sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.2


Nota da Autora: Algumas coisas importantes sobre a S9: não será contada em episódios, terão momentos mais lights que angst, não me concentrarei em casos, claro que haverá alguns. Quanto à personagens, um recado importante para quem espera ver Alexis nessa fic : ela vai estar presente por um tempo, vou faze-la sentir um pouco de desprezo e dor e depois, bem digamos que ela não será fixa. Estou avisando para não reclamarem mais para frente. A mulher que terminou a S8 não é nem de longe a menina que começou a S2, só piorou... anyway... mais um capitulo e continua angst, sorry! Mas uma historia precisa ser contada.... enjoy!


Cap.2  

24 horas depois...

Esposito entregou um copo de café para Ryan. O parceiro agradeceu. Jim estava sentado a alguns metros de distância dos detetives. Martha e Alexis, no sofá. Ainda não tiveram a chance de ver seus entes queridos. A médica pediu paciência e cautela devido suas condições. 
Nas últimas horas, nada mudara. Ambos continuavam na situação comatosa e sem grandes avanços. Eles monitoravam com cuidado os sinais vitais e a urina, principalmente de Kate, a fim de ficarem alertas a infecções e falha de órgãos. Após uma longa conversa com o colega médico, a doutora Marshall veio até o saguão. 
— Sr. Beckett? Acho que podemos leva-lo para ver sua filha. Pode me acompanhar? 
— E quanto ao meu pai? – pulou Alexis. 
— O Dr. Gray está se certificando se poderá liberar o acesso de vocês. Logo virá vê-las. Com licença – a médica saiu lado a lado com Jim. O reencontro com um familiar em coma era sempre doloroso, quando se tratava de pais e filhos, esse sofrimento era bem maior. No caso desse senhor, deveria ser ainda mais complicado já que a filha era a única pessoa que lhe restava. 
— Sr. Beckett, antes de entrarmos, quero que me escute. Já lhe expliquei que o caso de sua filha é grave. Não quero que se assuste diante da imagem que verá. Ela está fraca, debilitada e coberta de aparelhos. Às vezes, algumas pessoas recriminam nós médicos por querer evitar esses encontros, sabemos o quanto são dolorosos, porém acabam sendo extremamente necessários, seja para o parente, seja para o paciente. O senhor não é obrigado a ficar, porém não pode ultrapassar quinze minutos. Qualquer contato externo pode significar uma ameaça devido ao estado dela. Temos que evitar infecções. Está pronto? 
Jim respirou fundo. 
— Sim, estou – a médica abriu a porta que dava acesso a UTI. Kate estava numa área isolada. Da porta da sala, Jim pode ter uma ideia do que a médica tentara lhe explicar. A imagem era impactante. Ali, numa cama enorme de hospital coberta por fios, tubos e aparelhos por todos os lados estava sua filha. Ele se aproximou devagar. O monitor ao lado direito acompanhava o ritmo da respiração. Do lado esquerdo, a outra máquina monitorava os batimentos cardíacos e a pressão. 
O encontro mais de perto, fez o coração de Jim doer. Kate estava incrivelmente pálida e magra. Não tinha outro aspecto para descreve-la senão doente. Era visível a perda de sangue que sofrera. Observou os braços finos. O abdômen estava coberto, porém ele sabia que estava enfaixado por causa das cicatrizes. 
Sua menina. Sua eterna menina possuía o corpo marcado por suas lutas. As lágrimas escorriam pelos olhos de um pai que pedia a cada minuto para que sua filha fosse curada e trazida de volta. 
— Oh, Katie... por que você foi herdar essa sede de justiça da sua mãe? Querida... por favor, reaja. Não pode ter lutado tanto para sucumbir no último minuto, na hora de ser feliz. 
Ele tocou a mão dela delicadamente. Estava fria. Percebeu que tomava soro. A ideia de vê-la deitada em uma cama inerte para o resto da vida o apavorava. Isso não poderia acontecer com sua menina. Preferia morrer a ter que presenciar isso. A médica apareceu fazendo sinal para ele. Hora de ir. Jim inclinou-se junto ao rosto da filha, beijou-o de leve e sussurrou em seu ouvido “eu te amo, Katie. Volte para nós”. 
Resignado, ele encontrou com Martha na companhia da neta e do outro médico. Deveria estar indo ver Castle. 
Novamente, as duas foram alertadas quanto ao que iriam ver. Relutantes, elas entraram na UTI. 
Castle assim como a esposa, estava pálido. O semblante visivelmente fraco embora em melhores condições que Beckett. O peito estava completamente enfaixado devido ao tiro e a costela quebrada. Havia tubos por todas as partes. Alexis não segurou o choro. Tocava a mão do pai com carinho. Martha observava o semblante do filho. Parecia angustiado. 
— Richard... Richard, você tem quer parar de dar esses sustos na gente. Precisa reagir, kiddo. Estamos todos esperando por você. Especialmente Katherine. Ela precisa de você, sabe disso, não? 
— Por que fica falando que Kate precisa dele, vó? E eu? Não preciso? – Martha balançou a cabeça e suspirou. Foi até a neta e a abraçou. 
— Oh, Alexis. É claro que você precisa de seu pai. Todos precisamos dele. Mas não podemos negar que sem Katherine, seu pai nunca será o mesmo. Não é uma questão de sobreviver. Um não vive sem o outro e seriamos egoístas em não considerar que a morte de qualquer um dos dois seria devastadora. Eles se amam, merecem estar juntos. Sua vó pode ser boba, mas ela acredita no poder do amor. Lembra quando a médica falou em milagres? O amor opera milagres. 
Ela beijou o rosto da menina e deixou-a se aproximar outra vez do pai para se despedir por hora. Depois, Martha fez o mesmo. Beijou a testa do filho, acariciou os cabelos e sussurrou ao seu ouvido “lute, Richard. Por Katherine”. 
De mãos dadas, elas deixaram a sala. Quando estavam de volta no saguão, Martha abraçou Jim. Ele contou o quanto ficara arrasado ao ver sua filha deitada e tão sem vida. Esse não podia ser o destino deles. 
— É tão injusto... logo com ela. 
— Eu sei, Jim. Mas Katherine é forte. Talvez a mulher mais forte que já conheci. Ela se recuperará. 
— Não basta se recuperar. Katie não pode viver se seu filho... se ele a deixar, e-ela não sobrevive, Martha. Ela não pode. 
— Sim, os dois se completam. Eles precisam um do outro. Precisamos acreditar que eles irão superar mais esse obstáculo. 
Esposito olhava o amigo com pena. 
— Bro, vá para casa. Jenny e as crianças precisam de você. Eu ficarei aqui. 
— Como estão as coisas no distrito? 
— Além do clima péssimo? Gates voltou para dar uma força. Ela está tentando manter todos ocupados. Entregou pessoalmente as informações de Loksat para o comandante e falou diretamente com o juiz sobre Caleb. Ela está trabalhando diretamente com Vikram para descobrir mais podres desses caras. Castle e Beckett não vieram parar aqui em vão. Vamos derruba-los, um a um. Será a nossa vingança. O juiz já expediu o mandado para revirarmos a vida de Caleb de ponta cabeça. 
— Isso é bom. Quero participar dessa investigação. 
— Kevin, você pode participar. Amanhã. Vá para casa descansar. Vejo você no 12th – ele abraçou o parceiro. Ryan se despediu dos demais e deixou o hospital. 
Meia hora depois, a enfermeira chamou o Dr. Gray pelo alto-falante para comparecer urgente na UTI. Ao ouvir o nome do médico, Alexis olhou para a vó. 
— Será que aconteceu alguma coisa? 
— Alexis, seu pai não é o único paciente na UTI – mas o coração estava apertado, pressentimento de mãe – não adianta nos precipitarmos, se algo acontecer, irão nos informar. 
Mais de meia hora se passara desde a chamada. Martha tentava parecer calma, por dentro estava aflita. Avistou o médico saindo do corredor e vindo na direção deles. Então, ela teve certeza que algo estava acontecendo. 
— Sra. Rodgers? Identificamos um problema na urina de Castle. Ele expeliu sangue, o que deduzirmos ser devido a uma infecção interna. Quando retiramos a bala, havia um coagulo que se rompeu dentro do pulmão, claro que fizemos todo o possível para retira-lo, porém, alguma secreção deve ter escapado para a corrente sanguínea e acabou contaminando o rim. Já ministramos antibióticos e aumentamos os fluidos que ele estava recebendo a fim de monitorarmos de hora em hora a situação de sua urina e o funcionamento de seus rins. Precisamos ter certeza que eliminamos completamente a infecção. 
— E se ele piorar? 
— Não acreditamos nisso, porém em último caso, teremos que fazer uma diálise. Filtrar seu sangue. Não queremos dobrar a dosagem do antibiótico porque consideramos que devido ao seu estado, o corpo está fraco demais para produzir anticorpos o bastante. Não queremos correr riscos. 
— E quanto a Kate? – perguntou Jim. 
— Continua apresentando o mesmo quadro de quando o senhor esteve com ela. Estável, porém sem qualquer melhora visível. Voltarei com mais notícias assim que possível. 
Martha sentou-se outra vez, com a cabeça entre as mãos, tentava assimilar o que acabara de saber. Será que esse pesadelo não ia acabar? 
O doutor Gray colocara uma enfermeira e um residente exclusivamente para fazer o acompanhamento de Castle nas próximas horas, ao mínimo sinal de mudança queria ser avisado. Mesmo assim, não confiava. De hora em hora aparecia na UTI. Ele também estava supervisionando Beckett, mandara a doutora Marshall para casa descansar. Ela retornaria ao hospital por volta das dez da noite para trocar de plantão com ele. 
Foram quatro longas horas até que ele estivesse satisfeito com a melhora de Castle. A última urina colhida e examinada estava bem clara e livre de qualquer resíduo de sangue. Respirou aliviado. Cansado, chegou o relógio. Marshall já deveria estar chegando no hospital. Precisava urgentemente descansar o corpo e dormir. Voltou ao saguão. Ao vê-lo, Alexis foi a primeira a pular pedindo notícias. 
— Está tudo bem. Monitoramos seu pai pelas últimas quatro horas e a sua última urina está limpa, livre de infecções. 
— Graças a Deus! – Martha sorriu – o que eu disse, querida? Seu pai é forte. Não se deixa abater fácil. 
— Ele continua lutando. Eu sugiro que vocês vão para casa agora. Estou trocando meu plantão com a doutora Marshall, mas qualquer nova situação ela irá me ligar. Vão descansar. Voltem pela manhã. Se eles passarem a noite bem, sem complicações, já é um ótimo sinal. 
— Obrigada, doutor. 
O médico sorriu. Torcia para que nada acontecesse. Esposito acabou convencendo a todos de irem para casa. Estariam de volta as nove da manhã. 
Paul encontrou Johanna na sala do conforto dos médicos. Sorriu cansado desabando no sofá. 
— Você está com uma cara péssima. 
— Tensão, muita tensão. Quatro horas de agonia. Castle urinou sangue. Devo ter deixado escapar alguma coisa do coágulo. Droga! Felizmente, os antibióticos fizeram efeito. Nem queria pensar em ter que expor o paciente a diálise. 
— Está sob controle? 
— Sim, mas se algo acontecer não hesite em me ligar – ela esfregou os olhos, pegou a mochila e beijando-lhe o rosto se despediu – bom plantão. Espero que amanhã tenhamos uma boa notícia. Custava esses dois reagirem e acordarem desse coma? 
— Estou torcendo por isso. 
A doutora Marshall tivera mais sorte com os pacientes. Felizmente nenhum apresentou recaídas ou quaisquer sinais de problemas, o que para o prognóstico deles era uma vitória. Curiosa, especialmente pela suposta coincidência de seu nome ser o mesmo da mãe de Kate, ela aproveitou as horas da madrugada para pesquisar sobre a vida da capitã. Ficou surpresa ao descobrir que além da corrupção, aquele senador que ela prendera era o culpado da morte de sua mãe. A capitã tinha um belo histórico na NYPD, era reconhecida. A parte que mais chamara sua atenção, contudo fora a da vida pessoal. O romance dela e de Castle começara através de uma inspiração e acabara em casamento. Uma história nada convencional, talvez um conto de fadas moderno se considerar o quanto que os dois já enfrentaram de perigos juntos. Suas fichas médicas eram recheadas de ocorrências. 
Após esse pequeno momento de pesquisa, ela torcia ainda mais para que os dois se recuperassem, mereciam outra chance de ser feliz. Um escritor e uma musa. As vezes ser médico tinha suas vantagens. Havia sempre historias interessantes cruzando seus caminhos. Ela conhecia o escritor, lera seus livros de Storm e também a série Heat, porém não havia ligado a sua paciente a tudo isso antes de pesquisar. 
Por volta das nove da manhã, a doutora Marshall acordou de um dos seus cochilos após uma cirurgia na madrugada. Lavou o rosto e se dirigiu a cafeteria do hospital sonhando com um café bem forte e um pedaço de pão quentinho. Ao tomar o primeiro gole de café, viu o residente que estava acompanhando os seus pós-operatórios na cantina. Estranhou. Pelo horário, ele deveria estar fazendo a ronda da manhã. 
— Dr. Jones. O que está fazendo aqui? Não deveria estar na ronda? 
— A doutora Robbins me substituiu. Precisava de um café, acabei de ajudar numa cirurgia. 
— Tudo bem. Sei como se sente – ela pegou o café e um pedaço de pão. Infelizmente, sua consciência não conseguia relaxar ao saber que suas ordens não foram cumpridas. Praticamente engolindo o café, ela deixou a cantina direto para o quarto de Kate. Encontrou a residente checando o prontuário – como ela está? 
— Nenhuma alteração. Será que podemos considerar isso como um bom sinal, Dr. Marshall? Quer dizer, ela não teve nenhuma recaída, parece estar livre de infecções, ainda assim nada de melhora. 
— Não tenho uma resposta exata para lhe dar. Claro que ela não ter tido qualquer infecção é um sinal positivo, porém já se passaram as 48 horas críticas e apesar dela estar estável, é uma situação complicada. Sem qualquer reação, talvez isso posso indicar que ela não acordará tão cedo. Isso é preocupante. 
— A aparência dela não parece melhor? Ou meus olhos estão me pregando peças? 
— Você está buscando esperanças, Dr. Robbins. Mas, não. Ela continua pálida, pelo menos conseguimos repor o nível de sangue em seu organismo. O que me lembra que precisamos de doações. Vou falar com os colegas detetives dela. E quanto ao marido? 
— Vou checa-lo agora. A enfermeira me disse que a urina estava bem clara há uma hora – Johanna suspirou. 
— Certo. Informe se encontrar algo estranho. 
Johanna deixou a UTI pegando seu celular. Após uma breve conversa com o detetive Esposito, ela agradeceu e desligou. Ao passar pelo saguão do hospital, viu que as duas ruivas, neta e avó estavam de volta ao hospital. Foi até onde estavam para cumprimenta-las e informa-las sobre a condição de seus familiares. 
Três horas depois, seu nome fora chamado pelos alto-falantes do hospital para comparecer ao banco de sangue. A médica ficara impressionada com os números que a assistente de enfermagem mostrara. Simplesmente receberam mais de quarenta pessoas da NYPD nas ultimas horas para doar sangue, segundo a moça ainda havia uma fila de pelo menos vinte pessoas esperando para fazer o gesto. Isso apenas demonstrava o quanto aqueles dois eram queridos. 
Paul retornou ao hospital por volta das cinco da tarde. Encontrou Johanna voltando da área cirúrgica. 
— Hey, como estão as coisas? 
— Nada novo. Acabei de sair de uma cirurgia, será que pode me acompanhar até a cantina? Preciso de algo doce. Estou me sentindo fraca. Eu não almocei. 
— São cinco da tarde. 
— Estava operando. Vai me seguir e deixar eu comer ou vai ficar me dando sermão até eu desmaiar? – suspirando, Paul a seguiu – voltando aos nossos pacientes. Estou realmente preocupada, Paul. Especialmente com Kate. Ela não apresentou qualquer melhora, estamos no terceiro dia após a cirurgia. Até quando ela ficará em coma? Estou com medo que não se recupere tão cedo. 
— Johanna, você está se deixando impressionar com esse caso. Eu sei que ela deveria ter apresentado qualquer variação, para o bem ou para o mal, porém tem que concordar comigo que ela ficar estável não é tão ruim. O coma pode durar dias, meses, anos. É uma experiência terrível para a família, mas você não acha que seria pior se ela tivesse uma parada cardiorrespiratória e morresse? Acredite, o coma diante do quadro dela é um bom cenário. E quanto ao marido? 
— A infecção urinaria desapareceu. Ele me parece bem. Estou confiante que irá acordar em breve. De qualquer forma, mandei ministrar um complexo vitamínico para ela. Apenas por segurança. 

XXXXX

Dois dias depois, a doutora Marshall estava dormindo no conforto quando seu bipe soou. Levantando-se assustava, ela percebeu que estavam chamando-a na UTI. Nervosa, ela vestiu o jaleco e saiu quase correndo em direção ao quarto de Castle. O coração batia apressado. Ninguém dissera nada claro. Seria uma código azul? Por favor, que não seja o pior. Ao chegar na porta do quarto, encontrou a enfermeira e um dos residentes tentando segurar o paciente que se debatia muito. Ele estava tendo uma convulsão? Os olhos arregalaram-se pensando no pior. 
— Meu Deus! O que aconteceu? Ele está convulsionando? 
— Não, doutora. Ele acordou agitado, puxou todos os tubos e mesmo não podendo se mover, ele tem uma força grande. 
— Kate! Cadê a Kate? – Castle perguntava várias vezes seguidas como se tivesse em um loop de fala infinito – Kate! Cadê a Kate? 
— Chamamos porque não sabíamos se deveríamos seda-lo outra vez. Ele está agitado, mas acabou de sair de um coma então... 
— Tudo bem – a médica se aproximou da enfermeira segurando com cuidado os braços de Castle forçando-o a ficar deitado na cama para não piorar a situação de suas costelas – Sr. Castle, me escute! Precisa ficar deitado, está fraco. Sr. Castle... – ela reparou que ele chorava. 
— Kate! Cadê a Kate? – ele repetia. Marshall colocou-o finalmente deitado no travesseiro. Rendera-se ao choro mesmo que não deixasse de perguntar pela esposa – Kate... – respirando fundo, a médica sentou-se ao lado dele e fez sinal para o residente aplicar um quarto da dose de um tranquilizante. Nada que o fizesse ficar desligado, apenas para diminuir a ansiedade a fim de poder examina-lo e conversar. 
— Sr. Castle? Pode me ouvir? Se a resposta for sim, balance a cabeça para mim – ela esperou. Ele balançou a cabeça e o olhar encontrou o da médica – sabe onde está? Qual a última coisa que se lembra? 
— Kate.... 
— Sim, o senhor foi encontrado com a sua esposa no apartamento de vocês e trazidos para o hospital. Ambos em estado muito grave. Compreende o que eu digo? – as mãos da médica estavam agora sobre o peito de Castle apalpando-o para ver se houve qualquer dano na região das costelas após o ataque de susto ao acordar do coma. Ao pressionar a região da costela quebrada, ele gemeu – vou ter que pedir para o seu médico dar uma olhada no curativo e no estado dos seus ferimentos – percebeu que ele estava ficando mais calmo pelo efeito do calmante que o residente aplicara. Bom. Ele não podia estar muito agitado quando ela tivesse que falar de sua mulher – feche os olhos, Sr. Castle. Eu prometo que volto para falar de Kate. Ele olhou para a médica e novamente mencionou o nome da esposa. 
— Kate... – Marshall apertou a mão dele com carinho. Voltou-se para o residente. 
— Dr. Jones, quero que fique com ele. Não arrede o pé daqui. Eu preciso falar com o Dr. Gray. Se ele voltar a se agitar ou apresentar qualquer outro sintoma diferente, me chame. Não vou demorar. 
Marshall estava preocupada. Castle parecia estar consciente, conseguia ouvi-la. Mas por que apenas dizia o nome da esposa e fazia somente a mesma pergunta? Será que o coma afetara seu cérebro? Será que acordar tão abruptamente causara algum dano cerebral? Ela precisava de Paul, afinal Castle era seu paciente. Deviam discutir o caso juntos e enquanto não tivesse certeza de que não havia sequelas, ela não contaria que ele acordara do coma para a família.  
Ela ligou para o médico. Ele deveria entrar apenas dali a duas horas, mas sabia que não hesitaria em vir para o hospital com a noticia que ela daria a ele. 
Vinte minutos depois, Paul acompanhava a médica pelos corredores em direção a UTI enquanto ela o atualizava sobre a situação de seu paciente. 
— Eu sei que é bom ter despertado do coma, porém a sua reação me assustou. Se o coma deixou sequelas, danificou sua memória ou o centro da fala? Eu deveria ter ordenado logo a ressonância, mas ele é seu paciente. Não achei justo. E você precisa checar se as costelas sofreram algum novo ferimento ou hematoma devido ao súbito ataque que ele teve ao acordar. 
— Tudo bem. Mas você estava no comando, podia ter feito isso. Vamos logo tirar essa dúvida e então contaremos as noticias a ele se tiver bem ou a família no pior dos casos. 
Ao chegarem na UTI, viram que Castle estava dormindo outra vez, efeito do calmante. Dando as instruções para o residente começaram a prepara-lo para a ressonância. Com Castle dentro da máquina, Marshall e Gray esperavam ansiosos pelas imagens aparecerem no monitor e dizer aos dois que estavam errados em suas previsões. 
As primeiras imagens apareceram na tela e pareciam limpas. Visão frontal. Em seguida, foi a vez da periférica. Marshall notou que estava segurando a respiração. Quando a foto do cérebro de Castle se formou na frente deles, ela soltou um longo suspiro. 
— Está limpa. Graças a Deus! – ela passou a mão no rosto, Paul sorriu – mas, por que ele continua repetindo as mesmas coisas? 
— Talvez porque acabara de acordar do trauma. Pode ser uma reação psicológica, a ultima coisa que vem a sua mente. Não sabemos o quanto ele se lembra dos últimos momentos após ser baleado. Precisaremos conversar com ele agora, ver o que faz parte de sua memória e contar o que aconteceu, especialmente sobre a esposa. Não saberemos qual será sua reação. Você acha que deveremos chamar um psicólogo para nos acompanhar? 
— Não, acho que podemos passar a ideia errada se chegarmos para falar com ele com alguém dessa área. Kate ainda luta por sua vida. Ainda está lá. 
Eles retornaram a unidade de terapia intensiva. Após checarem o status de Kate sem qualquer mudança, eles entraram na enfermaria vizinha onde Castle estava. A primeira vista, ele parecia estar dormindo, mas o residente informou que acordara outra vez e falara o nome da esposa. Castle percebeu a conversa no ambiente e virou-se para encarar a médica. Marshall deu um sorriso para ele. Paul se aproximou dele para um novo exame físico.      
— Olá, Sr. Castle. É bom vê-lo acordado. Sou o Dr. Gray. Irei fazer um rápido exame físico apenas para ver se você está se recuperando bem – ele começou a remover o curativo das costelas. Com as mãos, ele examinava a região previamente afetada. Ao ouvir os gemidos dele, imaginou que a dor persistia o que era esperado, ao contrario do que a médica pensara, não havia novo dano – tudo bem por aqui, a dor faz parte da recuperação – disse olhando o paciente. Em seguida, ele abriu o curativo do tiro – hum... você estava agitado, não? Rompeu um dos pontos de sua cirurgia. Dr. Jones, pode me arrumar um kit de sutura? Preciso arrumar isso aqui. e limpar. Tem um pouco de sangue. 
Castle observava o que o médico fazia. Ao ver o que estava por baixo do curativo que o medico retirara, sua mente trouxe de volta as imagens do tiroteio. Ele fechou os olhos. Reviveu a cena. A dor. Insuportável. Sentiu o coração acelerar o que foi notado no monitor ao seu lado, bem a frente da médica. 
— Os batimentos cardíacos estão subindo. Estranho. Você nem está fazendo a sutura. Sr. Castle? 
Kate caída. Ela sangrava. As mãos. Deus! Não! Ela não podia ter... Kate... ouvia alguém o chamando. Não era a voz de Kate. Por que eles não lhe diziam nada? 
— Sr. Castle? Consegue me ouvir? O que aconteceu? Está sentindo alguma dor? Marshall podia ver que seu rosto estava em agonia, a dor física foi a primeira coisa que lhe veio à mente, pois Paul estava mexendo na ferida do tiro outra vez, ela demorou para entender que a dor que Castle sentia era psicológica até o momento que ele finalmente fitou os olhos dela e tornou a dizer o nome da esposa. 
— Kate! Cadê a Kate? – Johanna se aproximou dele, acariciou sua mão procurando acalma-lo. 
— Sr. Castle, estamos cuidado de você nesse momento. Assim que o doutor Gray terminar, nós conversamos. Entende o que eu digo? – ela tinha que perguntar – se entende, fale sim – o silêncio que se seguiu na enfermaria foi sombrio. Apenas o bipe do monitor indicava que o coração de Castle continuava acelerado. Nenhuma palavra. Será que ele estava com dificuldade de falar? O exame mostrara que estava tudo bem, a não ser que o trauma... vinte segundos sem resposta – Sr. Castle, pode me responder? Diga sim. 
Gray terminara de ajeitar o curativo da bala e colocava os instrumentos de lado. Ambos fitavam o paciente esperando pela resposta. Finalmente, Castle tornou a fitar a médica. 
— S-sim... cadê a Kate? – Marshall fechou os olhos. Aquele pequeno “sim” foi um bom sinal, um alivio para ser bem sincera. Ela puxou a cadeira para próximo da cama. 
— Está confortável? Paul deveríamos senta-lo para conversar – juntos, eles ajudaram Castle a sentar-se com as costas apoiada no encosto da cama do hospital. Depois, ela sentou-se com Paul ao seu lado. Ele iria começar a conversa. 
— Sr. Castle, você e sua esposa foram trazidos para o hospital, ambos baleados. Tem alguma memória disso? 
— S-sim. Caleb...atirou em nós. Kate... – ele fechou os olhos para tentar ordenar os pensamentos, tornou a abri-los – atirou nele... ela... sangue... cadê a Kate? – dessa vez pelo menos a doutora ficara mais satisfeita de ver que ele falara mais do que o nome de sua paciente. 
— Como dizia, vocês foram trazidos em estado muito grave para o hospital. Foram direto para a cirurgia. Na verdade, soubemos que eram casados quando já estávamos operando-os. O seu tiro foi do lado direito do peito e não atingiu o coração, porém foi suficiente para quebrar sua costela e alojar a bala no pulmão. Foi uma cirurgia complicada e você ficou em coma por cinco dias. Houveram outras complicações durante sua recuperação, mas não acho que seja importante menciona-las nesse momento. A doutora Marshall irá comentar sobre sua esposa. 
— Sr. Castle, eu operei Kate. Ela chegou nessa emergência em pior estado que o senhor. Perdeu muito sangue com os tiros no abdômen. Teve o apêndice supurado e por pouco não a perdemos antes mesmo de retirar as balas – as palavras da médica eram como pequenas navalhas em seu coração – ela teve uma parada cardíaca no meio da cirurgia... – a médica engolira em seco, Castle arregalou os olhos. O monitor bipou indicando o aumento dos batimentos outra vez. Marshall apertou a mão dele para tentar passar um pouco de confiança. Não podia ser bom sinal. Kate já fora baleada no coração, não... – sei que ela tem histórico cardíaco, felizmente conseguimos traze-la de volta e continuar a cirurgia – ela percebeu um pequeno alivio no rosto dele, os batimentos desaceleraram um pouco – Sr. Castle, foi uma cirurgia muito delicada, as próximas 48 horas eram críticas para ambos. De repente, ela foi interrompida por Castle.
— E-ela... Kate, ela não... - Marshall entendeu a dor naquelas poucas palavras. 
— Não, Sr. Castle. Kate, assim como você entrou em coma. A diferença é que ela ainda está sob o efeito comatoso. Vocês estão há cinco dias internados na UTI. Ambos fracos. 
Castle não registrara mais nada após a médica dizer que Kate estava em coma. Mil pensamentos se formavam em sua mente. Ela estava fraca. Ela estava em coma. Perdera sangue. Deus! Ela estava em coma. Por que ele acordara e ela não? Por que, Kate? Não era justo. Ela o defendera, ela o salvara.... o tiro, Caleb... não podia imaginar sua vida sem Kate. 
— Kate... eu preciso vê-la. 
Marshall trocou um olhar com o colega. Por mais dor que o seu paciente estivesse sentindo, por mais vontade que tivesse em ajuda-lo, sabia que ele não estava preparado para olhar a esposa. Apenas de falar sobre ela seu coração já disparara duas vezes. Não iria fazer bem a sua atual condição. Viu quando Paul balançou a cabeça negativamente em sua direção. Tomou a palavra. 
— Sr. Castle, eu acredito que não compreendeu a gravidade da situação. O senhor acabou de sair de um coma. Está acordado há apenas algumas horas. Não está livre de infecções ou complicações ainda. Sabemos que as ultimas lembranças que tem de sua esposa são complicadas e difíceis, porém vê-la não irá mudar nem ajudar em sua própria condição. Apenas de mencionar seu estado, seu coração já reagiu de maneira perigosa. Infelizmente, por ordens médicas, você não poderá vê-la ainda. Precisamos ter certeza de que está realmente bem. Fora de perigo. Você pode contudo ver sua mãe e sua filha. Posso traze-las aqui. 
— Mas, Kate... ela é... tudo... eu não posso...
— Nós entendemos, por isso mesmo que estamos recomendando que você não a veja agora. A doutora Marshall está cuidando muito bem dela. Algumas pessoas reagem em formas e tempos diferentes ao coma. No caso de sua esposa, ela perdeu muito sangue. Está bem mais debilitada que você. Essa é uma das explicações para ela não ter acordado ainda. 
— E se... – ele tinha medo de perguntar – e se, ela...
— Você quer saber se ela não acordar. Não podemos engana-lo. A possibilidade existe. Alguns pacientes levam anos, outros meses ou dias como foi seu caso. Outros acabam por ter sua vida decidida pelos familiares. É uma opção, embora não queremos sequer pensar nisso. Somos médicos e estamos aqui para salvar vidas. Sugerimos que não pense o pior. Mantenha a esperança. Você levou cinco dias para acordar. Por que Kate também não pode demorar um pouco mais e ter o mesmo destino que o seu? Johanna, você quer chamar a família do Sr. Castle aqui? – ao ouvir o nome, ele tornou a fitar a médica com um ar de curiosidade. 
— Johanna? Seu nome... 
— Sim, meu nome é Johanna e sei que era o mesmo da mãe dela. Sei quem ela é Sr. Castle, sei quem o senhor é, acredite ninguém está torcendo mais pela recuperação de vocês que eu. Volto já. 
Castle permaneceu calado. As novas informações trouxeram um outro sentimento a sua mente. Ele não era uma pessoa religiosa e não talvez não acreditasse em milagres porque nunca presenciara um. Tinha esperança. Porém, também não podia considerar isso uma simples coincidência. Kate Beckett, mesmo com todo seu lado racional, também não acreditaria. Por mais fora da caixa que fosse o pensamento que se formava em sua mente naquele instante, Castle decidiu toma-lo como possível. Para ele, o fato da médica de Kate chamar-se Johanna era um sinal. Será que a própria mãe estava olhando por sua filha agora através dessa estranha que cruzara seus caminhos? 
Filha. Johanna. Kate. Mãe e filha. O universo falava com ele? Mãe e filha. Por que essas palavras se repetiam em sua mente? 
— Por que ele não responde? Eu sou filha dele, por que não olha para mim? – perguntava Alexis aflita ao médico. 
— Querida, seu pai está frágil. Passou por um momento difícil e traumático. Você tem que dar um tempo a ele, ir com cuidado. 
— Mas você disse que ele acordou, estava conversando... – ela virou-se para a outra médica – e agora... ele não está aqui, não parece estar ouvindo. 
— Calma, tentaremos mais uma vez. Sr. Castle, é a Dr. Marshall. Sua mãe e filha estão aqui para vê-lo. Martha, sua mãe e Alexis, sua filha – vendo que ele não reagira, ela teve outra ideia. Sabia que sua mente estava viajando nas lembranças e nas possibilidades que Gray mencionara para ele sobre a esposa, então usou outra abordagem – Castle, é Johanna. Sua mãe e sua filha estão aqui. 
Ao ouvir o nome Johanna, ele voltara a fitar a médica guiado pelo som de sua voz. Então, compreendeu porque ouvia a palavra filha. Sua própria filha estava ao lado da médica. Alexis. 
— Pai? 
— Alexis... – ao ouvir a voz do pai, ela começou a chorar. 
— Pai... você acordou... – e aproximou-se do pai para um abraço cauteloso devido aos ferimentos e um beijo. Martha sorria ao lado da neta. Castle finalmente esboçou um sorriso. Sua mãe e sua filha estavam ali com ele. Mas, Kate não. 
— Você está sempre querendo nos assustar, kiddo. Acho que devia parar com essas ideias malucas de perseguir bandidos – disse Martha tentando ser engraçada porque no fundo, a mãe percebeu a dor do filho. A médica contara o que acontecera para ele e conhecendo seu filho, ele não conseguiria manter um semblante feliz enquanto não soubesse que a esposa estava bem e fora de perigo. isso iria afetar a ele e principalmente a Alexis. Duvidara que a menina entendesse o significado de Katherine para o pai. 
— Tive tanto medo, pai... mas agora está tudo bem. Você acordou, logo vamos para casa – ao mencionar casa, a imagem do loft retornou a mente de Castle. A cena repassada em sua mente agora com mais nitidez. O tiro, o aparecimento de Kate, novos tiros, o chão, as mãos, sangue... ela sobre o corpo dele. as palavras... Kate dissera “eu te amo”... os olhos de Castle tornaram a fitar o nada. As lágrimas se formaram outra vez. Kate. Ela o salvara. Não iria a lugar nenhum sem ela. 
— Não... Kate. Eu não posso, não sem Kate. 
As palavras de Castle atingiram Alexis em cheio. Não esperava que o pai recusasse voltar para casa com ela. 
— Pai, você irá voltar para casa comigo. Quando os médicos o liberarem, voltaremos ao loft. 
— Não, Alexis. Eu não vou sair desse hospital sem Kate - ele fora bem enfático. 
— Mas, pai... – Martha intercedeu segurando o braço da neta para evitar que ela dissesse algo mais que incitasse uma discussão com o pai, ele não estava em condições e a filha certamente ainda não entendera o que acontecera aos dois realmente. 
— Hey, doutor qual o status? Ainda é cedo para libera-lo? 
— Sim, ele precisa ser monitorado pelos menos por pelo menos dois dias, talvez mais. Não terá alta antes que eu tenha certeza de que está em condições de ter completo domínio de seu corpo. Pacientes que experimentaram coma precisam ter acompanhamento. Eu preciso coloca-lo para andar, sentir como está a respiração, afinal ele foi baleado no pulmão. Os pontos serão retirados com sete dias da cirurgia e haverá o processo de recuperação. 
— Viu, kiddo? É melhor que ele esteja aqui no hospital, sendo bem cuidado por esses médicos maravilhosos. Queremos que ele esteja 100% bem antes de voltar para casa. Temos que deixar os médicos trabalharem e você, Richard – disse virando-se para o filho – trate de obedecer aos dois. Nada de teimosia. Deus sabe que a única capaz de controla-lo é Katherine – ao ver a besteira que fizera ao mencionar a nora novamente, Martha se recriminou. Era a força do hábito. Ela queria evitar de falar o nome dela pela situação e acabara errando. Tentando consertar o que fizera, ela emendou – Richard, você está cansado, está quase cochilando. Deve ser o efeito dos remédios não, doutor? – ela olhou ansiosa esperando que o médico compreendesse o que ela estava sugerindo. Para sua sorte, Paul estava mais do que ciente do que a mãe de seu paciente estava tentando fazer. 
— Sim, ele está tomando vários remédios que o deixam sonolento. Como disse, ainda está fraco. Melhor deixarmos o Sr. Castle descansar. Amanhã vocês podem tornar a visita-lo obedecendo os horários de visita do hospital, se ele passar a noite bem, podemos transferi-lo para um quarto onde ficarão mais à vontade. 
— Mas nós nem conversamos direito – disse Alexis. 
— Querida, eu sei que os últimos dias foram pesados – disse a Dr. Marshall – para você com toda essa incerteza, porém seu pai está se recuperando, é um paciente de UTI, não pode ter tanto contato com o exterior ainda. Na verdade, nós não podemos sequer autorizar visitas a pacientes nessa unidade, contudo devido ao que aconteceu a ele, cedemos os quinze minutos. Precisamos seguir os procedimentos do hospital para que ele se recupere o quanto antes. Voltem amanhã. 
Alexis não estava nada satisfeita com o que ouvira dos médicos nem do seu pai. Era um absurdo não querer voltar para o loft. Era a casa deles, precisavam voltar. Emburrada, ela fechou a cara para a médica. Não gostava dela. No fundo, ela só se importava com Kate. Nem médica do seu pai era então porque ficava dizendo o que ele deveria fazer sem permissão, isso não entendia. Ela deu um beijo no rosto do pai. Castle tocou de leve a mão da filha e murmurou. 
— Sinto muito, Alexis... 
— É, imagino... – mas havia um certo tom ácido na resposta dela. Saiu do quarto. A mãe se aproximou da cama do filho, acariciou seus cabelos e olhando-o com um sorriso nos lábios, falou. 
— Deixe-a comigo, kiddo. Está abalada com tudo isso. Preocupe-se em ficar bem – Castle pegou a mão da mãe de leve na sua. Suspirou. 
— Kate... ela me salvou... e eu, eu não posso.... fazer nada... eles não me deixam, eu preciso ver Kate. 
— Eu sei, Richard. Mas você não é médico, deixe a doutora cuidar dela. Katherine é forte. Ela voltará, kiddo. Tenha um pouco de fé na sua esposa – ele fechou os olhos diante das palavras da mãe. Ao tornar a abri-los, ele falou. 
— Ela é tudo... tudo para mim – Martha beijou a testa de seu filho incapaz de dizer qualquer outra coisa capaz de tirar aquele olhar triste e angustiado do rosto de Castle. Ela meneou a cabeça cumprimentando os médicos e saiu. Ao puxar a porta, encontrou a neta com o rosto vermelho e os grandes olhos azuis arregalados, então soube que Alexis escutara as palavras do pai. Suspirando, ela abraçou a menina deixando-a chorar. Sabia que teria muito trabalho pela frente. 
Na enfermaria da UTI, o Dr. Gray aproximou-se de Castle. Ajustando algo em seu soro, falou. 
— Sua mãe tem razão. Você precisa descansar. Voltaremos na hora do jantar para ver como está passando – juntos, ele e a colega deixaram a unidade de tratamento intensivo. Quando estavam de volta no corredor, Johanna o abordou. 
— Paul, você reparou em como ele agiu na presença da mãe e da filha? Tive que chama-lo três vezes e algo me diz que ele somente saiu daquele mini transe porque falei o nome Johanna que o fez correlacionar com a esposa. Ele está traumatizado. Antes de pensarmos em deixa-lo ver Kate, precisamos da opinião de um profissional. Teremos que chamar um psicólogo. 
— Concordo. Temos que saber o nível do trauma de Castle antes que causemos mais mal ao autorizarmos que ele veja a esposa. Diante do seu quadro, ele pode piorar com esse encontro. Ele se recusa a ir para casa sem ela. 
— Ele a ama, Paul, você o ouviu. Ninguém fala isso de mulher à toa, ela é tudo. 
— Quem disse que médicos não tem direito a presenciar historias de amor? 
— Só espero que tenham um final feliz como nos livros do escritor. 
— Oh, você por acaso é fã? – ela enrubesceu – ah! Essa história eu quero ouvir. 

— Outro dia. Precisamos contatar a doutora Jessica Mueller. Ela é a melhor nesses casos. Os pacientes e o dever sempre em primeiro lugar, Dr. Gray.   

Continua...

7 comentários:

cleotavares disse...

OMG! Quanto sofrimento. acorda Kate! A Martha sempre uma lady, já a Alexis........coisinha chata. Ela deveria está agradecendo por Kate ter salvo a vida do pai dela.
Drª Robbins! Johhana! continue....

Madalena Cavalcante. disse...

Kah, sinto que vou amar a forma que vc vai lugar com a Lex! Concordo demais com o que vc disse na nota, ela está diferente demais!!!
To shippando fortemente esse novo casal de médicos 🙈🙈🙈 meus novos Derek e Mer 🙈❤
Me partiu o coração a reação do nosso Castelinho. Era esperado e tals, ver é mais complicado :/
Amei o cap Kah, animada demais pra essa fic e tenho certeza de que ela superar as minhas expectativas, cono vc sempre faz! ❤❤❤

rita disse...

Cada vez melhor e aguardando que a recuperação da Kate não demore muito e sem sequelas! E que a Alexis deixe de dar pitti, já está bem grandinha para isso. Abraços Karen.

Géssica Nascimento disse...

Não acredito que a Alexis não entenda os sentimentos do pai! Absurda a atitude dela!!
Ninguém melhor do que ela para compreender ou procurar entender o que ele está sentindo. Muito egoísmo da parte dela, isso sim!! Revoltada!!
Morrendo de pena do Castle. Trauma!!! Logo ele, esse cara tão alto astral!!
Torcendo para que a Kate melhore e acorde o mais breve possível.
Karen, capítulo perfeito, pra variar, novamente!!

Priscila Barros disse...

Eita que foi emoção demais!!!!! Meu coração ficou na mão quando o Castle teve um pequeno problema, mas ainda bem que tudo ficou bom depois ❤
O que falar desses dois médicos que mais conheço, mas já considero um casal?! Hauahauahuhauahauahu ❤❤❤
Agora meu coração pulou quando o Castle acordou, tadinho, todo preocupado com a Kate. O amor e a conexão deles me deixa toda boba, eles se amam muito.
Agora vamos a nossa raiva do dia: Alexis porre. Que menina insuportável!!!! A vontade de socar ela apenas começou, mas já tá bem forte.
Amei demais o capítulo, em especial porque um dos meus amorzinhos já acordou. Agora só falta minha Kate ❤
Obrigada, Kah ❤❤❤❤❤

Gabriela Mendonça disse...

Ai doeu a visita deles aos filhos viu... em especial o Jim coitado. Quantas vezes mais ele vai ver a Katie assim? Já pode parar com isso Kate...
Alexis é idiota ne? não... so pode ser... pelo amor de DEus. "Por que fica falando que Kate precisa dele vó?" oh sua cega, onde vc estava nesses últimos 8 anos hein? me diz? um não vive sem o outro quirida. Senta e chora...
QUando vc acha que nada pode piorar, o Rick vai lá e te mostra que não é bem assim... Grayshall avisa ai que se n é para acordar nem precisa se manifestar.
Gray claramente a Kate da relação kkkk na verdade uma mistura de Kate e Rick kkkk
RICKKKK ACOOORDOOOOU, e so quer saber da Kate... Isso que é amor... deu um nervoso ele só chamando Kate e os médicos achando que tinha alguma sequela...
Incrivel o poder que o nome Johanna tem... e lá vem a ridicula de nv... okay ela quase perde o pai... mas pelo amor de DEUs, a mulher da vida dele ta no quarto ao lado lutando para viver ou pelo menos é nisso que td mundo se pega. Isso n é hora de draminha.

Vanessa Belarmino disse...

24 horas depois...
A doutora Marshall tão incrível com Jim, a cena deve estar horrível, ainda mais levando em consideração que não é a primeira vez.
Jim, vendo sua menina, pior que a outra vez. Aiiii!
Volta Katie!
No outro quarto a cena tb é semelhante. Quero guardar Martha em um potinho com todo amor do mundo. ♥♥ Kate precisa dele. Um não viveria sem o outro.
Alguém da um tiro na Alexis, por favor. Aff. Graças a Deus não vai ser fixa hahaha
E essa conversa dos pais. Meu Deus!
Meu amor por Ryan só aumenta.♥ Espo sendo prestativo haha
Gates is back! Amei!
OMG, Castle piorando para ter uma melhora. Kate estável, mas sem melhora. E minha pressão está subindo hahaha
Esses doutores são tão maravilhosos... Johanna foi pesquisar, amei isso...
Mais doações de sangue. Que lindo, quanta mobilização.
A doutora dando uma de Beckett "Vai me seguir e deixar eu comer ou vai ficar me dando sermão até eu desmaiar?" hahaha
Castle acordou desesperado por noticias de Kate... Aiii, A doutora não entendeu, ele não tem sequela alguma, ele só quer saber do amor da vida dele.
E eu chorei... Claro que ele quer vê-la, mas não é um bom momento, ele precisa se recuperar mais. Cinco dias em coma.
Que susto Castle viajando nas lembranças de Kate e a mãe e meio que catatônico. Graças a Deus ele falou.
Martha tão incrível, entende seu filho como ninguem.
Juro que eu mesmo mato Alexis, se ela começar dar piti no hospital. aff.
Aff, em nenhum momento ela pensa na Kate. Menina mimada, faltou uns tapas bem dados.
Martha, sendo maravilhosa e apaziguando e tirando a pirralha de cena.
E essa conversa mãe e filho. "Ela é tudo para mim" ♥♥♥
Acho que vou ter que ignorar Alexis, igual fiz com dona Rada. Senão não vai prestar.
Os doutores preocupados com o estado psicológico de Castle.
Paul tb gosta de historias hahaha
Mas primeiro o dever...