terça-feira, 20 de dezembro de 2016

[Castle Fic] Baby Boom - Cap.20


Nota da Autora: Eu acredito que estou boba essa semana. Dose dupla, sim, mais um capitulo de BB para vocês. Porém, tenho algumas ressalvas. Não será um capitulo fácil, está cheios de emoções e algumas de vocês poderão inclusive me xingar... gostaria de lembrar que Beckett é complicada, não tanto como aquela que sofreu um atentado. Ainda assim, nada é tão fácil. Quem lê minhas historias sabe que eu gosto de explorar o psicológico. Bem, esse capitulo trás um pouco disso. Não sou advogada nem expert em casos de tribunais. É claro que esse não é o foco principal da historia, peço desculpas antecipadamente se cometer alguma gafe legal. Preparem os lencinhos porque se até a escritora sofreu e chorou... enjoy the ride! 



Cap.20  


O advogado de Castle conversava com a agente Wilson. Beckett trocou um olhar com o escritor. 

— Está pronta? 

— Vai adiantar dizer que não? Que estou com medo? 

— Não, mas ajuda. Eu também estou nervoso, mas eu acredito em nós. Podemos fazer isso, por Dylan. 

— Não importa o resultado, Castle. Esse garotinho mudou nossa vida. 

— Realmente o resultado não importa porque somente pode ser um. Dylan será um Castle. 

— Ai, estão eles. Bem adiantados. A audiência começará em vinte minutos. Tem uma cafeteria à esquerda. Fiquem à vontade - Castle saiu puxando Beckett pela mão para tomarem um café, a bebida sempre ajudava a amenizar as coisas. 

Vinte minutos depois, eles entravam no tribunal. O juiz em seu lugar de costume, Castle e Beckett sentaram-se do lado direito da mesa junto com Andrews e a agente Wilson do lado direito com seu assistente. Apos a leitura do caso, o juiz pediu para Wilson comentar seu parecer e suas observações durante o período de avaliação do casal. 

— Meritíssimo, o casal aqui presente tomou a guarda do menor Dylan Kingston após o fatídico incidente que levou a morte Anna Kingston, mãe solteira, órfã e assassinada. Seu caso foi investigado pelo 12th distrito. A investigadora principal e também ré em analise nesse tribunal demonstrou interesse junto ao seu parceiro senhor Richard Castle em adotar o bebê. O casal em questão se conhece há quase quatro anos, estando em um relacionamento estável por três. Durante uma de minhas visitas ao loft onde o Sr. Castle reside com a namorada, pude observar algumas situações que devem ficar registradas nesse tribunal para os livros - a agente tomou fôlego.  

— Durante minha segunda visita ao casal, ocorreu algo que faz parte da rotina deles e fará por vários anos. A senhorita Beckett precisou sair para trabalhar, estava enrolada com um homicídio e deixou o menor sob os cuidados do Sr. Castle - Beckett engoliu em seco, prendeu a respiração por alguns segundos. Castle buscou a mão dela apertando para lhe dar segurança, não satisfeito após o olhar preocupado que ela o lançou, ele beijou-lhe a têmpora. Um medo enorme tomava conta dela, sentiu-se enjoada, ela estragara tudo. Era o que ouvia em sua mente. A agente continuou. 

— O Sr. Castle saiu-se muito bem cuidando do bebê, isso me deixou um pouco preocupada. Ele já é pai, criou uma filha praticamente sozinho. Comecei a me questionar se a senhorita Beckett agiria da mesma forma caso estivesse sozinha com a criança, visto que ela não possui experiência alguma com a maternidade. 

— Meritíssimo, posso interceder? - disse Andrews, o juiz acatou - acredito que todos nós não temos experiência nessa área até termos um filho. A senhorita Beckett não ser mãe não é demérito algum e não é relevante ao caso. 

— Tendo a concordar com o advogado - disse o juiz - a menos que tenha presenciado alguma situação de risco para o menor. Foi o caso, agente Wilson? 

— Eu prefiro terminar meu depoimento, meritíssimo. 

— Muito bem, continue. 

— Eu deixei a questão como uma interrogação no meu relatório para ser reavaliada. Apesar de ter observado a interação da senhorita Beckett com o bebê na primeira visita, as atividades e tarefas mais relevantes foram executadas pelo senhor Castle. Também realizei entrevistas com amigos e familiares. Todos foram somente elogios ao casal, porém o lado profissional sempre foi mais evidente na detetive enquanto a figura paterna era direcionada ao Sr. Castle. Exceto por duas pessoas. Um delas foi decisiva para o meu parecer. 

— Na terceira vez que fui ao loft, era um domingo. A senhorita Beckett tomava café da manhã e planejava o almoço, o Sr. Castle saíra para o mercado com o menino. 

Beckett tornou a olhar para Castle. Ele podia ver que ela se segurava para não chorar. A agente a estava colocando como vilã, ele não sabia o que poderia fazer ou se teria direito de falar, mas estava muito nervoso, bem mais do que quando entraram naquele tribunal. Ele a puxou contra seu corpo, um dos braços envolta de seus ombros. Beckett ainda tinha a mão entrelaçada a dele. Descansou a cabeça por alguns segundos em seu ombro. Castle viu a marca da lágrima. 

— Quando o menor retornou a casa, eu passei a observar principalmente a figura materna naquela relação. Pude ver, a senhorita Beckett fazendo exatamente isso. Ela trocou fralda, alimentou o bebê, fez o almoço. O casal se revezava em tarefas na minha frente, tanto que cheguei a perguntar se eles faziam isso sempre, o que teve uma resposta positiva dos dois. Eu também entrevistei a mãe do Sr. Castle que me contou uma historia de maternidade difícil para criar o filho e me falou de Katherine Beckett. Eu precisei fazer uma ultima pergunta. Ao serem questionados sobre o futuro e casamento, pude sentir uma tensão no ar. Eu fiquei surpresa ao ver que apesar de três anos de relacionamento, nenhum parece disposto a casar. A insegurança foi maior na senhorita Beckett. Baseado em tudo que foi relatado, eu redigi o relatório e entreguei meu parecer ao juiz. Sem mais, meritíssimo.  

Ela já estava chorando desde o momento que a agente comentou o inicio da terceira visita. A culpa a corroía. 

— Obrigado, agente Wilson. Advogado, eu gostaria de ouvir o Sr. Castle. Podemos fazer isso agora ou precisa de um recesso de dez minutos? 

— Um recesso seria…

— Não, eu quero fazer isso agora - Castle interrompeu o advogado. 

— Tudo bem. Quando quiser, Sr. Castle - ele beijou a testa de Kate tirando gentilmente o braço das costas dela. Beckett o fitava com os olhos vermelhos. Ela segurou o rosto dele com uma das mãos, acariciou os lábios dele com o polegar e disse. 

— Salve Dylan, por favor, Rick… 

— Always - ele a beijou levemente nos lábios, virou-se para fitar o juiz - meritíssimo, eu gostaria de não apenas dar minha visão dos fatos como também discordar de alguns pontos abordados pela agente Wilson. Quero deixar claro que em nenhum momento estou aqui defendendo a minha namorada, porém como ela eu acredito na justiça e na verdade. Kate pode ser mãe de primeira viagem, um dia eu estive na mesma situação dela. Não é fácil. Como você vence isso? Com amor. Foi assim que Kate recebeu Dylan. Claro que no inicio estava receosa, tinha medo de derrubar o bebê, quem não passa por isso? Gostaria de comentar sobre algo sobre a segunda visita. Beckett é uma detetive, a melhor que já conheci. Ela faz justiça e luta por aqueles que já não podem mais se defender. Fez isso por Anna, a mãe de Dylan. Eu apoio isso. Sempre apoiarei, é o trabalho dela. Eu me orgulho disso, não quero uma dona de casa, eu posso cuidar de um bebê por algumas horas e a vó dele também.  

— Eu quero contar sobre uma situação que a agente Wilson não presenciou. Um dia em que Kate estava sozinha em casa com Dylan porque eu estava trabalhando na editora. Ele começou a chorar muito sem explicação. O estômago dele segundo minha mãe estava muito inchado. Ele não conseguia evacuar. Ela se desesperou como toda pessoa que vê uma criança com dor. Ligou para o meu celular pedindo ajuda. Pedi para ela se acalmar, disse para ela tentar algumas coisas. A verdade era que não podia fazer nada estava preso numa reunião. Minha mãe me contou o que aconteceu. Kate virou uma leoa. Cuidou de Dylan como seu, amamentou, acalantou, teve que dar banho porque ele acabou tendo diarreia e quando cheguei em casa não tinha o que fazer, ela cuidara de tudo. O bebê estava rindo outra vez. Outro dia quando ele teve febre, eu a vi chorar junto com o bebê, passar a noite acordada. Eu nunca vou esquecer a ternura que vi naquele olhar. Ali estava Kate Beckett, a mãe de Dylan. 

Ele teve que parar. A voz embargou. Recuperar o fôlego, controlar as emoções. Castle trocou um olhar com ela. 

— Sobre a terceira visita, eu disse e repito. Não temos pressa para casar. Depende de Kate. Quero vê-la progredir na carreira, brilhar ainda mais. Porque ela é extraordinária. E não consigo ver um papel ser mais importante que o amor que sentimos por Dylan. Iremos lutar por ele até o fim. É tudo o que eu tenho a dizer, meritíssimo. 

O juiz ficou calada por um minuto. Olhou bem para Castle, depois para Beckett. 

— Advogado, eu preciso ouvir a segunda parte interessada, mesmo porque por tudo que ouvimos aqui ela é o ponto chave nesse processo de adoção. Senhorita Beckett, está pronta para falar? 

Beckett suspirou. Enxugava as lágrimas. Fechou os olhos. 

— Sim, estou pronta. 

— Você pode nos relatar o que quiser, suas experiências, se defender caso acredite ser necessário ou nos dizer porque merecem ficar com a criança. 

— Certo - ela olhou para Castle uma outra vez antes de começar a falar - eu não vou me defender. Nem argumentar. Acredito que muito dessa experiência de três semanas já foi citada aqui. Eu quero falar de um bebê que como eu perdeu o núcleo familiar através de uma tragédia. Dylan é uma criança linda, fofa com os mais belos olhos azuis que você possa imaginar. Quando olho para eles sinto paz, ternura, verdade. Eu quis fazer o melhor para esse bebê pela injustiça que foi feita a sua mãe. Esse foi meu primeiro vinculo. O segundo foi os olhos, só existe um outro par que tem o mesmo efeito em mim - ela olhou para Castle - adotar uma criança com meu namorado. Parecia loucura e mesmo assim tão certo. Dylan não tem ideia do que fez na minha vida, um pequeno bebê foi capaz de me devolver o que há muito tinha perdido, o senso de família, Para mim, não importa se a agente Wilson acredita que não posso ser mãe ou que deveria casar. Tenho um trabalho arriscado, difícil. Eu posso sair de casa e não voltar. Tenho consciência disso. Porém, eu jamais deixaria de ser a policial. Foi uma tragédia que me colocou na NYPD e através do que eu faço eu conheci Castle e Dylan veio para a minha vida. Ele despertou um sentimento que pensei não ser capaz de sentir. O amor inocente, na sua forma mais pura. Não preciso do titulo de mãe, eu amo meu baby boy e vou lutar por ele até o fim. 

Beckett respirou fundo não contendo mais as lágrimas. Castle a abraçou. Ela tremia. 

— Esse tribunal entrara em recesso por trinta minutos - o juiz deixou a sala. Castle pegou um copo com agua e entregou a ela. Beckett bebia devagar. Ela se esquivou dele, levantou-se. 

— Está tudo bem? - ele perguntou. 

— Eu preciso ir ao banheiro - ela desapareceu pela porta. Sozinho com o advogado, Castle passou a mão no rosto. Nervoso. Emocionalmente abalado. 

— Andrews, o que foi isso? Sinto como se um caminhão tivesse nos atropelado. Eu não tinha idéia que essa audiência pudesse ser tão difícil. A impressão que tenho é que estamos sendo testados muito mais do que fomos durante os 21 dias. Eu preciso desse bebê, eu nem quero pensar em não ganhar a guarda de Dylan. Kate, ela vai… Deus! Eu nem sei o que pode acontecer com ela. 

— Eu vou ser bem sincero com você. Eu acreditava que vocês tinham grandes chances. Quando cheguei nesse tribunal e ouvi as dúvidas da agente, eu cheguei a pensar que ela não falava de vocês. Foi estranho. Acredito que por ela ser do sistema e saber que a futura mãe adotiva é policial, leva uma vida de risco, acende uma luz de alerta. Pessoalmente, o juiz seria louco se depois das declarações que escutou de vocês negasse o pedido de guarda temporária. E se isso foi uma jogada da agente para testar vocês, foi, no mínimo, cruel. 

— Estou preocupado com Kate. A-acho que vou checar, ver como ela está. 

— Não demore, temos apenas quinze minutos. 

Beckett se trancara no banheiro. Tornara a chorar. A culpa a corroía. Jamais iria se perdoar caso a adoção de Dylan fosse negada a Castle. O que aquela agente estava pensando? Ela não tinha o direito de julga-la por sua profissão, por precisar se ausentar. Ela mencionara que um depoimento fora definitivo para seu parecer. Qual? Não seria Martha? Alexis? Maddie? Droga, Kate não é hora de racionalizar. Precisava lavar o rosto, se acalmar e voltar para ouvir o parecer do juiz. Amava seu baby boy, queria logo acabar com isso e voltar para casa, tê-lo em seus braços. 

E Castle. Não tinha palavras para descrever a emoção que ele a fez sentir ao falar dela, defende-la. Seu coração disparara a ponto de quase explodir. Ela puxou a corrente da mãe, admirou o solitário. Beijou-o. O melhor dos dois mundos. Em quinze minutos, ela descobriria se o que sua mãe lhe mostrara em sonho poderia se tornar realidade. 

Castle saiu da sala. Não se importava se haveria outras pessoas no banheiro feminino. Bateu na porta. 

— Beckett? Voce está ai? Beckett… Kate, por favor. 

— E-eu estou. Eu vou… já volto. Preciso de uns minutos. 

— Tudo bem - ele suspirou. Afastou-se do banheiro para comprar café. Quando Beckett saiu no corredor, ela o avistou na frente do tribunal segurando dois copos grandes. Ele entregou um a ela. Percebeu que o rosto estava limpo. Parte da maquiagem se fora. Beckett bebeu um longo gole, suspirou e tornou a beber o café. Eles não trocaram nenhuma palavra ou comentário. Calados, eles permaneceram até que Andrews viesse ao seu encontro falando que era hora de voltar. Kate jogou o copo da bebida no lixo. Ajeitou a gola da camisa de Castle, seu paletó. Foi um gesto simples, mas que significou demais para o escritor. Ela encostou a testa na dele. fechou os olhos e segurou a sua mão. Ao fita-lo outra vez, os olhos amendoados brilhavam. Ela meneou a cabeça indicando para segui-la. De mãos dadas, ele retornaram aos seus lugares. Castle levou os dedos dela até seus lábios. Beijou as juntas. 

O juiz entrara na sala. Colocou os óculos e ergueu um papel para lê-lo. 

— No caso do pedido de guarda temporária do menor Dylan Kingston, filho da então falecida Anna Kingston requisitado ao Estado e avaliado por especialistas do departamento de  proteção a criança e ao adolescente temos as seguintes observações. O requerente da paternidade Sr. Richard Edgar Castle, nascido Richard Alexander Rogers declara-se apto emocional e financeiramente responsável para assumir o menor supracitado. Solteiro, em um relacionamento estável com a segunda parte interessada Srta. Katherine Houghton Beckett, funcionária do Estado ativa através do departamento de policia de Nova York declaram-se aptos para cuidar do menor em questão. Conforme análise e parecer baseado em situações domésticas presenciadas por a designada Agente Serena Wilson em visitas e entrevistas e após ouvir depoimento de ambas as partes, eu darei o veredito do caso. 

Beckett apertou a mão de Castle, estava gelada. 

— Declaro que diante da atual situação, o casal por não ser casado, não poderá assumir o menor oficialmente. Portanto, a guarda legal temporária e o direito de paternidade de Dylan Kingston será concedida apenas ao Sr. Richard Edgar Castle tendo como co-responsavel e guardiã legal a Srta. Katherine Houghton Beckett em caso de fatalidade ou doença do requerente por um período de dois anos, durante os quais serão avaliados para uma possível concessão de guarda definitiva. Qualquer violação dos ternos de adoção estarão sujeitos ao rigores da lei determinados por esse tribunal pelo Estado de Nova York. Caso encerrado.   

Beckett já não assimilava corretamente as palavras, Castle levantou-se, sorria. Não, ele gargalhava. 

— Conseguimos. Dylan…. ele é… meu filho. Nosso filho - Kate estava perdida em lágrimas outra vez, seu coração batia acelerado. Ela sorriu para ele e não resistindo o puxou pela nuca e sorveu seus lábios. Não foi uma encenação. Cada fibra do seu corpo clamava por isso. Sentiu as mãos de Castle em sua cintura, acariciando-a, envolvendo-a enquanto Kate aprofundava o beijo inclinando seu corpo contra o dele. Ao se afastar, ela sorria. As testas novamente coladas. 

— Nós conseguimos, Castle… 

— Sim… vamos para casa, Kate. Seu baby boy a espera. 

— Seu garotão… Dylan Kingston Castle - ela gargalhou. Castle fez sinal para Andrews que acenou, reafirmando que cuidaria da parte burocrática. Quando estavam deixando o tribunal, o juiz os parou. A agente Wilson observava-os de longe. 

— Parabéns aos dois. É preciso muita coragem e muito amor por uma criança para fazer o que fizeram. Enquanto houverem pessoas como vocês no mundo, haverá esperança. Sucesso com a família. 

— Meritíssimo, eu posso lhe perguntar uma coisa? A agente Wilson comentou que houve um depoimento definitivo para que ela formasse seu parecer, que diante do exposto foi negativo. Posso saber quem a influenciou? 

— Oh, não foi um depoimento realmente. Foi um pequeno video. 

— Um video? 

— Sim, um video que sua mãe mostrou a ela. E acredite, o parecer dela não teve nada de negativo, apenas algumas ressalvas sobre alguns cuidados. E se tivesse sido contra a adoção, depois do que presenciei no meu tribunal, eu não concordaria com ela. 

— Obrigado. 

Intrigado, ele se perguntava que video era esse. Beckett não queria pensar mais nisso, ansiava chegar ao loft e pegar seu baby boy nos braços. Dirigia o mais depressa que podia. Assim que abriram a porta do loft, Beckett correu para tirar o bebê do colo de Martha. 

— Hey, baby boy…. meu amor. Eu te amo tanto - ela beijou a cabecinha dele. As lágrimas voltaram a cair. Martha olhou alarmada para o filho, sem saber o que acontecia. Castle a abraçou. 

— Dylan é nosso, mãe. 

— Oh, Richard… graças a Deus! Eu cheguei a pensar….

— Shhh…. está tudo bem. É hora de comemorar. Cadê a Alexis? 

— Está lá em cima estudando, vou pegar o champagne! 

— Alexis! - Castle gritou, mas a menina já estava no meio da escada - nós conseguimos, filha - sorrindo, ela se jogou dando um abraço no pai. Martha servia a bebida para todos, as taças sobre o balcão da cozinha. 

— Quando Katherine conseguir se desgrudar de Dylan talvez eu consiga dar um abraço nela. 

— Você quer falar com o Daddy, baby boy? Quer… sim, ele é seu daddy de verdade, Dylan. Daddy Castle - ela entregou o bebê a ele. 

— Hey, garotão. Conseguimos. 

Martha se aproximou de Beckett. Abraçou-a. 

— Obrigada por tudo, Martha. 

— Querida, você não tem que agradecer nada. Você tornou isso possível quando aceitou a proposta de Richard e quando fez desse lindo garotinho, seu bebê. Ou seu baby boy, como o chama. Katherine, eu estou muito orgulhosa de você. Obrigada por fazer meu filho feliz - para Beckett não importava que significado tinham as palavras de Martha em relação a Castle, mas ela estava feliz por vê-lo feliz. 

— Vou pedir comida do Le Cirque - falou Alexis - ninguém vai ter trabalho hoje. 

Eles almoçaram em clima de festa. Beckett e Castle passaram a tarde brincando com o bebê. À noite, quando Kate seguiu para o quarto a fim de faze-lo dormir, Castle chamou a mãe em um canto. 

— Eu preciso saber. 

— Eu também, Richard. Como foi? 

— Difícil, muito intenso. A agente deu a entender que Kate não estava preparada para assumir a criança, que tinha dúvidas quanto as suas habilidades de ser mãe. Eu a defendi. Deus, foi difícil vê-la chorando, se culpando por tudo dar errado. Mas, quando ela falou. Nossa! Mãe, eu quase perdi o chão, as minhas estruturas. Ela foi extraordinária. A forma como ela falou abertamente do seu amor por Dylan foi… espetacular. Eu queria beija-la, bem ali, naquele momento. 

— Mas se segurou - ele riu. 

— Estávamos no tribunal, não tínhamos o veredito ainda. Quando acabou, eu não precisei fazer nada, ela fez, ela me beijou - Martha deu um beijo no rosto do filho sorrindo - e-eu preciso saber. O juiz disse que houve um video que foi decisivo no parecer da agente Wilson. Você que o mostrou. O que tem nesse video, mãe? 

Martha pega o celular, escolhe um arquivo e mostra para o filho. O video foi filmado no dia que Dylan teve o problema com o leite. Kate conversava com o bebê procurando se acalmar e a ele também. Cantava, falava. o chorinho persistia e ela também. 

— Esse foi o primeiro momento em que Katherine se sentiu mãe do Dylan, mesmo não admitindo, ela cuidou dele como uma mãe. 

— Obrigada, mãe. Significa muito para mim. 

— Para ela também, Richard - subiu as escadas deixando o filho sozinha. Sabia que ele e Katherine precisavam de um momento a sós. 

Beckett saiu do quarto sorrindo. Passava a mão na nuca. O cansaço e o stress do dia começavam a derruba-la. Ele se aproximou dela. 

— Quer vinho? Café?

— Não, obrigada. Acho que vou para casa. Eu tenho que trabalhar amanhã - ele tocou os ombros e em seguida o pescoço dela. 

— Nossa! Você está tensa. Deixe-me ao menos fazer uma massagem antes. Vem aqui - ele a puxou para o sofá - sentou-se de lado colocando-a em sua frente. Os dedos de Castle agiam como um bálsamo nos músculos cansados, Kate fechou os olhos - ele demorou a dormir? 

— Não, estava cansado. Muita agitação. Todos nós estamos cansados. Foram muitas emoções - ele continuava trabalhando em desfazer os nós nos ombros dela. Kate estava quase dormindo. Deixou seu corpo encostar no dele. Castle sorriu. Deslizou as mãos pelos braços dela.

— Melhor? 

— Sim. Obrigada - ela tornou a ficar ereta, virou-se para fita-lo - eu realmente preciso ir. 

— Não, ainda. Eu não tive a chance de agradecer, Kate. O que você fez… o que você disse… e-eu… quando eu a vi chorando, eu sabia que se culpava. Porque você é assim, assume os problemas do mundo como seus… meu coração doeu. Sim, doeu muito te ver com um olhar desesperado, sofrendo. E então… 

— Foi tudo verdade. Eu não precisava de alguém para me defender, ainda assim você e suas palavras… - ela sorriu - nós conseguimos, é tudo que importa. Dylan está aqui e não vai a lugar nenhum. 

— Você também não precisa ir, Kate. Fique - ela acariciou o rosto dele, inclinou-se e beijou-lhe carinhosamente os lábios. 

— Castle, e-eu não consigo lidar com isso… nós..hoje. 

— Não precisa. Não estou cobrando você. Amanhã. Vamos comemorar amanhã. Eu te devo um jantar - ele sorriu. Ela se levantou, Castle fez o mesmo. De frente para o escritor, ela brincava com o colarinho dele. 

— Obrigada por me defender, por não esquecer o que me fez policial. 

— Nunca poderia esquecer, Kate - ele a abraçou. Ela se aconchegou nos braços dele sentindo o cheiro delicioso dele - tem certeza que precisa ir? Pode alimentar Dylan antes de trabalhar. Curtir os primeiros momentos da manhã com seu baby boy… 

— Voce não vai desistir, não? 

— Posso ser bem insistente. 

— Não seria irritante? - ele riu. Ela entrelaçou os dedos nos dele - vou precisar de uma roupa para dormir - ela o puxou para o quarto dele, o gesto surpreendeu o próprio Castle. 

— Kate? Você vai dormir na minha cama? 

— Sim, Castle. Vamos dormir - ela foi até a gaveta onde antes arrumava suas roupas, a camisa do capitão América continuava lá. Pegou-a e foi ao banheiro. Castle suspirou. Não conseguia tirar o sorriso do rosto. Pegando o próprio pijama, ele esperava pacientemente para usar o banheiro. Ela retornou ao quarto usando apenas a sua camisa. As pernas de fora fizeram, Castle gemer baixinho. Ele levantou-se e foi se trocar. Ao voltar ao quarto encontrou Kate deitada coberta pelo edredom. Ele puxou um pouco o cobertor e enviou-se debaixo dele ao lado dela. Havia uma distância entre eles. Sentindo a presença dele, Kate virou-se. Castle sorria. Movendo o corpo na direção de Castle aconchegou-se nele. Envolvendo um braço em sua cintura, ele beijou-lhe o rosto, o ombro. O nariz respirando bem em seu pescoço. 

— Boa noite, Kate. 

— Boa noite, Castle - adormeceu instantaneamente. 

O alarme do celular soou às seis da manhã. Ela suspirou espreguiçando-se. Ao tentar se mexer,  sentiu que algo a segurava. Abriu os olhos. O braço de Castle estava sobre a sua cintura. Podia sentir a respiração quente em seu pescoço. A lembrança do dia anterior começou a clarear em sua mente. Eles ganharam a guarda de Dylan. Seu baby boy estava seguro dormindo no quarto ao lado. Sorriu. Ela passara a noite com Castle, não fizeram nada realmente, somente dormiram. Era bom acordar assim. 

Ela fez menção de levantar, mas o braço de Castle a impedia. 

— Não… fique aqui. 

— Castle… 

— Por favor, é cedo. Onde você vai? 

— Preciso trabalhar. Pode dormir. Vá mais tarde para o distrito - ela levantou-se ouvindo os grunhidos de reclamação dele. Ao voltar para o quarto já pronta, encontrou a cama vazia. Dylan deve ter acordado. Ela se encaminhou para ver o bebê. Ele dormia tranquilo agarrado ao elefante. Virou-se para ir até a cozinha. Castle estava na porta do escritório, vestindo um roupão e com duas canecas de café nas mãos. 

— Bom dia, detetive. Sua criptonita para salvar o mundo. 

— Obrigada - ela sorveu a bebida deixando o aroma do café penetrar em suas narinas - eu falei sério sobre ir mais tarde. Volte a dormir, Castle. 

— Eu sei, apenas queria te servir o café. Você não vai dar a primeira mamadeira?  

— Ele está dormindo… não quero acorda-lo. 

— Não precisa, ele mamará de qualquer forma. Pode fazer, sei que quer e depois de ontem, você merece. 

— E o pai dele, não? 

— Terei muitas mamadeiras pela frente - ele sorriu - graças a você - ele a puxou para perto de si, deixou os lábios tocarem os dela delicadamente. Um beijo singelo. Beckett não disse nada.  Sabia que tinham quebrado uma barreira naquele tribunal, uma linha tênue de limite. Ainda assim, havia algo os segurando. Algo muito importante. Ela pegou a mamadeira, preparou o leite. Castle foi até seu quarto, queria dar uma certa privacidade a ela. Kate voltou ao quarto do bebê, com todo o cuidado pegou-o no colo. Tirou o dedo da boquinha trocando-o pela mamadeira. Bastou sentir o gosto do leite para sugar com força e abrir os olhinhos. 

— Bom dia, baby boy… dormiu bem, meu amor? Hoje é um dia muito especial. Você ganhou uma nova família, um novo nome. Dylan Kingston Castle. Nome nobre. Tenho certeza que você será muito feliz aqui com o seu daddy, sua irmã Alexis e sua vovó Martha. Quanto a mim, algo me diz que virei visita-lo mais vezes do que imagina. 

Kate se concentrou em conversar com o pequeno. Quando o leite acabou, ela mudou-o de posição e o fez arrotar. Sentado nas pernas dela, Dylan mexia no colar com o solitário outra vez. 

— Mamama… 

Os olhos azuis pareciam enfeitiçados olhando para Kate. 

— Ah, baby boy. Eu amo você. Vamos dar bom dia para o daddy? - ela se levantou da poltrona e levou-o para a sala - Castle? - o escritor surgira vestido para trabalhar - eu disse que não precisava ir agora. Fique com Dylan. Diga bom dia para o daddy, baby boy

— Daadaddy… 

— Hey, garotão. Bom dia - ele pegou o menino no colo - gostou de tomar leitinho com a Kate? Sei que sim. Não vou para o distrito agora, ficarei um tempo com ele. Prometo que aparecerei  com o seu café entre nove e dez horas. Quando a vó dele decidir acordar e assumir o moleque - ela riu. 

— Tudo bem, vou indo. Ainda vou passar em casa para trocar de roupa. Até mais tarde - ela beijou a cabecinha do menino, levou uma das mãozinhas até seus lábios beijando os dedinhos - tchau, baby boy. Eu vejo você depois - o menino começou a balançar a mão dando tchau, ela sorriu e de repente, ficou sem saber o que fazer. Deveria dar um beijo em Castle, somente ir embora? Ela queria, porém ainda não tinham conversado sobre tudo o que estava acontecendo entre eles, não fora sincera quanto aos seus sentimentos e se iriam começar um relacionamento para valer, precisavam conversar. 

Felizmente, Castle a salvou. 

— Aproveite que vai trocar de roupa em seu apartamento e escolha outra para levar com você para o distrito. Volte para o loft. Eu ainda te devo um jantar, lembra? Vamos aproveitar e celebrar o sucesso da adoção de Dylan. Então, detetive Beckett, aceita jantar comigo essa noite? - ela sorriu. 

— Eu adoraria. 

— Está marcado. Esteja aqui às oito. 

— Mas e o Dylan? 

— Não se preocupe. Estará dormindo ou se você tiver sorte fará o garotão dormir. 

— Até mais tarde. 

Beckett saiu do loft sentindo-se leve. O convite de Castle a pegara de surpresa, porém, ela sabia que era inevitável. Especialmente após o dia de ontem. Caso ele não tomasse a frente, ela pediria para conversar. Não podia ficar dormindo na cama dele como se nada mudasse, não aguentaria e no fundo, ela queria que mudasse, estava na hora. De repente, a sensação de borboletas no estômago a atingira. Iria jantar com Castle. Pretendia falar como se sentia para ele. 

Como isso aconteceu? 

Ela sorriu. Estava ansiosa, nervosa. Antes de ir ao distrito, ela fez um pequeno desvio para o cemitério onde Anna fora enterrada. Comprara flores. De frente para o túmulo da moça, ela abaixou-se e colocou o pequeno ramalhete. 

— Anna… será que você se lembra de mim? Sabe quem eu sou? Nós nos vimos apenas uma vez. Quem diria que esse encontro fosse mudar tantas vidas. A sua, a minha, a de Dylan e de Castle. Infelizmente você não teve a melhor escolha, na verdade, não existiu uma. Sua vida foi tirada deixando aquele bebê lindo e indefeso sozinho no mundo. Não mais. Dylan encontrou uma família, Anna. Um pai que é louco por ele, um homem maravilhoso que será muito importante na vida dele. Ganhou uma irmã, uma avó e tem a mim. 

Kate suspirou. 

— A verdade é que não sei como me definir nisso tudo. Eu não posso assumir seu lugar, quero que Dylan saiba quem foi a mãe dele. Embora ele me chame de “mamama”, eu não posso… eu não quero apagar sua memória. Sei o quanto uma mãe faz falta. Eu me apaixonei pelo seu bebê, eu o chamo de meu baby boy, eu não sei. Se isso fosse um conto de fadas moderno, eu seria a fada madrinha. Tenho que ser sincera, Anna. Eu amo o Dylan com todo o meu coração e o protegerei a vida toda sempre que for preciso. Tem minha palavra. Aliás, eu devo isso a ele. Por causa de Dylan, eu percebi que precisava mudar. E se… - ela parou de falar para respirar fundo, conter as emoções - e se eu e Castle, se passarmos a ser “nós” a partir de hoje, foi você e seu filho que tornaram isso possível. Só queria que soubesse. 

Beckett ficou um tempo olhando para a lápide. Sorrindo, ela virou-se em direção ao seu carro. 

Checou o relógio no momento que pisou no 12th. Oito da manhã. E a partir dali, pedia para que as horas voassem para estar no loft outra vez. 

Quando a viu chegando, Ryan correu para conversar com a detetive. 

— Já soubemos. Parabéns, Beckett. Castle deve estar muito feliz, não? Você também. 

— Sim, estamos. Dylan terá uma família incrível. 

— Sim, pais maravilhosos. Criança de sorte, Castle como pai e você como mãe. 

— Ryan, eu não sou mãe do Dylan. 

— Não? Foi nas entrevistas, por três semanas e se não estou enganado, o próprio Dylan a chama de “mamama”, eu ouvi naquele dia, Beckett. Lute o quanto quiser, não tem mais volta. O capitão está querendo falar com você. Mal posso esperar para ver Castle, ele vem por aqui hoje, não? 

— Vem. Com licença, vou ver Montgomery - algo lhe dizia que o assunto era o mesmo. Não estava errada. Quando o capitão a viu, abriu o sorriso. 

— Detetive, temos boas noticias enfim. Como está Castle? 

— Como o senhor acha? Radiante! 

— E você, nao? 

— Claro que estou feliz. Muito. Dylan está a salvo, crescerá numa ótima família. Tenho a sensação do dever cumprido. 

— Imagino. E entendo, mas algo me diz que já deixou de ser dever há muito tempo, não? Você gosta do bebê, não como qualquer pessoa se encanta por uma criança pequena quando a vê. Você realmente se apegou a ele, detetive. Aposto que irá atuar de babysitter algumas vezes para Castle, a menos que queira ser mais que uma babá para Dylan. Quer dizer, estamos falando do filho de Castle. Nossa! Preciso me acostumar outra vez com a ideia de Castle ser pai. 

— Senhor, eu não tenho nada… - Montgomery a interrompeu. 

— Não diga nada que possa se arrepender depois, detetive. Por que você acha que mantenho Castle no meu distrito? Não é pelo prefeito. Aqui quem manda sou eu. Olhe em volta, quantos detetives bons eu tenho, acha mesmo que tenho necessidade de manter um escritor como consultor? Claro que não. Ele está aqui por sua causa. Porque desde quando Castle se juntou a você nas investigações, você mudou. Ele faz bem a você, Beckett. E a chegada de Dylan apenas reforçou isso. Não tente justificar ou dizer que estou errado. Apenas pense sobre o assunto. Conselho de amigo. 

Beckett sorriu. Parece que todos decidiram que estava na hora de ajudarem ela e Castle a se acertarem. 

— Obrigada, senhor. 

Falando nele, nem bem saiu da sala do capitão, viu Castle saindo do elevador. Trazia os dois copos de café nas mãos. Ao vê-la, sorriu. 

— Bom dia, detetive. Como passou a noite? - ela o olhou como que diz: sério? 

— Tudo bem, Castle? Dylan te deixou dormir? - ela inventara uma conversa apenas para se justificar aos olhos e ouvidos na delegacia. 

— O garotão é tranquilo, principalmente se dorme no colo de alguém - nesse instante Ryan aparece com uma sacola de fraldas, uma daquelas chupetas enormes escrita “It’s a boy!” e um balão em formato de mamadeira com os mesmos dizeres. 

— Olá, papai fresco! Parabéns! - ele entregou a sacola e deu um abraço no amigo - empolgado para mudar sua vida definitivamente com o Dylan? Nada de noitadas, encontros quentes, muita bebida, a não ser que consiga uma babá daquelas suecas ou russas. 

— Acho que ele já tem a babysitter perfeita - disse Montgomery fazendo Beckett baixar a cabeça para que os outros não vissem seu rosto vermelho - Alexis - ele abraçou o escritor - parabéns, Castle.  

— Ah, verdade. Ela vai gostar de mimar o pequeno - disse Ryan. 

— Tudo bem, agora que já cumprimentaram Castle, que tal trabalharmos, Ryan?      

— Beckett tem razão, temos assassinos para prender. Sucesso com a paternidade, Castle. Só espero que o menino não seja desobediente como o pai… 

— Não se preocupe, senhor - disse Ryan - a Beckett não vai deixar ele estragar o menino - eles trocaram um olhar, Castle tinha um sorriso maroto nos lábios. 

— Vai ser um longo dia - suspirou Beckett. 

Foi mesmo. Eles estavam bastante envolvidos em um caso. Castle e suas teorias malucas não estavam ajudando dessa vez a investigação. As evidências e a demora do laboratório tão pouco. Restavam-lhes as entrevistas com os familiares da vitima, os extratos bancários e os telefones. A primeira grande pista surgiu no final da tarde, Esposito descobriu uma terceira conta em um outro banco, a única que não era conjunta com sua esposa e continha três vezes mais o valor da outra considerada a da família. Além disso, havia depósitos e retiradas suspeitas. Por passar de cinco da tarde, eles não podiam investigar mais a fundo com o gerente do banco. Beckett achou por bem encerrar o dia. 

No fundo, ela estava bastante ansiosa pela noite que teria pela frente. Estava curiosa sobre onde Castle poderia leva-la e principalmente nervosa quanto a conversa que ela iniciaria essa noite. 

— Como a detetive Beckett nos dispensou, vou ver meu garotão. Boa noite, rapazes - ele pegou o casaco e sussurrou para que os outros não ouvissem - até às oito, Kate - ela o acompanhou com o olhar até que sumisse no elevador. Esperou mais um tempo, pegou suas coisas e foi para casa. Tinha seguido os conselhos de Castle e trazido uma roupa para trocar, porém, o fato de terem acabado mais cedo proporcionou a ela uma ida até sua casa, poderia ser arrumar melhor. 

Naquela manhã em frente ao seu guarda-roupa, ela debatera qual seria o melhor traje para um jantar com Castle. Não queria nada formal, do dia a dia. Também não queria nada que soasse muito exposto, oferecido. Tinha que ser um meio-termo e ainda assim, especial. Ela queria que a noite fosse especial. Então, ela encontrou o que procurava. 

Quando a campainha soou passavam quinze minutos das oito da noite. Castle respirou fundo antes de abrir a porta. Dylan estava dormindo em seu quarto, Martha e Alexis deixaram o loft há meia hora atrás portanto estavam sozinhos. Ela já ia tocar outra vez quando Castle surgiu na sua frente. Ele vestia um terno risca de giz azul marinho e uma camisa lilás. Ela notou que não usava gravata, sinal de que o lugar não era tão chique assim. 

— Boa noite, Kate. Entre - ela estava de casaco não revelando o que vestia, os cabelos soltos - fique a vontade. 

— Dylan está dormindo? 

— Sim, dei a sopa, depois a mamadeira. Dormiu rapidamente. Pode vê-lo se quiser. 

— Você não me disse onde vamos - falou entrando pelo escritório para o quarto do bebê. Dylan dormia tranquilo. Ela se inclinou para cheirar e beijar a cabecinha dele - quem vai ficar com ele? 

— Vem comigo, quero te mostrar uma coisa - ele a puxou pela mão deixando o loft e entrando na saída de emergencia ao fim do corredor. Subiam as escadas. 

— Castle, não vamos nos atrasar? Você tem reservas, não? O que é tão importante que precisa me trazer até o telhado do seu loft agora e… - ela se calou. 

— Isso - havia uma mesa para duas pessoas muito bem arrumada, toalha branca, pequenas velas, taças e flores. Um garçom esperava para servi-los. A lua imponente no céu. Ela podia ver todas as luzes de Manhattan - não iremos a nenhum restaurante. Nós jantaremos aqui essa noite, Kate. Posso tirar seu casaco? 

— Castle, eu… sim, por favor.

— Você disse que apreciava jantares ao ar livre se me recordo bem. Acredito que usou as palavras “no telhado” - ao se livrar do casaco, sorriu. Lá estava ela, impecavelmente vestida no Herve Leger - a premiere de Nikki Heat. Você está linda, Kate. 

— Obrigada, você também - o garçom se aproximou com duas taças de vinho.

— Aceita, Sr. Castle, Srta. Beckett - eles pegaram a bebida. Castle ergueu o copo para propor um brinde. 

— A uma noite de agradáveis surpresas, e que esse seja o inicio da verdadeira primavera - as taças emitiram o som característico de um brinde, Beckett sorriu para ele. Bebeu um gole e sentou-se à mesa. Ele fez o mesmo. 


— Definitivamente, ainda não perdemos a primavera - Castle comentou.  


Continua...

7 comentários:

Anna Krueskein disse...

SOCOOOOOORRROO MEU DEUS DO CÉU, ainda tô tentando assimilar tudo que aconteceu nesse capítulo! Uau, sem palavras... Foi tão perfeito aaaaa tive que pegar uns lencinhos, foi tão lindo, tudo, do início ao fim!!! AAAAAA QUE COISINHA MAIS MARAVILHOSA ESSES DOIS <3 <3 <3 esses três né aaaa contando os segundos pro próximo!!!!

Camila Lorrane disse...

OMG que cap mais fofo meu deus eu fiquei com medo sim chorei junto com a Kate meu coraçao fico em pedacinhos pensei que o juiz nao fosse da aguarda do Dylan. Castle lascou um Beijo na Kate nao foi um simples Beijo foi o Beijo de paixao . Kate se rendeu dormiram juntos. Seus muros estao caindo Baby Boy cada dia mais fofo quero ele pra min 😍👶🏼💞👣

cleotavares disse...

OMG! Eu chorei, eu sorri, e fiquei com a maior cara de boba lendo esse capítulo. Kate beijando Castle, dormindo juntos, o baby boy é um Castle, uau! lindo demais, Kah. Parabéns!

Vanessa Belarmino disse...

Acho que esse cap foi o mais tenso ate aqui... Eu achava que tudo daria certo ate a última visita e agora na audiência quando a agente começou falar, eu fiquei tensa... E extrema manete emocionada com a defesa de Castle e da Kate... Eles lutaram com unhas e dentes por Dylan, e sim, eu chorei. E como lidar com o apoio mutuo deles... Toques, gestos tao sustos e tao significativos... Com o coração na mão li o veredito do Juiz e chorei mais um pouco... "Nosso filho" Mais lágrimas...
Ate ser atingida por um furacão KB, q agarrou Castle e tascou-lhe um beijão... Ai vem comemoração em família, depois massagem, agrademimentos, mais beijos, e depois ela dorme no loft (na cama com Castle, se aconchegando 😍)... É demais para um coração Caskett...
Café, beijinho, alimentar Dylan... Kate querendo conversar sobre "nós" e o jantar...
Adorei o fato dela ir ate o cemitério e falar com Anna. Foi tao emocionante. Amando ver nossa Beckett cedendo aos sentimentos (ouvindo o coracao, como diz Vovó Jo), primeiro Castle e em breve sei q ela se assumirá como mamama de Dylan... É inevitável!
Esse jantar promete emoções fortíssimas... Ah, Kah vc rouba meu chão constantemente, e eu amo isso. Obrigada por nos presentear com suas fics!❤❤❤

Silma disse...

"Salve Dylan, por favor,Rick" aquele tiro típico de dona Karen.
"Conseguimos. "Dylan…. ele é… meu filho.Nosso filho" surtei 😍 GRITEI 😍 chorei 😍
"Dylan Kingston Castle" meu coração não aguenta ❤️
"Obrigada por tudo,Martha" Martha anjo da guarda 👼
"Você também não precisa ir" nem surtei 👌🏽imagina 👀
"Obrigada por me defender,por não esquecer o que me fez policial" se não for pra causar ela nem escreve.
"Vou precisar de uma roupa para dormir" PELOAMORDEDELS 😍 "Kate?Você vai dormir na minha cama?" 😱oiiiiii??? 
"Sim,Castle.Vamos dormir" 😂😂😂😂dormir migo 👌🏽
"Envolvendo um braço em sua cintura,ele beijou-lhe o rosto,o ombro" que coisa linda 😍

Priscila Barros disse...

AIIII MEU CORAÇÃO!!!!!!!!!!!! Eu chorei lendo!!!! Ai meu emocional!!!!! Ai que tensão nessa audiência, meu coração ficou pequenininho, quando aquela agente começou a falar aquelas coisas da Kate e do casamento eu fiquei louca da vida querendo socar a mulher!
Eu chorei lindamente com o depoimento do Castle e da Kate, quanto amor numa cena!! Tanto envolvimento dos dois, tanto carinho e tanta verdade mas palavras de ambos. Foi tudo tão lindo ❤ quando veio o veredito e o beijo eu quase pulei aqui!!!! ❤❤❤❤
Baby Dylan agora é um Castle, meu coração tá tão cheio de amor ❤❤❤❤
E o que foi eles dormindo juntos? Eu não tenho palavras pra dizer o tanto de amor, fofura e alegria que essa fic trouxe pra mim! Cada capítulo lindo é uma emoção nova, com todo esse amor ❤
Obrigada, mil vezes obrigada por esse capítulo lindo e repleto de amor, Kah. ❤❤❤❤❤❤
Vou correr pro próximo, quero ver esse encontro, meus amorzinhos ❤❤❤❤❤❤❤❤
*Perdoa meus surtos e não desiste de mim, por favor hauaha*

Gabriela Mendonça disse...

Essa agente é maluca é? Meu Deus... eu jurava que tava tudo 90% de bouas... de repente a mulher me abre a boca e cai de pau na Kate... tá maluca minha Senhora?
"O Sr. Castle saiu-se muito bem cuidando do bebê, isso me deixou um pouco preocupada." Preocupada fiquei eu...
"Eu prefiro terminar meu depoimento, meritíssimo." eu prefiro que a senhora se cale... ta me deixando nervosa já...
"Um delas foi decisiva para o meu parecer." Quem será? Quem será o Salvador...
"Ele a puxou contra seu corpo, um dos braços envolta de seus ombros. Beckett ainda tinha a mão entrelaçada a dele." Cadê o Castle para segurar minha mão, também? Gente que mulher é essa? ta caindo de pancada...
Rick, arrasou no discurso... o amor dele por Kate e por Dylan é lindo.
Meu Deus... esse discurso do juiz foi a coisa mais difícil de assimilar... muita emoção gentes kkkk
E o dia foi salvo por quem? Martha Rodgers... " Sim, um video que sua mãe mostrou a ela."
arrasou, Dona Martha.
"ela acariciou o rosto dele, inclinou-se e beijou-lhe carinhosamente os lábios. " opaaa, alguém esta deixando se envolver? adoroooo... esse jantar vai ser o inicio oficial desse romance...
"— Kate? Você vai dormir na minha cama?" kkkk calma, escritor.
Meu DEUs... O Castle é uma caixinha de surpresa... como assim jantar no telhado do loft? Desse jeito não há Kate que resista... aliás a última coisa que ela quer é resistir.