segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.18


Nota da Autora: O capitulo está grande. Sim, tem angst, tem Beckett sofrendo... porém o lance com BB é bem diferente das minhas outras fics. Eu não consigo estender muito os momentos pesados porque logo me lembro do nosso Dylan, baby boy não merece ficar triste. Então, apreciem a dor, a angustia e bem... o final do túnel pode ser bom. Divirtam-se!   


Cap.18 


Talvez a ficha de Beckett não tivesse caído totalmente ao deixar o loft naquela manhã. Sim, ela estava agoniada em saber que Dylan estava chorando. O que ela não atentara era para o fato de que essa foi a ultima vez que disse bom dia ao seu baby boy, que o amamentou. Não faria isso à noite, mas mantinha-se cega diante da verdade. Ou tentava. Durante todo o caminho para o distrito, ela relutou em ligar para Castle. Não era apenas a preocupação com o bebê, era a demonstração de que não pudesse ser capaz de se desligar daqueles 21 dias. 

Sua chegada ao salão, provocou uma certa euforia nos rapazes. Ao que tudo indicava, teria uma manhã corrida. Havia relatórios para finalizar, dois homicídios ocorridos na madrugada que necessitavam de sua atenção, um parecer ordenado pelo seu capitão. Enquanto os rapazes tentavam coloca-la a par do que acontecera e onde sua ajuda seria primordial, Beckett se esforçava para prestar atenção embora sua mente continuasse pensando em Dylan. Quando Ryan chamou três vezes por ela sem resposta, percebeu que precisava parar. 

— Está tudo bem, Beckett? 

— Está. E-eu somente preciso ir ao banheiro. E café. Sim, eu já volto. 

Ela se olhava de frente ao espelho. A mente maquinando várias possibilidades sobre como Dylan estava. E Castle. Não. Precisava parar. 

— Não - disse a si mesma - eu preciso me concentrar. Trabalhar. Minhas vitimas precisam de mim. E-eu não posso… Dylan também precisa. Não. Chega. Investigações, homicídios - respirando fundo, Beckett acalmou-se e fez o que ela sabia de melhor. Compartamentalizar. Essa, juntamente com a teimosia e a obsessão eram fortes características da detetive. 

Devido ao ritmo de investigações no distrito, a segunda-feira estava bem agitada, o que manteve a mente de Beckett focada no trabalho. Castle apareceu por volta das onze da manhã. Ao vê-lo, a primeira pergunta foi "como ele está".  

— Tudo bem, detetive. Consegui acalma-lo. Mamãe está com ele. O que temos? - o escritor tratou de mudar o assunto porque não queria preocupa-la.  

A tarde voou. Tinham dois casos em aberto, um praticamente resolvido, porém teriam que esperar até a manhã do dia seguinte para colocar o suspeito em interrogatório. Estavam dependendo de um relatório do CSU para não deixar qualquer brecha quanto a evidência.  

— Podemos encerrar por hoje - disse Beckett - acho que amanhã teremos boas notícias - Castle já estava de casaco se dirigindo para o elevador quando Espo falou.  

— Você não vai esperar a Beckett? Ela não vai com você para o loft?  

— Não, ela já se mudou. Foi muito bom enquanto durou, mas a detetive não conseguiu acompanhar meu ritmo.  

— Até parece, aposto que ela se irritou com você a maior parte do tempo e se duvidar está feliz pela farsa ter acabado - ele sentiu um pisão no pé dado por Ryan que era o único olhando para a detetive e percebendo que seu semblante mudara no instante que eles tocaram no assunto loft - hey! O que você está fazendo?  

— Vai para casa, Javi - em seguida sussurrou - e pare de falar do loft - retomando a conversa, perguntou - quando sai o resultado da adoção?  

— Segundo a agente no máximo em uma semana.  

— Bom, vou para casa. Aproveitar para fazer algo com Jenny. Boa noite para vocês - os dois finalmente estavam sozinhos.  

— E-eu também preciso ir. O jantar de Dylan.  

— Certo. Você me avisa se a agente contata-lo primeiro? Devemos ir juntos ao tribunal. 

— Eu sei. Iremos. 

— Castle, se … se algo de errado acontecer com Dylan, você pode me ligar. 

— Eu sei, mas sabemos que o garoto terá que se acostumar a não vê-la o tempo todo - ele notou a decepção em seu semblante - Boa noite, Beckett.  

— Até amanhã, Castle.  

Quando chegou em seu apartamento, ela se ocupou guardando suas coisas e em seguida tomando um longo banho. Esquecerá-se completamente de passar no supermercado. Foram três semanas longe. Teria que optar por delivery.  

Pela primeira vez em semanas, Kate Beckett odiou comer sozinha. O silêncio e a sensação de vazio que sentia era horrível, incômoda. A verdade era que ela não sabia o que fazer depois que terminara de comer. Perambulando pelo seu apartamento, Beckett decidiu ler. O problema era que não tinha nenhum livro novo, então ela acabou com Heat Wave nas mãos.  

Meia hora depois, deitada em sua cama, Beckett não resistiu em pular a história até a página 105. Ao terminar de ler a parte em questão, Beckett se lembrou das palavras de Lanie. Sobre Castle escrever essa cena porque era louco por ela, porque a desejava. Droga! Ela já sabia disso. Aquele beijo e toda a convivência deles no loft mostrava isso. Não podia esquecer do seu último discurso, ele estava 100% nesse relacionamento. A quem ela queria enganar? Ele estava falando deles, não da parceria. Deles. Do homem e da mulher. Se ao menos ela tivesse outra coisa para ocupar sua mente que não fosse pensar em Castle...  

Dylan. Ela queria embalar o bebê para dormir. Meu Deus!  

— Estou louca. Sinto tanta falta daquele menino, seu cheirinho, seu corpinho... - suspirou - eu não posso lidar com Castle agora, simplesmente chegar lá e dizer que estou apaixonada. Ele vai achar que é por causa do bebê, que estou confusa. Ou ainda estou remoendo o que aconteceu domingo. Não... vou esperar o resultado da adoção, então posso conversar com ele.  

Kate rolava na cama de um lado a outro, não conseguia dormir. Então, ela se lembrou da baba eletrônica no celular. Castle disse que bastava ter Wi-Fi para funcionar. Pegou o celular e acionou o aplicativo. O sorriso despontou nos seus lábios no instante que viu o bebê dormindo tranquilo em seu berço agarrado ao elefante. Kate ficou velando o sono de Dylan até alta madrugada quando finalmente adormeceu.  

Na terça-feira, ela tinha a aparência cansada. Resultado das poucas horas de sono. Ela observou o quanto pode a atividade no quarto de Dylan pela manhã também. Viu Castle brincar com ele e alimenta-lo.  

A chegada do escritor com café, trouxe um novo ânimo para ela.  

— Você dormiu bem? Está com olheiras, um ar cansado.  

— Estou bem, Castle. Nada demais. Esposito deve aparecer a qualquer hora com o nosso suspeito.  

— Ótimo. Não posso me demorar muito. Tenho que levar Dylan na pediatra.  

— Ele está bem? O que aconteceu? Parecia tão alegre hoje de manhã - o olhar preocupado evidente no rosto da detetive.  

— Como você sabe que ele está... oh! O aplicativo - ele sorriu. Adorou saber que ela não se desligara do menino - ele está ótimo. Tem que tomar vacina hoje.  

— Ah, vacina. Certo.  

— Beckett, trouxemos o cara. Ele é todo seu - ela ficou grata pela intromissão do detetive. Não queria que Castle estendesse o assunto porque tinha medo de seu próprio comportamento.  

Após o interrogatório, Beckett mandou fichar o cara e Castle deixou o distrito. Ela se concentrou no outro caso em aberto. Precisava manter a mente ocupada com outras coisas que não fossem Castle ou bebê. E a tarde passou, a noite chegou e Beckett continuava no distrito. Montgomery deixou sua sala por volta das sete da noite.  

— Ainda por aqui, detetive? Deveria ir para casa.  

— Apenas adiantando a papelada do último caso, senhor.  

— Não precisa fazer isso. Não tem nem 24 horas que fechou a investigação, pode concluir amanhã.  

— Sabe o que dizem, senhor. Por que deixar para amanhã o que se pode fazer hoje?  

— Isso vale para a sua vida, Beckett. Não apenas para trabalho. Não fique aqui até tarde. Boa noite.  

— Boa noite, senhor - obviamente ela não obedeceu seu superior. Beckett continuou no distrito até onze da noite, não trabalhando. Apenas evitava de voltar para aquele apartamento vazio.  

Em outro canto da cidade, alguém também pensava nela dividindo seus sentimentos com um bebê.  

Castle estava sentado na poltrona dando uma mamadeira ao menino. Felizmente, ele não apresentara nenhuma reação à vacina.  

— É garotão, não é a mesma coisa sem ela. Você também está com saudades? Beckett faz isso. Brinca com nosso coração. Não é de propósito, ela tem um tempo diferente para assimilar sentimentos. Tenho certeza que não dormiu direito ontem porque sentiu falta de você. Aliás, não duvido que ela esteja nos observando agora pelo celular. Vou dar mais um motivo para ela ficar fazendo suas reflexões. Vai quebrar a cabeça. Amanhã não apareço no distrito. Será que ela resiste em me ligar? - o menino terminou o leite. Castle pegou o elefante e começou a balançar contando histórias, ele seguiu na tentativa de cantar. Dylan, no mesmo instante, começou a balbuciar.  

— Mamama... 

— Eu sei, garotão. Não canto como ela e nem sou sua mamama. Desculpe. Você terá que ter um pouco mais de paciência, Dylan. Ela vai se render. Irá perceber que não consegue ficar longe de você. Nem de mim. Ela é durona, garoto, mas não me engana. Só queria receber logo a notícia da sua adoção, tornaria tudo mais fácil. Eu pretendo surpreende-la. Sei que vai gostar. Começando por amanhã. Não irei ao distrito. 

Ele tinha razão. Beckett estava sentada em sua mesa observando-os pelo celular. Sentiu um ciúme louco de Castle, raiva por ser ele quem estava fazendo Dylan dormir. Isso era insano. Foi para casa, mas antes pegara comida e um pote de sorvete. Sentada em seu sofá, ela devorava o doce assistindo aos videos de Dylan batendo palmas em seu celular. Respirou fundo. Quando o video terminava, ela o tocava outra vez. 

O plano de Castle pareceu ter funcionado. Além de Beckett passar quase toda a quarta-feira irritada, ela não conseguia se decidir quanto ao dilema que experimentava. Devia ligar para Castle a fim de saber porque não aparecera no distrito ou a fazia parecer carente da presença dele? Nossa! Desde quando ela usava a palavra carente? Será que o sumiço dele durante todo o dia estava relacionado com Dylan? E se ele estava doente, se a vacina fez mal?  

Ela detestava se sentir insegura e não podia conversar com ninguém sobre o assunto. Se procurasse Maddie, a amiga apenas repetiria que ela estava perdendo tempo. Ryan era a favor da relação dos dois, mas era homem. Não entenderia o que Beckett tinha em mente, nem como enfrentava a situação. Precisava de um café. Checou o relógio, duas da tarde. Onde o tempo foi?  

Ela entrou na mini copa. Ryan estava fazendo café.  

— Eu faço uma caneca para você. Sente-se, Beckett.  

— Obrigada, Ryan - ele terminou o café e entregou à detetive. Tendo em mãos a sua própria caneca, ele sentou-se ao lado dela.  

— Então, Castle deve estar muito ocupado com a paternidade, não? Ele sequer apareceu aqui com uma investigação em andamento. Ele ligou para você?  

— Não. Ele não é obrigado a estar sempre aqui, Ryan.  

— Mas não é muito do feitio dele - bebeu um pouco do café - você está estranhando não ter Dylan por perto?  

— Um pouco. Não faz parte da minha vida. Estava tentando ajudar.  

— Beckett, você acabou de passar três semanas na casa do Castle cuidando de um bebê ao lado dele. Conhecendo Castle, deve ter sido um ótimo período. Ele é divertido, aposto que fez de tudo para você se sentir em casa. Tenho certeza que está sentindo falta, fora a criança . Nosso coração amolece por um bebê - tomou um novo gole de café - Você acha que ele vai focar em cuidar da criança e deixar de nos seguir? Não parece muito coisa de Castle. Especialmente quando se trata de você.  

— Ryan, as coisas mudaram. Tem uma criança envolvida, por mais que Castle queira estar investigando conosco, existem outras prioridades - ela falava isso procurando se convencer. A verdade era que estava chateada, ele prometera que a parceria não ia mudar. Não era o que vinha se desenhando.  

— Beckett não vou me intrometer na sua vida e nas suas decisões, mas é de Castle que estamos falando. O cara faz tudo por você, devia pensar sobre isso.  

— Vamos trabalhar, Ryan. Temos um caso para investigar. Obrigada pelo café - nesse instante, Esposito entra na mini copa. 

— Acabaram de ligar. Temos um novo homicídio. Quer que eu vá com Ryan? 

— Quero ir - será um bom pretexto para ligar para Castle, pensou - só preciso fazer uma ligação - ela deixou os rapazes se afastarem para acionar o nome dele em seu celular. 

— Oi, Beckett… - o tom da voz era estranho - desculpe, um minuto - ela podia ouvir a voz dele doce falando com o bebê - não, garotão, está tudo bem, não chore - ouviu o choro do bebê. Isso a alarmou. 

— Castle? Você está ai? Castle? - ele demorou para responder. 

— Desculpe, Beckett. Pode falar - mas o choro se intensificou. 

— Castle, por que o Dylan chora tanto? Ele está doente? 

— Talvez possa ser classificado assim. 

— Castle, fale logo! O que aconteceu com ele? - apreensão, era o que Castle ouviu em sua voz.

— Ele teve febre desde essa manhã. E chora muito. Antes que você me pergunte, não é reação da vacina de ontem - então ela ouviu - mamama… mamama… - ele estava chorando por ela? O coração de Beckett doeu. 

— Castle, ele… 

— Desculpe, Kate, você vai dizer que estou inventando, mas ele… ele está assim por sua causa. Ele sente sua falta. Estava acostumado com você cantando para ele dormir, seu colo. Eu tento, de verdade, porém eu não sou você. Não sou a “mamama” que ele quer. 

Ela fechou os olhos, arrasada pelas palavras de Castle. Dylan estava doente. Seu baby boy estava doente por sua causa. O que deveria fazer? Não podia sumir da delegacia em pleno expediente para ver o bebê. Não seria certo. Ou era o que seu cérebro dizia. Talvez fosse a noite até lá, faze-lo dormir. Entre a cruz e a espada, ela ouviu Castle a chamando. 

— Beckett? Kate está ai? 

— Castle, ponha a ligação em video. Deixe eu falar com Dylan - sorrindo, Castle fez o que ela pediu. Dylan continuava chorando no colo de Castle, a imagem mexeu ainda mais com Beckett - hey, baby boy… cadê meu baby boy? Dylan… - o garoto reconheceu a voz. Os olhinhos procuravam por ela. A criança olhava para o pai querendo perguntar “cadê?”, Beckett falou outra vez enquanto Castle atraia a atenção dele para a tela - meu bebê, cadê meu baby boy

Ao perceber a imagem de Kate, a mãozinha dele tocou a tela. O rosto ainda molhado pelas lagrimas, os olhos azuis brilhando. Dylan inclinou-se encostando o rosto no celular como se o gesto o fizesse encostar nela. Kate mordiscou os lábios. Castle tentou outra vez faze-lo concentrar sua atenção na voz dela. 

— Saudades, bebê. Cadê o Babar? 

— Bababa… mamama… mamama… 

— Cante para ele, Beckett. Talvez ele se acalme. 

— Castle, estou na delegacia - então ela lembrou dos rapazes - espere um pouco. Ryan! Vocês podem ir na frente. Eu encontro vocês - ela seguiu para o banheiro feminino. Dylan continuava balbuciando “mamama”. 

— Beckett? 

— Um minuto, Castle - ela checou se estava sozinha no banheiro - hey, baby boy. Quer ouvir uma canção? - do nada, ela entoou “you are my sunshine” outra vez. Quando acabou, o menino estava adormecido no colo de Castle. Beckett, um pouco emocionada.

— Mágica… - Castle sussurrou - vai me dizer porque ligou? É um caso, não? 

— Sim. Mas não se preocupe. Eu cuido disso. Dylan precisa de você. 

— Não, ele claramente precisa de você, Kate. Obrigado por acalma-lo. Vou aceitar sua sugestão. Fica para a próxima.  

Eles passaram o resto da tarde envolvidos com o caso. Ela os dispensou depois das seis, porém não teve coragem de ir para casa. Parou em um café no caminho de casa. O mesmo onde conhecera Anna. Sentada na mesa com uma fatia de brownie e uma xícara enorme de café, Beckett recordava-se das palavras de Martha. Ela não precisava desaparecer da vida do bebê, Castle mesmo dissera que ela era bem-vinda quando quisesse, então porque não ir até o loft? Fazer uma visita? Ele estava chorando por sua causa. Seu baby boy estava sofrendo por ela. 

Castle também não estava ajudando. Por que não falara o que estava acontecendo com Dylan? Por que ele não estava cumprindo sua parte no acordo? Ela não iria ceder por Castle, porém  não ia deixar seu baby boy sofrendo. Terminou o café e seguiu na direção do loft.

Da porta, ela podia ouvir o choro da criança. Bateu na porta. O coração apertado. 

Castle mesmo abriu com o bebê chorando em seus braços. 

— Beckett? 

— Oh, baby boy… - ela tirou o menino do colo dele - não chore, meu amor - ela começou a passear pela sala com Dylan, acalentando-o em seus braços - ele já mamou? 

— Estava tentando acalma-lo para dar o leite e faze-lo dormir. 

— Faça o leite. Leve para mim no quarto - e desapareceu rumo ao quarto de Dylan. Ela sentou-se na poltrona e conversava baixinho com o bebê - oh, baby boy. Eu não abandonei você. Estou aqui. Eu amo você, queria que soubesse, mas adultos são complicados. Não espero que entenda - o menino pareceu se acalmar - vou cantar para você, baby boy - Castle entrou no quarto entregando a mamadeira a ela. Não pretendia ficar. Era um momento entre mãe e filho. Deixou-a sozinha. Beckett ofereceu o leite para Dylan e cantou para o bebê. Quinze minutos depois, ele já dormia. 

Kate demorou para coloca-lo no berço. Queria prolongar o contato. Cheirava a cabecinha dele. Sentira tanta falta e foram apenas três dias. Meu Deus… como isso foi acontecer? 

Finalmente ao sair do quarto de Dylan, viu Castle sentado no sofá. Estava de cabeça baixa. Ela se aproximou. Ainda estava chateada com ele, zangada. Tocou seu ombro. Ele a fitou. Beckett viu que ele tinha olheiras. 

— Ele dormiu. Eu já vou. 

— Tem certeza? Não quer ficar e… 

— Não - a resposta foi seca. Mesmo com toda a carga emocional criada pela situação com o bebê, Castle sabia que ele tinha mexido com a detetive. Seu plano estava funcionando. 

— Tudo bem. Obrigado por ajudar com Dylan. 

— É, fiz por ele. Vou indo. Boa noite, Castle - ela saiu quase apressada pela porta. 

Em seu apartamento, após um banho, ela já de pijamas deitou-se no sofá. Ligou a televisão. As notícias do dia não lhe chamavam a atenção, levantou-se para pegar um copo de vinho, novamente não fora ao supermercado. Fez uma nota mental para sair do trabalho amanhã e fazer isso. Estava um desastre ambulante. Uma avalanche emocional tomava conta dela. Um misto de depressão e raiva. Pegou o sorvete também. Retornando para o sofá, viu que o jornal acabara. Um episódio de CSI começava. Ela sorriu. Tudo que precisava. Algo para manter Castle em sua mente. Que droga! Beckett se encostou abraçando uma almofada e assistiu o programa. Algumas vezes durante a investigação ou a descoberta de uma pista muito boa, ela se pegou olhando para o lado apenas para encontrar o sofá vazio. Suspirou. Agora CSI não parecia tão divertido. Novamente, os sentimentos em relação a Castle retornaram. Raiva e saudade. Não conseguiria continuar. Usando o controle remoto, mudou de canal. 

Como que por obra do destino, no canal seguinte estava passando uma cena de “Sintonia de amor”. Era o momento que a personagem de Meg Ryan contava de seu primeiro encontro com Tom Hanks “eu só consegui dizer olá” tal qual a cena do reencontro de Nickie e Terri em “An affair to Remember”. 

— Isso só pode ser brincadeira - exclamou Beckett irritada. Terminou seu vinho e foi para a cama. A noite não foi fácil, ela passou parte dela olhando o celular, o pequeno Dylan dormindo, a outra parte remoendo sua raiva por Castle e sua culpa pelo sofrimento do menino. 

Na manhã de quinta-feira enquanto ela fazia o resumo do caso atualizando o seu time do andamento do caso, Beckett se pegou olhando duas vezes para a cadeira vazia. Castle não aparecera no distrito outra vez.  

Eles fecharam mais um caso e ela aproveitou para adiantar a papelada. Deixou o distrito às seis para ir ao supermercado. Quando chegou em casa, percebeu que havia duas ligações perdidas em seu celular. Nenhuma de Castle. Ryan e Esposito. Também havia uma mensagem com o endereço. Nova cena de crime. Relutou em avisar o escritor, mas por fim, ela enviou uma mensagem "Novo caso. Segue o endereço. KB." Ele não poderá reclamar que não foi avisado.  

Ela se distraiu trabalhando. Quando tinha o mínimo de evidências e fatos para montar um quadro, ela deixou a cena do crime a cargo de Esposito e Lanie voltando para o distrito. Conseguira evoluir o suficiente na investigação, na medida do possível considerando que não tinha muitos recursos disponíveis à noite. Chegou em casa por volta de uma da manhã. Não havia mensagem de retorno em seu celular. Será que Dylan estava melhor? Por que Castle não  respondera? Devia ligar para checar o bebê? Era isso que acontecia quando Kate Beckett racionalizava e esquecia de agir com seus instintos, acabava perdendo a coragem e deixando o medo decidir por si. O cansaço e o stress também a atingiram. Esgotada, dormiu.  

Ao acordar na sexta-feira, Kate pegou o celular da sua cabeceira para observar Dylan. Para sua surpresa, a câmera não estava funcionando. A imagem era uma tela negra. Também havia uma mensagem de Castle "Desculpe, Beckett. Não tinha com quem deixar Dylan. RC."  

Estava acontecendo. Castle estava se afastando dela. Hoje já era sexta-feira e eles não conseguiram passar um dia inteiro juntos. E agora, ela nem podia ver Dylan! Será que ele fizera de propósito? Não, ele não seria tão baixo. Possessa, ela se levantou e foi trabalhar. Essa noite ela iria resolver esse problema. Quem ele pensava que era? Não podia sumir assim. E se o bebê estivesse com algum problema? Se ele se engasgasse de tanto chorar e… não! Pare com isso, ela dizia a si mesma enquanto dirigia a caminho do distrito. Castle é responsável por ele, você não é a mãe do menino. De alguma forma, dizer aquelas palavras não ajudavam, na verdade faziam-na sentir-se descartável, excluída. 

Os rapazes estavam ansiosos pela chegada dela. Tinham muitas novidades. Beckett respirou fundo e tentou dar a atenção que sua equipe merecia. Ela esqueceu o celular sobre a mesa enquanto se juntava aos dois. Duas horas depois, Beckett tem uma surpresa.  

No meio do salão, Castle aparece segurando Dylan em um dos braços e uma bandeja com dois copos grandes de café na outra. Beckett claramente não estava preparada para isso. Toda a raiva que sentia de Castle pareceu sumir por um instante ao ver o bebê. Dylan vestia o body da NYPD e uma calça jeans.  

— Desculpe não ter vindo antes, mas estamos aqui para investigar esse homicídio, certo garotão?  

— Hey, baby boy... - ela pegou o menino dos braços de Castle, o sorriso despontou nos lábios e Dylan fez questão de se fazer presente.  

— Mamama...  

— Você estava com saudades de mim, baby boy? - ela cheirava o menino, beijava-o, estava feliz de ver o bebê. Castle percebeu o quanto ela sentia falta do pequeno, sequer ligou para o café - como você está bonito, Dylan! - não se importou de estar no meio do salão da delegacia brincando com o menino. Ela precisava disso, seu baby boy também. 

— Ele está pronto para investigar. Eu também. Então, o que temos? - Beckett dá uma daquelas olhadas mortais para ele. Como ele pode achar que está tudo bem?  

— Castle, pode vir comigo até a sala de interrogatório 1?  

— Claro! Temos um suspeito para entrevistar? Não seria mais prudente deixar Dylan com Ryan? Quer dizer, é um suspeito e...  

— Cala a boca, Castle e sente-se - ele obedeceu. Fechou a porta atrás de si. Beckett não parecia muito contente mesmo com um bebê nos braços - o que você pensa que está fazendo? Isso é alguma espécie de jogo?  

— Do que você está falando?  

— Você desaparece a semana toda, diz que vai levar o Dylan para vacinar e some. Desapareceu no meio de um caso. Nada na quarta, se eu não ligasse não ia saber que Dylan estava com problemas, nada quinta, você disse que ia continuar sendo meu parceiro, pois saiba que não está fazendo um bom trabalho, eu te aviso de um crime e sequer me responde e agora isso? Você desativou a câmera no quarto de Dylan? Afinal, o que está acontecendo? Não precisa mais da idiota, então vamos seguir a vida? 

— Beckett, do que você está falando? Eu não fiz nada disso. Eu tinha um compromisso com Gina e uns executivos da editora na quarta, foi você quem me dispensou do caso por causa de Dylan. Você não me avisou de caso algum na quinta, somente à noite. Você não parecia estar com muita vontade de conversar quando esteve no loft. Você foi lá por Dylan, não por mim. Na verdade, me jogou para escanteio e eu respondi porque não fui encontrar você na cena do crime de ontem. Você ao menos checou suas mensagens? E sobre a câmera, eu mandei um lembrete dizendo para você atualizar o seu aplicativo. Se tiver na versão errada, ele bloqueia o sinal. Onde está seu celular, Beckett? Porque acredito que você está me acusando de algo que não fiz. Cheque suas mensagens. 

— Esse não é o ponto, Castle - ela quase gritou. 

— Não? E qual é então? Eu sabia que você estava com saudades do menino, pensei em aproveitar o caso para fazer uma surpresa mesmo tendo dito a você que é bem-vinda na minha casa quando quiser para visita-lo. Ai, eu chego aqui e sou recebido assim? Qual é o ponto, Beckett? Você somente quer brigar comigo? O que está acontecendo? - ele sabia exatamente a resposta. 

— Não… eu não quero brigar com você. 

— Claro, essa é uma conversa muito amigável. 

— Fique aqui - ela ordenou.    

Ela desapareceu no salão com o menino nos braços. Sobre sua mesa estava o celular. Três mensagens de Castle. Leu cada uma delas apenas para descobrir que ele dissera a verdade. Droga! Esquecera completamente da mensagem lida pela manhã tamanha era a raiva dela com Castle. Discutira com ele à toa. Acabara de mostrar sua vulnerabilidade diante dele. O motivo da briga era absolutamente idiota. Tudo porque ela sentia falta dele, porque ela descobrira que não gostava mais da solidão a que se acostumara nos últimos anos. E sua mente também tinha outra preocupação. Suspirou. 

— É, baby boy… acho que terei que pedir desculpas. Seu daddy não fez nada de errado. Na verdade, ele fez sim, me irritou como sempre. Somente porque eu me deixei irritar. Eu não tenho sido eu mesma desde que passei aquelas semanas com vocês. Vamos ver o que ele vai dizer quando eu me desculpar - ela voltou para a sala de interrogatório. 

— Eu olhei meu celular. 

— Então, ainda sou suspeito ou culpado de alguma forma? - ela sentou-se colocando Dylan na mesa. 

— Não… você não… desculpe, Castle. Eu não queria culpa-lo de nada. Essa semana tem sido difícil, eu estou… ah, droga! 

— Você sente falta de Dylan… - ele não ia acrescentar dele também - tudo bem, já disse que  ele também sente a sua, isso é fácil de resolver. Vá visita-lo, passe um tempo na companhia dele. Eu disse que a porta está sempre aberta. 

— Eu sei, Castle. Eu não queria… 

— Você não quer admitir que sente falta do bebê, Kate, eu entendo. Conheço você, mas não tenha medo de aceitar seus próprios sentimentos. Dylan sente sua falta também. Não sou você. Ele gosta de mim, mas ele sente falta da sua voz, do seu corpo, do seu sorriso - não era apenas de Dylan que ele falava nesse instante - isso não é fraqueza. Assumir seus sentimentos. 

— Castle, e-eu estou preocupada. De verdade - ela tinha que falar do outro problema, não era a hora de confrontar seus sentimentos - Você ouviu algo sobre a adoção? A agente Wilson o contatou? E se botamos tudo a perder? - esse não era o único problema de Beckett, porém a entendia perfeitamente através do medo que viu em seus olhos. Sabiamente, Castle acatou a direção que a conversa tomara. 

— Eu não fui contatado. Gostaria de dizer que não estou preocupado, que tudo vai ficar bem, contudo estou começando a ficar agoniado. Deveríamos ter uma resposta, um telefonema ao menos. 

— O que faremos se… se…? 

— Isso não vai acontecer, Dylan não vai a lugar algum. Ele será meu filho, certo garotão? - o bebê estava muito entretido admirando o rosto de Kate. Uma das mãozinhas encontrou o colar de Beckett. De alguma maneira, ele conseguiu puxar o anel, Beckett não percebeu que havia um botão a mais aberto na sua camisa. 

— Mamama… - o gesto do bebê fez Beckett engolir em seco. Com medo que o pequeno fizesse algo parecido com aquela noite no loft, ela virou-o para fitar Castle. Por fim, ele acabou salvando-a. 

— Deveríamos voltar para o caso, não? 

— Você quer investigar com o Dylan? Estamos numa delegacia, não é lugar para uma criança. 

— Beckett, estaremos apenas discutindo teorias na frente de seu quadro de evidência, terá que me atualizar sobre o que aconteceu. Não haverá qualquer perigo. Vamos, você vai me dizer que não gostaria de segurar esse bebê lindo enquanto tentamos pegar um criminoso? - ela frisou o cenho e entortou a boca - certo, não saiu como eu gostaria. 

— Castle, eu estou trabalhando. Isso é uma delegacia, não posso ficar dando ordens com um bebê no colo. 

— Não, claro que não. Eu cuido dele, mas você pode olha-lo. Vê-lo sorrindo. Sei que vai gostar.

— Se tivermos que sair para a rua, você não vai. Fui clara? - não acreditava que estava concordando com uma das ideias malucas de Castle. 

— Sim, totalmente. Nada de rua. Isso significa que você vai deixar o garotão trabalhar conosco, certo? 

— É, devo estar ficando doida… vamos trabalhar, Castle - ele pegou o bebê no colo. 

— Quando terminarmos o expediente, detetive, você irá conosco para casa. Iremos jantar e poderá colocar Dylan para dormir - ela não falou nada, virou-se de costas para ele, Castle não podia ver, mas Kate sorria - Vamos investigar, Dylan? - ele sussurrou no ouvido do bebê assim que ela saiu da sala - conseguimos a primeira parte da missão. High-five.  

Por incrível que pareça, Castle e Dylan se infiltraram na investigação sem atrapalhar. Ela apresentou o caso para o escritor que rapidamente formulou suas teorias. Beckett não concordara de inicio, porém ele levantara pontos que valiam uma investigação mais profunda. Colocou Ryan para fazer isso. Esposito checava os antepassados e as possíveis ligações das vitimas no trabalho. Castle colocou Dylan no carrinho entretendo-o com brinquedos enquanto lia alguns e-mails trocados pela vitima no trabalho. 

— Tenho certeza que o suspeito é mulher. Isso está parecendo crime de vingança, relacionado com o mundo corporativo, claro. 

— Por que diz isso? - ela perguntou. Castle mostrou um dos emails. 

— Leia esse longo email. Ela, Carolyn, estava brigando com ele por causa das estratégias que ele escolhera levar adiante para a nova conta. Não aprovava e disse que ele estourara o orçamento. 

— É uma discussão de trabalho. Como você pode achar que ela é suspeita por isso? 

— Pelo tom e pelas palavras. Ela gosta dele. Aposto que tinham um caso e agora estavam disputando o controle da mesma conta. Essas brigas não foram à toa. Ela misturou negócios com prazer só que se apaixonou. Ele deve ter trocado-a por outra ou feito algo para humilha-la no local de trabalho. A raiva foi maior e ela o matou. 

— Crime passional… não é muito óbvio, escritor? 

— Se encaixa. Chame-a aqui. Colha o depoimento dela. Verá que eu tenho razão - ele avaliou o quadro - vejamos a TOD é entre onze e meia-noite. Eu diria que ela tinha a chave do apartamento dele, decidiu ir até lá para confronta-lo, saber porque ele a deixou ou brigou. Ainda não defini o motivo. Ela foi armada. O encontro foi pensado, premeditado. Ele chega em casa um pouco alto, tinha parado no bar antes de ir para casa. O nível de álcool encontrado em seu sangue corrobora isso, então ele se assusta por encontra-la ali. Eles discutem, brigam, ela perde o controle, cede a raiva e atira. Fica desesperada e some. 

— Espera, por que não encontramos nada no apartamento? E a arma não tinha digitais.

— Como eu falei, foi premeditado, o encontro. É inicio de inverno praticamente, usou luvas. Talvez ela não tivesse planejado realmente mata-lo, apenas ameaça-lo, porém ele deve te-la irritado. Ela surtou. Vamos, detetive, você concorda com a minha historia… 

— Você disse bem, historia. Tudo circunstancial. Conjectura. 

— Beckett, quantas vezes minhas historias e teorias já ajudaram a prender assassinos? Admita. Tenho razão. Chame-a para depor - nesse instante Dylan começa a reclamar - alguém está com fome. Vou providenciar uma mamadeira - ele tirou o bebê do carrinho e seguiu para a mini copa. Naquele momento, Beckett queria largar tudo o que estava fazendo e seguir com ele. Queria muito dar aquela mamadeira de leite para seu baby boy

Prioridades, pensou. Suspirando, ela chamou Esposito. 

— Mande uma nova equipe de CSU a cena do crime. Vasculhem tudo. Procurem por fios, cabelos, objetos femininos. Eu vou trazer alguém da firma para entrevista aqui. Ache algo para mim. 

— Você acreditou na teoria de Castle? 

— Tem um certo sentido, Espo. 

— Você anda muito mole, Beckett. Cedendo fácil. 

— Espo, CSU. Obrigada - ela pegou o telefone e discou para a firma de publicidade em busca de Carolyn Jones. A mulher pediu uma hora para chegar ao 12th. Parecia nervosa. Ao desligar o telefone, Beckett decidiu ir até a mini copa. Fingiria querer café embora acabasse de beber quase meio litro da bebida. Ela parou na entrada da sala para observa-lo. Castle colocara o menino sentado numa das mesas, os itens para a preparação da mamadeira também estavam próximo a si, ele já chacoalhava o leite. Iria alimenta-lo logo.  

— Quer um leitinho, garotão? Aposto que tem alguém morrendo de vontade de dar essa mamadeira para você. O que acha? Devemos chama-la? Quer que sua “mamama” venha aqui? Não sei se será fácil convence-la, mesmo com meu charme. Talvez tenha que chorar, que tal? - Beckett ouvira tudo o que ele dissera. De fato, ainda estava em choque por vê-lo chama-la de “mamama” do Dylan. Respirou fundo. Castle percebeu a presença dela - oi, Beckett. A mamadeira está pronta e… você não quer saber disso. Já se convenceu? Chamou a tal Carolyn para depor? 

Beckett não falou nada. Aproximou-se de Dylan, pegou a mamadeira. O menino esticava as mãozinhas para toca-la, pedindo colo. Ela o ergueu da mesa. Aconchegou-o em seu colo, ofereceu a mamadeira. Deixou escapar um suspiro. Mordiscou os lábios.  

— Golpe baixo, Castle… - foi tudo o que disse voltando sua atenção ao menino. 

— Apenas fazendo as vontades de ambos, devo ressaltar. Ele sente sua falta, Beckett - disse de uma forma tão carinhosa que Beckett sentiu um arrepio percorrer seu corpo.  

A detetive entrou em transe ao ter o bebê em seus braços. Esquecera de onde estava, do que deveria fazer. Sua atenção era toda de Dylan. Sabia que Castle a observava, podia até imaginar o jeito que olhava para ela. Pela primeira vez naquela semana ela se sentia bem. Ao segurar o pequeno em seus braços parecia que tudo fazia sentido outra vez. Isso a fez lembrar que o futuro da criança que tinha em seus braços ainda era incerto. 

— E-eu apenas queria que alguém nos desse noticia, uma ligação. Por que demoram tanto para dar uma resposta sobre a adoção, Castle? Não entendo. A menos que… - ela se calou - e se estiverem procurando outros pais para Dylan? Será que é por isso que não nos contataram? 

— Não é nada disso, Beckett. Esses processos levam tempo. 

— Ou estragamos tudo. 

— Você não acredita nisso. Nem eu. Eles vão telefonar.  

— Está satisfeito, baby boy? Gostou do leitinho? - ela sorria para o bebé - acho que alguém vai dormir, Castle. Quer ir com o daddy, ele pode falar um monte de mentira que ele chama de historia para você dormir, pode sim! Historias do mundo fantástico de Rick Castle. 

— Ao que me lembro, você costumava gostar das minhas historias, Beckett. O que mudou? 

— Não disse que não gosto. Estou relatando um fato. Apesar de que as historias de Eve e Roarke são bem interessantes - implicou. 

— Haha… fazendo piadinha, detetive? - Ryan entra na sala. 

— Desculpe, pessoal. A sua suspeita chegou, Beckett. 

— Ah, então você percebeu que tenho razão. 

— Não disse isso, mas tenho que cobrir todas as frentes. 

— Sei, sei. Vamos, garotão. Vou fazer você dormir contando uma história chamada como mentir descaradamente. Inspirada em Katherine Beckett - ela revirou os olhos e deixou a mini copa. Ryan entrou com ela na sala de interrogatório. Usando a linha de raciocínio sugerida por Castle, ela começou a fazer as perguntas. A mulher estava visivelmente nervosa. Claro que justificava-se abalada com a morte do colega. Ao ser confrontada sobre sua relação com a vitima, ela negou qualquer envolvimento além do profissional, mas Beckett viu em seu olhar que mentia. Apertou mais um pouco. Então contou a mesma historia que ouvira de Castle e a mulher a sua frente começou a chorar. Dez minutos depois, após dizer que não tinha intenção de mata-lo e que o amava, Beckett tinha sua confissão. 

Saiu da sala para encontrar Castle sentado em sua cadeira cativa, o bebê dormindo no carrinho ao seu lado. Ele tomava outra caneca de café. Havia enchido a sua novamente. Ela sentou-se ao lado dele, fingindo seriedade. 

— Então, eu estava certo. 

— Sobre? 

— O caso, a suspeita. A assassina agora. 

— Quem disse? - ela bebeu um pouco do café. 

— Ninguém. Eu vi seu interrogatório. Gostei de como contou minha história. Como você a chamou mesmo? Fantástica! Parabéns, detetive. Fechou mais um, com minha ajuda, devo acrescentar. O que seria de vocês sem mim, não? 

— Estava tudo bem até você começar esse show de elogios a si mesmo, Castle. Eu gostaria de concordar com você, talvez se fizesse a papelada do caso comigo, eu aceitaria concordar com esse seu jeito narcisista de ser.  

— Não preciso da sua aceitação, sei que fui eu quem resolveu o caso. Continue se enganando, Beckett. Quanto tempo você vai demorar nesse relatório? Uma, duas horas? Precisa fazer isso hoje? Não pode deixar para a segunda? 

— Claro que ela pode - Montgomery apareceu ao lado do carrinho de Dylan - estou vendo que você assumiu o papel de pai 24 horas por dia, Castle. 

— Você é pai, capitão, sabe que o trabalho nunca para - o capitão sorriu para ele. 

— Beckett, você pode fazer esse relatório na segunda. Vá para casa. O mais importante já foi feito. A prisão. 

— Senhor, eu prefiro terminar o quanto antes e… - ele a interrompeu.  

— Você não quer que eu transforme isso numa ordem, quer? 

— Não, senhor. 

— Ótimo. Vá para casa, brincar com o bebê, com Castle. Não me importa desde que saia do meu distrito - Castle piscou para Montgomery em agradecimento. 

— C-certo - ela fora encurralada ficara vermelha no mesmo instante que ouvira as palavras de seu capitão. Mas não precisava ir com Castle. Podia voltar ao seu apartamento e… olhar para o teto? Reclamar da programação da televisão para as paredes? Se entupir de sorvete? Ela evitou o olhar de Castle. Admirava o bebê dormindo. Ela podia passar mais um tempo com ele. Então, Castle chamou sua atenção.  

— Eu preciso ir ao banheiro antes de ir, pode olha-lo por um instante? - ela apenas acenou indicando que podia ir. Parecia hipnotizada pelo bebê. Tanto que não escutou as primeiras vezes que seu celular tocara. Já estava no quinto toque quando ela finalmente percebeu. Era um numero publico. 

— Beckett. 

— Ah, detetive Beckett. Finalmente atendeu. Pensei que estava ocupada, já ia desistir. 

— Agente Wilson. Acabei de fechar um caso, desculpe. Não ouvi o celular antes. 

— Tudo bem. Estou ligando para informa-la da audiência do resultado da adoção de Dylan. Ela se realizará na segunda, às dez da manhã não mais no tribunal da vara de família e sim no fórum do departamento da juventude e adolescência. 

— Eu sei onde fica. 

— Meu assistente estará informando o Sr. Castle também. 

— Precisamos levar o bebê? - esse era o maior medo de Kate, que os tomassem Dylan logo após a audiência. 

— Não. Independente do resultado, o tribunal não é um ambiente para um bebê. Qualquer providência será tomada após a sessão com o juiz - as palavras dela não foram tranquilizadoras.  

— Verei aos dois na segunda. Bom fim de semana, detetive Beckett. 

— Obrigada, agente Wilson - Beckett deixou o celular sobre a mesa. Seus olhos se dirigiram a Dylan. Ela estava com medo. Esse poderia ser o último momento que desfrutaria ao lado de seu baby boy. De repente, um Castle afobado surgia a sua frente. 

— Eles me ligaram, da adoção. Eles ligaram - ele tomou fôlego, pela cara dela sabia que não parecia empolgada - a audiência é segunda. 

— Eu sei. A agente Wilson acabou de falar comigo. 

— Então, por que essa cara? Vamos receber o resultado, Beckett. Somente mais dois dias. O que foi? - ele perguntou ao vê-la passar a mão nos cabelos, gesto típico de nervosismo da detetive - Kate? 

— E-eu não sei. A agente Wilson não me pareceu muito otimista e eu acabei de perceber que essa pode ser a ultima vez que eu… que verei Dylan - ele sentou-se na sua cadeira, pegou a mão dela na sua fitando-a. 

— Não. Você está errada. Dylan não irá a lugar algum, Kate. Ele será meu. O que significa que estará em sua vida também. De alguma forma, será seu também. 

— Ele não é meu, Castle. E como você pode ter tanta certeza? A agente Wilson me pareceu tão misteriosa e… 

— Você está deixando o medo falar mais alto que a sua vontade, Kate. Vamos para o loft. Jantamos e conversamos sobre como será a audiência na segunda. E você pode ficar um pouco mais na companhia do garoto. O que me diz? Aceita meu convite? 

Ela olhou para o bebê dormindo no carrinho. Não tinha a mesma confiança de Castle, ela trabalhava com fatos e em sua mente, a ultima visita não fora das melhores. Se essa era sua chance de passar um tempo a mais ao lado de seu baby boy, por que não? Ele logo acordaria e podia faze-lo dormir mais tarde, contar historias. Suspirou. Reparou que ainda segurava a mão de Castle. Fitou-o mais uma vez. Os olhos azuis esperavam pela sua resposta ansiosos. 

— Tudo bem. Eu aceito seu convite - ela se levantou soltando a mão dele - vou ao banheiro. Já volto. 

Ela se trancou no banheiro da delegacia. Fechou os olhos para se dar um momento. Iria retornar ao loft, por algumas horas, era verdade, mesmo assim estava ansiosa e nervosa. Desde que deixara a companhia de Castle e daquele apartamento, Beckett vinha percebendo que não gostava mais da solidão. Ela queria muito que Castle estivesse certo quanto a adoção porque não saberia dizer o que os esperava se tivessem que dizer adeus a Dylan. 

Retornando ao salão, ela encontrou seu capitão conversando com Castle e os rapazes. Dylan estava acordado no colo do escritor. 

— Ah, Beckett. Castle acabou de me informar da boa noticia. A audiência de Dylan. 

— Ainda não sabemos se é uma boa noticia, senhor. 

— Sempre pensando. Racionalizando, não é à toa que é minha melhor detetive. Tenha um pouco de fé, Beckett. 

— Não se trata de fé ou razão. Precisamos de fatos, não quero dar esperanças, ter altas expectativas para Castle e depois vê-lo frustrado com um resultado diferente. 

— Está falando de Castle ou de você, detetive? - ela enrubesceu.

— De Castle. O senhor já parou para pensar no clima desse distrito enquanto ele fica chorando e reclamando pelos cantos? Vai acabar morrendo com tanta gente armada por aqui - ela tentou fazer uma brincadeira, mas Montgomery não comprou. 

— Sei, detetive. Aliás, isso me lembra. Você não precisa vir para o distrito na segunda. Vá direto para a audiência e não apareça aqui, não importa o resultado. Fui claro? 

— Sim, senhor. 

— Boa sorte aos dois. Agora saiam daqui. Esse bebê já passou muito tempo numa delegacia, isso é irresponsável - Ryan não conseguiu segurar o riso ao ver que Castle levara a sério o comentário do capitão. 

— Sim, e-eu concordo. Vamos, Beckett. Não quero ser preso. 

— Quem disse que vou com você? - ela tentava disfarçar na frente dos rapazes e de seu superior, porém sabia que não estava convencendo ninguém. 

— Você vai jantar no loft comigo, precisamos revisar nossa estratégia para o tribunal, esqueceu? - ela revirou os olhos. Ele sempre tinha que piorar o disfarce. 

— Tudo bem - vestiu o casaco, pegou sua bolsa - bom fim de semana, pessoal - Castle estava brincando com o bebê e Ryan - é para hoje, Castle? 

— Sempre mandona! Assim você arrasa meu coração, Beckett. Dylan, dê tchau para o tio Ryan, Esposito e Montgomery - ele balançava a mãozinha do bebê. Ao solta-la, o próprio Castle se assustou ao ver o pequeno acenar um tchauzinho sozinho para os rapazes. 

— Castle, ele já tinha feito isso antes? - Beckett perguntou igualmente surpresa. 

— N-não. É a primeira vez que vejo - Dylan continuava balançando a mãozinha. Beckett se aproximou dele. 

— Você está dando tchau, baby boy? - ela pegou-o do colo de Castle - que fofinho! Dê tchau para o tio ranzinza Espo, isso. Agora para o tio bobo Ryan - o menino não parava de balançar a mão como se estivesse obedecendo realmente a ela - e agora para o tio Montgomery. Vamos para casa, baby boy? - o bebê olhava para ela, abriu o sorriso e virou-se para Castle dando tchau também. 

— Parece que ele não está muito interessado na sua companhia, Castle - disse Ryan. 

— Pode culpa-lo? - Castle retrucou olhando para Beckett - vamos andando. Tchau, pessoal - no colo de Kate, Dylan continuava distribuindo tchauzinhos até o elevador. Assim que a porta se fechou, Castle olhou intensamente para ela. 

— Como você ainda acha que ele não estará em nossas vidas, Kate? E quero deixar registrado que eu não seria o único a choramingar pelos cantos. 


Ela nada falou. Apenas beijou a cabecinha do bebê em seu colo. 


Continua...

8 comentários:

cleotavares disse...

♫ Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu senti ♪ ♫
Sobre esse capítulo.
Volta logo Mamama.......

Bella Defreitas disse...

Own My God!
Fofura de capítulo.
Csi? Amei ...rs
Dylan tá fazendo tudo direitinho kkk
Eu já estava surtando com a possiblidade de Castle ter desligado a câmera.. pensei "Coitadinha isso não se faz" ..
BB dando tchau com as Mãozinhas ❤
Ô mamamamamamaaaaa Please não demore .. Ansiosa pela audiência.

Gabriela Mendonça disse...

A gente super entende a Kate, mas é cada vontade de dar uns sacode nela que nois passa kkkkk
"O que ela não atentara era para o fato de que essa foi a ultima vez que disse bom dia ao seu baby boy, que o amamentou." Uma hora a grande ficha cai... Ô Kate... ja vi que vamos sofrer ne miga?
Mais um exemplo de Kate fazendo Katice "Não - disse a si mesma - eu preciso me concentrar. Trabalhar. Minhas vitimas precisam de mim. E-eu não posso… Dylan também precisa. Não. Chega. Investigações, homicídios". Essa mente não sossega, e pelo visto nem se afundar no trabalho esta ajudando... Não tem mais válvula de escape, o dilema Dylan e Castle é muito para essa cabecinha.
"Pela primeira vez em semanas, Kate Beckett odiou comer sozinha" aqui o coração já começou a apertar!!
"Estou louca. Sinto tanta falta daquele menino, seu cheirinho, seu corpinho... - suspirou - eu não posso lidar com Castle agora, simplesmente chegar lá e dizer que estou apaixonada. Ele vai achar que é por causa do bebê, que estou confusa." Não, não Miga... nada disso... antes de se declarar para o boy, aceite que vc é mãe do Dylan, que vc ama o baby boy como sendo seu filho. Assuma tudo isso e sem pensar no Castle. A gente te conhece ne amadinha... se tu correr para o Castle agora eu n dou dois dias para tu esta pelos cantos pensando se foi certo, se agiu por impulso. Aliás, nem o Rick te aceitaria, ele te questionaria na hora se isso não é carência ou abstinencia de Dylan; o que só tornaria tudo imensamente mais dificil, então meu bem, resolva o conflito Dylan e depois corra para os braços do Rick.
"O sorriso despontou nos seus lábios no instante que viu o bebê dormindo tranquilo em seu berço agarrado ao elefante. Kate ficou velando o sono de Dylan até alta madrugada quando finalmente adormeceu." owwwwn foi lindo isso... td uma mamãe!! "Adorou saber que ela não se desligara do menino" Castelinho, tu n sabe da missa metade. Ah se vc soubesseee.
"Vou dar mais um motivo para ela ficar fazendo suas reflexões. Vai quebrar a cabeça. Amanhã não apareço no distrito. Será que ela resiste em me ligar?" e que comecem os jogos.
"Beckett não vou me intrometer na sua vida e nas suas decisões, mas é de Castle que estamos falando. O cara faz tudo por você, devia pensar sobre isso." Ryan, jogando mais lenha, issae td lenha é bem-vinda!! Todos os pontos de vista, para que ela mesma analise a situação.

Gabriela Mendonça disse...

"Desculpe, Kate, você vai dizer que estou inventando, mas ele… ele está assim por sua causa. Ele sente sua falta. Estava acostumado com você cantando para ele dormir, seu colo. Eu tento, de verdade, porém eu não sou você. Não sou a “mamama” que ele quer." Acho que uma facada teria doido menos han? Saber que ela é o motivo do choro desesperado do Dylan e que ele esta berrando por ela... nossa... isso doeu de ler viu.. o coração ficou como? issae despedaçado.
Sabe aquelas imagens de babys fazendo beicinho? apois foi essa imagem que eu tive... alias acho que foi uma imagem que a líder do clube "coisas que me lembram o Dylan", a Aninha postou... Nossa deu pena do baby boy "Ao perceber a imagem de Kate, a mãozinha dele tocou a tela. O rosto ainda molhado pelas lagrimas, os olhos azuis brilhando. Dylan inclinou-se encostando o rosto no celular como se o gesto o fizesse encostar nela."
opaaa parece que alguem esta a um passo de finalmente parar de fingir que n é a mamama "Eu amo você, queria que soubesse, mas adultos são complicados. Não espero que entenda"
An Affair to remember, peguei a referencia kkkk
Nossa Senhoraaa, que briga foi essa? ou uma declaração, de pelo amor de DEus não sai de perto de mim? de por favor, me tira dessa solidão?
E a agente dá sinal de vida... e com ela mais e mais coisas na mente da Kate...
Dylan sempre roubando a cena... assim caso dê errado não será só o Castle chorando pelos cantos da 12Th, sera a 12th td kkkkkk "Sempre mandona! Assim você arrasa meu coração, Beckett. Dylan, dê tchau para o tio Ryan, Esposito e Montgomery - ele balançava a mãozinha do bebê. Ao solta-la, o próprio Castle se assustou ao ver o pequeno acenar um tchauzinho sozinho para os rapazes."
Ai meu DEus... vem logo segunda-feira... ô agonia... certeza que alguem vai passar o fim de semana no loft.
por motivos de escrevo demais, eu dividi em dois.

rita disse...

Só uma palavra ou duas: Fic Maravilhosa!! Beijos.

Vanessa Belarmino disse...

Ja vou dizendo que não vou superar a Gabs... Duas bíblias hahaha
A gente percebe que as coisas estão mudando quando Castle diz "Boa noite" e a Kate reponde "Ate amanhã" 😍
Eu sabia que Beckett sentiria falta, quase surtando e as reflexões... Amo o fato dos dois priorizarem Dylan. O baby boy é apaixonante e o mérito é todo da autora. Ele sempre marca presença. Ele tocando na tela do fone foi tao fofinho... Kate cantando pra ele, e mais tarde tentando explicar q não o abandonou e o ama... Tao maravilhoso!
Beckett com raiva de Castle e despejando toda sua frustração nele.E depois reconhecer que esta estava errada. Como não amar? Castle sempre sabe apertar os botões certos. Devo ressaltar que amo as tiradas de Ryan e Roy, eles são ótimos. Adoro como vc sabe mesclar a tensão da decisão, com Caskett e Dylan. Baby boy aprendeu a dar tchau😍

Silma disse...

Kate,miga eu gosto muito de você,mais é cada vontade incontrolável de te dar uns tapas pra vê se você acorda 🙄.
Até quando você vai ficar nessa?Pq é tão difícil de viver o agora e o hoje?Qual a necessidade de tornar tudo tão difícil e complicado???? Eu sei,os tais muros né? Mas não significa que pode deixá-los te sugar de forma que não te dê noção daquilo que você faz,ou melhor,deixa de fazer.
Miga,às vezes tu não ajuda nós te ajudar 👌🏽O único que tem meu respeito é o Dylan 😍 é o único que tá fazendo a tarefa direitinho!!!
Você é a "mamama" dele não esquece disso,viu?

Priscila Barros disse...

Eu não sei se consigo emocional depois desse capítulo. Que dor de ver a Kate longe do baby boy! Ela precisa acordar logo pra vida e ver que precisa mais dessa família do que tudo! Me partiu o coração ela velando o sono do Dylan pela babá eletrônica e ainda mais o pequeno chorando com falta dela. O Dylan quer a mamama dele ❤
Achei a estratégia do Castle ótima. Eu sofri? Sofri, mas a Kate precisava disso pra ver que não consegue nem pode mais ficar longe do Dylan nem do Castle. ❤
Amei quando ela foi brigar com ele e acabou vendo que tava bem errada, além de ter o bônus dela dando mamadeira pra o Dylan em plena delegacia, tanto amor ❤❤❤❤
Meu coração gelou com a ligação dá agente, eu tô bem apreensiva pelo resultado dessa audiência. Tomara que corra tudo certinho, tô ansiosa!