domingo, 22 de janeiro de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.4


Nota da Autora: Esse capitulo está grande. Emoções à vista! Aliás, vocês lembram o que falei quando comecei essa fic? Mais que uma historia, ela seria uma homenagem a nossa série, algo para nos fazer lembrar alguns dos momentos mais incríveis da tv. Aqui encontraram trechos do livro Heat Wave em inglês porque se traduzir perde a graça, a beleza e o impacto. Também verão outras frases do show. Enfim, aproveitem a viagem! Enjoy! 
PS.: Tem os médicos e ainda estou esperando um nome para o ship hahaha...  


Cap.4

Ele chegara a porta da UTI acompanhado de Johanna. Estava nervoso. A ansiedade em ver sua esposa era grande, a médica notou, mas talvez a vontade de saber se ela estava bem fosse bem maior. Sete dias desde que tudo acontecera. Não devia ser fácil, ela pensou. Nunca estivera em uma situação assim. Claro que já experimentava complicações e preocupações com pacientes que lhe tiraram o sono, porém com alguém que amava, era completamente diferente. 
— Castle – ela tomou a mão dele na sua – ouça com atenção. Eu sei que seu coração está batendo forte pela possibilidade de ver Kate, está ansioso, nervoso. Tudo bem, não poderia ser diferente. Porém, preciso que tenha consciência de que a mulher que você irá encontrar na cama da UTI não é a mesma que você se recorda. Sim, ainda é sua esposa. Ela está debilitada, fraca. Não quero que se impressione com a sua imagem. Lembre-se que de certa forma o coma a ajuda a se recuperar melhor. 
— Eu já a vi nessas condições, doutora. 
— Sei que já. Mesmo assim, não é algo fácil de encarar. Pronto? – Castle suspirou. 
— Pronto – ela caminhou com ele pelos corredores da UTI até parar na frente de um biombo e uma cortina. Olhou para o homem ao seu lado outra vez e viu quando ele balançou a cabeça indicando que estava pronto. 
— Certo. Ela está atrás dessa cortina. Pode me chamar se precisar de qualquer coisa, estarei no fim do corredor para dar uma certa privacidade a vocês – a médica se afastou sem tirar os olhos de Castle que agora tocava a cortina para finalmente entrar na área da enfermaria onde Kate Beckett estava deitada sobre uma cama coberta por fios e tubos. 
Não havia outra forma de encarar a imagem a sua frente do que prendendo a respiração e deixando um gemido de pesar escapar de seus lábios. Castle levou a mão à boca ao se deparar com sua Kate dormindo sobre a cama. 
Pálida. Magra. De olhos fundos. Ele se aproximou devagar da cama. Ainda mantinha a mão sobre os lábios lutando contra as lágrimas que formavam-se em seus olhos. Tremendo, ele tocou a mão dela de leve. Estava fria. Inclinou-se na sua direção e beijou-lhe a testa. Em seguida, deixou-se ficar ali. Testa contra testa em silêncio, apenas respirando, de olhos fechados. Tomou coragem para finalmente dizer alguma coisa. 
— Kate...Deus! Kate... eu pensei que não a veria nunca mais... – ele afastou-se um pouco para fita-la. O rosto impassível demonstrava que suas palavras não a atingiam. Castle não se importou. Com todo o cuidado, fez sua mão deslizar tocando-a de leve. Braços, colo, rosto, estômago. Ele sentiu-se fraco. Sentou-se numa cadeira ao lado da cama. A emoção o dominava, tornava tudo aquilo devastador, seu coração parecia estar sendo esmagado. Não suportando mais a dor em seu peito, ele baixou a cabeça e chorou. 
Castle não soube dizer por quanto tempo ele ficou ali, derramando lágrimas. Ao erguer o rosto, percebeu que a cena era a mesma. Nada mudara. Suspirou. Lembrou das palavras da mãe. Não era assim que faria Kate lutar por ele, voltar para ele. Enxugou parte das lágrimas e tomou a mão dela na sua, levou-a até os lábios beijando-lhe a palma, brincando com seus dentes nas juntas dos dedos, beijando o local onde havia a marca da aliança. 
— Kate, quero que me escute. Não sou capaz de fazê-la acordar, não tenho poderes e nem as técnicas da medicina, mas você pode lutar. Somente você pode buscar forças dentro de si e abrir seus olhos. Não estou sendo de todo sincero. Tem algo que posso fazer. Posso passar o resto dos dias mostrando o quanto eu preciso de você, lembrando tudo o que já enfrentamos juntos. Os momentos difíceis, os alegres. Palavras não me faltam para descrever tudo o que amo em você. 
— Seu jeito de mandar em mim, seu sorriso. A pequena ruga de interrogação que se forma em sua testa cada vez que eu digo alguma besteira ou um comentário inapropriado. O jeito como anda naqueles saltos finos. Seu show particular na sala de interrogatório. O jeito como revira seus olhos – ele sorriu – como fica linda, Kate! Você não tem ideia. Ou tem e usa isso para me provocar. Como disse, posso ficar horas, dias, falando do quanto eu te amo. 
— Mas nada supera seu olhar. Intenso, focado. Olhos de detetive, atentos a tudo. E doces, ternos, com um brilho especial sob a cor amendoada especialmente após um beijo. Você fala com os olhos, amor. Todo e qualquer sentimento, eu posso ler em seus olhos. Adoro o jeito como eles mudam para um verde em determinada luz ou quando fazemos amor. Seus beijos? Ah, Kate….seus beijos são como fogos de artificio. Carinho, desejo e amor em apenas um gesto. Não posso viver sem sua boca na minha, provocando, instigando. Preciso de você por inteiro, Kate. 
— Você se lembra do que disse no dia do nosso casamento? Meus votos? Eu não esqueci, nunca esquecerei porque é o que queríamos para nossas vidas – ele beijou outra vez a mão de Kate, suspirou e começou a recitar seus votos - The moment we met, my life became extraordinary. You taught me more about myself than I knew there was to learn. You are the joy in my heart. You're the last person I want to see every night when I close my eyes. I love you, Katherine Beckett, and the mystery of you is the one I want to spend the rest of my life exploring. I promise to love you, to be your friend and your partner in crime and life till death do us part  and for the time of our lives.  
— Até que a morte nos separe e pelo tempo em que vivermos. Ainda não acabou, Kate. Nós estamos apenas começando. Tantas aventuras, tantos casos, livros. Você é minha musa, um escritor não vive sem sua musa. Quero envelhecer ao seu lado, volte para mim. Eu te amo tanto, Kate... 
Castle ficou ali olhando para a esposa sem dizer mais nada. A realização das palavras, de quanto ainda tinham por viver, era um fardo difícil de digerir se tivesse que abandonar seus planos. Não. Ela venceria essa batalha. Ele veria o sorriso de Kate Beckett outra vez. Ele a abraçaria e faria amor com ela por noites e noites, beijaria aqueles doces lábios milhares de vezes. A história deles podia ser imperfeita, mas estava longe de acabar. Como escritor sabia que nem chegaram ao clímax de sua história de amor.       
A Dr.Marshall encontrou-o sentado, segurando a mão de Kate. Admirando a imagem a sua frente como se admira uma obra de arte extremamente valiosa. Tocou seu ombro. 
— Castle? É hora de voltar ao seu quarto. Precisa comer. Seu jantar já será servido – vagarosamente, ele virou-se para encarar a médica – vem comigo? 
— Poderei vê-la outra vez? Amanhã? Todos os dias? 
— Veremos quantas vezes. Não se preocupe. Eu deixarei você visita-la, não por todo esse tempo. Hoje foi uma exceção – ela ajudou-o a levantar-se. Castle inclinou-se sobre Kate e beijou-lhe a testa. Sussurrou “eu te amo” em seu ouvido e caminhou com a médica pelos corredores da UTI. 
De volta ao seu quarto, o Dr. Gray já esperava por ele, bem como seu jantar. 
— Já vi que a doutora Marshall foi bem generosa com você hoje. Não fez sua caminhada da tarde e nem os exercícios da fisioterapia. Terá que se esforçar mais amanhã. A boa notícia é que você está se recuperando muito bem e conforme forem os resultados de sua radiografia que faremos depois dos exercícios, poderei lhe dar alta. 
— Não tenho intenção de ir a lugar algum, não precisa ter pressa, doutor. 
— Sr. Castle, eu sei que não quer deixar sua esposa no hospital, porém a verdade é que talvez isso seja preciso. Ela continua em coma. 
— Não por muito tempo – Johanna viu o brilho de esperança no olhar dele. Era bom e também era ruim. 
— Sobre isso, eu estive conversando com o Dr. Gray e como Kate está estável há vários dias, estava pensando em transferi-la da UTI para um quarto. O senhor aprovaria isso? 
— Claro que sim. Pode transferi-la. Isso pode ajuda-la... teremos mais privacidade para conversar, para ficarmos juntos, à vontade – os médicos trocaram um olhar – façam. 
— Tudo bem – Johanna interferiu antes que Paul dissesse qualquer outra coisa – bom jantar – fez sinal para o colega acompanha-la. Do lado de fora, ele olhou-a chateado. 
— Quer me explicar o que foi aquilo? Por que não me deixou dizer que ele precisa manter-se com os pés no chão? Você está alimentando uma ilusão, uma esperança que não podemos oferecer, Johanna. Não sabemos o que pode acontecer com a sua paciente. Ele precisa ser realista. 
— Paul, ele acabou de ver a esposa. Está emocionado, com as esperanças renovadas. Você não viu o jeito como ele olhava para ela. Isso é bom, o ajuda também. Não se trata de iludi-lo. Ele pode estar numa bolha de perfeição agora, onde o mais importante é lembrar o quanto a ama e o quanto ela é importante para ele. Estourar essa bolha deve ser feito com cuidado ou perderemos os dois. Você tem razão, não sei se Kate irá reagir, se acordará, contudo se essa esperança de Castle ajudá-lo a se curar mais rápido, que seja. 
— Você está se deixando levar pelos pacientes, você está se envolvendo, Johanna. Sabe que não podemos fazer isso. 
— Paul, caso não tenha notado, eu já estou envolvida desde que briguei com você na sala de cirurgia. Mas do momento em que meu nome virou uma espécie de sinal para os envolvidos, eu me doei. Eu quero que Kate acorde. 
— Todos queremos, nosso trabalho é salvar vidas , porém não podemos esquecer que nosso papel é não perder o realismo da situação. 
— Eu sei... – ela suspirou, instintivamente tocou o peito dele baixando a guarda e a cabeça por um instante, tornando a encara-lo, ela repetiu – eu sei. 
No dia seguinte, Castle seguiu as orientações médicas sobre os exercícios e as caminhadas no intuito de convencer os médicos que poderia ver Kate outra vez. Durante o horário de visitas, ele recebeu Ryan e Esposito. Um pouco sem jeito para falar da amiga, eles decidiram manter a conversa no nível profissional. Gates estava de volta interinamente no comando do 12th. Comentaram que as investigações sobre Loksat já encontrara vários links e prenderam pelo menos quatro pessoas da operação. 
— Graças a ela. Kate e sua teimosia – disse Castle deixando os meninos em situação constrangedora. Notou o que fizera – hey, tudo bem. Eu a vi ontem. Ela está lutando, sei que está. Vamos sair dessa. 
— Que bom, cara – disse Ryan sem jeito – aquele distrito não é o mesmo sem vocês.   
— Eu sei que sentem falta da nossa inteligência suprema – Castle brincou – mas acredito que terão que esperar mais um pouco pela nossa companhia – percebeu o olhar de medo nos rapazes – não! Eu não estou falando nesse sentido. Quando Kate acordar, e ela vai acordar em breve – frisou – eu estou pensando em nos afastarmos um pouco... 
— Você vai convencer a Beckett a não voltar a trabalhar no 12th após ter alta? Como se isso fosse possível! – retrucou Esposito – você não aprendeu nada sobre ela até hoje, bro? Você não acha que ela estará louca para se aprofundar nesse caso do Loksat agora que Caleb está fora do grupo? 
— Esposito, sei o quanto minha mulher pode ser obcecada com certas investigações, essa é uma delas. Porém, eu tenho outros métodos de convencimento e lembre-se, você conhece a investigadora, eu conheço a mulher. 
— Está querendo me dizer que vai jogar seu charme para convence-la a não investigar? Boa sorte com isso! – ele riu deixando claro que não funcionaria. 
— Meu charme é uma parte importante, mas não é tudo. Existem outras prioridades, outras coisas importantes que apenas alguém que passa por um trauma como esse consegue compreender. 
A resposta de Castle fez Esposito perder o sorriso debochado que tinha no rosto. Ryan interviu para evitar que o clima ficasse pesado. 
— O importante é vocês se recuperarem e saírem desse hospital o quanto antes. Vamos andando, bro? Foi um prazer revê-lo, Castle. Avise quando deixar esse lugar para o visitarmos de novo. 
— Obrigado por terem vindo – ele sorriu sincero. 
Assim que os detetives saíram, a enfermeira entrou para dizer que não havia outras visitas para ele. Castle ficou um pouco decepcionado. Naquela manhã, ele havia falado ao telefone com a mãe perguntando se Alexis viria ao hospital. Martha prometeu que ia tentar convence-la. Não deve ter conseguido. 
— Pode chamar a Dr. Marshall para mim? – pediu à enfermeira. Dez minutos depois, a médica apareceu no quarto dele. Obviamente sabendo o que ele queria. 
— Queria falar comigo?   
— Sim. Agora que as minhas visitas acabaram, posso ver Kate? Vocês a transferiram para um quarto?
— Sim, Castle. Ela já está acomodada em um quarto. Mas quanto a vê-la, terei que conversar com o Dr.Gray, você se lembra do que ele falou ontem, não?
— É claro que sim. Fiz tudo o que ele pediu. Os exercícios, as caminhadas, eu preciso ver Kate... – ele parecia um garotinho a quem se prometera um videogame se comesse todo o brócolis. Johanna não pode evitar o sorriso. 
— Espere aqui. Vou localizar Paul a última vez que soube estava em cirurgia. Preciso do aval dele. 
— Mas Kate é sua paciente. 
— E você é paciente dele. Eu volto, prometo. 
Demorou ao menos meia hora, como Johanna suspeitava o seu colega estava em cirurgia. Não poderia passar sobre a autoridade dele e simplesmente levar Castle ao quarto de sua paciente. Eram amigos, porém ali teriam que agir como profissionais. Ele a encontrou no conforto médico esperando. Exausto, sentou-se no sofá ao lado dela. 
— Cirurgia difícil? 
— Longa, muito longa. Preciso de um café. Ainda tenho mais quatro horas de plantão. Você não deveria ter ido embora às sete? 
— Deveria, mas ainda tenho um assunto pendente. Castle. 
— Aconteceu alguma coisa? Hoje o dia foi tão complicado que sequer pude checar o progresso dele. 
— Pelo contrário, ele parece muito bem. E está esperando sua opinião. Ele quer ver a esposa, Paul. 
— Já imaginava. Que outro motivo a prenderia no hospital, hum Johanna? 
— Não fale assim. Eu poderia ter liberado e levado Castle para ver a minha paciente, mas não seria certo. Ele é seu paciente. Você não comentou que poderia dar alta para ele hoje? 
— De que adianta? O cara se recusa a deixar o hospital! – Johanna sorriu acariciando a perna do médico. 
— Releve, Paul. Isso se chama amor. Vamos, ele não irá descansar enquanto não falarmos com ele e você sabe que terá que libera-lo para ver a esposa. Nem adianta lutar contra isso – ela se levantou do sofá oferecendo a mão para puxa-lo – vamos, preguiçoso. Hora da última boa ação do dia. 
Paul analisou a radiografia do seu paciente, conversou com a enfermeira, o progresso dele era notável. Poderia dar-lhe alta amanhã sem qualquer problema. Embora soubesse que ele provavelmente lhe diria que não iria a lugar algum. Entraram no quarto de Castle e encontraram-no terminando o jantar. 
— Vejo que está aproveitando a nossa comida saudável e maravilhosa – brincou Paul. 
— Por favor, doutor, não force. Estou desejando uma chomelete. Quem gosta dessa vida natureba é Kate, vai aprovar o cardápio do hospital com certeza. 
— Melhor não saber o que é a tal chomelete... estou com seus novos exames e o raio x. Sua recuperação foi excelente, Castle. Não tenho nenhum problema em lhe dar alta amanhã ao meio-dia.
— Dr. Gray, não vou sair desse hospital, já deixei isso claro. Mas se vai me dar alta, isso significa que poderei ver Kate todos os dias incluindo hoje e também posso pedir para entregarem uma comida decente. Estou desejando um steak do Le Cirque – Johanna não aguentou e riu. 
— Acho que ele tem razão, Paul. Hora da recompensa. 
— Obrigado, doutora – disse Castle a olhando daquele jeito charmoso e sedutor que conquistava qualquer mulher. 
— Cara! Você precisa me ensinar como fazer isso... as mulheres se derretem por você. Não sabe quantos comentários já ouvi pelos corredores. 
— Meu charme é incontestável – disse Castle – mas sou escritor de uma musa só, pertenço a Kate, ninguém mais. 
— Como a Nikki pertence ao Rook... – a médica deixou escapar. 
— E parece que tenho uma fã – ele sorriu para a médica – mundo pequeno. Posso saber qual o seu preferido, doutora? Se quiser autografo seus livros. 
— Mesmo? Autografaria? 
— Em troca de várias horas na companhia de Kate. 
— Hey, vocês dois! Querem parar com esse papo de maricotas? Castle, você irá ver sua esposa hoje porque eu estou autorizando e amanhã terá que fazer os exercícios e a caminhada pela manhã se quiser vê-la outra vez. Como você não quer sair do hospital, nada muda na parte da tarde. Irei marcar outra consulta com pneumologista antes de assinar sua alta. Você tem certeza que quer ficar pagando por dois quartos nesse hospital? 
— Você vai me deixar ficar de acompanhante de Kate 24 horas por dia? – ao ver que o médico não respondeu, ele completou já se levantando da cama – foi o que pensei. Vai me acompanhar até o quarto de minha esposa, Dr. Marshall? 
— Claro – ela segurou o braço de Castle sorrindo – venha comigo.  
A médica caminhava ao lado de Castle conversando. Não andaram muito. O quarto de Kate ficava na mesma ala, cinco portas de distância do dele. Abriu a porta e Castle pode ver a esposa deitada na cama do mesmo jeito que o dia anterior. Havia uma poltrona ao lado da cama como em seu próprio quarto. Ela fez um gesto para que ele entrasse. 
— Não poderá demorar muito, está bem? No máximo meia hora, eu volto para busca-lo – fechou a porta atrás de si. Castle se aproximou da cama. Primeiro beijou-lhe a testa. 
— Olá, Kate... sentiu minha falta? – ele sentou na poltrona ao lado dela e entrelaçou os dedos aos de Kate. Ele se perguntava se algo mudara. Ali naquele quarto, ela parecia com menos equipamentos e tubos. Notara que o respirador era bem menor. Será que houvera alteração na condição dela? Por que a Dr. Marshall não dissera nada? Foco, Castle. Você só tem meia hora, converse com a sua esposa, ele brigou consigo mesmo. 
— Os rapazes vieram me visitar hoje. Confessaram que estão com saudades de nós. Aposto que não conseguem concluir casos tão rápido quanto nós. Somos imbatíveis. Amor, você pensou sobre o que eu disse para você ontem? – sim, Castle iniciava um monólogo com a esposa, pouco se importando. Ele acreditava que conversar, fazer Kate ouvir sua voz, iria ajudá-la a acordar. A lógica, como tantas outras vezes, não fazia parte de seu modo de pensar – quero ver você lutando, acordando e dizendo para mim que o que prometemos um ao outro continua valendo. 
— Hey, sabe o que descobri hoje? A sua médica é minha fã. Sim, Beckett, elas estão em todos os lugares, disse que posso autografar seus livros. Prometo, nada de peitos – ele sorriu – não é interessante? Seu nome é Johanna, já tinha dito isso? E ela é fã de Nikki Heat. Muitos diriam que é coincidência. Não você. Vai em frente, diga “Castle, essa história é absurda. Coincidências não existem. Um pouco de lógica, por favor” - ele imitava a voz dela – e revire os olhos, Kate. 
Por alguns momentos, ele ficou em silêncio, apenas a contemplando. Sorrindo. Então, tornou a falar. 
— Não se preocupe, Beckett, sei o quanto você gosta das minhas teorias malucas. Seu segredo está salvo comigo. O meu médico me dará alta amanhã. Prometo que não vou a lugar algum. Virei aqui nesse quarto todos os dias. Conversar com você, contar as novidades. Relembrar histórias até que você ache que está pronta para abrir os olhos e voltar para mim. 
— Castle? Seu tempo acabou – era Johanna – amanhã você volta aqui. 
— Tudo bem, deixe-me falar com ela, me despedir... – ele se levantou, acariciou o rosto e sussurrou ao ouvido dela – até amanhã, capitã. Always” – sorrindo, ele deixou o quarto acompanhado da médica. No corredor, lhe ocorreu perguntar – Johanna, posso lhe perguntar algo? É sobre o estado de Kate. Eu reparei que a quantidade de tubos e aparelhos diminuiu no quarto. Houve alguma mudança no quadro dela? 
— Não, Castle. Porém, uma vez que o paciente sai da UTI, podemos reduzir parte do controle. Ela continua estável. O fato dela não apresentar nenhuma condição anormal após ser transferida é um bom sinal. 
— Que bom. Ela vai acordar, eu sei – a médica sorriu. Não ia estourar a bolha de Castle. 
— Estamos torcendo por isso. 
XXXXXX
Frio. Sangue. Dor. Ele não conseguia se mexer. O pavor lhe tomou os pensamentos. Kate. Onde estava Kate? Olhou para o lado e viu a esposa, a mulher que amava deitada inerte ao seu lado. Estava coberta de sangue. Não, por favor, não. A voz de Caleb afirmava seu maior temor “Acabou. Está morta. E você será o próximo.” Um novo tiro. 
Castle acorda gritando. O coração disparado só faltava sair pela boca. Estava suado. A enfermeira entrou no quarto para entender o que acontecera. Ao vê-la, Castle falou apressado. 
— Tenho que vê-la, eu preciso...Kate, ela está...não pode estar...
— Shhh, se acalme, Sr. Castle. Está tudo bem. Foi um pesadelo. Sua esposa está bem. Eu fiz a ronda há uma hora atrás – Castle engole em seco, tentando se recuperar. 
— Parecia tão real... e-eu pensei...
— Já passou. Procure dormir – ele ainda levou algum tempo para fechar os olhos e aceitar que fora apenas um pesadelo.
Na manhã seguinte, Castle estava finalizando sua consulta com o pneumologista quando a enfermeira avisou que sua mãe já o aguardava no seu quarto. Ao que tudo indicava, o Dr. Gray avisara Martha de sua recuperação e alta. No mínimo ele pediu para a mãe convencê-lo a deixar o hospital. Retornando ao quarto, a expectativa de ver Alexis o frustrou. Martha viu o sorriso desaparecer do rosto do filho quando ao procurar no quarto, não encontrou a filha. 
— Oi, kiddo. Dr. Gray me avisou que você teria alta hoje. Também me disse que você se recusa a deixar o hospital por causa de Katherine. Que besteira é essa, Richard? Não pode ficar morando no hospital até que ela acorde. Ficará exposto a doenças, infecções, isso é errado. 
— Eu não vou deixa-la sozinha. 
— Ela não estará sozinha. Tem uma equipe de profissionais ajudando-a. E você poderá visita-la o quanto quiser. Venha para casa comigo. Você já está há oito dias nesse hospital. Seja razoável, Richard. 
— Você quer que eu a deixe aqui? Não posso! 
— Você não estará deixando-a, pode passar horas do dia com ela. Só não dormirá aqui. Além do mais, você precisa falar com outra pessoa. Eu notei como você reagiu ao não vê-la aqui. 
— Você disse que ia falar com ela, mãe...
— E falei. Ela está melhor. Confesso que esperava que tivesse aqui. Ela foi para a faculdade, tinha uns assuntos para resolver por lá. Disse que você ia deixar o hospital hoje. Talvez apareça mais tarde – disse Martha esperançosa – precisam se acertar. 
— Eu não sei se consigo voltar para o loft sem Kate. Porque ali na cozinha... ela ainda não acordou... será que estou sonhando por manter as esperanças, mãe? Será que Kate pode mesmo me abandonar? 
— Richard.... Richard, não comece a bolar histórias nessa sua cabeça. Katherine é uma lutadora e prometo que a última coisa que deve se passar na mente dela agora é deixa-lo. Não ter esperança não combina com você. Sabe que pode escrever essa história de outro jeito, então ao invés de ficar pensando em coisas ruins, por que não pensa em como escreveria a historia de vocês após esse acontecimento? Pense no que gostaria de fazer quando sua esposa acordar. Isso o manterá ocupado. 
— Tudo bem, mãe. Obrigado. 
— Meus conselhos sempre funcionam, mesmo quando você finge não ouvi-los. Agora eu vou deixa-lo aos cuidados dos médicos. O Dr.Gray me disse que você ainda precisa fazer uns exercícios antes de poder sair do hospital. E nem comece a dizer que não sairá. Virei busca-lo. 
— Mãe, eu ficarei aqui. 
— Não vou discutir com você, kiddo – deu um beijo nele e deixou o quarto. Martha sabia que não convenceria o filho a deixar o hospital, porém não ia admitir isso a ele.   
Castle ficou pensando sobre as palavras da mãe a respeito de seu futuro, sua historia com Kate. Ele tinha muitas ideias, mas estava com dificuldades de pensar sobre elas com a ideia conflitante de voltar ao loft após a tragédia pairando em sua mente. Não podia aceitar isso. Dois dias. Negociaria ficar no hospital pelo menos mais dois dias. Se Kate não acordasse, ele voltaria ao loft com a mãe e a filha. Os pensamentos voltaram-se para Alexis. Se ao menos ela viesse até ali vê-lo... ele se desculparia, ele a faria entender o que ela significava para ele. 
A enfermeira entrou no quarto sorrindo. 
— Pronto para sua caminhada? Vou leva-lo para caminhar por três alas de quartos e depois iremos a cafeteria. A Dr. Marshall irá nos encontrar lá. Disse que tem uma surpresa para você – ao ver os olhos se iluminarem, a enfermeira completou – e não se trata de sua esposa. Ela ainda dorme. 
— Mas é uma boa surpresa? 
— Sim, ou pelo menos ela acha. 
Castle fez os exercícios e caminhou como fora prescrito. Ao fim da sessão, a enfermeira levou-o para a cafeteria. Johanna estava sentada numa das mesas esperando por ele. Sorriu e mostrou a cadeira para que ele sentasse ao seu lado. Fez sinal para uma das pessoas por trás do balcão. 
— Olá, Castle. Como você se sente hoje? Os exercícios foram difíceis? 
— Não, estou me sentindo bem melhor. 
— Contaram sobre seu pesadelo. Quer falar sobre isso? 
— Não. Eu não quero lembrar de coisas tristes. 
— Sei que não, porém faz parte da sua recuperação. Um trauma dessa magnitude não some de sua vida de uma hora para outra. Falar ajuda. 
— Não gosto de falar sobre lembranças que me fazem achar que Kate está morta ou não voltará para mim, doutora. 
— Johanna. Pode me chamar de Johanna. E já que é assim, podemos conversar sobre coisas agradáveis como sua série de livros de Nikki Heat – ela sorriu pegando uma sacola que deixara ao lado da cadeira, vendo o rapaz da cantina se aproximar, continuou – antes, quero lhe fazer uma surpresa. Não é um steak do Le Cirque, mas achei que você merecia um agrado especial. Como não sabia o que chomeletes eram, eu preferi panquecas com chantilly, morangos e chocolate chips. Fique à vontade – ela disse quando o prato foi colocado na frente dele. 
— Doutora, não precisava....se isso é para ter certeza que assinaria seus livros... – ele tirou um pedaço da panqueca e ao sentir o sabor em sua boca, fechou os olhos – ah, como senti falta disso. Beckett adora quando faço café da manhã para ela. Minhas panquecas principalmente. Acho que é uma das poucas coisas que ela come com vontade sem se preocupar com o fato de ser saudável. E meu carbonara! 
— Vejo que você é um homem de muitos talentos. 
— Adoro cozinhar para agrada-la. Você trouxe os livros para eu assinar? 
— Sim, estão todos aqui. pode me contar alguma curiosidade deles, algo que não tem relação com a mídia, mas com a história. Nada das coisas que lemos em sites. 
— Você segue meu site? – a médica assentiu – ótimo! Beckett também seguia. Era uma das minhas fãs e leitoras hardcore. Leu todos os meus livros. Todos. Até os piores. Eu ainda lembro dela chegando no lançamento de Heat Wave. Ela não gosta da exposição. Demorou para que ela aceitasse que namorava uma pessoa famosa. 
— Vocês já estavam juntos no lançamento de Heat Wave? 
— Não! Ela ainda dizia me odiar, que eu era irritante – Castle sorriu, tinha um olhar sonhador – posso vê-la entrando, maravilhosa naquele vestido Hever Leger segurando meu livro, admirando a capa que ela mesma abominou porque dizia que estava nua. Kate ficou comovida com a dedicatória. Ela disse wow. Era difícil ver Kate Beckett impressionada, apesar que aprendi a fazer isso ao longo dos anos. Claro que acabamos discutindo naquela noite porque eu tinha a possibilidade de escrever outra série, esquecer Nikki Heat. Apesar de toda a sua pose, ela ficou muito chateada com o possível fim da parceria. Não que ela fosse admitir.  
— Essa dedicatória é realmente linda – disse a médica com seu exemplar de Heat Wave aberto – assim como todas as outras. Quanto tempo depois vocês ficaram juntos? 
— Uns quatro livros depois. Na verdade, quatro anos depois que a conheci. As coisas entre nós sempre foram complicadas, difíceis. Havia o medo, o trauma, a morte da mãe. Foi um longo caminho. 
— E eu achando que a cena de Heat Wave era baseada em experiência real. 
— Mais uma curiosidade para você, doutora. Eu e Kate nunca reproduzimos essa cena. Quando Heat Rises foi lançado, eu estava passando por um péssimo momento. A morte de Montgomery, o atentado de Kate, o pedido de afastamento. Achei que nunca mais a veria. 
— Foi o único que você não dedicou a ela. 
— Sim, era correto homenagear o capitão. Ele deu a vida para salva-la. 
— Eu gostei muito da dobradinha Frozen/Deadly. O trauma, o assassinato. foi baseado na história da mãe dela?
— Não. Eu queria escrever algo significativo, mas que não a deixasse triste, não trouxesse os seus medos e paranóias à tona. Usei um pouco do que vi em Kate para colocar Nikki naquela situação, mas na vida real, ela quase morreu ao tentar prender o assassino da mãe e a realidade Johanna é terrivelmente assustadora. 
— Vocês tem muita história. Você poderia escrever uns dez livros com isso. 
— Bem mais que dez, acredite. E ainda teremos muitas histórias para viver. 
— Enquanto você assina meus livros, vou pegar café. Você quer? 
— Por favor... – ela voltou com um copo para Castle. Ele já tinha autografado todos os livros da médica. Ao vê-la sentar-se outra vez ao seu lado, Castle sorriu ao beber o primeiro gole. Se pegou imaginando o que Johanna, a verdadeira mãe de Kate pensaria dele. Beckett sempre dissera que ela o adoraria – então, você não me disse qual é o seu preferido. A dobradinha? 
— Gosto muito desse. Gosto de todos, eles têm momentos especiais. Mas talvez Heat Wave, por ser o primeiro e pela famosa página 105 tenha um lugar especial no meu coração. Você é um excelente escritor. 
— Obrigado, Johanna. Outro fato interessante, Beckett leu a pagina 105 escondida no banheiro do 12th. 
— Como você sabe disso? 
— Porque eu a flagrei – eles riram – posso vê-la agora? 
— Pode. Se me permite uma pergunta, sei que já mencionou que Kate é extraordinária. Mas o que você mais gosta nela? O que o atraiu de verdade? 
— São tantas coisas, Johanna. Sua tenacidade, seu senso de justiça, ela não desiste. A capacidade de ser forte e também se permitir fraquejar. Ela é uma mulher extraordinária que comete erros na ânsia de acertar. É doce, carinhosa, implicante e sexy, extremamente sexy... e o olhar, ela fala com os olhos. Não consigo imaginar minha vida sem Kate. 
— Queria que alguém um dia falasse a metade das coisas que você disse da sua mulher sobre mim. 
— Posso ensinar alguns truques ao Paul... – viu que a médica arregalou os olhos e ficou vermelha – o que? Vocês não estão juntos? 
— Não! Somos apenas colegas de trabalho. 
— Por enquanto... quer um conselho? Não espere demais – Johanna olhava impressionada para o escritor – ele gosta de você. Agora, preciso ver minha esposa. Quero discutir algumas coisas com ela sobre o nosso futuro. 
Eles se levantaram da mesa e seguiram pelo corredor. Johanna ainda estava um pouco desconfortável com as palavras de Castle. Na porta do quarto, ele virou-se para fita-la. 
— Será que pode me emprestar seu Heat Wave? Acho que Kate gostaria de ouvir sobre a pagina 105. 
— Tome. Você tem uma hora, Castle. 
Ele entrou no quarto. Fez o mesmo ritual de sempre. Beijou-a, tocou em sua mão, sentou-se ao seu lado e admirou-a por vários segundos até começar o monólogo do dia. Inspirado pelas palavras da mãe, ele se vira pensando sobre o futuro de ambos quando saíssem dali. Antes de dividir suas ideias com Kate, ele preferiu comentar sobre a conversa com a médica e dizer para a esposa que leria uma das partes preferidas dela de Heat Wave. 
A leitura, como sempre, era um dos melhores atributos de Castle. Ele sempre envolvia sua audiência com emoção e interpretação ao contar uma história. Ali não era diferente, afinal, ele lia para sua melhor audiência, sua maior fã. A razão por ter escrito aquelas páginas. 
“Tentatively, slowly, each drew an inch closer, each still silent, each still holding the other’s steady gaze. Whatever worry or uncertainty or conflict she’d felt before, she pushed it aside as too much thinking. At that moment, Nikki Heat didn’t want to think. She wanted to be. She reached out and gently touched his jaw where she had struck him earlier. She rose up on one knee and leaned forward to him and, rising above him, lightly kissed his cheek. Nikki hovered there, studying the play of shadows and candlelight on his face. The soft ends of her hair dangled down and brushed him. He reached out, gently smoothing one side back, lightly stroking her temple as he did. Leaning there above him, Nikki could feel the warmth from his chest coming up to meet hers and she inhaled the mild scent of his cologne. The flickering of the candles gave the room a feeling of motion, the way it looked to Nikki when the plane she was in flew through a cloud. She pressed herself down to him and he came to meet her, the two of them not so much moving as drifting weightless toward each other, attracted by some irresistible force in nature that had no name, color, or taste, only heat.”
A voz melodiosa continuava pelas páginas enquanto segurava a mão dela na sua. Esperava que Kate pudesse ouvi-lo. 
“And then what began so gently took on its own life. They flew to each other, locking open mouths together, crossing some line that dared them, and they took it. They tasted deeply and touched each other with a frenzy of eagerness fired by wonder and craving, the two of them released at last to test the edge of their passion” “…. “You have no idea,” she said.” “… “You won’t need a gun,” he said. “I’ll be a perfect gentleman.” “You’d better not.” And she pounced on him, her heart pounding high in her chest with excitement and tension.” 
Ao terminar, ela permanecia do mesmo jeito embora aos olhos de Castle, Beckett parecia mais tranquila, seu semblante sereno. Se não tivesse aqueles tubos ao seu redor, podia estar quase sorrindo. Castle deixou o livro de lado e após beijar a mão da esposa, ele retornou ao seu monólogo. 
— Kate, eu estava pensando hoje enquanto fazia meus exercícios. Sobre o nosso futuro e o que podemos fazer quando você acordar. Merecemos umas férias, não acha? Um momento a dois, sem casos, preocupações, algo que poderemos aproveitar juntos. Algo como a nossa viagem cruzando o país. De Nova York a California. Que tal? Podemos encerra-la em Los Angeles, não, melhor! Em Vegas! 
— Temos tantas coisas por fazer, Kate. E sei que esse assunto é um pouco complicado para você. Não falamos dele há algum tempo. Essa nossa vida nesses últimos meses foi bem conturbada. A separação desnecessária, os perigos, Loksat. Mesmo quando você voltou para nossa casa, nunca havia um momento ideal para falar de futuro. 
— Espero não assusta-la com o que eu estou prestes a revelar. Não posso reclamar da minha vida, tenho praticamente tudo. Há algo faltando, não estou falando de viagens, carros, idas a lua. Quero ter outro filho, Kate. Um bebê nosso. Meu e seu. Por isso precisa acordar, não posso fazer isso sozinho. Preciso de você para criar nossa própria família. Esses são alguns dos nossos planos, amor. Eles não se realizarão se você continuar dormindo. 
Batidas na porta interromperam sua conversa. Era a enfermeira informando que deveria voltar para o seu quarto porque o horário de visitas estava acabando e havia alguém esperando por ele. 
— Tudo bem – ele se levantou da cadeira e beijou-lhe o rosto – até amanhã, Beckett. Sonhe comigo e com o nosso futuro. 
Ao voltar ao seu quarto, Castle sorriu ao ver Alexis esperando por ele. Em um impulso próprio de pai, levando em conta o quanto estava saudoso de sua garotinha, ele a abraçou com vontade embora não tenha havido reciprocidade da outra parte. 
— Filha! É tão bom ver você! Estava com saudades. 
— Estava mesmo? Vovó me disse que terá alta hoje e se recusa a voltar para casa. Nós realmente precisamos conversar. De onde tirou essa ideia idiota de ficar no hospital? Já não basta esquecer de todo mundo e só pensar em Kate? 
— Alexis, não é assim. Eu lhe devo uma explicação e...
— Não é assim? Você está considerando ficar no hospital por causa dela! Se esquecendo de sua saúde, das outras pessoas só porque ela está aqui. Ela está em coma e pode ficar assim por muito tempo. Se durar anos, você vai continuar aqui? Porque a possibilidade existe. 
— Alexis, sente-se! – ele não gritou, mas o tom de voz era forte, decisivo, de pura autoridade. Ela fitou o pai, havia raiva em seu olhar, mesmo assim, ela obedeceu – não sei porque você está agindo assim, você está com ciúmes de Kate? Como isso é possível? 
— Eu não...
— Não me interrompa. Você precisa me ouvir. Acha que é fácil ficar em um quarto de hospital? Realmente acredita que queria isso? Claro que não! Gostaria de estar nesse momento em minha sala, sentado em meu sofá, abraçado à minha mulher saboreando um copo de vinho e relaxando. Eu não pedi para isso acontecer, Kate não pediu. Isso se chama vida real. Nesse instante, eu não posso abandona-la, é por causa dela que estou vivo. Kate me salvou e se minha presença aqui de alguma forma a fizer melhorar, oferecer a esperança de vê-la acordar, eu fico e ficaria mil vezes. Faria o mesmo por você. E sabe disso, ou já se esqueceu de Paris? 
— Sei que ficou chateada pelo que disse no outro dia. Eu sinto muito por tê-la magoado. Não foi minha intenção, nunca. Mas não disse nenhuma mentira. Você é minha filha, não deveria ter dúvidas sobre o quanto eu te amo e quanto é importante para mim, Alexis. Eu morreria por você. Kate, ela é tudo para mim, ela é a mulher que eu amo. A pessoa que acredita em mim, confia em mim. Eu sou um homem melhor por causa dela. Isso não muda o fato de que amo você, filha. Talvez hoje você não entenda, contudo no dia que for mãe, irá se lembrar dessas palavras. O amor de um pai por um filho é incondicional. Porém, não é motivo para que acredite que tudo gira ao seu redor. E se passa por sua cabeça desejar o mal, ou culpar Kate por qualquer coisa, pelo que aconteceu, então temos um problema, Alexis. Eu não irei admitir que fale mal da mulher que amo, que a acuse de fazer coisas infundadas. Não posso concordar ou pactuar com isso. 
— Eu já disse que sinto muito, estou aqui pedindo desculpas, de braços abertos para que você possa me ajudar a suportar esse momento, a ausência dela, eu só quero um abraço apertado da minha filha, a menina inteligente que virou uma mulher capaz de ser bem mais sensata que seu próprio pai. Eu preciso dela, Alexis. 
Castle abriu os braços olhando com ternura para a ruiva a sua frente. Se tinha algo que Rick Castle não se importava era fazer papel de bobo e demonstrar o quanto ele precisava de outras pessoas. Os segundos pareciam arrastar-se tornando a espera por uma reação dela soar como uma eternidade. Finalmente, Alexis dá um passo em direção ao pai. Porém, a reação não é aquela que ele esperava. 
— Faça o que quiser, pai. Quanto a mim, não estou disposta a, qual a palavra mesmo que você disse? Ah! Pactuar, isso. Não quero pactuar com essa ideia ridícula de ficar em um hospital por alguém que o colocou em perigo. Não, eu pensei que conseguiria. Não foi dessa vez. Não quer voltar para casa? A escolha é sua. É adulto e dono do seu nariz. Eu vou embora.  
— Filha, eu preciso ficar ao menos uns dois dias, Kate precisa de mim. Meu coração me diz que ela não vai demorar para acordar. 
— Pai, você não deveria ficar criando esperanças. O quadro dela é difícil – ele sentiu um certo desdém nas palavras de Alexis. Ele estava arrasado por não conseguir fazer com que ela o entendesse.
— Devia ouvir sua filha, Sr. Castle – era o Dr. Gray que chegava no quarto acompanhado da Dr. Marshall, pronto para lhe dar alta – soube que teve um dia produtivo hoje. Isso é bom. Estou com seu prontuário em mãos, posso assina-lo para libera-lo, ainda está com aquela ideia fixa de ficar aqui ou sua filha conseguiu colocar algum juízo nessa sua cabeça dura? 
— Não dessa vez e ao contrário do que você pensa, doutor, não se trata de esperança, trata-se de certeza, conexão e amor. É muito bom, devia tentar algumas vezes. Umas conversas mais interessantes com a Dr. Marshall, por exemplo. Alguns cafés... livros e cafés fazem maravilhas, experiência própria – ele reparou que a médica tinha a cabeça baixa – ah! Quase me esqueci! – ele pegou o exemplar de Heat Wave que havia deixado sobre a cama – aqui está o seu livro, Johanna. Obrigada por me emprestar. Kate gostou de ouvir sobre as margaritas outra vez, tenho certeza – a médica sorriu pegando o livro das mãos dele. 
— É um prazer. 
— E quanto a sua pergunta, vou ficar no hospital. Alexis já estava de saída, ela não conseguiu me convencer. Faremos uma pequena negociação. Estou há oito dias no hospital. Em vez de me dar alta, você irá me dar mais dois dias. Se Kate não acordar, o que eu não acredito, eu saio daqui e volto para minha casa. Minhas vindas aqui se resumirão às visitas a Kate. Temos um acordo? 
— Por que algo me diz que vou me arrepender disso? É contra a política do hospital. Não posso manter pacientes que estão bem, recuperados no ambiente contaminado. É contra meu juramento. Estou expondo-o a bactérias, outras doenças, não causar mal é a parte mais importante do juramento de Hipócrates. Se a direção descobrir posso responder por isso. Regras precisam ser cumpridas, não é apenas o que você deseja ou o que seu dinheiro pode pagar. 
— Regras, protocolos, quer que assine um documento exonerando o hospital de toda responsabilidade? Você parece a Beckett falando. Acho que ela vai gostar de você. Sei que tem um bando de papelada para preencher e detesto papelada, ela sabe disso, mas basta você escrever no meu prontuário que eu preciso de maior acompanhamento na psicoterapia, mais exercícios antes de me liberar. Minhas costelas! Pronto! Elas não curaram ainda como você queria, estou sentindo muita dor – Castle fez careta simulando dor e nem Johanna nem Alexis aguentaram rindo da cara que ele fazia. 
— Dr. Marshall, você deveria estar me ajudando aqui e não rindo ou achando graça do escritor. 
— Faltou só revirar os olhos. Ele parece a Beckett mesmo. 
— Paul, dois dias a mais não vai fazer mal algum ao hospital. Nem a Castle. Prescreva alguns exercícios adicionais para que ele faça. Pratique. 
— Johanna, o que deu em você? Isso não é profissional. 
— Paul, por favor... não é como se ele tivesse pedindo uma cirurgia ou doses de remédios controlados. Esqueça isso por dois dias! 
— Definitivamente deveria escutar mais a ela... em todos os sentidos, doutor. 
— Eu nem sei porque estou concordando com isso. Dois dias, Castle. Se nada mudar, quero você fora desse hospital. 
— Palavra de escoteiro – se Beckett estivesse ali, saberia que aquele compromisso não valia de nada. Castle nunca fora escoteiro. 
— E o horário de visitas acabou. 
— Tudo bem – ele virou-se para a filha, o olhar triste – não é como se eu fosse necessária aqui mesmo – Alexis seguiu para a porta. Marshall viu o sofrimento nos olhos de Castle.
— Alexis, por favor, pode pedir para sua vó trazer uma cópia de cada livro da série Heat amanhã para eu ler para Kate? Não quero ficar pedindo emprestado da Johanna. 
— Eu aviso. Amanhã, a vovó deve vir aqui. Boa noite, pai. E por favor, obedeça o Dr. Gray. De verdade. 
— Prometo que vou me comportar, Alexis – ele deu um sorriso amarelo e acenou um adeus com a mão que não foi notado pela menina. Ele suspirou. Johanna se aproximou dele. Segurou sua mão. 
— Você está bem? Foi uma discussão difícil, não? 
— Foi sim... vou ficar bem. Obrigado - o médico olhava meio estarrecido com a atitude de Johanna e ao que parecia, ela não tirava os olhos de seu paciente além do nível de intimidade com os nomes. Quem ele pensa que era? Sua fama não enganava. Playboy milionário. Castle percebeu a cara de poucos amigos do doutor. Ele sabia o que isso significava.  
— Boa noite, Sr. Castle. Vamos, doutora. 
— Boa noite, Castle.  
— Até amanhã, Johanna. Como disse à Beckett boa noite é chato – sorriu recebendo um sorriso da médica e a revirada de olhos de Paul. 
Ao se encontrarem no conforto médico, Johanna pegava suas coisas para ir embora. Paul não aguentou. 
— O que foi aquilo, Johanna? 
— Não sei do que você está falando… - desconversou. 
— Você ficou rindo das gracinhas de Castle, colocou em cheque minha autoridade como médico, devia me apoiar e ainda cheia de intimidades. Ele é um paciente desse hospital, não o seu escritor. Você é uma profissional - Johanna virou-se para fita-lo, sabia que estava chateado. 
— Sei muito bem meu papel nesse hospital, Paul. Sei das minhas responsabilidades como médica. A saúde e o bem-estar dos pacientes. Para quem citou Hipócrates você parece bem alheio ao que nosso juramento significa. Castle estava sofrendo, a filha não consegue entender exatamente o que ele está passando. Nem poderia. 
— E você consegue? 
— Por Deus, não! Nem gostaria. O amor sim, a dor? Eu passo, mas tenho uma filha adolescente. Sei como é complicado. 
— Está tão envolvida que fica de conversinhas e tocando a mão dele? Soube que você esteve na cafeteria com ele hoje. 
— Estive sim, algum problema? - ela olhava para o médico, encarando os olhos verdes - por acaso está com ciúmes de Castle? Do seu paciente, Paul? - ela viu a indecisão em seu olhar. 
— Não sei do que você está falando. Estou alertando quanto a política do hospital, você serviu comida externa a um paciente e… 

— Paul, não se preocupe. Eu sei me cuidar. Sei bem minhas obrigações como médica. Tenha um bom plantão - ela saiu batendo a porta do conforto atrás de si. Paul deixou-se cair no sofá com raiva de si mesmo por tê-la questionado. 

Continua...

6 comentários:

rita disse...

Gostando muito, mais louca que a Kate acorde e que todos vejam que o VERDADEIRO AMOR opera MILAGRES, o Rick vai fazer com que esse milagre aconteça, o amor que ele sente por ela vai conseguir salvá-la. Abraços Karen.

cleotavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cleotavares disse...

OMG! é muito amor desse homem, gente. Ele lendo pra ela, tomara que fique tudo gravado no subconsciente da Kate, para depois ela comentar sobre a leitura da página 105.
Eu já estava shippando a Johanna e o Paul(Panna), agora então. A Johanna seria o Castle e o Paul, a Kate, na relação. Sobre a Alexis, sem comentários, quero bater nessa ruiva.
E essa "ceninha" de ciúmes do Paul? amei!

Gabriela Mendonça disse...

A Johanna td preocupadinha com a reação de Castle... que fofaaaaa. Melhor médica que vc respeita...
Que encontro foi esse? Ele chorando de emoção por rever a KAte... tão fofo elencando todos os motivos do pq quer que ela volte para ele... é muito amor... muito meigooo... Ele recitando os votos de casamento...
Impressão minha ou o Gray ta tendo ataques de ciúmes? kkkkk calma bonitão, o RIck só tem olhos para Kate.
Esposito sabe de nada viu... a mulher quase morre. Se dá última vez ela afastou o Rick, dessa vez ela vai deixar ele tão perto que ninguem vai saber quando começa um e quando começa o outro.
Opaaa, Johanna é uma fã. Só falta dizer que pegou fila de autografo tb kkkk
As conversas do Rick com a Kate são de amolecer qualquer coração.
kkkkkk morta que ele leu a página 105 para ela kkkkkk Viagem, bebê... ai meu DEus levanta logo Kate... bora Bela Adormecida. Alguém sussurra pra ela que as enfermeiras estão tomando ousadia com o Rick. APosto que ela levanta rapidão.
Ai meu DEus... Alexys n cansa não? garota, vc só pode ta maluca. O cara foi atacado no loft, e vc quer que ele entre lá sozinho enquanto a mulher dele esta em coma no Hospital. É ser muito insensivel viu. DEixa ele no hospital... o que custa? Bem feito, tomando Vrau de td mundo, pena que é burra e não consegue enxergar que essa crise de ciume é ridicula.
Grayshall tendo uma DR no meio de geral kkkkk Gray ta muito enciumado kkkk

Priscila Barros disse...

Ai, esse encontro do Castle com a Kate em coma foi tão emocionante, tipo, foi no fundo da alma. Sabia que depois da sacudida da Martha para o Castle lutar e ficar forte para a Kate seria um diferencial também (amei muito isso/esqueci até de falar no outro comentário)
Ele recitar os votos e partes do livro dele foi tão lindo, certeza que cada pequeno esforço para se manter junto dela é fundamental na recuperação, pra ajudar ela a voltar logo ❤❤❤❤
O que falar de Johanna?! A maior caskett que nós respeitamos! ❤❤❤ Além de fã do nosso Castle ❤❤❤ hauahauahuhauahauahu agora que tem um certo médico se roendo de ciúmes do Castle, ahh isso tem!!! Poxa doutor, a Johanna gosta mesmo é de você, acorda Brasil!!! Hauahaua
Agora o tópico raiva: como a alexis consegue ser tão chata/insuportável?! Como ela faz isso com o próprio pai? Eu entendo que o hospital não é o melhor lugar pra se ficar, mas poxa, o Castle quer ficar junto do amor da vida dele! Ela precisa dele pra acordar, de todo o esforço e toda ajuda dele pra se curar! Tudo que eu queria era bater nessa guria!!!

Ai Kah, eu amei muito o capítulo, em especial quando o Castle recitou os votos. Esse amor é lindo demais ❤❤❤❤❤❤

Vanessa Belarmino disse...

Coração batendo junto com o de Castle...
Johanna tentando acalma-lo foi tão fofinho.
A reação dele é normal. "eu pensei que não a veria nunca mais." Lembro disso...
Ele chorando. Aii. E depois seguindo o conselho da mãe. Eu não vou durar lendo ele falando sobre as coisas que ama nela.
Porra karen, os votos? Sério? OMG! "Você é minha musa, um escritor não vive sem sua musa. Quero envelhecer ao seu lado, volte para mim. Eu te amo tanto, Kate... "
Tão bom ver Castle esperançoso.
Morrendo de amor pela doutora Johanna. Paul ficou bravo. hahaha. Ele tentando ser a razão a parte realista.
Esse pequena discussão pareceu com Caskett. Bonitinho ela tocando o peito dele. Sim, to shippando hahaha
Espo sendo idiota, aff. Ele e Alexis dão certo mesmo. Mas não aqui.. hahaha
Castle tem razão, existem outras prioridades. Ver Kate fez tão bem para ele...
Alexis é muito estupida, o pai quase morreu, deveria estar feliz, estar o apoiando. E não sendo uma criança idiota que faltou apanhar muito.
Só nao digo que deveria ter morrido em Paris, por respeito a Castle, que sofreria por essa idiota.
Chega de falar nela. aff
Doutora Johanna é demais. Foi procurar Paul para não passar por cima dele. Mas ja sabia a resposta. Se entregou que era fã de Castle.
Joh e Castle quase melhores amigos, to amando isso. Castle da uma aulinhas para Paul, pq não podemos esperar quatro anos pra ver esse romance engatar hahaha
Castle falando com Kate é tão lindo. A esperança dele, hoje ele ate brincou com teorias hahaha
Será que Martha vai conseguir convencer Castle a deixar o hospital?
Joh fangirl querendo saber a historia. Eu amei isso.
"— Posso ensinar alguns truques ao Paul... – viu que a médica arregalou os olhos e ficou vermelha – o que? Vocês não estão juntos?
— Não! Somos apenas colegas de trabalho." Isso é tão familiar... ahahah
Não esperem mesmo.
Own, ele vai ler Heat Wave pra ela.
Ele falando que quer um filho deles e não pode fazer isso sozinho. Que homem maravilhoso.
E a mimadinha aparece de novo. Isso Castle fala mesmo. Amei que tacou Paris na cara dela. >>
Doutora Johanna sendo ótima com Castle hahaha. Paul morrendo de ciumes, e Castle ainda dando dicas.. Morta! hahah
E essa discussão final. Meu Deus, eles serão ótimos juntos. ♥♥