - ele se encaminhou para a porta e saiu batendo-a atrás de si. 
Beckett não se deu conta das palavras de Castle até uma hora depois, quando ela ainda estava parada no meio de sua sala sem ter feito nada. Castle realmente fora embora? De vez? Era isso? Ele dissera que a amava, se declarara e desaparece? Por que ele não conseguia entender? Era sua mãe. O caso que não resolvera há treze anos. Como ela deveria esquecer? 
Não. Se ele a amava, devia entender o que tudo isso significava, certo? 
- O que eu estou fazendo? E-eu não devia me entregar a essa loucura, mas… - pegando sua jaqueta, ela saiu.   
Beckett foi para o cemitério. Pela primeira vez, de frente para o túmulo da mãe, ela percebeu que colocara tudo a perder. Arriscara sua felicidade, afastara o homem mais maravilhoso que já conhecera por aquela causa como ele mesmo dissera. Beckett chorava copiosamente. 
- Será que estou fazendo a coisa certa? Deus! Será que estraguei tudo? - ela leu o epitáfio da mãe “Vincit Omnia Veritas”. Ela precisava da verdade, nem que para isso perdesse, outra vez,  uma pessoa importante de sua vida, talvez a mais importante depois de sua mãe. 
Ela retornou ao 12th distrito, decidida. Esposito tinha conseguido mais informações sobre o alvo. Ao perguntar sobre Castle, Ryan recebeu uma resposta seca de Beckett “ele está fora do time”. Ela não estava mentindo. 

XXXXXX

Castle volta para o loft e se tranca no escritório com uma garrafa de whisky. Está irado, arrasado, magoado. Não apenas isso, ele sentia-se impotente, perdido. A primeira dose desceu amarga rasgando-lhe a garganta. A discussão de horas atrás repetia-se em sua mente como um disco furado. Ele se declarara para ela novamente. Kate escolhera ignora-lo outra vez. Trocou-o por uma busca obsessiva na qual ele conseguia ver apenas um final: a morte dela.  
Ao terminar o terceiro copo de whisky, jogou o objeto contra a estante. Estava enfurecido por ver a historia se repetir, ferido pelas palavras que ouvira dela, triste por reconhecer que não poderia evitar o que estava por vir. Tudo o que ele gostaria naquele instante era poder arranca-la de seu coração. Jogar o sentimento amor no lixo, agir como ela, não? Impossível. Não aconteceria de uma hora para outra. Ninguém deixava de amar assim. Martha surgiu na frente dele.  
- Richard, o que está acontecendo aqui? Eu ouvi um barulho e... - ao ver o semblante do filho, entendeu.  
- Ela vai morrer. Eles vão mata-la e não há nada que eu possa fazer - ele respirou fundo tentando controlar as emoções - nós brigamos outra vez exceto que agora é para sempre.  
- Oh, Richard... Richard! Isso não é verdade. Katherine gosta de você e meu filho, você seria um bobo se acreditar que irá esquece-la em um piscar de olhos. Acho que ambos chegaram em uma encruzilhada no que diz respeito ao relacionamento de vocês. 
- Você está certa, chegamos na encruzilhada e ela já fez sua escolha. Eu disse que a amava outra vez e ainda assim, ela escolheu perseguir o inimigo, morrer. Então, eu também decidi. Acabou.  
- Richard, não é tão simples. Você já se colocou no lugar dela? Ter que escolher entre a pessoa que ela ama e a verdade sobre o caso mais importante da sua vida não é fácil. Ela dedicou sua vida pela justiça.  
- Ela não pensou...  
- Como você sabe?  
- Porque quando eu falei que estava viva por minha causa, porque a protegi e a acusei de saber que eu a amava, Beckett ficou com raiva por isso. Tudo o que importava para ela era o que eu sabia. Está cega! Não, chega!  
- Você tem certeza disso? Porque eu sei que depois que a raiva passar, ou o caso acabar, Katherine irá lhe procurar. Sei que ela irá pedir desculpas e você? Conseguira manter sua palavra?  
- Ela não vai fazer isso - Martha sorriu. O filho deixara a raiva cega-lo, mas ele voltaria a pensar melhor sobre isso.  
- Você está chateado, triste, vai passar. Eu preciso que me faça um favor. Amanhã é a grande noite de Alexis, será que pode deixar essa situação de lado pelo menos uma noite,kiddo?  
- Sim, amanhã o dia é da minha filha.  
- Isso inclui não beber demais - ela tirou a garrafa de whisky da frente dele. Ao ficar sozinho, Castle ainda demonstrava raiva. O que a sua mãe sabia do relacionamento deles para tomar partido de Kate? Todos tinham uma opinião, apostava que Dana também a defenderia apesar de Kate estar agindo da mesma maneira que fizera na experiência. Bufou.  
Então Castle se lembrou de outra conversa que teve com a terapeuta logo depois de descobrir que Beckett se lembrava do que acontecera no atentado. Dana lhe perguntou porque ele achava que a omissão dele era diferente da mentira dela. Ele errara ao querer protege-la? Claro que não! Estaria sendo injusto? Ela parecia tão melhor ultimamente, ela mencionara Roma... Como pode esquecer tudo isso e simplesmente se jogar de cabeça para morrer?  
Ele não estava errado. Não poderia voltar atrás e ao contrário do que sua mãe pensava, Kate Beckett não apareceria em sua porta. Levantou-se da cadeira e foi para o seu quarto.  

XXXXX

Em nenhum momento Beckett parou a fim de revisar o que acontecera nas ultimas 24 horas. Deixou-se cegar pelo seu único objetivo, encontrar o seu algoz. Porém, nem tudo transcorria como ela gostaria. Havia muita espera, muita garimparem para chegarem a qualquer pista ou conclusão. À Beckett, restava ouvir o tique taque do relógio e olhar para a cadeira vazia. Aquele foi o primeiro momento que ela se deu conta do que viria em seguida. A partir de agora, a cadeira ao seu lado permaneceria sempre vazia. Castle se fora. Decidira desaparecer de sua vida. Ele a abandonara. Beckett engoliu em seco. Como todos os homens de sua vida, tal qual discutira com Dana. 
Não, ele não a abandonara. Fora ela quem o afastara.  
Obsessão. Ela deixara a velha Kate tomar conta de si, de sua mente, de suas vontades. Simplesmente a fizera esquecer tudo. Castle dissera que a amava e tudo o que ela conseguia pensar era no caso. Ele ainda a amava. Por que se deixara sabotar? Por que deixara ele ir embora? 
Esposito atrapalhou sua reflexão dizendo ter uma pista. E no próximo segundo, tudo seria esquecido novamente. Castle, sentimentos, erros. A única coisa que a guiava era a obsessão. A velha Kate a dominava levando-a direto para a morte. 
Mesmo contra todos os pedidos de Ryan, suas sugestões sobre como conduzir a investigação, Beckett e Esposito seguiram para o tal endereço encontrado. Ryan resolveu ligar para Castle. Ao ver o aviso indicando um número do 12th distrito, Castle ignorou a ligação imaginando ser Beckett. Novamente, o seu celular vibrou uma hora depois, quando já estava no auditório aguardando o inicio da formatura da filha. Pensou logo ser da delegacia e ia ignorar, mas era Dana. Será que Beckett tinha ido procura-la? Que outro motivo teria para ligar para ele? Pensou em ignorar, porém lembrou-se que seria uma boa oportunidade para informar a terapeuta que ela podia esquece-lo quando o assunto fosse Beckett. Atendeu.
- Castle.  
- Finalmente! Por acaso você está com a Kate? 
- Não, Dana. Estou na formatura da minha filha. 
- Oh! Desculpe, eu não queria incomodar, mas estou tentando falar com ela desde cedo e não consigo. Ela podia estar me ignorando, mas disse que tinha um caso e eu pensei em surpreende-la no distrito com um lanche e… você sabe se ela já finalizou o caso? 
- Não sei e não quero saber, Dana. Eu não faço parte dessa investigação. Beckett não me deu escolha além de me afastar. 
- Por que? Algum problema? 
- Nada que você não conheça bem. Não se trata de qualquer caso. Envolve o atentado dela e o caso da mãe. Nós discutimos, eu disse que a amava outra vez, ela preferiu ignorar e agora está correndo de encontro à morte. 
- Castle, como você pode falar assim? 
- Porque é exatamente isso que está acontecendo, Dana. Eles vão mata-la, eu pedi para se afastar. Ela se recusou. Eu não podia ficar por perto para vê-la morrer, Dana. Eu sinto muito. 
- Castle, não… ela não pode morrer. Ela não jogaria tudo fora. Você… 
- Já jogou. Não há nada que eu possa fazer. Acabou. 
- Mas… voce a ama. 
- Tente dizer isso a ela, não vai fazer diferença. Eu preciso ir, Dana. Sinto muito - desligou. Dana sentiu o coração apertar, algo estava muito errado. Castle, estaria certo? Kate realmente estava se entregando a mesma obsessão de treze anos atrás? Essa era a prática que ambas estavam esperando. O momento da verdade. E Dana desejava que a velha Kate não tivesse o controle da situação, o que pelas palavras de Castle era exatamente o que acontecia.  

XXXXXX

Eles de fato acharam o covil do suspeito, encontraram os arquivos de Montgomery e Beckett deduziu que eles procuravam pelo amigo do capitão que Castle mencionara, afinal o arquivo mais importante não estava ali. Quando ela decidiu por fim agir com alguma razão e desaparecer dali chamando por backup, ela e Esposito foram surpreendido por ninguém menos que o algoz. Era hora de terminar o que ele havia começado há quase um ano atrás. 
Em uma corrida desenfreada entre Beckett e seu algoz, eles acabaram no telhado do prédio. Não se dava por vencida, em uma luta corpo a corpo, ela perdeu sua arma, porém não a coragem para continuar lutando. Queria respostas. Infelizmente, a luta não era tão justa. Apos socos e pontapés, ele a derrubou no chão e ergueu-a pelo pescoço quase a sufocando. Beckett ofegava por ar. Mesmo assim, perguntou quem estava por trás de tudo. 
Ouviu a mesma resposta de sempre. Que não tinha ideia contra quem lutava. Ela aproveitou o momento para surpreende-lo agarrando-lhe as pernas. O seu algoz foi mais rápido e com um golpe jogou-a longe. Beckett perdeu o equilíbrio e se viu caindo pela lateral do telhado. Por reflexo, conseguiu se segurar na beirada. Ela gritou. Viu seu algoz se aproximar, sorrir e deixa-la ali para morrer. 

Do alto do Hotel Rosslyn, Kate Beckett encontrara seu fatídico destino. Pendurada e segurando-se com todas as forças na lateral do prédio, ela se recordou das palavras de Castle: “eles vão mata-la, Kate.”   

Continua...

7 comentários:

cleotavares disse...

Como você pode fazer isso comigo. Terminar um capítulo assim? É muita emoção, minha gente. Ai Kate, não sei se te bato, se te abraço. ô sofrência desgramada.

Rosileni Aleixo disse...

Olha, isso não se faz....terminar assim esse capítulo............
Sei que nunca escrevi aqui, mas sempre leio suas fics,especialmente esta.....adoro....,você tem muito talento pra escrita, deveria se aventurar mais, quem sabe, se tornar escritora mesmo, por quê não?lançar livros?
Voltando a fic, não demore muuiito pra continuar "always", vou ficar esperando....mesmo!!!
Ah, e quero muuuiiito acompanhar a fic que você falou que irá escrever sobre o "depois do loft" da 8ª temporada.......só no aguardo....!!!!!Beijus.....

Denise Moreira disse...

Chegou Always!!! Mal posso esperar novo capítulo!!!

Géssica Nascimento disse...

Karen, como sempre não acho as palavras certas para descrever você!
Sou sua eterna fã!! :)
"Always" é e sempre será um episódio épico de Castle... reescrito por você, então...
Parabéns, ansiosa pelo próximo!!!! :) :)

Denise Moreira disse...

Karen, vc postou num site no Facebook que (SPOILLER!!!!) faltam 5 capítulos para esta fic... Tenho certeza absoluta que será melhor que o final da série! 😉

Silma disse...

A 4 quarta temporada é e sempre vai ser pra mim a mais difícil de se lidar,é pressão por todos os lados e o coração não aguenta.
O que falar de Always que foi um episódio tão esperado e maravilhoso? 😍
A Kate fez a escolha dela e infelizmente não foi uma das melhores 😪!Miga não dá pra te ajudar as vezes cara 😒👌🏽
Coitado do Castle gente,é porrada o tempo todo meu povo 👌🏽 migo vamos tomar um banho de sal grosso né?pra vê se as coisas melhoram ✋🏽👌🏽pq tá difícil...
Karen cê arrasa SEMPRE,mesmo deixando a gente em lágrimas nós amamos a sua dedicação em nos fazer sofrer! 😎 Capítulo MUSO 😍 Só tô no aguardo dos próximos 😌 Sinto que teremos muitos orgasmos múltiplos 😏 #AchoJusto e #QueroMuito

Vanessa Belarmino disse...

UAU! Always é um episodio especial para todas nós. Para mim, além do motivo óbvio, é mais especial ainda porque foi aí que me apaixonei por Castle e comecei a maratona insana... Muitos surtos, muito amor, e um pouco de sofrimento... Enfim, uma viagem que valeu e sempre valerá a pena... Mudou minha vida e me trouxe pessoas incríveis!!! A pessoa ja está emotiva hahaha
Vamos falar desse capitulo ok? Eu ja disse que você torna as coisas piores né? De um jeito bom, mas nossa... O que foi essa conversa no apartamento? GOD! Foi tudo! A adaptação ao discurso do Castle foi maravilhosa... Eu quero chorar... Ai Sem or... Todo mundo querendo matar a "velha Beckett" né? Mas ela é parte da Kate, querendo ou não... Cabe a Kate aprender a lidar com ela na prática, como ela lidou na teoria. Aliás pausa para dizer que Dana no inicio foi totalmente Karen, já ouvi algo sobre comemorar a vitoria teórica em algum lugar...hahaha
Agora falando de escolhas... Beckett agiu guiada pela raiva e pela obsessão... Ela acha que foi traída por Castle e ela precisa descobrir a verdade sobre o assassinato da mãe dela... Por outro lado temos um Castle que "cansou". Ele lutou, esperou, fez merda, consertou e cansou... Não foi fácil para ele ir embora... E a gente que sofre pelos dois?? Haja coração! Martha e Dana sempre tão sábias... Castle sem esperança... Eu nem gosto de pensar no que aconteceria, se o final não fosse feliz... É triste demais... Ainda bem que não precisamos desse "what if". E olha terminar assim foi bem Karen... Ainda bem que temos alguma noção do que vem por aí... Digo noção, pois 100% não sabemos. Porque você nos lembra a cada capitulo que é AU, mas tb não perde a essência da S4... Estamos chegando em Roma...
Vou dizer que realmente a carga emocional não foi tão grande quanto ja experimentamos, mas estou com medo do aviso para o próximo... Sorte que posso ler agora... ahhaha