sábado, 7 de janeiro de 2017

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.23


Nota da Autora: Voces sabiam que hoje é dia do leitor? Pois é... então aqui está um presente para vocês e muito obrigada por todos os comentários e surtos! A vida continua tratando Kate Beckett muito bem, mesmo com as dúvidas que persistem. E um novo dilema se aproxima.... como ela vai agir? Veremos... enjoy! 


Cap.23 


O programa de domingo não podia ser mais família. Após um ótimo café da manhã na companhia de todos, Castle sugeriu passarem o dia na piscina. Pediria para preparar um churrasco. Quando Kate comentou sobre a temperatura e que não queria arriscar de Dylan ficar doente, ele a tranquilizou.  

— Não se preocupe, Kate. A água da piscina é totalmente controlável. Pode escolher a temperatura que quiser. Tenho certeza que o garotão vai adorar. Trouxe até uma bóia de braço para ele curtir melhor.  

— Você quer ir para a piscina, baby boy?  - o menino sorria para ela, a boca toda suja de frutas - quer brincar com o daddy na água? Quer, meu amor?  

— Daadaddy...  

— Acho que isso é um sim, pai - disse Alexis - vai ser bom passar o dia na piscina.  

— Está resolvido. Vou falar para o James providenciar as carnes para o churrasco. Alguma recomendação?  

— Costelinhas de porco - disse Beckett - com bastante barbecue.  

— E por favor, Richard, mande preparar uma salada bem bonita, bastante folhas, brócolis, salsão, talvez quinoa... eu e Katherine agradecemos.  

— Salada? Beckett acabou de pedir costelas de porco por que ela ia querer salada? - ele fez uma careta.  

— Porque é bom. Sua mãe está certa. Peça para colocar maçã e um molho de iogurte, fica ótimo com porco. Ah! E um purê de abóbora bem leve para o Dylan comer com a carne, cozinhe o brócolis assim posso dar para ele também.  

— Viu isso? Ela pensa mais em seu filho que você, kiddo - Castle fez uma careta, mas no fundo estava muito feliz com a forma que Beckett cuidava de seu filho, na mente dele sempre pensava "nosso".  

Castle tinha razão. O dia na piscina foi muito divertido. Ela segurava o menino dentro d'Água, Castle fazia um monte de bobagens brincando com a água e fazendo o menino rir, gritar e bater palminhas.  

— Solte Dylan, Beckett. Deixe que nade, sinta a água, o movimento.  

— Você esta louco? Ele pode se afogar!  

— Ele está de bóia.  

— Mesmo assim, ele pode engolir água e ... - Castle notou que ela estava um pouco desesperada diante da possibilidade de largar o menino. Ele se aproximou, ergueu o queixo dela forçando-a a fitar seus olhos azuis - eu exagerei, não?  

— Um pouquinho - ele riu, deu um selinho nela - vem cá, garotão. Vou ensinar como se faz - Castle pegou Dylan em seus braços. Com todo cuidado, ele mostrava ao bebê como bater as mãozinhas na água. Aos poucos, foi soltando o bebê que flutuava com a ajuda das boias. A sensação da água fez ele gritar. Talvez pela semelhança e lembrança de quando estava no útero, Dylan olhou para Kate e largou um "mamama".  

— Está gostando, baby boy? É divertido?  

— Mamama...  

— Daddy sabe das coisas, não? - ela se aproximou abraçando Castle pela cintura. Beijou o peito dele, em seguida, os lábios. Eles esqueceram de onde estavam por uns instantes, mas Dylan não. O menino batia as mãozinhas na água querendo chamar a atenção deles. Vendo que não funcionava, o bebê começou a chamar pelos dois.  

— Mamama... daadaddy... mamama... 

— Hey! Vocês dois! - gritou Alexis - o filho de vocês está reclamando. Não gostou do show!  

Beckett afasta-se de Castle, vermelha. Tentando disfarçar a vergonha, ela pegou o menino no colo. Alexis segurava o riso. O resto do dia fora bem tranquilo. Planejavam voltar para a cidade por volta das quatro horas indo direto para o loft.  

No dia seguinte, estavam de volta à rotina. Homicídios, café, teorias malucas, pacote completo. Beckett avisou que não iria para o loft aquela noite porque precisava ajeitar algumas coisas em seu apartamento, organizar roupas, afinal estava negligenciando sua casa há, pelo menos, cinco dias. Castle não reclamou. Disse que ligaria mais tarde.  

Beckett se ocupou com afazeres domésticos. Mais tarde, após o banho ela secava o cabelo na frente do espelho. Ao terminar, observou a sua própria imagem. Estava diferente. Relaxada. O colar pendurado em seu pescoço a fez lembrar da aparição da mãe em seu sonho. Pegou o solitário, observou o diamante com carinho. 

O melhor dos dois mundos.  

Após aquele fim de semana, Beckett começava a entender o recado que sua mãe lhe dera em sonho. Especialmente depois de sábado. Castle lhe disse "eu te amo". Ele a amava. Como isso aconteceu? Sorriu. Maddie ia surtar ao saber.  

Estava feliz. Vivia uma fase incrível em sua vida. E ainda tinha Dylan. Como amava aquele menino! Suspirou. Como era possível ela amar tanto um bebê que não era seu? Podia ouvir a voz da Maddie "a maternidade lhe cai muito bem". Será? Nesses últimos meses, ela agia como tal, mesmo insistindo com Castle que era a "tia" do menino. Castle. Por que era capaz de amar o filho e não o pai? Ela gostava muito de Castle, demais. Arriscara sua vida várias vezes para salvá-lo, não hesitaria em fazê-lo quantas vezes fosse necessário. E não era seu instinto de policial que justificava o ato. Era simplesmente o carinho e a preocupação que tinha com o escritor. Ela o admirava. Como pai, profissional e como homem. Seria capaz de dar sua vida pela dele. Não seria esse gesto um ato de amor? Se conseguia perceber isso então, o que havia de errado com ela? Absolutamente nada, pensou. A verdade estava bem ali, estampada em sua cara. Ela o amava. Simples assim e ao mesmo tempo extremamente complicado. Era capaz de admitir que o amava, o medo a impedia de se declarar. Dizer "eu te amo" para Castle era completamente diferente. Por que?  

Ela fitou o anel da mãe outra vez em seus dedos.  

Tinha medo. Havia muitos anos que Kate Beckett se fechara para o amor. Construira seu murro diante dos sacrifícios e traumas que a vida lhe apresentou. A ultima vez que se lembrava de viver sentimentos parecidos estava com Will. Que droga! Era a segunda vez que se lembrava dele. Por que? Suspirou. Era fácil de responder. Porque Will era capaz de entende-la também, fora apaixonada por ele. Will sabia de seus traumas e seus problemas como Castle. Não, definitivamente não como o escritor. Castle nunca a abandonara, a trocara. Todas as vezes que havia uma distância entre eles era porque ela provocava. Castle a fizera ver a si mesma de maneira diferente e o sentimento que nutria por ele não era apenas carinho e paixão. Reconhecia ser muito mais. Amor. Sim, ela estava bem e feliz. Seria isso o bastante? Por que não conseguia se entregar?  

Suas reflexões foram interrompidas pelo toque do celular. Castle.  

— Hey, Castle... 

— Kate, alguém quer dizer oi! - ele colocou Dylan na frente da câmera.  

— Mamama... 

— Hey, baby boy. Você já vai dormir? Tomou seu leitinho, meu amor?  

— Não, eu comi minha sopinha com frango. E agora, daddy vai contar uma história para eu dormir, depois vem o leite.  

— Tudo certo em casa? - ela perguntou.  

— Claro que sim. Você já arrumou tudo?  

— Sim.  

— Então podia vir dormir aqui. Na verdade, ligamos para mostrar o que iremos fazer, não garotão? - Castle virou o celular mostrando que estavam na cama - Dylan, diga para Kate quem dorme nessa cama - o menino deita-se sobre o travesseiro do lado que ela normalmente dorme. Sorriu olhando para o pai e disse.  

— Mamama... 

— Mesmo? E desse outro lado?  

— Daadaddy... 

— Wow! Você é muito inteligente, garotão. E quem vai dormir hoje com o daddy?  

— Dy-an...Dy-an...- Kate ria.  

— Castle, você é horrível! Por que faz isso?  

— Eu não fiz nada!  

— Fez sim! Fica me provocando só para eu ficar com inveja do que vocês estão fazendo...  

— Vem para cá, pode dormir conosco.  

— Acho que você está morrendo de saudades de mim, não? Por isso está usando o menino para me convencer. Saiba que não vai funcionar - ela voltou sua atenção para Dylan - boa noite, baby boy, chute bastante seu daddy na cama ok? Tchau, Castle tente não chorar por minha causa.  

— Haha...  


Duas semanas depois... 


As coisas entre Castle e Beckett continuavam muito bem. Com a proximidade do natal, ele começava a se dedicar a decoração do loft. E claro o exagero de Castle era algo que sempre surpreendia Beckett. Dylan, por outro lado, estava fascinado com a quantidade de luzes, bonecos de neve, papai Noel e trenzinhos. Mesmo não entendendo o que tudo significava, ele se divertia com o show de luzes e coloridos e as loucuras de Castle. Naquela noite, ele tocou em um assunto meio tabu para Kate. 

— Não vejo a hora de celebrar o natal esse ano. Uma verdadeira festa em família. Você, Dylan, minha mãe e Alexis. A troca de presentes, os segredos nas meias. Ah! Eu adoro o natal e ter a chance de comemorar tantas coisas boas...  

— Menos, Castle. Ainda não sei se estarei disponível. Tenho que esperar a escala do distrito.  

— Mas, Beckett, você não pode trabalhar. É o primeiro natal do Dylan.  

— Castle, ele sequer entende o que isso significa - conhecia a detetive o suficiente para saber que ela não estava animada com as festas. Ele iria arranjar uma maneira de convence-la. Lançaria o projeto 12 dias de natal. Ela não perdia por esperar.  

E Castle cumpriu sua promessa. Todos os dias, ele enviava algo para o celular dela referente ao natal com Dylan. Independentemente de quando fizera os vídeos ou as fotos, Castle as programava para serem entregues no celular da detetive por volta das dez da manhã, assim tinha certeza que ela veria a mensagem do dia quando estivesse trabalhando. Não importava se ele estava ao seu lado ou não.  

No primeiro dia, foi uma foto de Dylan vestido de papai Noel. No segundo, um vídeo do menino brincando e batendo palmas enquanto um papai Noel dançava a sua frente. No terceiro, ele estava ao seu lado quando Beckett abriu o vídeo onde Castle cantava "Let it snow" e perguntava "para quem estamos cantando Dylan?" e o menino dizia "mamama". Beckett olhou para ele . 

—Sério? Castle, se você pensa que ficar me mandando esses vídeos vai obter minha resposta, está enganado. Já disse que não depende de mim. A maioria dos policiais tem família, eu não sou um deles. 

— É claro que é. Você tem família, Kate. Tem a mim, Dylan. Não vou desistir.  

— Veremos, Castle - ela sabia que teria que dizer de uma vez por todas que ia trabalhar. Então ao final do quinto dia, após terminarem de jantar no loft, ela comentou. 

— Saiu a escala do natal. Eu sinto muito, Castle. Eu vou trabalhar. 

— Kate, você não pode. É o primeiro natal do Dylan. 

— Eu sei, Castle. Não funciona assim. Como falei, as outras pessoas tem família. Temos que respeitar. 

— Quer que eu fale com o capitão? 

— Não, Castle. Por favor, não faça isso. 

— Eu queria tanto passar esse natal ao seu lado, junto com Dylan… - ela viu o quanto ele ficara decepcionado - você vai perder os presentes, as descobertas dele. 

— Desculpa, eu venho no dia seguinte. 

— Já não adianta mais. Você perderá tudo - ele não estava apenas decepcionado, Castle estava triste. Beckett suspirou. Ela realmente não sabia o que fazer diante dessa situação. Como explicar para Castle que ela não vivia o natal como ele? Significavam coisas diferentes para ambos. Havia uma certa tensão no ar. Mudaram de assunto, mas o clima não era o mais descontraído. Ela colocou Dylan para dormir. Iria passar a noite no loft, porém devido a ultima conversa, Beckett estava realmente se perguntando se devia seguir adiante com a ideia. Sem jeito, ela deixou o quarto de Dylan. Encontrou-o na cama com o notebook sobre o colo, estava escrevendo. Era muito raro Castle fazer isso quando ela estava ali. Sentou-se na cama. 

— Você ainda quer que eu durma aqui hoje? - ele ergueu os olhos da tela para fita-la. 

— Por que está me perguntando isso, Beckett? 

— E-eu não sei. Você ficou chateado quando eu falei do natal e ainda está. E decepcionado. Talvez não queira minha companhia e… 

— Quer parar de bobagem? Não é sua culpa. Claro que não entendo você não querer que eu peça ao capitão para trocar a escala…

— Ele não sabe que estamos juntos. 

— Ele não ouviu oficialmente de nós dois, é claro que sabe. Os rapazes também. Não deve ser apenas isso. Tudo bem, você tem razão. Eu fiquei chateado, mas isso não significa que quero ficar longe de você. Vá se trocar e venha se deitar - ela sorriu timidamente. Ergueu-se da cama, aproximou-se dele, beijou-o nos lábios. 

— Obrigada. Eu já volto - Castle a observou indo em direção ao banheiro. Ainda não se convencera totalmente de que perdera essa batalha. Seu projeto continuava, porém outra vez ele ia tocar no ponto fraco de Kate. A culpa. Ia dar motivos para ela ficar remoendo sua atitude e como isso refletia no comportamento dele. Castle estava triste com a noticia, contudo não desistiria tão fácil. 

Na manha seguinte durante o café, ele deu sua cartada. 

— Beckett, você se importa se eu não for para o distrito com você hoje? Eu preciso terminar minhas compras de natal e ainda tenho algumas coisas para ajeitar por aqui - Castle percebeu a ruga de preocupação que se formara em sua testa. Certamente, ela se recordara da conversa da noite anterior. 

— C-claro. Ainda nem sei se teremos algum caso. Mas, por favor, não exagere nas compras. Se conheço você vai comprar um monte de brinquedos para Dylan que ele sequer irá usar. Controle-se. E não precisa comprar nada para mim. 

— Como não? É natal. Tenho que dar um presente a minha namorada. 

— Nao precisa, Castle. 

— Sinto muito, Beckett. Você pode até não passar a noite de natal conosco, mas você faz parte oficialmente da família Castle, portanto terá a sua meia e um presente dentro dela. Não aceito argumentação. 

— Você só iria me irritar mais, não? - ele riu - tudo bem.   

Castle conseguira outra vez o que queria. Sozinha no distrito e sem um caso para trabalhar, Beckett se viu remoendo o problema da noite passada. Ele ficara chateado, não pretendia magoa-lo. Por que isso era tão difícil? Detestava se sentir culpada. Ela sabia que se pedisse, Montgomery a tiraria da escala com prazer. Entretanto, não se tratava apenas de um simples pedido para o seu capitão. Havia uma explicação completamente razoável e emocional por trás disso, a questão era decidir se contar para Castle iria piorar a situação. Droga! Ela estava se sentindo culpada pelo bebê. Por mais que tivesse dito que Dylan não entendia nada de natal, era lindo ver a excitação e a alegria do menino diante de tanta novidade. E as maluquices que Castle aprontava com esses videos e fotos não estavam ajudando Beckett a se sentir melhor. Hoje, ele a enviou uma foto do seu baby boy apenas de fralda e todos enrolado em um pisca-pisca aceso. Teve vontade de morder o bebê tão fofo ele estava. 

Checou o relógio. Passava de uma da tarde. Ela ainda não almoçara. Resolveu unir o útil ao agradável. Iria ao Q3, assim almoçava e conversava com a amiga. Maddie podia ter algo bom a dizer. 

Q3

Maddie ficou feliz em ver a amiga, apesar de estranhar o fato dela estar sozinha. 

— Becks! Cadê sua cara metade? Você está com um semblante bom para eu deduzir que brigaram, mas consigo ver uma ruginha de preocupação. 

— Eu e Castle estamos bem, Maddie. Ele está com o Dylan, disse que tinha que terminar as compras de natal. 

— Ele deve estar super animado com o primeiro natal do Dylan, não? Caramba! Eu estou! 

— É por isso que vim aqui. Aproveitei o meu tempo de almoço para conversar com você. 

— E eu achando que você ia me contar sobre seu fim de semana nos Hamptons. Poxa, Kate, eu já disse que quero historias picantes. Como as que ele escreve. 

— Podemos falar disso também, aliás começaremos com esse assunto - Maddie escolhera uma mesa em um local reservado para duas pessoas. Sentando-se com a amiga, perguntou o que queria comer. Beckett não pretendia exagerar, uma salada, um peixe. Apos a escolha do cardápio, Maddie puxou a conversa. 

— Certo, quero todos os detalhes do fim de semana nos Hamptons. 

— O lugar é incrível. Uma super casa. A vista para o mar, uma praia praticamente privada. Eu esperava algo grandioso, me surpreendi. Não faltaram surpresas. O jantar de thanksgiving em família foi prazeroso. Castle pensa em cada detalhe. Usufruímos da praia, Dylan adorou o mar. Namoramos bastante. No sábado à noite fizemos um programa a dois. Ele me levou para jantar, tinha me prometido uma lagosta. Você iria adorar. Foi um verdadeiro jantar romântico, vinho, boa comida, carinhos, conversamos sobre nós e depois caminhamos pela praia quando Castle me surpreendeu. 

— O que vocês fizeram? Transaram na praia? 

— Era uma opção, se eu quisesse perder meu distintivo. Não, foi mais que isso. Castle, e-ele… - Beckett sorriu, fitou a agua em seu copo por uns segundos e voltou a olhar para a amiga que já estava tensa a sua frente - ele disse “eu te amo”. 

— Wow! Meu Deus! E o que você fez? 

— Eu aceitei, mas não respondi de volta. Quer dizer, ele avisou que não queria nada em troca. 

— Mas, Kate… e como ficou? Estragou a noite? 

— Muito pelo contrario, tornou-a mais especial. Nós fizemos amor. Ficou tudo bem. 

— Você não o ama? Por isso não retribuiu? 

— Não, Maddie. Nos últimos dias eu percebi o quanto eu o amo, reconheço. Eu somente não consigo expressar o que sinto. Dizer “eu te amo” é uma passo muito grande em qualquer relacionamento, no nosso existe um obstáculo a mais. Meu medo. Meu passado. Eu passei muitos anos fechada para qualquer tipo de sentimento. Apos a chegada de Dylan, as coisas começaram a mudar para mim. Confesso que foi um pouco rápido demais, eu ainda estou me adaptando. Não estou acostumada a ter essa alegria toda em minha vida, parece que a qualquer momento tudo pode desmoronar. E agora essa historia de natal… 

— Qual o problema com o natal? 

— Castle quer que eu passe o natal com ele, Dylan, a família. 

— Nada mais natural.   

— Exceto que não é. Não para mim. Eu deixei de comemorar essa data há mais de dez anos. Natal para mim não significa o mesmo que para as demais pessoas - então Kate contou porque deixaram de viver o natal, qual era sua rotina. E que talvez Castle não entendesse - eu sei que ele ficou chateado, não quero magoa-lo. 

— Se não contar a razão, isso vai acabar acontecendo, Becks. 

— E ele fica fazendo essa espécie de chantagem, mandando fotos e videos de Dylan todos os dias. Ele colocou na cabeça que vai me convencer, que não vou perder o primeiro natal do bebê. Não é justo… 

— Kate, eu sei que a morte da sua mãe mudou completamente o seu modo de ver e viver a vida. Deixou marcas e a transformou em quem é. Na minha opinião, você precisa fazer uma escolha. Contar para Castle o motivo porque não celebra o natal e trabalhar ou olhar a situação de outra maneira, com novos olhos. Assim como a perda da sua mãe, o aparecimento de Dylan na sua vida também foi um divisor de aguas. Pare um instante, olhe para a sua nova vida. Kate Beckett está feliz namorando um escritor de best-seller charmoso e que é louco por ela e tem um bebê fofo e maravilhoso que a adora. Está apaixonada, amando, ganhou uma nova família. Por que não iniciar uma nova tradição? Passar o natal com Dylan e Castle não significa que esteja desonrando a memória da sua mãe, na verdade, acredito que Johanna ficaria satisfeita de ver o quanto a filha evoluiu, está bem. 

— Nao é tao simples assim. 

— Claro que é, você que gosta de complicar as coisas. O que vai ser, Kate? Vai deixar Dylan sozinho com Castle, que certamente estará magoado e triste ou vai curtir umas horas maravilhosas na companhia de seus dois homens favoritos? Eu não tenho dúvida de qual será a melhor opção. 

— Voce não está ajudando…

— Claro que estou. Você pode até contar para Castle porque não quer passar o natal com ele,  afinal estão em um relacionamento. Tem que existir confiança e verdade. Ele vai entender, mas ainda acho que você deveria se esforçar para vencer essa barreira. 

Beckett nada falou. Comeu mais um pouco da salada. 

— Que tipo de chantagem Castle anda fazendo? - Beckett pegou o celular e mostrou as fotos e os videos para a amiga - ah, Kate! Como você resisti a um menino tão lindo? Que fofura! Vontade de apertar e encher de beijos. Castle sabe jogar. Desligue esse botão do seu cérebro e ative o seu coração, Becks. 

— E-eu não sei o que fazer… 

— Pense rápido, faltam poucos dias para o natal. 

Beckett voltou ao distrito e trabalhou até às sete da noite. Seguiu para o seu apartamento. Estranhando a demora da namorada, Castle ligou. 

— Hey, ainda está trabalhando? Pegou algum caso quente hoje? 

— Nao, estou em casa. 

— Por que não veio para o loft? Estávamos esperando você para jantar. Eu e o garotão. 

— Desculpa, Castle. Eu pensei que você ia estar ocupado com o lance dos presentes e… decidi vir para o meu apartamento - dessa vez ele se preocupou, Beckett estava escondendo algo dele e não ia descansar enquanto não soubesse o que é. 

— Eu já escondi os presentes, você não precisava sumir. 

— Não sumi, babe. Vá colocar o Dylan para dormir. E você, durma bem. Te vejo amanhã. 

— Tudo bem. Boa noite, Kate. 

Ela suspirou, desligou o celular e entrou no banho. Vinte minutos depois, de roupão pela sala, ela se decidia sobre o que comer quando a campainha tocou. Ao abrir a porta, Beckett deu de cara com Castle. Dylan estava em seu colo. Assim que a viu, falou. 

— Mamama… 

— Castle, o que você faz aqui? 

— Decidimos que não queríamos dormir longe de você, portanto viemos lhe fazer companhia. Certo, garotão? - o bebê já se jogava para o colo da sua “mamama”. Com os braços livres, notou que ele trazia a bolsa do bebê, uma valise e o berço portátil do menino. 

— Castle, voce trouxe o berço de Dylan? 

— Claro. É perigoso ele dormir na cama conosco. Acho que preciso comprar um outro desses para cá. Ah! Quase esqueci - ele pegou uma outra sacola que deixara ao lado da porta - trouxemos seu jantar - entregou-a para Beckett - tem carne assada e legumes. Claro que a gororoba verde é por conta de Alexis. Creme de espinafre. 

— Obrigada, Castle - ela se aproximou dele e o beijou - como você pensa em tudo? O que você acha, baby boy? Daddy ficou com saudades, não? Ou está querendo alguma coisa que não é assunto adequado para você. 

— Kate Beckett, como você pode pensar tão baixo sobre mim? - ela riu. Colocou Dylan sentado no balcão da cozinha. Somente nesse instante reparou que não conhecia o pijama que o bebé vestia. 

— O que é isso que você está vestindo, baby boy

— É um pijama, uma roupa de duende do papai noel, não é o máximo? - ela balançou a cabeça - espera até você ver o video do trenzinho, a alegria dele vendo o veiculo andar pelos trilhos dentro da cidade de casinhas é contagiante. Ah, coloquei uma garrafinha com eggnog na sacola também para entrar no espirito das festas - com essa ultima declaração ficou claro para Beckett que a ida de Castle até seu apartamento não era somente porque queria dormir com ela, havia segundas intenções. 

Devolvendo o menino para Castle, Beckett se sentou para comer. Castle brincava com o menino observando a namorada, ela ria e mexia com os dois. Ao terminar de jantar, Beckett colocou ordem na casa. Já era mais que hora de Dylan estar dormindo. Pediu para Castle montar o berço dele e que fizesse a mamadeira enquanto ela trocava a fralda do menino. 

Quando ele retornou da cozinha com o leite, encontrou-a sentada na cama, joelhos flexionados para apoiar o bebê. Kate sorria e conversava com Dylan. 

— Cadê meu baby boy? - ela soprava na barriguinha dele, o menino ria. Mordiscava os dedinhos dele e dizia - cade o bolinho que estava aqui? - tocando com a ponta dos dedos na palma do bebê e seguindo todo um caminho pelo braço até chegar a axila fazendo cócegas - achou! - então Castle viu uma de suas imagens preferidas entre Kate e o seu filho. Ela segurou o rostinho dele com apenas uma mão aproximando as bochechas do bebê formando um biquinho com a boca de Dylan. Em seguida, ela beijou-lhe os lábios. Castle suspirou. 

— Olha quem chegou… o daddy com o leitinho do meu baby boy… - pegou a mamadeira da mão de Castle, ajeitou o menino em seu colo e ofereceu o alimento. Nem precisava de esforço. Dylan mamava com vontade. Kate começou a cantar. Castle sentou-se na cama ao lado dela. Assim que terminou o leite, Dylan precisou apenas de dez minutos mais ouvindo a voz de Kate para cochilar. Após coloca-lo no berço, ela perguntou se Castle não queria trocar de roupa, finalmente abrindo o roupão que usava revelando uma camiseta e um shortinho de malha para dormir. 

Devidamente acomodados para dormir, Beckett se aconchega no peito de Castle. Trocam um novo beijo. 

— Obrigada por ter vindo. Eu gostei da surpresa. 

— Que bom - ele pegou o celular - assista isso - era o video de Dylan com o trenzinho. O menino gritava excitado. Era lindo de ver. Castle continuava a maltratando. Cada vez que via um foto ou um video do seu baby boy e as reações ao natal, Kate se sentia mais culpada. Ele percebeu a mudança no semblante dela. A exemplo do que acontecera há alguns dias atrás no loft, ele não viera ali para brigar. Queria apenas entender o real problema de Beckett. 

Castle a fez sentar-se na cama. Olhava intensamente para ela. 

— O que foi, Castle? 

— Beckett, eu não quero brigar. Eu vim aqui para ficar com você. Mas eu sei que tem algo que você não está me contado. Vi a mudança no seu rosto após ver o video de Dylan. E-eu só quero entender - Beckett olhou para o homem a sua frente. Os olhos azuis profundos, sempre sinceros. Ela decidiu seguir parte do conselho da amiga. Suspirou e pegou a mão dele na sua. 

— Castle, esse é um assunto muito delicado e intimo. Natal é um feriado, uma festa ligada diretamente a família. Cear juntos, trocar presentes, celebrar. Eu parei de celebra-lo há doze anos. Quando recebemos a noticia de que minha mãe fora assassinada, as janelas da nossa casa ainda tinha luzes de natal, guirlandas. Com a ausência de Johanna Beckett, apagamos qualquer nova tentativa de celebrar. O sentido de família se perdera. Bastava dezembro começar para trazer de volta a melancolia. Por isso, meu pai vai para a sua cabana, fugindo das luzes, das festividades e do burburinho da multidão que respira natal e eu cubro o turno da data. Sinto que devo aos cidadãos de Nova York a chance de celebrar e sentirem-se seguros. 

Ela suspirou. 

— Eu sinto muito, Castle. Sei quanto você é ligado nessa data. 

— Beckett, eu a conheço o suficiente para dizer que sou capaz de entender o que a perda da sua mãe acabou por causar, a ausência da família, a dor, o vazio. Respeito seus sentimentos. Porém, as coisas mudaram. Você não está mais sozinha. Você tem a mim, ao Dylan, minha mãe, Alexis. Os rapazes, somos sua família agora. Eu adoraria passar a data com você. Nosso garotão… 

— Castle, o natal não significa o mesmo para nós dois. 

— Não significava, podemos mudar isso. Kate, nem sempre fui um milionário. Havia uma outra vida bem antes do escritor de best-sellers. Fui criado por uma mãe solteira, artista. Houve vezes em que mal tínhamos o que comer. Momentos difíceis. Mas o natal… era sempre especial. Independente das dificuldades que passávamos, minha mãe se esforçava e se dedicava a celebrar o natal comigo com todas as suas loucuras. Naquela noite, mesmo com apenas leite e um simples prato de frango, tudo parecia especial. Recitava e dançava o Quebra-nozes. Ela não queria que eu pensasse que a data era triste ou ruim. Fazia questão de ressaltar sua magia. Talvez seja um pouco de genética, ou a veia artística ou até o simples desejo de acreditar que tudo é possível. Mágica. Martha Rodgers tem uma grande participação na minha crença pelo fantástico. E eu a agradeço por isso. Por deixar a mágica viva, fazer parte da minha vida. 

— Eu também fui pai solteiro, fiz questão de passar o aprendizado adiante. Ressaltar a magia. Fiz isso com Alexis e farei com o meu filho. Dylan viverá o natal como deve ser. Apenas gostaria que você estivesse conosco, presenciando um momento tão especial na vida de seu baby boy

Ele percebera que ela estava emocionada. Não sabia ao certo se isso poderia mudar as coisas. Ouvi-lo chamar Dylan de “meu filho” mexeu com ela. Castle sempre sabia o que dizer para amenizar a dor, justificar ações, expor sentimentos. Ela acariciou o rosto dele, olhava encantada para os olhos azuis. 

— Oh, Castle… eu gostaria que fosse tão simples. São anos de renúncia, e-eu não sei se posso. 

— Eu digo que pode. Kate, não estou dizendo que sua dor é menor hoje, nem que deve ignora-la. Pense um pouco no que aconteceu nos últimos meses. O quanto sua vida mudou, você se abriu, se deixou sentir. Isso fez bem a você. Por que não considerar a comemoração do natal com Dylan outro passo nessa nova etapa da sua vida. 

Ela suspirou. 

— E-eu não posso prometer nada. 

— Se ao menos pensar a respeito, eu já fico satisfeito. 

— Tudo bem, vamos dormir - ela se aconchegou nele, beijou-lhe os lábios - adorei a ideia de vocês dormirem aqui comigo.   

— Uma pena que meu plano não funcionou completamente.

— Plano? Sei… você não queria dormir sozinho - ela beijou o peito dele. Fechou os olhos. Ainda não dormia, sua mente recordava algumas das palavras de Castle. Magia. A vida precisa de mágica. 

Era dia 23 de dezembro. Ela combinara de jantar com Castle e Dylan no loft após deixar o 12th distrito. Ele saíra mais cedo porque ainda tinha coisas para organizar para a ceia de natal do dia seguinte. Desde aquela noite em seu apartamento quando contara a verdade para Castle, ele não a pressionara mais. Claro que continuava mandando os videos e fotos de Dylan para lembra-la do que poderia perder, porém não voltou a perguntar se ela iria passar o natal com eles. 

Terminada a papelada, Beckett percebe que ainda é cedo. Três da tarde. Não iria para o loft, Castle certamente estava ocupado com seus afazeres domésticos para a festa de natal. Ela resolveu voltar ao seu apartamento. Enquanto estava parada no transito de Nova York, ela observava dezenas de pessoas indo e vindo com suas sacolas imensas de presentes, crianças rindo e de mãos dadas com os pais querendo fazer o momento durar. Por impulso, ela parou o carro perto da loja de brinquedos. Um quarteirão da quinta avenida. Desceu do carro e se viu entrando no lugar. 

Gente por todos os lados. Pais e crianças espremendo-se pelos corredores na busca do brinquedo favorito. Uma fila enorme de crianças dava volta na loja. Elas esperavam para falar com o papai noel. A loja completamente enfeitada com luzes, arvores, bonecos de neve, era uma versão ampliada da loucura que ela presenciara no loft de Castle. 

Beckett perambulava pelas sessões, a principio, apenas observando. Em um corredor de brinquedo para meninas, viu uma garotinha de aproximadamente uns cinco anos segurando uma das princesas na mão. 

— Mamãe, tem certeza que o papai noel vai saber que eu quero essa Ariel? E se ele trouxer a errada? Eu posso devolver? 

— Não, meu amor. Não tem devolução. E se o papai noel errar não importa. Sabe por que? Se você ganhar um presente na noite de natal deve se considerar uma menina de sorte. Tem muitas crianças por ai que nunca receberam um presente, não tem mãe, pai, nem mesmo o que comer no natal e em outros dias da vida deles. Você tem tudo, principalmente sua família. Tem coisa melhor que a nossa família? 

— Só os cookies da vovó. 

— Ah, bem lembrado. Mas os cookies da vovó são deliciosos porque são feitos com amor para a família dela que somos nós e essa é a magia do natal. Celebrar com quem amamos. 

— Mãe? A gente pode pegar uma criança que não tem pai nem mãe para passar o natal conosco? 

— Voce gostaria? 

— Sim, ela ficaria feliz. Ia comer a comida da vovó e eu podia dar uma das minhas bonecas para ela. 

— Seria maravilhoso. Vou falar com seu pai. Afinal, existem vários tipos de famílias. Vamos, meu amor. Papai está esperando por nós. E quanto a sua Ariel, tenho certeza que papai noel trará a certa para você. 

Beckett estava estática. Outra vez, ela era surpreendida por pequenos sinais. Respirou fundo. Continuou andando pela loja. Acabou na sessão de brinquedos para bebês. De repente, como quem acionar um interruptor, se deixou levar pela atmosfera do lugar. Estava checando os brinquedos imaginando qual deles seria mais interessante para Dylan. Não deu outra. Saiu da loja com uma sacola enorme, um sorriso nos lábios. Aproveitou que já estava na quinta avenida para pegar carona e admirar as vitrines de natal. Não resistiu entrar em outras lojas. 

Quando chegou ao loft, encontrou Castle conversando com Alexis. Ambos estavam fazendo cookies de gingerbread man. Dylan estava no carrinho distraindo-se com uns brinquedos e também participando da conversa. 

Martha que abrira a porta para ela. 

— Katherine, finalmente alguém são nessa casa. Você poderia dizer ao Richard para não exagerar nesses cookies. Ele e Alexis estão competindo para ver quem faz mais biscoitos diferentes. Cada um já fez uns vinte e do jeito que a coisa vai chegarão a cem! Quem vai comer todo esse doce? 

— Quem? Seu filho. Acho que não tenho moral para convence-lo quando o assunto está relacionado com natal - Martha sorriu. Castle lhe contara sobre a relutância de Beckett com o natal. Ela se aproximou do carrinho onde Dylan estava, agachou-se - oi, baby boy… você está brincando sozinho? Daddy trocou-o por cookies? - ela pegou o menino no seu colo. Virou-se para ver o que Castle e Alexis aprontavam. Martha tinha razão, era muito biscoito. 

— Não troquei ninguém por cookies. Isso é parte da tradição de natal, Dylan é muito pequeno para participar dessa. Terá sua chance - Kate pega um dos cookies de gingerbread e mostra para o menino. 

— O que você acha, Dylan? Está bonito? - o bebê segurou o biscoito com as duas mãozinhas. Passou um tempo observando o que poderia ser aquilo então ele sacudiu o biscoito e apertou-o de modo que a cabeça foi separada do corpo. Beckett riu - acho que ele não gostou. Vai ter que fazer outro, Castle - ela mordeu a cabeça - hum… está gostoso. 

— Ah, quer dizer que gostou do meu biscoito? - o olhar dela dizia tudo. 

— Quer que eu responda? 

— Katherine Beckett! Não na frente da criança! O que deu em você? 

— Fome. O jantar está pronto ou terei que me contentar com doses enormes de açúcar. 

— Está pronto, madame. Vou apenas esquentar o lombo e o molho. 

— Porco? 

— É, eu comprei um tender para amanhã e acabei pegando um lombo para o jantar. Dylan já tomou a sopinha, daqui a uma hora você pode dar o leite e coloca-lo para dormir. Falando em dormir, você vai ficar por aqui hoje? 

— Pretendia voltar para casa. 

— Por que? Eu nem sei se vou ver você amanhã… - ele fazia uma carinha de cachorrinho abandonado. 

— Castle… 

— Por favor? - ela olhou para o homem a sua frente por alguns segundos. Não sabia o que responder. Felizmente, Dylan a salvou de um possível confronto. 

— Hohoho… dei…hohoho…

— O que ele quer, Castle? 

— O papai noel que canta e dança, aquele que mandei o video ontem para você. Minha mais nova aquisição. Dylan adorou! Está debaixo da arvore. Coloque-o de pé na frente dele - Beckett fez o que Castle mandou. Dylan, ao ver o papai noel, bateu as mãozinhas e gritou de alegria - ajude Beckett. Bata palma mais forte - assim que ela fez, o boneco começou a cantar e dançar. O bebê acompanhava com as mãos e balançando a cabeça. Ao final, o boneco dizia “Hohoho, Merry Christmas” e Dylan repetia o “hohoho”. Beckett olhava apaixonada pelo jeito do menino diante do brinquedo. 

— Você gosta do papai noel, baby boy? Quer ouvir o “hohoho” mais uma vez? 

— Hohoho…mamama… - ela acionou outra vez, admirada de ver a interação do menino com o boneco. 

Mais tarde, ela fez a mamadeira e cantou para que adormecesse. Após o jantar, Alexis e Martha se despediram e subiram as escadas. Ficando sozinhos, Castle encheu outra vez a taça dela com vinho. Sentaram-se no sofá. Com um dos braços ao redor dos ombros dela, ele bebeu um pouco do vinho e beijava o pescoço dela. Beckett acariciava a perna dele. Virou o rosto para beija-lo. Ao se afastarem, Castle sorria olhando para ela, quase hipnotizado. 

— O que foi? 

— As vezes ainda me perco na sua beleza e me pergunto se não estou sonhando. 

— Você não está sonhando - ela sorriu um pouco envergonhada. 

— Vai dormir comigo hoje? - ela desviou o olhar. Desde aquela manhã, Beckett já se sentia melancólica, porém após visitar a loja de brinquedos, algo a deixara mais tranquila - por favor, Kate, nem sei se a verei amanhã. A menos que… você mudou de ideia? Vai passar a véspera de natal conosco? 

— E-eu sinto muito, babe. A resposta ainda é não. Mas posso dormir com você hoje.     

— Melhor que nada. Ao menos terei a chance de lhe desejar “feliz natal” pela manhã. 

— Vamos deitar, Castle - ela ergueu-se do sofá puxando-o pela mão. 

Na manhã da véspera de natal, Beckett acordou com os beijos de Castle e um café na cama. Tratamento especial, ele dissera. Depois do café, ele não deixou-a levantar antes que começasse o dia apropriadamente. Castle fez amor com ela. Quando finalmente conseguira se arrumar para o trabalho, achou Castle no quarto de Dylan. Acabara de dar a mamadeira. Pegando o menino no colo, Beckett beijou o rosto do bebê, a mão, brincou com ele.

— Voce já tem que ir? 

— Entro às quatro da tarde. Turno de oito horas. 

— Então porque está pronta como se tivesse que trabalhar agora? 

— Porque eu preciso fazer algumas coisas antes. Castle… - ela alcançou a mão dele - eu já passei a noite aqui como você pediu, tomamos café juntos. Eu realmente tenho que ir. De verdade. 

— Tudo bem - ele dissera embora Beckett pudesse ver o ar de tristeza em seu olhar - foi um ótimo começo de véspera de natal - ela se aproximou dele com o bebê no colo, Martha percebendo que era um momento de despedida entre os dois, tratou de tirar a criança dos braços de Beckett. 

— Vamos para o piano com a vovó? - saiu levando o menino dando alguma privacidade ao casal. Com os dedos enroscados nos de Castle, Beckett o puxava até a porta. 

— Espera… - ele a parou no meio do caminho, fitou-a longamente uma outra vez - Kate, não há nada que eu possa dizer para faze-la mudar de ideia? 

— Não, babe. Desculpe, não. Por favor, Castle… não há nada de errado em querer celebrar o natal e não quero que se culpe por eu não estar aqui. Curta a sua noite com a sua família. 

— Minha familia… você também é minha família, Kate. 

— E-eu sei, mas não essa noite. Espero que possa entender e me perdoar - ela beijou-o carinhosamente nos lábios, de testas coladas, eles mantiveram-se em silêncio - eu já vou - ela começou a se distanciar dele, mesmo que ainda segurasse sua mão. 

— Só mais uma coisa - ele apontou para cima. Havia um azevinho sobre as suas cabeças. Ela sorriu. Castle a puxou pelo pescoço e a beijou apaixonadamente. Ao terminar, completou - feliz natal, Kate. Espero que mude de ideia. 


— Feliz natal, Castle - sorrindo ela saiu pela porta. 


Continua...

6 comentários:

Camila Lorrane disse...

OMG Natal chegou na familia Castle. Baby Dylan cantando as musiquinha de papai Noel. e aprendendo a Fala Awn😍😍👶🏼. Kate e seus medo bobo. Castle fazendo de tudo pra ela fica com eles mais seus medo. Ja quero o Dylan pra mim sera que e pedir muito 👶🏼💖😍👣👣

Vanessa Belarmino disse...

Nossa Kah, cada capitulo é uma bombinha diferente... Meu Deus! Isso aqui só melhora... Parece que teve um pouco de tudo do que comentei no cap anterior... UAU!
O restinho do fds foi muito bom. Mamama Kate tendo um mini surto e Dylan na piscina chamando atenção de seus pais... Alexis dizendo "filho de vocês" *-*
Castle usando Dylan é demais! hahaha
Reflexões de Beckett sempre são tão reveladoras... Ela ama Castle, mas ainda não está pronta pra dizer e se entregar de vez e ainda tem Dylan... Ela age como mãe dele, mas não se permite em sua mente, ser de fato. Acho que as duas coisas estão ligadas ao medo e vai acontecer naturalmente quando ela se permitir sentir... Ouvir o coração.
E agora vem o Natal...
Maddie é sempre tão incrível em seus conselhos e considerações... Castle joga pesado...
Eu entendo a luta dela, por mais que ela queira não é algo fácil... Não só pela perda do natal depois da morte da Jo. Mas porque Beckett sempre esteve no controle ate mesmo de seus sentimentos, Castle quebrou um pouco disso, mas Dylan que roubou o chão dela.. Apenas alguns meses e a vida dela já deu um giro de 360°. Isso é maravilhoso e assustador. Não é só o natal que está em jogo aqui.
Entendo Castle ficar chateado e decepcionado... Ele sempre amou o natal e agora sua família aumentou, é obvio que ele quer viver essa magia com eles... Amei Kate ter sido sincera com ele, e Castle sendo Castle... Dispensa comentários...
Adoro as descobertas de Dylan ate mesmo as novas palavras... Morri com "hohoho" hahaha
Sem falar da interação dele com Caskett. Confesso que quando vejo Dylan e Kate, eu fico tipo Castle, toda boba e suspirando.. ♥♥♥
Ai que dorzinha no coração! Acho que ela vai hein... Porque em uma S5 já foi difícil ela resistir, imagine uma S3 AU com kate não tão broken e com Dylan.
Aliás Maddie, Castle, Dylan querem que ela vá. Até Jo, porque aquela cena na loja de brinquedos com a menina foi emocionante e um empurrão e tanto.
Estou aqui esperando ansiosamente a "magia do natal"... ♥♥♥
PS. Amo azevinho!♥♥

cleotavares disse...

OMG! "Filho de vocês" Estou amando essa Alexis. A Maddie sempre dizendo as coias certas e a Kate, ah! a Kate vai se entregando aos poucos, vai aprendendo a nova fase de sua vida, aceitando que a sua felicidade não é uma "afronta" a falta que ela sente da sua mãe.
O Dylan como sempre very, very cute", o biscoito do Castle, deve está uma delícia, hahahahaha!
Viva a magia do Natal. Só quero vê o que ela comprou pra o Dylan.

Silma disse...

Termina logo aqui 😪
AMEI o capítulo mais sempre acontece 😌 Estou amando todo momento família,mãe e filho(SIM DONA KATE VOCÊ É MÃE,ACORDA MLR),pai e filho e todo o resto!!!
Dylan é puro amor 😍😍😍 é muita fofura ❤️ #amo!!!

Priscila Barros disse...

Quanto amor nessa família linda! Desculpa se eu tô repetitiva, mas eu não me canso de expressar o quanto de amor tem em cada capítulo desses, em cada interação da Kate e do Castle com o Dylan ou entre eles, só reforçando o laço de amor que existe entre eles.
As reservas da Kate com o natal são tristes, se bem que a tia Maddie fez o dever de casa e aconselhou ela a falar pelo menos o motivo de não comemorar a data pro Castle.
Eis um soldado competente chamado Castle hauahauahaauahauahaua, amei essa missão dele de tentar fazer a Kate participar do natal com a ajuda do pequeno Dylan. ❤❤❤❤
Tomara que a Kate mude de ideia e decida comemorar o natal junto com o baby boy e com o amor da vida dela. ❤❤❤❤❤❤
Amei o capítulo kah ❤❤❤❤❤

Gabriela Mendonça disse...

Domingo em família... tudo que Kate precisava na vida dela.
"Viu isso? Ela pensa mais em seu filho que você, kiddo" Dona Martha, sempre pronta para falar as verdades da vida.
"Hey! Vocês dois! - gritou Alexis - o filho de vocês está reclamando. Não gostou do show!" kkkkkkk tava tão bom que esqueceram da criança.
"Dylan, diga para Kate quem dorme nessa cama - o menino deita-se sobre o travesseiro do lado que ela normalmente dorme. Sorriu olhando para o pai e disse." que fofinhooo gente... quero um Dylan para mim.
"Acho que você está morrendo de saudades de mim, não?" aquele momento que eu achei que o Castle ia bater na porta dela kkkk com Dylan e tudo mais.
ihhh lá vem o Natal. 100% de chance de dar uma senhora treta...
"Menos, Castle. Ainda não sei se estarei disponível. Tenho que esperar a escala do distrito." alaaaa num disse... treta por cima de tretaaa
"Todos os dias, ele enviava algo para o celular dela referente ao natal com Dylan." aii golpe baixo... sacanagem...
"Claro que estou. Você pode até contar para Castle porque não quer passar o natal com ele, afinal estão em um relacionamento. Tem que existir confiança e verdade. Ele vai entender, mas ainda acho que você deveria se esforçar para vencer essa barreira." Maddie, sábias palavras. Tomara que ela tenha coragem de por em pratica.
"Decidimos que não queríamos dormir longe de você, portanto viemos lhe fazer companhia. Certo, garotão? - o bebê já se jogava para o colo da sua “mamama”. Com os braços livres, notou que ele trazia a bolsa do bebê, uma valise e o berço portátil do menino." owwwwn que lindões;
uauuu... o que foi essa conversa hein? Ambos abriram o coração... chuva de sinceridade... Tomara que ela consiga superar mais essa barreira.
"Não, babe. Desculpe, não. Por favor, Castle… não há nada de errado em querer celebrar o natal e não quero que se culpe por eu não estar aqui. Curta a sua noite com a sua família." nem acredito nisso... acabou o Natal do Rick... tadinho...